O Imortal PPNG
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“O IMORTAL”

 

Um roteiro

 

de

 

Anderson Silva

FADE IN:

 

INT. QUARTO​​ ​​ NOITE

 

Uma mulher​​ (ÍRIS)​​ deitada na cama. Rosto abatido, cabelo desgrenhado, nitidamente fraca. Pele​​ clara, 38 anos, rosto fino, olhos​​ profundos​​ e escuros.​​ Um rapaz​​ (NORAN)​​ ajoelhado ao lado da cama.​​ Branco,​​ 22​​ anos,​​ alto, cabelos pretos e curto, com barba a fazer.​​ Ele segura a mão​​ da mulher​​ e​​ a​​ acaricia.​​ Uma​​ lágrima escorre de seu rosto.

 

IRÍS​​ (voz baixa, fraca)

Ele tirou tudo de mim. Você deve tirar tudo dele!

 

O rapaz chora. Com certa dificuldade para respirar,​​ Íris​​ consegue dizer mais uma coisa.

 

IRÍS​​ (voz baixa, fraca)

Foi para isso que você nasceu!

 

Íris​​ vira lentamente o rosto para o lado, morre de olhos abertos.​​ Noran​​ chora em desespero. CAM enquadra o rosto​​ morto​​ de Íris.

 

EXT. FLORESTA – NOITE

 

Noran dormindo​​ no chão. CAM enquadra seu rosto.​​ Subitamente ele desperta, senta-se​​ e olha para uma fogueira​​ à​​ sua frente.​​ Está sem camisa.​​ Vira o rosto para​​ o​​ lado e​​ vê uma​​ garota​​ morena, cabelos pretos e longos,​​ em pé​​ se vestindo.

 

GAROTA

Pensei que estivesse dormindo.

 

NORAN

Tive um pesadelo. (tom baixo,​​ a​​ fogueira) Tá mais para uma​​ memória​​ que me lembra constantemente quem eu sou.

 

GAROTA

Tenho que voltar​​ para o​​ vilarejo. (ao rapaz) Demoramos demais aqui. Já devem ter sentido a minha falta.

 

Noran​​ não​​ responde,​​ sua atenção ainda está​​ na fogueira. A​​ garota​​ se veste e​​ vai embora.​​ CAM em Noran.

 

EXT. VILAREJO – DIA

 

Várias pessoas andando​​ de um lado para o outro. Comerciantes,​​ crianças correndo, soldados embriagados saindo de uma taberna. Noran​​ passa​​ pelos​​ soldados,​​ indo​​ em direção​​ à​​ taberna.​​ 

 

INT. TABERNA – DIA

 

Um ambiente animado.​​ Cinco​​ mesas ao longo do salão, ambas ocupadas. Homens bebendo, mulheres dançando e​​ algumas​​ sentadas nas pernas​​ deles. Ambos estão se divertindo. Noran observa brevemente o local e​​ vai​​ em direção ao bar.​​ 

 

Um senhor​​ (AMIS)​​ calvo, barbudo e um pouco acima do peso, prepara um copo de cerveja e o coloca sobre o balcão, assim que Noran se aproxima.​​ 

 

AMIS

Olá, forasteiro!​​ (empurra a bebida em direção a Noran) Essa é por conta da casa!

 

NORAN

Como sabe que sou forasteiro?

 

AMIS

Conheço os rostos de todas as pessoas desse vilarejo, rapaz. E você não é daqui!

 

NORAN

Realmente não sou. Venho de longe. (se aproxima, tom baixo) Me disserem que é aqui que eu consigo falar com a​​ aquela que localiza todos.

 

AMIS

Todos de fora sempre vem​​ à​​ procura​​ dela.

 

NORAN

Então, ela realmente está aqui? Como faço para falar com ela?

 

AMIS

O jovem tem dinheiro?

 

NORAN

Tenho algumas moedas de prata de alguns serviços que eu fiz.

 

AMIS

Quantas moedas estamos falando, exatamente?

 

Noran retira de sua cintura uma pequena bolsa de pano. A abre e exibe seu interior para o senhor.

 

AMIS

É, talvez ela aceite falar com você.

 

Amis​​ olha para o salão. POV do senhor: uma mesa com quatros homens. Uma garota​​ (EMMA)​​ cabelos loiros, amarrados em traças,​​ sentada​​ nas pernas de um homem alto, cabeludo e forte.​​ 

 

Ele​​ assobia três vezes, consegue a atenção da garota.

 

AMIS

Ela virá falar com você.

 

O​​ idoso​​ se afasta, Noran se vira para o salão e se surpreende com a garota loira, mais baixa que ele a sua frente.

 

EMMA

Queria​​ me ver?

 

NORAN

Você é a​​ aquela que localiza todos?

 

EMMA

Não pareço, não é?!​​ As pessoas se surpreendem quando me veem. Normal!​​ (olha a bolsa sobre o balcão) Poucas moedas! Tem direito a uma​​ pessoa​​ apenas.

