Se não for você, não será mais ninguém!
Na temporada anterior…

Em 1300 anos os tempos mudaram em tamanha velocidade que fora necessária essa adaptação, os cultivadores anciões nomearam novos lideres de suas seitas e criaram leis no mundo do cultivo, não era necessário que pessoas comuns soubessem da existência dos cultivadores, bastava-lhe dizer que sempre onde houvesse necessidade seria feita a limpeza espiritual da região que cada seita comandava. Logo, às quatro grandes seitas mantinham suas sedes tais como eram no passado e sempre se reunião em conferência para estabelecer novas metas e adaptação as eras modernas.
Naquela manhã, Lan WangJi costumeiramente levantou às 5 horas e após seus afazeres habituais iria receber seu irmão Lan XiChen para uma reunião no escritório que ficava no prédio onde a empresa GusuLan instalara seus negócios de exportação e importação de bens e serviços com empresas estrangeiras.
Suaves batidas na porta, seguida do deslizar lateral, revelou aquele que WangJi aguardava, caminhando até seu irmão aguardou terminar seu Inquérito. Observava silencioso quando sentou ao seu lado. Alguns minutos depois, WangJi encerrou e virou a face para o irmão, curvando a cabeça solene.
— WangJi, estou preocupado, prometera que não voltaria a tocar para saber sobre ele.
— Irmão.
— Eu compreendo, mas já se passou tanto tempo…
Lan WangJi levantou e caminhou para a mesa ampla sentando na cadeira principal, ligou seu computador e virou o rosto para seu irmão aguardando começarem a reunião.
— Muito bem, não falarei mais sobre o assunto, vamos começar.
A pessoa que tocava a melodia, virou-se e sua face revelara quem tanto Lan WangJi desejava, em total estado de transe caminhou para a pessoa sem perceber um veículo que se aproximava.
— Amuletos do templo do dragão comprem, protejam suas casas dos espíritos malignos… – O rapaz de sorriso largo nos lábios que encerrara sua melodia na flauta começou a oferecer aos pedestres que passavam. – Amuletos do dragão.
— Wei Ying.
Lan WangJi estava tão atordoado com a visão do rapaz idêntico a Weii WuXian que não conseguia ter atenção a nada em sua volta, até notar que o rapaz percebeu que o olhava. Ele sorriu e estendeu os punhados de amuletos lhe oferecendo. Como tudo a volta sumiu, sons e pessoas, WangJi somente via aquele rapaz sorrindo e continuou a caminha em sua direção, não percebendo que um carro derrapou na pista molhada e vinha em sua direção.
Os olhos do rapaz mudaram de direção e gritou para WangJi, correndo em seu encontro empurrando-o para a calçada. O som do carro derrapando em seguida o som de um baque despertou Lan WangJi que viu cair a poucos metros dele o corpo do rapaz que tocava a flauta.
Tumulto e pessoas se juntando para ver, WangJi rapidamente foi até ele, sua face fria empalideceu vendo o sangue que escorria no rosto do garoto.
— Wei Ying.
— Lan Zhan, sabe, eu tenho que te dizer o quanto estou feliz por você ter ajudado. – Passou a mão na nuca, demonstrando seu estado de vergonha. — Eu quero dizer que…
Sem notar aproximação de WangJi, Wei Ying foi surpreso com um abraço do outro. WangJi sentou na beira da cama e abraçou-o trazendo-o para junto dele. Aquele contato fora inusitado e fora do comum para aqueles que conheciam o segundo mestre Lan. Até mesmo Wei Ying ficou abismado por um tempo antes de notar que o outro ofegava baixinho com o rosto afundado em seu ombro.
Recuperando-se do impacto daquele abraço, Wei Ying levantou as mãos, ainda sem jeito, tentando envolver o ombro de WangJi em seus braços. Quando conseguiu ficou afagando em silêncio as costas de WangJi, minutos se passaram quando finalmente resolveu voltar a falar.
— Lan Zhan, perdão, eu fugi e…
— Wei Ying. – WangJi afastou seu rosto e olhou diretamente o garoto. – Não.
Wei Ying ficou olhando-o.
— Lan Zhan está com raiva de mim?
— Não.
— E, porque não aceita meu perdão?
— Não há nada para perdoar.
Wei Ying baixou o olhar e murmurou sobre as coisas que vendeu dadas de presente, o dinheiro que pagou a dívida e principalmente por WangJi ter ajudado o orfanato.
— Wei Ying. – WangJi levantou o rosto do garoto com às duas mãos e o fez olhá-lo. – Está feliz?
