A delegacia já não tratava André como colaborador.
Tratava como peça central.
— Você estava em dois lugares diferentes segundo testemunhas — disse Monteiro, jogando as fotos na mesa.
— Eu estava tentando respirar! — André rebateu. — Eu tinha acabado de brigar com ele!
— E resolveu ir para a casa de outro homem?
Silêncio.
Clara observava cada microexpressão.
— Você acha que está sendo armado, não é? — ela perguntou.
André riu, nervoso.
— Eu tenho certeza.
— Por quem?
Ele pensou em três nomes.
Mas respondeu:
— Se eu soubesse, não estaria aqui.
Monteiro se inclinou.
— Ou você está mentindo muito bem… ou alguém é extremamente cuidadoso.
—
Do lado de fora, Rafael esperava.
Quando André saiu, parecia menor.
— Eles estão quase formalizando.
— Eu sei.
— Você sabe porque você também está envolvido!
André virou-se bruscamente.
— Para de agir como se você fosse inocente nessa merda!
Rafael não recuou.
— Eu nunca neguei que fiz coisa errada.
— Você ajudou ele!
— Eu ajudei porque confiava!
A palavra ecoou.
André perdeu o controle.
— Confiava? Ele estava entregando vocês!
Rafael fechou o punho.
— Eu sei.
— E você ainda fala dele como se fosse vítima?
Rafael explodiu:
— Ele era um filho da puta, André! Ele manipulava todo mundo! Ele fazia a gente se sentir especial enquanto usava nosso nome pra limpar dinheiro sujo!
O estacionamento ficou em silêncio.
André respirava pesado.
— Então por que você ainda sente falta dele?
Rafael demorou.
— Porque eu amava ele. E ele nunca me amou de volta.
A frase foi crua.
Sem orgulho.
Sem máscara.
André sentiu o golpe.
—
Lucas apareceu mais tarde, como sempre, no momento mais frágil.
— Ele foi te encontrar, não foi?
— Você me segue agora?
Lucas sorriu de lado.
— Eu observo.
— Você é doente.
— E você gosta.
André o empurrou contra a parede.
— Para de brincar comigo!
Lucas segurou os pulsos dele.
— Eu não estou brincando. Você acha que o Rafael te ama? Ele ama a ideia de te salvar. Ele ama se sentir necessário.
— E você ama o quê?
Lucas se aproximou do ouvido dele.
— Eu amo ter controle.
A frase foi sussurrada.
André sentiu ódio.
E algo mais.
Lucas puxou-o para um beijo intenso, quase agressivo.
André correspondeu por impulso, depois empurrou.
— Eu odeio você.
— Não odeia o suficiente.
—
Na casa da família, a tensão escalava.
O irmão mais novo confrontou a mãe:
— Você sabia dos negócios dele?
— Cuidado com o que fala.
— Você sabia ou não?!
Ela o encarou.
— Eu sabia o que precisava saber.
A resposta não acalmou ninguém.
—
Na delegacia, Clara descobriu algo inquietante:
O celular de Eric tinha sido formatado profissionalmente antes da perícia.
Alguém com acesso técnico.
Alguém que sabia o que estava fazendo.
Monteiro comentou:
— Isso não é crime passional. É limpeza.
—
À noite, Rafael voltou.
Mas não tocou André.
Não tentou seduzir.
Sentou no chão ao lado dele.
— Eu estou me apaixonando por você — disse, direto.
André fechou os olhos.
— Não faz isso.
— Eu não planejei.
— Você sempre planeja.
Rafael riu fraco.
— Pela primeira vez não.
Silêncio longo.
— Eu não tenho nada pra oferecer — André murmurou.
— Eu não preciso de nada.
— Precisa sim. Todo mundo precisa.
Rafael olhou para ele como se quisesse dizer algo maior.
Mas só disse:
— Eu não vou deixar você cair sozinho.
E essa promessa… é a que vai doer lá no capítulo 25.












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