“Eu Ainda Não Encontrei o Que Estou Procurando”

 

Daqui seis meses…

[CENA 01 – APARTAMENTO NOVO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ QUARTO – SALA/ NOITE]
(Arthur trouxe os móveis do seu antigo quarto, para o apartamento novo. Após organizá-los, ele desfez sua mala em cima da cama e está guardando suas roupas)
ARTHUR – (dobra uma calça, campainha toca) Quem será? Ninguém tem meu endereço ainda. (lembra do que Elisa falou hoje mais cedo, ri) Será que ela conseguiu me encontrar? (coloca a calça de lado e vai para a sala)
[SALA]
(Arthur caminha apressado até a porta, campainha toca novamente. Ele se acalma e abre a porta naturalmente)
ELISA – (sorri) Não disse que iria te encontrar!
ARTHUR – Olha só. Posso saber como você conseguiu isso?
ELISA – Antes, eu posso entrar? (Arthur sorri, permite ela entrar. Elisa caminha pelo o apartamento vazio, olha para o sofá no meio da sala) Bonito apartamento. Falta apenas uma decoração aqui, outra ali…
ARTHUR – (fecha a porta) Isso vou resolver com o tempo. (se aproxima dela) Mas, então… vai me dizer como conseguiu me encontrar.
ELISA – Coisa mais fácil do mundo. Você não percebeu nada estranho hoje quando voltou da universidade?
ARTHUR – Estranho? Não… que me lembre, não.
ELISA – Não sei se agradeço por esse seu desleixo, mas foi graças a ele que descobri onde você mora. Eu te segui depois que você saiu da universidade.
ARTHUR – Você não passou à tarde ocupada com o musical?
ELISA – Não, não passei. Pedi para a Lia me liberar dos ensaios de hoje. As minhas cenas com as do Pedro estão ótimas. (Arthur incomoda-se ao ouvir o nome dele) Então a Lia decidiu focar nos demais núcleos do musical.
ARTHUR – (senta-se) Precisava citar o nome deste cara.
ELISA – (o percebe incomodado) Foi mal. Não quero criar nenhuma desavença está noite. (caminha até a entrada da cozinha) Então… vai me apresentar o apartamento ou vou ter que explorá-lo sozinha? (Arthur solta um leve sorriso, levanta-se)
ARTHUR – Eu estava arrumando as minhas roupas, lá no meu quarto. (caminha até ela) E ainda bem que você está aqui. Sabe como sou péssimo para dobrar roupa.
ELISA – (ri) Imagino o estado que elas estão sendo guardadas. Vamos, eu te ajudo. (Arthur sorri, os dois vão para o quarto)

[CENA 02 – APARTAMENTO DE ARTHUR/ SALA/ NOITE]
(Samuka entra na sala, mexendo no celular. Pedro entra logo atrás)
SAMUKA – (sorri) Ela conseguiu. A Elisa descobriu onde o Arthur mora!
PEDRO – Ela te passou o endereço?
SAMUKA – Vou pedir aqui pra ela.
PEDRO – Pensa em visitá-lo?
SAMUKA – Não sei. Enquanto ele não melhorar aquele gênio mal, acho meio difícil.
PEDRO – Bem, a Elisa está lá agora. (senta-se no sofá)
SAMUKA – Os dois são namorados, ela sabe como acalmá-lo.
PEDRO – Só acho que você devia ir lá, visitá-lo. Ele é o seu melhor amigo, e amigos pra mim são importantes. Talvez ele esteja precisando de alguma coisa.
SAMUKA – Dependendo de como ele e a Elisa se entendam hoje à noite, amanhã vou procurá-lo. Acho que você também devia.
PEDRO – Não, não. Decidi não chocar de frente com ele, até a final do musical. Quando esse semestre acabar, vamos tentar recomeçar no próximo.
SAMUKA – É, talvez você esteja certo. Mas… para garantir, é melhor você não se inscrever em nada, no próximo semestre. Pelo menos, quando o Arthur estiver por lá.
PEDRO – Pode ficar tranquilo. Este será o primeiro e último musical que vou participar. Tô fora de gerar problema com algum outro aluno. Só quero aprender música e estudar em paz.
SAMUKA – (senta-se) Rapaz, se a Mônica escuta você falando isso, é capaz de a próxima guerra ser entre você e ela. (os dois riem)
PEDRO – Realmente, tem mais essa aí. Que belos amigos eu encontrei, hein.
SAMUKA – Se arrependeu de ter vindo para cá?
PEDRO – Não, nem pensar. Apesar de tudo, vim pra cá foi a melhor coisa que aconteceu comigo. Conhecer vocês então, nem se fala. (os dois se entreolham, sorriem)

