Estação medicina

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Capítulo 19

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ESTAÇÃO MEDICINA

CAPÍTULO 19

 A PRIMEIRA PISTA

 

FADE IN

CENA 01/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/EXTERNO/TARDE

Goram fica observando Mateus ser linchado e se satisfaz. Ele tenta se levantar, mas alguns manifestantes o empurram para baixo e começam a jogar ovos nele, outros ousam a cuspir em sua cara.

Nesse instante, a segurança chega correndo atirando para cima. Os estudantes se afastam, deixando Mateus tonto e sujo de molho de tomate. Ele tosse engasgado e se levanta com dificuldade, Goram segura o riso.

CAÍQUE – HEY! VAMOS PARAR COM ISSO AÍ?! ESTAMOS ARMADOS DE VERDADE!

Goram se esconde quando percebe que as balas são de verdade.

RITA – Meu Deus, esses cavalos estão usando bala de verdade contra estudantes e funcionários da própria universidade?

JESUÍNA – Pelo jeito sim, dona Rita.

GEORGE – Inacreditável!

Seguranças ajudam Mateus a se levantar.

CAÍQUE – Tudo bem, seu Mateus?

Goram o reconhece.

MATEUS – O que você acha, seu estafermo? Olha o que fizeram comigo? Bando de VÂNDALOS, BABACAS, NOJENTOS, INSUPORTÁVEIS! VOCÊS VÃO PAGAR CARO PELO QUE FIZERAM COMIGO, CARO!

Os manifestantes começam a vaiar a fala dele, mas ele não se intimida e me mantém firme olhando para alguns manifestantes, enquanto é levado pelos seguranças.

CENA 02/SÃO PAULO/BURACO QUENTE/CASA DE PAMELA/INTERNO/SALA DE ESTAR/TARDE

Pamela corre brava pegando a faca em cima da mesa e jogando-a numa das gavetas da cozinha com brutalidade a guarda com força. Apoia-se no armário, respirando fundo com a cabeça baixa.

Bernardo gargalha alto.

BERNARDO – Calma, princesa. Achou que eu fosse te matar?

Ela levanta a cabeça e o encara de frente, enfurecida.

BERNARDO – Se fosse para eu te matar, já teria feito isso, preferiria uma silenciadora, mais prático, menos suja.

PAMELA – O QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI? TROUXE O MEU DINHEIRO?

BERNARDO – Não.

PAMELA – Você tá de brincadeira comigo? Você perdeu o medo de ser preso? Desmascarado? EU QUERO A PORRA DO MEU DINHEIRO, SE NÃO VOU TE ENTREGAR PARA SEU MARIDINHO E TE DENUNCIAR PELA MORTE DA MINHA MÃE!

BERNARDO (se irrita ao ser cobrado daquele jeito) – CALMA! Não trouxe porque aconteceram imprevistos.

PAMELA – Imprevistos? Que imprevistos? Para de me enrolar!

BERNARDO – Eu e o Mateus brigamos feio, não tenho dormido em casa, ele tem acesso a minha conta, ele pode mandar me investigar se eu tirar uma quantia tão alta assim em tão pouco tempo.

PAMELA – Então o que você vai me sugerir? Que eu aceite os milhões em suaves prestações parceladas?

BERNARDO – Claro que não.

PAMELA – Então como você vai fazer?

BERNARDO – Estou já investindo nas pazes com ele…

PAMELA – Mas você é um cachorro mesmo…

BERNARDO – Garanhão é um termo mais apropriado.

Pamela balança a cabeça.

PAMELA – Que cara de pau!

BERNARDO – Se você me dar mais 3 dias, te garanto o dobro, 6 milhões.

PAMELA(Os olhos dela brilham) – 6 milhões?

BERNARDO – 6 milhões! Um dinheiro que você nunca viu na sua vida.

PAMELA (senta no sofá em frente a ele) – Eu quero 8 milhões!

BERNARDO – 8 milhões?

PAMELA – 8 milhões!

BERNARDO – Ok. 8 milhões e não se fala mais nisso!

PAMELA – Fechado.

BERNARDO (V.O.) – Coitada! Mal sabe que acaba de entrar no corredor da morte.

CENA 03/SÃO PAULO/JD PAULISTA/IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO/INTERIOR/PAVIMENTO SUPERIOR/TARDE

Fátima chega ao ensaio do coral

MADALENA – Fátima, que bom que você veio! Sentimos muito a sua falta. Ficamos tão preocupados, soubemos do que aconteceu.

Fátima a abraça forte.

FÁTIMA – Eu nem sei como tenho aguentado esses dias, Mada, nem sei como.

