Estação medicina

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Capítulo 13

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ESTAÇÃO MEDICINA

CAPÍTULO 13

ENCONTRO MARCADO

FADE IN

 

CENA 01/ SÃO PAULO/SANTA EFIGÊNIA/EXTERIOR CASA DESCONHECIDA/NOITE

Pamela corre até o corpo da mãe que pende na cadeira.

PAMELA – MÃE! FALA COMIGO, MÃE! FALA COMIGO!

Ângela não respondi.

PAMELA – NÃOOOOOOOOOOOOOOOO.

Caíque troca olhares com Reinaldo e eles concordam com o olhar. Caíque corre para frente da casa e liga para Bernardo.

CENA 02/SÃO PAULO/RODOVIAS/DENTRO DO CARRO/NOITE

Bernardo atende.

CAÍQUE – Patrão, você não vai acreditar no que aconteceu? A velha partiu as botas.

BERNARDO – COMO É QUE É?

Ele freia o carro bruscamente.

RODOVIAS/EXTERIOR.

Goram que o seguia, percebe e para de pedalar a bicicleta, escondendo-se atrás de uma árvore.

DENTRO DO CARRO

BERNARDO – Conta essa história direito!

CAÍQUE – A filha da velha chegou aqui desesperada, golpeou o Reinaldo, a velha se assustou quando viu a filha e enfartou, cara.

BERNARDO – Meu Deus, a Pamela está aí? Mas como ela descobriu o endereço?

CAÍQUE – Não sei chefe, eu não sei!

BERNARDO – E agora? Ai, meu Deus, vou ter que avisar o França. Fazem o seguinte, picam a mula daí antes que ela grave o rosto de vocês.

CAÍQUE – Ok, chefe. Eu vou avisar o Reinaldo!

A ligação é desligada.

Bernardo deita o rosto no volante, ele então percebe pelo retrovisor que um jovem se aproxima do carro e reconhece como Goram. ESTRANHA.

BERNARDO – Mas o que esse cara está fazendo aqui?

RODOVIAS/EXTERNO

Ele abre a porta de supetão e o encara. Goram gela e se vira rapidamente voltando correndo para a bicicleta. Bernardo não consegue alcançar há tempo, Goram foge.

BERNARDO – Esse jovem tava me seguindo? Ah, mas eu vou tirar essa história a limpo agora!

CORTAR PARA:

CENA 03/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA DE EMERGÊNCIAS CLÍNICAS/NOITE

O leito antes ocupado por Persépolis agora estava vazio.

Big-close-up nas olheiras de Rita. Ao fundo se ouvia a voz de uma locutora anunciando algum paciente no fundo do hospital.

ENFERMEIRA – A médica legista pediu para perguntar se a jovem tinha algum parente aqui em São Paulo.

Continuar focando no rosto de Rita em choque e se emocionando com a resposta de Marcela ao fundo.

MARCELA (chorando) – Não, meu amor, não tinha ninguém e não tínhamos informações de onde ela veio e sua família.

Rita não aguentou e pediu para uma enfermeira a retirar da enfermaria. Larissa abraçou novamente Marcela, José chegou e teve o mesmo gesto.

NO CORREDOR

Contemplando os prédios de São Paulo, Rita sofria calada. Odélia se aproximou.

ODÉLIA – As palavras daquela menina mexeram contigo, não é?

RITA – O Que você acha, tia? Eu até agora estou imobilizada, eu sempre me preocupei com pautas identitárias e lutas de classes, mas nunca enxerguei tão atentamente o quanto as duas estavam inteiramente interligadas. Eu sou classe média alta, eu posso assumir quem eu sou, aquele incidente no hospital dificilmente vai acontecer, ainda mais porque posso pagar segurança para mim, mas e quanto a meninas como ela? Não tem outra alternativa, morrem em leitos de hospitais, isso quando na sarjeta, enterradas como indigentes numa vala improvisada, vítimas de transfobia. Eu sou privilegiada e eu me sinto tão mal de saber que nunca vou sentir as dores dessas pessoas…

ODÉLIA – Não tem que se culpar por isso, pelo contrário, olha para sua história, veio de família humilde também, teve muitas oportunidades, batalhou também para chegar onde está. Não desmereça sua luta. Penso que a partir de agora talvez se sensibilize mais perante a essas pessoas e as ajude de alguma forma.

RITA – Ai, Tia. Eu te amo tanto mulher!

E abraça a senhora.

ODÉLIA – Não se culpe, minha menina, se alguém tem culpa somos todos nós enquanto sociedade.

Instrumental explosivo. Um paciente tosse desesperado e segura no pescoço, caindo de joelhos no chão, sua namorada berra desesperada. Heloísa, Suzy e André que conversavam num canto do corredor param para olhar assustados.

NAMORADA – FAÇAM ALGUMA COISA, ELE ESTÁ MORRENDO!

Rita corre com dificuldade segurando a haste do soro e pede para uma enfermeira que assista a cena.

