Estação medicina

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Capítulo 24

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NAVEGAR

ESTAÇÃO MEDICINA

CAP 24

NOCAUTE

FADE IN

CENA 01/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE ADELAIDE/INTERIOR/SALA DE ESTAR/FIM DE TARDE

Goram se levanta desesperado.

GORAM – Araponga? Tu estava aí?

LAURINHA – Ela ouviu tudo gente! Ela sabe de tudo!

THEMISE – Do que você está falando, irmã? Tudo o quê?

LAURINHA – Já faz tempo que escuto a conversa de vocês, gente, eu sei do seu passado Goram.

Themise coloca a mão na cabeça em nervos.

Araponga rompe o silêncio de seus lábios.

ARAPONGA – Araponga sempre soube que Goram era um indígena de araque, que se aproveitava do nossa ava para poder sair por aí dizendo de káma cheio ser um Guajajara, sendo que é e sempre foi homem branco. Mas não esperava que o que te motivou para vir a São Paulo havia sido uma vingança contra o meu galalau!

GORAM – Égua. O seu homem Araponga matou os meus pais!

ARAPONGA – Isso, é mentira! É mentira!

THEMISE – É verdade, Araponga! Ele matou os pais biológicos de Goram num plano arquitetado pelo próprio irmão mais velho de Goram, Mateus Moça, hoje o herdeiro do Campus Olímpius e marido de Bernardo.

ARAPONGA – Meu homem não é um jejuka, vocês estão inventando essa história para fazer mal a ele. O que tu quer com tudo isso, seu desgraçado? Destruir a vida dele? Tomar a tenda dele? Porque frequentando a mansão você já está.

GORAM – Égua. Goram está lá para praticar aulas de inglês para o Intercâmbio que farei representando a universidade no final do semestre. Esse seu amante planejou com dois caras que kerasõ meus pais a pauladas há 18 anos. Pode pesquisar, família Moça! Doutor Orlando Moça e Eloá Moça! Crime que chocou o tetã! Eles planejaram um ataque a mansão, forjaram tudo, mas eu vi, eu com apenas 5 anos assisti a meus urus morrerem na minha frente.

Goram começa a chorar. Themise continua.

THEMISE – Recentemente, Bernardo sequestrou a mãe de uma ex-empregada que havia chantageado ele para ele lhe dar muito dinheiro para sustentar sua filha, que Bernardo havia engravidado. Ele provocou indiretamente a morte da mulher que não aguentou as emoções. A filha dela descobriu tudo pouco tempo depois e exigiu dinheiro para não contar tudo, esses dias atrás, Bernardo executou a coitada e temos…

Goram puxou o braço de Themise, fez sinal com os olhos para ela parar.

ARAPONGA – Themise e Goram são tão loucos que até pensarem nos detalhes da história, vocês pensaram, mas o joguinho itarováva de vocês termina hoje, porque ele vai saber de tudo.

E foi em direção a porta, Goram correu na frente e tampou a passagem.

GORAM – Araponga não vai sair daqui!

ARAPONGA – O que Goram vai fazer para impedir Araponga? Me jogar pela ovetã? Me trancafiar para eu não dizer nada?  Porque se não fizer algo, ele vai saber de tudo.

GORAM – Não me confunda com o seu amante, é ele quem faz essas coisas! Eu sou do bem!

Neste instante, Adelaide chega da padaria, abrindo a porta, Goram se afasta.

ADELAIDE – Nossa Araponga, desculpa te fazer esperar tanto, mas estava uma fila quilométrica na padaria, vim correndo para não pegar a chuva. Estão todos aqui? Que olhar são esses? Estão discutindo?

Araponga aproveitou a deixa e desatou a escapar pelo vão da porta aberto, Goram olhou para Themise e desatou a ir atrás dela.

ADELAIDE – Mas o que é isso? O que está acontecendo? Por que Araponga saiu daqui que nem um foguete sem se despedir de mim e Goram por que foi atrás dela?

Instrumental explosivo. Themise fica sem saber o que falar para mãe.

CORREDOR

Instrumental de ação. O elevador se fecha com Araponga antes de Goram alcança-lo, ele aperta o botão no elevador, mas o elevador já havia partido.

GORAM – DROGA!

ESCADAS

Ele abre a porta de emergências e desata a correr pelos lances de escada.

TÉRREO

Goram abre a porta no térreo correndo e vai para o externo.

EXTERIOR DO EDIFÍCIO

Goram percebe que Araponga está atravessando a rua para o ponto de ônibus e um ônibus está vindo em sua direção, ele acelera os passos, ela sobe no ônibus e vê que seu celular cai, mas não há tempo de pegar, passa para trás da roleta, quando Goram vai atravessar a última rua, quase um carro o atropela, motorista buzina xingando, vários carros começam a passar. DESESPERO.

