ESTAÇÃO MEDICINA
Capítulo 42
PARADEIRO

CENA 01/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CASA DOS ESTUDANTES/APARTAMENTO 12/INTERIOR/SALA/MANHÃ

Goram tremia ao olhar para Heloísa que estava transtornada.

HELOÍSA – Como você pode fazer isso comigo ?

Bernardo botou mais lenha na fogueira.

BERNARDO – E não é só a professora, viu, maninha. Esse cafajeste está tentando dar em cima do reitor da universidade para conseguir melhores oportunidades de estudo.

Heloísa se levantou irada da cadeira. Goram se aproximou dela desesperado.

GORAM – Minha porã, você não pode acreditar no que esse crápula do seu irmão está te dizendo, ele está tentando jogar Heloísa contra Goram.

BERNARDO – Para de mentir, Goram, não vê que sua máscara já caiu.

GORAM – Desgraçado, animal. Você se esqueceu de tudo que você, esqueceu do que Goram descobriu.

Bernardo o enfrenta com uma cara irônica. Heloísa joga o vaso de flor no chão.

HELOÍSA – POR QUE VOCÊ FEZ ISSO ? VOCÊ NÃO ME ACHA TÃO ATRAENTE QUANTO ELA ? PORQUE EU VIVO DANDO PROBLEMA PARA TODO MUNDO ? É ISSO ?

Goram segura no antebraço dela.

GORAM – Por favor, minha flor, você não pode dar ouvidos ao que seu irmão…

HELOÍSA – Chega! Me larga! Nunca mais olhe para mim.

E sai correndo pelos corredores. Goram vai atrás, mas acaba tropeçando no tapete e caindo.

CORREDOR DOS QUARTOS

Uma sombra escurece por cima a sombra do índigena. Bernardo encara tudo com um sorriso estampado no rosto.

BERNARDO – Seu romancinho com minha irmã acaba aqui, ela merece um cabra macho de verdade!

GORAM – Desgraçado! ASSASSINO! Goram mata você!

E pula em cima dele, derrubando no chão. Eles rodam no chão, quando Bernardo consegue dar um soco em Goram, tirando sangue do nariz do mocinho. O vilão tenta escapar, mas Goram gruda em sua calça e o morde, derrubando no chão. Sobe por cima dele e o esmurra com vontade, uma, duas vezes, tirando sangue dos lábios de Bernardo.

GORAM – Maldito! Você vai pagar por tudo que fez e está fazendo! Eu vou postar o vídeo da sua monstruosidade para todo mundo ver! VOCÊ VAI PARA CADEIA QUE É O SEU LUGAR!

BERNARDO – Cala boca, seu índigena de merda!

Eles se atracam mais e Bernardo consegue jogar Goram contra a parede, provocando o desmaio dele, fugindo em seguida.

Close em Goram sem consciência.

CENA 02/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE ORLANDO MOÇA/PRÉDIO ADMINISTRATIVO/INTERIOR/REITORIA/MANHÃ

MATEUS – Bom dia, Daniela. Que você tenha um dia repleto de felicidade!

Daniela estranhou, trocando olhares com Albânia e respondeu.

DANIELA – Bom dia, Dr. Mateus!

Cochichou com Albânia.

DANIELA – Que bicho mordeu ele hoje ? Ontem, nem falou comigo, já hoje…

ALB NIA – Sei não, mas isso está me parecendo amor…

Cortar para :

ESCRITÓRIO DA REITORIA

Mateus liga numa estação e está tocando Como é que vou dizer que acabou ? De Clarice Falcão.

…Era uma vez, mas como haveria de ser duas ou vezes ou três; Quanta burrice; Era um casal e esse casal era a gente e eu comecei mal. Esquece o que eu disse…

Ligar flashback: Mateus se lembra de quando premiou Goram pela primeira vez pela Olimpíada. Quando o encontrou no portão da Mansão e ele estava com aquele hall-star e aquele topetinho. Quando eles tiveram a primeira aula de inglês e ele ficou encantado com o sotaque indígena de Goram.

Voltar do flashback

Mateus sorria sozinho e acariciava as violetas que estavam num vaso de sua estante atrás de sua cadeira giratória.

