A escavação começou cedo.
O ar estava seco.
A equipe técnica em silêncio.
Clara observando cada centímetro de solo removido.
Monteiro mantinha distância estratégica.
— Se não houver nada aqui, perdemos força — ele murmurou.
Clara respondeu firme:
— Tem.
A pá atingiu algo metálico.
O som foi seco.
Todos pararam.
O técnico ajoelhou.
Escavou com cuidado.
E então apareceu.
Envolvida em plástico já deteriorado.
Corroída pela umidade.
Uma arma.
—
O silêncio foi absoluto.
Clara se aproximou primeiro.
— Lacrem tudo.
Monteiro respirou fundo.
— Se o calibre bater…
Ela completou:
— O jogo vira.
—
Horas depois, na delegacia, o laudo preliminar confirmou.
Mesmo calibre.
Mesmo padrão de disparo.
A arma encontrada na casa de André era secundária.
A verdadeira estava enterrada na propriedade da família.
Monteiro fechou a pasta.
— Agora não é mais só amante ciumento.
Clara respondeu:
— Agora é família.
—
A notícia ainda não era pública.
Mas vazou.
Lucas soube primeiro.
Ele entrou no apartamento de André sem bater.
— Eles encontraram.
André estava sentado, imóvel.
— O quê?
— A arma.
Silêncio.
— Onde?
— Na propriedade.
André sentiu o ar sair dos pulmões.
Ele começou a rir.
Não de alegria.
De exaustão.
— Então eu não sou louco.
Lucas o encarou.
— Não comemora ainda. Isso respinga em todo mundo.
— Você está com medo.
Lucas não respondeu.
Porque estava.
—
Rafael chegou logo depois.
Ele já sabia.
Mas não parecia assustado.
Parecia decidido.
— Eu vou falar.
André levantou os olhos.
— Falar o quê?
— Que o Eric estava negociando com a polícia. Que ele mexeu com gente da própria casa. Que ele estava pressionando.
— Você vai se incriminar.
— Eu já estou incriminado.
Silêncio.
Rafael se aproximou.
— Eu não vou deixar que joguem isso em você de novo.
Pela primeira vez, não havia estratégia.
Havia entrega.
—
Na casa da família, a mãe recebeu a ligação oficial.
— Encontramos um objeto na propriedade.
Ela fechou os olhos por um segundo.
— Entendo.
A ligação terminou.
Ela caminhou até o quarto.
Abriu a gaveta onde guardava documentos antigos.
Retirou uma caixa pequena.
Vazia.
O que estava ali… não estava mais.
—
Na delegacia, Clara analisava o ângulo do disparo.
— Não foi luta corporal — ela disse.
— Foi execução.
Monteiro assentiu.
— Quem executa não age no impulso.
—
A imprensa explodiu.
“Arma encontrada na propriedade da família.”
O foco mudou.
André deixou de ser manchete principal.
Mas isso não trouxe alívio.
Trouxe vazio.
—
À noite, os três estavam no mesmo apartamento.
Silêncio pesado.
Lucas foi o primeiro a falar.
— Isso vai desmoronar tudo.
Rafael respondeu:
— Já estava desmoronando.
André olhou para os dois.
— Vocês acham que isso resolve?
Ninguém respondeu.
Porque sabiam:
A verdade nunca resolve.
Ela só troca o alvo.
—
A cena termina com Clara dizendo:
— Precisamos chamar a mãe para novo depoimento.
Monteiro respondeu:
— Agora ela não é mais testemunha.
É suspeita.












Comentar