O segundo depoimento da mãe não foi transmitido.
Mas vazou.
Sempre vaza.
Ela entrou na delegacia vestida de luto sóbrio.
Postura impecável.
Olhos controlados.
Clara foi direta.
— A arma encontrada na propriedade pertence à família.
— A propriedade é antiga. Muitas pessoas tiveram acesso.
— Seu celular esteve desligado no mesmo período.
— Sinal rural é instável.
Monteiro colocou as fotos na mesa.
— Seu filho estava negociando com autoridades.
Pela primeira vez, houve microtensão no maxilar dela.
— Meu filho era um homem pressionado.
— Por quem?
Silêncio.
— Pela própria família?
Ela levantou os olhos lentamente.
— Está insinuando que eu matei meu filho?
Clara não recuou.
— Estou dizendo que ele se tornou um risco para alguém.
—
A família começou a rachar publicamente.
O irmão mais novo deu entrevista.
— Meu irmão estava envolvido com coisas que eu não concordava.
Os tios ficaram furiosos.
A empresa perdeu contratos.
O império começou a tremer.
—
André assistia tudo pela televisão.
A mão tremia.
— Então era isso — ele murmurou.
Rafael estava ao lado.
— Ainda não sabemos tudo.
Lucas apareceu logo depois.
— Vocês dois estão se iludindo.
— Cala a boca — André respondeu seco.
— Isso não inocenta você automaticamente.
André levantou.
— Eu quase morri por causa dessa merda!
— Você quase morreu porque você é impulsivo!
Rafael avançou.
— Não fala assim com ele!
Lucas encarou.
— Você virou defensor oficial agora?
André gritou:
— Chega! Vocês dois me transformaram numa porra de território!
O silêncio caiu pesado.
—
Rafael se aproximou devagar.
— Eu só estou tentando te manter vivo.
— Eu não preciso ser salvo!
— Precisa sim!
A discussão virou empurrão.
Lucas interveio.
— Vocês dois são ridículos.
André virou-se para Lucas.
— E você é o quê? Um manipulador de merda que só pensa no próprio rabo?
Lucas perdeu a calma.
— Eu fiz o que fiz porque você é fraco!
A palavra ecoou.
Fraco.
André congelou.
—












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