Programas | Observatório da escrita

Edição 1

Escrito por: Marcelo Delpkin11/11/2018 - 18:00

Olá! O Observatório da Escrita está no ar! Sou Marcelo Delpkin, autor da novela O Leão e apresentador do Cyber Show e do Cyber Backstage. Neste espaço, farei a resenha semanal (antes feita no quadro De Olho na CyberTV), além de trazer convidados para indicar suas obras literárias favoritas e de deixar dicas práticas para uma melhor escrita. Vem comigo!


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A primeira obra a ser analisada no Observatório é Vale Dicere, a pedido do próprio autor – Melqui Rodrigues. A série, já exibida no portal latino Glook e também em blog próprio, estreou na WebTV em 19 de outubro. Até hoje, foram exibidos os dois primeiros episódios. É sobre eles que vou escrever hoje.

Vale Dicere conta a história do famoso e inescrupuloso cientista Addan Melvick, cujo objetivo é dominar o mundo com ajuda de cães geneticamente modificados. Ele só não esperava que um deles estivesse contaminado com o vírus da raiva. Resultado: uma pandemia que transforma cães e humanos em zumbis assassinos; basta uma única mordida. E a Grã-Bretanha se torna palco de pânico e terror em todos os seus arredores. Enquanto isso, os jovens Lisa e Cristhian (escreve-se assim mesmo) se unem contra o ataque das feras.

O formato de escrita mescla o literário com o roteiro, a exemplo de diversos trabalhos divulgados atualmente no Mundo Virtual. É uma tendência que vem crescendo nos últimos tempos. Alguns leitores gostam, outros nem tanto. Questão de preferência pessoal.

Vamos aos trechos de destaque:

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No trecho acima, assim como em boa parte dos dois capítulos, notam-se alguns problemas com a pontuação. Um deles é a falta da vírgula para separar o vocativo (chamamento). E a penúltima fala do médico poderia ter uma pontuação adequada em relação ao sentido das palavras, além de ser pedida a separação da preposição DE e do artigo O, quando em seguida vier um verbo no infinitivo (falecer). Uma sugestão:

Médico: …E isso gerou uma reação em cadeia. Antes de o animal falecer, ele demonstrou características estranhas. Nunca vimos isso acontecer.

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Interessante o excerto em que o médico e os cientistas discutem sobre o estado do cachorro. Até que ocorre o primeiro ataque da série, ali mesmo.

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Aqui me incomodou um pouco o excesso da palavra doutor. Mencionar apenas uma vez no parágrafo já seria o bastante, até porque os leitores sabem que se tratam de cientistas e médicos. Outro problema está no uso da expressão os demais na segunda frase. Subentende-se que esses “demais” sejam os cientistas, mas um leitor mais desatento pode relacionar aos cães citados na frase anterior.

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Gostei da maneira com que o autor construiu o flashback, ainda no primeiro capítulo. Não tem como não ter raiva do vilão ao ler esta e outras cenas. Considero Addan como o personagem melhor construído até agora, assim como a mocinha de origem sul-coreana Lisa. Os atores também são impressionantes: o falecido Rogelio Guerra (sim, o galã da mais famosa versão de Os Ricos Também Choram, de 1979) e a belíssima Ailee.

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Sequência de muita tensão com a cientista Fionna, prestes a ser pega pelas feras ou morta durante a subida do elevador. Detalhe: é uma das cenas mais leves! Cabeças e vísceras explodindo e braços decepados são pura rotina em Vale Dicere. Se você é sensível a este tipo de programa, nem pense em ler (risos).

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No trecho acima, já no segundo capítulo, Cristhian cita a famosa série Residente Evil. Snorlax, personagem do desenho Pokémon, também chega a ser citado pelo personagem.

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A primeira coisa que me veio à cabeça ao ler esta cena foi o Portal Glook, que apresenta histórias em língua espanhola. Lembrei-me mais exatamente de um participante espanhol conhecido do autor. Gostei muito das expressões espanholas usadas pela Ru. Mais uma vez fica explícita o uso inadequado da pontuação. A palavra diva deveria ser escrita com inicial minúscula, pois neste contexto significa mulher famosa e deslumbrante.

