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CAPÍTULO 22

Escrito por: Alessandro Fonseca27/07/2026 - 20:00

A escavação começou cedo.

O ar estava seco.
A equipe técnica em silêncio.
Clara observando cada centímetro de solo removido.

Monteiro mantinha distância estratégica.

— Se não houver nada aqui, perdemos força — ele murmurou.

Clara respondeu firme:

— Tem.

A pá atingiu algo metálico.

O som foi seco.

Todos pararam.

O técnico ajoelhou.
Escavou com cuidado.

E então apareceu.

Envolvida em plástico já deteriorado.
Corroída pela umidade.

Uma arma.

O silêncio foi absoluto.

Clara se aproximou primeiro.

— Lacrem tudo.

Monteiro respirou fundo.

— Se o calibre bater…

Ela completou:

— O jogo vira.

Horas depois, na delegacia, o laudo preliminar confirmou.

Mesmo calibre.
Mesmo padrão de disparo.

A arma encontrada na casa de André era secundária.

A verdadeira estava enterrada na propriedade da família.

Monteiro fechou a pasta.

— Agora não é mais só amante ciumento.

Clara respondeu:

— Agora é família.

A notícia ainda não era pública.

Mas vazou.

Lucas soube primeiro.

Ele entrou no apartamento de André sem bater.

— Eles encontraram.

André estava sentado, imóvel.

— O quê?

— A arma.

Silêncio.

— Onde?

— Na propriedade.

André sentiu o ar sair dos pulmões.

Ele começou a rir.

Não de alegria.

De exaustão.

— Então eu não sou louco.

Lucas o encarou.

— Não comemora ainda. Isso respinga em todo mundo.

— Você está com medo.

Lucas não respondeu.

Porque estava.

Rafael chegou logo depois.

Ele já sabia.

Mas não parecia assustado.

Parecia decidido.

— Eu vou falar.

André levantou os olhos.

— Falar o quê?

— Que o Eric estava negociando com a polícia. Que ele mexeu com gente da própria casa. Que ele estava pressionando.

— Você vai se incriminar.

— Eu já estou incriminado.

Silêncio.

Rafael se aproximou.

— Eu não vou deixar que joguem isso em você de novo.

Pela primeira vez, não havia estratégia.

Havia entrega.

Na casa da família, a mãe recebeu a ligação oficial.

— Encontramos um objeto na propriedade.

Ela fechou os olhos por um segundo.

— Entendo.

A ligação terminou.

Ela caminhou até o quarto.

Abriu a gaveta onde guardava documentos antigos.

Retirou uma caixa pequena.

Vazia.

O que estava ali… não estava mais.

Na delegacia, Clara analisava o ângulo do disparo.

— Não foi luta corporal — ela disse.

— Foi execução.

Monteiro assentiu.

— Quem executa não age no impulso.

A imprensa explodiu.

“Arma encontrada na propriedade da família.”

O foco mudou.

André deixou de ser manchete principal.

Mas isso não trouxe alívio.

Trouxe vazio.

À noite, os três estavam no mesmo apartamento.

Silêncio pesado.

Lucas foi o primeiro a falar.

— Isso vai desmoronar tudo.

Rafael respondeu:

— Já estava desmoronando.

André olhou para os dois.

— Vocês acham que isso resolve?

Ninguém respondeu.

Porque sabiam:

A verdade nunca resolve.

Ela só troca o alvo.

A cena termina com Clara dizendo:

— Precisamos chamar a mãe para novo depoimento.

Monteiro respondeu:

— Agora ela não é mais testemunha.

É suspeita.

 

 

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