Há um tempão, mas esse tempão nunca que vai acabar atenção, como é díficil, pensa que o fim, mas é que chamar de fim me parece ruim, eu vou do início. Quando a gente pensa alguma coisa, quer dizer algumas vezes nessa vida, a gente quer não esquece, quando por exemplo um elefante, nada ver esse elefante, como é que vou dizer que acabou…

Ligar flashback : Mateus se lembra do primeiro jantar junto. Quando lhe confessou seus sentimentos. Quando roubou o primeiro beijo. Quando se pegavam no hotel. Quando tomaram café da manhã juntos.

Desligar flashback.

Focar em Mateus abrindo a gaveta e escrevendo num cartão vermelho, uma mensagem de amor.

CENA 03/SÃO PAULO/MORUMBI/CONDOMÍNIO DO RAPOZZO/SUÍTE DE ELIANE/MANHÃ

Eliane terminava de pôr seu arquinho em seu cabelo loiro bem penteado em frente ao espelho.

ELIANE – Guto vai ser meu! Depois que aquela cotista imunda aprendeu onde é o lugar dela, não há mais ninguém no meu caminho, é só questão de tempo…

HALL DE ENTRADA

Ela desce e seu shih-tzu pula em seu colo. Toca a campainha, ela abre a porta. Era Samuel, face transtornada.

ELIANE – O que você está fazendo aqui ?! Se alguém nos ver junto, eu nem sei…

Samuel mostra um papel preocupado.

SAMUEL – Me convidaram para ir na delegacia da mulher prestar esclarecimentos sobre uma denúncia de agressão a uma caloura.

Eliane se desespera.

ELIANE – POIS NÃO VÁ!

SAMUEL – Se eu não for, eles vão vir atrás de mim com mandato de prisão. Você precisa me ajudar, branquinha, porque se eu me ferrar nessa história, você vai junto.

Instrumental explosivo. Close no rosto contrariado de Eliane.

CENA 04/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/ APARTAMENTO DE MEIRE/ INTERIOR/ QUARTO DO CASAL

Meire termina de gravar uma live curta em suas redes do seu canal para falar sobre os novos enxovais que ganhou para seu bebê.

De repente, Caio que dormia em sono profundo, acordar assustado, transpirando muito. A imagem de um feto grande, vivo, o encara do lado de fora da janela, com uma voz metálica.

FETO – Eu sei muito bem o que você fez…

Num gesto repentino ele corre para fechar as janelas. Meire assiste tudo atônita.

MEIRE – Hey amor, o que está acontecendo? Porque fechou a janela desse jeito?

Caio cai em si.

CAIO – Fechei porque estava ventando muito.

MEIRE – Mas está quente lá fora, não tô sentindo tanto vento assim. Por que você anda tão agitado? Remexendo na cama durante a noite. Tá tudo bem?

CAIO (medo)- Sim, sim. Eu acho que sim.

CENA 05/SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DOS PEREIRAS/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

Fabiana e Cacau/Carol estão vendo fotos de um antigo álbum de fotografias.

FABIANA – Gente, sou eu aqui no topo da árvore ? Gente! Eu nem me lembrava dessa foto.

CACAU – É sim, filha, era uma mangueira que tínhamos no quintal.

FABIANA – E essa outra aqui ? Que isso, eu me lambuzei toda de bolo de aniversário, tinha bolo até na cabeça.

Cacau ria alto junto.

CACAU – E nem foi seu aniversário, foi da filha dos Trindade, que moravam na rua de trás. Ai, filha, eu fiquei com meu coração tão despedaçado quando soube pela Marcela o que havia acontecido com você, eu chorei tanto a caminho daquela delegacia.

Fabiana abraçou a mãe.

FABIANA – Eu te amo tanto, mais tanto. Que eu não consigo suportar a ideia de você ainda ir lá naquele hospital, cuidar daquele homem que te violentou.

Cacau para um momento em silêncio. Reflete.

CACAU – Tem algo que precisa saber…

FABIANA – Ai não, mãe. Mas um segredo…O que foi ?

CACAU – Guilherme é seu pai.

Fabiana fica incrédula.

FABIANA – COMO É ?

Instrumental explosivo.

