Casa de Beto. Na sala, Dudu aguarda.

Roberto desce a escada — Olha? Olha? Não é que a minha casa está ficando movimentada, recebendo um freguês em pleno domingo de manhã. Um homem que se presa não costuma fazer isso. Não neste horário, preferem curtir a família. Mas, como você não tem família para paparicar aos domingos de manhã, dou um desconto. Chamo as meninas e você escolhe qual delas…

Dudu — Não estou aqui para safadeza! O que foi que você aprontou com o Custódio?

Beto ri — Não aprontei nada com ele. Apenas dei um presente que ele gostou e muito. Descartou na hora, mas, depois arrependido veio atrás.

Dudu — Responde a minha pergunta direto, não fica fazendo ladainhas!

Beto — Respondi! O Custódio não… — e fica amarelo, vendo Raquel entrar.

Dudu olha para traz e fica abismado: — Então é isso? Está explicada a reação do Custódio quando viu você chegar na igreja com esta mulher. Como teve coragem de fazer isso com ele? Levar uma leviana como madrinha. Colocando-a no altar, na frente de todos os convidados. Quantos homens não riam pelas costas dele, vendo essa mulher lá?

Beto — Dudu, não é nada disso que você está pensando!

Dudu bravo — Não estou pensando nada, estou vendo! — aponta os dois — Quanto que tiraram dele?

Raquel, boquiaberta não se movia.

Dudu — Diz a senhora. Quanto meu irmão Custódio lhe pagou? Qual tipo de chantagens fizeram com ele?

Beto — Dudu, você não sabe de nada.

Dudu grita — Deixe ela me responder? Quero ouvir da boca dela, para ver se valeu a vergonha que Custódio sofreu.

Raquel, desapontada, faz não com a cabeça.

Dudu — Está explicado ele ir embora como foi, sem dar explicações a ninguém.

Todas as moças chegam na sala, assistindo a briga.

Dudu aponta Beto — Nosso pai está inconformado do Custódio sair sem se despedir dele. Sabe o que Custodio disse antes de sair? Que se um dia você estiver morrendo, ele quer estar bem longe daqui. Você sabe o que isso significa? Que se você precisar dele como médico, prefere não salvar a sua vida. Para uma pessoa, como ele, falar assim, é porque está abalado profundamente.

Vira-se para Raquel — A senhora ainda não respondeu à minha pergunta? Quanto levou para acabar com a moral de um homem diante de todos que estavam naquela igreja?
Beto pega-a — Sobe, Raquel! Você não tem que dar satisfações a ninguém.

Raquel sobe a escada correndo.

Beto cai sentada no divã, ao receber um violento soco.

Dudu grita — Você não presta. É um mau caráter. Herdou o sangue ruim do nosso avô.
Beto permanece sentado. Mão no queijo, sem acreditar na reação do irmão.

Dudu — Menos de uma hora, nossa mãe falou a respeito dele. Chorou ao se lembrar dos sofrimentos que nosso avô causou nas pessoas, e você resolveu fazer o mesmo na nossa família?

Beto, enquanto limpa o sangue, no canto da boca. — Custódio vai voltar. Nós somos a famílias dele!

Dudu ri com arrogância — Somos a família dele? Tem certeza que disse isso? Você, por caso, lembra-se que tem uma?

Beto nada responde. As moças, olhos arregalados, não se movem.

Dudu continuou: — Que o nosso pai nunca fique sabendo o que você fez com o Custódio. Ele vai morrer de vergonha, ter que olhar as pessoas, principalmente da nossa família, sem saber que tipo explicação lhe dar, pelo que você fez. Quando ao Custódio, ele nunca mais vai voltar.

Beto se coloca de pé — Custódio vai voltar sim! — aponta em direção à escada — Por aquela moça que está lá em cima. Por Raquel ele vai voltar, e duvido que não seja em breve.

Dudu — Você está maluco. Conheço Custódio ele jamais…

Beto – Você não conhece ele coisa nenhuma. Eu conheço Custódio e tenho certeza que ele vai voltar sim, por Raquel. Ele veio procurá-la depois do casamento, deixando a noiva sozinha, é por que… — sente tonturas, e segura a cabeça entre as mãos — Aí! Minha cabeça está doendo.

Estela se preocupa. — O que está sentindo, Beto?

Ele balança a cabeça – Já estou bem. Só foi um mal-estar.

Dudu – Isso é cachaça e noites mal dormidas.

Beto – É! Com certeza. Tive que levantar cedo e atender você. Mas escreve o que vou repetir. Custódio vai voltar por Raquel. E eu vou cumprir a minha palavra com ele. Vou mostrar a você, ao nosso pai, a nossa mãe, principalmente para o Custódio que todos estão enganados comigo. Você pode acreditar no que estou dizendo.