[CENA 03 – CASA DE ALICE/ Q. DE ALICE/ NOITE]
(Alice está dormindo, Gaspar e Arael aparecem no quarto)
ARAEL – Por que me chamou aqui?
GASPAR – (brinca) Você tem estado muito calado ultimamente. Pensei que tivesse saído do cargo. (ri)
ARAEL – Eu tenho anjos para coordenar, Gaspar.
GASPAR – Eu sei, eu sei. Desculpa. (os dois ficam em silêncio, Arael se aproxima de Alice)
ARAEL – Mas você tem feito um bom trabalho. Mesmo tendo que se reversar para cuidar dos dois. (Gaspar sorri) Embora eu não apareça muito, eu sempre vejo e sei de tudo. (o encara) Até bem mais do que vocês.
GASPAR – Então viu que mesmo eu tendo virado humano, os ajudei. Mesmo quando um certo alguém ficou contra essa ideia.
ARAEL – Sim, eu vi. E eu não fui contra. (se aproxima dele) De fato, você ter se tornado o médico dela, a ajudou quando ela perdeu os movimentos das pernas. O garoto, você teve uma certa dificuldade para encontrar uma forma de se aproximar dele, mas no final também conseguiu.
GASPAR – É…
ARAEL – O meu medo era que essa aproximação sua com seus protegidos, pudesse ter colocado a missão em risco. Com interferências desnecessárias, por exemplo. Somos anjos, o nosso trabalho é de estar ao lado deles, os guiando de forma invisível.
GASPAR – Eu sei. Mesmo vendo várias vezes os dois sofrerem ao longo do caminho, eu nunca interferi nos planos lá de cima. Eu poderia muito bem ter impedido o acidente da Alice naquela noite, a fazendo ficar em casa, ao invés de entrar naquele ônibus. Assim como eu poderia muito bem ter curado a mãe de Pedro e impedido a morte dela.
ARAEL – (ri) Se algum desses eventos tivesse sido interrompido, pode ter certeza de que você não estaria mais aqui. Assim como, também teria alterado o destino dessas crianças e certamente não teríamos ideia do que iria acontecer com eles. Já que os dois seguiriam um destino que nunca foi escrito.
GASPAR – Eu sei. Foi o que aconteceu com o Nathaniel.
ARAEL – Exatamente. Letícia era para ter morrido na primeira participação do programa de música. O que foi que ele fez? Ficou curando-a da doença, o que a levou até a final. Este destino nunca foi escrito. E isso acabou interferindo o destino de Larissa também.
GASPAR – Não bastava aquele problema do cabaré, ela passou poucas e boas no programa, devido a semelhança entre as duas.
ARAEL – Foi um erro que Nathaniel quis arriscar, mesmo não sabendo que tempo depois iria cuidar de Larissa. (por algum motivo fica triste) O público não deveria ter conhecido Letícia naquele momento. (caminha até Alice)
GASPAR – Para a defesa do meu amigo, o Nathaniel meio que se apegou com ela e com a história do pai.
ARAEL – (vira-se, sério) O Nathaniel desenvolveu laços humanos com sua protegida. Algo que desencadeou uma série de acontecimentos que não estavam previstos. Eu o alertei diversas vezes, que há planos superiores que precisam ser seguidos. Mas era como se eu estivesse falando com uma porta. (Gaspar fica incomodado, por ver Arael dando uma bronca em seu amigo, sem ele está ali para se defender)
GASPAR – Nathaniel é um bom protetor, apesar de tudo.
ARAEL – É, e não nego. Um erro, não irá acabar com os acertos que ele obteve ao longo de suas missões. (se aproxima dele) Mas o exemplo dele, serve para você. (sério, diz pausadamente a frase a seguir) Não interfira no destino desses garotos. O que vai acontecer em breve está escrito e deve ser cumprido. (o encara, desaparece em seguida. Gaspar sente um calafrio)
GASPAR – O Arael às vezes me assusta! (observa Alice dormindo)