Wei Ying estava encantado com aquela face perfeita e ao ouvir a pergunta sorriu amplamente.
— Sim.
— É o que importa.
Ambos estavam emocionados com aquele momento, por fim, Wei Ying que quebrou o silêncio e voltou a tagarelar, falando do orfanato e das crianças lá. WangJi encostou ao seu lado na cama e ficou ouvindo fala, havia um sorriso singelo na face da jade e uma expressão de alívio, afinal, Wei Ying havia voltado.
WangJi caminhava pela terra negra e morta da Colina Sepultura, aquele lugar que fora por ele tantas vezes visitado no passado lhe era familiar, em todas as ocasiões que vinha era para inquirir o espirito de Wei WuXian. Andando por um tempo observando todo local, pressentiu que algo não estava certo quando chegou a caverna do Abate do Demônio.
— Wei Ying.
WangJi olhou atentamente para sua entrada, a caverna estava silenciosa, sua expressão calma não entregou a apreensão que sentia, pensativo virou-se para verificar a redondeza. Estava certo que era o sonho de Wei Ying, porém mesmo que não estivesse em Empatia, algo o arrastou de volta a imersão no subconsciente do garoto.
Andou alguns metros para frente, nesse instante o som de uma flauta lhe chamou atenção, rapidamente virou a face e lá estava sentado na beira de uma elevação de rocha Wei WuXian. Ele tocava a flauta despreocupado, tinha os olhos fechados e estava encostado balançando uma das pernas que estava pendurada naquela parte da pedreira.
— Wei Ying?
Quando WangJi pronunciou seu nome, no mesmo instante a flauta silenciou-se e Wei WuXian abriu os olhos virando o rosto diretamente para WangJi. Seus olhos eram vermelhos e na sua face à expressão era tediosa.
Wei WuXian olhou-o por um tempo, pendurado pelo braço segurado por WangJi, inspirou fundo e voltou a falar sussurrando.
— Lan Zhan… Solte-me!
— Não!
— SOCORROOOO… SOCORROOO… SOCORROOO… – Wei Ying gritava tentando escalar a pedreira onde estava encurralado.
— Lan Zhan, salve-o!
— Vamos juntos.
— Não, Lan Zhan…
— SOCORROOO… LAN ZHAN ME SALVE!!!
WangJi virou o rosto e assustou-se, a criatura havia envolvido todo corpo do rapaz com sua manta negra, Bichen ainda atacava, sem sucesso.
O que eram afinal aqueles pesadelos? WangJi se questionava quando tentou puxar Wei WuXian, porém para seu espanto o peso do corpo do outro triplicou.
— Lan Zhan.
WangJi olhou-os seus olhos lacrimejaram percebendo que teria que escolher, pensando em outra solução imediata, ouviu novamente seu nome.
— Lan Zhan deixe-me ir!
— Wei Ying.
— Eu já estou com você. – Wei WuXian virou o rosto e mesmo que ele não visse a direção que Wei Ying estava era sobre o garoto que falava.
— LAN ZHAN ME SALVE!!!
WangJi soava frio, em sua face o desespero, Wei Ying estava sendo engolido pela criatura e Wei WuXian estava prestes a cair naquele rio vermelho, não queria decidir. Usando Bichen deferiu novo ataque, mais pesado na criatura demoníaca.
— Já estamos juntos, Lan Zhan. – Wei WuXian aproveitou a breve distração e forçou o braço para soltar a mão de WangJi.
— WEY YING!!!
A cena apavorante se desenhou a sua frente, Wei WuXian caiu naquele rio vermelho, WangJi ajoelhou desesperado.
— WEI YING!
— LAN ZHAN ME SALVE!!!
Desperto daquele instante de agonia, voltou a face para a criatura que já tinha todo o corpo de Wei Ying dentro de sua mortalha negra, somente a cabeça era possível ser vista. Como um raio, WangJi estendeu a sua guqin e tocou dois acordes atingindo a criatura que se separou de Wei Ying. Correndo até o garoto agarrou pela cintura e afastou do corredor pedroso.
O enorme demônio rugiu novamente e avançou em direção a eles trotando ferozmente para ataca-los. WangJi invocou um arranjo e esse cercou a criatura, usou novamente a guqin e atingindo-o com diversos acordes. Logo em seguida usou Bichen para arrancar sua enorme cabeça óssea que fez o monstro se desmanchar em uma grande poça de sangue escuro.
WangJi ofegou baixo aliviado vendo a criatura desaparecer por completo, ainda com a reencarnação de Wei WuXian em um de seus braços, virou a face para examinar se estava bem.
Wei Ying olhava para frente com os olhos arregalados e as lágrimas banhando a face.
