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       Último capítulo parte I 

Destinos Cruzados

Uma novela de

Ueliton abreu

Escrita por

Ueliton Abreu. Lili Alves. Felipe Abreu

Direção de núcleo 

Anderson Silva 

CENA 1/ PLANOS GERAIS/ EXT/ DIA/ NOITE 

Sonoplastia: Before You Go – Lewis Capaldi

Música. Eco. Planos gerais alternando noite e dia mostram a passagem de alguns dias. Corta/  

Letreiro: alguns dias depois… 

CENA 2/ APART PEDRO/ INT/ NOITE 

Pedro sofre a distância de Samuel. Ele se lembra dos momentos ao lado do rapaz. Está deitado no sofá. Abraça forte a almofada, como se fosse o próprio ali, em seus braços. Lagrimas escorrem em seu rosto. Nathália vê o sofrimento do irmão e se sente mal.

CENA 3/ APART HUGO/ INT/ NOITE

Samuel pensa em Pedro, Petra e Gabriel. É nítido seu desconforto ali, naquela sala, sentado no sofá, com a tv ligada no volume máximo. Hugo adentra a sala, com uma pizza em mãos e um refrigerante.

HUGO             — Trouxe nossa janta. (caminha até a mesa, onde deixa a pizza e o refri) Prometo levar-te a um restaurante assim que puder, mas, por ora, é isso: pizza. Vem. Coma. Quero você forte. Saudável. 

SAMUEL         — Come você. Estou sem fome! 

HUGO             — (autoritário) Levanta e come essa porcaria! Desculpa, meu amor. Perdão. Eu… não queria. Juro! Mas você tem que comer. É pro seu próprio bem.

SAMUEL         — Me assustaste. Nunca havia gritado comigo dessa maneira. Você está mudado, Hugo. Você não é mais aquele cara, meu amigo, que eu conheci.

HUGO             — Sou, sou sim. O mesmo, que te ama, que sempre te amou, e que preza muito por você. Eu amo-te. Mais que tudo nesta vida. Amo!

SAMUEL         — Que amor é esse, que você tem que ferir os meus amigos, as pessoas que me cercam? Isso é amar alguém? 

HUGO             — É. É sim. E eu só os feri, porque eles atrapalharam nosso romance. Queriam nos ver separados, entende? Longe um do outro, mas isso eu não admito. Ninguém vai estragar o nosso amor, nossa cumplicidade. Você é meu e eu sou seu, bebê.

SAMUEL        — Isso é obsessão! Não amor. Quem ama, não faz o que você fez, cara. É essa droga, não é? É ela que está acabando com você. Sai fora dessa enquanto é tempo, não deixe esse mal de corromper. Se trata. Procura uma clínica. Faz isso por mim.

HUGO             — Eu não preciso disso. E mais, eu estou lúcido, não usei mais, mas eu confesso, tenho vontade. Muita. Você não tem noção do quão ruim é sofrer de abstinência. Dói. É como se faltasse uma parte do teu corpo em você. Teu cérebro grita pedindo mais e mais da droga. É horrível. Estafante. E seu eu sofro de vicio, é por sua culpa.

SAMUEL         — Não. Eu não tenho nada a ver com isso. Você fez sua escolha, nem eu nem ninguém é capaz de induzir alguém a algo. Você só vai pra esse mundo se quiser. A escolha é sua. No mundo há dois caminhos: o bom e o ruim, e cabe somente a você escolher qual seguir. Você optou pelo caminho ruim, sombrio, escuro, sem luz alguma ao final do túnel. É por isso que está assim, nesse estado, de abstinência, se deteriorando por dentro, porque é isso que a droga faz, ela te corroe por dentro até ceifar sua vida. Só há uma solução pra isso: tratamento. Agora, a escolha é sua.

HUGO             — Ok. Posso até pensar nisso, mas não agora. Precisamos comer, antes que esfrie. Detesto pizza fria. Vambora.

Os dois vãos à mesa e passam a comer a pizza.

HUGO             —Tenho uma novidade! 

SAMUEL       — Fala.

HUGO             — Amanhã cedinho iremos dar um passeio de lancha.

SAMUEL         — Mas em são Paulo não tem praia.