 

NORAN

É só de uma que eu preciso mesmo.

 

EMMA​​ (pega a bolsa)

Quem você quer encontrar?

 

NORAN

O curandeiro da morte! Como faço para encontrá-lo?

 

Emma o encara por um momento, em completo silêncio.​​ 

 

EMMA

O curandeiro da morte é uma lenda. É algo que os guerreiros e reis inventaram. Ele não existe.

 

NORAN

Mentira! Minha mãe disse que ele existe. Ele a salvou uma vez.

 

EMMA

Sua mãe possivelmente deve ter sido salva por outra pessoa. (vira-se para ir embora) Acredite em mim,​​ rapaz! O curandeiro da morte é uma lenda.

 

Noran​​ segura o braço dela. Imediatamente alguns homens se levantam​​ de suas mesas​​ e se aproximam​​ deles.

 

EMMA​​ (aos homens)

Está tudo bem. (a Noran) É bom você soltar meu braço! Você não está em vantagem aqui.

 

NORAN

Eu não tenho medo! Eu vim de muito longe por essa informação. E sua fama é conhecida​​ por todos os reinos.​​ Dizem que você consegue localizar qualquer pessoa,​​ não importa o lugar que ela esteja.

 

EMMA

Pessoas reais, no caso. O curandeiro da morte não existe.

 

NORAN

Eu preciso dele! (solta o braço dela) Ele talvez seja o único que vai me ajudar no meu propósito.

 

A garota o observa atentamente. Sente que está sendo sincero.

 

EMMA

Você carrega um peso enorme aí dentro. (toca no peito dele) Eu realmente não posso localizar o curandeiro, porque a pessoa precisa pertencer a este mundo para ser localizada. Mas, acho que alguém pode lhe ajudar.

 

Se aproxima dele​​ e​​ em seu ouvido cochicha algo. Se afasta na sequência e volta para a mesa​​ junto com os homens.​​ CAM destaca Noran parado em meio ao salão.

 

EXT. FLORESTA – DIA

 

Noran​​ montado​​ em um cavalo de coloração marrom e branco.​​ Cavalga entre as árvores​​ em um ritmo acelerado. CAM o enquadra, durante todo o​​ percurso.

 

EXT. CABANA – TARDE

 

Noran​​ amarra​​ o​​ cavalo a poucos metros de uma residência aparentemente abandonada.​​ Paredes gastas pelo tempo,​​ repletas de musgo,​​ com um​​ gramado alto cercando​​ o local, deixando apenas uma fina trilha que leva até a floresta.​​ 

 

Ele caminha olhando atentamente​​ o​​ ambiente.​​ A porta da residência​​ se abre, fazendo-o parar de andar. Uma velha encurvada, cabelos grisalhos, longos e desgrenhados sai do local.

 

VELHA (tom alto)

O que quer?

 

NORAN

Oi! Me disseram que a senhora pode me ajudar a encontrar alguém. Estou à procura do curandeiro da morte. A senhora pode me ajudar?

 

VELHA

E para que quer encontrá-lo?

 

NORAN

Ele é o único que pode me ajudar com meu propósito.

 

VELHA

Matar aquele que destruiu a vida de sua mãe. Cuidado meu rapaz, com o sentimento que você alimenta em seu coração. Há certos caminhos que não há como voltar atrás.

 

NORAN

A senhora pode​​ me ajudar​​ ou não?

 

VELHA

Só há um meio de encontrar o curandeiro da morte!

 

NORAN

Como?

 

VELHA

Você precisa estar à beira da morte, para que ele venha até você.

 

CLOSE no sorriso estranho da senhora.

 

INT. CABANA – NOITE

 

Noran está sentado no chão, com várias pedras circulares, de tamanhos variados e cores, formando um​​ grande​​ triângulo​​ em torno dele. A velha caminha lentamente em sua direção, trazendo uma pequena cuia nas mãos.​​ 

 

VELHA

Beba isso!

 

NORAN

O que tem aí?

 

VELHA

Só beba rapaz! Deixe as perguntas​​ para​​ o curandeiro.

 

Noran pega a cuia das mãos da senhora. Sente um odor forte vindo do líquido. Fecha os olhos e num só ato, toma todo o conteúdo do recipiente.​​ O gosto parecia pior que o cheiro.​​ 

 

A senhora pega a cuia das mãos dele e retorna de onde veio. Noran não sente nada de diferente em seu corpo.​​ 

 

NORAN

Devia sentir​​ algo?

 

Tudo em sua volta começa a girar​​ de repente.​​ Noran sente-se tonto, deita-se no chão e o teto acima dele roda várias e várias vezes. Leva as mãos ao pescoço​​ e​​ sente-se​​ sufocado.

 

Vira o rosto para o lado. POV de Noran: cenário embaçado. Vulto da senhora parada distante dele. Rosto dela bem próximo,​​ escuta-se gargalhadas.

