“Até Mais”

 

Daqui seis meses…

[CENA 01 – UNIVERSIDADE DE MÚSICA (NOVA YORK)/ AUDITÓRIO/ DIA]
(Liandra realiza o último encontro com o pessoal do musical. O grande dia se aproxima e todos estão ansiosos. Após agradecer a cooperação de todos, ela os liberar permitindo que aproveitem bem esses últimos dias. Com o encerramento da reunião, alguns saem do auditório, ficando apenas Liandra, Pedro e seus amigos)
MÔNICA – (se aproxima de Liandra) Ansiosa?
LIANDRA – Você não tem ideia.
MÔNICA – Digo mesmo do Sam. Vai passar a semana inteira sem dormir, pensando nesse musical.
LIANDRA – Por favor, Sam… descanse, poupe sua voz, que você é o personagem secundário da história. Precisamos de você.
SAMUKA – Serão os dias mais longos da minha vida!
MÔNICA – Como se nunca tivesse feito um musical antes.
SAMUKA – Não como personagem secundário.
LIANDRA – (observa Pedro um pouco calado) Você também está nervoso, Pedro?
PEDRO – Um pouquinho. Toda vez que eu lembro que o musical está se aproximando, algo estranho fica remoendo aqui dentro. (esfrega o peito)
MÔNICA – Isso é só ansiedade. Assim que você subir ao palco, você verá que tudo passará.
LIANDRA – (se aproxima de Pedro) Aproveite estes últimos dias, descanse… porque você é o meu protagonista e quero te ver 100% no Sábado. (Pedro solta um sorriso leve, mas algo ainda o angustiava) Então vamos? Tenho uma reunião marcada com a Elizabeth. (todos descem do palco e caminham até a saída do auditório)

[CENA 02 – CASA DE ALICE/ ESTÚDIO/ DIA]
ALICE – Devem existir várias crianças por aí que gostam de músicas eletrônicas ou sonham um dia se tornarem DJ, né?
MARCELO – Sim, tem irmãos de amigos meus que gostam do meu som, se amarram em ficar mexendo nos equipamentos.
ALICE – Imaginei que sim. Anda participando de muitos eventos?
MARCELO – Não tanto como eu queria. (ri)
ALICE – Tenho uma proposta a te fazer. Irei criar uma instituição de música para crianças com necessidades, para que elas possam aprender este mundo fantástico da música. E, andei pensando que talvez você pudesse mostrar durante alguns dias um pouco sobre música eletrônica, contar um pouco sobre a sua trajetória de DJ, essas coisas.
MARCELO – Sério isso?
ALICE – Sim, eu não sou de brincadeiras, sabe disso!
MARCELO – Uau… (levanta-se) Eu não sei o que dizer.
ALICE – Se você quiser, posso te pagar um valor significativo…
MARCELO – (a interrompe) Não, não precisa. Se eu aceitar… claro que vou aceitar, mas não precisar me pagar. Será um prazer mostrar um pouco de música eletrônica para as crianças.
ALICE – Ótimo! (chega uma mensagem em seu celular, é de seu pai) Agora, que nos acertamos, preciso ir. Meu pai quer me mostrar o local escolhido para funcionar a instituição. (desliga o computador, empurra sua cadeira até a saída)
MARCELO – (abre a porta) Tá. E a gente?
ALICE – O que tem a gente?
MARCELO – Está tudo bem entre a gente? Voltamos de onde paramos…
ALICE – Continuamos sendo amigos, se é isso que você quer saber?! (saí do estúdio, Marcelo fica em silêncio, saí em seguida)

Mais tarde…

[CENA 03 – PARQUE (NOVA YORK)/ TARDE]
(Pedro pegou seu violão e decidiu dar uma volta na cidade. Está no parque, senta-se em um dos bancos ali disponível, observa a movimentação de vai e vem das pessoas. Coloca o violão sobre as pernas, começa a tocar algumas notas aleatórias. Algo continuava o incomodando por dentro e a única coisa para aliviar aquilo, era cantando. Foca em seu violão e começa a tocar. A versão dele é acompanhada somente ao violão)