HUGO             — Eu sei, meu lindo. Vamos pra Pernambuco. Já até comprei nossas passagens. Iremos conhecer o arquipélago de Fernando de Noronha! É um sitio paradisíaco. 

SAMUEL         — Eu sempre quis conhecer esse lugar… (sorri) 

HUGO             — Eu sei. Você já havia me dito uma vez, quando trabalhávamos juntos, lembra? Por isso que eu tive essa ideia, porque sabia que você iria curtir. Hum?

SAMUEL         — Tá. Que horas a gente sai? 

HUGO             — Hoje mesmo, daqui a algumas horas. Nosso voo está marcado para meia noite em ponto. Logo, se apresse precisamos fazer nossas mochilas. Levaremos só o essencial: escova, creme dental, protetor solar, sunga e uma roupa reserva.

SAMUEL        — Ok. Então eu vou lá, organizar minha mochila. 

HUGO             — Tá. Vou só terminar aqui eu vou lá fazer a minha.

Samuel segue rápido pro quarto. 

CENA 4/ APART HUGO/ QUARTO/ NOITE 

Samuel entra. Fecha a porta. Pega o celular e liga pra Nathi. 

SAMUEL       — (ao cel, baixinho) Nathi. Ouve-me. Eu e o Hugo estamos indo pra o Pernambuco hoje à noite. Meia noite. Vamos pra Fernando de Noronha. Só liguei pra te informar. 

NATHI            — (ao cel) OK. Como você está? Ele machucou-te? 

SAMUEL         — (ao cel) Não! Eu estou bem. Ele é louco, apaixonado por mim, é incapaz de tocar-me. Mas, também, eu não sei. Ele está mais agressivo, sabe. Às vezes, grita, mas depois se arrepende. É abstinência. Não tem mais usado, sabe, as drogas. Enfim. Tenho que desligar. Tchau. Ah. Diz pro Pedro que eu o amo. Amo vocês. Vai dar tudo certo. Logo, logo, estaremos juntos novamente. Beijos. (desliga) 

CENA 4/ APART PEDRO/ INT/ NOITE 

Pedro vem da cozinha com um copo de água em mãos. Vê a irmã com o celular em mãos, preocupada.

PEDRO           — O que houve?

NATHI             — O Samu, ele me ligou. Ele está bem. Está lá com aquele psicopata, mas está tudo bem. Mandou-te um beijo e disse que te ama.

PEDRO            — Mas ele só falou isso? Não acrescentou mais nada?

NATHI             — Acrescentou sim. Ele disse que eles estão viajando hoje, à meia noite, para Fernando de Noronha, no Pernambuco.

PEDRO            — A ilha que o Samuel sempre quis conhecer…

NATHI           — Pois é. Só que eu estou com um pressentimento ruim, sabe? (massageando o peito) Algo de muito terrível vai acontecer nesse lugar. 

PEDRO            — Eu preciso ir atrás deles. É isso. (convicto) Eu vou pra Fernando de Noronha. 

NATHI            — eu… eu também vou com você.

PEDRO            — Não! Você vai ficar aqui, cuidando da Petra e do Gabriel. Eu vou levar o Mario comigo, mais alguns agentes. Eu vou prender esse Hugo maldito. 

NATHI             — Ok. Mas, por favor, me mantém a par de tudo que se passar por lá. Vou estar sempre com o celular por perto.

PEDRO           — Pode deixar. Eu já vou indo. (sai) 

NATHI             — Que Deus abençoe. E que nada de ruim os aconteça. Amém! 

Sonoplastia: toca o celular de Nathi 

NATHI             — Oi, amor. Vem pra cá. Estou a precisar de ti. Muito. Ok. Aguardo-te. Beijo. (desliga) 

CENA 5/ DELEGACIA/ SALA DELEGADO/ INT/ NOITE 

Pedro e Leonardo. 

LEONARDO   — Eu não poderei ir, mas leve o Mario. O agente Silveira e mais alguns outros agentes. Estão liberados!

PEDRO            — Valeu. Cara. Preciso ir. Até mais.

LEONARDO   — Até. E boa sorte na captura desse calhorda!

PEDRO           — Valeu. 

