A escavação começou superficial.
Nada encontrado no primeiro dia.
Imprensa começou a especular.
“Nova linha de investigação.”
O nome de André voltou às manchetes.
Ele quase não reagia mais.
Entrou em estado apático.
Comia pouco.
Dormia mal.
Falava menos.
—
Na delegacia, Clara analisava novamente os dados.
— A mãe desligou o celular exatamente no intervalo da denúncia.
— Coincidência demais — disse Monteiro.
— E o funcionário que apresentou álibi mudou versão em dois depoimentos.
O cerco se fechava.
Mas ainda não havia prova física.
—
Lucas perdeu o controle de vez.
Foi até Rafael.
— Se eles cavarem mais fundo, você também afunda.
Rafael encarou.
— Eu não plantei arma.
— Mas ajudou ele a lavar dinheiro!
— Você também!
Lucas se aproximou.
— Eu nunca tive intenção de matar ninguém.
Rafael respondeu frio:
— Nem eu.
Silêncio.
Os dois sabiam que a linha entre saber e agir era tênue demais.
—
À noite, no apartamento de André, a tensão explodiu de novo.
Lucas tentou tocar André.
Ele afastou.
— Não.
— Você sempre diz não e depois volta.
— Não dessa vez.
Rafael estava presente.
O clima ficou insuportável.
— Escolhe um lado — Lucas disse.
André riu fraco.
— Vocês acham que isso é sobre escolher?
Rafael deu um passo à frente.
— Eu amo você.
Lucas respondeu:
— Eu não amo. Mas eu nunca menti sobre o que queria.
André os encarou.
— Vocês dois são egoístas pra caralho.
Silêncio.
Ele continuou:
— Um quer me salvar pra se sentir melhor. O outro quer me controlar pra não perder poder.
A frase cortou fundo.
—
Na propriedade, Clara pediu que ampliassem a área de escavação.
— Ainda não terminamos.
Monteiro olhou o mapa.
— Se algo foi descartado aqui… está mais fundo.












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