Estação medicina

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Capítulo 18

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ESTAÇÃO MEDICINA

CAPÍTULO 18

Amor Travesti

 

 

FADE IN

 

CENA 01/SÃO PAULO/TATUAPÉ/BAR DO ESTETO/EXTERIOR/NOITE

Rita abre a porta do carro, indo em direção a Goram.

RITA – GORAM! O que você está fazendo aí? Quase te atropelei.

Goram bêbado balbuciava.

GORAM – Égua! Quero farrear, Mboe’hára. Curtir a merda dessa vida. Ihuuuu!

RITA – Vai querer curtir no meio da rua?

Ela o levanta, mesmo ele se recusando e o arrasta para o carro, colocando-o no banco do carona, depois entra no banco de motorista e coloca o cinto nele, ele tenta sair, mas ela o impede rapidamente. Depois ela entra e bate a porta.

GORAM – Deixe Goram ficar Pau d’agua. Me deixe ir!

RITA – Você não está em condições de ficar sozinho, olha seu estado. Vou te levar para casa, dar um banho de água gelada.

Ela liga o motor e parte o carro.

CENA 02/SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DE CAROL/COZINHA NOITE

Fabiana se levanta indignada.

FABIANA – Mas isso é um absurdo! Quem essa mulher pensa que é? Ela acha que é sua proprietária e você sua escrava?

Carolina/Cacau a olha em lágrimas.

FABIANA – Desgraçada! Mãe, você não pode deixar essa mulher fazer isso com você? Isso é tortura, dá cadeia.

CAROL – Ai, filha, o mundo não funciona assim. Ela tem bons advogados, dificilmente irá para cadeia.

FABIANA – Mas isso está errado! Não podemos aceitar isso! Daqui a pouco ela vai estar servindo merda para você comer e você vai aceitar?

CAROL – Você não lembra daquele caso da empregada que deixou o filho com a patroa lá no Recife, enquanto passeava com os cachorros dela e quando voltou o menino despencou de não sei quantos andares, porque ela o abandonou no elevador. Essa mulher não foi presa, você se lembra de toda mobilização da mãe?

FABIANA – Lembro sim, revoltante, mas isso não pode ser regra, você precisa se impor, dizer a ela que não vai fazer certos serviços que ela peça. Você tem pânico de ratos, mãe e você já tá de idade, não pode se sujeitar a isso.

CAROL – Se eu peitar a dona Úrsula, ela me manda para o olho da rua.

FABIANA – Ah, mãe, temos recursos, vou procurar um advogado trabalhista, não é assim não, esse jogo pode inverter e ela te pagar uma indenização por danos morais muito alta.

CORTAR PARA:

CENA 03/SÃO PAULO/TATUAPÉ/BAR DO ESTETO/INTERIOR/NOITE

Eliane e Guto tomam Heineken no balcão.

ELIANE – Você é muito bonito, sabia?

GUTO – Ah, gatinha, valeu. Você é um filezinho.  

Eliane ri.

GUTO – Que foi?

ELIANE – Nunca alguém me chamou de filezinho.

GUTO – Que mancada, mano. Enganaram você então.

ELIANE – Se você tá dizendo…é uma verdade.

Guto ri.

GUTO – Pode apostar.

ELIANE – Mas um homem assim merece ter uma parceira ao seu lado para cuidar dele.

GUTO – Ah, gatinha, mas eu já tenho.

Eliane esboçou um leve mal estar.

GUTO – É uma garota da nossa sala, ela é uma linda princesa, meio arredia, mas que eu quero para o resto da minha vida.

Eliane encheu seus olhos de lágrimas.

ELIANE – Com licença, eu vou ao banheiro.

GUTO – Claro.

Ele nem percebeu o estado da jovem.

BANHEIRO

Sofrimento. Eliane chora desesperadamente.

CORTAR PARA:                         

CENA 04/SÃO PAULO/TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/QUARTO 12/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

SUZY – Conta essa história direito, bicho.

Heloísa questiona novamente o irmão.

HELOÍSA – Como assim? Goram te espiona? Você tem certeza?

Bernardo hesita um instante. Pega o celular. Resolve mentir.

BERNARDO – Ah, olhando melhor essa foto, não é ele. Acho que me confundi, mas me lembra um pouco, por conta de alguns traços, o nariz talvez.

SUZY – Ufa! Por que essa história estava muito incoerente!

HELOÍSA – Que susto, maninho. Goram jamais faria isso com alguém, ele é um amor de pessoa.

Bernardo finge concordar com a cabeça.

HELOÍSA – Mas você está sendo perseguido por alguém irmão?

BERNARDO – Sim, é um homem que sempre aparece nos lugares onde estou.

SUZY – Nossa, mas você tem que falar com a polícia, vai que seja um cara querendo te matar.

HELOÍSA – Ai, amiga!