GORAM – Sãmbyhyha! PARA! PARAAAAAAA!

Mas o motorista não o vê. Puxa a marcha e pega movimento.

GORAM – Ani! Ani!

Goram tenta correr pelo canteiro entre as avenidas atrás do ônibus, corre muito. OFEGANTE. OLHOS SALTITANTES. VOZ SAINDO RÁPIDA MISTURANDO COM OS OUTROS SONS DA CIDADE E SUMINDO AOS POUCOS COM OS BARULHOS DOS AUTOMÓVEIS. IGNORADO PELO DESTINO. Ele cai ajoelhado o chão desesperado.

GORAM – NÃOOOOOOOOO!

Expressões fortes em seu rosto, lágrimas escorrem, a chuva começa forte a cair sobre suas costas. Encharcado está. O leite já havia derramado, não havia mais nada o que fazer.

CENA 02/SÃO PAULO/JARDINS/MOTEL TROPICAL/INTERIOR/QUARTO 14/NOITE

Giovana está na frente do espelho contemplando seu reflexo só de roupas íntimas. MEDO. Quando, um homem, chega a pegando por trás, beijando seu pescoço. NOJO.

GILBERTO – Minha princesinha, papai vai te levar para o espaço de tanto prazer.

Ele a pega a joga na cama. Ela cai paralisada.

GILBERTO – Vamos de algema?

Ele prende os braços dela na cabeceira da cama. Ela fecha os olhos num tom de agonia. Ele beija seu pescoço.

GIOVANA – Acho que eu quero ir para casa!

GILBERTO – O que você está dizendo?

GIOVANA – Me leva de volta, por favor.

GILBERTO – Você está zoando com a minha cara, né? Eu paguei pelo seu serviço, você é minha por 24 horas.

Giovana não soube o que responder.

GILBERTO – Relaxa, bebê. Prometo que não vai doer nada.

Sem camisa, Gilberto beija ela, passando a língua em seu rosto, mordendo. MAIS NÁUSEA. Ele abre sua calcinha e sem lubrificar, coloca dedos em sua vagina. Giovana gira a cabeça para o lado num tom de dor.

CENA 03/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLÍMPIUS/HOSPITAL MOÇA/EMERGÊNCIA DE ORTOPEDIA/INTERIOR/NOITE

Eleonor chega na ala do SUS. Procura de maca em maca naquele longo corredor até achar seu filho gritando de dor.

ELEONOR – Meu filho!

ANDRÉ – AI! AI! Tá doendo muito!

ELEONOR – O que houve com você?

André não consegui responder.

DONO DA ACADEMIA – Esse danado foi tentar puxar um peso que ele não aguentava e acabou se machucando, talvez tenha quebrado algumas costelas.

ELEONOR – Peso? Você estava fazendo academia e não me contou?

André não conseguia responder de dor.

ELEONOR – Ele nem está respondendo. Não tem um médico nesse hospital?

DONO DA ACADEMIA – Eu já tentei procurar, perguntar para as enfermeiras, mas todos parecem que estão na UTI.

ELEONOR – Meu Deus do céu! Mas meu filho está com dor. Isso não está certo, alguém deveria vê-lo. Não é só porque é gratuito que tem que ser assim, eu ajudo a bancar o SUS com impostos.

Ela sai atrás de um médico nos leitos e encontra um.

ELEONOR – Doutor! O senhor pode me ajudar? Meu filho está gritando de dor lá no fim do corredor…

MÉDICO – Minha senhora, a senhora não está vendo que estou atendendo uma paciente, ela acabou de enfartar, não está respondendo, seja o que seu filho estiver, pode esperar.

E voltou ao trabalho, deixando Eleonor com carão.

CENA 04/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE ADELAIDE/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Goram volta todo triste e encharcado. Adelaide conversa com Themise.

ADELAIDE – Então Goram estava discutindo com ela sobre a vinda dela para São Paulo repentina? Mas eu já havia dado uma bronca dela, ela entendeu muito bem, não havia necessidade disso novamente. Ela veio para cá por amor, minha filha, você não entende isso, porque nunca viveu um. Quer dizer, está jogando fora porque…

Themise a interrompe, percebe que Goram chegou.

THEMISE – Goram?

Ele estava cabisbaixo.

ADELAIDE – Caramba, Goram! Como é que você deixou se molhar desse jeito? Pelo jeito a briga foi feia, hein? E desnecessária, né gente? Vou pegar a toalha.

