Olá, leitor(a)! Como vai? Espero que muito bem, agora que o Observatório da Escrita está no ar. Vamos lá!

No último programa, iniciamos um especial sobre a pontuação dos diálogos em textos narrativos com algumas normas referentes aos verbos dicendi (de fala) e sentiendi (de sentimentos e reações), ambos de elocução.
Hoje trago mais algumas dicas ligadas a esses verbos e também aos verbos comuns. Vamos lá?
1) Fala terminada em ponto final e seguida por travessão:
Se o diálogo for regido por um verbo de elocução (disse, indagou etc.), o ponto final desaparece e a parte que vem após o travessão começa com letra minúscula.
— O dia está ensolarado. — disse a noviça.
(note o ponto riscado. Ele desaparece, e a fala fica como abaixo)
— O dia está ensolarado — disse a noviça.
2) Fala terminada com outra pontuação e seguida por travessão:
Neste caso, a pontuação — reticências, ponto de interrogação ou de exclamação — não é excluída.
— Que dia lindo! — comemorou a noviça.
— Hoje é o aniversário da Cássia? — indagou a vizinha.
3) Fala regida por um verbo comum, ou seja, que não é de elocução, e seguida por travessão:
O ponto aparece no fim da fala, mesmo sendo um ponto final. Após o travessão seguinte, a frase se inicia com letra maiúscula.
— Acabei de adotar dois filhotes daquela gata feral. — Cláudia punha os pequeninos no colo.
— E assim Rapunzel voava na imaginação… — E alguém batia à porta.
4) Fala entre aspas:
Se o verbo for de elocução, o ponto final da fala some assim como na regra do travessão. Há sempre uma vírgula após a aspa de fechamento para ligar a fala ao verbo dicendi/sentiendi.
“O bolo estava delicioso. Parabéns!”, elogiou.
“O prédio foi atingido por três aviões terroristas”, narrou o jornalista.
Se o verbo for do tipo comum, a frase seguinte já vem “colada” à fala, sem vírgula de separação.
“O cãozinho passeava alegremente pelas ruas.” Imagens do animal eram transmitidas, enquanto a repórter narrava o texto.
5) Elocução antes da fala:
Deve-se colocar dois-pontos para abrir o diálogo:
Antes de partir, o motorista disse:
“Coloquem os cintos de segurança, pois a estrada é muito sinuosa.”
Existem ainda normas para casos mais específicos, como o de diálogos dentro de diálogos. Para informações adicionais, entre em http://curtaficcao.blubrry.com/2018/05/10/dica-de-escrita-como-pontuar-dialogos/
Na próxima semana, teremos um novo tema, motivo de muitas discussões, no bom sentido, sobre a vivacidade da língua portuguesa e as variações sociais — o gênero neutro, também conhecido como “a língua do X (ou do E)”. Está imperdível!

No último dia 14, em substituição a E Vamos À Luta!, estreou Pedra de Tropeço, primeira novela de Samuel Brito na Cyber TV — ele é autor de minisséries e contos como Judas, Psi e A Cesareia. Até então (27/09), já foram exibidos seis dos 21 capítulos programados. Vamos aos acontecimentos da trinca de episódios iniciais, enquanto revelo a sinopse.

1945, Mutuípe, interior da Bahia. Local de pobreza extrema. Tiffany, ainda menina, é vendida pelo pai, Paixão, em troca de um punhado de sal e de carne seca. Os anos passam, até que a ação se firme em 1960. A protagonista, traumatizada, deseja esquecer para sempre o que lhe aconteceu… mas o destino, através do filho John, que vai obrigá-la a retornar às origens e encarar o homem a quem nunca perdoou.
Tiffany tem vencido na vida da forma que acha a melhor. Vive com John nos Estados Unidos e trabalha como prostituta para se sustentar, sem que o filho saiba. Tem boa relação com o ex-marido, Frederico, motivo pelo qual ele ainda nutre esperanças de um dia reatar o casamento. Após o pedido de John para conhecer a família brasileira, Tiffany reluta, mas acaba por atendê-lo. Após ela não permitir que o pai do menino os acompanhe na viagem, Frederico não autoriza a ida de John. Assim a anti-heroína consegue com um agente uma assinatura falsificada do ex e segue rumo a Mutuípe. O terceiro capítulo termina com o reencontro entre ela e Paixão. O que será que se sucede daí? Continue acompanhando os capítulos. Vamos às impressões:
A personagem central traz nuances, podendo ser vista como uma mãe zelosa e desprendida, como uma jovem sofrida, mas também como uma mulher amoral e que aprendeu a lutar pelo que é seu nas ruas. É a mocinha e a vilã da história, e assim o principal motivo para acompanhar a novela. Os capítulos são bem curtos, mas o bastante para o desenrolar de poucos personagens, menos de dez centrais. Tudo ali acontece em torno de Tiffany, não há subtramas. É um folhetim com conflitos próprios do gênero, mas com elementos de série em sua “forma física”.
Os diálogos são muito diretos, alguns até um pouco agressivos, com ritmo de série. Nada mal para o horário das 21h. Só cuidaria para amenizar um pouco as falas quando o menino John estivesse nas cenas. Atenção também às pontuações, especialmente em vírgulas juntando frases que deveriam estar separadas por pontos finais. Boa construção de roteiro, com personagens descritos, transições, formatações. O único porém está nas rubricas. Algumas vêm em negrito, e outras não. Cuidado! Ou um, ou outro, e seu texto fica mais uniforme.
Pedra de Tropeço é uma boa história pra quem curte uma leitura mais rápida e focada em um único ponto, mas que tem ganchos interessantes de vez em quando. A novela é exibida às segundas, quartas e sextas, às 21h. Não perca!
Por hoje é só, mas daqui a pouco tem Cyber Backstage. Até já!
novela de UÉLITON ABREU
estreia: 6 de outubro, às 21h





