Custódio não demora entrar na casa, encontrando duas moças sentadas na diva. Não vê Roberto perto da escada. — Onde está meu irmão? O que aconteceu com ele?

Moça 1 — Levamos ele para o quarto.

A outra se prontifica. — O doutor pode me acompanhar.

Ela sai na frente. Sobem a escada. Na porta do quarto ela espera Custódio entrar na frente. Vendo a cama vazia.

Custódio — O que está acontecendo?

Moça — Ele deve estar no toalete.

Custódio, segue em direção onde vem barulho, no fundo do quarto, chamando o irmão pelo nome.

Roberto sai de trás da porta, rindo, acena: — Tiazinho, doutor. Sua despedida de solteiro começa aqui. Depois é lá embaixo. Escuta o barulho. — e sai fechando a porta.

Custódio — Beto, espere? — Tenta abri-la. Percebe alguém sair do toalete.

Raquel fala com ele. — Quer a chave, doutor? Tenho a cópia. — E a coloca entre os seios, metade a mostra, no pequeno espartilho. — Vem pegar?

Custódio a olha, por completa. — Que brincadeira é essa?

Raquel — Uma festa de despedida de solteiro. Uma brincadeira do Roberto.

Custódio estremece, se vendo diante de outra cena semelhante. (Tem a sensação de que Raquel o abraça pelo pescoço, prendendo seu corpo entre as pernas), quando ela se aproxima e pega a maleta.
Tenso, ele a observa colocar a maleta em cima da mesinha, ao lado da cama. Entreolham intensamente.

Custódio — Isso não vai dar certo!

Raquel, tremula, senta na ponta da cama. Não consegue mais encará-lo: — Tem razão. Isso não vai dar mesmo certo! — Tira a chave, e estende-a.

Fixo a ela, Custódio pega. Engole a saliva, que desce grossa na garganta. Vai em direção a porta.

Raquel, chama: — Doutor?

Ele volta olhar ela. Raquel cabisbaixa, aponta para a mesinha. — Sua maleta.

Na sala, na parte térrea, depois de mirar em direção a escada, Beto pede para diminuir o som. Volta olhar a escada. Toma o resto da bebida. Coloca o copo vazio no balcão, e sai em direção à porta da frente.

No quarto, Custódio, atento em Raquel ainda de olhos baixos, pega a maleta. Ele volta, outra vez, no tempo, vendo-a, se deitar para trás, como se o desejasse.

Naquele momento, alguém se aproxima da porta, pelo lado de fora, no corredor, querendo ouvir a conversa.

Custódio balança a cabeça, confuso, sem entender os pressentimentos.

Raquel fecha os olhos, apertadamente, sentia a mesma sensação.

A pessoa, no corredor, se afasta, ao ouvir barulho da chave. Custódio quem ameaça abrir a porta.

Raquel rapidamente se coloca de pé — Espere, doutor? — Suspira profundo, encarando-o. — Fique? Faça-me mulher em seus braços. Sei que se casa amanhã. Com certeza, depois, não nos veremos nunca mais.

Custódio, sem se mover, a observa. Reflexos voltam. Ele se vê, bem próximo a ela, estirada na cama, beijando-a de leve, nos lábios.

Raquel, ao lado da cama, espera a reação dele, que observa a cama, depois ela novamente, dos pés à cabeça.
Ele solta o ar, que parecia preso no pulmão. Vagarosamente tranca a porta. Coloca a maleta na mesinha. Com desejo à flor da pele, envolve-a, pela cintura, puxando-a para bem perto do seu corpo.

Raquel, com emoção, sussurra: — Será delicado comigo?

Custódio, bem próximo aos ouvidos dela. — Aprendi de tudo um pouco. Sou também ginecologista. — sorri — Eu sabia que essa brincadeira não ia dar certo. Você vai ser a perdição da minha vida. — e a leva para cama.

Raquel o ajuda se despir e se entregam em carícias.

