Falsas Juras – Capítulo 8
Escrito por
Wagner Nascimento
Cena 1- Hospital / quarto de Heloísa / Int / Manhã
Continuação imediata do capítulo anterior.
Heloísa aos poucos vai abrindo os olhos, ela encara Exdras por um tempo. Exdras também se
mantém com o olhar firme nela.
Heloísa: O que aconteceu? Porque eu estou aqui? Quem é você?
Exdras: Você não se lembra do que aconteceu?
Heloísa se cala, Exdras fica a espera de uma resposta.
Exdras: Qual é o seu nome?
Uma lágrima surge no olhar de Heloísa, ela vira o rosto de lado, a lágrima atinge seu
travesseiro.
Exdras: Você… Não vai me responder?
Heloísa volta a encará-lo: Eu… Eu não sei meu nome…
Exdras: Não sabe?
Heloísa: Não sei!
Exdras: Tudo bem, mas sabe como você sofreu esse acidente?
Heloísa: Eu… Não, não sei!
Exdras: Então você perdeu a memória!
Heloísa: Como eu vim parar aqui?
Exdras: Eu te achei caída na praia, estava ferida!
Heloísa: Eu… Não consigo lembrar de nada. Porque?
Exdras: Deve ter sido por causa do acidente. Mas não se preocupe, logo você vai se
lembrar de tudo. Agora tente descansar. Eu vou atender uns pacientes, mas mais tarde
volto pra te ver, com licença!
Ele sai. Heloísa encara a janela com um olhar vazio.
Corta para
Cena 2- Casa dos Silva / Sala de jantar / Int / Manhã
Estão todos a mesa, menos Frida que chega e se junta ao resto.
Frida: Otávio a mesa no café da manhã? Quem diria…
Otávio: Porque não me chama de pai Frida?
Frida: Porque você não é meu pai. E eu pensei que você ja tinha se acostumado com isso!
Jonathan: Isso que você está fazendo o papai não é justo Frida. Ele quem cuidou de você
desde que nossa mãe sumiu!
Frida: Vai ver ela teve motivos para sair daqui assim do nada! – ela encara Otávio – vai
saber o que ela passava!
Otávio: Será que podemos encerrar esse assunto? Eu quero terminar meu café em paz!
Sofia: Porque o senhor não gosta quando falamos da mamãe?
Otávio: Porque ela não merece que discutimos por causa dela. Essa família não importa
mais para ela desde o dia em que ela fugiu e nos deixou aqui. Será que fui claro?
Sofia: E por que ela fugiu?
Otávio: Esse assunto está encerrado Sofia, não quero mais falar sobre ela, e nem quero
que vocês ficam falando!
Frida: Pois saiba que eu não cansarei de falar da minha mãe. Só lamento por ela não ter
me levado junto, me deixou aqui com essa gentinha!
Otávio se levanta, ele bate forte na mesa: Chega, eu cansei!
Jonathan: Pai, termina seu café!
Otávio: Eu perdi o apetite! – ele sai.
Sofia: Precisava falar isso Frida?
Frida: Eu não sou obrigada a deixar de falar da minha mãe porque o pai de vocês não
gosta. Que se dane ele e vocês também!
Jonathan: Você é uma mal amada isso sim. Não sabe reconhecer que nosso pai cuidou de você
desde que era um bebê!
Frida: Eu não obriguei ele a nada!
Sofia se levanta: Eu não sou obrigada a ficar aqui ouvindo besteiras. Eu vou pro meu
curso!
Frida: Curso? Que interessante!
Sofia a ignora e sai. Jonathan encara a irmã com olhar de decepção, ele também sai.
Frida sorri: Tenho certeza que a minha mãe é uma mulher rica. Na certa esse negro idiota
deve ter feito algo muito ruim a ela, e eu vou descobrir o que!
No olhar de Frida corta para
Cena 3- Apto de Aline / Sala / Int / Manhã
Cauã chega, Aline fica feliz ao ver o filho.
Aline: Filho, não sabe a felicidade que da te ver de volta. Quando tempo em? Achei que
tinha esquecido de sua velha mãe!
Cauã: Sem exageros mãe, eu só passei uma semana fora!
Aline: Uma semana que mais pareceu um ano!
Ela abraça o filho.
Aline: Tá tudo bem com você? Se alimentou direitinho!
Cauã: Mãe, por favor né. Eu não sou mais uma criancinha a muito tempo! – ele entra para o
quarto.
Aline: Esse garotos de hoje em? Agem como se a gente não fosse a mãe deles!
Logo Cauã volta com a mochila nas costas.
Aline: Já vai sair?