BERNARDO – Fica tranquila, Suzy. Eu já estou cuidando disso.

Suzy se sente levemente incomodada com a adjetivação feminina dirigida a ela.

Bernardo pega um bolinho de chuva e Heloísa o observa preocupada.

CENA 05/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE RITA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Rita abre a porta carregando Goram no ombro com dificuldade e o coloca no sofá.

GORAM – Por tupã! Quero beber um pouquinho de vodka! Tem vodka nessa ogã?

RITA – Nem pensar, você quer entrar em coma alcóolico?

Ela começa a retirar o tênis dele. Goram fica se mexendo e ela firma para ele não se mexer. Retira sua camiseta e sente uma leve tentação com aquele corpo meio sarado do jovem, focar nos poucos pêlos axilares e no peito de Goram. Mostrar expressão facial, desejo intenso de Rita pelo jovem. Mas ela mantém sua seriedade e o leva para o chuveiro de seu banheiro, depois de retirar suas calças.

SUÍTE

Ela liga o chuveiro e o encharca com um banho gelado, a água cai no corpo dele, ele rindo e ela o firma em baixo da água com sua mão feminina firmada no peito. Revelar os olhos adormecidos dela de desejo.

CENA 06/SÃO PAULO/BROOKLIN/APARTAMENTO DE UMBERTO/QUARTO DE DANDARA/NOITE

Uma jovem chora alto na escuridão de um quarto, bate na porta enfraquecida, estando no chão. Umberto abre a porta do quarto. Ela se inclina para tentar sair, mas está muito fraca.

DANDARA – Estou com fome!

Ele a olha meio risonho.

DANDARA – Estou há 3 dias sem comer.

UMBERTO – Preparei um prato para você, filinha. O Seu predileto : Frutos do mar com arroz à grega.

Ela se escora na parede tremendo para sair do quarto e ele a enconcha por trás, puxando seu cabelo e colocando seus lábios próximos a seus ouvidos. 

UMBERTO – Vou te liberar, filinha.

E passa a língua em seu pescoço, ela faz uma expressão de nojo.

UMBERTO – Mas só porque o papai gosta de você, porque o quê você fez com papai não foi nada legal. Jogar na rede social o nome do papai só porque papai queria fazer uma parceria com sua universidade?

DANDARA – Você queria monopolizar tudo!

UMBERTO – Que nome feio, filinha. Monopolizar. Eu queria modernizar, dar acesso para que seus coleguinhas de classe pudessem trabalhar nas nossas usinas farmacêuticas.

DANDARA – Superfaturando medicamentos, tendo uma concorrência desleal com outras empresas farmacêuticas, arquitetando mudar a grade dos cursos da área da saúde, diminuindo disciplinas éticas e substituindo elas por disciplinas que vão atender os seus anseios.

UMBERTO – Disciplinas que fazem vocês perderem tempo, questionários feito pelos próprios aluninhos, de várias turmas do seu cursinho indicaram isso.

DANDARA – Mas não é a opinião de todos. São pessoas desprovidas de um olhar humano!

UMBERTO – Basta!

E a joga no chão de novo.

UMBERTO – Escuta aqui, eu sou seu pai, dono da marca HUMABOM, eu sei o que é melhor para mim, para vocês. Tenho anos de experiência e não vou permitir que uma pirralha me diga o contrário. Só por conta desta teimosia, vou te deixar mais uns dias sem comer para ver se aprende a escutar seu macho, seu paizinho.

DANDARA – NÃO! NÃO!

Ela gruda nas barras de sua calça, mas ele a chuta e a trancafia novamente, Dandara coloca a mão na barriga.

CENA 07/SÃO BERNARDO DO CAMPO/CASA DOS SILVEIRA/EXTERIOR/NOITE

Boina desliga o carro, fuma um cigarro e se dirige para a varanda daquela casinha branca encardida. Aperta a campainha uma vez, ninguém atende, tenta de novo, ouve-se passos vagarosos, uma velhinho abre.

REMO – Filho! Quanto tempo! Surpresa boa.

Boina abraça o pai forte.

BOINA – Os plantões, a consulta na pneumologia.

Ele pega guarda o isqueiro.

REMO – Um pneumologista que fuma que nem um condenado! Que contradição.

BOINA – Não é fácil, né meu velho?

REMO – Entra, entra. Sua mãe está terminando de se trocar do banho.

INTERIOR – SALA DE ESTAR

BOINA – Tá tudo bem com você? Tudo bem com ela?

REMO – Sim, estamos bem, só sua mãe que tava achando que poderia estar diabética porque tem ido muito ao banheiro, mas o exame deu o açúcar normal.

BOINA – Muito bom, você sabe se ela tem tido muita falta de ar, pernas estão inchadas, dor no peito.

REMO – Não, ela não tem relatado nada.

Nesse instante, Eulália chega a cozinha.

EULÁLIA – Filho, você está aqui?