CENA 06/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CASA DOS ESTUDANTES/APARTAMENTO 12/EXTERIOR/CORREDOR

Goram está se levantando, quando Suzy chega do colégio

SUZY – GORAM! Você, tá bem ? O quê você está fazendo no chão ?

GORAM – Ai, minhas costas. Aquele jejuka desgraçado!

SUZY – QUEM ?

GORAM – Irmão de Heloísa! Foi você né Suzy que contou tudo para ele ?

SUZY – Do que você está falando ?

GORAM – Não se faça de sonsa, você contou para ele do meu caso com a Doutora Rita! Pois ele que me odeia, não demorou muito para despejar tudo na cara de Heloísa!

Suzy ficou sem graça.

SUZY – Não entendi! Por que ele te odeia ?

GORAM – Heloísa está perdida, Suzy. Ela saiu que nem louca daqui! Eu estou com medo dela cometer uma besteira!

E saiu desatinado, mancando um pouco, preocupado. Suzy estacou em silêncio, arrependida. Resolveu acompanhá-lo.

CORTAR PARA :

CENA 07/SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DOS PEREIRAS/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

Fabiana encarava a mãe em silêncio. Chorava.

FABIANA – Mãe! O que você acabou de dizer ?

Carol abaixou a cabeça.

FABIANA – Não brinca com minha vida. Fala a verdade.

CAROL – Eu não estou brincando. Essa é a toda verdade. Eu nunca achei que esse dia fosse chegar, mas não posso, não posso de vê-lo nesse estágio e tirá-lo de um direito que eu neguei ele a vida toda.
Fabiana chorava.

FABIANA – Não para com isso…Para com isso! Por que você tá fazendo isso comigo ? O que eu fiz para merecer isso ?

Carol nada respondeu, só ouviu o choro de soluçar da filha.

FABIANA – Mãe! Pelo amor de Deus me fala que meu pai morreu. Me fala que eu não sou fruta de um estupro, mãe!

Carol se emocionou e fugiu o rosto, dando as costas para ela. Fabiana se agarrou nela, deixando se deslizando pelo seu corpo.

FABIANA – Mãe! Fala que não é verdade, por favor.

Carol sofreu. Fabiana gritou alto, correu para quarto, batendo a porta.

CENA 08/SÃO PAULO/BIXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

Escuta-se barulho de chuveiro ao fundo. Marcela traz toalhas secas sobre os ombros, quando percebe que o celular de José ressoa alto.

MARCELA – ZÉ! CELULAR PARA VOCÊ!

Mas ele não retorna. Ela deixa as toalhas secas. E resolve atender.

No visor : “ Dr. Bernardo “

Ela nem sequer põe no ouvido e escuta ordens.

“ Zé, vamos ter que antecipar os planos, você vai precisar ficar de olho naquele indio o quanto antes. Ele voltou armado lá do Oiapoque,ele não vai descansar quanto se vingar de um por um e isso inclui você, você sabe muito bem disso”

Assustada ela deixou o celular cair. Voltou o olhar para o banheiro.

CENA 09/SÃO PAULO/CENTRO/CAMELÓDROMO/LOJA DO ODINEI/MANHÃ
Guto desliga a motocicleta apoiando o pé no chão, retira o capacete.

GUTO – Salve, parceiro. Vim buscar mais pod. Você tem aquele de caramelo ?

ODINEI – Acabou.

GUTO – E o de limão ?

ODINEI – Só estou com chocolate, morango, pêssego e melancia.

GUTO – Caraca, não acredito. Você não tem outro contanto que consigo pelo mesmo preço camarada, não ?

ODINEI – Tem um outro barato, aqui.

GUTO – Que barato ? É pesado?

ODINEI – Spice. Já ouviu falar ?

GUTO – Não.

Nesse instante, um rapaz chega na banca meio ansioso e rindo de orelha a orelha.

RAPAZ – Odinei, vê mais spice para mim. Minha guria tá querendo também.

VELHACO – É para já. De quanto você quer ?

RAPAZ – 50 pila.

Velhaco solta um sorriso amarelo e abre uma caixa que estava dentro de uma gaveta, retirando uns 8 cigarretes grandes.

