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Minha Doce Patroa: Negociando com Espíritos – Capítulo 13

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obra escrita por
YAGO TADEU

A

O PONTO FRACO

O emoldurado de viver
É um gesso que pesa o retrato
O passado é a medalha em cinzas
O futuro: Um sonho dourado.

A

Não há nada de errado. – Priscila finalmente disse. Maristela estranhou.

Não vai me apresentar Priscila?- Lisbela a repreendeu.

Essa é minha sogra Maristela, Maristela essa é minha patroa.- Maristela estendeu a mão dando um artificial sorriso. A patroa estendeu a mão e retribuiu com o mesmo sorriso. Ambas não se encaixaram.

Lisbela Reis.- ela tocou na mão de Maristela.

Maristela Gilbert.- respondeu apertando a bolsa de couro presa ao braço.

Pode descansar e pode levá-la pra conversarem melhor na sala.- Lisbela permitiu e em seguida saiu voltando por trás da casa.

Você não dá sorte com suas patroas, o que há de errado com essa mulher?- ela buscou dizer baixo. Estava muito desconfiada.

Nada, ela está apenas cansada.- Priscila tentou contornar o clima ruim.

Dérick e Ítalo ainda estão dormindo? – Maristela voltou a perguntar.

Maristela, Dérick e Ítalo já não estão mais aqui.- Priscila disse para sua surpresa – Dérick e Ítalo voltaram á Zellwéger, nós se separamos e ele preferiu ir embora.

Mas Tedysson e Érika virão, iríamos embora todos juntos, não consegui entrar em contato com Dérick porque não conseguia ligar.- Maristela estava irritada pela viagem perdida – Eu vim de longe,consegui uma coisa rara que é uns dias de folga,daí liguei para Érika e Tedysson que decidiram vir para conhecer o lugar, mas onde vocês decidirão passar suas férias? Que lugar é esse?- ela reclamava se encaminhando para a porta – Essa mulher te coloca tão cedo pra trabalhar, aliás porque cavava um buraco?

Ela quer… Fazer dali um jardim.- Priscila disse e ela sorriu.

Um jardim?Pelo tamanho daquele buraco, parecia mais uma cova. – Priscila tocou na maçaneta e Maristela segurou seu braço – Antes de nós entrarmos preciso saber… Tem algo estranho acontecendo aqui? Nós podemos não ser a melhor nora e sogra do mundo, mas tenho uma ótima percepção de mãe e funciona bem com minhas noras e você sabe disso.

Não tem nada acontecendo Maristela. – a sogra percebeu sua expressão abatida e cansada – Tudo está normal.

Pode não estar acontecendo algo grave.- a sogra tentou falar baixo com um sorriso confiante – Mas normal não está, percebi quando cheguei á esse lugar.- Priscila a olhava com os olhos brilhando e o coração pulsando pra contar tudo e despejar de uma vez mesmo que ela não acreditasse- Vamos entrar.- Maristela tomou a frente e abriu a porta. Lisbela estava sentada na cadeira de balanço, Maristela sentiu um breve sopro no peito.

A senhora quer uma água?- Lisbela perguntou séria da cadeira.

Se tiver um café, aceito um café.- seus olhos observaram canto a canto.

Sente-se senhora.- Lisbela disse enquanto Priscila entrava devagar.

Sim, claro.- Maristela sentou no sofá e buscou o celular na bolsa.

Nem tente ligar pra algum lugar, não há sinal aqui.- Lisbela disse. Priscila em pé concordou com a cabeça e Maristela fechou a bolsa – Priscila vai buscar um café pra sua ex-sogra, vai.

Sim Lisbela.- Priscila obedeceu indo rapidamente á cozinha. Maristela fitou Lisbela extremamente incomodada e poupando respostas que não engoliria no seu cotidiano. Grosseira, insuportável só podia morar no brejo. Pensou.