BOINA – Estou.

Eles se abraçam. Ela estava com o semblante um pouco triste.

BOINA – Pai me disse que você tá fazendo muito xixi de noite.

EULÁLIA – Sim, fiquei preocupada, tem horas que não consigo segurar.

BOINA – Você não tem edema periférico, tem sentido algum desconforto no peito, falta de ar?

EULÁLIA – Não, não.

BOINA – Você tá bem mesmo? Parece triste.

EULÁLIA – Deve ser pelo Buba ter morrido.

BOINA – Buba morreu?

REMO – Semana passada, morreu de velhice.

BOINA – Ele já tava bem velho mesmo.

EULÁLIA – 20 anos.

BOINA – Que pena, amava ele. Mas uma hora chega para todos né?

REMO – Sim.

BOINA – Mas vocês irão viver muito.

EULÁLIA – Eu nem quero isso.

BOINA – Posso saber o porquê?

EULÁLIA – Não quero dar trabalho para ninguém.

BOINA – Até parece que você dá trabalho ou vai dar para alguém. Inicialmente, você pode usar fraudas.

REMO – Fraudas?

BOINA – Sim, fraudas geriátricas.

EULÁLIA – Tá vendo, já estou começando a dar trabalho.

BOINA – Não dá nada, é só para evitar este desconforto de incontinência urinária.

Eulália balança a cabeça ainda achando estranho. Remo vai tomar água. Ela entrega para o filho uma fatia de bolo, ele recebe empolgado.

BOINA – Bolo de amora, meu favorito.

CORTAR PARA:

CENA 08/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE ADELAIDE/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Themise estava sentada no sofá com o cômodo apagado, as únicas luzes que iluminavam provinha da rua e de outros apartamentos.

THEMISE – Onde Goram está? Ele me avisa quando vai dormir na casa de Heloísa.

FLASHBACK: Ela se lembra do dia que Goram chegou. De quando foi com ele fazer a matrícula. De quanto o flagrou chorando no chuveiro e ele lhe contou sua história. De quando flagrou ele no hospital beijando Heloísa e largou seu ursinho. Quando eles conversaram sobre seus sentimentos.

Themise começou a chorar, acariciou o sofá. Laurinha apareceu no corredor, observando-a.

THEMISE – Eu preciso começar a esquecer você desse jeito, somos primos, Goram. Apenas primos.

Laurinha balança a cabeça negativamente, mas se compadece quando a irmã deita no sofá e começa a segurar o choro. Aparece na sala. Themise finge que não a vê, Laurinha a abraça.

LAURINHA – Vai passar essa dor, vai passar. Conta comigo.

Themise acaricia os braços da irmã. Ambas ficam ali.

CENA 09/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE RITA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Goram estava ainda meio risonho com um copo de água na mão, já havia se trocado com algumas calças masculinas que Rita guardara ainda quando se expressava assim. Estava ainda sem camiseta.

RITA – Beba mais água, se não vai acordar com uma ressaca brava amanhã.

Goram tenta se levantar, ela o segura e eles ficam muito próximo um do outro.

GORAM – Égua…Você é tão linda, porã!

Ele a beija forte e Rita cede aquilo que tanto queria, retribui o beijo, tirando sua camiseta também, ele a deita no tapete da sala e morde forte seu pescoço, ela acaricia sua nuca.

RITA – Oh! Goram!

Ao som de Stupid Love de Lady Gaga. Ele a beija forte e trocam olhares famintos um pelo outro. Beija seu pescoço e vai descendo, descendo. Ela ri e o vira com força, tirando sua calça e cueca, fazendo sexo oral. Closes alternados de cenas deles transando de maneira intensa.

CENA 10/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS

Continuação com a música de Lady Gaga vemos as ruas ficando vazias com o aprofundar da noite, depois aos pouco o sol vai surgindo com a passagem de pedestres a todo vapor. No Brás, vemos os casais saindo para correr no largo da concórdia, a Cantina do Giorgio que remonta a década de 60 recebendo pessoas de todos os lugares e os sacolões e lojas de roupas baratas recebendo mães de família com suas crianças.

CORTAR PARA:

CENA 11/SÃO PAULO/25 DE MARÇO/MANHÃ

Araponga está com óculos escuros, passando numa tendinha.

ARAPONGA – Hey, Gasguita! Vocês vendem quiabo aqui? Araponga quer fazer uma maxixada daquelas!

A mulher nega, ela vai em outra tendinha e consegue comprar.

ARAPONGA – Até que enfim, Catiroba. Mas tá um pouco salgadinho esse preço, né ? Faz um desconto para Araponga, vou levar um kilo.

FEIRANTE – Faço por 4 conto.

ARAPONGA – Só 4 conto? Que punho cerrado! Isso dá apenas uma diferença de centavos!