CENA 6/ DELEGACIA/ SALÃO/ INT/ NOITE 

Pedro vindo da sala do delegado. Mario vai até ele. 

MARIO            — E aí?

PEDRO           — Tudo certo. Atenção! Mario, Carlos, e mais João e Radu. Missão pra gente. Capturar o fugitivo: Hugo. Vamos agora mesmo para Fernando de Noronha, no Pernambuco. Um jatinho particular foi fretado para a operação. Ao chegarmos, iremos estar à paisana, disfarçados, como turistas, visitantes do local. Ok? Pra não levantar muita bandeira.

MARIO            — Tudo certo. Patrão! Amanhã mesmo a gente pega esse fujão.

PEDRO            — O que eu mais quero, prendê-lo.

CARLOS         — Bom. Então, vamos, né? Partiu Fernando de Noronha!

PEDRO            — Bora. O jatinho está num hangar aqui perto. Uma hora de carro até lá. É nós, galera. Sorte. Que possamos concluir nossa tarefa.

MARIO            — Vai dar certo. Confia.

CARLOS         — É isso aí.

CENA 7/ AEROPORTO DE SÃO PAULO/ PISTA/ EXT/ NOITE 

Avião levantando voo na pista do aeroporto. 

CENA 8/ STOCK-SHOTS/ RECIFE – PE/ EXT/ DIA

Amanhecer + alguns clipes da cidade pernambucana. 

CENA 9/ AEROPOTO DO RECIFE/ PISTA/ EXT/ DIA

O avião desce no aeroporto internacional dos Guararapes. 

CENA 10/ AEROPORTO/ LANCHONETE/ INT/ DIA 

Hugo e Samuel à mesa, lanchando. 

HUGO             — Vamos. Que agora, nós temos que pegar uma embarcação.

SAMUEL        — Pronto. Vamos. Aqui é bem legal. Gostei.

HUGO             — Que bom! 

E seguem conversando rumo à saída do aeroporto.  

SAMUEL         — Demora muito até chegarmos lá? 

HUGO             — Um bocado. Vamos rodar uns 545 km até lá.

SAMUEL        — Ou. Tudo isso? 

HUGO             — Sim! Vai ser legal. Aliás, iremos de lancha.

SAMUEL         — Ok.

HUGO             — Vamos. Pegar um táxi e seguir para um píer mais próximo da aqui.

CENA 11/ AEROPORTO DOS GUARARAPES/ FRENTE/ EXT/ DIA

Hugo e Samuel já entrando num táxi que segue viagem

CENA 12/ PÍER/ EXT/ DIA 

Hugo e Samuel já na lancha rumo à ilha. Tempo. 

CENA 13/ PÍER FERNANDO DE NORONHA/ EXT/ DIA 

Samuel e Hugo passeando pelo píer 

SAMUEL        — Como é lindo esse lugar. Um paraíso.

HUGO             — É. Incrível. Vamos. Temos que ir até a pousada que aluguei pra gente.

SAMUEL         — A que você me falou? O Noronha 350.

HUGO              — Essa mesma. Uma das melhores que encontrei num site. Vamos?

CENA 14/ POUSADA/ EXT/ DIA 

Eles se deslocam até a pousada: o Noronha 350. Que dispõe de jardim e um terraço. Situada a 4,2 km do porto de santo Antônio. Eles chegam ao local, são bem recebidos pela recepcionista que entrega as chaves pra Hugo. Eles adentram a pousada. 

CENA 15. POUSADA. QUARTO. INT. DIA 

Temos um quarto privativo, com uma varanda, que dá vista a bela paisagem de mata e o mar ao fundo. Tudo bem decorado. Bancos, mesas, cadeiras tudo feito de madeira rústica. O quarto todo branco. Cama box. Ar condicionado. Tv. Banheiros. Samuel fica maravilhado pelo local.

SAMUEL        — Isso aqui deve ser tudo caro, não?

HUGO             — Não muito! Mas, esquece isso, viemos nos divertir, não foi? Então. Vamos curtir. Lindo. 

SAMUEL         — Na verdade. Eu quero só tomar um banho e descansar da viagem. Pode ser?

HUGO             — Claro, meu amor. Descanse.

SAMUEL        — Obrigado. Vou lá tomar uma ducha.