 

Noran olha para o teto novamente. CLOSE em seu rosto agonizando sem ar. Seus olhos se fecham​​ e​​ seu corpo fica imóvel, aparentemente morto.

 

EXT. RIO – NOITE

 

PLANO PRÓXIMO​​ em​​ Noran deitado, com seu corpo flutuando sobre a água. O ambiente ao redor é escuro e com uma leve nebline. Um barco​​ branco, com uma caveira na proa​​ e detalhes em símbolos e gravuras talhados​​ em suas bordas,​​ se aproxima lentamente do corpo​​ boiando. Um​​ senhor de cabelos grisalhos​​ e longos,​​ barba​​ comprida,​​ pele enrugada e​​ usando uma longa capa preta, rema lentamente​​ até​​ Noran.​​ 

 

Noran desperta,​​ estranha o local​​ e​​ levanta-se pronto para​​ a​​ luta.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Sua hora ainda não chegou! Como​​ veio parar​​ aqui?

 

NORAN

Você é​​ o​​ curandeiro da morte?! Minha mãe disse que você a salvou anos atrás. (baixa a guarda) Então talvez você possa me ajudar.

 

Noran olha para as águas​​ passando​​ por seus pés.​​ Estranha​​ porque​​ não afundou​​ no​​ rio. Com mais atenção, ele percebe algo estranho dentro d’água.​​ POV de Noran:​​ formas humanas​​ na cor​​ branca, sendo levadas em sentido ao fluxo da água.​​ Milhares delas.​​ 

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Eu​​ lembro de​​ sua mãe! (consegue a atenção de Noran) A hora dela não tinha chegado, quando a encontrei.​​ A sua também não! Então eu repito, como chegou aqui?

 

NORAN

Uma senhora bruxa me ajudou. (em direção ao barco) Será que eu posso subir? (olha para água) Não estou muito à vontade com essas​​ coisas​​ abaixo de mim.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Nem elas estão​​ à​​ vontade ao ver você sobre o rio.

 

Noran sobe no barco. O senhor volta a remar.

 

NORAN

O que são essas coisas?

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

São almas!​​ Todos que morrem vêm para este rio. Eu os​​ trago​​ pessoalmente para cá.

 

Noran fica pensativo por um momento. Olha para​​ a​​ água mais uma vez, como se procurasse algo.

 

NORAN​​ (sério)

Quero sua ajuda para vencer a morte.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Vencer a morte?

 

NORAN

Quero ser imortal! Preciso enfrentar​​ alguém​​ poderoso e não posso morrer sem antes tirar tudo dessa pessoa.

 

O curandeiro continua em silêncio. Rema por alguns segundos sem dizer nada. A expressão em seu rosto é indecifrável.

 

NORAN

Você sendo o curandeiro da morte,​​ deve saber como não ser encontrado por ela. Deve existir alguma forma de viver eternamente, não é?

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

A morte é algo natural. Faz parte da ordem​​ das coisas. Nascimento e morte.​​ Início e fim.​​ Não há como burlar​​ isso.

 

NORAN

O mesmo não pode ser dito a você?! Quantos anos você deve ter? Um milhão?!

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

O que você pensa ser uma benção, para mim é uma maldição. (para de remar,​​ observa​​ o rio) Tenho que conviver pela eternidade, ouvindo as lamentações dessas pobres almas.

 

O curandeiro se agacha e puxa uma alma do rio. Mostra a alma para Noran, que se assusta ao ver tamanha semelhança com sua mãe.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Eu ouço todos os dias as lamentações de sua mãe! (solta o remo, se aproxima de Noran) Eu sei o que ela sofreu!

 

Noran está com os olhos arregalados vendo a forma assombrosa da alma de sua mãe. O curandeiro toca em seu ombro. CAM enquadra o rosto branco e fantasmagórico da alma.

 

SEQUÊNCIA DE CENAS

 

Íris​​ (16 anos)​​ ajuda sua mãe​​ no vilarejo​​ em uma pequena barraca de frutas. Soldados do rei invadem o local e começam a destruir tudo que veem. Pessoas correndo e gritando. Íris​​ e sua mãe fogem dali. Chegam em sua casa, trancam a porta e se escondem​​ em um canto.

 

O​​ local é invadido por soldados e ambas são levadas para fora. Mulheres jovens são feitas de reféns, enquanto​​ homens e mulheres, mais velhas, são executadas ali mesmo. Íris vê​​ sua mãe e seu pai serem mortos.​​ Ela e outras garotas são levadas em uma jaula.​​ 

 

Ambas chegam em um grandioso castelo.​​ Íris é jogada em um quarto simples.​​ Ela chora mesmo estando naquele lugar aconchegante.​​ Um homem, forte e alto,​​ usando um traje elegante,​​ entra no cômodo.​​ Seu rosto não é revelado. A garota fica com medo​​ do​​ que ele pretende fazer. O homem começa a se despir, enquanto se aproxima​​ dela.