GUTO – Caraca, tudo isso por 50 pila ? Barata!

RAPAZ – Foi uma das melhores coisas que provei, brother.

E bate em seu ombro, deixando uma ponta de curiosidade em Guto, que observa ele indo embora alegre da vida. Volta-se para Odinei.

GUTO – Meu, se me der um para tragar e eu gostar, levo o dobro dele.

Odinei lhe entregou um. o jovem universitário provou.

CENA 10/SÃO PAULO/MORUMBI/CONDOMÍNIO DO RAPOZZO/SUÍTE DE ELIANE/MANHÃ

Eliane andava de um lado para o outro nervosa, Samuel estava sentado em sua cama.

SAMUEL – E agora branquela, como vamos resolver isso ? A polícia está na minha cola, não deu certo a ameaça, aquela favelada abriu o bico.

ELIANE – Cala boca, eu preciso pensar! Pior que não tem como resolver isso, sem levantar bandeira, eu vou ter que apelar para aquele assunto com meus pais para poder conseguir um advogado bom para você, porque se não, voce vai em cana, vamos ter que pagar muito bem esse processo.

SAMUEL – Que assunto tão secreto é esse ?

ELIANE – Não é da sua conta, mas meus pais não podem saber do que armei, ninguém pode saber, entendeu? Muito menos o Guto, porque daí ele nunca mais vai querer saber de mim mesmo.

Instrumental explosivo. Close alternado em Samuel preocupado, fecha em Eliane determinada.

CENA 11/SÃO PAULO/TATUAPÉ/ HOSPITAL ORLANDO MOÇA/INTERIOR/PROCEDIMENTOS NEUROLÓGICOS/MANHÃ

Dra. Rockberry juntamente com Meire totalmente paramentadas, realizam estereotaxia em Dra. Rita, totalmente desperta.

RITA – Estão conseguindo visualizar alguma coisa ?

MEIRE – Ainda não, aparentemente tudo normal como mostrou a ressonância, inclusive no Flair. Mas vamos retirar biópsia para ver se conseguimos achar algo no laboratório.

RITA – Alguma coisa deve estar acometendo meu lobo frontal para eu ter flutuação ideoafetiva. Mas nas margens do sulco intraparietal pode estar correlacionado.

Instrumental catastrófico. Uma enfermeira volante entra paramentada desesperada na sala.

DULCE – Eu estava desesperada tentando procurar vocês. Aconteceu uma tragédia, uma tragédia.

RITA – O QUE FOI ?!

MEIRE – Fala Dulce, o que houve ?

DULCE – Dona Erlianda Cardoso Teixeira teve uma arritmia maligna súbita que cursou com uma taquicardia ventricular, ela parou, estão tentando reanimá-la sem sucesso há 15 minutos.

MEIRE – Coitada de Dona Noz Moscada!

Rita se apavorou com a possibilidade de ser a próxima. Instrumental cortante. Fecha em seu rosto.

CENA 12/SÃO PAULO/BIXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

José saiu do quarto ainda com cabelo molhado, embora já estivesse trocado. Pegou o celular em cima da mesinha. Viu a ligação. Marcela observava tudo, em silêncio, sentada no sofá da sala.

JOSÉ – Nossa, o pessoal do posto estão todos ansiosos, até me ligaram para avisar das novas cargas que chegaram.

Ele vai até o chaveiro procurar a chave. Ela o interrompe.

MARCELA – Que cargas são essas que envolve a vida de um índio ?

Instrumental explosivo. Ele deixou a chave cair. Ficou sem graça.

JOSÉ – Não entendi o que você falou.

Marcela se aproximou enquanto ele pegava a chave.

MARCELA – O que você está me escondendo, Zé?

Ele não disse nada.

MARCELA – Eu atendi uma ligação no seu celular agora e uma voz dizia que você precisava ficar de olho num índio porque ele ia se vingar de muita gente, inclusive de você. Que história é essa ?

José gelou. Engoliu seco. Deslizou rindo.

JOSÉ – Índio? Ah, sim, você deve estar falando da comunidade Caiçara.

MARCELA – Que comunidade Caiçara, José ?

