De janeiro a janeiro | Capítulo 02

Tít: “O Anônimo”
Autor: Francisco Neto
Classificação indicativa: +14

CENA 01: INTERNA — HOSPITAL. MANHÃ

FILIPA — Tem certeza disso Doutor?
DOUTOR SANTOS — Não podemos descartar essa possibilidade.
FILIPA — Desculpe, eu não acho que eu possa estar grávida.
DOUTOR SANTOS — Bem, então só você poderá tirar a dúvida…
FILIPA — Não entendi!
DOUTOR SANTOS — Quando foi a última vez que se envolveu em um ato sexual?
FILIPA — Algumas noites atrás…
DOUTOR SANTOS — Ai está!
FILIPA — Acho que terei um ataque.
DOUTOR SANTOS — Anime-se, e veja o lado positivo da coisa… você trará uma nova vida ao mundo.
FILIPA (Grita nervosa) — Não… eu não quero esse bebê, eu não preciso dele!
Filipa vai embora assustada e nervosa.

CENA 02: EXTERNA. PRAÇA DA CIDADE – BANCO DA PRAÇA. MANHÃ

ALESSANDRA — Vim o mais rápido possível.
Alessandra encontra Filipa aos prantos em um banco da praça e fica preocupada.
ALESSANDRA — O que aconteceu?
FILIPA — O pior! Eu… Eu tô grávida!
ALESSANDRA — Como? Se você mesma disse que não teve relações.
FILIPA — Era mentira!
ALESSANDRA (Surpresa) — Eu não acredito que você mentiu para mim.
FILIPA — Eu já transei com outros caras, e algumas noites atrás, tive relações com o Diego.
ALESSANDRA — Você teve relações com aquele cara? Eu já te disse que ele não presta, é um safado sem-vergonha!
FILIPA (Em prantos) — Eu sei! Eu o amo, eu sou capaz de tudo… eu sou capaz de tudo para vê-lo feliz. ALESSANDRA — E o que fará?
FILIPA — Ué! Direi a verdade. ALESSANDRA (GRITA) — Nada disso! Esse maluco pode lhe causar danos.
FILIPA — Mas a barriga crescerá, sabichona. Não posso esconder isso por tanto tempo, ele descobrirá.
Alessandra põe a mão sobre a testa e fica preocupada com a situação da amiga, que continuava aos prantos.
ALESSANDRA — Enxugue essas lágrimas, garota. O que está feito, está feito!

CENA 03: INTERNA. CASA DE PALOMA – QUARTO. MANHÃ.

Paloma retira uma foto de seus pais do criado mudo, uma vaga lembrança vem em sua mente.  Na lembrança: uma casa está em chamas. Paloma, que ainda era uma criança, está aos prantos implorando o retorno de sua mãe e seu pai, sua irmã Luciana a impede de se aproximar do fogo.

Paloma implora pela mãe e pelo pai, que estão dentro da casa em flamas.
PALOMA (Grita) — Mamãe! Papai!
MÃE DE PALOMA — Paloma!
PAI DE PALOMA — Filha, nos ajude!
PALOMA (Grita) — Mãe! Pai!
LUCIANA — (GRITA) Ajudem-nos, por favor!
O Fogo se espalha ainda mais pelo local, o corpo de bombeiros chega e apaga o incêndio. Paloma abraça a irmã aos prantos.
PALOMA — Sinto tanta falta de vocês… tudo poderia ser tão diferente hoje, se estivessem aqui.
Ela enxuga as lágrimas e guarda a foto da mãe ao ver a irmã Luciana entrando no quarto.

LUCIANA — O que houve?
PALOMA (Enxugando as lágrimas) — Não é nada! Só estou emotiva hoje.
LUCIANA — Estava pensando na mamãe?

PALOMA — Não! Você sabe que eu já superei tudo o que aconteceu.
LUCIANA — Então, porque está triste? PALOMA — Por nada! Eu já disse!
LUCIANA — Bom… sabe que pode contar comigo, não é? Juramos nunca mais nos preocuparmos com isso.
Paloma balança a cabeça em sinal de acordo. Luciana se afasta, Paloma deita na cama e começa a chorar novamente.

CENA 04: INTERNA. COLÉGIO ESTADUAL SANTA MARIA – CORREDOR/CANTINA. TARDE.