Cauã: Sim, vou dar uma volta. Mas não se preocupe, volto logo, ainda não estou indo
embora de casa!
Aline: Tudo bem, mas cuidado com esse celular ai, sabe como tá essa cidade!
Cauã: Não se preocupe, eu sou muito bem cuidadoso!
Ele sai.
Aline se senta: Espera, ele disse ainda não estou indo embora? O que ele quis dizer com
isso?
Cena 4- Lojas Demétrio’s / Int / Manhã.
Os funcionários estão todos reunidos no interior da loja olhando para cima onde estão
Felipe e Liandra juntos.
Felipe: É com um aperto no coração que eu estou assumindo os negócios da loja. A Heloísa
se dedicava muito a ela, mas como ela foi vitima desse desastre eu passo a assumir tudo,
e tenho certeza que ela ia gostar disso. – ele encara Liandra – e partir de hoje Liandra
será muito diretors geral. Bem é isso, eu espero que a gente possa fazer muito pela
Demétrio’s!
Os funcionários aplaudem. Felipe e Liandra trocam olhares de cumplicidade.
Demétrio’s / Presidência / Int /Manhã
Felipe está sentado na cadeira da presidência. Letícia entra.
Letícia: O que foi aquilo Felipe?
Felipe: Letícia, por favor, da próxima vez bata antes de entrar. Mas em que posso lhe ser
útil?
Letícia: Eu não tô acreditando nisso, eu me dedico a mais de ano a essa loja e você
resolve colocar logo a Liandra como diretora, ela tem poucos meses aqui!
Felipe: E o que você quer dizer com essa explicação toda Letícia?
Letícia: Eu, eu era a pessoa mais capacidade para esse cargo. A Liandra não se da bem nem
como vendedora!
Felipe: Olha Letícia, em primeiro lugar: EU sou o dono de isso tudo aqui e presidente
dessa loja. Em segundo lugar, eu coloco como diretora da MINHA loja quem eu quiser.
Então, se você preza por seu emprego aqui, não me venha com suas desavenças se exaltando
com palavras aqui não, entendido? – Letícia se cala – EU PERGUNTEI SE VOCÊ ENTENDEU? ME
RESPOSTA SUA ANTA!
Letícia: Sim!
Felipe: Muito bem, agora fora da minha sala que eu tenho mais o que fazer!
Letícia sai, Liandra entra sorridente.
Liandra: Ricos, tem noção do quanto isso é… Ma-ra- vi-lho- so?
Felipe: Tendo sim, mas você tem que deixar de desfilar por ai esse sorriso, não podemos
dar brecha!
Liandra sorri: Para com isso Felipe, a gente já não passou a madame?
Felipe: Cala a boca sua idiota. Quer que todo mundo saiba?
Liandra: Nossa que stress! Eu só vim aqui porque quero um favor!
Felipe: Favor… Tava demorando!
Liandra: Você sabe da minha história, sabe do que eu passei com meu pai!
Felipe: Sei sim, mas ainda não entendi o que você quer!
Liandra se levanta sorrindo: Simples, eu quero voltar em Ponte Quebrada e esnobar na cara
daquele povinho de merda. E principalmente do velho rabugento do meu pai!
Felipe: Tudo bem Liandra, faz o que você quiser, a gente tem um helicóptero!
Liandra sorri: Helicóptero? Não poderia ser melhor!
Corta para
Cena 5- Praça / Ext / Manhã
Sofia está a espera de que a ONG seja aberta quando alguém lhe toca no ombro. Ela se vira
e sorrir ao ver Cauã.
Sofia: Cauã!
Cauã: Acha mesmo que eu ia ficar muito tempo sem te ver?
Sofia: Mas o que te traz aqui assim tão cedo?
Cauã: Eu queria saber se você pensou na minha proposta. Eu sei que ainda é muito cedo, a
gente mau se conhece e/
Sofia corta: Sim, a gente mau se conhece, mas parece que crescemos juntos! – sorri.
Cauã: Isso quer dizer que/
Sofia corta: Sim, eu aceito namorar com você!
Cauã sorri, ele da um beijo em Sofia que corresponde resultando num longo beijo
apaixonado.
Cena 6- Rua / Ext / Tarde
Daniela vai caminhando quando se depara com Tomás saindo de um prédio.
Daniela: O Tomás? Aqui? Mas o que ele tá fazendo aqui gente? A Kelly tem que saber disso!
Ela sai apressada.
Lanchonete / Int / Tarde
Kelly se senta a mesa onde Daniela está.
Kelly: O que aconteceu Dani? Ainda não estou entendendo aquele seu telefonema!