Dudu — A sua palavra não me vale mais nada, desde o dia em que eu soube que havia montado esta casa.

Beto bate no peito — Aqui dentro de mim. Bem no fundo da minha alma, tenho admiração e respeito pelo doutor, com o respeito e admiração que tenho pelo nosso pai. E sei, que ele vai sentir muita vergonha deste filho aqui, quando descobrir o que faço.

Dudu voltando ser o calma, de sempre — Se sabe disso, então porque montou essa casa, Beto?

Beto — Não sei! Senti vontade. Quem não sente vontade de fazer loucuras de vez enquanto?

Dudu aponta as moças — Loucura de mais, você explorar elas para ganhar dinheiro.

Beto — Não é de dinheiro! Todas elas sabem disso! A maioria delas moravam na rua. Outras, pobres coitadas, que não tinham o que comer dentro de casa, pode perguntar até mesmo para Raquel, para ver se estou mentindo.

Dudu — Se quisesse fazer caridade, abrisse um convento e não um prostíbulo. E você teria meu apoio. Do nosso pai, e de Custódio então, nem se fala.

Beto — Incrível como você e Custódio têm o mesmo pensamento. Parece que os dois nasceram para pisarem em cima de mim… O que fiz de errado a vocês dois? Você o filhinho perfeito, o paciencioso, o correto do papai e o Custódio o doutor que…

Dudu grita — Para, Beto, para! Não venha justificar sua safadeza em cima de nós. Você recebeu a mesma educação que eu e Custódio, que tem a profissão melhor que nós dois, porque o pai dele deixou heranças para que o filho estudasse. Mas a educação, a moral, o respeito, o amor pelas pessoas, não vem do dinheiro. Custódio aprendeu tudo isso, com o nosso pai. Que nunca fez diferença, entre nenhum dos filhos dele. Se existe diferença, ela está dentro de você, que sempre se sentiu inferior.

Beto — Isso não é verdade!

Dudu — Verdade, sim, senhor! Você, desde pequeno, sempre pensou diferente de todos da nossa família. Parou de estudar porque quis. Eu fiz o que achei correto, e não me arrependo de ficar ao lado do nosso pai. Mas você não, nunca levou nada a sério. Trabalhou na fábrica alguns anos, obrigado, eu tive que ensiná-lo tudo, não ser o que está fazendo agora.

Beto — Está certo! Reconheço que sempre pensei diferente de todos da nossa família. Mas, estou tentando mudar. Confesso que não está sendo nada fácil para mim.

Dudu — Claro que está sendo fácil pra você! Pelo difícil, você optou pelo mais fácil. Difícil é pra cada uma dessas moças que têm que sujeitar ir pra cama com qualquer tipo de homem, e você ficando com a melhor parte depois.

Beto — Você faria o quê se estivesse no meu lugar? Abriria uma fábrica de costura?

Dudu — Seria o correto. Assim não precisaria esconder do nosso pai o que faz.

Ameaça sair. Volta e acrescenta: — Ainda dá tempo de mudar Beto. E comece a mudança dentro de você. Escolha um caminho difícil. Nada é fácil a ninguém. Todos têm seus problemas, seja maior ou menor. A nossa família é um exemplo que você deveria seguir. Quantas desgraças já passaram, e será que nenhuma delas lhe comoveu?

Beto encara as moças. Dudu continua: — Procura se lembrar de todas as histórias que já ouviu. Comece pela tia Clara que está lá em casa. Que ela e nossa prima Glória Maria viveram, em relação ao pai e ao irmão? Pense no que aconteceu com o nosso avô Eduardo. E também no sofrimento do Custódio, quando perdeu o pai. E você está procurando o quê, agora? Trazer ao Custódio outro tipo de sofrimento! Guarde bem na sua memória o que vou lhe dizer.

Beto — Dudu, chega! Você já falou demais. — Vira para as moças — Os que estão fazendo aqui paradas? Não deveriam estar ouvindo a conversa do meu irmão.

Dudu — Não terminei ainda. Você é meu irmão de sangue, Beto. O mesmo espaço que você ocupou no ventre da nossa mãe eu também ocupei junto com você. O Custódio é meu irmão de coração, e se você fez, ou ainda fizer alguma coisa que possa prejudicá-lo, e não estou falando financeiramente. Estou falando da moral e respeito. Suas contas vai acertar é comigo.

Beto ri — Estou morrendo de medo. Olha como estou tremendo? Vai me matar?