A pessoa novamente aparece no corredor, e bate, várias vezes, na porta.

Custódio — Quem é?

Ninguém responde. Ele se enrola no lençol e abre a porta.

Raquel, também assustada. — Quem é?

Custódio — Não tem ninguém aqui! — e segue em direção onde vem o som. No final do corredor olha para ver se encontra alguém.

Estela, ao subir a escada com Augustinho, vê Roberto entrando pela porta da frente. Ela e o moço ficam surpresos, vendo Custódio.

Augustinho, zomba: — A virgem estava tão boa assim doutor, que deixou até mesmo as calças para ela? E que rapidez, a festa mal começou!

Custódio — Quem bateu na porta?

Estela — Como assim, doutor?

Custódio — Bateram, várias vezes na porta, com muita força, pensei que alguém estava morrendo no corredor.

Estela — Não ouvimos nada! Os quartos estão vazios. Somente o senhor e Raquel estão aqui em cima. Estamos subindo agora.

Custódio — Alguém bateu na porta sim! — Vendo Raquel se aproximar. — Ela também ouviu.

Estela — Podemos conferir os quartos. Talvez alguém subiu as escadas e não percebemos.

Vão em quarto em quarto. Todos vazios.

Augustinho brinca: — Vai ver foi uma alma penada, do outro mundo, que bateu na porta, pela escada ninguém desceu, doutor. Isso eu garanto.

Custódio — Porque uma alma penada bateria com tanta força na porta? Uma alma não teria tanta força assim?

Todos riem. Menos Custódio.

Augustinho vendo Raquel de camisola transparente. — Vai ver estava tão difícil o doutor resolver o assunto com a virgem, que um fantasma resolveu dar uma mãozinha. Caso o doutor ainda precisar de ajuda, sou de carne e osso. – ri.

Custódio olha Raquel, que dessa vez também permanece séria. Rapidamente se afasta, passando por ela.

Estela percebe Raquel envergonhada. — Não fique aí parada, Raquel. Volte para o quarto com o doutor, comece por onde pararam.

Raquel suspira. Ainda tremia.

Quando entra no quarto, Custódio terminava de colocar a roupa. Ele pega a maleta, ameaça abrir a porta que ela havia fechado, e para, com pressentimentos de ela entrar na sua frente, impedindo a passagem. Percebe Raquel distante, intacta. Muito constrangido diz — Não vou pagar pelo serviço que não aconteceu. Com certeza, Roberto pagou e muito bem.

Desapontada Raquel senta na ponta da cama.

Custódio desce a escada, quase correndo.

Roberto segura, quando passa por ele. — Espere, mano, aonde vai com tanta pressa? A festa mal começou.

Custódio, com desprezo, serra os dentes: — Tire suas mãos sujas de cima mim.

Beto levanta os braços, e brinca. — Tudo bem, não vou sujar a sua roupa branca. Agora volte lá para o quarto e se divirta com a moça.

Custódio — Divirta você com seus amigos. Tenho assuntos mais importantes a resolver.

Beto ainda ria — É apenas uma brincadeira! Não acredito que vai levar a sério. Afinal de contas somos irmãos, e não tem nada de mais um irmão fazer uma brincadeira com o outro.

Custódio — Uma brincadeira de muito mau gosto, você não acha? E depois, você não é meu irmão, se fosse, eu teria vergonha de ter o mesmo sangue que o seu.

Beto sério — Hei! Também não precisa levar pela ignorância.

Custódio — Seu pai, outro dia me disse que infelizmente tem um filho que não vale nada. E eu lhe defendi. Mas, vejo agora que ele tem razão.

Ameaça sair, volta.

— E faça-me um favor. Não apareça no meu casamento amanhã. Faço questão que não vá! — e sai, passando entre as pessoas que abrem caminho.

Roberto fica parado, olhando o chão. Todos esperam dele uma reação. Da escada, Estela, Augustinho e Raquel também o olham.