 

É mostrado o homem saindo do quarto e a garota encolhida sobre a cama, chorando.​​ A​​ ação​​ se repente com frequência.​​ Com o tempo, a garota vai ficando desnutrida e triste.​​ 

 

Soldados invadem o quarto e puxam a garota da cama. Íris, praticamente sem ânimo, se deixa levar sem esforço algum. Ambos seguem uma trilha em meio a floresta.​​ Próximo a um riacho, eles param e​​ a jogam no chão. Um dos soldados abusa​​ da garota ali mesmo. Na sequência, jogam​​ o corpo​​ dela​​ seminu no rio.

 

Sem​​ demonstrar emoção alguma,​​ Íris​​ deixa seu corpo boiar sobre​​ a​​ água.​​ CAM​​ em​​ seu rosto, sem ânimo para continuar vivendo.​​ 

 

EXT. RIO – NOITE

 

O curandeiro se afasta de Noran​​ e​​ devolve​​ a alma para o rio. Noran senta-se no barco, angustiado e furioso após ter visto tudo aquilo.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Almas​​ são​​ repletas de memórias! Eu as vejo todos os dias. Tudo o que​​ elas passaram enquanto​​ estavam​​ vivas.​​ (volta a remar)​​ Eu devo ficar aqui e reviver constantemente as angústias e dores de cada uma.

 

NORAN (furioso)

Você precisa me ajudar. Você sabe o que ele fez! (se levanta) Ele precisa pagar por isso. Por todas as almas que ele mandou pra cá. Por todo o sofrimento que ele causou​​ às pessoas.​​ Ele tem que pagar!

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Todos têm sua hora! A hora dele chegará e todos os seus atos serão colocados na balança e julgados como uma alma qualquer.

 

NORAN

E quando será isso?​​ Ahn? Quantas pessoas mais precisam morrer para aumentar o ego dele? Quantas famílias precisam ser destruídas, para satisfazer as necessidades mesquinhas dele?​​ Ahn? Me diz, por quanto tempo mais povos precisam passar fome, sede, miséria, enquanto ele enriquece às custas de inocentes?

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Você está cego! Não está querendo enxergar além do​​ óbvio.

 

NORAN

Me diga como ser imortal e eu vou embora! Como faço para driblar a morte, para que ela não venha buscar minha alma?

 

O curandeiro fica em silêncio por um segundo. Rema, olha para o rio e as almas sendo levadas pelas águas.​​ 

 

NORAN

Eu não vou desistir! Mesmo que você não diga, eu vou procurar outro jeito. Há várias lendas de pessoas que já enfrentaram a morte e venceram.

 

O curandeiro ergue a cabeça, se atenta a conversa de Noran.

 

NORAN

Eu sou o único que tem coragem o suficiente para pará-lo.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Sua coragem é admirável, mas é burrice sua enfrentá-lo sozinho.​​ (p)​​ Ocupe o meu lugar e você terá vida eterna!

 

NORAN

O que?

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Seja o​​ próximo​​ curandeiro da morte, guie as almas e viva pela eternidade.

 

O curandeiro vira-se para Noran. Se aproxima​​ e​​ o encara bem de perto. POV de Noran: um rosto embranquecido, enrugado, com olhos caídos e dentes amarelados.

 

CURANDEIRO​​ (tom calmo)

Diga sim e estará feito!

 

Em off, de forma automática, Noran diz “SIM”. CAM destaca o rosto do curandeiro sorrindo. Tudo escurece.

 

EXT. FLORESTA – DIA

 

Noran deitado​​ em meio​​ às arvores.​​ Sons de pássaros.​​ Raios do sol iluminando alguns pontos.​​ Ele desperta, respira fundo como se o ar estivesse voltando para seus pulmões.​​ Estranha o local onde acordou. Olha para o lado e vê seu cavalo amarrado a uma árvore.

 

EXT. RIO – DIA

 

Noran​​ tomando banho. Mergulha algumas vezes na água. Esfrega seu corpo. Deita-se e deixa seu corpo flutuar. Fecha os olhos​​ e​​ os raios do sol​​ o​​ aquece. Seu rosto está sereno.

 

EXT. FLORESTA – NOITE

 

Noran comendo peixe. Observa a fogueira. Está pensativo. Na sequência,​​ é mostrado ele​​ deitado no chão, olhando as estrelas no céu. CAM enquadra seu rosto, em seguida, mostra um céu limpo, estrelado e com uma lua crescente.

 

EXT. VILAREJO – DIA

 

Várias pessoas andando de um lado para o outro.​​ Soldados montados a cavalo​​ passeando​​ pelo local. Noran puxa seu cavalo​​ e​​ o​​ leva até uma estaca de madeira,​​ o prende ali​​ e caminha sozinho. Após alguns passos, percebe​​ dois​​ soldados​​ atormentando​​ uma​​ senhora de idade.​​ 

 

Várias pessoas​​ estão​​ próximas​​ a senhora,​​ só que​​ ninguém faz nada​​ para ajudar. A​​ idosa​​ está constrangida e não reage.