MADALENA – Você vai sair dessa, você é forte, todos nós sabemos.

Fátima enxuga os olhos umedecidos e levemente avermelhados.

CORTE DESCONTINUO

Fátima começa a tocar piano treinando junto com o coral, quando sente uma brisa gélida tocar no seu rosto, ela olha para a janela do vitral da igreja, mostrar entardecer lá fora, o patamar inteiro está alaranjado. Focar na janela por cima do vitral e uma sombra humana escura vai se aproximando e ficando mais claro, vemos que se trata de Lorena, a outra filha falecida há anos de Fátima.

FÁTIMA (seus olhos se emocionam) – Filha?

A alma da jovem senta ao seu lado com um semblante meio triste, mas um sorriso leve estampado no rosto, deita em seu ombro, Fátima começa a chorar. Lorena então começa a dedilhar o teclado junto com a mãe.

Ao final da música, Fátima cai no choro e seus amigos se aproximam.

MADALENA – O Que foi Fátima, o que aconteceu?

Fátima os abraça.

CENA 04/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/EXTERNO/TARDE

Heloísa sai apressada da biblioteca carregando livros pesadas quando tropeça nos dois degraus da entrada, derrubando os livros no chão, ela esfola a cabeça.

HELOÍSA – Ai!

Ela percebe que não sangrou, mas ao pegar o celular, percebe que ficou bem vermelho.

HELOÍSA – Puxa a vida!

Ela recebe uma notificação no celular do grupo da sala.

HELOÍSA – O Calendário de todas as provas já saiu?

Nervosismo.

HELOÍSA – É muito conteúdo, será que vou dar conta?

Taquipneica. Big-close-up em seu braço direito. Vemos ela apertando-o com força.

Goram aparece meio envergonhado pelo que fizera na noite passada.

GORAM – Amor, maiteipa?  

Ela se levanta assustada e o abraça.

GORAM – Égua de largura, o que foi, o que foi?

HELOÍSA – Me tira daqui, por favor, por favor.

GORAM – Heloísa quer que Goram a leve para casa?

HELOÍSA – Não! Nem a Universidade, nem a república.

GORAM – Porã, Vamos para o Starbucks na Paulista?

HELOÍSA – Perfeito, é longe daqui.

GORAM – Goram pensou nisso.

HELOÍSA – E eles tem umas mesinhas confortáveis.

Heloísa começa a recolher os livros e Goram a ajuda, ele percebe o ferimento.

GORAM – Tu esfolou?

HELOÍSA – Caí de cara no chão.

GORAM – Por Tupã! Lá no Starbucks, vamos fazer a antissepsia disso aí.

HELOÍSA – Vamos!

GORAM – Heloisa perdoa Goram?

HELOÍSA – Perdoar? Mas perdoar de quê?

GORAM – De não ser um bom jegutaha.

HELOÍSA – Que isso, meu amor. Você é um excelente namorado, você é o meu amor.

E ela o beija, ele retribuiu. Começa a tocar trevo de Ana Vitória.

Animado, ele a puxa correndo carregando a maior parte dos seus livros até a bicicleta.

GORAM – Preparada para cruzar essa tava de bike? Concede esta honra a Goram?

HELOÍSA – Com você, com certeza, meu príncipe.

Ela ajuda ela a subir, depois ele sobe atrás e pedala guiando a bicicleta.

CENA 05/SÃO PAULO/VILA MADALENA/CLÍNICA DE PSICOLOGIA/INTERIOR/RECEPÇÃO/TARDE

Doutora está se levanta do sofá de espera e vai até o bebedouro pegar um pouco de água, quando coloca o copo cheio na boca, a recepcionista vem até ela chamando alto.

RECEPCIONISTA – Rita, Doutora Leopoldina vai te receber.

CORTE DESCONTINUO

SALA 03

Rita se adentra no local.

LEOPOLDINA – Olá, Rita. Muito prazer. Queira se acomodar.

A Psicoterapeuta fechou a porta. Rita tinha algumas poltronas para escolher ou um divã. Optou pelo divã.

Leopoldina então sentou-se na poltrona a sua frente, trazendo um caderno.

LEOPOLDINA – Pois então, Rita, o que você quer me trazer hoje na nossa primeira sessão…

Rita disparou.

RITA – A minha identidade de gênero e o quanto é difícil para mim lidar com a rejeição das pessoas.

Close-up em seu rosto.

CENA 06/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/EXTERNO/TARDE

Os manifestantes continuam, em menor número, mas em frente ao prédio administrativo protestando contra as medidas autoritárias de Mateus e de seus aliados.