[CENA 04 – APARTAMENTO NOVO DE ARTHUR (NOVA YORK)/ QUARTO/ NOITE]
(Elisa está dobrando as roubas de Arthur, ele as coloca no guarda-roupa)
ELISA – Ainda bem que eu decidi de seguir, caso contrário estás roupas estariam sofrendo em suas mãos.
ARTHUR – (ri) Você me conhece, eu não levo jeito para essas coisas de casa.
ELISA – Se você pensa que quando se casar comigo, eu irei fazer todas as tarefas de casa, está engando viu. (Arthur a observa) Eu vou estar ocupada com minha escola de música, então é bom você ir começando a gostar de alguma coisa. (Elisa o percebe parado a sua frente sorrindo) O que foi?
ARTHUR – É a primeira vez que ouço você dizendo que iremos nos casar. (pega algumas peças de roupas na cama)
ELISA – (envergonha-se) E vamos, ué?! Daqui alguns anos ou você já quer se livrar de mim. (Arthur guardar as peças de roupas que pegou, fica pensativo olhando para elas. Caminha até a cama, senta-se de frente para Elisa)
ARTHUR – Você quer casar comigo? (Elisa se surpreende com o pedido)
ELISA – Isso é sério?
ARTHUR – Digamos que isso não é um pedido formal ainda, afinal não comprei nenhuma aliança e nem estou de joelho, mas… (olha nos olhos dela, está sendo sincero) … eu te amo, Elisa. Eu não ligo se após a universidade você estará trabalhando em sua escola de música ou eu estarei fazendo sucesso nos palcos. O que eu quero, é construir um futuro com você ao meu lado. (Elisa sorri) Eu tenho esse temperamento difícil, eu sei… (ri) mas é por medo. Eu tenho medo de ser um fracasso. De ter chegado até aqui e no final, não ser tão bom quanto eu imaginava. (lembra de Pedro, desvia sua atenção para baixo) Eu sei que existem pessoas mais talentosas do que eu. (olha para ela novamente) É egoísmo da minha parte querer ser melhor que todo mundo, eu sei. Mas é isso o que me mantém vivo, entende?!
ELISA – É bom termos algo parar nos manter vivo. É o que nos faz levantar da cama todo dia de manhã, não é mesmo? Eu só acho que às vezes você deve medir a intensidade disso.
ARTHUR – É difícil controlar a raiva que cresce dentro de mim.
ELISA – Só que você precisa controlá-la. Um dia ela pode acabar te cegando e você pode fazer uma atitude onde se arrependerá depois. A da arma, por exemplo.
ARTHUR – (irrita-se, levanta-se) Eu não iria atirar no Pedro. A arama estava travada.
ELISA – E se não estivesse? E se sem querer a arma acabasse disparando nele? Como você se sentiria?
ARTHUR – Eu não sou louco, Elisa. Aquilo tudo passou de uma brincadeira apenas. O Pedro e o Sam que se assustaram à toa. Eu jamais teria coragem de atirar nele.
ELISA – (levanta-se, se aproxima dele) Mesmo assim foi uma brincadeira muito de sem graça. Eu não entendo porque de repente você ficou com essa birra com o Pedro, mas dar uma trégua, por favor? Vamos terminar o semestre em paz? (coloca os braços ao redor do pescoço dele) Que tal guardamos logo esse bando de roupas suas e estreamos o seu novo apartamento?! (sorri, os dois se beijam)