Dudu — Não preciso chegar a esse nível.

Beto ri — Que bom! Fico aliviado.

Dudu ameaça sair e volta — Tem mais! Pela primeira vez vou mentir ao nosso pai. Vou dizer a ele que não sei do seu paradeiro, que desapareceu, foi embora como fez o Custódio. Então, faça o favor de não aparecer na nossa casa. Se fizer nossos pais sofrerem, eu convenço os dois e também nossas irmãos, e vamos embora daqui. Mudamos de cidade, de estado, de país se for preciso, e você nunca mais terá notícias. Vou fazer à mesma coisa que o nosso bisavô Roberto Lacerda fez com o nosso avô Eduardo. Não esqueça que o nosso bisavô fez isso injustamente com o filho, mas eu vou fazer de caso pensando. Se você tem mesmo admiração e respeito pelo nosso pai, não deixa isso acontecer. O recado foi dado! — e sai.

Beto fica pensativo, cabisbaixo, e relembra ele, garoto, falando, aos prantos (com 9 anos de idade, e em outra época) — Meu pai não podia ter feito isso! Não podia ter ir embora!

Estela coloca a mão nele. Beto se assusta.

Estela — Está tudo bem, Beto?

Beto olha as moças ainda ali, e grita — Vão procurar o que fazer. Vão arrumar a casa que está uma bagunçada. Ou, vão querer o quê? Que abro mesmo uma fábrica de costura e coloco todas para costurar?

Estela, muito alegre — Não seria má ideia? Sei costurar muito bem. Minha mãe me ensinou.

Mocinha — Beto, você não vai contar para Raquel que o doutor esteve aqui procurando ela, ontem?

Beto — Como você soube disso?

Mocinha — Você falou para o seu irmão, que acabou de sair.

Estela disfarça — Você está apaixonado pela Raquel?

Beto aponta o nariz dela — Isso não é da sua conta, garota! E se Raquel ficar sabendo que Custódio esteve aqui, e da proposta que fiz a ele. Vocês vão se dá muito mal. Há se vão! Vou mostrar quem vai ser o costureiro. Vou cortar a língua e depois costurar a boca. Estou falando sério! – e vai saindo

Estela ri — Melhor tomarmos cuidado, meninas. O doutor Custódio, um homem honesto, respeitado por dedicar a vida em salvar as pessoas, mostrou ter um lado assassino. O outro irmão paciencioso, calmo. Transmite energia tão boa quando fala, enfrentou a fera! Agora imagina se o demônio resolver descer do trono!

Beto bate palmas — Bravo! Bravo minha querida, Estela! Batem palmas comigo meninas! Estela entendeu perfeitamente o meu lado ruim. Então, tomem cuidado, comigo. Minha palavra aqui é lei! Vocês ouviram meu irmão Dudu dizer que herdei o sangue ruim do meu bisavô. Para que tenham ideia da frieza dele, mandou matar a nora, o pai dela e todos os escravos da fazenda onde minha mãe nasceu. Se hoje eu existo, foi graças ao meu avô Eduardo Lacerda, que chegou na fazenda, em tempo de evitar a matança. E sabem como ele conseguiu fazer isso? Matou, ele mesmo a própria esposa, por ciúmes de um soldado o qual a mulher dele se apaixonou.

As moças ficam boquiabertas.

Estela — Claro que isso é mentira. Você está inventando, não é Beto?

Beto — Claro que estou dizendo a verdade! Se meu avô Eduardo Lacerda que era um homem passivo, calmo, como meu irmão Dudu, matou por ciúmes, a mulher que ele tanto amava, acredito que a maldade é a bondade andam de mãos dadas. O homem ama. Mas também matar. Traz a paz, mas também pode fazer guerra. Eu sou assim. E têm muitos pior que a mim por aí! — e sai em direção à porta da frente.

Todas as meninas se entreolham tensas!

Estela em direção a escada — Vou voltar para cama.

Na rua, Beto para, esperando um carro passar na sua frente. A sombra do mau se coloca ao seu lado e sopra aos ouvidos dele: — Volte e fale com Raquel. Não deixe para depois o que pode ser feito agora.

Beto olha para traz e volta para a casa.

Estela, no quarto, senta na cama.

A sombra também sopra aos ouvidos dela. — Vá falar com Raquel. Diz pra ela que o doutor esteve aqui.

Estela fica pensativa, abre a porta do quarto de Raquel. — Posso entrar?

Raquel senta na cama — Não precisa pedir Estela.

Estela fecha a porta e se aproxima — Quero saber como foi o casamento doutor?

Raquel suspira fundo — Não fiquei na festa! Fui ver os meus pais.