LAURINHA – Não ligue, ela não sabe de nada.

GORAM – Pouco me mba’eguasu, agora já deu tudo errado mesmo.

THEMISE – Como assim? Você não conseguiu convencê-la.

GORAM – Nem se Goram alcançasse! Ela Araponga odeia, tudo seria inegociável!

Adelaide volta com uma toalha.

ADELAIDE – Tome, querido, vai se trocar, se quiser ajuda da tia.

Themise deu um tapinha no ombro da mãe pelo jeito. Goram foi para seu quarto. Themise foi atrás.

CORREDOR

THEMISE – O que você vai fazer a respeito?

GORAM – Goram vai até o bar do Esteto!

THEMISE – Bar do Esteto? O que você vai fazer lá?

GORAM – Hee. Vou chamar um uber, não tem condições de esperar, marquei um juhu com Mateus no bar do Esteto, dizer que estou muito mal e preciso de tekove, ele vai vir até mim.

THEMISE – Você tem certeza? Você me disse que a mansão fica no Jd. América, de lá até o Tatuapé, é longe.

GORAM – Égua! Mas sy vem, já confirmou, Mateus está carente, quer companhia e gosta muito de Goram. Preciso impedir que Bernardo conte a há’e.

THEMISE – Mas e se Bernardo estiver na mansão e ela já contou a ele? Essa hora Mateus já pode estar sabendo.

GORAM – Apo’ymby, daqui até o centro, deve demorar uns 40 minutos e ela…

Ele mostra a Themise.

GORAM – Perdeu o pumbyry na fuga ao subir no busão.

THEMISE – Meu Deus! O Celular dela!

GORAM – Araponga não sabe da prova que temos, então não deve estar tão yvytu assim para contar a ponto de pedir o celular de alguém no ônibus para fazer ligação. Mateus já está vindo, deixa Goram se aprontar.

E entrou no quarto, batendo a porta. Themise ficou preocupada.

CENA 05/SÃO PAULO/PINHEIROS/APARTAMENTO DE VITOR/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Vitor percebe que Themise está online e não respondeu.

VITOR – Cara, essa garota não gosta de mim.

Viviane chega correndo em casa e percebe que ele está cabisbaixo.

VIVIANE – Vitor, por que você está assim?

VITOR – Não é nada, são só os estudos.

VIVIANE – Hey, não mente para mim, faz um tempo que estou notando assim.

Vitor hesita uns segundos.

VITOR – É de uma garota aí, que eu tô gostando, mas ela não dá a maior bola para mim.

VIVIANE – E aí você vai ficar acabado desse jeito?

VITOR – Eu não sei o que fazer!

VIVIANE – Como não sabe? Vitor! Se ela está te deixando assim, aí é que você tem que mostrar que não precisa dela. Você vai comigo hoje no Bar de Esteto.

VITOR – Não vou não. Tá chovendo!

VIVIANE – E desde quando chuva é desculpa para não sair? Ah, vai sim. Vamos curtir a noite e não se fala mais nisso. Quem sabe você não conhece alguém especial por lá.

E o puxa para o corredor.

CORTAR PARA:

CENA 06/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLÍMPIUS/HOSPITAL MOÇA/EMERGÊNCIA NEUROLOGIA/INTERIOR

Eleonor não encontra frustrada nenhum médico.

ELEONOR – Por favor, minha linda, você pode me ajudar onde tem médico? Meu filho está gritando de dor.

A enfermeira a esnoba. Rita que chega de uma emergência na sala se compadece.

RITA – Onde está seu filho, minha senhora?

Eleonor sorri.

CORTE DESCONTINUO

EMERGÊNCIA DE ORTOPEDIA

Rita se surpreende ao ver André.

RITA – André, é você! Como que deixaram ele assim? Hey, você, providencie rápido uma analgesia epidural. Entra com 350 mg de cefalosporina intravenosa para prevenirmos risco de infecção.

A enfermeira entende e apressa o passo.

RITA – Vamos fazer alguns raio-x para verificar quais ossos você fraturou.

Instrumental de ação. Close na face de Eleonor emocionada.

CENA 07/SÃO PAULO/CENTRO/APARTAMENTO DE ARAPONGA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Araponga entra correndo encharcada e retira a blusa jogando numa cadeira, ela pega o telefone fixo e disca para Bernardo. Toca algumas vezes.

ARAPONGA – Égua nossa! Atende este pumbyry, homem de Deus!

Mas ele não responde. Cai na caixa postal. Ela liga de novo, mas não dá certo.

DESESPERO.