REITORIA/INTERIOR

Mateus sai já de roupa do banheiro, enxugando o cabelo com uma toalha.

MATEUS – Ainda bem que eu pedi para instalar chuveiro neste banheiro, nessas horas eu estaria ferrado!

Daniela entra com um aviso.

DANIELA – Com licença, Professor Doutor Mateus Moça, mas os acionistas já se encontram na chamada de videoconferência!

MATEUS – Ótimo, pelo menos uma notícia boa, depois desta tarde lamentável!

Ele se senta em sua mesa e liga a projeção, conectando seu microfone e fone de ouvido.

MATEUS – Hellow, business friends. I called very urgentily to you that we tink of more austere measures to reduce our expenses and prevent the suffering we have when our university space is depredated by vandal students…

Nesse momento, Mateus interrompe a videochamada e vai ver o que acontece do lado de fora do prédio administrativo.

CAM SUBJETIVA: Um temporal se aproxima. Nuvens se escurecem. Vemos pelo olhar do Mateus abaixando as persiana, que os manifestantes são afastados a base de gás lacrimogênio, cassetete e empurrões. Vemos que parte do exército está ali, misturado com a guarda municipal. Manifestantes caem e são agredidos, vemos muitos sangrando e tossindo. Escutamos um trovão.

Close em Mateus esboçando um sorriso crescente no rosto.

MATEUS – Agora sim, chega dessa balbúrdia!

E solta uma gargalhada infernal.

CENA 07/SÃO PAULO/AVENIDA PAULISTA/STARBUCKS/INTERIOR/INICIO DA NOITE

Heloísa e Goram estão sentados numa varandinha, observando a chuva cair lá fora. Ela está bebendo um caramelo macchiato e ele um frapuccino de brigadeiro, comem pães de queijo integrais.

GORAM – Tu está melhor, porã?

HELOÍSA – Estou. Se não fosse você eu nem sei o que seria de mim.

GORAM – Égua Nossa ! Mas Goram não entendeu o que gerou em Heloísa gerou tudo aquilo?  

HELOÍSA – Eu não sei, estou um pouco ansiosa com o começo das provas.

GORAM – Goram também, mas tu é muito estudiosa, amor, ani precisa se preocupar.

HELOÍSA – Mas são muitos conteúdos. Não sei se vou dar conta de tudo, a nota mínima para passar é 7,0. E a Olímpius não é que nem universidade pública que você se torna jubilado sobre condições extremas, aqui, se você fecha mais de 3 disciplinas no semestre abaixo de 7,0, você perde a vaga.

GORAM – Hey, calma, porã.

Ele pega as mãos dela.

GORAM – Eita Gato-Réi !Vai ficar tudo bem, tá bem? Goram e Heloísa vai estudar juntos e se não funcionar, vamos mopumbyry a galera e damos um jeito.

Vibra o celular dele. Uma notificação chega. Era de Mateus.

“Olá, querido. Estou chegando na mansão, vamos dar início ao jantar em uma hora. Seria muito bom que pudesse comparecer”.

NOJO.

Goram olhou para Heloísa que se perdia em olhares na chuva.

GORAM (V.O) – Por Maíra e Macuna-Íra! Preciso contar a ha’e tudo que aconteceu na noite anterior, mas não sei se tenho py’agasu, Heloisa está muito ansiosa com as provas e Goram não tem muito tempo.

Ele pensou um pouco e puxou a mão dela de volta.

GORAM – Vamos porã , Goram precisa ainda estar na mansão de Mateus para um karu de negócios. Vou chamar um uber para ñande.

FLASHBACK RÁPIDO: Heloísa se lembra de ter visto ele empurrando Mateus.

Mas ela estava tão avoada e aquele momento estava tão bom que ela resolve não falar.

CORTAR PARA:

CENA 08/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/EXTERNO/PONTO DE ÔNIBUS

Fabiana chega correndo no ponto de ônibus em frente a faculdade para não se molhar.

Fabiana termina de mandar mensagem para mãe

“Já procurei um advogado trabalhista, falei com ele agora de tarde, amanhã, vamos juntas até o escritório dele na cidade”.

Focar a poucos metros dali. Samuel já se encontrava dentro do carro no banco de trás e seus dois parceiros no banco da frente. Todos mascarados.

SAMUEL – É ela. Bora raptar a guria!

O motorista pisa no acelerador e para o carro bem em frente a ela. Saem num disparo só.

FABIANA – O que é isso?!Me larguem!

Os outros dois passageiros tentam ajuda-la, mas Samuel apontam a arma.