— Ele… – Murmurou. – Pulou…
Meng Su estava de pé ao lado de um pequeno jardim suspenso perto da janela, podando galhos secos das plantas com uma tesoura de jardinagem, ela esboçava um tanto de insatisfação com aquele pedido do homem sentado elegantemente na cadeira da sala da biblioteca.
— Sr. WangJi, eu tenho uma grande responsabilidade com as crianças desse orfanato, principalmente com Wei Ying. – A senhora continuava a cuidar das plantas. – Quando saiu de minha casa naquela manhã deixei bem claro que não queria meu neto em contato com Cultivação, eu sei quem é segundo mestre Lan. Clã Lan é das mais respeitosas seitas e suas doutrinas rigorosas. – Ela por fim se virou para ele. – Sua promessa é sua palavra, então, mesmo assim veio me pedir para deixa-lo viajar até sua seita.
WangJi a olhava atento e mesmo sem esboçar uma expressão compreendia a preocupação da senhora. No entanto, ainda queria saber os motivos em afastar Wei Ying do mundo do cultivo.
— Sra. Meng, minha palavra será mantida Wei Ying não terá contato com cultivação será somente uma viajem turística. – WangJi resolveu ousar mais e a questionou. – Sua preocupação tem fundamento na origem de Wei Ying?
A senhora que caminhava até sua cadeira parou ao ouvir aquela pergunta, suspirou fundo e voltou a face para WangJi, sentando em seguida.
— O que você sabe sr. WangJi? – Meng Su estava receosa.
— Wei Ying é especial, mesmo que não pratique cultivação as manifestações espirituais o cercam. – WangJi olho-a e sua voz apesar de suave foi categórica. – Ele precisa de proteção.
Meng Su ajeitou a manga de seu robe estampado, ficou em silêncio por um tempo até que voltou a falar por meias palavras sobre a origem do neto.
— Prometi que nunca o deixaria se aproximar de cultivação ele não foi abandonado pelo seus pais… – Ela voltou o olhar para a janela e sua expressão havia um leve saudosismo. – Para ele ter uma chance foi deixado comigo.
WangJi parecia satisfeito com aquele pouco de informação, afinal confirmava algumas de suas suspeitas. Era hora de ganhar a confiança daquela senhora.
“Lan Zhan, diga-me o que é tudo isso? Conte-me por que me sinto assim, angustiado e sem rumo. Lan Zhan… Lan Zhan…”
A mão tocava suavemente os cabelos do rapaz deitado no sofá, um gesto sutil de uma conotação emocional imensa para o segundo mestre Lan. Os olhos claros vagavam na silhueta coberta por manta que aparentemente estava inquieto.
Wei Ying algumas vezes murmurava choroso o nome do outro, WangJi sentou na beira do sofá ao seu lado, segurou a mão dele e lhe enviou energia espiritual. Analisava situação do núcleo dourado que naqueles dias havia ficado nebuloso. Não havia mais como evitar, Wei Ying precisava desenvolver e cultivar para conseguir controlar a energia espiritual que crescia dia a dia de forma descontrolada no seu recém desperto núcleo.
WangJi inspirou suavemente quando o rapaz acalmou o sono, afastou a mão de seu pulso e tocou levemente a testa para em seguida afagar os cabelos que escorriam pela face.
Wei Ying ainda dormia, mas em seu inconsciente sentia leve toque de alguém lhe confortando, seu corpo reagiu com leves arrepios que percorriam todo o corpo até ouriçar os cabelos na nuca. Não precisava abrir os olhos, até porque, os mesmos estavam tão cansados que não conseguia. Mas ele sabia e sentia quem era ao seu lado e com isso relaxou se acomodando embaixo da manta quente e macia.
— Lan Zhan… – Murmurou em resposta aquele afago que sentiu nos cabelos.
Wei Ying reparou e seu coração deu duas batidas rápidas alarmando-o, seus olhos fixaram na mão de WangJi e instintivamente segurou-a entre a suas mãos.
— Lan Zhan… Eu… Quero seu carinho… – Wei Ying apesar de está sem jeito desejava aquele afago.
— Wei Ying está confuso é… – WangJi estremeceu quando sua mão foi apertada pelas do rapaz. – O dia de hoje foi confuso e quando descansar…
Wei Ying temeu ouvir as palavras de rejeição do outro e o desespero tomou conta de si. Imediatamente ergueu o corpo e avançou sobre WangJi fazendo praticamente encostar no sofá quase deitando sobre o outro.