Agora…

[CENA 05 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Pedro e os demais garotos levantam-se rapidamente, ficam ao lado de Daniel e Dácio. Ver Samuel nervoso daquele jeito os preocupam)
DANIEL – O que você está fazendo aqui? Como me encontrou?
SAMUEL – Eu passei o dia te segundo. (segura no braço dele) Vem, vamos para casa. (repara nos clientes) Não me faça passar vergonha mais do que eu já passei aqui.
DANIEL – (solta-se dele, se afasta) Eu não vou para lugar nenhum com você. (fica ao lado de Dácio, segura na mão dele) Meu lugar é aqui, ao lado das pessoas que me amam.
SAMUEL – Não me faça te levar daqui a força, Daniel. Eu sou o seu pai, você deve obediência a mim. (Ivo se aproxima deles, fica ao lado de Samuel)
IVO – (sério) O que está acontecendo aqui?
PEDRO – (fica a frente de Daniel) O senhor não vai levar ninguém daqui a força. (Ramon fica na frente de Dácio)
RAMON – Exatamente. (pega o celular) Ou prefere que essa confusão toda caia na rede? (Daniel se surpreende por eles estarem o protegendo)
DANIEL – Valeu o que vocês estão fazendo, mas não se preocupem. (encara seu pai) Eu não vou a lugar nenhum com ele. Até porque, eu sou maior de idade agora. Posso fazer o que bem entender da minha vida, sem ter que dar satisfações para este cara que diz ser meu pai.
SAMUEL – E daí que você é maior de idade? Eu sou o seu pai de qualquer forma e você não está em sua saúde mental perfeita. A lei facilmente estaria do meu lado.
DANIEL – (explode de fúria) Será que você pode esquecer que eu existo, droga. (sente vontade de chorar, Dácio o conforta) Eu já disse, você não é o meu pai. Eu não sou o seu filho. Então vai embora daqui e me esquece de uma vez por todas.
IVO – (toca no ombro de Samuel) É melhor o senhor ir embora? (repara todos olhando para a confusão, Samuel faz o mesmo)
SAMUEL – (olha para o filho e o ver naquele estado o deixa mal) Eu não vou desistir de você! (Ivo o acompanha até a saída, Dácio e Daniel sentam-se. Os demais garotos também)
RAMON – (aos clientes) Acabou o show, pessoal. Podem voltar a suas vidinhas. (senta-se)
DANIEL – (tenta ficar calmo) Quando eu finalmente pensei que havia me livrado dele, ele aparece aqui do nada.
CAIO – Cara… eu acho que você pegou um pouco pesado com ele. Apesar de tudo ele é o seu pai.
DANIEL – Um pai não faz o que ele fez. Duvido se o seu pai te trancasse dentro do quarto e te chamasse de doente ou dissesse que você tem algum problema mental, como acabou de acontecer, você o consideraria como pai ainda. (Caio não responde, fica pensativo. Ivo se aproxima da mesa)
IVO – Tudo bem por aqui, meninos? (a Daniel) Precisa de alguma coisa?
DANIEL – Não, obrigado.
IVO – Precisando, só chamar. (saí da mesa, indo até o balcão. Dácio segura a mão de Daniel, o tranquiliza. Pedro e Ramon se entreolham, Caio observa-os de mãos dadas)

Anoitecendo…

[CENA 06 – CASA DE DÁCIO/ SALA/ NOITE]
(Dácio chega em casa e encontra seu pai na sala, vendo TV)
HORÁCIO – (desliga a TV) Boa noite, filho. Se divertiu com os amigos?
DÁCIO – Teria me divertido se o pai do Daniel não tivesse aparecido lá e estragado tudo.
HORÁCIO ­– (levanta-se, caminha até ele preocupado) Aquele maluco fez alguma coisa com você?
DÁCIO – Não, não. Está tudo bem comigo. Ele não fez nada. Agora o Daniel ficou completamente desestabilizado.
HORÁCIO – Eu imagino.
DÁCIO – Bem, eu vou tomar um banho, jantar e focar no presente do Pedro para a irmã.
HORÁCIO – Presente?
DÁCIO – É que Quinta agora é o aniversário deles e o Pedro quer dar um presente para a irmã. Dará um trabalhinho, mas se é para o meu amigo, faço com prazer. (caminha em direção aos quartos, Horácio continua em pé na sala, pensa sobre Samuel)