Desfocar. Ao longe, Adelaide está acompanhada das duas filhas. Ela passa por uma tendinha que um homem sarado está sem camisa vendendo.

ADELAIDE – Nossa, que pedaço de mal caminho! Oh, lá em casa!

Laurinha ri. Themise fica brava com a mãe.

THEMISE – Nossa, mãe. Você não aguenta ver um homem e já entra no cio, mas respeito com o papai.

ADELAIDE – Eu não entro no cio, não sou animal e olhar não arranca pedaço. Não estou traindo seu pai!

THEMISE – Será?

ADELAIDE – Ai, Themise. Você é muito moralista, vai curtir a vida, filha, ser feliz. Deixa a mãe viver a dela.

Adelaide se aproxima para comprar do cara e Themise balança a cabeça em tom de reprovação quando avista Araponga.

THEMISE – É Araponga!

LAURINHA – É mesmo!

Ambas ficam meio paralisadas, olhando a prima.

ADELAIDE – Vamos, queridas. Que foi, parece que viram o fantasma?

LAURINHA – O Fantasma não, mas a mulher.

ADELAIDE – Mulher? Que mulher?

THEMISE – Olha com seus próprios olhos mãe, ali, é Araponga!

Adelaide força o olhar para observar e constata.

ADELAIDE – É a própria!

Instrumental explosivo.

CORTAR PARA:

CENA 12/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE RITA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

Goram acorda sobre um colchão no chão de uma sala. Não reconhece aquele teto. Estranha, levanta-se esfregando os olhos, sua cabeça dói um pouco pela luminosidade que entra. Percebe estar só de cueca na casa de Rita.

Neste instante, ela aparece num roupão e os cabelos molhados da cozinha com uma bandeja de café e rosquinhas.

RITA – Então o belo adormecido resolveu acordar?

GORAM – Por Maíra e Macuna-íra! Doutora Rita!

Ele pega uma almofada para esconder a cueca.

GORAM – Égua de Largura! O que aconteceu com Goram?

Rita deposita a bandeja de plástico numa mesinha da sala.

RITA – Você dormiu noite passada aqui, estava muito bêbado.

GORAM – Que gastura! E por que estou de cueca, a gente…?

RITA – Sim.

Goram põe a mão no rosto de vergonha, a almofada cai, ele percebe meio canhestro e a pega de volta, escondendo a cueca.

GORAM – Por Tupã, isso não podia ter acontecido! Goram é um verdadeiro cu de cana mesmo!

Rita o olha meio envergonhada também.

GORAM – Goram está namorando a Heloísa!

RITA – É oficial a relação de vocês?

GORAM – Não, quer dizer, está caminhando para ser. Eu não acredito que fiz isso, Tupã salve Goram. Goram colocou um chapéu de touro em Heloísa.

RITA – Se acalme, querido, aconteceu. Só não comente nada com ela. Eu não consegui controlar, você é um homem muito atraente.

Goram estranhou aquela fala, mas sentiu um desejo intenso para beijá-la.

GORAM – Kunã, Goram agradece muito por ter me recebido, mas estou estranhando tudo isso.

RITA – Suas roupas estão na lavanderia secando, tomei a liberdade de lavá-las, pode usar as minhas que eu usava quando me enxergava como um homem cis, há muitas no meu quarto, na segunda gaveta da terceira porta à esquerda.

GORAM (sem graça) – Ah, atima porã.

RITA – Depois venha tomar um café comigo, prometo que não toco neste assunto.

GORAM – Okay.

Ele vai para o corredor com a almofada na frente, um momento, meio cambaleando e se perdendo ainda assustado. Ele se vira.

GORAM – Para onde fica, quarto de Rita?

RITA – Só seguir reto, é a porta central no corredor.

GORAM – Ah, hekopete!

E desaparece lá por dentro. Rita ri com o jeito desajeitado do indígena, passa a mão no pescoço ainda sentindo o perfume dele bem leve.

CENA 13/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO/QUADRA DE BASQUETE/INTERIOR/MANHÃ

Fabiana acerta a cesta fugindo das marcações e o time dela vibra, professora apita anunciando o fim. Eliane sente inveja quando vê aquelas meninas cumprimentando Fabiana.

ELIANE – Desgraçada!

CORTE DESCONTINUO.

ÁREA EXTERNA DA QUADRA.

Samuel está fumando um baseado com Margarida e Escova, quando Eliane se aproxima.

ELIANE – Olá, pessoas!

MARGARIDA – Olá, Pastel!

ESCOVA (olha incrédulo para Margarida) – Pastel?

MARGARIDA – É o apelido que Yan deu para ela, por conta dela ser muito bonita e potencialmente saborosa.

Eliane faz uma expressão irônica sem entender.

ELIANE – Ele tirou esse apelido do cu, né? Francamente!

Escova concordou.

ELIANE – Vem cá, Samuel, posso dar um palavrinha com você no particular?