Estela — Vá para o quarto Raquel. Não deixe que ninguém a veja aqui. – e com Augustinho vai para o quarto.

Beto se anima. Bate palmas. — A festa continua! Ninguém morreu! Vamos lá, meninas, voltem às atividades. E a música por que parou?

Todos se agitam. Roberto empalidece vendo Raquel. Olha ao redor e ninguém percebe a presença dela, entretidos com as moças, bebidas e jogos.

Rapidamente ele sobe a escada, e a leva para o quarto, fechando a porta. — O que pensa que está fazendo? Quer que todos a vejam aqui?

Raquel — Quem bateu na porta? Por que fizeram isso?

Beto — Que história é essa? Ninguém estava aqui em cima. Dei ordens para ninguém subir.

Raquel — Alguém bateu na porta, sim! Várias vezes, com muita força. Tanto, que seu irmão saiu quase pelado, para saber o que estava acontecendo.

Beto ri gostoso. — Então, foi por isso que ele estava tão bravo?

Raquel — Você queria o quê? Ainda estou tremendo de susto.

Beto — Isso não fazia parte da brincadeira. Eu também ficaria nervoso se acontecesse comigo. Será que meu irmão pensou ser de propósito? Vou tentar descobrir quem foi o arteiro. — e sério pergunta: — Você teria coragem de ir ao casamento dele comigo amanhã?

Raquel — O doutor pediu para você não aparecer lá.

Beto — Mas, vou. Sou teimoso e cara de pau. E depois, sou padrinho. Amanhã bem cedo, vamos comprar uma roupa que a deixe linda, maravilhosa. Quero vê-la elegante, e dependendo da reação do Custódio, voltamos a conversar como fica a sua vida aqui dentro.

Raquel muito tensa — Roberto, melhor não. Isso pode não dar certo.

Beto — Do que está com medo?

Raquel nada responde.

Beto senta ao lado dela, na cama. — Que explicação darei ao meu pai, se não aparecer no casamento do meu irmão amanhã? Então, você vai comigo sim. Eu ia chamar a Estela para ficar do meu lado. Faço questão que seja você.

E se coloca de pé, pensa, e depois diz: — Custódio é muito mais que um amigo meu. É um irmão que aprendi admirar e respeitar e as palavras dele me ofendeu, por que eu também tenho sentimentos. Quem é que não tem, pelo menos um pouco, pela própria família? E eu já tentei ser um homem correto como o meu pai e irmãos, mas parece que a tentação vive vinte e quatros horas do meu lado, me perseguindo. Mas, eu sei que posso lutar contra. Meu pai já me disse isso, muitas vezes.

Olha Raquel nos olhos, e toca suavemente o rosto dela, com as pontas dos dedos, mas se afasta, ficando de costas. — Vou lhe contar algo que nunca contei a ninguém. Quando eu comecei a me entender como gente, passei a ter vergonha da minha mãe. Ela é filha de escrava, que passou ser esposa do meu avô, depois que a primeira mulher dele morreu.

Roberto senta ao lado de Raquel, e continua: — Tenho duas irmãs. Uma é a primogênita, a outra veio depois de mim e elas herdaram a cor da minha mãe. Eu também tinha muita vergonha delas. Mas, o Eduardo não. Desde pequeno ele tem prazer em apresentar nossa mãe para as pessoas. Quando eu era criança, tinha vontade de enforcá-lo, quando ouvia ele dizer: Ela é minha mãe e do Beto, nós dois nascemos no mesmo dia.

Raquel se alegra – Você tem um irmão gêmeo?

Beto – Sim! E quando conhecemos Custódio, pensei: feliz é ele que não tem mãe. Cheguei desejar ser ele, sozinho no mundo, com toda a grana que o pai deixou. E, um dia, no aniversário da minha mãe, Custódio comprou um presente e deu a ela com um bilhete escrito: Para a mãe mais linda do mundo. Eu a amo, porque Deus, um dia, levou minha mãe, e depois me deu outra de presente.
Minha mãe chorou de emoção. Eduardo abraçou ela e disse: Não é só o Custódio que a ama. Eu também tenho muito amor e orgulho de ser seu filho. E me perguntou: E você Beto, não vai dizer a nossa mãe que também a ama? Ou será que tem vergonha dela?