[CENA 07 – CASA DE PEDRO/ Q. DE PEDRO/ NOITE]
(Pedro está deitado em sua cama, mexe no celular)
PEDRO – (recebe uma mensagem de Carol) “Não sei se está esperando uma mensagem minha, mas eu já cheguei em casa.” (sorri com o término da mensagem, antes que respondesse, recebe uma chamada por vídeo de Alice)
ALICE (por vídeo) – Ocupado?
PEDRO – (senta-se) Não, estava só aqui deitado.
ALICE (por vídeo) – Bem, eu acabei de chegar de viagem, mas quero conversar contigo sobre a nossa festa.
PEDRO – Você não prefere descansar e cuidar disso amanhã?
ALICE (por vídeo) – Não temos tempo a perder. Eu vou encaminhar para você algumas decorações de festas, e preciso que você escolha uma.
PEDRO – (ri) Ok.
ALICE (por vídeo) – Quero também que você me envie a lista dos seus convidados. Os meus serão poucos, também estou pensando se convido o meu fã clube ou não.
PEDRO – Essa festa não será uma daquelas que você gosta de lotar o local não, né?!
ALICE (por vídeo) – (ri) Não, relaxa. Eu sei que você não curte muito isso. Será uma festa pequena, para apenas os teus amigos e os meus. Acho que não deve passar de 100 pessoas.
PEDRO – Tá, vou ver aqui o nome do pessoal e te mando mais tarde.
ALICE (por vídeo) – Está bem. Ah, vai fazer alguma coisa amanhã depois do colégio?
PEDRO – Não. Por que?
ALICE (por vídeo) – Quero que você vá comigo ver o local e diga se te agrada.
PEDRO – Qualquer lugar pra mim está bom, Alice. Eu não ligo muito para estas coisas.
ALICE (por vídeo) – Mesmo assim, quero que você vá comigo. Está bem?
PEDRO – Tá.
ALICE (por vídeo) – Vou tomar banho agora. Não esquece da lista, hein.
PEDRO – Tá. Vou preparar aqui e te envio. (Alice encerra a chamada de vídeo, Pedro volta a ler a mensagem de Carol, digita uma resposta)

Alguns dias depois…

[CENA 08 – CASA DELLE ROSE/ Q. DE LARISSA/ NOITE]
(Larissa está conversando com Ione, enquanto termina de se arrumar)
LARISSA – Estranho. Eu jurava que ela iria escolher o Nathan, para substituí-la.
IONE – Pois, é. Ela me procurou hoje a tarde, fez umas perguntas bem estranhas para mim. Tipo, o quanto que eu gosto desta casa, das meninas… É como se ela estivesse sondando, sabe?! E não foi só comigo. Durante esta semana ela procurou outras três garotas também e me disseram que ela havia feito as mesmas perguntas para todas.
LARISSA – (se aproxima dela) Será que o Nathan negou o pedido dela?
IONE – Não sei. Pensei que você soubesse.
LARISSA – (caminha até o espelho) Eu vou descobrir isso já, já. Vamos?
IONE – Vamos. (levanta-se da cama, as duas saem do quarto)

[CENA 10 – CASA DE ALICE/ SALA/ NOITE]
(Alice desce as escadas, troca mensagens com o organizador da festa. Felipe está na sala, junto com Viviane)
FELIPE – Pronta, filha?
ALICE – Sim, papai. Antes temos que passar na casa do Pedro para buscá-lo. Parece que ele não vai poder ir direto para a festa. (continua digitando uma mensagem)
FELIPE – Ok. A senhora vem com a gente, mamãe? Ou vai na frente.
VIVIANE – Eu acho que vou indo na frente, filho. (pisca para ele, Alice não ver, já que está focada no celular) Irei preparar tudo para a chegada de vocês. (Felipe sorri, já sabe do que se trata. Viviane caminha até a porta)
FELIPE – (se aproxima da filha) Ficar vidrada direto neste celular, pode acabar prejudicando as suas vistas, filha.
ALICE – Eu só estou terminando de mandar algumas mensagens aqui, pai. Pronto, terminei. (guarda o celular em sua bolsa, repara sua vó na porta) A senhora já tá aí, vó? (caminha até ela, junto com Felipe)
VIVIANE – Você fica aí dando atenção ao celular, que nem viu eu passado por você. (Felipe ri, saí por último, fecha a porta)