SAMUEL – Claro, madame.

CORTE DESCONTINUO.

ÁREA AFASTADA DE MARGARIDA E ESCOVA

ELIANE – E o plano que sugeriu, deu tudo certo? Quero logo mandar essa macaca desgraçada pro espaço!

SAMUEL – Vai querer matá-la?

ELIANE – Por enquanto não, porque sou uma alma caridosa, vou dar o aviso para ela ficar longe do Guto.

SAMUEL – Certo. O Plano já está dando certo, falei com alguns parça meus, hoje a noite eles vão raptá-la.

Eliane vibra fazendo uma dancinha cômica. Samuel ri.

SAMUEL – Marvada!

CORTAR PARA:

CENA 14/SÃO PAULO/25 DE MARÇO/MANHÃ

Adelaide ainda olha incrédula para Araponga circulando entre as barracas.

ADELAIDE – Mas essa menina é muito atrevida! Ela vai agora me dar satisfação do por que fez isso com a própria mãe!

E parte em direção a ela. Laurinha vibra. Themise tenta acalmá-la.

THEMISE – Mãe, espere! Não faça nada de cabeça cheia!

ADELAIDE – Eu lá sou mulher de esperar alguma coisa quando vejo uma ingratidão da filha com a própria mãe.

Adelaide chega perto de Araponga que conversava com uma mulher e puxa seu braço. Ela identifica a tia apavorada.

ADELAIDE – Onde é que você estava esse tempo, todo? Sua desmiolada! Preocupando seu pai, sua mãe, sua avó, todos lá em Roraima.

ARAPONGA – Me solta! Sy’y! Nem minha mãe me trata assim!

ADELAIDE – Pois é isso que te faltou, coisa ruim!

As pessoas que passavam param para olhar. Themise sente vergonha.

THEMISE – Se acalmem! Para com isso, mãe! Vamos conversar num lugar privado. Aqui não é lugar de lavar roupa suja.

ARAPONGA – Péa mesmo! Themise está certa!

Adelaide a olha meio de esguio e a puxa em direção a sua casa.

ADELAIDE – Então vamos para casa, você tem muito que explicar.

Laurinha repreende a irmã.

LAURINHA – Você é muito politicamente correta!

THEMISE – Sou mesma e daí?

LAURINHA – E daí que você estraga a melhor parte!

THEMISE – Ver duas pessoas se pegando é a melhor parte?

LAURINHA – A mim é sim.

THEMISE – Pois para mim não.

E sai, deixando Laurinha irritada por ter sido contrariada.

CENA 15/SÃO BERNARDO DO CAMPO/CASA DOS SILVEIRA/EXTERIOR/MANHÃ

Boina toca a campainha, portava pacotes de frauda geriátrica, olha no relógio.

BOINA – Essa hora o pai deve estar no Pesqueiro!

Sua mãe abre a porta. Ele brinca.

BOINA – Trouxe para senhora suas fraudas!

EULÁLIA – Fraudas?

BOINA – Sim, mãe, conversamos ontem sobre isso, vai te ajudar.

EULÁLIA – Você tá me estranhando? Por que eu vou usar fraudas, não preciso disso.

Boina toma liberdade para entrar.

BOINA – Ué, mãe, você anda fazendo xixi durante a noite a ponto de não segurar na cama.

EULÁLIA – Quem disse isso?

BOINA – Papai e você confirmou!

EULÁLIA – Eu confirmei?

BOINA – Sim, você falou até que não queria dar trabalho.

EULÁLIA – Eu não falei nada disso! Você só pode estar brincando com a minha paciência!

BOINA – Oi?

Ela pegou a vassoura.

EULÁLIA – Sabe o que me irrita? É me acusarem de algo que não falei, para quê contar mentira?

Boina percebeu que a mãe estava dizendo num tom agressivo.

BOINA – Eu não tô entendendo, por que você tá desse jeito?

EULÁLIA – Agora, você vai querer questionar o meu jeito de ser? Ah, sai daqui!

BOINA – Que?

EULÁLIA – Sai daqui, moleque! Chispa, vai embora e leve essas fraudas com você!

BOINA – Eu não estou acreditando no que estou ouvindo.

EULÁLIA – Eu que não estou, trazer fraudas, para mim? Eu não preciso!

E ele sem entender, pega a frauda e sai para não levar vassourada. Ela bate a porta na sua cara, trancando.

BOINA – Que foi isso, bicho?

CENA 16/SÃO PAULO/VILA MADALENA/PRÉDIO DE ADELAIDE/HALL DE ENTRADA.

Goram chega e aperta o botão do elevador.

GORAM – Leseira Baré! Chega logo! Goram está atrasado para o recebimento de medalha da Olímpiada.

Flashback rápido: Ele se recorda do café da manhã na presença de Rita e o quanto ela era charmosa e ele não parava de olhar para os seios dela.