[CENA DE MÚSICA – ATÉ MAIS (OUTRO EU)]

Avisa pra minha mãe 1
Que quando o sol se pôr
Não estarei aqui
Vou pra longe, vou seguir

Trilhar o meu caminho
Ar puro a respirar
Cansei de ser menino
Crio asas pra voar e canto

Até mais, vou embora 2
Vou voltar, não demoro, não!
A saudade bate à porta
Eu sei que a liberdade é minha lei

Não sei pra onde vou 3
Memórias boas vou levar
Chegando o meu momento
Lembrarei do meu lugar

Mas, logo eu dou notícias
Dessa vida que escolhi
Sou grato, minha rainha
Por você eu consegui e canto

Até mais, vou embora 4
Vou voltar, não demoro, não!
Saudade bate à porta
Eu sei que a liberdade é minha lei

Até mais, vou embora
Vou voltar, não demoro, não!
A saudade bate à porta
Eu sei que a liberdade é minha lei
É minha lei

1. Pedro não se preocupa em estar cantando uma música brasileira, nem espera que as pessoas parem e prestem atenção nele. Ele só estava com saudade de casa e queria cantar. Para a sua surpresa, pouco a pouco, pessoas vão parando próximo a ele e o observam.
2. Gaspar aparece em meio a multidão, se aproxima de Pedro e o observa. Olha ao redor, e mesmo sendo uma música em português, as pessoas estão curtindo.
3. Quando Pedro repara, percebe uma dezena de pessoas ao redor dele, curtindo sua música. Ainda não viu Gaspar, olha para o violão novamente. Fecha os olhos e por um breve momento, pensa em sua mãe.
4. Gaspar se aproxima dele, ficando a sua frente. Pedro ergue a cabeça e o reconhece. Encerra a música, é aplaudido pela as pessoas ali presente. Em seguida, elas voltam para seu percurso. Gaspar senta-se no banco, ao lado dele.

GASPAR – Nos encontramos novamente, amigo! Bonita música. Estava cantando para alguém? (Pedro apenas o observa, sua angustia havia sumido)

Agora…

[CENA 04 – CASA DE ALICE/ Q. DE ALICE – CORREDOR – SALA/ DIA]
(Pedro se aproxima da cadeira de Alice, a empurra até a porta)
ALICE – O que você está fazendo?
PEDRO – Estou te tirando deste quarto.
ALICE – Mas nem pensar. (trava as rodas da cadeira)
PEDRO – Que parar de agir igual uma criança? (destrava os pneus volta a empurrá-la)
ALICE – Se você continuar eu vou gritar. Isso é sequestro.
PEDRO – Fique à vontade. Duvido que a nossa avó irá se opor a isso. (sorri, saem do quarto)
ALICE – (esperneia na cadeira, ameaça de pular) Se você não parar de empurrar essa cadeira agora, eu vou pular daqui. Espero que não se sinta culpado com o que pode acontecer.
PEDRO – Fique à vontade.
ALICE – (esperneia, se irrita) Como você é teimoso!
PEDRO – Sabe que eu sou mesmo, então pare com isso e aproveita o passeio que eu preparei para você. (param no elevador, descem até a sala, Alice está irritada, Pedro se diverte ao ver a irmã daquele jeito. Vão em direção a porta)
ALICE – Alguém já falou que você é muito chato? (saem de casa)