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Aqui está uma das cenas “superfofas” de Vale Dicere! Fiquei imaginando como seria vê-la na tela da Netflix ou do Youtube.

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Mais um momento de tensão, desta vez com Lisa e Cristhian. E pensar que teremos que esperar algumas semanas pelo próximo capítulo, para sabermos como eles se salvarão. A expectativa da morte é sempre um ótimo gancho, e o autor sabe trabalhar muito bem este detalhe.

Vale Dicere poderia facilmente ser transformada em uma boa série cinegrafada a ponto de atrair espectadores e até fãs. É uma leitura obrigatória para escritores e leitores de obras virtuais. A WebTV posta os episódios em sextas-feiras periódicas. Para conhecer mais, clique aqui.


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Para o programa de estreia, a convidada é especialíssima: Cristina Ravela, dona do famoso Blog da Zih e escritora de obras como Gato Preto (exibida aqui na CyberTV), Raíza e Anti-Herói.

“Quem me conhece, sabe o quanto gosto de histórias policiais e de suspense, mas ao ser convidada a indicar um livro ou uma série, lembrei logo de uma história pouco ágil, mas muito tocante e brutal, sem derramar uma gota de sangue. Indico a vocês o conto Onze de Maio, de Rubem Fonseca, do livro O Cobrador.

Rubem Fonseca é conhecido pela sua facilidade em abordar temas do cotidiano, desnudando a mente doentia de seus personagens à medida que descreve a brutalidade urbana. Policiais, prostitutas e marginais são personagens bastante recorrentes, e tudo sem perder o tom da crítica.
Em Onze de Maio, o autor traz uma violência dissimulada no interior de um asilo para retratar a discriminação social. Lá, os idosos tentam planejar um motim, devido a um completo desvario. Por tratar-se de uma realidade nua e crua de uma parcela esquecida da sociedade, os contos de Rubem Fonseca não têm a função de serem positivos para alguém. Seus finais são quase sempre trágicos, reticentes, ou felizes para a marginalidade. Porém, é uma crítica social muito interessante. Os internos tentam salvar as próprias vidas de uma suposta ameaça, desejando a liberdade, mas quando eles têm a chance de “mudar o sistema”, eis que os idosos se comportam como ratos na roda.

Eu amei o conto, me senti dentro daquele cenário imundo e desprovido de cuidados, totalmente isolado da sociedade. Recomendadíssimo!”

Obrigado por sua indicação, Zih! Espero contar com você mais vezes.


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Hoje vamos falar de um assunto que deixa muita gente de cabelo em pé, quando o assunto é a língua portuguesa. Afinal, qual é a diferença entre MAS, MÁS e MAIS?

MAS
É uma conjunção coordenativa adversativa, usada para expor uma informação contrária àquela que se deu anteriormente. Sinônimo de porém, contudo, todavia, entretanto. Pode ser substantivado, como no terceiro exemplo. Veja:

Giane e Fernanda são filhas de Oscar, mas Rayssa é filha de Augusto.
Alice escapou do acidente com vida, mas Sophia não teve a mesma sorte.
Não tem mas, nem meio mas.

MÁS
É o plural do adjetivo feminino má:

Os vilões pagam por suas más ações.

MAIS
É um advérbio de intensidade, mas também pode ser usado como pronome, substantivo, preposição ou conjunção. Indica inclusão, aumento de quantidade ou aumento de intensidade. É antônimo de menos. Observe:

Solange roubou mais dinheiro da Bellatex.
Cecília mais Alícia foram àquela requintada festa.
Quanto mais as horas passam, mais estou ansioso para ler a série 00:00.


Falando em 00:00, não percam a estreia da série antológica nesta terça. O conto Encontro Às Escuras de Isa Miranda é o primeiro. E amanhã tem o último capítulo de Triângulo Amoroso.

Daqui a pouco, às 20h, nos vemos no Cyber Show. Até já!

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