Priscila abriu a garrafa térmica e sem perceber encheu a xícara de listras vermelhas. Ouviu o som de mais um automóvel e se aproximou da janela com a xícara na mão. Érika irmão de Dérick chegava ao lado de seu marido e cucunhado de Priscila, Ted. Eles vão morrer, todos nós vamos morrer. Maristela tem que perceber por ela mesma o que está acontecendo, talvez ás ocultas ela pode me ajudar e ajudá-la a se salvar, porque agora que estão aqui todos correm perigo. Priscila teve uma idéia.

Acho que chegaram. – Maristela referiu-se á Ted e Érika enquanto Priscila vinha com a xícara transbordando em mãos. Priscila lançou um rápido olhar para Maristela num milésimo de segundo pra não ser notada. Ao pisar no tapete se desequilibrou, acabou escorregando com o impulso que a direcionou para a poltrona. Caiu ajoelhada e a xícara voou despejando o líquido fervendo sobre a patroa.

Priscila, sua desastrada. – Lisbela reclamou tendo sua blusa de lã manchada. O líquido pegou em seu braços e no seu rosto – Olha o que você fez.- Maristela se levantou ajudando Priscila a se erguer quando lançou um olhar de estranhamento para a Lisbela.

A senhora não se queimou?- Maristela perguntou impressionada – O café parecia quente.- Priscila se erguia com perspectiva de se salvar.

Ainda foi possível ver a fumaça do café quando Priscila se desculpou.

Não. Estava frio.- Lisbela reagiu normalmente.

Desculpe mesmo Lisbela.- Priscila fingiu como muitas vezes em sua vida.

Agora limpe essa sujeira.- Lisbela se levantou da cadeira – Eu vou trocar minha blusa.

Tudo bem Priscila?- Maristela olhou bem pro seu rosto com um olhar desconfiado.

Sim.- respondeu quando ambas ouviram as batidas na porta. Priscila foi até a porta preparando-se. Tinha que sorrir de qualquer modo, para o próprio bem deles.

Olá Priscila. – a mulher jovem e loira deu um belo sorriso.

Olá Érika. – Priscila deu um abraço indecisa entre demonstrar tranquilidade ou a realidade. A jovem a abraçou e seu marido, anos mais velho que ela deu um acanhado sorriso.

Olá Priscila, como vai?- o homem alto e de cabelos ondulados e loiros foi mais seco.

Tudo bem Ted.- Priscila respondeu e os convidou para entrar na casa de sua patroa. O que seria agora?

Dérick saiu do banheiro após tomar um bom banho naquela manhã. Tentara ligar pra mãe e pra irmã Érika, mas só caía na caixa postal. Ligou então para Dionísio que vinha depressa no início daquela manhã, para saber afinal o que acontecera com Dérick e sua família. Ítalo dormia após muito esforço de Dérick. Assim que voltou á Zellwéger, comprou tudo que agradava o filho pra que ele pudesse se acalmar. Dérick até pegara um vira-lata que latia ás duas da madrugada em sua rua para acalmar Ítalo que relutava para dormir. Dérick não sabia se ia á igreja mais próxima, ou se iria á alguma espécie de especialistas em espíritos, apesar de não acreditar que eles pudessem realmente ajudá-lo. Agora qualquer ajuda seria bem vinda. Ainda não havia engolido o que Lisbela dissera sobre Priscila e muito menos compreendido, mas aquilo não era o principal.

Dionísio?- Dérick abriu a porta e o amigo lhe deu um abraço. Ao menos Dérick estava bem.

Onde está Priscila e Ítalo?- Dionísio o questionou apreensivo.

Como disse, Ítalo veio comigo. Mas ela não deixou Priscila vir. – Dérick sentou na cadeira da sala.

Eu tenho uma notícia pra te dar.- Dionísio o segurou pra que permanecesse sentado – Há alguns minutos atrás recebi uma mensagem de sua mãe, ela estava preocupada e tirou uma folga do restaurante, ela disse que estava á caminho de SweetVillage.- os olhos de Dérick ficaram nervosos – E sua irmã vinha com seu cunhado de Montenegro, logo atrás de sua mãe.