[CENA 05 – CASA DE OTÁVIO/ SALA/ DIA]
(Saulo não quer força nada, nem o chatear, ainda mais que a final do programa está chegando)
OTÁVIO – Eu acabei de chegar em casa. Preciso tomar um banho.
SAULO – Claro, sem problema. Eu só queria conversar com você sobre o programa.
OTÁVIO – (curioso) E sobre o que seria?
SAULO – Daqui até a final, seu irmão irá publicar nas redes sociais motivos por qual você deveria ganhar o programa. Eu gostaria então de marcar um dia com vocês dois. Assim você poderia compartilhar algumas informações sobre você, que ele poderia usar ao seu favor na competição.
OTÁVIO – Eu não sei, não. Essa semana vou estar ocupando ensaiando com as finalistas. Como você sabe, os finalistas têm algumas apresentações juntos.
SAULO – Entendo, bem mas se sobrar algum tempo disponível, só me avisar que eu trago o seu irmão. (Otávio sempre fica incomodado ao ouvir a palavra irmão)
OTÁVIO – Tá.
SAULO – E não se preocupe, que o seu fã clube está só crescendo. Se você pudesse enxergar, veria o tanto de comentários positivos você tem recebido ultimamente.
OTÁVIO – Pena que não enxergo, né. Agora, se você me dá licença, tenho que tomar banho. (fecha a porta antes que Saulo dissesse alguma coisa)

[CENA 06 – CASA DE ANA/ SALA/ DIA]
(Ana ainda não tem uma resposta pronta para dizer a Adriana)
ADRIANA – Acho que seu silêncio já diz tudo. (volta para perto do sofá)
ANA – Eu não tenho mais o que fazer aqui, sabe? Em Madrid, novas portas poderão se abrir pra mim.
ADRIANA – Sim, verdade. Ainda mais com a vida que o seu tio pode te fornecer. (pega sua mochila)
ANA – Eu não estou indo para Madrid, por causa do dinheiro do tio Gustavo. Estou indo porque quero algo melhor para a minha vida.
ADRIANA – (se aproxima dela) E aqui, ao lado de seu pai, você não encontraria algo melhor também? (Ana volta a ficar sem saber o que responder, Adriana solta um sorriso, alivia o clima que ficou) Bem, deixa eu subir que tenho muita coisa o que fazer ainda, antes que seu pai volte para a casa. (sobe as escadas, Ana a segue)

[CENA 07 – LANCHONETE DO IVO/ DIA]
(Andréa observa Ivo com um grande sorriso no rosto)
ANDRÉA – Você não está brincando comigo, está?
IVO – Não, claro que não. Se você realmente ainda estiver precisando de um emprego, a lanchonete estará de portas abertas para você.
ANDRÉA – (levanta-se e o abraça) Obrigada, Ivo! Juro que você não se arrependerá.
IVO – É o que eu espero. Vou explicar algumas coisas para você ainda, mas qualquer coisa, se você quiser, você já pode começar amanhã.
ANDRÉA – (senta-se) Por mim eu começaria hoje mesmo.
IVO – Eu sei, mas amanhã é melhor. Pode ser?
ANDRÉA – Claro, chefe! (sorri)
IVO – (uma mesa o chama) Ótimo. Agora, se vocês me dão licença, preciso atender aquela mesa ali. Qualquer coisa só chamar, Ramon.
RAMON – Tranquilo. (Ivo se afasta da mesa, Andréa continua alegre) Olha só… primeiro emprego, hein.
ANDRÉA – Melhor isso, do que ficar parada dentro de casa, fazendo nada.
RAMON – Estou feliz por você.
ANDRÉA – (observa o ambiente) Passando mais tempo aqui, talvez eu consiga dar uma virada em minha vida. Vai que encontro algum produtor musical que queira me agenciar. (sorri)
RAMON – É, custa nada acreditar, né!

