Estação Medicina 

Capítulo 22

Ansiedade

CENA 01/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/EXTERIOR/TARDE

Big-close-up no rosto de Goram. Fim do Instrumental explosivo. Ele aperta a campainha.

CATARINA – Tudo bom, seu Goram. Doutor Mateus já está descendo para a aula de vocês, preparei um lanchinho para você na cozinha. Pasta de Amendoim com Geleia.

Goram sorri e a cumprimenta com um beijo.

GORAM – Por Tupã! Como é que Catarina adivinhou, Catarina? Goram adora.

Ela sorri feliz pelo seu reconhecimento. Eles se adentram.

CENA 02/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS

Mostrar rodoanel. ABC paulista. Luzes das lojas se fechando no centro estendido. Jovens andando de skates num half. Anoitece.

CENA 03/SÃO PAULO/PENHA/CASA DE ANDRÉ/QUARTO DE ANDRÉ/NOITE

André tenta ficar quieto deitado na cama sobre o lençol, mas não consegue. Levanta. Anda de um lado para o outro aflito. Tenta ligar para Goram.

CORREDOR

Neste instante, sua mãe Eleonor passa pelo corredor e percebe a agitação do filho, observa pelo vão da porta entreaberta.

QUARTO DE ANDRÉ

ANDRÉ – Não tá certo, isso. Ela precisa saber. Ela precisa saber quem foi que sequestrou a mãe dela, aquele cara não pode continuar enganando ela daquele jeito, ela não merece. Dona Ângela foi sempre uma pessoa e tanto, ela não podia ter tido um final assim, não podia!

Naquele momento, Eleonor abre a porta.

ELEONOR – Filho! Você sabe quem sequestrou a Dona Ângela?

Instrumental explosivo. André esbugalha os olhos, gritando de susto.

ELEONOR – Você viu a Pâmela e você escondeu isso?

ANDRÉ – Não, eu não quis…

ELEONOR – Como não quis, filho? Isso é muito grave! Você acabou de falar que Goram também sabe, vocês precisam contar isso a Pâmela! Eu vou ligar para ela agora.

André corre até ela e tampa a passagem da porta.

ANDRÉ – Não, mãe. Eu jurei a Goram que não contaria! Quanto mais gente souber desta história, mais gente vai se machucar.

ELEONOR – Já existem pessoas machucadas nesta história. Do jeito que você fala parece que Goram está envolvido neste sequestro.

ANDRÉ – Ele não está, mãe. Eu te garanto. Por favor não faça nada.

Eleonor passa embaixo do braço.

CORREDOR

ELEONOR – Eu não posso mais permitir uma situação dessas! Se não serei cúmplice disso. Pâmela não merece isso.

Ela tenta ligar do telefone fixo, mas André puxa da tomada.

ANDRÉ – Por favor, mãe. Não faça isso!

ELEONOR – Para, moleque! O que você teme tanto? Está envolvido também?

ANDRÉ – Claro que não.

Eleonor se tranca no quarto e liga para Pâmela. Sem forças para continuar impedindo, o jovem negro se deixa deslizar pela parede do corredor.

ANDRÉ – Meu Deus! O que será desta história agora?

CENA 04/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/MATERNIDADE/NOITE

Caio chega e beija a companheira Meire. Ela estava de frente para um berçário, onde a bebê estava sendo tratada.

CAIO – Meu estágio acabou agora! Bella está bem?

MEIRE – Arrasada! Não entendemos como isso foi acontecer com Clarinha.

CAIO – Você desconfia de alguma coisa?

MEIRE – São muitas possibilidades, eu estava desconfiando de descompensação cardiorrespiratória porque ela tava com baqueteamento digital, mas não encontramos nenhum achado incomum na ausculta pulmonar e cardíaca.

Neste instante, uma enfermeira chega com o hemograma da bebê.

ENFERMEIRA – Doutora, você não vai acreditar no achado do hematócrito.

Meire pega o exame e se choca.

MEIRE – Caramba. Ela está com um quadro eritrocitose muito aumentado, trombocitose também. Ela pode ter problemas sérios com a formação de coágulos, isso pode parar no pulmão. Procure Doutora Bomga, ela deverá saber se a bebê pode ou não tomar aspirina.

Enfermeira sai correndo e Meire se apoia na vidraça no Berçário.

CAIO – Que foi amor, você ficou pálida com este resultado?

Ela volta com os olhos cheios de lágrimas.

MEIRE – Eu tô começando a achar que é Policitemia Vera.

CAIO – Policitemia Vera?

MEIRE – Sim. Câncer, amor. Câncer!

Close no rosto passado de Caio.

CENA 05/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/SALA DE JANTAR/NOITE

Mateus serve-se vinho.

MATEUS – E então entendeu o simple past? Me acompanha com o vinho?

