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CAPÍTULO 14

Escrito por: Alessandro Fonseca08/07/2026 - 20:00

A delegacia já não tratava André como colaborador.

Tratava como peça central.

— Você estava em dois lugares diferentes segundo testemunhas — disse Monteiro, jogando as fotos na mesa.

— Eu estava tentando respirar! — André rebateu. — Eu tinha acabado de brigar com ele!

— E resolveu ir para a casa de outro homem?

Silêncio.

Clara observava cada microexpressão.

— Você acha que está sendo armado, não é? — ela perguntou.

André riu, nervoso.

— Eu tenho certeza.

— Por quem?

Ele pensou em três nomes.

Mas respondeu:

— Se eu soubesse, não estaria aqui.

Monteiro se inclinou.

— Ou você está mentindo muito bem… ou alguém é extremamente cuidadoso.

Do lado de fora, Rafael esperava.

Quando André saiu, parecia menor.

— Eles estão quase formalizando.

— Eu sei.

— Você sabe porque você também está envolvido!

André virou-se bruscamente.

— Para de agir como se você fosse inocente nessa merda!

Rafael não recuou.

— Eu nunca neguei que fiz coisa errada.

— Você ajudou ele!

— Eu ajudei porque confiava!

A palavra ecoou.

André perdeu o controle.

— Confiava? Ele estava entregando vocês!

Rafael fechou o punho.

— Eu sei.

— E você ainda fala dele como se fosse vítima?

Rafael explodiu:

— Ele era um filho da puta, André! Ele manipulava todo mundo! Ele fazia a gente se sentir especial enquanto usava nosso nome pra limpar dinheiro sujo!

O estacionamento ficou em silêncio.

André respirava pesado.

— Então por que você ainda sente falta dele?

Rafael demorou.

— Porque eu amava ele. E ele nunca me amou de volta.

A frase foi crua.

Sem orgulho.

Sem máscara.

André sentiu o golpe.

Lucas apareceu mais tarde, como sempre, no momento mais frágil.

— Ele foi te encontrar, não foi?

— Você me segue agora?

Lucas sorriu de lado.

— Eu observo.

— Você é doente.

— E você gosta.

André o empurrou contra a parede.

— Para de brincar comigo!

Lucas segurou os pulsos dele.

— Eu não estou brincando. Você acha que o Rafael te ama? Ele ama a ideia de te salvar. Ele ama se sentir necessário.

— E você ama o quê?

Lucas se aproximou do ouvido dele.

— Eu amo ter controle.

A frase foi sussurrada.

André sentiu ódio.
E algo mais.

Lucas puxou-o para um beijo intenso, quase agressivo.

André correspondeu por impulso, depois empurrou.

— Eu odeio você.

— Não odeia o suficiente.

Na casa da família, a tensão escalava.

O irmão mais novo confrontou a mãe:

— Você sabia dos negócios dele?

— Cuidado com o que fala.

— Você sabia ou não?!

Ela o encarou.

— Eu sabia o que precisava saber.

A resposta não acalmou ninguém.

Na delegacia, Clara descobriu algo inquietante:

O celular de Eric tinha sido formatado profissionalmente antes da perícia.

Alguém com acesso técnico.

Alguém que sabia o que estava fazendo.

Monteiro comentou:

— Isso não é crime passional. É limpeza.

À noite, Rafael voltou.

Mas não tocou André.

Não tentou seduzir.

Sentou no chão ao lado dele.

— Eu estou me apaixonando por você — disse, direto.

André fechou os olhos.

— Não faz isso.

— Eu não planejei.

— Você sempre planeja.

Rafael riu fraco.

— Pela primeira vez não.

Silêncio longo.

— Eu não tenho nada pra oferecer — André murmurou.

— Eu não preciso de nada.

— Precisa sim. Todo mundo precisa.

Rafael olhou para ele como se quisesse dizer algo maior.

Mas só disse:

— Eu não vou deixar você cair sozinho.

E essa promessa… é a que vai doer lá no capítulo 25.

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