Isadora se surpreende com a presença de Juca na sua residência nova.

Isadora: Juca? Quem autorizou invadir o quarto?

Juca: O Gustavo irá embora comigo.

Isadora: Nem pense em levá-lo! Não basta o sumiço do Guilherme?

Gustavo: Mãe… O Guilherme está morto. Eu matei o Guilherme.

Isadora: O quê?

Gustavo: Desde o desaparecimento. Enterrei o corpo dele na mata. – fala enquanto Isadora coloca as mãos no rosto e chora.

Isadora: Teve coragem de matar o próprio irmão? – encara Gustavo.

Gustavo: Do mesmo jeito que mentiu pra mim e pro Zeca!

Isadora: Gustavo… Você é um monstro! Um monstro igual ao pai! – enfrenta Juca que acompanhava a discussão em silêncio.

Juca: Tem razão. Vi ele disparar no gêmeo, então tive certeza que o Gustavo possui meu sangue. O rapazinho é tão forte e esperto quanto eu!

Isadora: Cala a boca Juca! Quatorze anos atrás, no período que briguei e me separei do Zeca, você aproveitou a oportunidade pra me seduzir!

Juca: Aproveitei? Kkkkkk! Eu sei que adorou se envolver! Confessa que gostou! – recebe um tapa de Isadora.

Isadora: Maldito! Fui uma otária ao revelar na época pra você que tava grávida!

Juca: Otário foi o Zeca que acreditou que o filho era dele assim que voltou como um bobo arrependido! Vamos Gustavo! – ao reparar que o adolescente finalizou de guardar os pertences na mala.

Isadora: Perdi o Guilherme, não posso perder você também! — agarra Gustavo que foge.

Gustavo: Adeus.

Isadora: Não Gustavo! Nãaao! – é empurrada por Juca que a separa de Gustavo. Isadora escuta o barulho da moto e se desespera.


Anoitecendo, mas Maria e Melissa continuam à procura de Moisés nas redondezas do vilarejo até que o avista deitado na calçada segurando uma garrafa de pinga pela metade.

Melissa: Olha Maria! Ele ali! Pai! – grita na última palavra ao analisar a situação triste de Moisés. 

Maria: Moisés… Ah Moisés… – tenta levantá-lo.

Moisés: Larga, por favor! – resmunga embriagado se esquivando de Maria e Melissa.

Melissa: Ficou aí um tempão dona Maria! Sem comer e não consigo convencê-lo de ir pra casa!

Maria: Moisés! Venha Moisés, anda!

Moisés: Prefiro morrer, me deixa em paz…

Maria: Você virá sim, que seja na marra! Esquece a cachaça! Nossa! Fedendo demais. Precisando de um banho urgente! Mel, difícil arrastar o marmanjo! – ela e Melissa apoiam os braços dele nos ombros.


Dentro do cemitério, Roberto se afasta ao ver o caixão sendo enterrado. Zeca o consola.

Zeca: Senhor Roberto…

Roberto: Não me conformo Zeca. Durante décadas assassinaram todos os meus parentes. Só restava ele. Agora não há mais ninguém da família. Por que estão fazendo isso? Por quê? – abandona o local de cabeça baixa junto de Zeca.

Zeca: Complicado entender. Alguém alimenta bastante ódio no coração pra dar quatro tiros no senhor Jorge!

Roberto: Muito ódio. Muito ódio realmente. E compreendo perfeitamente. Acho que sou o próximo da lista. – lágrimas escorrem. 

Zeca: O que o senhor tá dizendo?

Roberto: Apenas informando que o poderoso Jorge tomou várias atitudes ruins no passado. Talvez eu tenha me tornado pior quando ajudei a esconder algumas coisas. Avisa a Laura que retornei pra fazenda!

Zeca: Certo. – observa Roberto ligar a camionete.


Maria e Melissa reclamam cansadas depois de uma longa caminhada. Chegavam perto do barraco de Moisés, no entanto elas não suportam carregar o peso dele que cai no chão.

Maria: Moisés… Falta pouco!

Moisés: Não aguen… Não aguento. – recuperando o fôlego. 

Melissa: Somente um pouquinho. – ergue Moisés através do auxílio de Maria.

Maria: Temos que meter o relaxado no chuveiro!  

Melissa: Que sufoco! Finalmente!

Maria: Entra Moisés! Entra!

Moisés: Não quero Maria! – resiste em pisar no banheiro.

Maria: É necessário se lavar pra curar a ressaca, pare de graça!

Moisés: Não vou, não adianta, sai daqui! – derruba Maria e Melissa, em seguida escorrega na sala e fica atordoado.

Maria: Velho teimoso do caramba! Não vai por bem, será por mal. – pega um balde de vinte litros de água e despeja na cabeça de Moisés. 

Moisés: Louca! – resmunga ensopado.

Maria: Mel, arranja uma roupa seca pra ele!

Melissa: Ok.

Maria: Rápido! – Maria se agacha e começa a tirar a camisa molhada do barbudo que se escora na parede.

Maria: Tarado! – diz após um beijo roubado de Moisés, porém dura segundos porque Maria interrompe a cena. 

Melissa: Dona Maria? – aparece de repente estranhando o clima constrangedor. 

Maria: Bom… Tô indo Mel. Qualquer emergência chame lá no bar. – põe a toalha em cima de Moisés que prossegue sentado no canto.

Melissa: Obrigada dona Maria. Obrigada de verdade.


Laura e Rodrigo continuam parados diante do túmulo de Jorge. Os dois se encaram e a loira joga rosas brancas na cova.

Rodrigo: Termine logo Laura. Termine de uma vez o que planejamos!

Música de encerramento: Imagine Dragons – It’s Time Tema: Livre

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