Não! Estão todos em SweetVillage?- se assombrou.

Até que eu visse a mensagem… provavelmente agora, todos já estão lá. Eu tenho um colega policial que pode ajudar você a ir até lá.- Dionísio sugeriu.

Do que adianta eu ir acompanhado de algum policial? Eles são mortos Dionísio. – os lábios de Dérick pareciam perder a cor sempre que dizia isso.

Você sabia que o fato de sua família estar lá pode ter salvado Priscila da morte? A chegada deles pode ter sido uma surpresa para essa Lisbela que pode querer manipulá-los pra levar todos consigo.

Você acha?- Dérick estava muito preocupado com os riscos que sua família correria.

Quem sabe se eu disser á meu colega policial que você está desconfiando que há algo de errado e que recebeu uma mensagem pedindo socorro.- Dérick o ouvia atento – Eu acho que quantos mais pessoas, melhor pra contornar a situação e fugir daquele lugar.

Você vai ficar com Ítalo. Ligue pro seu colega policial.- Dérick decidiu – Eu vou voltar pra SweetVillage agora.- Dérick olhou pra Dionísio. Mal se reencontraram, logo iriam se despedir.

Eu vou ligar pra ele.- Dionísio tirou o celular do bolso da calça – Não acha melhor conversar com Ítalo e dizer que ele vai ficar? Não Acha que ele pode entrar em desespero?

É. Você tem razão.- Dérick decidiu acordar o filho.

Ítalo abriu os olhos lentamente acordando de forma vagarosa por ter ficado muito tempo sem dormir.

Você não pode ir sem mim.- Ítalo não aceitava ficar esperando. O vira-lata magro e marrom subiu em cima da cama e Dérick não o espantou.

Eu vou com o policial Jonhásson amigo do Dionísio, tudo vai ficar bem.- ele segurou a mão do filho olhando em seus abatidos olhos. Ítalo abaixou a cabeça e fez carinho na cabeça do cachorro – Já escolheu um nome para o cachorro?

Milan Rafael.- Ítalo disse tristonho. O pai conseguiu abrir um sorriso e disse:

Esse tem até sobrenome. Ele é um de nós agora.- Dérick acariciou o cão tendo flashes de sua infância. De sua feliz infância.

Eu tenho medo de ser a última vez que te vejo.- Ítalo ameaçava chorar.

Ítalo, eu prometo que você vou estar ao seu lado, eu prometo voltar.Te prometo.- Dérick olhou bem nos olhos do filho e enfim o convenceu. O cachorro latiu quando Dionísio entrou no quarto.

Jonhásson já está á caminho.- ele entrou cautelosamente no quarto. Ítalo desviou seu olhar para Milan e Dérick balançou a cabeça determinado.

Então, você já está quase cumprindo seus dias aqui?- Ted indagou quebrando os segundos de silêncio. Lisbela voltava á sala agora com uma blusa creme e uma calça social preta.

Bom dia.- Lisbela chegou á sala. Érika sempre simpática se levantou para cumprimentá-la. Ted a acompanhou.

Lisbela Reis.- Érika iria cumprimentá-la com um beijo e ela apenas estendeu a mão.

Érika Rafaela, irmão de Dérick.- ela disse sem graça. Ted estendeu a mão.

Qual é seu nome?- Lisbela perguntou e Ted sorriu.

Ted.- respondeu fitando o olhar ríspido de Lisbela.

Eu perguntei seu nome, não seu apelido.- Lisbela falou e tanto Érika como sua mãe Maristela lançaram um olhar de desagrado sobre aquela ríspida mulher. Havia algo entrelinhas nas suas pupilas.

Tedysson, meu nome é Tedysson.- respondeu voltando á sentar no sofá.

Então, vocês vão aguardar alguma coisa?- Lisbela questionou retornado á cadeira de balanço. O chão úmido brilhava, limpo há poucos minutos por Priscila.