SAMUEL – Quietinhos aí, se não quiserem, levar bala na cara.

Fabiana olha para sua máscara meio que desconfiada dele. Colocam ela dentro do carro, mesmo esperneando. Fecham as portas. Zarpam com o carro.

CENA 09/SÃO PAULO/TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/APARTAMENTO 12/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Heloísa deixa seus livros pesados no sofá e se encaminha para o banheiro. Ela vai abrir a porta quando dá de cara com Suzy desacordada, usando um top apertado, só com as peças de baixo, um gilete caído ao lado e os pulsos sangrando com rastros escorrendo pelo ralo.

Solta um grito de horror. 

Close-up em seu rosto petrificado.

CENA 10/SÃO BERNARDO DO CAMPO/CASA DOS SILVEIRA/EXTERIOR/NOITE

Boina acompanhado de seu pai Remo, chega em casa e estranham ao ver Eulália falando coisas baixinhas, meio lunática, resmungando da janela do seu quarto que dava para rua.

REMO – O que está acontecendo com a mãe?

BOINA – Eu não sei.

Eles adentram e vão em sua presença. Instrumental de drama médico se inicia a todo vapor.

REMO – Eulália! O que está acontecendo?

BOINA – Mãe, o que a senhora está vendo?

Eulália balbucia.

EULÁLIA – Duendes! Duendes por toda parte!

REMO –  Duendes?

EULÁLIA – Duendes, duendes me perseguindo, querem me pegar, que horror, não me deixem ser pega por eles.

Close alternado rápido entre Remo com a mão na cabeça atordoado com o estado da mulher. Boina contendo a mãe no ombro muito preocupado e Eulália apavorada. Escurece a tela.

CENA 11/SÃO PAULO/JD. AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Muitos investidores da universidade estão por lá. Vemos empregados servindo canapés e vinho aos convidados. Mateus apresenta Goram a um investidor.

MATEUS – Fiquei tão feliz do senhor ter comparecido, Doutor Umberto, amigo de todas as horas. Este é o Goram, nosso menino propaganda.

GORAM – Maitei Doutor Umberto, como senhor está?

UMBERTO – Prazer Goram!

MATEUS – Doutor Umberto é um de nossos maiores acionistas, dono também da farmácia HUMABOM.

UMBERTO – Exatamente e foi muito importante aquele acordo fiscal para medidas de austeridade, precisamos enxugar algumas ala do hospital, discutir uma grade curricular mais voltada ao mercado de trabalho e menos humanista, isso dá brecha para os alunos fazerem o que fizeram. São corrompido por esquerdinhas. Aliás, você não participou não desta invasão que teve na universidade hoje, não é meu rapaz?

GORAM (Com nojo dos dois) – Ani….

MATEUS – Goram é dos nossos, esteve do meu lado o tempo todo. É uma pepita de ouro e um grande amigo.

Goram o olhou com náusea estampando um sorriso amarelo.

Catarina fez sinal para Mateus que foi ao seu encontro.

MATEUS – Só um minuto, queridos.

Ele foi ao seu encontro. Instrumental crescente. Neste instante, Bernardo abre a porta da sala e avista Goram, sente uma fúria. Caminha a seu encontro.

BERNARDO – Será que podemos finalmente conversar?

E o puxa para longe de Umberto que estranha e se dissolve entre os funcionários.

GORAM – Égua de Largura! Você pode soltar o braço de Goram?

BERNARDO –E  você pode me dizer o que estava fazendo me seguindo até um apartamento no centro da cidade?

GORAM (se faz de desentendido) – Centro da tava? Tu pirou mano? Tá destembrelhado?

BERNARDO – Olha o jeito que você fala comigo! Que foi, moleque? Queria me chantagear? Tirou foto dos beijos comprometedores?

GORAM – Leseira Baré! Do que tu tá falando? Homem Branco?

BERNARDO – Como se você não fosse branco também! Para de mentir, eu vi você lá, olha aqui se você…

Mateus chega

MATEUS – O que está acontecendo aqui?

Goram vai para o lado de Mateus segurando a mão de dor.

BERNARDO – Nada.

MATEUS – Como nada? Pelo que eu pude ver, vocês estavam brigando…

BERNARDO – Imagina, amor.

MATEUS – Goram, ele te agrediu?

GORAM – Ani, não aconteceu nada, foi apenas um esbarrão sem querer e ele haē apelando, mas não houve agressão rete ani.

BERNARDO – Foi isso aí que aconteceu.

MATEUS – Você tem certeza, Goram?

GORAM – Hee, senhor.

MATEUS – Pare de me chamar senhor, para você é Mateus apenas.