CENA 16. POUSADA. RECEPÇÃO. INT. DIA 

Pedro, Mario e Carlos chegam ao local. Fazem reserva de quartos. Apenas dois estão disponíveis, logo, terão que dividir.

PEDRO           — Divisão fica como? 

MARIO            — Sei lá, mano. 

CARLOS         — Eu e o Mario ficamos num quarto e vocês três no outro.

PEDRO            — Querem ficar sozinhos, os dois, né? Saquei!… 

João e Radu riem.

MARIO            — Nada a ver, mano. Eu não sou… Gay!

CARLOS         — Nem eu, se te serve de consolo. 

PEDRO            — Está de boa assim. Eu fico no quarto com o João e o Radu. Foi só uma brincadeira, rapazes. Relaxem. Estou a ser sacana.

MARIO            — Brincadeira sem graça! Vou pro quarto e depois venho comer alguma coisa. 

Mario sai andando. 

CARLOS         — Falou aí. 

E vai atrás de Mario. Pedro e os outros também partem pros seus quartos. 

CENA 17. DELEGACIA. CELA. INT. DIA 

Alan sentado no chão sujo da sela onde é mantido preso, chora, está triste por estar onde está, mas ao mesmo tempo conformado e ciente de quem tem que pagar por seus crimes. Leonardo surge nas grades.

LEONARDO   — Oi. Trouxe um lanche.

ALAN              — Obrigado. Estou sem fome.

LEONARDO   — Por favor. Come. Eu não quero te ver desconvalecido!

Alan limpa suas lágrimas, se levanta, vai até ele e pega um sanduíche e um suco de laranja.

ALAN              — Obrigado. 

LEONARDO    — Seu advogado está recorrendo a um habeas corpus. Se tudo der certo, você responderá em liberdade, até o dia do seu julgamento. 

ALAN              — Acho difícil um juiz conceder um habeas corpus pro meu caso! Eu sei que é pesado os meus crimes. Eu vou responder todos. A única coisa que não me arrependo é de ter matado aquela cretina. Ela teve o final merecido.

LEONARDO    — Mas nada é impossível. Confia. Que vai dar tudo certo. Bom, tenho que voltar pra minha sala. Coma tudo. Amo-te!

ALAN              — Eu também. Vai lá.

CENA 18. POUSADA. RESTAURANTE. INT. NOITE

Hugo e Samuel chegam ao restaurante da pousada, que se situa no 3º andar da pousada, com uma vista magnífica do mar, que reflete a luz da lua e algumas rochas e floresta. O ambiente é bem ventilado e tranquilo. Mesas e cadeiras de madeira rústica. Uma enorme tv que transmite alguns filmes. Há outras pessoas no local. Um Maître logo os recebe e os acomoda no local.

MAÎTRE          — Boa noite! Sejam bem-vindos. Queiram acompanhar-me, faz favor! 

HUGO             — Claro. Vem, amor! 

MAÎTRE          — Sugiro esta mesa, onde vocês possam usufruir dessa vista magnífica da ilha.

SAMUEL        — Tá ótimo. Obrigado.

HUGO             — Vamos ficar.

Hugo e Samuel já sentando à mesa.

MAÎTRE          — Aqui o Menu! (entrega aos dois o cardápio) Qualquer coisa é só chamar! Com licença. (sai) 

HUGO             — Toda! Já Sabe o que vai pedir, meu amor?

SAMUEL         — Ainda não! Estou analisando aqui…

Numa outra mesa, próximo a deles estão: Radu e João, que fingem ser um casal. Ouvem quase tudo o que eles falam. Passam informações a Pedro por mensagens.

SAMUEL         — Vou querer esse peixe enrolado na folha de bananeira com uma porção de baião. Aqui servem baião, não servem? 

GARÇOM        — Sim. Sim. Temos sim. E o senhor o que vai pedir? 

HUGO             — O mesmo que ele. Peixe e baião. Obrigado.

GARÇOM        — Anotado o pedido. Com licença. 

HUGO             — Meu lindo, amanhã a gente vai dar aquele passeio de lancha, tá? Prometi e vou cumprir. Cedinho é até melhor.

SAMUEL         — Ok. Eu vou ao banheiro, tá? Já volto.