[CENA 11 – CASA DE PEDRO/ RUA – SALA – Q. DE PEDRO/ NOITE]
(o carro de Felipe estaciona em frente a casa do filho, prepara-se para sair)
ALICE – O senhor não acha mais fácil buzinar para ele? Se o senhor for lá, os dois vão ficar conversando e vamos acabar nos atrasando.
FELIPE – (abre a porta do carro) Vamos ver eles, né filha. (saí do carro, Alice revira os olhos, saí em seguida. Os dois caminham até a porta, Felipe a abre)
ALICE – (estranha) O senhor está bem íntimo, hein. Já chega assim, abrindo a porta, sem pedir permissão nem nada.
FELIPE – A porta tava aberta, ué. (os dois entram)
ALICE – E desde quando isso dar o direito de o senhor ir abrindo a porta dos outros?
FELIPE – Deixa de reclamar e vai logo chamar o seu irmão.
ALICE – Vou mandar mensagem pra ele descer. (pega o celular da bolsa) Melhor.
FELIPE – (caminha até ela, tenta pegar o celular, Alice o esconde) Qual é filha?! Deixa esse celular um pouco de lado e vai chamá-lo pessoalmente. Vocês são irmãos.
ALICE – Hoje o senhor está bem estranho, sabia. (guarda o celular na bolsa, sobe as escadas um pouco chateada) Pedro, viemos te buscar. (Felipe fica na sala, com um leve sorriso no rosto) Melhor irmos logo, se não vamos chegar atrasados na nossa festa.
[Q. DE PEDRO]
(Alice bate na porta, entra no em seguida)
ALICE – Pedro, licença. Estou entrando. (caminha pelo quarto, não encontra ninguém) Pedro? (olha para a cama e encontra um óculos de realidade virtual aumentada em cima, ao lado dele um bilhete) Pedro? (caminha pelo o quarto e o percebe vazio. Vai até a cama, pega o bilhete)
PEDRO – “Oi, Alice. Você fez questão nesses últimos dias de planejar uma grande festa de aniversário pra mim. Eu não podia deixar isso passar em branco, e precisava te dar um presente também. Afinal, o nosso aniversário é hoje. Por isso, se você encontrou este bilhete em cima da minha cama, você também deve estar vendo um óculos de realidade virtual muito da hora que eu comprei junto com o nosso pai. E graças a um bom amigo, pedi que criasse um jogo de realidade virtual, especialmente para você.” (Alice sorri, realmente se surpreende com o presente do irmão) “Para você começar, basta pegar o óculos e colocá-lo. Espero que se divirta! Não se atrase para a festa jogando muito hein. Te amo!” (Alice coloca o bilhete ao lado, pega o óculos e o observa animada)
ALICE – Não acredito que ele fez isso. (olha para o bilhete na cama, sorri. Coloca o óculos no rosto e ver uma nova realidade)

[CENA 12 – REALIDADE VIRTUAL DE ALICE/ NOITE]
(Alice está em frente ao que parece ser a lanchonete do Ivo. Ela olha ao redor, e apesar de saber que está no quarto de Pedro, seus olhos mostram o shopping onde fica a lanchonete. Ela olha para suas mãos, volta olhar em direção a lanchonete, que é de frente para a porta do quarto. Uma mensagem começa a aparecer na cena, sendo narrada com a voz de Pedro)
PEDRO (letreiro) – “Olá. Você deve estar conhecendo este lugar não é mesmo? Foi aqui onde a gente se conheceu e é aqui onde o seu jogo começa. Ele é muito fácil. Você irá passar por alguns locais importantes e marcantes em nossas vidas, como a lanchonete do Ivo. Durante cada local, você deverá encontrar palavras como está.” (surge uma palavra na cor vermelha e caixa alta) “Para pegá-la, basta esticar seu braço em direção a palavra, que ela irá até você. O jogo é totalmente intuitivo, portanto, fique atenta para onde você olha, pois uma palavra pode aparecer a qualquer momento. Divirta-se.” (a narração termina e o botão “Iniciar” aparece no centro da lanchonete. Ao fundo começa a tocar um loop, dos 12 segundos iniciais da música I Still Haven’t Found What I’m Looking For. Alice fica sem saber o que fazer por alguns segundos. Ela está de frente para a porta de Pedro, mas vendo a entrada da lanchonete do Ivo. Estica sua mão em direção ao botão “Iniciar”, dando início ao jogo. O loop da música termina, dando início a música original. Pequenas instruções aparecem abaixo da animação, a primeira dela é: “Caminhe até a lanchonete.”)