FUSÃO PARA:

CENA 08/SÃO PAULO/JD. AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/QUARTO DO CASAL/NOITE

Percebemos na cabeceira da cama, uma luz vermelho piscando junto com uma vibração, era o celular de Bernardo. Na cama, ele dormia profundamente.

CENA 09/SÃO PAULO/TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/QUARTO 12/INTERIOR/SALA/NOITE

Heloísa chega acompanhada de George.

HELOÍSA – Foi muito legal, o cursinho, eu adorei conhecer, quando as coisas acalmarem nos estudos, eu quero muito ajudar com algumas aulas.

Suzy sentada na mesa, diametralmente oposta a entrada, só observa.

GEORGE – Claro, vamos adorar te ter por lá.

HELOÍSA – De verdade, obrigada por ter me acolhido, eu tava bem mal naquela hora na horta orgânica.

GEORGE – Imagina, eu iria querer a mesma coisa se estivesse em seu lugar, agora preciso ir para casa, descansar, porque amanhã tenho internato cedo.

HELOÍSA – Vai lá.

Eles se dão um beijinho no rosto. Fecha a porta. Heloísa fica corada.

SUZY – SÓ NO BEIJINHO, NÉ?

Heloísa se vira não achando graça.

HELOÍSA – Cordialidades. Você sabe muito bem que eu e o Goram estamos juntos.

SUZY – Sei. Mas me conta onde vocês estava? Fiquei preocupada, você saiu correndo da prova de anato.

HELOÍSA – Nem me fale, fui um desastre total naquela prova, me deu um branco.

SUZY – Não tava fácil, acho que consegui uns 6, não sei.

HELOÍSA – Eu tô torcendo para ficar na média. E amanhã tem mais, isso me preocupa muito.

SUZY – Você precisa ficar calma!

HELOÍSA – Isso é difícil, um medo me toma. E você, como foi na sessão de terapia?

SUZY – Foi bom, mas ainda não me senti muito a vontade para me abrir, sinto que ainda temos um longo caminho e este caminho me assusta.

Instrumental melancólico. Close em seus olhos contemplando o vazio da sala.

CENA 10/SÃO PAULO/TATUAPÉ/BAR DO ESTETO/INTERIOR/NOITE

Viviane está dançando, mas Vitor está cabisbaixo.

VIVIANE – A Música está ótima! Barões da Pisadinha sempre arrasam. Você não vai curtir?

VITOR – Estou sem jeito, vou beber um pouco para ver se animo.

VIVIANE – Vai lá e vem para cá, estou te esperando.

Vitor senta no balcão.

VITOR – Chico, me vê uma Gold bem gelada para mim?

Ele então percebe uma garota misteriosa sentada num canto, seus cabelos amarronzados até o ombro, um sobretudo bem moderno, batom bem reforçado, chamaram atenção. Decidiu se aproximar ao pegar sua cerveja.

VITOR – Oi, chamo-me Vitor e você?

SAMARA – Samara. Nossa, você é veterano de medicina da Olímpios?

VITOR – Viu pela camiseta, né? Sou sim, por quê?

SAMARA – Sou caloura, acabei de ser chamada na lista de espera.

VITOR – Que massa!

Ele senta e eles começam a bater papo em off.

EXTERIOR

Instrumental explosivo. Goram percebe pelo vidro do bar que Mateus parou o carro há alguns metros, esboça um sorriso maquiavélico.

Mateus se aproxima, ele se vira para ele com uma face teatralmente triste.

MATEUS – Goram! Estou aqui! O Que houve?

GORAM – É minha isy, Mateus, minha mãe e meu pai estão passando nekoteve lá em Roraima, estou desesperado, agora fiquei sabendo que foram despejados da ogã que pagávamos aluguel.

MATEUS – Eu nem sei o que te dizer, eu sinto muito por tudo isso.

GORAM – Goram não consegue se concentrar nos estudos com essa añete, sinto que preciso voltar, jará entende? Para cuidar deles e talvez trancar a tape.

MATEUS – Nem pensar, você é nosso garoto propaganda, está no começo da sua carreira, precisa seguir em frente com ela.

GORAM – Goram não está conseguindo…me hasy muito não poder ajudar.

E se joga nos braços de Mateus, que se compadece. A face de Goram é de náusea.

MATEUS – Eu não acho que aqui é um bom lugar para falarmos disso, está lotado de gente, sinto que você precisa desabafar.

GORAM – Se o senhor puder me levar para ambue lugar?

MATEUS – Já conversamos sobre isso, não precisa me chamar assim, somos amigos, acima de tudo.

E acaricia as mãos dele, Goram retribui num tom ardiloso, Mateus se sente bem.

MATEUS – Você quer ir para mansão?