GORAM (V.O) – Goram transou com um homem? Com uma mulher de pênis?

Mostrar aflição dele num segundo. Depois acalmia.

GORAM (V.O) – Mboe’hára Rita é encantadora, mas Goram não podia ter feito isso com Heloísa, nunca vou me perdoar.

O elevador chega, ele entra e encosta a cabeça na lataria, meio arrependido. Sinal de notificação de seu celular, ele olha, era Mateus.

ELEVADOR

Estou te mandando mensagem para te lembrar que daqui a pouco começa a premiação das medalhas no auditório da universidade, não se atrase, sua presença é muito importante para a gente. Além do mais, estou preocupado com você, você ficou bem depois que comecei a te bombardear com meus problemas? Peço minhas sinceras desculpas. Matt.”

GORAM (V.O) – Mal sabe ahe que os seus problemas também são os problemas de Goram. E não adianta você jerure desculpas por isso, o que tu fez no passado é muito pior e isso é imperdoável, seu jejuka, assassino

HALL

O Elevador abre no andar e ele se precipita para o apartamento da tia. Abre com as chaves.

APARTAMENTO DE ADELAIDE/INTERIOR/SALA

Adelaide e Araponga estão conversando no sofá. Themise escuta a conversa sentada numa cadeira e Laurinha está ouvindo música.

ADELAIDE – Então, você acha que homem é justificativa para você sair por aí fazendo mal para sua família?

ARAPONGA – Araponga já é maior de idade tia, me apaixonei, você sabe como é isso, você sabe do que um kuimba’e é capaz de fazer com nossa estrutura!

Goram se adentra. Elas param o que estão fazendo.

ADELAIDE – Sobrinho querido.

Goram se vira para cumprimentar a tia e leva um susto ao ver Araponga. Instrumental explosivo.

GORAM – Égua! Araponga?

ARAPONGA – A própria, em carne osso.

Goram troca olhares com Themise que balança a cabeça negativamente.

GORAM – Tu tá bem? Fiquei sabendo que Araponga sumiu!

ARAPONGA – Ah, nem vem, Goram, sabe muito bem que nosso marãngatu não bate, esse papinho de que está preocupado com Araponga, não cola.

Goram vai para o quarto. Themise o acompanha.

ADELAIDE – Que jeito é esse de falar com ele? Ele é seu primo!

ARAPONGA – E daí? Araponga fala mesmo, fica pagando de índio, mas nós sabemos muito bem que sýi foi adotado.

QUARTO DE GORAM

Goram deixa a mochila no quarto e abre o guarda-roupa. Themise se adentra.

THEMISE – Ela não sabe de nada. Veio aqui por minha sugestão, vimos ela na 25 de Março e mamãe se descontrolou, agora estão tendo um conversa mais civilizada.

GORAM – Entendi. Realmente, Goram levou um susto quando viu Araponga. Só fico com medo dela trazer o Bernardo aqui e aquele jejuka desconfiar de alguma coisa. Dizer a Araponga que eu sou a ava que ele viu. Não posso dar um passo em falso. Ela precisa saber quem é este homem de uma teko. indireta.

THEMISE – Se acalma, ela tá sozinha. E você onde passou a noite? Fiquei preocupada, você dormiu na Heloísa?

Goram hesita um momento, com um cabide de uma camisa social na mão.

GORAM – Ani.

THEMISE – Não? Mas então onde dormiu?

GORAM – Na ogã da pohanohara Rita.

THEMISE – Da Doutora Rita? Mas o que você foi fazer lá?

GORAM – Eu estava um biriteiro na rua, é uma longa história, enchi a cara depois do que o Mateus disse a Goram num café que ele marcou comigo.

THEMISE – O que ele falou?

GORAM – Desabafou sobre uma briga que ele tinha com Bernardo e falou de cumplicidade e que nossos rus eram cruéis porque não aceitavam o ayhu deles, que eles sobreviveram a provas de fogo para poderem estar juntos.

THEMISE (com nojo) – Ele falou isso?

GORAM – Falou. E para Gora ainda? Fiquei fumando numa quenga, tanta mágoa, fui até o bar do Esteto beber e apaguei, acordei hoje no apartamento dela, nós menã.

THEMISE (Um pouco enciumada) – O QUÊ? VOCÊS TRANSARAM?

GORAM (envergonhado) – Sim.

THEMISE (estava se machucando por dentro) – Meu Deus, Goram, ela é uma travesti, não é?

GORAM – Sim, gênero-fluido acho, sei lá, Goram ficou se questionando muito sobre isso, porque Goram nunca havia tido experiência com uma pessoa assim, fiquei sem palavras quando tymba apareceu servindo café, me contando tudo e eu de cueca no apartamento dela.

THEMISE (sofre por dentro) – Meu Deus!

GORAM – Eu…

Ele pensa para falar, mostrar que ele se recorda do sentimento de Themise.