Estela — Estou sabendo! Bom, o Beto voltou sozinho depois.

Raquel — O irmão dele já foi embora?

Estela — Sim! E o Beto saiu na rua.

Raquel — Pensei que ele ia vir falar comigo, pelo que aconteceu, ontem.

Estela — Pode esperar que ele vem falar com você.

Raquel — Ontem ele me pediu em casamento.

Beto ameaça abrir a porta do quarto de Raquel, mas se recua ouvindo a conversa.

Estela — Você teria coragem de se casar com ele?

Raquel — Eu já não tinha antes. Imagina agora, o irmão dele me acusando de ter chantageado o doutor Custódio.

Beto se aproxima melhor da porta, quando Estela pergunta: — E se o doutor voltasse a lhe procurar?

No quarto surge uma luz, onde aparece uma mulher e Ezequiel, também ouvindo a conversa.

Raquel explica — Eu me senti tão mal ontem no casamento dele. Uma sensação tão estranha, tanto que foi por isso que fui ver os meus pais. Chorei muito, e cheguei numa conclusão: Se eu continuar aqui vai ser pior. Tem uma voz, dentro de mim, repetindo cada segundo, que o doutor vem me procurar. E não quero estar aqui quando isso acontecer. Não quero ser a outra na vida dele. Muito mais ainda se um dia a esposa dele sofrer, descobrindo isso.

Estela — O que está pensando em fazer?

Raquel — Meu pai ficou sabendo que uma vizinha está indo de mudança para Goiás. Ontem à noite, fomos conversar com ela, que ficou viúva, com dois filhos pequenos e está voltando para a casa dos pais, que tem uma propriedade lá. Bom, tem espaço no caminhão e vamos com ela. Está tudo combinado. Eu vim falar com o Beto e me despedir. Eu falei de você. Se quiser ir junto, tem lugar.

Estela pensa, engole a saliva e fala — Raquel! O doutor veio… – e se cala.

Ezequiel faz um rápido sinal, e a mulher toma o corpo de Estela que sente um choque.

Beto morde os lábios se segurando para não entrar no quarto, prefere esperar a conversa prosseguir.

Raquel — O que tem o doutor, Estela?

A mulher na voz de Estela — Ele foi embora e não vai mais voltar.

Raquel – Melhor assim. Mas prefiro não arriscar. Vou falar com o Beto assim que ele voltar.

Estela sorri. Os olhos brilhavam — Beto quer se casar com você. Está apaixonado.

Raquel — Estela eu não…!

Estela — Não seja tola, Raquel! Quando Beto vier falar com você, o aceite na sua vida. Se ele lhe pediu em casamento é porque quer se casar com você…

Raquel – Estela, como vai ser eu me juntando com a família do Beto, ainda mais depois que…

Estela – Faça o que estou lhe pedindo. Aceite o pedido dele. Promete-me que vai fazer isso?

Raquel pensa, suspira. — Tudo bem.

Estela – Bom, agora vou dormir. E pense no que falei!

Beto rapidamente se afasta, entrando no quarto dele.

Estela para, antes de abrir a porta. — Coisa horrível que senti.

Raquel — O que foi?

Estela — De repente senti arrepios pelo corpo. Olha só como estou arrepiada.

Raquel — Credo, Estela! Ouvi muitas vezes as pessoas dizerem que quando arrepiamos assim, do nada, é porque a morte passou por perto.

Estela se benze fazendo o sinal da cruz. — Cruz credo, minha virgem Santa, eu quero viver e muito.

Beto, naquele instante, no quarto, fala com ele mesmo. — Estela! Estela! Você também é uma moça surpreendente.

Estela, senta ao lado da amiga — Raquel, o que a gente estava…

Beto abre a porta, fica surpreso vendo Estela ainda ali. — Pensei que tinha ido dormir, Estela!

Estela — Estava aqui batendo papo com a Raquel? Bom, até mais tarde, Raquel.

Beto fecha a porta e fala com Raquel — Deixa ver se adivinho. Você foi ontem para casa dos seus pais, e tinha que aparecer justamente na hora em que meu irmão Dudu estava aqui!

Raquel — Como eu ia adivinhar? Eram nove horas da manhã.

Beto — E porque você não veio para cá quando saiu da igreja ontem, já que saiu de lá?

Raquel — Precisei do colo deles. Isso nunca aconteceu com você? De precisar falar, desabafar com alguém.

Beto — Quando eu era criança sim! Mas sou bem barbado agora.

Raquel — E ter o pressentimento de que ás vezes, o que está acontecendo parece já ter acontecido antes. Ou, que pode ser um aviso que poderá acontecer!