Felipe, Isabela e Paloma conversam sobre as mensagens misteriosas.
ISABELA — Descobriu o responsável pelas mensagens?
FELIPE — Não, mas tenho certeza que foi a filipa, essa garota quer me provocar.
PALOMA — Calma, pessoal! Não podemos acusar ninguém sem provas. Não a motivo para tanto alvoroço.
FELIPE — Não a motivo? Ela me expor ao ridículo diante de toda a escola?
ISABELA — Eu concordo! Precisamos averiguar isso, e com muita calma!
Paloma se afasta, Isabela e Felipe se surpreendem com a reação dela.

ISABELA — Ela não costuma agir dessa forma… vou ver o que aconteceu com ela.
FELIPE — Vai lá! Arranjarei provas contra a Filipa.
ISABELA (Sorrindo) — Boa sorte, sherlock!
Isabela decide ir até à cantina ver o que aconteceu com Paloma, ela encontra Paloma aos prantos sentada em um banco da cantina sendo consolada por Cristiano.

CRISTIANO — Novamente o mesmo sonho? PALOMA (Em prantos) — Sim! Eu não consigo suportar isso.
CRISTIANO (Consolando-a) — Calma, eu sei o quanto é difícil! Por isso… saiba que estarei sempre aqui.
PALOMA (Sorrindo) — Obrigada! Você sabe como me fazer sorrir.
Paloma beija a bochecha de Cristiano.
CRISTIANO (Envergonhado) — Porque você fez isso?
PALOMA — Considere como um gesto de amizade cris, nada mais!
Paloma se levanta e se afasta de Cristiano, ela esbarra com Isabela que espiava toda a situação.
PALOMA — Isa? Estava me espiando? ISABELA — Não! Estava indo ao banheiro.
PALOMA — Mas o banheiro não fica perto da cantina, você estava me espiando?ISABELA — É que eu… errei o caminho.
PALOMA (Desconfiada) — Hum!
Isabela se afasta da amiga, a câmera foca na cara emburrada de Paloma.

CENA 05: INTERNA. MANSÃO DOS CORRÊA – QUARTO DE CATARINA. NOITE.

CATARINA (Pensando) — Marcarei a consulta com o Doutor Rafael, não posso deixar Brenda nesse estado.
Catarina liga para o Psiquiatra Rafael.
CATARINA (Ao Telefone) — Doutor Rafael? Que prazer em falar com o senhor novamente!
RAFAEL (Ao Telefone) — Senhora catarina… que bom em poder falar com você! Aconteceu algo?
CATARINA — Quero marcar uma consulta para minha filha Brenda.
RAFAEL — O que houve com ela? Não me diga que voltou a ter alucinações?
CATARINA — Isso mesmo! Estou cada vez mais preocupada… não quero recorrer a uma internação.
RAFAEL — Isso não será necessário! Traga ela na próxima semana, está bem?
CATARINA — Obrigada! O difícil será convencê-la a ir também (Risos).
RAFAEL — Sua filha é uma boa garota. Ela compreenderá.
CATARINA — Deus lhe ouça Doutor.
Catarina desliga o telefone.

CENA 06: EXTERNA. MANSÃO DOS CORRÊA – JARDIM. NOITE.

Brenda está dando voltas pelo jardim, pensativa, com uma expressão meio emburrada e cabisbaixa, quando escuta aquela voz novamente.
VOZ — Você sabia que é perigoso andar sozinha a noite, Brenda?
BRENDA (GRITA) — Outra vez? O que você quer? Deixa-me em paz!
VOZ — Você não vai se livrar de mim tão fácil.
BRENDA — Me deixa! O que eu te fiz? Eu não sei quem é você… porque está me perseguindo?
VOZ — Logo você saberá a resposta.
BRENDA (Grita) — Já chega! Eu não gosto de joguinhos, saia daqui!
VOZ — É melhor você colaborar.
BRENDA (Grita) — Vai embora! Sai daqui!
A garota se agacha, põe as mãos sobre a cabeça e começa a gritar. Catarina ouve os gritos e corre para socorrê-la.
CATARINA (Assustada) — Filha, o que houve? Porque está gritando dessa forma? O que você tem?
BRENDA (Grita) — Me deixem em paz, todos vocês! Quero ficar sozinha.
CATARINA — Me conta, o que houve?
BRENDA (Grita) — Eu já disse que não houve nada!
BRENDA (Em prantos) — Me deixa em paz!
CATARINA — Está bem! Não vou incomodá-la mais.
Catarina se afasta da filha, Brenda continua a chorar no jardim. A Câmera foca no rosto dela.