GORAM – Égua! Goram fica pensando na Heloísa, no quanto, ai não quero nem pensar em como aquela porã iria se sentir. Agora, Goram precisa se aprontar, vou receber jopoipyti’a de ouro daqui a pouco por aquela Olímpiada que fiz.

THEMISE (sente-se rejeitada) – Claro.

CORREDOR

Ela se afasta e põe a mão na boca para abafar o choro. Olha no celular a mensagem de Vitor e responde.

“Vamos sim sair esta noite, sinto que estou precisando.”

CORTAR PARA:

CENA 17/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

Bernardo chega em casa e coloca sua mala no sofá. Vai até a cozinha.

COZINHA

Lava a mão na pia e quando vai pegar o pano para enxugar

FLASHBACK RÁPIDO: Ele relembra de Goram observando ele de bicicleta naquela estrada durante a noite, quando ele estava a caminho do cativeiro de Pamela e depois naquela tarde no prédio de Araponga. Recorda-se da noite anterior, quando Heloísa lhe revelou que ele é seu namorado.

Instrumental de suspense começa a tocar.

BERNARDO – Não é possível que com tanto cara nesse mundo, ela vai escolher justamente este cara estranho. Quem é esse sujeitinho? O que esse sujeitinho quer comigo afinal?

ESCRITÓRIO

Bernardo encontra a rede social de Goram, depois de procurar por alguns minutos, ele vê a foto do jovem com sua família índigena.

BERNARDO – Roraima! Faz tanto tempo que não vou para a região norte, desde daquele acontecimento.

E fica olhando para tela com um olhar perdido. Close em suas feições estranhas.

CENA 18/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/BIBLIOTECA/SEGUNDO ANDAR/MANHÃ

Suzy está procurando na prateleira um livro para estudar para prova de Anatomia, quando percebe Lucca, aquele homem trans que vira outro dia observando alguns exemplares, ela estaca e o observa, até que ele nota sua presença e a encara de volta estranhando. Ela sente-se mal.

SUZY (V.O.) – O que está acontecendo comigo? Acho que não tô com cabeça hoje para assistir as aulas, melhor ir para casa.

Ela vai embora.

FRENTE DA UNIVERSIDADE.

Ela percebe que uma movimentação atípica se concentra em dois espaços. Um mais próximo ao auditório, eram repórteres e um mais próximo ao refeitório, estudantes abriam cartazes e outros traziam frutos. Ela não entendeu e continuou a voltar a república dos estudantes.

CENA 19/SÃO BERNARDO DO CAMPO/PESQUEIRO/LANCHONETE/MANHÃ

Boina agradece quando a garçonete lhe traz uma porção de tilápia.

BOINA – Obrigado.

Seu pai o acompanha na mesa.

BOINA – Estou muito preocupado com a mãe, ontem quando estava com a gente, ela estava bem, havia concordado com as fraudas e hoje me espantou de lá a vassouradas.

REMO – Sua mãe tem tido alguns comportamentos assim comigo também e a memória já não está tão boa como antes.

BOINA – Para mim parecia que ela estava num surto, sei lá.

REMO – Você sabe né? Que nossa família tem alguns históricos com isso. Lembra-se de tia Gertrudes.

BOINA – Tinha transtorno de humor bipolar.

REMO – Isso, a danada era bipolar e foi difícil fazer o diagnóstico, ela fica assim também, agressiva muito repentinamente.

BOINA – Não sei, há quanto tempo ela está assim?

REMO – Faz um tempo já, uns meses.

BOINA – Quantos meses?

REMO – Um ano mais ou menos.

BOINA – Sério?

REMO – É…mais ou menos.

BOINA – Um ano é mais que suficiente para se afirmar que ela tem esse transtorno, doenças mentais tem uma boa carga genética, ainda mais nossa família que tem no histórico muito casamento com primo, consanguíneo.

REMO – Os Médicos falavam tão mal disso.

BOINA – Temos que investigar isso aí.

CORTAR PARA:

CENA 20/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/AUDITÓRIO ANCHIETA/MANHÃ

Goram comenta com André sentado num banco próximo a entrada.

ANDRÉ – Você transou com a professora Rita?

GORAM – hee, André deveria falar baixo!

ANDRÉ – Você é louco! E agora como fica com Heloísa?

GORAM – Continuamos ndi, não pretendo contar para ela.

ANDRÉ – Mas você não se sente mal em esconder, eu me sentiria.

GORAM – Mas foi uma única vez, não vai mais jehu, seria um sofrimento desnecessário, não é fácil para Goram ter que fazer isso.

Diretor de medicina irrompe em palavras. Os repórteres que estavam na porta, começam a se preparar.