Mais tarde…

[CENA 08 – PIZZARIA DA LAILA/ TARDE]
(Otávio está comendo uma pizza, acompanhado por Eduardo, que aproveita o seu intervalo de 15 minutos)
EDUARDO – Ele quer a todo custo, aproximar vocês dois.
OTÁVIO – Será em vão. Eu não quero e nem pretendo me aproximar da família perfeita dele.
EDUARDO – (observa o celular) E ele não mentiu quando disse que o seu fã clube está crescendo. Realmente, o perfil criado para você tem um pouco mais de 90 mil seguidores.
OTÁVIO – (surpreso) 90 mil? Sério?
EDUARDO – Sério. E o perfil está cheio de fotos suas, trechos de suas apresentações no programa. Tenho que admitir, seu pai está fazendo um bom trabalho.
OTÁVIO – Ele só quer se aproximar de mim e pegar parte do prêmio em dinheiro, caso eu ganhe o programa, né?!
EDUARDO – (bloqueia o celular) Errado você não está. Confesso que eu não esperava que você fosse usá-lo dessa maneira.
OTÁVIO – Usá-lo?
EDUARDO – Sim. Eles estão te ajudando a ganhar destaque no público, em troca, eles acreditam que isso fará você gostar deles. Coisa que não vai acontecer, não é?!
OTÁVIO – Confesso que não havia pensado por este lado. Por mim, eles podem ajudar no que quiser, eu nunca vou aceitar aquela família perto de mim. A única família que eu tinha era minha mãe e a que eu tenho agora, que é você!
EDUARDO – (fica feliz) Também já tenho você como parte da minha família. Um irmão mais novo! (Laila aparece no balcão da pizzaria, dar sinal a ele de que as pizzas estão prontas) Sua fã número está me chamando. (levanta-se)
OTÁVIO – (sorri) Fã número um é!
EDUARDO – Quer apostar quanto, como ela vai vir aqui? (saí da mesa, pega sua mochila de entrega, volta para a mesa) Estou indo, Otávio. Em 30 minutos estou de volta, mas pedi para que a Laila ficasse próximo, para qualquer coisa que você precisar.
OTÁVIO – Valeu! (Eduardo saí da pizzaria, Pedro e Alice entram logo em seguida)
PEDRO – (empurra a cadeira dela) Chegamos! Após um dia longo de passeio, nada melhor que comer uma ótima pizza.
ALICE – (ainda um pouco emburrada) Eu só quero ir pra casa. (repara que algumas pessoas a encaram)
PEDRO – Você vai assim que comermos. (escolhe uma mesa, retira a cadeira e coloca a de Alice. Senta-se ao lado, pega o cardápio) Tem alguma favorita?
ALICE – (repara algumas pessoas olhando para ela) Sim, vamos embora daqui. (alguns começam a cochichar) Estão todos olhando para cá.
PEDRO – (olha ao redor) Deixem que olhem. O que tem de mais? (repara a mesa de Otávio) Eu conheço aquele garoto. Ele não é o finalista do Sua Canção?
ALICE – (vira o rosto e repara em Otávio logo atrás dela) Sim, é ele sim.
PEDRO – Nossa, olha só que coincidência. (levanta-se) Temos que ir até ele.
ALICE – Ah, não vamos não.
PEDRO – Vamos sim. Você ganhou o programa ano passado, imagina só você conversando com o próximo campeão. (empurra a cadeira dela até a mesa de Otávio)
ALICE – (diz baixinho) Como se um garoto cego fosse ganhar o Sua Canção. (para de falar assim que chegam à mesa, Otávio, devido a sua audição apurada, ouviu a última parte da fala dela)
PEDRO – Oi. Você é o Otávio, né? Finalista do Sua Canção?
OTÁVIO – (olha em direção a voz dele, sente a presença de uma outra pessoa logo abaixo da voz) Sim, sou eu.
PEDRO – (estende a mão para cumprimentá-lo, porém Otávio não faz o mesmo, porque não ver a mão dele) Me chamo Pedro!  (recua a mão) Você canta muito bem, parabéns por ter chegado até a final.
OTÁVIO – Obrigado. (olha em direção a Alice, a encara)
ALICE – O que está olhando?
OTÁVIO – Desculpa se olhei para algum lugar que não devia, eu sou cego. (vira o rosto para mesa) É que estava sentindo a presença de alguém baixo, queria saber se era impressão minha.
ALICE – Baixo?
PEDRO – Está é a minha irmã. Alice Almeida. Ela é a atual campeã do programa.
OTÁVIO – (volta a olhar em direção a Alice) Sério?
ALICE – Oi!
OTÁVIO – (surpreso) Nossa, quem diria que um dia eu iria conversar com a atual campeã. Agora entendo por que sinto sua presença baixa, você está de cadeira de rodas, não é isso?
ALICE – Infelizmente estou preso nessa coisa. (Otávio ri) Do que você está rindo?
OTÁVIO – Desculpe. Eu imagino o quanto deve ser estranho, uma pessoa que nasce perfeitamente normal e perde algo que é tão importante pra ela. Eu por exemplo, nasci cego, nunca vi o mundo e só o conheço graças aos meus outros sentidos. Então não tenho do que reclamar, já que nunca enxerguei.
ALICE – Ao menos você consegue andar, tem a sua liberdade de ir e vim.
OTÁVIO – Será? Na infância, eu realmente precisava das outras pessoas para tudo. Porém, com o tempo, eu fui superando as minhas limitações e hoje faço quase tudo sozinho.
ALICE – Não é a mesma coisa.
OTÁVIO – Concordo. (olha para a mesa) Afinal, eu consegui superar as minhas limitações! E você? (Alice fica em silêncio, fica irritada com o tom dele) E respondendo o seu comentário de antes… (a observa novamente) Um garoto cego conseguiu chegar à final de um programa de música. E quando eu ganhar, espero que já não sejamos tão diferentes assim. (Pedro sorri, não esperava que o encontro dos dois tomassem aquele rumo. Alice empurra sua cadeira até a mesa onde estavam)
PEDRO – Boa sorte, Otávio! Saiba que estou na torcida por você.
OTÁVIO – Valeu! (Pedro se afasta da mesa, Otávio não sente a presença de ninguém ao seu lado, volta a comer sua pizza)