HUGO             — Tá vai lá.

CENA 18. RESTAURANTE. WC MASCULINO. INT. NOITE

Samuel entrando. Dá de cara com Pedro que o puxa para um beijo. 

PEDRO           — Que saudade, meu amor. Como você está? Aquele calhorda machucou-te? 

SAMUEL         — Estou bem! Vai ficar tudo bem.

PEDRO            — Minha vontade é de agora mesmo e quebrar a cara daquele verme! A gente está aqui, eu e mais alguns agentes. Viemos garantir que esse inútil não tente nada contra você. Nada. 

SAMUEL        — Ele não vai… ele me ama, obcecadamente. Ele só está perturbado. A droga que está causando isso nele. Abstinência.

PEDRO           — Dele eu não duvido de nada! Ele já provou que é capaz de tudo, meu amor. Como você pode ter essa confiança toda, hein? Fala-me. 

SAMUEL         — Vai ficar tudo bem. Isso tudo vai ter um fim amanhã. Relaxa. Agora eu preciso voltar, senão ele vai desconfiar. (se vira pra sair…) 

PEDRO           — Espera! O que você quer dizer com isso: “Isso vai ter um fim amanhã”? 

SAMUEL         — Confia em mim. 

PEDRO            — Eu confio. Muito. Vai lá.

Samuel vai até ele e o dá o último beijo, e sai logo depois.

CENA 19. RESTAURANTE. INT. NOITE 

Samuel vem do banheiro.  

HUGO             — Demorou! A comida já chegou e já estava a esfriar… (o acompanha com os olhos até ele chegar, puxar a cadeira e se sentar) 

SAMUEL         — Desculpa, é que o banheiro estava lotado. (inventa, sentando-se na cadeira) Vamos comer?

HUGO           — Claro. (desconfiado) 

CENA 20. POUSADA. QUARTO. INT. NOITE 

Mario arruma uns panos no chão, improvisando uma cama pra dormir. Vai até a cama, pega um travesseiro pra si. Carlos adentra o quarto. Para e o observa de braços cruzados.

CARLOS         — Cara, essa cama é enorme, cabe perfeitamente eu você nela. Pra quê isso? Hum?

MARIO           — Gosto de dormir no chão…

CARLOS         — Sei… para de frescura.

Agacha-se pega todos os lençóis e travesseiro e os põe de volta sobre a cama.

MARIO            — Tá. Eu vou dormir na cama!

CARLOS         — Sensato de sua parte ter tido essa atitude. Parece até que tem medo de mim. (se despindo) 

MARIO            — Eu? Medo de ti? (ri) Não! 

E Carlos começa a se despir ali diante de Mario, que reage. 

MARIO           — Esperaí! O que você está fazendo? 

CARLOS         — Me despindo. Não tá vendo? Costumo dormir apenas de cueca. Vem cá, Mario, me responde algo: Você me acha atraente? 

MARIO            — Hã? Vai se foder, mano! Que pergunta mais idiota. Eu, hein! 

CARLOS         — Cara, de boa, relaxa. Só estamos eu e você aqui. Hum? Responde minha pergunta! 

Carlos vai andando em sua direção, e Mario dá passos pra trás. É encurralado numa parede. Carlos apoiado com sua mão na parede.

MARIO            — (assustado) O que é isso, cara? 

CARLOS         — (sugere maliciosamente) Vamos bater uma?

MARIO            — Você está louco? Pirou? Olha só, eu não sou gay! 

CARLOS         — Eu também não sou. Relaxa. Só na amizade… Hum?

Nisso, Carlos com sua mão massageia o abdômen de Mario, que está sem blusa, desce e a enfia dentro de suas calças. O masturba. Carlos reluta, mas acaba por se deixar levar pelo momento.

MARIO            — Para… (geme) Ahhh.

CARLOS         — Curte, mano. Só curte. 

Carlos baixa sua cueca, pega a mão de Mario a leva até seu pau e o induz a masturbá-lo também. Em seguida o rouba um beijo. Os dois ficam ali, se masturbando, por um bom momento. Minutos depois, quase que juntos, ejaculam. Os dois suados. Gemido dos dois é ecoado no quarto.