JOSÉ – Eu vou te contar, meu doce. Deu um problema no trabalho, você sabe, eu faço essas entregas de plantações, de alguns fazendeiros. Teve um problema com uma comunidade de índios do litoral e um deles invocou comigo porque eu ia vender algo no nome de um fazendeiro que ele jurava que era da comunidade dele. Mas eles vivem invadindo propriedade privada, roubando plantações, porque não conseguem comercializar, então eu acreditei nos fazendeiros. E o cacique deles me jurou vingança.

Marcela caiu sentada.

MARCELA – Meus Deus, bem. Mas você precisa fazer alguma coisa? Não é melhor você ficar fora disso? Eu não imaginava que alguma coisa dessas poderia estar acontecendo.

JOSÉ – Eu avisei o fazendeiro que não ia mais participar do transporte das safras. Ele me garantiu que não haveria problema, que os homens dele podiam me dar proteção, mas você sabe como é, essa gente do campo é traiçoeira.

Marcela o abraça.

MARCELA – Eu fico feliz de estar tudo bem com você

Por entre o ombro dela, José respira aliviado.

MARCELA – E quem é Dr. Bernardo?

Ele gela de novo.

JOSÉ – Dr. Bernardo ?

MARCELA – Sim, foi o cara que vi no visor te falando sobre o índio ?

JOSÉ – Ah, sim, foi o fazendeiro. Ele vive tentando me convencer a voltar, mas eu não quero mais.

MARCELA – Pois faz muito bem, quero ver meu namorado bem, vivo. Porque ainda temos que viver muito essa nossa história.

José ri bobo

JOSÉ – E como quero viver isso com você.

E rouba um beijo apaixonado nela.

CENA 13/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS
Entardecer nos arredores na Pinacoteca ao som de Sorry de Justin Bieber…

CENA 14/SÃO PAULO/BARRA FUNDA/TARDE

No meio daquele formigueiro de trabalhadores andando de um lado para o outro, vemos uma jovem escondida por dentro de um capuz, meio perdida, era ninguém menos que Heloísa. Sua face estava abatida. Ressentimento.

Ligar flashback. Let me Out de Bens Brother começa a tocar.
Ela se lembra de quando conheceu Goram na matrícula acadêmica. Depois quando eles andaram de bicicleta no Ibirapuera. Quando tiveram a primeira noite de amor. Quando correram sobre uma pilha de folhas na pequena mata que cortava a caminhada da moradia até a Universidade. Quando se amaram num mirante, assistindo a um pôr-do-sol.
Desligar flashback

CORTAR PARA , mantendo a música.

CENA 15/SÃO PAULO/TATUAPÉ/TARDE

Goram procura Heloísa pelas ruas do Tatuapé.
Ligar flashback
Ele se lembra quando a beijou na Calourada. Quando a beijou quando estava no hospital. Quando no refeitório universitário levou café para ele, quando dançaram junto no estacionamento com indígenas. Quando dormiram de conchinha.
Desligar flashback

CORTAR PARA, mantendo a música

CENA 16/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/TARDE

Rita pensa em Goram.
Ligar flashback
Ela se lembra quando o conheceu naquela penitenciária. Quando o levou para casa naquela noite. Quando trocava olhares com ele no hospital. Quando quase o atropelou e o levou para sua casa. Quando tiveram a primeira noite de amor. Depois os outros momentos de amor em seu carro.
Desligar flashback

Ao fundo, vemos Meire e Dulce desistindo de reanimar Dona Noz-Moscada.

MEIRE – Hora da morte, 11:49!

Deixar música novamente continua.

CENA 17/SÃO PAULO/TATUAPÉ/TARDE

Goram atravessa a rua e começa a pensar em Rita.
Ligar flashback
Ele se lembra quando correram juntos pela Vila Marieta. Quando se pegaram no consultório dela. Quando a abraçou pela primeira vez. As conversas madrugadas a dentro.
Desligar flashback

Mostrar simultaneamente, as três imagens, de cada um deles : Heloísa, Goram e Rita, uma do lado da outra.

CENA 18/SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DOS PEREIRAS/INTERIOR/QUARTA DE FABIANA/TARDE

Cacau abre a porta do quarto da filha. Fabiana se encontra de lado, no chão, com a cabeça no colchão da cama, em silêncio, em sua face, percebe lágrimas secas.

