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O retrato em branco e preto. Uma luminária clareia o ambiente. Faz a mesa de madeira polida reluzir; o objeto está sobre. O silêncio sê-lo-ia a definição adequada, todavia, só as vozes ausentes estavam daquela sala, a respiração da Dama quebrava ou juntava? já sei não! a monotonia daquela cena. A angústia deleita-se em cinzas em sua cama de vidro, que, aos poucos, enche-se de parceiras. Elas queimam.

Uma poltrona de couro vermelha. Ao centro. A repousar, pernas cruzadas, lisas, vestido vermelho: a mulher em sua compleição. Doada de si e para si. Olha o retrato, pensa; olha o aparelho televisivo, imagem colorida, pensa. O pensamento. Ímpetos de escarcéu. Controla-se.

Janela escancarada. Vento. Movimentam os fios capilares da mulher. Mulher! O contrário e autônomo do homem. Uma ideia que não é ideia, mas inata: Instinto.

Considerei o cenário, revelei os pormenores, conceituei o indefinível; agora, mostro-lhe o verbo: A Dama está acomodada na poltrona, a tragar um cigarro, com uma sutileza típica de vosso perfil, que possível definir é por seu olhar: pálpebras recaídas, visão centrada, uma mistura acídula de moça e mulher. Definições, conceitos, um estabelecimento prévio, fatal! O físico e o princípio metafísico, fizeram-na desdobrar as pernas.

Posto o princípio, cá se achava a Senhora de pé, uma autêntica deidade. Uma árvore imponente, frutífera, bela aos olhos de outrora! Deveras! Aos olhos de outrora! Nossa Dama abrange, com magnitude, os adereços adjetivados do passado; recordo-me que cada obra pertence ao seu tempo. Com ela, diferente era não. Desculpe-me o anacoluto!

O tempora! O mores! O tempo edifica o homem? Ou o homem edifica o tempo? Atentem-se aos fatores e percebam o que essa mulher é: uma construção do agora, visto seu tombamento diante do presente? Ou um galgar da referida? Perguntas! São elas que alicerçam o conhecimento.

Continue a história, autor, continue! O homem desconsidera as indagações, porque o pensamento reflexivo é duro e custoso. Sigo o conteúdo: O impulso metafísico, a potência de agir, uma definição de Shopenhauer, fê-la principiar a volição; almejava desanuviar o  embuste da compreensão do retrato.

O cognoscível aqui é uma causa naturalista, ao estilo de Zola; nisso consta uma homenagem, muitíssimos lograram culpar os de fora: Os de lá, disseram que o quadro necessitava de um estado mais apurado de alma; que era necessário ser mais. Ah, escol, estagnem a concepção errônea de supor ir além: a elite dita setas, refute-as.

Tomou o objeto em mãos, enxergou nele uma garota, o corpo magérrimo contrastava com o espaço imenso do lugar verde; para outrem a menina no centro chamá-lo-ia mais atenção, no entanto, no plano secundário, havia um senhor acomodado em um banco. O centro não se suporta sozinho, precisa de um coadjuvante.

Uma inclinação a impulsionou para conjecturar a despeito da interrogação da Esfinge; meditou uma resposta, direcionou a consideração, porém a adulterou, atalhou a dizer:

– É antagônico e complementar!

Expeliu-se o gozo: a saída da caverna.

 

 

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  • Nossa como é bonito esse conto, as palavras usadas são de alto nível. Acredito que muita gente não entendeu bem, mas eu compreendo que o texto é rico e de muito bom gosto. Parabéns, adoraria descobrir quem é o autor anônimo, rsrs

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

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