GORAM – Ani, Doutor Bernardo não gosta de Goram, não qpota atrapalhar a vida de vocês, quero ir para algum lugar calmo.

MATEUS – Podemos ir para um hotel, alugo um quarto para gente, eu te ouço, você me ouve.

GORAM – Égua! Acho que nessas aravos é tudo que eu preciso.

E o encara de uma forma maliciosa. Mateus sorri.

MATEUS – Então vamos.

CORTAR PARA:

CENA 11/SÃO PAULO/JARDINS/HOTEL HOMETOWN GLORY/QUARTO 89/INTERIOR

Mostrar a face de Goram risonha em frente ao espelho, Mateus estava abraçado nele. Ambos seminus, Mateus rindo e Goram fazendo ele beber mais champanhe, ao fundo uma valsa toca. Mateus vai beijar Goram, mas ele desvia, deixando o vilão beijar seu pescoço. Mateus vai ficando bêbado até que Goram o empurra na cama e ele cai alcoolizado.

GORAM – UFA! Égua de Largura!  

Ele desliga a valsa. Pega o celular de Mateus na calça dele e joga na privada, dando descarga.

GORAM – Akaraku! Agora, Goram garante que ele não vai saber de nada, pelo menos ani antes de ter uma conversinha com Bernardo.

Instrumental catastrófico. Close em seu rosto satisfeito.

CENA 12/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS

Amanhece na Capital Paulista…

CENA 13/SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DE CAROL/INTERIOR/SALA DE ESTAR

Fabiana está com a cabeça encostada na janela, olhando para rua.

Ligar flashback rápido: Ela se recorda quando ela tomou um banho de lama quando Guto revelou que estava a seguindo. Quando ficaram presos na igreja e se beijaram. Quando ele correu atrás dela no metrô e a beijou contra parede.

Ela se emociona. Toca a campainha. Ela limpa os olhos e atende.

FABIANA – Olá. Você deve ser?

ALEMBERT – Doutor Alembert.

FABIANA – Entra, vou chamar minha mãe para conversar. Pode sentar no sofá.

Ele entra e se senta. Carol volta lá de dentro.

CAROL – Nossa, minha filha, você nem em avisou nada que ele vinha, estou toda molhada. Liga não, senhor…

FABIANA – Alembert!

CAROL – Alembartim! Eu estava lavando roupa lá dentro.

ALEMBERT – Imagina, eu entendo.

FABIANA – Mãe, ele é advogado e vai tratar de todos os direitos que você tem para processar a sua chefa pelo que ela fez com você.

Carol a olha meio temerosa.

CENA 14/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIOS OLIMPIUS/EXTERIOR/MANHÃ

Nara, George, Renan espalham edições do jornal que montaram denunciando as contradições da Diretoria e Reitoria. Uma manchete salta aos nossos olhos: “Reitoria corta mais de 40% de investimento do SUS”.

Mais alunos vão chegando e pegando os periódicos.

Instrumental explosivo. Vemos as pernas longas de Rita andando de uma forma rápida. Ela faz sinal afirmativo com o polegar.

CENA 15/SÃO PAULO/JD. AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/QUARTO CASAL/MANHÃ

Bernardo acorda se espreguiçando, ele olha do lado.

BERNARDO – Ué? Mateus já saiu?

Ele pega seu celular.

BERNARDO – Nem estava tão tarde assim. Quantas chamadas de Araponga! Deve ter acontecido alguma coisa!

Ele disca e não consegue falar.

CORTAR PARA:

SALA DE ESTAR

Bernardo está descendo as escadas quando Catarina vem a seu encontro

CATARINA – Você tem visita de uma moça, ela está te esperando no escritório!

ESCRITÓRIO

Bernardo abre e leva um susto ao ver Araponga.

BERNARDO – Você ficou doida? Como você me aparece aqui?

ARAPONGA – A vinda de Araponga aqui tem um ajeve muito grave.

Bernardo se preocupa.

BERNARDO – O que tá acontecendo?

ARAPONGA – Araponga descobriu que o Goram na verdade é seu cunhado, kyvy de Mateus.

Instrumental explosivo. Os olhos de Bernardo se arregalam.

BERNARDO – O que você está dizendo? Você…você tem certeza?

ARAPONGA – Eu ouvi saindo da boca dele. Goram não passou apenas na mbo’ehao gasu por conta de medicina, ahe veio para São Paulo para se vingar de você e do Mateus pelo assassinato dos pais dele.

Bernardo cai sentado, uma raiva foi lhe subindo as veias.

BERNARDO – Não é possível! NÃO É POSSÍVEEEEEEL!