MARIO            — Isso que acabou de acontecer… não pode se repetir. E se tu explanares pra alguém eu quebro-te na pancada! 

CARLOS         — Relaxa! Isso é coisa de amigo, brother. Irmandade! Fica tranquilo, será um segredo só nosso! Vou lá me lavar. 

Mario se senta à beira da cama, com as mãos na cabeça, pensa no que acabara de fazer, se mostra preocupado e um pouco arrependido.

CENA 21. RESTAURANTE. INT. NOITE 

Hugo percebe Radu e João na outra mesa… E se mostra preocupado, intrigado se atem a ficar de olho nos dois e observando tudo: gestos, olhadas, falas, talvez. Rapidamente percebe que eles estão os vigiando.

HUGO             — Precisamos voltar pro quarto! 

SAMUEL        — Não vais terminar? 

HUGO             — Não! Agora vamos. Garçom, a conta, faz favor?

O garçom logo vem até os dois, com a conta em mãos.

GARÇOM        — Olá. Sim, a conta. Aqui está. 

HUGO             — Ótimo. (pega sua carteira, retira a grana) Pode ficar com o troco. 

GARÇOM        — Obrigado. Tenham uma excelente noite. Com licença. 

SAMUEL        — Igualmente.

Hugo e Samuel seguem para o quarto. Radu e João os veem entrar no quarto.

CENA 21. POUSADA. QUARTA. INT. NOITE 

Hugo pega sua mochila, vai ao banheiro, tranca a porta. Retira um revólver de dentro da mochila e o coloca dentro das calças. Está sério e enraivecido, pois percebeu que está sendo monitorado por PMS à paisana. Fecha sua bolsa rapidamente. Liga a torneira da pia, lava seu rosto, se observa no espelho.

HUGO             —Esses filhos da puta não vão me pegar. Não vão! Antes disso, elimino todos.

Nisso, ele sai do banheiro. 

SAMUEL         — Vai sair?

HUGO             — Vou. Vou sim. Esqueci meu celular na mesa do restaurante. Vou lá, tá, já estou de volta. Fica bem. 

Hugo tranca a porta por fora certificando-se de que ninguém entrará ali… Ele sai andando nos corredores da pousada… 

CENA 22. POUSADA. FRENTE. EXT. DIA 

Hugo sai da pousada. Olha pro lado e vê Radu a conversar com João próximos a uma pedraria que ali há na praia. Sorrateiramente, ele dá alguns passos, se esconde atrás de alguns galhos de árvore. Saca seu revólver e mira contra os dois… Especificamente quem fica na sua mira, é Radu, que, por sua vez, está de costas. Hugo atira e acerta em cheio as costas do agente policial, que com o impacto: se joga pra frente, caindo de joelhos ao chão… João fica em alerta. Saca a sua arma e busca a direção de onde possa ter vindo o disparo, porém não obtém êxito uma vez que está tudo escuro. Hugo atira mais duas vezes, porém não acerta ninguém. João revida os tiros… 

CENA 23. POUSADA. QUARTO. INT. NOITE 

Abre em Samuel que ouve os disparos

CENA 24. POUSADA. QUARTO 2. INT. NOITE 

Pedro em estado de alerta ao ouvir os disparos

CENA 25. POUSADA. FRENTE. EXT. NOITE 

Hugo nota que sua munição está quase por acabar e foge dali, sem que ninguém o veja. Volta pro seu quarto.

João guarda sua arma, vem até Radu, que está escorado numa pedra, o apoia em seu ombro e o conduz pra pousada.

JOÃO              — Por favor! Ajudem-me! Liguem à emergência.

RECEP            — Claro. Claro. Só um instante. 

RADU              — Mano, está doendo pra caralho. 

JOÃO               — Vai ficar tudo bem. 

Pedro adentra a recepção e se preocupa ao ver o colega ferido.

PEDRO            — O que houve? Já ligaram ao 192? 

RECEP            — Eles já estão a caminho, senhores. 

PEDRO            — Como isso foi acontecer, João? 

JOÃO               — Estávamos eu e ele a conversar ali, na praia, numa pedraria quando, de repente, Radu fora baleado nas costas. Não consegui ver de onde vieram os disparos, porque está escuro lá fora. Apenas revidei os tiros sem saber de onde vinham.

