Sábado
03 de julho
20h

Ronaldo semicerrou os olhos para ter certeza do que estava divisando, mas repentinamente sentiu a visão turvar, acompanhada por uma dificuldade enorme de concentração, ao mesmo tempo em que passou também a sentir, embora apenas por alguns instantes, que naquele quarto havia alguém os observando, “lhe observando”. Alguém que de alguma forma não conseguia distinguir, por mais certeza que pudesse ter de que não havia outra pessoa por lá.
Inspirou e expirou de novo, com a mesma determinação, e em questão de segundos aquela sensação de estar sendo vigiado o assolou mais uma vez, entretanto, desta feita, recaindo diretamente sobre si próprio: outra pessoa, um terceiro, alguém, por mais absurdo que pudesse parecer, começou a impulsioná-lo, a fazê-lo seguir adiante, em direção à cama dos pais. Mas Ronaldo não queria realizar aquela marcha. Estava disposto a deixar o quarto o mais depressa possível. Algo dentro de si lhe dizia que deveria correr, fugir para bem, bem longe…