Beto — Isso sim! É como se repetisse algo do mesmo jeito que está acontecendo naquele momento.

Raquel sorri — Exatamente isso! — olha ele por um instante.

Beto — Porque está me olhando assim?

Raquel — Como seria eu aceitar a sua proposta de casamento? Se foi mesmo sério o seu pedido.

Beto — Claro que foi!

Raquel — Meus pais dizem que a vida é feita de desafios. Que nada seria tão perfeito. Que se perde a graça quando não se tem nada a fazer. E eles têm razão! Quando estamos fazendo alguma coisa, as horas tem mais valor. Porque não vemos ela passar. Olhamos para o sol e falamos: Meu Deus, o sol está entrando, e ainda tem muito o que fazer. Era assim, a minha vida em Goiás. Quando cheguei em São Paulo tudo começou parar, e depois que vim para essa casa, meus dias passaram ser uma eternidade. Eu aceito me casar com você.

Beto ri — O que a fez mudar de ideia?

Raquel — Estela disse que você está mesmo gostando de mim. Então, pensando bem, prefiro ser esposa sua, que ser outra na vida de um homem. Ou voltar para Goiás.

Beto — Estela convenceu você ficar e se casar comigo. — senta ao lado dela. — Ir embora desta casa, eu não iria deixar.

Raquel — Como iria me impedir?

Beto — Amarrando-a nesta cama. Trancando a porta. Iria ser minha prisioneira. Mas, vejo que não preciso de tanto trabalho.

Raquel — Está brincando comigo?

Beto, toca o rosto dela com a palma da mão — Não! E casando comigo, como fica meu irmão Custódio se resolver aparecer, e querer levar o presente que dei a ele?

Raquel pensa e depois fala — Não vou mentir. O doutor mexeu muito comigo, mas eu não quero sofrer por amor. Tenho o pressentimento que ele vai me fazer sofrer!

Beto — Isso quer dizer que você jamais vai aceitá-lo como amante?

Raquel — Parece que você não acredita nas minhas palavras?

Beto — Palavra pra mim vale mais que um documento!

Raquel — A mim também! Serei esposa honesta, fiel a você, enquanto Deus permitir. Vou provar ao seu irmão Dudu que não sou uma chantagista, muito menos uma vadia.

Beto fica de pé. — Eu acredito nas suas palavras. E também posso ser bem diferente do que meus irmãos e meus pais pensam. Quero ser diferente! Quero ser igual a eles e já lhe falei isso! Abri meu coração com você. Falei coisas que jamais havia dito a outras pessoas. — Olha ela nos olhos e sussurra — Porque você mexe tanto assim comigo? — sorri — Você é mesmo capaz de enlouquecer um homem!

Raquel desliza o corpo se sentindo também atraída, dando a entender a ele que também o queria. Beto a olha profundamente aos olhos, vai beijá-la, mas as palavras dele, com Custódio, volta a memória.

Beto — Espere, doutor? Já que veio procurar Raquel, e parece transtornado por não encontrá-la, e por ela ser um presente que lhe dei, pode viajar sossegado com a tua mulher em lua de mel. Faz com ela uma boa viagem e quando voltar, quem sabe Raquel esteja aqui esperando pelo doutor. Se ela quiser é claro! Por que Raquel não nasceu pra essa vida, e não sei se ela aceite ser a outra.

Ele também lembra as palavras de Dudu

Dudu — Ainda dá tempo de mudar, Beto. E comece a mudança dentro de você. Escolha um caminho difícil. Nada é fácil a ninguém. Todos têm seus problemas, seja maior ou menor. A nossa família é um exemplo que você deveria seguir. Quantas desgraças já passaram, e será que nenhuma delas lhe comoveu?

Beto se afasta rapidamente — Melhor não, Raquel! Estou sem dinheiro para comprar uma casa. E para onde eu a levaria? Alugar uma casa nem pensar. O dinheiro não sobra, é muita conta para pagar. O que sobra estou guardando para devolver ao meu irmão. Custódio quem me emprestou dinheiro para comprar a casa. No entanto, enquanto eu não devolver a ele o que devo, ele é dono de tudo o que tenho! Então, vamos esperar um pouco mais para se casar?

Raquel — O que vou fazer aqui, então?

Beto — Nada! Exatamente nada! Vai continuar como antes. Pelo menos por um tempo. E tem um detalhe. Não quero que saia do quarto. Vai ter tudo que precisa aqui dentro.

Pega a chave e sai, trancando a porta.

Raquel corre até a mesma. — Beto? Beto? Não acredito, ele me trancou aqui dentro.

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