 

SOLDADO 01

Acho que​​ vou levar isso aqui. Esse aqui também. (enche uma cesta com vários alimentos) Esse aqui. E mais isso aqui.

 

O companheiro dele sorri​​ ao lado.

 

SOLDADO 01

Obrigado pelas compras!

 

NORAN

Faltou​​ pagar pela mercadoria, não acha?

 

SOLDADO 01

O que você disse? (solta​​ a cesta) Você sabe com quem está falando? (se aproxima dele)

 

NORAN

Com o rei que não é!

 

Os dois soldados começam a​​ cercá-lo.​​ Andam​​ em volta dele. Noran não parece estar com medo.

 

SOLDADO 02

Eu tava com vontade mesmo em bater em alguém, sabia?

 

SOLDADO 01

Que bom que​​ alguém​​ se voluntariou pra isso!

 

Ambos riem. O soldado 02 ataca primeiro. Noran desvia, troce o braço dele por trás, o fazendo se ajoelhar no chão. O soldado 01 vai para cima. A​​ idosa​​ aproveita​​ o momento​​ e se afasta dali.​​ 

 

Noran chuta as costas do soldado 02​​ e​​ o leva​​ ao chão. Inicia uma troca de socos com o soldado 01.​​ 

 

SOLDADO 01

Você vai implorar por não ter encontrado o nosso caminho.

 

A troca de socos continua. O soldado 02 se levanta e participa junto da briga. Embora seja uma luta dois contra um, Noran​​ consegue​​ se desviar bem dos socos.​​ Com um​​ olho roxo e a boca sangrando,​​ ele continua animado em lutar.

 

NORAN

Para dois soldados, vocês lutam bem mal, sabia?!

 

SOLDADO 01

Seu desgraçado!

 

Vai para cima dele.​​ As pessoas se dispersam dali.​​ A luta entre os dois dessa vez destrói algumas barraquinhas. Noran derruba​​ o soldado 01​​ no chão e soca o rosto dele. O soldado o empurra com os pés, fazendo-o sair de cima.​​ 

 

Assim que​​ Nonan se levanta, é surpreendido com o soldado 02 o segurando pelas costas.​​ 

 

SOLDADO 02

Vamos ver se você gosta de apanhar também?!

 

O soldado caído se levanta, e parte​​ para​​ cima de Noran. Dá sequências de socos em seu abdômen e rosto. Enfurecido, Noran dá uma cabeçada no soldado que o segura por trás​​ e​​ consegue​​ se soltar. Com uma rasteira, leva o soldado 01 ao chão e começa a socá-lo novamente.​​ 

 

NORAN (furioso)

Vocês vão aprender a tratar bem as pessoas! (aumenta o ritmo de socos)

 

De modo inesperado, os socos são encerrados​​ após Noran ser surpreendido com uma espada​​ perfurando​​ seu peito.​​ A espada é puxada.​​ Se levanta, vira-se e vê​​ o responsável por isso.

 

SOLDADO 02 (sorri)

E você deveria ter ficado em seu canto, imbecil!

 

Noran se afasta cambaleando, com a mão em seu peito.​​ Muito sangue​​ mancha​​ suas mãos e roupa.​​ Cai em cima de algumas madeiras. O soldado 01 se levanta com a ajuda do companheiro. Seu rosto está completamente machucado, roxo e sangrando. Vão embora.

 

CAM destaca Noran. Seu peito sangra muito. Lentamente, ele vai fechando os olhos.​​ Tudo escurece.​​ 

 

INT. QUARTO – NOITE

 

Noran​​ está deitado em uma cama​​ de solteiro. Está sem camisa, com seu peito enfaixado. Desperta um pouco dolorido, se questiona onde está.

 

EMMA

Acordou, finalmente.

 

Ele​​ reconhece a​​ voz, senta-se na cama.

 

NORAN

Como vim parar aqui?

 

EMMA

Após uma briga fantástica na rua, contra dois soldados,​​ minha avó​​ viu você caído no chão, feito um moribundo. As pessoas passavam por você e te ignoravam. Até mesmo a senhora que você ajudou.

 

NORAN

Eu não morri?

 

EMMA

Isso é algo que eu também gostaria de saber. Você foi perfurado direto no coração. Como ainda pode estar vivo?

 

Noran​​ não responde. Olha para​​ seu​​ peito​​ enfaixado.

 

EMMA

Algo me diz que tem a ver com o curandeiro.

 

Enquanto​​ Emma falava,​​ Noran​​ tira a faixa de seu corpo.

 

EMMA

Estou muito curiosa em saber o que você pediu​​ pra ele!​​ Eu fosse você não tiraria essas faixas agora. A perfuração foi profun.../​​ (boquiaberta)Uau!​​ 

 

CAM destaca o peito de Noran e não apresenta​​ nenhuma​​ cicatriz.

 

EMMA​​ (surpresa)

O que você​​ fez, rapaz?