CENA 07: INTERNA. COLÉGIO ESTADUAL SANTA MARIA – CORREDOR. TARDE.

Felipe esbarra em Alessandra.
ALESSANDRA — O que quer agora?
FELIPE — Quero saber quem escreveu aquelas mensagens anônimas, você deve estar envolvida nisso.
ALESSANDRA — Eu não sei de nada! Se me der licença, preciso ir pra sala.
FELIPE (Empurrando-a) — Só deixo você ir quando me disser a verdade… quem escreveu aquelas mensagens?
ALESSANDRA — Está bem! Já vi que você não desiste fácil, não é?
FELIPE — Uau! Temos uma vidente aqui.
ALESSANDRA (Irônica) — Que engraçado! Se você quer saber… porque não pergunta para a Filipa? Ela deve saber melhor do que eu, já que foi ela que escreveu as mensagens.
FELIPE — Filipa? Então foi ela?
ALESSANDRA (Sussurrando) — Shh! Silêncio! Agora que já sabe, me deixe em paz!
Alessandra se afasta, Felipe faz uma expressão emburrada e sai enfurecido.

CENA 08: INTERNA. MANSÃO DOS CORRÊA – COZINHA. TARDE.

O Carteiro Luís acaba de deixar uma correspondência na mansão e aproveita para visitar Marília, a sua amada.
LUÍS — Como vai a minha brigadeira?
MARÍLIA — Para! Os patrões podem ver.
LUÍS — É só um beijinho, só isso.
MARÍLIA (Sorrindo) — Tabom! Só um e mais nada, hein! Estou ocupada.
Marília e Luís dão um selinho.
LUÍS — Ahn… Com você eu vou até às nuvens, minha brigadeira.
MARÍLIA — Deixa de besteira homem e vá trabalhar! Tenho muito o que fazer.
LUÍS — Mas…
MARÍLIA — Mais nada Luís, saia daqui!
Marília pega uma vassoura e expulsa o carteiro da cozinha, que sai sorrindo.

CENA 09: INTERNA. COLÉGIO ESTADUAL SANTA MARIA – CORREDOR/DIRETORIA. TARDE.

Com Raiva, Felipe se aproxima de Filipa e derruba o celular dela.
FILIPA — Você tá ficando louco?
FELIPE — Cansei dos seus jogos, eu já sei que foi você a responsável pelas mensagens.
FILIPA — Pense o que quiser, isso não muda em nada… agora todo mundo sabe que você é bicha (Risos).
Felipe agarra Filipa, Arthur parte para cima de Felipe em defesa da garota.
ARTHUR — Você é covarde? Deixa a garota em paz! Seu playboy de merda.
FILIPA (GRITA) — Para com isso, Arthur! Deixa ele, para com isso!
Arthur empurra Felipe, ele joga Felipe no chão e começa a socar o rosto do colega, a Diretora escuta os gritos e se depara com a confusão no corredor.
DIRETORA — O que está acontecendo?
FILIPA — Diretora, eu posso explicar!
DIRETORA — Sem explicações, vocês pensam que estão no jardim de infância?
ARTHUR (Nervoso) — Esse covarde estava provocando a garota, mas já está avisado.
DIRETORA — Chega! Os dois baderneiros para a minha sala, agora mesmo.
Na Diretoria:
DIRETORA — Vocês não sentem vergonha? Agindo feito crianças… você Arthur, um aluno prestativo, nunca havia recebido queixas sobre você… e você Felipe, filho de pais influentes, se metendo em coisas desse tipo.
ARTHUR — Eu já disse! Ele partiu para cima da garota, eu tive que defendê-la.
DIRETORA (Virando-se para Felipe) — Porque você fez uma coisa dessas?
FELIPE — Eu descobri através da amiga dela, que ela foi a responsável pelas mensagens anônimas.
DIRETORA — Que mensagens?
ARTHUR (Sorrindo) — São mensagens em que acusam o playboyzinho de ser Gay.
DIRETORA — Mas que história é essa?Porque sou a última a saber?
FELIPE — A senhora é muito ocupada diretora… não quis preocupá-la.
Filipa escuta toda a conversa da janela e fica surpresa ao descobrir quem contou a verdade para Felipe.
FILIPA — Alessandra… você me traiu!

(FIM DO CAPÍTULO)

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