DIRETOR – Senhoras e senhores sejam muito bem-vindos a nossa universidade, repórteres, acionistas, corpo docente, alunos, Reitor Professor Doutor Mateus Pacheco Moça. É com grande honra que hoje celebro mais uma edição da premiação de medalhas da Olímpiada Brasileira de Medicina, com destaque este ano para um jovem ousado, que veio lá dos fundões do nosso país, apresento aos senhores o primeiroanista primeiro colocado na Olímpiada Goram Guajajara. Todos se levantam para aplaudi-lo. O indígena se cora.

ANDRÉ – Sobe lá no palco, cara. É o seu momento.

Goram sorri meio envergonhado e se encaminha para o palco. Mateus toma a liberdade para falar e Goram não gosta.

MATEUS – Este garoto que está vindo é um exemplo para esta instituição. Estou acompanhando dia pós dia com nossas aulas de inglês o esforço dele em se dedicar a essas oportunidades que estão aparecendo para ele. É com muita honra que eu o entrego esta medalha de ouro.

Goram sorri forçado para ele ao receber a medalha, todos que estão ali aplaudem. Goram nota que seus amigos de sala espiam lá de fora e o cumprimentam de longe. Heloísa entra e ele se encanta, mais no fundo, ele nota também a presença da professora Rita e demonstra mais felicidade, embora constrangido. Ligar música Mountain Sound de Of Monster And Men (Hit de abertura da novela)

CENA 21/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS

Entardece…

CENA 22/SÃO PAULO/BURACO QUENTE/CASA DE PÂMELA/EXTERIOR/TARDE

Pamela chega do mercado e percebe que sua porta está entreaberta, sente um calafrio.

PAMELA – Ai, meu Deus, quem está aí?

Ninguém responde.

PAMELA – Só faltava essa, eu ter sido assaltada.

INTERIOR

Ela entra e percebe há uma faca em cima da mesa da cozinha apontando em sua direção.

BERNARDO– Achei que não voltaria nunca do mercado.

Ela se volta assustada, deixando cair uma das compras.

CENA 23/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/EXTERNO

Goram termina de falar um pouco com uma repórter.

GORAM – Goram utilizou muita kuara’a antiga para estudar e revisei por apostilas do med curso disponibilizadas gratuitamente ñanduti Gasu, tem que procurar.

REPÓRTER – Obrigada, Goram! E este foi o depoimento do campeão da Olímpiada Brasileira de Medicina.

Mateus surge puxando o jovem.

MATEUS – Bom…chega de entrevista, já deu por hoje, agora quem quiser uma palavrinha dele que procurem na internet.

E soltou uma risada meio maléfica. Goram não gostou daquela intromissão.

É neste momento que eclode uma grande mobilização estudantil oriunda do refeitório com cartazes de papelão, cartolina: “ FORA MATEUS”. “QUEREMOS O SUS DE VOLTA” “ABAIXO AO AUTORITARISMO”.”FORA ACIONISTAS” “ENSINO DE MERCADO NÃO”. “POR UMA SAÚDE PÚBLICA DE QUALIDADE

E nele vemos estudantes de outros cursos da área da saúde e pessoas de fora do campus, trabalhadores, principalmente do hospital. A Face de Mateus se transforma.

MATEUS – Mas que balbúrdia é essa aqui?!

A mesma repórter começa a falar alto.

REPÓRTER – Uma mobilização social de cunho estudantil invade o campus e exige que medidas tomadas…

Mateus arranca o microfone da mão dela.

MATEUS – Cala boca, sua tararica! Já chega por hoje, o entretenimento sensacionalista já terminou.  

Ele se afasta.

MATEUS – Esse povo pensa o quê? Que pode estragar a imagem da universidade num dia tão importante como este, mas eles estão enganados. 

Mateus corre para trás de um gradinha e aciona a segurança. Goram o acompanha. Rita é uma das lideranças fortes do movimento.

RITA – FORA MAÇONS! FORA FAMÍLIA MOÇA DE LIXO!

MATEUS – Mas claro, tinha que der o dedo deste ser aí, mesmo eu contratando aquela surra para ele, conseguindo podre com a mãe dele, ela não sossega, fica convencendo os tapados dos alunos que lutar, ser esquerdista é o melhor caminho.

Goram fica chocado com a revelação de que Mateus estava por trás do atentado de Rita. REVOLTA.

As pessoas chegam próximo a grade e Goram sente uma vontade enorme de empurrá-lo para os manifestantes e assim o faz. Instrumental explosivo. Close em André chocado com o ato do amigo.

Mateus acaba sendo puxado por alguns manifestantes para o lado de fora da grade, caindo de joelho no meio dos alunos que começam a golpeá-lo com o pé e jogar tomate nele.

MATEUS – Socorro! Socorro!

Desfocar aparece Heloísa se aproximando e não entendendo porque Goram fez aquilo. Sente medo. Instrumental explosivo. Goram assiste a cena estático, contemplando com um leve sorriso feliz.

FADE OUT

CONTINUA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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