Ele se joga no chão e começa a esmurrar o tapete, a se contorcer.

BERNARDO – NÃO! NÃO! AQUELE MALDITO NÃO MORREU!

ARAPONGA – Bernardo e Mateus mataram os pais de Goram? Mateus teve py’aguasu de matar os próprios urus?

Um minuto em silêncio. Bernardo cabisbaixo.

BERNARDO – A história não é tão simples assim, sofríamos muito na mão deles, erámos nós ou eles.

ARAPONGA – Araponga quer que Bernardo saiba que independente disso, eu tô com nde.

Instrumental crescente. A face de Bernardo se virou lentamente para ela. Ela o abraçou. Ele a apertou forte.

ARAPONGA – Eu te amo, meu ayhu, e o que eu puder fazer para te proteger, eu farei.

BERNARDO – Que bom, que você me entende.

Close no rosto atônito e furioso de Bernardo sobre o ombro de Araponga.

Do lado de fora, Akiko escuta tudo.

CENA 16/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/INTERIOR/LANCHONETE

Meire chega na lanchonete elétrica. Seu namorado percebe seu estado vai a seu encontro.

CAIO – O que aconteceu?

MEIRE – Paciente acabou de morrer de eclampsia. Eu não me conformo. Tentamos de tudo!

Caio abraça a companheira.

CAIO – Se acalme, você fez tudo que estava a seu alcance, está bem.

Fátima acena para eles.

MEIRE – Olha, é a Fátima!

Eles vão até ela.

FÁTIMA – Amigos, quanto tempo!

MEIRE – Você está melhor? Não fiquei sabendo mais notícias suas desde que…bom, você sabe.

FÁTIMA – Acho que estou aceitando melhor tudo. Perder uma filha dentro da barriga ou fora é sempre muito difícil.

MEIRE – Eu imagino. Mas olha, queremos que você seja madrinha do nosso futuro bebê!

FÁTIMA – Nossa até lá, é capaz deu estar morta. Vocês nem pensam né?

CAIO – Engano seu, já está a caminho.

MEIRE – Eu estou grávida, amiga. Não é maravilhoso?

Fátima sorri forçadamente, em seus olhos se percebe um sentimento obscuro, chamado inveja.

CENA 17/SÃO PAULO/JARDINS/HOTEL HOMETOWN GLORY/QUARTO 89/INTERIOR/MANHÃ

Goram observa Mateus dormir, quando ele se espreguiça, olhando para os lados.

MATEUS – Onde estou? Ai! Que dor de cabeça!

GORAM – Ñande estamos num hotel!

Instrumental explosivo. Mateus arregala os olhos ao ver Goram. Percebe então estar de cueca.

MATEUS – Nós bebemos e? Eu nem me recordo. Eu não deveria ter feito isso!

GORAM – Mateus e Goram podem esquecer que isso aconteceu se tu quiser, ainda que tenha sido muito pupu.

O indígena sobe na cama e acaricia a face de Mateus que tenta beijá-lo, mas se ele levanta antes.

Mateus tateia sem jeito para os lados a procura do celular e Goram assiste a cena se divertindo com os olhos.

MATEUS – Nossa, onde está meu celular?

GORAM – Quer que Goram te ajude a pytyvõ?

Goram finge procurar. Depois de um tempo, Mateus reflete.

MATEUS – Será que eu deixei no carro?

CORTAR PARA:

ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO – CARRO DE MATEUS

Mateus mexe no porta-luvas.

MATEUS – Nossa, onde eu coloquei o meu celular?

Goram o contempla em silêncio.

GORAM – Égua! Pelo jeito, perdeu.

MATEUS – Que merda!

GORAM – Mateus vai direto para mansão ágã?

MATEUS – Vou sim, hoje é meu dia de folga.

GORAM – Ani tenho nada na faculdade ange, será que podemos passar mais tempos upérõ, agora como professor e aluno?

E solta um riso. Mateus o olha.

MATEUS – Está bem. Mas não vai se importar se Bernardo estiver lá.

GORAM – Mõ’a, eu vou adorar.

MATEUS – Você é muito bobo.

E dá partida, Goram vira a face para janela com vontade de vomitar. Instrumental catastrófico.

CENA 18/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO/INTERIOR/MANHÃ

Heloísa está sentada com Suzy e Marcela.

MARCELA – Só de pensar que vou ter prova daqui a pouco, cara, falaram que a prova do António é muito difícil.

Heloísa começa a passar mal.

SUZY – Nem me fale, disseram que a prova daquela professora anãzinha é pior. Ela pega pesado.

Rita se aproxima.

RITA – Anãzinha não é nome, chame ela pelo nome, isso é capacitismo.