Bernardo sente um leve ciúmes ao perceber o clima dos dois.

MATEUS – Agora vai circular, Bernardo. Nós nem estamos nos falando direito, pare de achar ruim só porque alguém esbarrou em você.

Goram segura o riso, o homem se afasta irritado.

MATEUS – Ele já foi, escuta Goram, trouxe uns papeis para você assinar é de uma das emissoras que fez a gravação da sua premiação hoje cedo, eles precisam que você conceda o seu direito de imagem, tem uns dados pessoais antes que você precisa preencher, vamos ali no sofá.

GORAM – Claro.

Eles se sentam e Goram começa a preencher. Por de cima do sofá, Bernardo não gosta nada daquela intimidade. REVOLTA. Instrumental de mistério. Até que repara na letra de Goram e sente um leve sensação de já tê-la visto antes. Mostrar isso com uma face de estranhamento paralisada. Dar zoom nos papeis.

CENA 12/SÃO PAULO/CARRO DOS CAPANGAS DE SAMUEL/NOITE

Fabiana grita com a boca amarrada e acaba deixando escapar.

FABIANA – O que vocês querem comigo?

Ela transpirava muito.

CAPANGA 1 – Cala boca, mulatinha, se não quiser morrer. Já já você vai saber

E começam a dar risada, um acelera o carro, outro repõe a fita na boca com a abertura da arma colada na cabeça de Fabiana que sente muito medo.

CENA 13/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS.

Escurece ainda mais nas ruas da Lapa.

CENA 14/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE ADELAIDE/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MADRUGADA

Goram chega em casa e desafoga a gravata.

GORAM – Tô fumando numa quenga! Odeio essas ao de homem branco, tudo apertada, deixa as pessoas sem ar.

BANHEIRO

Goram abre o chuveiro já sem roupa e molha o corpo.

FLASHBACK RÁPIDO: Ele se recorda de Bernardo ter segurado o seu braço e feito aquelas perguntas diretas, desconfiando dele.

Goram se preocupa.

GORAM – É Jaci se Goram não abrir os olhos, daqui a pouco esse jejuka pode descobrir qual é a añetegua identidade de Goram. Tekotevē dar um jeito de me afastar um pouco da mansão e tentar afastar Araponga dele.

Instrumental explosivo. Big-close-up em sua face atordoada.

CENA 15/SÃO PAULO/JD. AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/QUARTO DE HÓSPEDE/MADRUGADA

Bernardo se revira de um lado para o outro na cama, estava tendo um sonho esquisito.

MOSTRAR SONHO: Ele é flagrado por Mateus na frente da mansão beijando Araponga, Mateus parte para cima dela, Bernardo a defende e joga Mateus no chão com estrépito, sangue começa a jorrar da cabeça dele. Ele então percebe que Alexandre não está na cabine de porteiro e se adentra no jardim da mansão a procura desesperada por ele, quando encontra, ofegante, num banco próximo a janela lateral do corredor do lavabo, onde Ângela o ameaçava, os papeis que Goram preenchia na comemoração na mansão há horas atrás.

Ele se levanta com respiração descompensada. Instrumental de suspense. Ele para um momento perdido em pensamentos no ar. Quando um estalo surge na sua cabeça.

CORTE DESCONTINUO

Ele abre sua maleta e pega numa das divisórias o bilhete que Pâmela recebeu anunciando o cativeiro de sua mãe.

Ele acende a luz do abajur e fica olhando para aquelas letras como se procurasse por algo, seus olhos ávidos pareciam saltar.

CORTE DESCONTINUO

SALA DE ESTAR

Ele desce as escadas rápido e pensa por um momento, depois se dirige a sala de visita.

ESCRITÓRIO

Bernardo abre a porta e acende a luz, começa a procurar pelos papeis que Goram preenchera, procura inicialmente na mesa, folheia um por um os documentos de lá, depois olha nas gavetas da mesa uma por uma, abrindo-as com um chaveiro, deixar indicado para o telespectador o pequeno esconderijo das chaves atrás da mesa aberto. Por fim, encontra uma pasta preta em cima da poltrona branca e começa a folhear, folhear, até que encontra, largando a pasta na poltrona branca. Ele senta na outra também branca e retira o bilhete do bolso da bermuda do pijama. INSTRUMENTAL CATASTRÓFICO. Ele olha de um papel para o outro, de um papel para o outro, até que irado, foge com o olhar.

BERNARDO – Desgraçado. Foi ele que escreveu o bilhete, foi ele!

CONTINUA…

FADE OUT

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NAVEGAR

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