— Lan Zhan, por favor só me ouça… – Vendo que apesar de surpreso o outro não o afastou, tomou fôlego e falou: – Eu mudei muito desde que te conheci, todos os dias eu penso em como Lan Zhan estar e sinto sua falta. Não quero ficar um dia longe de você, quero ouvir usa voz mesmo que seja só seu “Hn” e só isso já me faz feliz… – Wei Ying abaixou e ficou sobre o outro quase sentando em seu colo. – Eu não estou confuso… Eu só quero que saiba que, não quero ser seu filho… Eu o quero… – Wei Ying aproximou os lábios ao do outro desejando beija-los desesperadamente.
WangJi estava totalmente entregue aquelas palavras, se estava sendo difícil leva-lo para casa, após ouvir aquela declaração, sua mente ficou atordoada. Ele ergueu os braços para o envolver a cintura do rapaz e ofegante aproximou os lábios aos de Wei Ying.
O instante seguinte foi um grande susto que despertou ambos daquele clima, a campainha tocava sem parar e a dupla sem jeito se afastou. Wei Ying sentou no sofá, passou a mão no rosto e depois olhou-o levantar e ir até a porta. Virou o rosto para dar mais uma olhada em Wei Ying e ver se estava bem. Constatando que o outro se acalmara, abriu a porta deparando-se com SiZhui e JingYi com expressão assustada.
— HanGuang-Jun, perdão por incomodar, mas tentamos falar pelo telefone como não atendeu viemos.
WangJi notou a urgência de ambos e seus olhos estreitaram.
— Um ataque na periferia, alguns cult… – JingYi se interrompeu ao ver Wei Ying aproximando deles.
— Ataque na periferia? – Wei Ying tinha os olhos preocupados.
— Vamos todos. – WangJi virou-se para buscar sua espada e seu casaco. – Wei Ying fique aqui, voltamos logo.
— Que ataque é esse? – Negou com a cabeça. – É no orfanato? Eu vou com vocês.
— Wei Ying, vamos cuidar de tudo. – SiZhui se aproximou e segurou-o pelo braço o trazendo para a sala. – Confia em nós, vamos resolver o problema e espere aqui que HanGuang-Jun, voltará para te buscar.
WangJi que havia entrado em seu quarto retornou já vestido em um longo sobretudo branco e carregava nas costas sua Guqin e na cintura a Bichen. Aproximou de Wei Ying e tocou o rosto dele para o encarar.
— Confie.
No momento que tocava, uma energia sombria começou a cerca-lo e pouco depois todo o lugar foi tomado de sombras. Todos os cadáveres sem exceção pararam o ataque e ficaram aguardando imóveis o comando da flauta que Wei Ying tocava. WangJi assustou-se ao ouvir a melodia e a figura sombria parou no mesmo momento para olhar o rapaz que tocava sem nenhuma dificuldade o som que outrora foi temido por todos cultivadores.
— Hahahahahahahahahaha… – Ecoou da figura sombria risos descontrolados. – Meu trabalho está feito… Hahahahahahahahaha… – O instante que avistou Bichen avançar sobre ele, o ser sombrio sumiu no ar com um talismã de transporte.
Wei Ying olhava para eles sem acreditar que a melodia havia funcionado, baixou a flauta dos lábios e olhou para WangJi, todo seu corpo tremia descontroladamente. Levou a mão sobre o peito e arfou o ar como se estivesse lutando para respirar.
— Wei Ying!!! – WangJi correu para ampara-lo e segurou em seus braços.
WangJi ergueu no colo, os demais cultivadores que estavam no muro mantendo o escudo olhavam para o rapaz sem acreditar que ele conseguiu com a melodia da flauta para o ataque dos cadáveres.
WangJi entrou e fechou a porta parando diante dela aguardou-a silencioso e atento as suas palavras.
— Fazem algumas centenas de anos que resolvi abdicar da cultivação e passei a ver o mundo mudar e mudar de longe, criei expectativas e frustrações ao longo de minha existência imortal. – A mulher endireitou o corpo que antes parecida velho e cansado para uma mais fina e elegante. Inclinou a face para WangJi e sorriu gentilmente. – Acredito que sabia quem eu era a muito tempo.
— BaoShan SanRen, a primeira imortal.
— Hum… Eu cheguei a esse patamar quando você nasceu, vi muitos nascerem e morrerem. – Caminhou para perto da janela. – Amigos e discípulos. – Suspirou baixo.
— Eu posso protege-lo.
— Eu creio que será bem mais difícil, depois de terem visto o que ele fez. – SanRen sentou em sua poltrona e abriu o leque abanando-se lentamente. – O patriarca YiLing Wei WuXian merece sua proteção HanGuang-Jun?