SUZY – Desculpe, foi jeito de falar.

RITA – Um jeito bem errado por assim dizer. Vim avisar vocês que André está internado na Ortopedia.

Suzy se levanta assustada.

SUZY – O que aconteceu?

RITA – Fraturou as costelas depois de puxar peso que não aguentava na academia.

Close na face preocupada das três.

CORTAR PARA:

CENA 19/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/INTERIOR/EMERGÊNCIA DE ORTOPEDIA/MANHÃ

André estava dormindo.

RITA – Ele está descansando. Não vai precisar de cirurgia, não está tendo complicações graves do tórax flácido.

SUZY – Espero que ele se recupere logo.

RITA – E o Goram? Vocês viram ele?

Heloísa se incomoda com o jeito que Rita pergunta.

SUZY – Não sabemos de nada, você sabe Helô?

HELOÍSA – Não. Última vez que falei com ele foi ontem a noite.

Rita percebe que foi impertinente e se despede delas com um chamado.

CENA 20/SÃO PAULO/CENTRO/APARTAMENTO DE ARAPONGA/EXTERIOR/CARRO DE BERNARDO/FINAL DA MANHÃ

Ele estaciona o carro e a beija.

ARAPONGA – O que tu vai fazer?

BERNARDO – Contar a Mateus, isso é o mais importante, antes de tudo, depois dar um jeito nesse moleque.

ARAPONGA – Bernardo vai mata-lo?

BERNARDO – Ainda é cedo para dizer. Mas que eu vou tirá-lo do meu caminho, eu vou.

ARAPONGA – Araponga não se importaria, porque aquele lá, não iria japo falta para jehu.

Toca o celular, ele atende.

BERNARDO – Alô? Catarina! Ah, obrigado por avisar. Estou voltando para aí agorinha.

ARAPONGA – O que aconteceu?

BERNARDO – Mateus acabou de chegar a mansão, não posso perder mais tempo, precisamos juntos, pensar numa solução.

ARAPONGA – O que tu precisar, tu sabe que pode contar comigo. Sou sua jagua, sua parceira!

BERNARDO – Eu sei.

E a beija molhado, com gosto. Ela sai e bate a porta do quarto, mandando coração para ele.

Ele puxa a marcha e começa a dirigir. Põe uma das mão junto ao peito, esmurra o volante, grita de raiva.

LIGAR FLASHBACK RÁPIDO: Quando flagrou Goram junto com Mateus no portão da mansão. Quando flagrou Goram o seguindo de bicicleta naquela estrada a noite. Quando o flagrou espionando ele e Araponga no prédio dela no centro. Quando descobriu numa madrugada que a letra dele era idêntica a do bilhete anônimo. Quando descobriu que Araponga era prima dele. De Pamela dizendo que os dias dele e de Mateus estavam contados. Quando ela o contou que ele foi adotado e agora quando Mateus o revelou do ursinho caolho e agora quando Pamela havia lhe contado sobre a identidade de Goram.

BERNARDO – Se você pensou em acabar com as nossas vidas, você fracassou, porque hoje quem vai pôr um fim na sua vingança, sou eu.

Bernardo chora de ódio. Acelera o carro.

CENA 21/SÃO PAULO/SÉ/CLÍNICA DE ONCOLOGIA/INTERIOR/QUARTO DE GUILHERME/FINAL DA MANHÃ

Guilherme acorda e vê Carol.

GUILHERME – Cacau? Você está aí?

CAROL – Como você está se sentindo, Guilherme?

GUILHERME – Um pouco sonolento, minha garganta está seca. Você pode pegar um pouco de água para mim.

CAROL – Claro.

Ela pega água que está numa jarra. Ele se levanta com dificuldade e bebe.

GUILHERME – Não sei se vou sair daqui com vida.

CAROL – Claro que vai, para de falar lorota homem.

GUILHERME – Fui parar na UTI, a metástase está muito feroz. Eu queria muito te pedir algo.

Fabiana que estava voltando da lanchonete comendo um salgado, escuta.

CAROL – O que você quer?

GUILHERME – Queria muito que você me perdoasse…

CAROL – Isso não é hora para…

GUILHERME – Me perdoa pelo mal que eu te fiz quando forcei a barra, quando transei contigo sem você querer, quando eu abusei sexualmente de você.

Instrumental explosivo. Fabiana entra em choque lentamente.

FABIANA – Você fez o quê com ela?

Tremia.

Guilherme leva um susto. Carolina se volta para a filha.

CENA 22/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/FIM DA MANHÃ

Cecília abocanha uma aranha que atravessava o viveiro. Desfocar, vemos Mateus voltando o escritório com Goram.