Quer dizer Priscila que você não vai conosco?- Maristela não respondeu a pergunta de Lisbela. Érika sorriu tentando ser simpática e disse que logo iriam ir embora. Priscila titubeou em responder. Como queria ir embora daquele lugar, mas sua resposta ali poderia provocar uma revolta naquele espectro chamado Lisbela.

Faltam três dias para findar nosso contrato.- Priscila disse ignorando a última cláusula do segundo contrato.

Então, nós já vamos embora e passaremos em Zellwéger para ver Dérick e Ítalo.- Maristela só queria sair dali. Tudo parecia a incomodar.

Se bem que ainda é tão cedo.- Lisbela finalmente deu um sorriso. Um grande sorriso que tornaram os olhos de Priscila ainda mais tensos – Vocês podiam almoçar aqui, é tão cedo pra partir.

Não. Precisamos ir.- Maristela foi direta dispensando sua repentina simpatia.

Mãe.- Érika a repreendeu – Podemos ficar para o almoço.- Ted só observou.

Não, não podemos.- Maristela insistiu em ir embora. Lisbela olhou pra sua própria aliança de vidro com ternura. Priscila não sabia o que dizer.

Bom…- ela apoiou o cotovelo no braço da cadeira de balanço – Sintam-se á vontade.

A viatura parou á frente do lago de Reis. O policial negro forçou os olhos custando á acreditar.

É. Você tem razão, há um lago mesmo.- Jonhásson não acreditara no que Dérick disse. Incrívelmente havia um grande lago ali. Parecia profundo.

Há um estacionamento ali ao lado seguindo a trilha e podemos ir de barco.

Inacreditável, acho que nunca vim aqui em… SweetVillage.- o policial achava tudo muito estranho, mas era um dia praticamente sem ocorrências – Claro que vou dar a volta.- ele não deixaria a viatura ali. Dérick preparava-se para entrar naquele inferno novamente.

Espero que minha mulher esteja bem.- Dérick olhou para Jonhásson.

Pode ser que a mensagem que você recebeu seja um trote, a patroa dela tem filhos?- Jonhásson esboçava um curioso olhar sobre as árvores.

Sim, um casal.

Há essa grande possibilidade.- o policial entrou na trilha e seguiu para a mata – Como está quente hoje.- se abanou com alguns documentos perto do pára-brisas do carro. Sentiu um leve calafrio.

Dérick avistou a loja do caçador Hoffman entre as árvores mas não conseguiu vê-lo.

Casas abandonadas?- Jonhásson questionou enquanto os moradores os olhavam de modo estranho. Casas abandonadas… ele não está os enxergando? Nem todos podem vê-los? Será que minha mãe e minha irmã conseguem vê-los? Será que eles aparecem só pra quem eles querem aparecer?

Não sei bem se são abandonadas.- Dérick disse. Jonhásson já passava ao lado da igreja encaminhando-se para a trilha de terra. Dérick avistou ao longe na trilha um deles. Avistou o jornaleiro andando em direção ao parque. O policial acelerou na trilha. Iria atropelá-lo? O veículo seguia veloz. Ele vai atropelá-lo.Dérick apertou o estofado do banco quando a viatura passou por cima dele. Jonhásson a parou ao ouvir um grande barulho.

Será que atropelei um animal?- Jóhansson abriu a porta preocupado. Olhou á frente e em volta da viatura próxima do celeiro, mas não havia nada – Que estranho, parecia que tinha atropelado um animal grande.- Jonhásson voltou ao carro.

Talvez ele tenha corrido para a mata.- Dérick disse vendo o homem se levantar pelo retrovisor. Sidney Jornaleiro entortou a cabeça e sorriu caído.

Mas não há gotas de sangue, é estranho.- o policial acelerou o carro e Dérick ainda olhou duas vezes para trás, mas ele já não estava mais lá.