 

Noran​​ não responde. CAM destaca a expressão de espanto​​ em seu​​ rosto.​​ 

 

INT. TABERNA – NOITE

 

Noran está sentado​​ no​​ bar, tomando uma cerveja.​​ Amis​​ o observa.

 

AMIS

Você é um rapaz de muita sorte!

 

NORAN

Eu preciso ver o rei. Tenho um assunto a tratar com ele.

 

AMIS

Será difícil ultrapassar a fortaleza​​ em que ele se esconde. Dizem que criaturas​​ místicas​​ protegem todo o local.

 

NORAN

Depois do que eu descobri hoje, não tenho medo.

 

AMIS

Não vai ao menos nem montar um exército? (próximo​​ dele) Há boatos por aí, de que dois guerreiros estão procurando homens fortes e corajosos para montarem uma resistência​​ com força capaz de​​ enfrentar o rei.

 

NOHRAN

Onde encontro esses guerreiros?

 

AMIS

Não sei. (se afasta) Dizem que eles estão a mando da rainha do​​ norte. Talvez devesse começar por lá.

 

Noran fica em silêncio. Toma alguns goles de sua bebida.​​ 

 

SEQUÊNCIA DE CENAS

 

Noran​​ em seu cavalo em diversos lugares. Enfrentando sol escaldante, chuvas fortes, neve e frio. Montanhas, solos arenosos​​ e​​ florestas.

 

Ao longo do caminho, ajudou​​ uma pequena vila​​ de anões,​​ onde​​ ladrões costumavam saquear suas plantações.​​ Salvou algumas moças que estavam sendo levadas como reféns pelos soldados do rei.​​ Se envolveu com algumas mulheres ao longo do percurso, incluindo aquelas mais perigosas: as sereias.​​ 

 

Após semanas na estrada, finalmente chegou ao reino do Norte.​​ Um lugar seguro,​​ próspero e que recebe os cuidados de uma rainha justa, que conhece as necessidades de seu povo.​​ 

 

EXT. VIRALEJO – TARDE

 

Comércio movimentado e grande. Vários tipos de especiarias,​​ seres​​ e povos. Pessoas felizes​​ e​​ vivendo em paz.​​ Noran​​ observa o​​ modo de vida daquelas pessoas.​​ 

 

Um jovem sátiro (metade homem, metade bode) se aproxima​​ dele​​ lhe oferecendo algumas especiarias.​​ Pequenos chifres na cabeça, barbicha, nariz achatado​​ e​​ orelhas pontiagudas.​​ 

 

ÁTIS

Interessado em algumas ervas e sementes para dar aquele sabor especial nas refeições, amigo? Não tem conseguido dormir direito ou se sente cansado ou sobrecarregado? Um chá dessa erva aqui, lhe farar dormir o dia inteiro. Ah, e se tiver procurando algo para apimentar a relação com sua mulher, aqui tem também.​​ 

 

Noran o observa, sorri.​​ 

 

NORAN

Desculpe, mas não estou interessado em comprar nada. E também não tenho mulher.

 

ÁTIS

Se quiser,​​ tenho​​ também​​ alguns afrodisíacos, para​​ atrair a atenção de belas moças. Se bem que, para um homem como você, nem é necessário. Deve atrair atenção por onde passa.

 

Noran continua sua caminhada, Átis o segue.

 

ÁTIS

Procurando alguém?

 

NORAN

Sim. Ouvi boatos de que dois cavaleiros estão procurando homens corajosos para enfrentar o rei. Estou aqui para me juntar a eles.

 

ÁTIS

Corajosos e malucos, não é? Nem todo o exército da rainha do Norte é capaz de vencê-lo.

 

NORAN

Bem, digamos que eu seja diferente.

 

ÁTIS

Pra mim, você é apenas um humano normal, querendo bancar o macho alfa. (Noran ri)​​ Deixa-me​​ voltar para as minhas vendas. Boa sorte aí​​ em​​ sua busca.​​ 

 

Átis se afasta, oferecendo suas especiarias para uma senhora. Noran o observa brevemente, em seguida​​ segue o​​ seu caminho.

 

EXT. FLORESTA - AMANHECER

 

Em Noran dormindo. Fogueira apagada. Se ouve gritos de socorro. Noran desperta​​ e​​ olha em direção aos gritos.​​ 

 

É mostrado Átis correndo com uma pequena mochila de couro nas costas. Logo atrás, outros dois Sátiros adultos, com grandes chifres, barbas longas​​ e fortes, o perseguindo.

 

Indo na direção contrária, Noran parece reconhecer aqueles gritos. Apressa​​ seus passos​​ e em instantes acaba esbarrando em Átis, o fazendo cair no chão.

 

ÁTIS (ofegante, assustado)

Me ajuda, por favor.

 

Átis se levanta​​ e​​ vai para trás de Noran. Os dois sátiros adultos chegam até eles.