Roberto dá pausa e continua: — Foi, como, Eduardo ler meus pensamentos. Eu odiava minha mãe, por ela ser negra. Mas, naquele dia, pela ação de Custódio, que a partir daquele momento passou chamá-la de mãe, e, as palavras de Eduardo, comecei olhar dona Noemi pelo que ela tem por dentro, e não pela cor da pele.

Raquel — Todos nós temos a mesma cor de sangue.

Beto ri, e se coloca de pé. — Exatamente nisso que pensei. E percebi o quanto meu pai ama a mulher que escolheu como esposa. Ama cada filho que ela lhe concebeu, sem diferenças, e eu sou um filho desse amor.

Raquel — Posso imaginar o amor lindo que existe entre os dois.

Beto volta sentar ao lado de Raquel. Tinha vazio em seu olhar: — Eu ainda não consigo amar a minha mãe como deveria. Procuro, todos os dias, mudar esse meu jeito, mas não consigo tirar partes ruins que existe dentro do meu peito. Não consigo pensar, não consigo agir, como meus irmãos e meu pai. Tenho na pele a mesma cor dos três. Mas o meu coração é totalmente diferente, e preciso provar a mim mesmo que ainda posso mudar. Preciso buscar dentro de mim, na profundeza da minha alma, quem realmente sou de verdade. E hoje, creio que destruí uma grande amizade. Um carinho de irmão que existia entre eu e Custódio. Mas eu não fiz por mal. Era para ser apenas uma brincadeira.

Levantou, suspirou e disse: — Quando Custódio falou que ia se casar, eu pensei… Custódio tem de tudo. Pode comprar o que quiser. E o que eu poderia dar ao meu irmão de presente de casamento? Eu quero dar a ele, algo que fique guardado na memória para sempre, não um objeto qualquer que vai ficar num canto, sem ele se lembrar depois de quem ganhou.
Nada é novidade para ele, então, decidi dar uma festa de despedida de solteiro e o meu presente seria uma belíssima moça, onde ele pudesse se lembrar dela para sempre e quando vi você, imaginei Custódio se apaixonar no primeiro olhar. Foi como se eu ouvisse ele me dizer: Meu Deus, ela é a moça mais linda que já vi. Não ia resistir em cair na tentação de ter você e ficariam juntos a noite inteira, a ponto dele perder a hora do casamento, e depois a levaria daqui.

Raquel recorda a emoção entre ela e Custódio quando os corpos se unem.

Volta a si, quando Beto lhe toca no rosto. — Qualquer homem se apaixonaria por você, no primeiro olhar, Raquel! Você é linda. Um pouco parada, mas típico de uma dama.

Raquel abaixa o olhar, ele pega-a no queixo para que o olhe. — Meu irmão pode não ter se apaixonado por você, no primeiro olhar, mas eu me apaixonei, e venho lutando contra, desde o primeiro momento que a vi. Sei que não posso lhe dar a vida de rainha, como meu irmão lhe daria, mas, quem sabe, podemos nos casar. Quero que seja mãe dos meus filhos. Eu a quero para mim. — Encosta os lábios nos dela, querendo beijá-la.

Raquel o empurra para trás. — Não, Beto! Preciso pensar.

Beto ri — Pensar em quê?

Raquel — Não quero sofrer por amor. Mesmo que dê-me uma vida digna, você é dono deste lugar, e nunca deixaria tudo isso por mim. Ou deixaria?

Beto fica surpreso: — Por que me pergunta isso?

Raquel — Caso, eu nunca encontre um homem que me ame como única mulher dele, não me importo de ser amada por muitos, se for preciso.