Ao chegar á casa o policial desceu da viatura e Dérick temeu o que aconteceria á seguir. Foi um grande erro trazê-lo. Jonhásson foi até a porta da casa esperando que não houvesse ninguém diante daquele silêncio. Bateu duas vezes na porta quando ouviu vozes. Dérick estava ao seu lado.

Olá. – Priscila saudou e em seguida se surpreendeu ao rever Dérick.

Dérick! – Érika sorriu feliz ao vê-lo. Maristela se levantou do sofá. Lisbela deu um cínico sorriso e acenou ao vê-lo. Dérick engoliu seco e o policial observou o bom clima. Tudo estava normal.

A senhora é Priscila? – Jonhásson questionou com um olhar desconfiado.

Sim. – respondeu apenas. Maristela sorriu para o filho mais tranquila com sua presença.

Não há nada de errado acontecendo? A senhora mandou uma mensagem pedindo socorro?

Lisbela colocou a mão no queixo e começou a balançar a cadeira.

Não, está tudo bem. – Priscila deu um convincente sorriso indecisa sobre o que fazer.

Está tudo bem policial.- Érika sorriu, impressionada com o engano.

Não há nada de errado. – Ted confirmou estranhando – De onde partiram as mensagens?- insistiu.

Do celular de Priscila, mas está tudo bem. – Dérick voltou atrás de seu plano – Se nada aconteceu…

Talvez as crianças tenham enviado como eu disse. – o policial negro sorriu.

Meus filhos jamais fariam isso.- Lisbela afirmou áspera. Ted e Maristela a fitaram. O policial estranhou por um momento porque eles encaravam a balançante cadeira de balanço. Seu rádio chiou e ele atendeu.

Fala. – Maristela foi até Dérick e abraçou o filho após meses sem vê-lo. Priscila ao lado da porta aguardava tensa. Muito tensa.

Vou ver meus filhos no quarto. – Lisbela avisou se levantando da cadeira de balanço. Ted e Érika deram um sorriso obrigatório pra ela. Sem vontade.

Preciso ir, acabam de me passar uma ocorrência séria, não que isso não seja sério.- o policial tentou corrigir – Onde está sua patroa Priscila? Ocupada? – ela perdeu no mesmo momento o falso sorriso.

Estava aqui agora mesmo, você não a viu?- Ted não entendia. O policial estranhou e balançou a cabeça negativamente. Não havia niguém além deles, em nenhum instante.

Estava aqui, quer que eu a chame?- Érika se ofereceu.

Não, não será necessário. – Dérick falou por ele – Ele precisa atender uma ocorrência.

Então preciso ir. Adeus. – o policial deu um sorriso incomodado por ter perdido seu tempo.

Muito obrigado policial Jonhásson. – Dérick o viu entrar no carro. Priscila olhou para o marido e abaixou a cabeça molhando os lábios secos. E agora o que iria acontecer? Ambos pensaram juntos lado a lado.

Tenho certeza que não havia outra mulher naquela sala, eu não estou louco. Johánsson encaminhou a viatura na estrada de terra.

Não vai falar comigo não?- Érika sorriu e cumprimentou contente o irmão.

Como vai morena dos cabelos loiros? – Dérick zuou seus cabelos descoloridos. Tentou disfarçar ao máximo.

Vou bem, tudo bem com a gente.- ela incluiu Ted. Dérick estendeu a mão para o cunhado.

Olá Ted, como vai cara?- Ted tocou em sua mão meio afastado. Dérick deu palmadas em suas costas.

Com quem Ítalo ficou?- Priscila se lembrou do filho.

Com Dionísio.- Dérick respondeu quando a mãe se aproximou dele.

Agora vamos se despedir da camponesa dos anos 10 e vamos embora? – Maristela tocou em seu rosto percebendo uma certa palidez – E depois você vai explicar a todos nós essa história de mensagem de socorro. – Dérick deu um amarelo sorriso para os outros.

Porque nós não almoçamos aqui? – Dérick perguntou.

