CAPÍTULO 1 – O TESTAMENTO
CENA 1 – EXTERIOR: JARDIM DA MANSÃO MONTEIRO – DIA
O sol dourado se derrama sobre o vasto jardim da mansão Monteiro, iluminando as folhas das árvores que balançam suavemente ao vento. O contraste da luz com o luto pesado entre os herdeiros é visível, quase palpável. O ambiente, que deveria ser de paz, é silencioso, exceto pelo ocasional canto dos pássaros. Um salão imenso, onde os sete filhos de Amadeu Monteiro, sentados em cadeiras espalhadas, aguardam com ansiedade. Cada um perdido em seus próprios pensamentos, com o nervosismo refletido em pequenos gestos.
Helena, a filha mais velha, está de pé perto da janela, seus olhos vagando pelo horizonte, onde o céu se encontra com as montanhas ao longe. Sua expressão é séria, como se tentasse encontrar nas nuvens a sabedoria para enfrentar o que viria. **(FOCO NO OLHAR DE HELENA)**.
Gustavo, o filho adotivo, observa os irmãos de canto, seus olhos esquadrinhando cada expressão. Ele sempre se sentiu um estrangeiro entre eles, e ali, no centro de uma tensão latente, a sensação de ser uma peça deslocada parecia mais intensa.
GUSTAVO (em pensamento): Nunca fiz parte disso. Por que agora seria diferente?
CENA 2 – INTERIOR: SALÃO PRINCIPAL DA MANSÃO – DIA
Beatriz, sentada de forma relaxada em uma das cadeiras mais próximas ao centro, cruza os braços com um leve sorriso malicioso. **(CLOSE EM SEU ROSTO)**. Seus olhos faiscantes observam Gustavo e os outros irmãos com uma antecipação que destoa do luto. Ela parece já saber o que está por vir. Ao seu lado, Marcos, seu amante, mantém uma expressão fria e calculista, quase indiferente, como se esperasse apenas pelo momento certo para agir.
Marcos olha para Beatriz e dá um leve aceno de cabeça. Beatriz sorri ainda mais, como se soubesse que, para eles, este não era um dia de perda, mas de oportunidades.
(FOCO NOS OLHOS DE BEATRIZ), cheios de uma luz ambiciosa.
O som dos passos firmes ecoa quando o senhor Almeida, advogado da família, entra no salão, carregando um envelope volumoso. Ele olha para cada um dos herdeiros, demorando-se por alguns segundos em cada rosto. O murmúrio da sala cessa imediatamente, e o silêncio se torna absoluto.
(CLOSE NO ENVELOPE SENDO ABERTO)
ALMEIDA (voz grave, solene): Senhoras e senhores, como vocês sabem, o senhor Amadeu Monteiro era um homem peculiar. E, como tal, decidiu que sua herança será muito mais do que a simples divisão de bens.
CENA 4 – INTERIOR: SALÃO PRINCIPAL DA MANSÃO – DIA
Helena, ainda em pé, cruza os braços, seus olhos se estreitando em desconfiança enquanto o advogado continua a leitura. Ao lado, Gustavo finge uma calma que não sente, seus dedos tamborilando nervosamente sobre o braço da cadeira.
ALMEIDA: Para receber a herança, vocês terão que participar de uma busca. Sete pedaços de um pergaminho foram espalhados por diferentes países. Cada um de vocês precisará encontrar seu pedaço.
(REAÇÃO DOS PERSONAGENS)
Beatriz, com um brilho nos olhos, ergue uma sobrancelha, quase divertida com a revelação. (CLOSE EM BEATRIZ), que troca olhares com Marcos.
RICARDO (indignado, levanta-se abruptamente): Isto é ridículo! Ele está brincando com a gente até depois de morto?
Helena não move um músculo, mas sua voz é firme, tentando acalmar o ambiente.
HELENA: Pai sempre teve seus motivos. Não se trata de uma brincadeira, Ricardo. Ele sabia o que estava fazendo.
Beatriz se inclina levemente para frente, seus olhos cheios de sarcasmo ao olhar para Gustavo.
BEATRIZ (com desprezo): Talvez papai quisesse testar nossa lealdade, ou talvez… ver quem realmente merece sua confiança.
(FOCO NO ROSTO DE GUSTAVO). Ele permanece quieto, mas por dentro sente o peso das palavras. As humilhações de Beatriz sempre o feriram, mas naquele momento, algo parecia mudar dentro dele.
ALMEIDA: Todos vocês devem participar. Não há atalhos. E apenas com os sete pedaços juntos a herança será liberada.
Helena respira fundo, tentando absorver a responsabilidade que sentia aumentar sobre seus ombros. **(FOCO EM SEU ROSTO)**, a dor da perda misturada com a necessidade de proteger a família. Ela sabia que aquilo era mais do que dinheiro. Era sobre os segredos que vinham à tona, lentamente.
GUSTAVO (finalmente quebrando o silêncio): Então é isso? Estamos em uma corrida por uma herança que nem sabemos o que realmente significa?
HELENA (tentando acalmá-lo): Não é só dinheiro, Gustavo. Pai quer que descubramos algo mais profundo. Há segredos que ele nos deixou para encontrar.
BEATRIZ (amarga, levantando-se com desdém): Ou ele só quer nos ver destruídos. E, seja como for, eu não vou esperar pelos outros.
(CLOSE EM BEATRIZ E MARCOS SAINDO), os dois saem rapidamente da sala, deixando os outros em dúvida sobre os próximos passos.
Helena e Gustavo se entreolham, suas expressões refletindo uma compreensão mútua. Sabiam que a busca pelos pergaminhos não seria simples. Havia mais em jogo do que apenas a herança; havia segredos familiares e verdades enterradas que, uma vez reveladas, mudariam tudo.
HELENA (murmurando para si mesma): A busca está apenas começando.
FIM DO CAPÍTULO 01