 

SÁTIRO 01

Essa​​ semente é nossa!​​ 

 

SÁTIRO 02

Nós a​​ encontramos​​ primeiro.

 

ÁTIS

Mentira.​​ Eu peguei primeiro. (à Noran) Ela é muito rara! Não deixem que tire de mim.

 

SÁTIRO 01

Sai da frente humano. Isso é um problema de família.

 

NORAN​​ (a Átis)

Eles são seus parentes?

 

ÁTIS

Nunca os vi na minha vida. Tão mais para ladrões, isso sim.

 

SÁTIRO 01

Você se arrependerá pelo que disse!

 

Corre em direção​​ a​​ Noran, que​​ permanece imóvel, esperando o​​ impacto.​​ O​​ Sátiro não reduz a velocidade. Ao chegar bem próximo, Noran desvia, consegue segurar​​ no pescoço dele e subir em suas costas.​​ Essa ação faz o sátiro desviar o caminho, se afastando de Átis que estava logo atrás.​​ O sátiro 01 tenta derrubar​​ Noran de suas costas.

 

SÁTIRO 01​​ (irritado)

Sai de cima de mim, humano!

 

NORAN

Sempre quis saber quem era mais rápido? Se vocês​​ ou os cavalos.

 

O​​ sátiro​​ 01​​ tenta de diversas formas tirá-lo de suas costas.​​ Ele subitamente para de se​​ mover. Noran estranha, mas logo percebe que o companheiro dele vem em sua direção pelas costas. Imediatamente​​ Noran​​ salta,​​ se​​ afasta​​ e​​ se prepara para lutar. Os dois sátiros o observam,​​ e​​ estão prontos para correr em sua direção.​​ Nesse momento,​​ um pó vermelho​​ é​​ jogado nos rostos dos sátiros. Seus olhos começam a arder e ambos ficam agitados.​​ 

 

ÁTIS

Vêm, vamos sair daqui!

 

Átis sai correndo entre as árvores. Noran vai atrás dele.

 

INT. CABANA – DIA

 

Uma pequena residência, móveis de madeira​​ e​​ paredes de pedra. Várias ervas e sementas, sobre uma mesinha. Há também espalhados pelos cantos do local. Noran, por ser alto, se curva para não bater no teto.

 

ÁTIS

É aqui onde eu moro e trago todos os tipos de especiarias do reino.

 

NORAN

Tem bastante coisa aqui.

 

ÁTIS

Esse é meu trabalho. Se não, não teria como viver. Viraria bandidos igual aqueles dois que deixamos na floresta.

 

NORAN

Fico feliz que​​ agora está em sua casa, seguro. Agora, tenho que ir. Preciso encontrar os cavaleiros que estou procurando.

 

ÁTIS

Espera, não vai querer comer nada? Posso preparar algo rapidamente.

 

NORAN

Agradeço, mas minha busca deve continuar.

 

ÁTIS

Entendo. Talvez você precise de ajuda em sua busca. Dois procurando é melhor que um.

 

NORAN

E suas coisas?

 

ÁTIS

Eu encontro isso em qualquer canto do planeta. Tenho um bom faro. E a verdade é que eu não tenho ninguém aqui. Chego em casa todos os dias e a única companhia que tenho são essas ervas e sementes.​​ E andar por aí, conhecendo novas terras, plantas, sempre foi um sonho meu. Os outros zombam de mim, por ter esses chifres pequenos, embora esteja chegando a fase adulta. Esse corpo magro. Então, não tem nada que me prenda aqui. Você me permite ser seu companheiro de viagem?

 

Noran parece receoso. Átis realmente não apresenta uma estrutura física de que poderá acompanhá-lo em sua jornada. Mesmo assim...

 

NORAN​​ (tom brincalhão)

Não​​ vou​​ esperar você aprontar seu cavalo! (ri)

 

 

Noran sai da residência, Átis​​ sorri e​​ comemora por ele ter aceitado.

 

ÁTIS (feliz)

Embora seja engraçado, dizer isso​​ para um sátiro​​ é agressivo,​​ sabia?!

 

Átis pega algumas ervas, coloca em sua mochila e vai atrás de Noran.

 

SEQUÊNCIA DE CENAS

 

Noran e​​ Átis​​ em​​ diversos vilarejos do reino do Norte. Conversam com​​ várias​​ pessoas​​ e​​ criaturas, em busca dos​​ dois​​ cavaleiros.​​ Fadas, gnomos, elfos,​​ o​​ reino está repleto de seres mágicos.​​ Com base nas informações​​ descobriram que os cavaleiros não estão mais no reino. Foram para o leste, em busca de guerreiros.​​ 

 

Os dois então​​ pegam a estrada logo ao amanhecer​​ e​​ deixam o reino do norte para trás. Ao longo do caminho, Àtis​​ tem​​ se mostrado ser alguém que fala muito. Em todos os cenários em que eles passam​​ é mostrado Átis sempre falando e Noran ouvindo.​​ 

 

Ao mesmo tempo que é muito falador, Átis tem uma mão leve para pegar coisas dos outros. Em​​ muitos locais,​​ ele acaba colocando Noran em brigas por​​ objetos​​ que desaparecem e estavam​​ em suas coisas. Embora o sátiro diga que não faz por mal, que é um vício, Noran acaba o salvando sempre.