É isso que eu perguntei á eles. – Lisbela surgiu na janela da cozinha. Apoiou os dois braços, e seguiu assistindo-os como quem assiste uma peça de teatro.

Poderíamos ir comprar algo para o almoço na vila. – Ted sugeriu, encolhendo as mangas da camisa. Fazia calor em Sweetvillage.

Ótima idéia. – Lisbela sorriu empolgada na janela.

Tudo bem, um almoço rápido e partiremos. – Maristela decidiu aceitar.

Até onde iremos com isso? Priscila se perguntou olhando para Dérick. Até onde iremos? Dérick também se perguntou devolvendo o mesmo olhar e a mesma pergunta para Priscila. O labirinto de espinhos os cercavam.

Ele passou pelo celeiro e pelo parque. Eram quase dez da manhã. O sol começava a latejar e esquentar a viatura. Jonhásson teria que se apressar para cobrir a ocorrência em Montenegro antes de outros. Chegou á vila, já próximo á igreja quando suas sobrancelhas franziram sem acreditar. Inúmeros moradores, inúmeros deles andavam e saíam de suas casas. Uma mercearia e um bar estavam abertos. Mas… Que diabos é isso? Não havia ninguém aqui. Jonhásson passou por eles com a viatura lenta, todos pareciam ignorar sua presença. Chegando á entrada da mata começou repentinamente a sentir falta de ar, algo parecia lhe sufocar ali dentro. Talvez o carro estivesse quente demais. Ele colocou a mão no peito e conseguiu dirigir até chegar á trilha de terra.

Jonhásson abriu a porta da viatura e decidiu próximo da estrada que tomar um ar seria a melhor opção. Só faltou abrir os botões do uniforme policial. Passou a mão na testa e no pescoço limpando o suor que parecia o irritar. Respirou fundo, mas nem a boa qualidade do ar naquele lugar o fizeram melhorar. O que está acontecendo comigo? Ele decidiu voltar para o carro quando uma pontada no peito o fez agonizar. Ele viu um vulto e olhou pra frente se deparando com o homem pardo de cabelos levemente grisalhos que vestia um terno vinho debaixo daquele calor.

Cara, sou policial, você pode me ajudar? Acho que estou tendo um início de enfarto. – Graças a Deus havia alguém ali.

Claro. – Sidney o segurou antes que caísse – O que faço?

Jonhásson sentiu mais uma forte pontada no peito e gritou.

Meu rádio… Pegue meu rádio no bolso. – ainda conseguiu dizer.

Não seria melhor eu levá-lo até a cidade mais próxima senhor? Á Zellwéger?

Tá bom… Ok. – ele não teve outra alternativa. Sentia-se cada vez mais sufocado – Me leve até o carro, pegue as chaves no bolso, lembre-se que sou policial. – exaltou isso.

Claro, claro senhor. – Sidney o ajudou a chegar até o banco e pegou as chaves.

Sidney entrou na viatura e a ligou. Jonhásson já estava ofegante e pedia que fosse veloz. Sidney entrou na estrada e percorreu alguns metros logo parando. Jonhásson não entendeu quando ele olhou algo pela janela.

O que você tá fazendo cara?- Jonhásson indagou.

Estou vendo se não atropelei nenhum animal na estrada.- Sidney mostrou preocupação.

Eu to passando mal, você não vê? Preciso de um hospital, rápido!

Você vai ter a cura pra sua alma. – Sidney ligou as sirenes.

Desligue essas sirenes! O que você tá fazendo? É uma ordem, desligue!- Jonhásson buscou o révolver na cintura enquanto a outra mão estava no peito.

Sidney relaxou no banco e engatou a marcha ré sem soltar.

Ei! Ei!- o policial não conseguia pegar o revólver – Pare agora mesmo!

O carro continuou dando ré e Sidney olhou nos olhos de Jonhásson.

Feche bem os olhos e reze… – Sidney se benzeu veloz.