[CENA 09 – LANCHONETE DO IVO/ TARDE]
(Amanda está sentada sozinha em uma das mesas. Olha constantemente as horas pelo o visor do celular, que marca 14:18. Tem receio de que Daniel talvez não venha)
AMANDA – (diz baixinho, verifica mais uma vez as horas) Será que você vem, Dan?! (olha para a entrada da lanchonete, sorri ao ver Daniel entrando, acena para ele) Aqui, Dan!
DANIEL – (caminha até ela, parece sério) Estou o aqui.
AMANDA – (sorri) Que bom que você veio. Senta-se, por favor.
DANIEL – Estou bem em pé. Só vim para ouvir o que você tem a dizer apenas.
AMANDA – Na verdade, quem quer conversar com você não sou eu. (neste momento, Samuel se aproxima da mesa, fica ao lado do filho)
SAMUEL – Oi, filho!
DANIEL – (surpreso) O que você está fazendo aqui? (olha para Amanda) Vocês se conhecem? (Amanda fica em silêncio, olha para Samuel)

[CENA 10 – CASA DELLE ROSE/ SALÃO/ TARDE]
(Larissa está em cima do palco, está cantarolando uma música. Nathaniel está no bar e algumas meninas estão arrumando o salão. A mãe de Larissa entra no local, caminha até o palco e observa sua filha cantarolar)
SOLANGE – (próxima ao palco, um pouco emocionada) Filha! (Larissa para de cantarolar na mesma hora, se assusta ao ouvir uma voz familiar de seu passado. Vira-se, se assusta mais ainda ao ver sua mãe ali a sua frente) Que bom que eu te encontrei, querida!