WangJi caminhou e parando de frente a mulher disse:
— Eu tenho evidências que no passado tudo que aconteceu foi provocado para ocorrer da forma trágica que terminou.
— HanGuang-Jun, está dizendo que Wei WuXian sofreu algum tipo de tramoia?
— Hm.
A mulher baixou o olhar e inspirou leve para depois soltar o ar como quem tivesse tirado um alívio do peito. Ergueu o olhar e cobriu os lábios com o leque olhando para a porta da biblioteca.
— Lan QiRen, seja bem vindo a meu humilde templo.
A porta se abriu e QiRen entrou sendo seguido por SiZhui, JingYi e XiChen.
— Vejam só quanta honra, todos os Lans em minha casa.
Todos que entraram na sala da biblioteca se curvaram em reverencia a primeira imortal.
— BaoShan SanRen. – QiRen tomou a iniciativa tão logo a mulher mostrou a outra poltrona para ele sentar-se. – Presumo que se manter escondida sobre a face de uma idosa foi uma boa forma de passar o milênio.
— Lan QiRen e para um imortal custou a descobrir. – A mulher cobriu os lábios com leque deixando um leve sorriso debochado escapar.
O outro estreitou os olhos para ela, porém preferiu ignorar a provocativa.
— Seu sobrinho quer proteger meu neto. – Ela olhou para WangJi. – O patriarca Wei WuXian.
Qiren apertou o punho sobre a sua perna.
— WangJi garante que o garoto é normal.
— Sim, totalmente. – A mulher sorridente abaixou o leque. – Eu não o eduquei como cultivador foi um pedido dos pais dele antes de falecerem. – Virou o olhar para o grupo. – Pode testa-lo, meu neto está limpo de qualquer energia ressentida ou vestígios de que reencarnou atrás de vingança como todos os clãs por eras exaltaram.
— Irei testa-lo, depois de tudo que ocorreu não tenho escolhas…
XiChen aproximou de WangJi e sorriu parecendo satisfeito com o resultado.
— Sabemos bem que tal acontecimento dessa noite chegará a todos os clãs, principalmente ao Cultivador chefe. – QiRen continuou. – O clã Lan não poderá ser responsabilizado por ter escondido tal fato a todos.
— Eu me responsabilizo. – BaoShan SanRen fechou o leque. – Podem falar que eu o criei e escondia-o e se teme pelo seu sobrinho, diga que ele foi ludibriado por mim.
WangJi se afastou de XiChen e parou ao lado da mulher dizendo de forma incisiva.
— Eu não me afastarei, irei protege-lo.
— WangJi!!! – QiRen se exaltou levantando e segurou o braço de WangJi. – Não vamos repetir o erro do passado, não vai proteger esse garoto… – Virou o rosto para a mulher sentada na poltrona. – BaoShan SanRen já proteção suficiente afinal está assumindo a responsabilidade.
SiZhui estava ao lado de JingYi e segurava firme a mão de seu amado, tremulo murmurou ao outro.
— Eu já imaginava que era ele, por muitas ocasiões quis perguntar para confirmar… – SiZhui arfou o ar baixo e virou o rosto para JingYi. – Sr. Wei voltou.
JingYi apesar de muito preocupado com aquela situação, apertou firme a mão de seu namorado e murmurou algumas palavras o confortando.
— O que decidirem é independente do que você decidir e eu estarei do seu lado.
Ambos olharam o grupo de mestres esperando por uma decisão, sentiam que a situação piorava com a intransigência do ancião QiRen.
— Meu tio. – XiChen se aproximou para apaziguar a situação. – WangJi fez tudo que pediu, a reclusão, depois a penitência e por fim a doação. – XiChen olhou para o cabelo curto do irmão, que havia cortado em sinal de doação durante a penitência para assim ter o direito do teste ao núcleo dourado de Wei Ying. – Ele fez tudo para que testasse o garoto e desse aval para que ele continuasse com os processos e claro a proteção de Wei Ying.
QiRen soltou o braço de WangJi e irritado se afastou.
— O que acham que vai acontecer? Mesmo que ele esteja limpo de energia ressentida… Mesmo que seja um garoto normal… Isso não vai mudar o fato de Wei Ying ser Wei WuXian.
— Eu sou Wei WuXian?
A voz do rapaz ecoou no ambiente e todos viraram os rostos surpresos por não notarem a presença dele que estava ali de pé na porta aberta da biblioteca.
— Lan Zhan… É verdade que seu tio disse? Eu sou Wei WuXian…?

Continua a nova temporada…