Beto se afasta, anda de um lado a outro pensativo: — OK! Está certo! Gosto de pessoas sinceras. Meu pai me ensinou a respeitar a sinceridade das pessoas, quando falam sem medo o que realmente desejam. — beija-a na testa. — Durma bem, minha querida. Quero vê-la bem disposta amanhã, para irmos ao casamento do meu irmão. — e fecha a porta, saindo.

Raquel repousa a cabeça no travesseiro, mesmo com o barulho no salão, procura dormir.
Na manhã seguinte sai com Roberto. Numa butique ela prova alguns vestidos. Ele quem escolhe. Queria vê-la linda, diante de sua família e convidados.

Custódio chega na sala. Os pais e irmãos o esperam. Todos prontos para a cerimônia. — Estou atrasado. — e pergunta para Noemi. – Como estou, mãe?

Noemi o ajuda arrumar o colarinho do paletó. — Está lindo, meu querido, e ainda está cedo. Sua noiva não deve estar pronta. Você está nervoso. Isso é normal. Pergunta ao seu pai para ver se não estou certa?

Afonso — No meu casamento com a sua mãe, não fiquei tão nervoso quanto ao dia em que falei com meu sogro. Sabe o que ele falou, com voz autoritária? Olha aqui meu caro rapaz. Veja bem o que está fazendo. Você é da minha cor. Está querendo se casar com a minha filha que herdou a da mãe. Então, imagina o que pode acontecer. Seus filhos podem nascer brancos, negros, mulatos, amarelos e quem sabe cor de rosa também.

Todos dão gargalhadas.

Afonso vira para Eduardo. — Falando em filhos, o seu irmão Roberto por onde anda? Ele não deu as caras até agora?

Eduardo e Custódio se entreolham tensos.

Afonso aponta eles. – Pela cara dos dois, estão sabendo o que ele anda aprontando e não deve ser coisa boa. E só faltava atrasar o casamento por causa dele, que é seu padrinho?

Custódio sorri, disfarçando, arruma a gravata – Não vou deixar de me casar por causa dele, isso com certeza!

Eduardo – Beto deve ir direto para a igreja. Estive com ele ontem de manhã, e…

Afonso insiste, vendo-o se calar — E o quê?

Eduardo sorri, indo ao encontro da tia. – E, olha quem está chegando.

Noemi vai ao encontro da irmã. – Clara, que surpresa. Pensei que não viesse para o casamento do Custódio. – se abraçam.

Dudu — Devia ter avisado bem antes, tia. Eu teria ido buscar a senhora no Rio de Janeiro.

Clara – Não precisava se incomodar. – abraça ele – Cada dia você se parece mais com o seu avô. Não sei se isso faz diminuir ou aumentar a saudade que corroí a minha alma, aos poucos, pela saudade que tenho dele.

Dudu – Estou feliz em vê-la aqui.

Clara abraça Custódio – Na carta que sua mãe me enviou, junto com o convite, ela disse que você fazia questão que todos os nossos parentes comparecem para o seu casamento, mas a viagem é muito longa do Rio de Janeiro até São Paulo, para trazer o seu primo Carlinhos. Glória Maria e o esposo mandaram eu lhe dar um forte abraço por todos eles.

Custódio – Entendo. Quem sabe, aproveito a viagem e passo no Rio para ver como está meu primo.

Clara – Não vai mudar o rumo da sua viagem de lua de mel por causa disso. Meu neto, apesar da deficiência, está bem de saúde. Não ser que você quer aproveitar o caminho e ir visitá-lo.

Custódio – Passo no Rio, quando eu voltar de viagem.

Dudu para a irmã de 17 anos. — Tainá, não se importa da nossa tia me acompanhar no altar?

Tainá faz bico. Ezequiel sopra aos ouvidos dela: — Não faça isso, garota. Prometo que será recompensada!

Clara percebe o desapontamento da sobrinha, fala com Eduardo. — Deixe como está.