Goram confirma escondendo seu incômodo.

GORAM – Goram entendeu sim, sua aula me ha muito a revisar.  Hee, Goram acompanha.

Mateus se levantou e o serviu. Os lábios do vilão estavam dormentes. Encheu a taça do indígena.

GORAM – Está bom.

O vilão depositou a garrafa na mesa, voltou ao seu lugar.

MATEUS – Posso te fazer uma pergunta indiscreta, meu rapaz?

Goram estranhou.

GORAM – Claro.

MATEUS – Você tem namorada? Namorado?

Instrumental explosivo. As pupilas do anti-herói se destacaram. Um sorriso malicioso surgiu no canto da boca. Big close-up. Hesitou em responder.

GORAM – Ani reko, por quê?

MATEUS – Curiosidade mesmo, um jovem tão bonito e inteligente como você não podia estar solteiro, concorda comigo?

Goram pensou novamente.

GORAM – É… Mateus reko razão.

MATEUS – Né, não? Brinda comigo?

GORAM – Égua. Brindo sim.

Eles brindam e Mateus o come pelos olhos. Goram percebe um interesse.

Na mochila do lado, mostrar o celular vibrando com a luz acesa, mas ele não percebendo. Vemos que era André.

CENA 06/RORAIMA/BOA VISTA/VISTAS AÉREAS

Mostrar a cidade com vistas aéreas.

CENA 07/RORAIMA/BOA VISTA/APARTAMENTO DOS GUAJAJARAS/COZINHA/NOITE

Epífita chega na cozinha trazendo algumas bolsas com roupas e estranha ao ver que o quarto da filha ainda está fechado

EPÍFITA – Esse oga ainda está fechado?

Ela deposita as bolsas na mesa e volta a bater no quarto chamando a jovem.

EPÍFITA – Araponga! Tu ainda está aí? Araponga?

Vitória chega da sala.

VITÓRIA- RÉGIA – Vitória-Régia percebeu agora de pouco que Araponga não saiu do quarto. Chamei ela para almoçar, mas nada.

EPÍFITA – Epífita está preocupada, ela está muito quieta.

Odin chega ao local.

ODIN – O que vocês estão fazendo aí?

VITÓRIA – Araponga não saiu do quarto desde cedo.

EPÍFITA – Estou muito preocupada com ela, amor.

Odin bate mais forte.

ODIN – Araponga! Tu está aí? Leseira Baré. Araponga ou você abre ou eu vou abrir essa porta!

Não se escuta nada.

Ele pula em cima da porta e estoura a porta.

EPÍFITA – Por Maíra, Odin!

O trio entra no quarto e notam que ela não está.

QUARTO DE ARAPONGA

VITÓRIA-RÉGIA – Cadê essa curuminha?

Odin revira os lençóis, olha embaixo da cama. Epífita abre o guarda-roupa e nota que muitas peças sumiram.

EPÍFITA – As roupas!

VITÓRIA-RÉGIA – Araponga levou as roupas?

ODIN – A mala sumiu!

EPÍFITA – A minha piá foi embora de casa?!

Instrumental explosivo. Close alternado. Odin furioso. Vitória balançando a cabeça num tom de reprovação. Epífita preocupada.

CENA 08/SÃO PAULO/BURACO QUENTE/CASA DE PÂMELA/SALA DE ESTAR/INTERIOR

CAM SUBJETIVA. Pamela abre a porta da sala com certa brutalidade. Um uber para em frente, dele saem Eleonor com o filho. Pâmela vai ao encontro de André enquanto Eleonor acerta a corrida.

PÂMELA – Quem sequestrou, minha mãe, André? Fala, Fala de uma vez.

Os olhos dela estavam vermelhos. O Uber parte e Eleonor solicita ao filho.

ELEONOR – Vamos, André. Fale logo quem foi o mandante do sequestro, você sabe que eu sei.

André começa a estremecer.

ANDRÉ – Pombas! Eu prometi para o Goram que eu não falaria nada, eu não posso trair ele.

ELEONOR – Mas trair a Pâmela, sua vizinha de infância, você pode? Ela perdeu a mãe, filho. Você não pode ser tão cruel nessas horas e não perceber o sofrimento que ela está passando. Esse não foi o filho que eu criei, não pode.

André encara Pâmela e ela estava banhada em lágrimas.

PÂMELA – Fala para mim, André. Por favor. Fala.

André se aproxima e toma coragem.

ANDRÉ – Foi aquele homem que te acompanhou no cemitério, ele a sequestrou porque ela chantageou ele com sua gravidez.

Instrumental catastrófico. Close alternado. André põe a mãos nos olhos. Eleonor se horroriza. Pâmela fica incrédula. Congela

FADE OUT

Continua…

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