GORAM – Goram achou que fosse ser mais difícil kundaha das dos pronomes e das conjunções.

MATEUS – Não é nada, você só precisa começar a ver mais filmes ou séries legendado e treinar em voz alta sua pronúncia. Catarina, o almoço já foi servido?

CATARINA – Quase. Mas você não quer esperar, seu Bernardo? Ele já está chegando Professor Doutor Mateus.

Goram respira fundo.

MATEUS – Está bem, vou me aprontar lá em cima. Goram, você se importa em almoçar com ele?

GORAM – Ani, Ani. Acho que é uma boa ocasião para resolvermos nossas jepia.

MATEUS – Ótimo, eu já volto.

Ele sobe correndo

CATARINA – Fique à vontade, se quiser ligar a televisão.

GORAM – Hekopete. Farei isso.

Ela some no interior e Goram se aproxima da televisão procurando uma entrada USB.

GORAM – Koára Bernardo vai levar o maior susto da vida dele.

Instrumental explosivo. Um sorriso crescente aparece em sua face.

CORTE DESCONTINUO

EXTERIOR

Instrumental suspense. Bernardo chega à mansão. Ele estaciona o carro. TRANSTORNADO.

Abre a porta do carro, pisa no chão. Sai. Bate a porta. PREOCUPAÇÃO.

SALA DE ESTAR

Ele abre a porta. De uma penumbra atrás de uma pilastra, Goram aparece risonho.

GORAM – Boa tarde, Doutor Bernardo! Mba’éichapa reime?

Os olhos de Bernardo se esbugalham lentamente. Vemos que feições de fúria aparece em seu rosto.

BERNARDO – Não é possível, eu devo estar vendo uma miragem… (Goram gargalha). O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?

GORAM – Vim para as aulas de inglês ué, mas quando Catarina anunciou que o jará viria, Goram resolveu te dar as boas-vindas. Estava com saudades!

BERNARDO – Mas é muito cinismo da sua parte! Você acha que está por cima né? Que consegue me enrolar com esse papinho, me impedir de contar toda a verdade para Mateus, mas você está enganado, porque eu vou contar tudo que eu sei para ele, mas antes eu vou te dar uma surra, que você jamais vai esquecer na sua vida…

Ele tenta partir para cima de Goram, mas o anti-herói se esquiva e ele cai no chão. Akiko que estava no quintal, observa a cena.

GORAM – Você se esqueceu Bernardo, esqueceu que Goram não é mais aquele garotinho pequeno, que quando meus tetã não estavam, você podia me bater a mando do meu irmão para me fazer ke. Eu cresci e ko’ara sou uma outra pessoa, uma pessoa muito mais esperta eu diria.

Bernardo gargalha.

BERNARDO – Esperta? Você se infiltrou na nossa casa para nada! Hoje, seu teatro termina!

GORAM – Será mesmo? Será que tu vai continuar dizendo isso quando descobrir que hoje é o seu último dia na mansão.

Bernardo ri.

BERNARDO – Meu último dia na mansão? Hoje é o seu último dia de vida, isso sim!

GORAM – Goram se fosse Bernardo, não me subestimaria tanto depois que visse isso.

E com um clique no controle remoto que estava segurando, liga a televisão bem na cena que Pamela está sendo morta.

Bernardo fica chocado ao assistir a gravação. Goram saboreia com o olhar o espanto e o desespero dele.

BERNARDO – O que é isso?

GORAM – Leseira Baré? Não tá reconhecendo, não? O Filminho que de Bernardo matando a kunã do teu filho, grávida!

Bernardo se vira para ele.

BERNARDO – DESLIGA ESSA MERDA! DESLIGA ISSOOOOO!

Goram ri do desespero dele. Mateus que ouve a gritaria, surge no alto da escada.

MATEUS – Mas o que está acontecendo aqui?

Goram desliga instantaneamente. Mateus desce as escadas. Akiko estava pasmado. Catarina chega do jardim.

MATEUS – Que gritaria é essa? Vocês estavam brigando?

Bernardo corre e abraça Mateus, desesperado, observa Goram com medo. Estava pálido. Não consegue falar.

MATEUS – O que está acontecendo aqui, Goram?

GORAM – Acho que o Doutor Bernardo ñe’e a Goram que queria falar algo com você, não é ayhupára?

Mateus se volta para ele.

MATEUS – O que você queria falar comigo, amor?

Instrumental catastrófico. Close nervoso alternado no rosto sarcástico de Goram. Volta para Mateus sem entender. Termina em Bernardo fantasmagórico.

FADE OUT.

CONTINUA…

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