Daniela: É sobre o Tomás!
Kelly: O que o Tomás fez dessa vez?
Daniela: O que ele fez eu não sei, mas eu vi ele saindo de um prédio aqui perto quando eu
tava indo para casa!
Kelly: Prédio? Que prédio menina?
Daniela: Um prédio aqui perto, e não adianta acreditar que ele estava trabalhando porque
é um prédio residencial!
Kelly atônita: O Tomás, saindo de um prédio. Mas isso ta muito estranho!
Daniela: Você é minha amiga, por isso que tive que contar, sabe-se lá o que ele estava
fazendo lá!
Kelly: Fez bem Dani, muito bem. Eu vou ficar de olho no Tomás de agora em diante, não vai
adiantar eu perguntar porque ele não vai me dizer a verdade!
Daniela: Se eu fosse você seguia ele para ver o que ta acontecendo!
Kelly: Pode deixar, eu vou ficar de olhos abertos!
Nos olhos surpresos de Kelly corta para
Cena 7- Hospital / Quarto de Heloísa / Int / Tarde
Extras entra, o médico estava a examinar Heloísa.
Exdras: Então doutor como ela está?
Médico: Aparentemente, tudo bem, ela já pode ter alta!
Exdras: Que bom, então ela esta bem!
Médico: Sim! Eu vou preparar a alta dela! – ele sai.
Exdras: Você está se sentindo bem? Lembrou de algo que possa te levar para casa?
Heloísa apenas balança a cabeça que não.
Exdras: Você vai poder sair do hospital hoje. Eu vou te ajudar a encontrar sua família,
te levarei pra casa e pensamos em algo. Só que vai ficar ruim pra mim me comunicar com
você sem saber o seu nome!
Heloísa apenas o encara com olhar seco.
Exdras sorri: Eu posso te chamar de… Rita?
Heloísa força um sorriso e faz que sim com a cabeça.
Exdras: Tudo bem Rita, assim que você tiver alta eu te levo pra minha casa, OK!
Heloísa: Ok!
Exdras sorri encarando a mulher, ela também não tira os olhos dele.
Cena 8- Apto de Exdras / Sala / Int / Fim de Tarde
Exdras entra carregando algumas sacolas.
Exdras: Bem vinda Rita. Essa é minha casa onde você ficará até que encontremos sua
família!
Heloísa olha atentamente cada canto do lugar.
Exdras: Venha comigo, vou te mostrar o quarto!
Corte descontínuo
Exdras entra no quarto, ele coloca a sacola em cima da cama.
Exdras: Esse é o quarto do meu filho, mas você pode ficar aqui por enquanto. Tem suas
roupas aqui, tem toalha aqui no closet também, tome um banho e se vista, eu te espero pro
jantar. Com licença!
Heloísa nada diz. Exdras sai e fecha a porta. Ela anda pelo quarto encarando todos os
móveis, abre o closet, tem algumas roupas do Cauã. Ela caminha em direção da janela, abre
as cortinas. Pela janela ela observa uma mulher dando de mamar para uma criança, ela
sorri.
Corta para
Cena 9- Ponte Quebrada / Ext / Fim de tarde
Um fim de tarde típico de cidade pequena, algumas crianças brincam na rua. Enquanto
pessoas estão sentadas na calçada, de repente ouve-se o barulho que parece ser de um
avião. O helicóptero surge de detrás das serras, todos ficam surpresos com o objeto que
sobrevoa a cidade, as crianças correm como se quisessem alcançá-lo, mas ele acaba
sumindo.
Corta para
Um carro sedan preto passa pelas ruas deixando todos curiosos, para em frente a antiga
casa de Liandra, logo Diana surge na porta secando as mãos num guardanapo.
Do carro, após o motorista abrir a porta, desce Liandra trajada elegantemente. Ela encara
a casa da mãe e tira os óculos escuros sorri olhando em volta.
Liandra: OLHA EU AQUI DE NOVO NESSA POCILGA DE CIDADE! – sorri. – QUERO VER QUEM VAI
SORRIR DE QUEM AGORA!
Diana sai da casa, um sorriso no olhar: Liandra, filha é você?
Liandra: Mãe!
Diana abraça a filha: Que bom te ver filha! Tava com tanta saudades!
Liandra: Pois é. Sou eu em cárie osso e glamour nessa cidadezinha horrorosa!
As pessoas começam a cercá-los, ouve-se burburinhos.
Liandra encara a mãe: Cadê ele? Cadê o velho safado do meu pai?
Diana fica séria.
No olhar sombrio de Liandra corta para
Fim do Capítulo 8
Continua
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