 

EXT. VILAREJO – TARDE

 

Noran brigando com três homens. Átis está escondido atrás de alguns barris.​​ Apesar de algumas manchas roxas e sangrando, Noran continua com​​ mais​​ disposição que os três homens.

 

HOMEM 02​​ (tom baixo)

Esse cara não cansa?​​ 

 

NORAN

Já querem parar a briga? Justo no momento que estou me divertindo?​​ 

 

HOMEM 01

Se a gente quisesse, a gente socava a sua cara o dia inteiro. Mas temos esposas e filhos nos esperando em casa.

 

NORAN (ri)

Sei. Vão lá então cuidar de suas​​ esposas​​ e filhos.

 

HOMEM 01 (ao Átis)

Quanto você, se voltar a pisar os pés nesse vilarejo novamente, vamos acabar com​​ sua espécie.

 

Os três homens se reúnem e vão embora. Noran se aproxima de Átis, senta-se ao lado dos barris.

 

ÁTIS (admirado)

Qual é o seu segredo?

 

NORAN

Como assim?

 

ÁTIS

Já lhe vi brigar diversas vezes, se ferir gravemente e em poucas horas seu​​ corpo se recupera, como se nada tivesse acontecido. Como você faz isso?

 

Noran​​ olha para o chão,​​ fica sério.

 

NORAN

Você não acreditaria se eu contasse. Mas,​​ digamos que eu não vou morrer até a minha vingança ser completada.​​ 

 

ÁTIS

Você quer tanto matar o rei o​​ assim?​​ 

 

NORAN​​ (à Átis)

Eu nasci para esse propósito. E só vou descansar enquanto tirar tudo dele. (encara o chão)

 

Átis fica em silêncio, está pensativo. Olha para sua mochila, a abre e retira um pequeno recipiente d’água. O abre, mete a mão dentro da mochila e retira um pequeno potinho. Despeja um pó de coloração branca na água, mistura bem e tampa o recipiente.

 

ÁTIS

Beba! (oferece para Noran) Você deve estar com sede da luta.​​ 

 

Noran naturalmente pega o recipiente. Bebe o líquido de uma vez. Sente-se aliviado.

 

NORAN

Obrigado, Átis. Realmente estava precisando.

 

Assim que encerra a frase, Noran sente-se sonolento. Tenta manter os olhos abertos, seu corpo começa a ficar pesado e em segundos adormece profundamente. CAM destaca Átis.

 

ÁTIS

Você precisa da sua vingança e eu preciso da minha família.​​ 

 

SEQUÊNCIA DE CENAS

 

O corpo de Noran​​ está​​ desacordado sobre o cavalo. Suas mãos e pés estão amarrados. Átis puxa o animal, em passos calmos. Em outro cenário, uma área aberta com rochas ao fundo, Átis conversa em off com alguns soldados do rei. Ele aponta para o corpo de Noran. Os soldados se entreolham.

 

Noran em uma jaula,​​ ainda​​ desacordado. Átis ao lado, acompanhando os soldados em uma trilha. CAM destaca​​ um​​ imenso​​ castelo. Há águias gigantes sobrevoando as torres​​ do local. Na entrada, trols fazem a segurança de quem entra e quem sai. Os soldados entram levando Noran dentro da jaula e Átis.​​ 

 

Um imenso salão repleto de ouro e diamante.​​ Grandes pilares, estátuas e um piso quadriculado​​ de coloração azul e branca.​​ Seis​​ trols​​ espalhados pelas laterais. Um longo tapete​​ vermelho​​ indo da entrada até um altar​​ dourado. Dois cães gigantes, com três cabeças, deitados e cochilando um em cada lado do trono. É destacado o corpo de um homem, porém seu rosto não revelado.

 

Átis ajoelha-se diante do homem, conversa com ele em off e de cabeça baixa. Aponta para a jaula onde está Noran. Após fazer um gesto com as mãos, os soldados levam a jaula dali. Na sequência, entram uma sátira e dois sátiros crianças. Átis se emociona ao vê-los, vai até eles e os abraça. Os trols se aproximam, dando sinal para que saíssem dali. Átis abraça​​ sua mulher, pega na mão de uma das crianças e deixam o grande salão.

 

Em uma cela de pedra, é mostrado Noran sentado no chão, com seu corpo encostado na parede. Suas mãos estão erguidas para cima, acorrentadas por grossas correntes. Suas pernas também estão​​ acorrentadas. Ele continua dormindo profundamente. CAM se aproxima de seu corpo.

 

PLANO MÉDIO em Noran.​​ CLOSE​​ em seu​​ rosto.

 

FADE​​ OUT.

 

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