
A delegacia já não olhava apenas para André.
Clara colocou as fotos da transferência na mesa.
— A assinatura foi validada pela mãe. E a empresa de fachada pertence ao tio.
Monteiro cruzou os braços.
— Motivo financeiro.
— E talvez controle.
— Você acha que ela sabia que ele ia entregar nomes?
Clara foi direta:
— Acho que ela sabia de tudo.
—
Na casa da família, a tensão virou confronto.
O irmão mais novo jogou documentos na mesa.
— Isso aqui é lavagem, mãe!
Ela levantou devagar.
— Abaixa o tom.
— Você sabia que ele estava negociando com a polícia?!
Silêncio.
Ela apenas encarou.
— Esse assunto morre aqui.
Não havia dor na voz.
Havia comando.
—
André estava pior.
Ele esquecia coisas simples.
Perdia horários.
Tremia no meio da rua.
A manchete do dia dizia:
“Amante segue como principal suspeito.”
Ele riu quando leu.
Depois chorou.
—
Lucas apareceu alterado pela primeira vez.
— Você estava com ele de novo.
— Isso não é da sua conta.
Lucas perdeu o controle.
— Eu estou tentando te manter vivo!
— Me mantendo na sua cama?!
A discussão escalou.
— Você acha que eu não sei que você ainda sente coisa por ele? — Lucas cuspiu.
— E você acha que isso é sobre você?!
Lucas se aproximou demais.
— Se você continuar vendo ele, eu conto tudo.
André empalideceu.
— Conta o quê?
— Que você estava comigo na noite anterior ao depoimento. Que você mentiu para a polícia. Que você estava fora de si.
— Você não faria isso.
Lucas encarou, frio.
— Testa.
Erro.
Ele foi longe demais.
—
Rafael descobriu.
E pela primeira vez, não foi racional.
Ele foi até Lucas.
— Você está ameaçando ele?
Lucas sorriu.
— Eu estou protegendo a mim mesmo.
Rafael avançou.
— Se você ferrar ele, eu te arrasto junto.
— Você está apaixonado, não está?
Rafael não negou.
E isso enfraqueceu sua posição.
—
Na delegacia, Clara cruzou um novo dado:
O carro da mãe passou novamente por uma área afastada dois dias após o crime.
Zona rural.
Sem câmeras.
Monteiro comentou:
— Quem volta ao local do crime ou volta para descartar algo.
A suspeita estava nascendo.
Mas ainda não era pública.
—
Capítulo 15 termina com a mãe recebendo uma ligação anônima.
— Estão olhando para a senhora.
Ela desliga.
Sem pânico.
Só cálculo.












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