CACAU – Filha!

Ela se agacha, tocando a jovem que não se mexe, totalmente atordoada com o que descobrira.

CACAU – Filha, fala comigo.

Ela mexe com a filha, que volta a chorar. A jovem se vira para ela.

FABIANA – Eu só fico pensando em como você pode fazer isso comigo ?

Cacau sofre.

CACAU – Perdoa a mãe, filha. Perdoa ?

FABIANA – Você me fez me sentir culpada, me sentir responsável por todo o mal que esse cara te fez! Eu não posso ser fruto de uma violência dessas.

CACAU – Mas você não é, meu amor, você é muito mais do que isso, porque eu te amo, filha, eu te amo.

Fabiana se levanta, indignada.

FABIANA – Como você pode dizer que me ama? Toda essas atitudes durante anos, me fazendo crer que meu pai havia morrido, sendo que ele estava vivo, só era um ausente, um estuprador maldito.

Cacau sofre.

FABIANA – Dona Carolina, eu chego a pensar que talvez fosse mais fácil eu ter sido abortada…do que…

Carolina corre para fechar a boca dela.

CACAU – Nunca mais repita uma coisa dessas. O passado foi muito sofrido sim minha filha. Mas eu nunca, nunca pensei em fazer uma monstruosidade dessas com você, com o direito que você tinha de viver.

FABIANA – Mas fez com você, teve a coragem de fazer com você mesma.

E saiu, deixando-a mal.

CENA 19/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/SUÍTE DE MATEUS/TARDE

Mateus cumprimenta Catarina no corredor e abre a porta de seu quarto, dando de cara com Bernardo deitado em sua cama, seminu.

MATEUS – Mas o que significa isso ?

BERNARDO – Não fala nada, me beija logo, porque eu estava morrendo de saudades.

E puxa Mateus para cima dele, que não resiste ao seu corpo moreno, sarado.

CENA 20/SÃO PAULO/CENTRO/BORDEL BOVARY/INTERIOR/SAGUÃO/TARDE

Bovary desce as escadas e observa as meninas limpando a casa, uma esfregando a parede, outra limpando o chão.

BOVARY – Isso mesmo, limpem o chiqueiro que vocês transformam o meu estabelecimento, depois daquela caganeira toda de ontem.

E solta uma gargalhada fatal. As meninas a encaram com cólera.

LARISSA- Você mal perde por esperar, sua coruja velha.

BOVARY – Você está me ameaçando, sua banco de esperma. Cuidado hein ? Te jogo para trabalhar lá na Cracolândia, vai ser mulher de bandido, ganhar centavos por uma trepada.

A campainha ressoa. Ela abre a porta e se surpreende com quem está parado lá.

BOVARY – Akiko, é você mesmo? Quanto tempo!

Ela sorri, ele retribuiu.

CENA 21/SÃO PAULO/INTERIOR/UBER/CREPÚSCULO

A música Para Machucar Meu Coração de João Gilberto e Stan Getz toca enquanto Goram dentro do veículo procura por Heloísa em alguns lugares conhecidos, frustrado.

GORAM (V.O.) – Meu amor, onde você se meteu ?

O uber sobe numa avenida que volta para o Tatuapé.

CORTAR PARA:

CENA 22/SÃO PAULO/TATUAPÉ/MORADIA UNIVERSITÁRIA/APARTAMENTO 12/INTERIOR/CREPÚSCULO

Goram estranha pelo corredor a movimentação que se revela : Suzy, André, Dandara, Vitor, Nara e George estavam reunidos em torno da televisão na sala de estar.

GORAM – Égua! Está acontecendo alguma coisa que eu não sei?

Mas antes que alguém lhe conte. Ele descobre pelo plantão do telejornal : Na ponte da Freguesia do Ó, que cruzava o rio Tietê, estava congestionada por um acontecimento marcante : uma jovem havia decidido cruzar o limite de segurança da ponte e estava prestes a se jogar. Era ninguém menos que Heloísa.

Os olhos de Goram se petrificaram.

GORAM – Minha porã!

Congela

Fade out.

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