Taina se alegra — Tudo bem tia. Vou deixar por que é a senhora. Se fosse outra, iria ficar muito aborrecida. — Tira o arranjo dos cabelos, e coloca em Clara.

Dudu — Obrigado, maninha. No próximo casamento do Custódio você vai ser madrinha.

Todos se olham espantados. Custódio olha o chão. Lembra Raquel lhe pedindo para ficar com ela.

Afonso — Dudu você ouviu o que falou?

Dudu vira para Custódio que estava branco — O que falei?

Afonso – Vamos embora, já está na hora.

Todos saem, Custódio fica parado no lugar. Eduardo voltando para ele. — Está tudo bem, mano?

Afonso aparece na entrada da porta: — Hei, vai deixar a sua noiva esperando?

Custódio suspira profundo. — Não! Vamos embora. – Saem.

Na igreja. Luiz (12 anos) sentado ao lado dos pais vê Maria (com a mesma idade), chegando, também com os pais. Os dois disfarçam, quando começa uma discussão entre Moreira e Geraldo.

Moreira – Pensei que não ia ver você aqui no casamento do filho adotivo do Afonso.

Geraldo – O mesmo lhe digo eu. Felizmente ele convidou todos os funcionários e fazemos parte.

Moreira – Devia ter quebrado o pé, assim não estaria aqui.

Dora brava – Moreira para com isso. Estamos dentro de uma igreja e você fica jogando praga nos outros. Respeita o lugar e o momento.

Mirtes – Dora, você tirou as palavras da minha boca. Já não basta esses dois se atacarem na rua, no emprego, e agora dentro de uma igreja.

Geraldo – Foi ele que começou, Mirtes, você viu.

Moreira – Não entendo a vida. Eu não suporto olhar na cara do sujeito, todos os dias, e o pior ter que engolir ele até mesmo dentro da igreja. Já aguento como vizinho, como…

Dora – Moreira, por favor!

Geraldo ri – Muito fácil resolver isso, Moreira. Pede demissão do emprego. Muda de cidade. De estado, do país, se não quer ver a minha cara, assim eu também fico livre de ver a sua.

Moreira bravo – Faz isso você! Por que que tem que ser eu?

Mirtes – Geraldo, vamos sentar em outro lugar, assim os dois param de ranhetas?

Geraldo – Que o Moreira vá. Eu sentei aqui primeiro. Ele sentou do nosso lado para me encher as paciências. E depois, ele fala por aí, que sou eu que vivo no caminho dele, então, não vou sair daqui coisa nenhuma.

Moreira – Os incomodados que se mudem!

Geraldo – Se você está incomodado que mude você.

Dora e Mirtes se olham. Luiz e Maria também, muito desapontados. As duas mulheres levantam juntas e cada qual fala com os filhos. – Vamos sentar em outro lugar. – saem.

Os dois se olham e falam juntos, um apontando o outro – Viu o que você fez?

Padre chega – O que é isso? Os dois vão brigar aqui dentro. Respeitam a casa de Deus. Se querem brigar vão lá fora.

Envergonhados os dois abaixam a cabeça. Dora e Mirtes ouvindo a bronca voltam sentar no lugares de antes.

Na porta da igreja, Custódio cumprimenta os padrinhos e convidados. Empalidece vendo Raquel chegar.

Roberto, fala aos ouvidos dele, ser o único ouvir. — Raquel está linda, não está doutor?

Custódio — Por favor, vá embora daqui e leve a moça com você.

Roberto rindo — Qual o problema?

Eduardo, um pouco afastado, percebe Custódio tenso, ouvindo Roberto ainda lhe dizer bem baixo — Não se deixe levar pela tentação, maninho. Daqui a pouca será um homem casado. E depois, se eu não viesse, que explicação eu daria ao nosso pai?

Custódio — Fico feliz em saber que se preocupa com o nosso pai.

Dudu se aproxima e coloca a mão no ombro de Roberto. — Beto, o pai pensou que você não ia vir no casamento do Custódio.

