Programas | Observatório da escrita

Edição 3

Escrito por: Marcelo Delpkin25/11/2018 - 18:00

Boa noite, querido(a) leitor(a)! Hoje tem a análise de um capítulo de uma novela da WebMundi, dicas sobre o vocativo e sugestões de leitura de Lyvia Peroba. Preparado(a)? Vamos lá!

 


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No último dia 12 de novembro estreou Dom de Amar, a nova novela de Everton Brito. É exibida três vezes por semana no canal WebMundi, sempre às 19h. Para quem não conhece, Everton exibiu a série As Mulheres da Minha Vida há poucos meses, na WebTV. O enredo: Cecílio é um anjo caído do céu que tem a missão de proteger o filho de Marina, jovem viúva e grávida, de todo e qualquer mal – inclusive do vilão Demétrio, com quem ela se envolve, acreditando ser um bom homem. Até que Cecílio se apaixona por Marina e deseja salvá-la da morte já traçada pelo destino. A propósito: o bebê tem uma missão grandiosa no mundo – só não se sabe se será um grande herói ou um ditador.

Vamos aos trechos mais marcantes do primeiro capítulo:

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No trecho que inicia a novela, algo cai do céu. Será um avião? Um pássaro? Uma granada? O anjo que tanto foi anunciado nas chamadas? Vamos em frente.

 

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Note o uso do comando DOLLY IN. Ele indica que a câmera deve se aproximar do ponto desejado – neste caso, o interior do quarto onde estava Melissa, a noiva. DOLLY IN é equivalente ao FORWARD. Neste mesmo excerto, há um erro ortográfico logo no cabeçalho. “Aras” deveria ser escrito com H: haras.

ADICIONAL (26/11/2018): o autor entrou em contato e explicou que Aras na verdade é o primeiro sobrenome da família (Aras Muñoz). Como o roteiro não deixa claro essa informação e o sobrenome não é dos mais comuns, podendo levar os leitores a erros de interpretação como o meu, sugeriria incluir a palavra “família” ou “casa dos” no cabeçalho, para especificar melhor a informação em um primeiro capítulo. Assim:

02. EXT. CASA DOS ARAS MUÑOZ – DIA.

 

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Aqui há a falta da crase em aquela. Na expressão “em relação a”, esta última palavra é uma preposição e pede o acento grave na palavra com quem se contrai:

em relação a + aquela = em relação àquela

 

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Na fala de Demétrio, sequer se escreve junto e tem o sentido de “nem mesmo”. Falando nele, que cafajeste este personagem! Deu raiva só de ler o diálogo dele com Melissa, que está prestes a se casar com alguém que não a ama – Leandro.

 

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Outro personagem digno de ranço é Eduardo. O que será que ele esconde de tão sério, a ponto de manter seu próprio filho doente e até de violentá-lo? Com certeza, é a cena mais chocante do capítulo. Essa história promete dar muito pano pra manga no decorrer dos capítulos.

 

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Quem nunca vibrou com um “NÃO!” bem falado por um dos noivos bem na hora H? Tem emoção de sobra, mas faltou um pouquinho de cuidado com a pontuação nas falas do padre e do Leandro. Como o padre fez uma pergunta ao noivo, um ponto de interrogação deveria ter sido colocado no fim da frase, no lugar do sisudo ponto final. E a negativa de Leandro ficou sem nenhuma pontuação. Atenção, autor!

 

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Dom de Amar é escrita em formato roteiro. Porém houve na sequência acima uma descrição tão detalhada do que ocorria com o anjo Cecílio, que predominaram a elementos do literário – principalmente na parte das veias que pulsam. Para o roteiro, basta uma descrição sintetizada do que a “câmera” vai mostrar de fato. Uma mexidinha aqui e ali, e fica ótimo. 😉

 

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E a tragédia marca o fim do primeiro capítulo: a morte trágica de Leandro num acidente de carro. Ele havia desistido do casamento e estava voltando para encontrar-se com Marina, seu grande amor. Mas o destino lhes pregou uma peça. Note novamente a falta da pontuação na última frase.

 


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A convidada de hoje é Lyvia Peroba, escritora e apresentadora de vários sucessos aqui da CyberTV. Vamos ver o que ela indica?

Senhora de José de Alencar e O Rio do Meio de Lya Luft. Senhora porque foi o primeiro romance que li. Fala sobre o amor além dos interesses financeiros. Aurélia Camargo é uma mulher que deve ser refletida nas mulheres de hoje. O Rio do Meio de Lya Luft eu recomendo pra quem ama a escrita, ela conta de onde vem as inspirações de suas histórias e personagens. Uma verdadeira aula literária.

Gostou das dicas da Lyvia? Caso você também queira recomendar alguma leitura, deixe aí embaixo nos comentários ou envie um e-mail para [email protected].

 


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É hora de falar daquela que considero a mais bela língua do mundo: o português. Como nosso idioma tem mil e um aspectos, no programa de hoje vou focar num tema que gera muita dúvida quando escrevemos: o vocativo. Afinal, o que é isto?

Vocativo é um chamamento, uma invocação. Pode estar adicionado de interjeição (Oh!, Ei!, Oi!) ou não. Ele é separado do resto da oração por vírgulas, a não ser que esteja isolado (como no quarto exemplo). Observe:

Ana Branca, você viu Kadu por aí?
Bom dia, leitores do Cyber Backstage!
Você já leu o episódio passado de Nano, Marion?
Ei! Moça! Você por acaso se chama Giane Gouveia?
Boa tarde, Vlad. Doutor Roberto já o espera no consultório.
Olá, Carla! Como está sua gestação?

 

Ah, mas a vírgula é tão importante assim? Acredite: ela é. Olhe só a mudança de sentido que pode ocorrer, se ela não for colocada:

Você leu a história da boneca Samantha?
Você leu a história da boneca, Samantha?

No primeiro caso, Samantha é o nome da boneca e não representa um vocativo. No outro, foi feita uma pergunta para alguém de nome Samantha – aqui, sim, ocorre o chamamento.

 

Só para você ter uma ideia, até os escritores do Mundo Virtual costumam se enrolar um pouquinho em relação à presença da vírgula nos vocativos. Leiam este comentário feito por Cristina Ravela numa das resenhas feitas no Blog da Zih:

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Com o trecho a seguir de Dom de Amar, Everton Brito garantiu sua nota 10 na aula de vocativo. Veja a última frase de Demétrio:

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Então, leitor(a) e/ou escritor(a), fique sempre de olho pra ver se tem pontuação perto do vocativo. Combinado?

 


O Observatório da Escrita fica por aqui, mas na semana que vem tem mais. Boa semana de muita leitura para você, leitor(a)! 😉

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