Jonhásson arregalou os olhos. O carro seguia de ré em uma considerável velocidade quando caiu direto no lago. Afundou de uma vez no lago de águas claras, que mais parecia ter a profundidade de um rio. Ele se debateu preso no carro mergulhado á água, mas a dor já não permitia que lutasse. O cínico olhar o encarava dentro do carro imerso nas águas geladas. Jonhásson tentou prender a respiração quando conseguiu pegar o revólver o mirando. Desgraçado, você não vai… Jonhásson atirou e a bala ondulou as águas alvejando a testa de seu inimigo. Não se viu qualquer gota ou respingo de sangue. O buraco se fechou com faíscas de chamas. Seus olhos viraram e ele fez sinal de silêncio para o policial. Atônito Jonhásson teve seus pulmões tomados e sua boca transbordando águas do lago.

Agora vamos?- Érika colocou o braço no ombro de Ted e sorriu.

Vamos, vamos sim. – Maristela chutava os galhos que enroscaram em seu sapato – Dérick cadê seu carro?- Maristela estava exausta da estranheza dos últimos acontecimentos naquele lugar.

Está com Dionísio, depois eu explico tudo mãe. – Dérick disse baixo respirando fundo de minuto em minuto.

Vamos então galera enrolada?- Ted questionou brincando.

Priscila. – Lisbela chamou na janela – Você fica. Precisa me ajudar a passar pano e terminar algumas outras tarefas.

Dê um fora nessa mulher.- Maristela cochichou disfarçando e Érika sorriu.

Preciso ficar, é o meu serviço. – Priscila disse recebendo um olhar de preocupação de Dérick. Não podia a desobedecer agora.

Priscila, sempre dedicada. Até logo. – Érika se despediu seguindo para o carro de Ted.

Tchau, até logo.- Priscila se despediu sempre tentando passar tranquilidade e sempre sem êxito.

Priscila. – Lisbela chamou da cozinha – Priscila?- Priscila a ignorou e esperou os veículos partirem para a vila.

Os olhos de Priscila arderam de ira. Dores espalhavam-se por seu corpo além do esgotamento mental. A aparência destruída e a vida desenganada.

Pensei que não viria. – Lisbela colocou o balde com água ao lado da mesa. Priscila passou por ela e foi até o armário. Abriu a gaveta sem olhar para a patroa – Vai continuar me ignorando mocinha? Vai continuar me ignorando?

Priscila empunhou a faca com as duas mãos. Lisbela a analisou com um sorriso oculto.

O que vai fazer com essa faca, viva maldita? – Indagou com naturalidade e pôs as mãos na cintura.

Eu vou me matar! – Priscila pôs a faca em seu próprio pescoço com os dedos em tremeliques – Você não tem coragem pra me matar, porque só em vida você pode me torturar e me possuir. Mas se eu morrer, não sou mais sua. – Priscila se aproximou da patroa fora de si e a faca enorme cintilava colada ao pescoço – Você não tem coragem, mas se você não me matar, eu me mato. Você decide… – Priscila desafiou face a face com a patroa – Vai Lisbela… Me mata. Me mata!- os olhos inertes de Lisbela reluziram na faca. A empregada conseguiu paralisá-la – Você não tem coragem… – Lisbela não piscava. Ela odiava ser desafiada. Uma ventania levantou seus cabelos ondulados como um sopro de tempestade.

As portas da casa bateram com um forte estrondo. O vidro do fogão explodiu estilhaçando cacos como poeira por toda a cozinha. As portas do armário e os copos escorregaram espatifando um a um no chão. Priscila se arrepiou tremendo ainda mais com a faca em mãos. Lisbela a encarou com os olhos negros espirrando faíscas, e os punhos fechados.

Vamos Lisbela, me mate sua covarde. – Priscila mantinha a faca. Mantinha-se sem fraquejar.

Seus olhos se petrificaram na empregada. Seu rosto aos poucos se transformou… Deu dois passos á frente quando sua expressão se envidraçou.

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NAVEGAR

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