Roberto ri. — Não deixaria de vir, nem mesmo se o doutor me pedisse.

Custódio pede licença e se afasta. Eduardo percebe ele parar passos à frente, balançar a cabeça negativamente, querendo espantar a tensão que sentia.

Afonso chega. — Quem é a moça, Roberto?

Beto segura a mão de Raquel. — Ela é linda, não é pai?

Afonso brinca, falando com Eduardo, que ainda observava Custódio, falando com alguns convidados, do outro lado. — Creio que o próximo casamento será do seu irmão Roberto, que pelo jeito está apaixonado. A moça é mesmo muito bonita. Prazer em conhece-la. E, quem sabe você consegue colocar um pouco de juízo na cabeça dele.

Raquel apenas sorri. Ela olha Custódio.

Alguém anuncia a chegada da noiva.

Todos se colocam a seus lugares.

Custódio vai ao encontro de Giza.

Quando termina a cerimônia. Roberto e Raquel vão parabenizar os noivos.

Beto, sério — Felicidades, meu irmão. Eu lhe desejo de todo o coração. Quero que seja muito feliz, na nova vida que está se iniciando. E perdoe-me, as brincadeiras que fiz.

Custódio o abraça, apenas balançando a cabeça que sim. As palavras de Raquel, soou como eco, aos ouvidos dele, ao lhe apertar a mão.

Raquel — Sua noiva é muito bonita. Parabéns.

Giza, ao lado do noivo, fica intrigada: — Conheço você de onde? Você não me parece estranha. Qual o seu nome? — E percebe Raquel e Custódio se olhar, tensos, quando ela diz o nome. “Raquel” — Vocês se conhecem de onde?

Roberto toma a frente: — Você está muito linda, minha cunhada, parece uma rainha. — Vê Clara, e puxa Raquel. — Venha, Raquel. Vou apresentá-la para minha tia. Irmã da minha mãe.
Giza também vê Custódio acompanhar os dois com o olhar. Mas, ele sorri disfarçando, ao ser parabenizado por outros padrinhos.

Raquel e Roberto se aproximam de Clara e Eduardo.

Beto — Como vai, tia Clara? Quando cheguei não a vi.

Raquel dá passos para trás, cedendo o lugar para um senhor cumprimentar Eduardo. Ela volta olhar Custódio, e rapidamente sai da igreja, pela porta lateral.

Beto percebe a ausência dela, e sai, lado oposto. Aproxima-se da irmã caçula. — Tainá, você viu a moça que estava comigo?

Tainá — Ela saiu pelo outro lado da igreja.

Roberto ameaça ir na direção. Afonso chega falando com ele: — Roberto, não vai sumir antes de termos uma boa conversa.

Beto — Hoje não é dia para isso, pai!

Afonso — Quero saber onde você está morando, e o que está fazendo. Faz um mês que você não aparece na fábrica.

Beto — Pai, já conversamos a respeito disso. Eu não nasci para ficar fechado naquele lugar.

Afonso — Você nasceu para fazer o quê? E o que eu faço com o seu serviço? Eu e o Dudu estamos trabalhando em dobro por sua culpa.

Clara e Eduardo chegam.

Afonso continua: — A nossa conversa vai continuar daqui a pouco. Melhor vir junto comigo.

Eduardo — Preciso falar com você também, Beto.

Beto não gosta — Você também vai pegar no meu pé agora? Já não basta o nosso pai?

Afonso — Rapaz, veja como fala. Você some de casa. Não sei onde mora, o que faz, e eu que pego no seu pé?

Roberto nada responde, percorrendo o olhar entre as pessoas, na esperança de ver Raquel.

Afonso continua: — Espero que não esteja fazendo nada errado. Nada que eu possa sentir vergonha do filho que tenho. E se ir embora sem falar comigo direito. Amanhã bem cedo, rodo essa cidade inteira até descobrir onde você está morando.

Roberto suspira inconformado. Acaba acompanhando os pais e irmãos.

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