[CENA DE MÚSICA – I STILL HAVEN’T FOUND WHAT I’M LOOKING FOR (U2)]

I have climbed the highest mountains 1
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you

I have run, I have crawled 2
I have scaled
These city walls
These city walls
Only to be with you

But I still haven’t found 3
What I’m looking for
But I still haven’t found
What I’m looking for

I have kissed honey lips 4
Felt the healing in her fingertips
It burned like fire
This burning desire

I have spoken with the tongue of angels 5
I have held the hand of the devil
It was warm in the night
I was cold as a stone

But I still haven’t found 6
What I’m looking for
But I still haven’t found
What I’m looking for

I believe in the kingdom come 7
Then all the colors will
Bleed into one
Bleed into one
But, yes, I’m still running

You broke the bonds 8
And you loosed the chains
You carried the cross
And all my shame
All my shame
You know I believe it

But I still haven’t found 9
What I’m looking for
But I still haven’t found
What I’m looking for
But I still haven’t found
What I’m looking for
But I still haven’t found
What I’m looking for

1. Alice caminha pelo o quarto, saí dele. Na animação, ela entra na lanchonete do Ivo, encontra seu irmão cantando. Pedro caminha pela a lanchonete, canta e dança em referência a quando eles se conheceram.
2. Conforme Pedro se movimenta na animação, Alice o seguia na vida real. Desce as escadas, Felipe a observa. Ele caminha até a porta e a abre. Mesmo se divertindo, ela não esqueceu das palavras. Encontra a primeira na máquina de karaokê. Estica o braço e a palavra “FELIZ” vai em sua direção, a segura. Mesmo não sendo real, Alice fica com os braços cruzados segurando a palavra.
3. Pedro caminha em direção a saída da lanchonete, ela o segue. Ao sair, ela se depara com um ônibus.  Alice o reconhece, pois foi o mesmo ônibus que os levaram para Paraty, meses atrás. Em cima dele, encontra outra palavra: “PARABÉNS”. Estica um dos braço, sem soltar a anterior, a nova palavra vai até ela. Pedro entra no ônibus, ela continua indo atrás dele. No mundo real, após abrir a porta da casa, Felipe se apressa e abre a porta do carro. Alice caminha até ele com os braços cruzados, entra e senta-se.
4. De volta a animação, os dois estão em um outro cenário. Agora estão a caminho de Paraty, Alice reconhece as paisagens e sorri. Pedro está na poltrona da frente, de joelho e cantando. Uma outra palavra é encontrada: “ANIVERSÁRIO”. O ônibus chega a Paraty, Alice desce, olha para as três palavras encontradas até agora. Caminha pela a praia e assim como na lanchonete, Pedro anda por todos os lugares.
5. Mesmo estando no carro, a sensação de Alice é de está realmente na praia. Felipe continua dirigindo até o local da festa, repara pelo o retrovisor a filha se divertindo. Na animação, Alice encontra uma outra palavra em cima de uma pedra: “IRMÔ. Ergue um dos braços e a palavra vai até ela. Começa a ficar um pouco difícil segurar todas elas.
6. No meio da praia uma porta aparece, Pedro entra nela. Alice também passa pela porta e saí dentro de seu estúdio. Nele, Pedro está cantando dentro da sala de som. Alice encontra uma outra palavra em cima do painel. Estica um dos braços e a palavra “MINHA” vai até ela. Foi no estúdio, onde eles cantaram pela segunda vez juntos.
7. Felipe chega ao local da festa, estaciona o carro, saí e abre a porta de Alice rapidamente. Na animação, Pedro saí da sala de som, ela o segue e um outro cenário aparece. Após sair do carro ela fica de frente para o local da festa, que é o mesmo cenário que ela vê. Na animação, Pedro entra no local, chamando-a. Uma instrução é exibida: “Parabéns! Você encontrou todas as palavras. Solte-as aqui, entre e divirta-se na sua festa.”
8. Alice descruza os braços e sorri vendo todas as palavras voando para dentro do local. Ela entra e caminha até o palco. Pedro está em cima dele, canta os trechos finais da música. A animação termina exibindo a seguinte frase: “Por favor, retire o óculos!”. Alice retira o óculos, fica surpresa por estar no centro da festa, com Pedro realmente em cima do palco, cantando a música de onde a animação parou. Olha ao redor e ver todos os convidados batendo palmas para ela.
9. Felipe e Viviane estão ao lado dela. Acima do palco, tem um letreiro com as palavras que Alice encontrou: “Feliz Aniversário, minha irmã. Parabéns!”. Pedro desce do palco, se aproxima dela, a música se encerra.

PEDRO – Parabéns, Alice! (Alice se emociona, o abraça)
ALICE – Obrigada!!

Continua no capítulo 38…

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