Uma ambulância chega ao local e Radu é levado pra um hospital.

CENA 26. POUSADA. QUARTO. INT. NOITE 

Hugo adentrando o quarto…

SAMUEL        — Ouvi tiros. Você está bem? 

HUGO             — Também ouvi, por isso que voltei correndo pra cá. Tá tudo bem com você?

SAMUEL         — Sim, sim.

HUGO             — Ótimo. Melhor irmos dormir.

CENA 27. PLANOS GERAIS. RECIFE. EXT. NOITE. DIA

Carlos abrindo a porta para Pedro 

CARLOS         — Bom dia. O que houve? Achei que fosse derrubar a porta. 

PEDRO            — Bom dia. Radu ontem à noite foi baleado! 

CARLOS         — Como foi isso, cara? Entra. Entra.

Pedro adentra, Carlos fecha a porta.

MARIO           — E aí, mano. Bom dia. 

CARLOS         — O Radu foi almejado ontem, Mario. Alguém atirou contra nosso colega. 

MARIO            — Caraça! Está na cara, né, gente. O Hugo, com certeza, ele já sacou que estamos em sua cola. Foi ele. 

PEDRO            — Pior que eu tenho essa mesma hipótese.

CARLOS         — E agora, o que fazemos?

PEDRO.           — Ontem o Radu e João ficaram próximos a eles no restaurante e acabaram ouvindo que eles vão andar de lancha agora pela manhã.

MARIO            — Ele vai tentar fugir…

CARLOS       — É. É verdade. Você tem razão. Se realmente ele sacou que estamos aqui, com certeza ele vai fugir… Ele já viu que aqui não dá mais pra ficar. Eu… Eu vou à recepção me informar se eles ainda estão na pousada. Qualquer coisa vos informo por mensagem. Ok?

PEDRO            — Ok.

Nisso, Carlos sai e segue até a recepção.

CENA 28. POUSADA. RECEPÇÃO. INT. DIA 

Carlos e a Recepcionista.  

CARLOS         — Olá. Bom dia. Sabe informar se um tal de Hugo e o Samuel, seu namorado, já saíram da pousada? 

RECEP            — Então, eu não posso dar nenhuma informação de nossos clientes. Sinto muito. São normas da pousada.

CARLOS         — Sou policial. (mostra seu distintivo) Exijo que me forneça tais informações. Esse cara, Samuel, que está com ele: fora sequestrado.

RECEP            — Meu Deus. Ok. Eles saíram cedo rumo ao porto. Desfizeram a hospedagem, aqui não voltam mais.

CARLOS         — Obrigado.

RECEP            — Nada...

Ele pega seu telemovel e envia uma mensagem a Pedro que logo adentra a recepção acompanhado por Mario.

PEDRO            — Temos que seguir imediatamente pro porto.

MARIO.           — Claro. Claro. Agora mesmo!

CARLOS       — Podem ir andando. Vou acertar aqui a conta. 

PEDRO            — Ok. A gente se encontra lá no píer. Certo? 

CARLOS         — Combinado. Aproveita e informa ao João e o Radu.

MARIO           — A gente avisa sim, pode deixar! 

Pedro e Mario saem. Carlos acerta a conta com o recepcionista.

CENA 29. LANCHA. EXT. DIA 

Samuel aproveita ao máximo a lancha, observa todo o local de pé, de braços abertos, deixando a brisa dos ventos baterem em seu rosto. Nota os olhares de Hugo sobre seu corpo...

SAMUEL         — Você quer alguma coisa? 

HUGO           — Você! 

Nisso, Samuel deita-se na parte frontal da lancha e toma um sol. Hugo o observa, do comando, enquanto guia a embarcação. Samuel está apenas de sunga, deitado de bruços sobre uma toalha. Passa um bom tempo assim. 

Corta descontínuo: Pedro e Mario chegam ao porto e veem distante no mar a lancha de Hugo. Ficam ali, de mãos atadas, sem poder fazer nada.

PEDRO            — Droga! 

MARIO            — Calma. Precisamos agora acionar a guarda costeira.

PEDRO            — Faz isso pra mim. Por favor. Obrigado. 

Carlos se aproxima. Toca em seu ombro já falando:

CARLOS         — Ei. Vai dar tudo certo. Fica calmo.