[CENA 11 – PIZZARIA DA LAILA/ TARDE]
(depois de conversar com Otávio, Alice ficou ainda mais irritada. Está comendo sua pizza em silêncio, Pedro apenas a observa, sorri com o estado dela)
ALICE – (ver Pedro sorri) Do que está rindo?
PEDRO – Que você fica toda vermelha, quando está com raiva.
ALICE – E qual é a graça nisso?
PEDRO – Daqui você estar engraçada. (sorri)
ALICE – (pega um pedaço da pizza e joga nele) Seu chato!
PEDRO – (desvia, o pedaço caí no chão) Vai desperdiçar comida agora, é?
ALICE – Quero ir embora daqui! (repara algumas pessoas ainda olhando para ela, não se sente à vontade naquela situação)
PEDRO – Se você continuar prestando atenção nas outras pessoas, nunca prestará atenção em você mesma. E não se anime, que depois daqui eu vou te levar a outro lugar.
ALICE – Você é muito chato, sabia? Tenho certeza de que não somos irmãos.
PEDRO – Ih, olha só quem fala. Pensa que eu não sei de algumas histórias suas de quando era criança. Papai me contou algumas coisas viu.
ALICE – Que histórias? Do que você tá falando?
PEDRO – Você era muito mimada quando criança. Houve uma vez que você queria, porque queria um cavalo. Fez o papai comprar um e no dia seguinte já não queria mais ver o bicho.
ALICE – O cavalo era grande pra mim, eu tinha apenas 8 anos.
PEDRO – (ri) Teve aquele momento também… deixa eu me lembrar, acho que você iria fazer 12 anos. Isso, era no seu aniversário de 12 anos. O papai disse que você fez que ele e a vovó preparassem sua festa de aniversário, com dois dias de antecedência, porque você estava achando o tempo demorado demais. (ri) Você levou todos os seus amigos do colégio para sua casa, sem festa nem nada, o que meio que obrigou o papai a comprar um bolo e alguns enfeites, tudo de última hora.
ALICE – (ri por um breve momento) O tempo tava demorando mesmo, ué. Eu queria a minha festa de aniversário logo, qual o problema de ter antecipado a data?!
PEDRO – Olha que isso que estou contado é leve, tem alguns que achei bem pesado você fazer.
ALICE – (ri) Vai dizer que quando você era criança nunca aprontou nada? Você era um santinho.
PEDRO – Comparado com você sim. (percebe que a irmã ficou um pouco mais descontraída, até esqueceu das outras pessoas. Decide então lembrar de mais momentos) Você fez o papai comprar um balão de ar quente? Que tipo de criança pede para o pai comprar um balão de ar quente?
ALICE – Ué, eu vi um clipe na internet de uma cantora que cantou dentro de um balão desse no céu. Eu queria fazer o mesmo, o que tem demais?
PEDRO – Tem certeza de que ela cantou dentro de um balão de ar quente? Não era nenhum efeito gráfico? (Alice fica pensativa por alguns segundos, tenta se lembrar do clipe)
ALICE – (sorri) É… lembrando bem agora, os balões pareciam bem falsos. (Pedro caí na gargalhada)
PEDRO – Tá vendo só!
ALICE – (joga outro pedaço de pizza nele) Quer parar de falar de mim. (Pedro desvia mais uma vez)
PEDRO – Quer parar de estragar comida.
ALICE – Anda, quero ouvir de você agora. O que você aprontou quando era criança?
PEDRO – Bem… (se lembra de alguns momentos de sua infância) Teve um dia que… (começa a contar para sua irmã, que está bem mais descontraída com as histórias do dele)

[CENA 12 – CASA DE ANA/ COZINHA/ TARDE]
(Adriana está lavando as louças do almoço, Ana a ajuda enxugando os pratos. Junior havia voltado para o trabalho)
ANA – Pra mim é até uma surpresa, ver o papai comer tanto, como comeu hoje no almoço.
ADRIANA – (sorri) Seu pai gosta muito da minha comida.
ANA – Mamãe era uma boa cozinheira?
ADRIANA – Era sim. (fecha a torneira, fica de frente para Ana) Quando morávamos juntas em um apartamento anos atrás, sua mãe era a melhor cozinheira entre a gente.
ANA – Vocês eram muito amigas, né?
ADRIANA – (vira-se para a pia) Éramos. (abaixa um pouco a cabeça, diz baixinho) Sempre lamento por não ter conseguido me despedir direito dela.
ANA – (percebe que Adriana ficou triste) Um dia eu gostaria de saber o que houve entre vocês duas. (toca no ombro de Adriana, que está de cabeça baixa. Ana se concentra e tenta usar o seu dom, para ver o passado de Adriana)

Continua no capítulo 64…

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