CENA 30. LANCHA. EXT. DIA 

Hugo para a lancha, pega uma garrafa de champanhe, segue até onde Samuel está. Caminha, passa pela casaria da embarcação, até a frente da lancha.

SAMUEL         — Que é isso? 

HUGO             — Vamos brindar. Ao nosso amor!

Ele abre a garrafa e serve o champanhe nas taças. Eles brindam. Samuel está muito apático, na dele.

HUGO             — Lindo não é, esse lugar? (contemplando a bela vista do mar e ilha) 

Samuel de pé a sua frente, de costas, com sua mochila em mãos, retira de dentro um revólver. Se vira, voltando-se a Hugo sorrateiramente. Aponta na direção do mesmo; o surpreendendo.

HUGO             — Que isso? Onde você conseguiu essa arma? Largue-a! 

SAMUEL         — Acabou! Chega. Fim da linha! Chega de maldades, Hugo. 

Suas mãos tremem.

HUGO             — Baixa isso, vai! (retira seus óculos de sol) Você não tem coragem... Tu não vais fazer isto...

SAMUEL        — Eu vou matar-te!

HUGO             — ... porque amo-te e tu me amas. Samuel. Baixa essa arma!

SAMUEL        — Não!

HUGO             — Vais matar-me? Então, mata-me! – se aproxima. — Atira! (à sua frente bem próximo fazendo com que a arma encoste-se em seu peito) 

HUGO             — Atire assim de perto, que é pra não ter erros... Não tens coragem, pois não? É porque tu me amas... E sabe que este é o nosso final. Vamos ser felizes juntos. Meu amor.

Nisso, já bem próximo de Samuel, Hugo o beija na boca, após vai ao seu pescoço. É nítida a expressão de nojo no rosto do rapaz, que se debate. Hugo com bastante agilidade; consegue desarmá-lo e joga a arma ao mar. Samuel, irado, o empurra.

SAMUEL         — Sai. Fica longe... (ofega)

HUGO             — Entenda uma coisa, meu lindo: eu e você, nós vamos ficar juntos até a morte! 

SAMUEL        — Tá. Eu amo-te. Desculpa-me. Não devias ter feito isso. Eu sei, tu és o melhor pra mim. (faz o apaixonado) 

Aproxima-se, o beija... chuta as partes intimas de Hugo.

HUGO             — Au! (segura suas partes)

SAMUEL         — Nunca mais tu vais fazer mal a mim, e nem a ninguém que eu amo, estás a ouvir? Seu verme! (o empurra com bastante força e fúria)

Hugo cai, bate sua cabeça com bastante força no guarda mancebo. – Espécie de grade envolta a lancha. – já desacordado, pois o impacto da batida fora muito forte. Sangue escorre de seu nariz, boca e ouvido. E claro, na parte de trás da cabeça onde fora cortado. Samuel o observa parado: sério. Frio e estático. Ele vê a arma dentro de sua calça, agacha-se, pega o revólver. Mira contra ele.

SAMUEL         — Acabou! 

Dispara três tiros contra o peito de Hugo, que se debate no chão da embarcação. Samuel solta arma no chão. Agacha-se novamente, empurra-o, o fazendo cair dentro do mar e afundando em seguida.

Ainda atônico. Observa o mar. Sai de seu transe rapidamente. Pega sua mochila. Retira um pano e álcool... passa a limpar todo o sangue que ali ficara no chão da embarcação... esfrega todo o chão com o pano umedecido com álcool e com água do mar... Com um isqueiro, ateia fogo no pano e joga as cinzas ao mar... a arma ele atira contra o mar... nenhum resquício de sangue é deixado ali. Termina tudo bastante suado e cansado, ele ofega. Joga-se deitado ao chão. A guarda costeira chega até a lancha. Ele é levado até o porto... chegam já anoitecendo... 

PEDRO           — Meu amor! 

Samuel frio, sem olhá-lo nos olhos, mente:

SAMUEL         — Ele escorregou, bateu a cabeça no guarda mancebo e caiu no mar. Eu tentei salva-lo, mas não deu. Afundou que nem um aço... morreu! 


FIM DE CAPÍTULO.


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