RITA – Já tentaram a manobra de heimlich? Então pegue uma lanterna, pegue uma lanterna orofaríngea e um espelho bocal!

A profissional procura rápido numa gaveta na recepção daquele andar e a entrega. Rita coloca na garganta dele. TENSÃO. Vários profissionais param para assistir, dois enfermeiros a auxiliam.

NAMORADA – Ai, meu deus, Fred!

Rita consegue ver o que é.

RITA – TRAQUIOSTOMIA DE EMERGÊNCIA! O PACIENTE ESTÁ COM ANGIOEDEMA DE GLOTE! Ministrem imediatamente adrenalina intramuscular!

ENFERMEIRA – Mas o paciente é cardiopata, doutora!

RITA – Não tem problema, primeiro tratamos essa anafilaxia, depois cuidamos do coração!

Close alternado. Odélia fechando os olhos. Suzy observando a reação das pessoas. Heloísa atenta e trêmula. André recuperando o fôlego.

CENA 04/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLIMPIUS/DIRETORIA/NOITE

DIRETOR DE MEDICINA – Eu só espero realmente que você tenha aprendido a lição, meu rapaz. O que você fez, não se faz.

No corredor, treinador aguardava a saída dele.

DIRETOR DE MEDICINA – Vou te dar uma detenção por 3 dias. E agradeça por fazer parte da sua chapa para diretório acadêmico, eles vão manter as coisas como estão e isso nos interessa muito. Agora pode ir e vê se comporta como homem.

SAMUEL – Pode deixar, diretor.

O jovem sai de cabeça baixa e bate à porta. Ele leva um susto quando o treinador começa a falar.

TREINADOR – Eu não vou te denunciar, porque eu penso que todo mundo merece uma segunda chance, mas espero que você não cruze o meu caminho ou o caminho de qualquer jovem da minha equipe, porque tenha certeza que minhas respostas serão outras.

E sai, deixando Samuel mal.

CENA 05/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLIMPIUS/QUADRA DE VOLEI/NOITE

Vitor estava zoando Miguel, quando o treinador apareceu.

TREINADOR – Posso conversar com você?

Vitor acenou positivamente com a cabeça.

CORTE DESCONTINUO.

Num canto da quadra.

TREINADOR – Eu realmente nem sei o que te dizer, Vitor. Eu errei muito com você, nem me dei o trabalho de te ouvir, eu acreditei naquelas evidências que estavam na minha frente.

VITOR – Eu não guardo mágoas, treinador. Mas me questiono muito se suas conclusões sem me ouvir, não se associam a minha cor de pele.

TREINADOR – Não…eu não sou racista!

VITOR – Todos nós somos, em certa escala, por conta da estrutura histórica de nosso país.

O Homem não soube responder.

VITOR – Eu sei que teve este elemento, porque convenhamos não é difícil abrir aqueles armários, são velhos, o senhor mesmo disse, outro dia, que as fechaduras de muitos deles precisava ser alterada, que o cadeado não fechava direito a porta. Será que não passou em nenhum momento na sua mente que isso pudesse ter acontecido como aconteceu? E não precisava ser o Samuel, qualquer um poderia ter feito aquilo, você deixa a sua mochila jogada.

Treinador ficou reflexivo.

TREINADOR – Você tem razão, eu errei muito. E não sei como reverter o mau que te gerei neste tempo!

VITOR – Eu amava jogar…

TREINADOR – Pois volte, volte ao time!

Vitor acenou que sim.

VITOR – Isso você pode apostar

E deu a mão a ele, Treinador riu e o abraçou forte dando tapinhas nas costas.

TREINADOR – Garoto!

E riu

TREINADOR – Um dos melhores jogadores da equipe!

CORTAR PARA:

CENA  06/SÃO PAULO/JD. AMÉRICA/EXTERIOR MANSÃO DOS MOÇA/NOITE

Instrumental de ação. Goram para a bicicleta e recupera o fôlego. Aperta o interfone. Elder surge.

ELDER – Um momento, seu Goram!

Close-up na face frustrada do jovem. Catarina surge abrindo o portão.

CATARINA – Já voltou, seu Goram? Deu tempo de ir a sua casa?

GORAM – Pois é, desisti no meio do hape, tava um trânsito grande, aconteceu acidente. Você me e há’e que tem notebook aí, né?

CATARINA – Sim, isso não será problema. Queira entrar, Doutor Mateus está o aguardando na sala de estar.

Ele sorriu e se adentrou. Ela ficou ligeiramente desconfiada.

CENA  07/SÃO PAULO/CENTRO/INT.BORDEL BOVARY/COZINHA

Silêncio. Luzes apagadas. Marcela chega acompanhada abraçada por José. Tiffany e Larissa estão arrasadas. Uma garota de programa pergunta.

GAROTA – E ai, o que aconteceu com Persépolis?

Marcela desata a chorar feito criança.

GAROTA (iniciando um choro) – Não me diga que…

LARISSA – Sim, ela se foi.

As meninas abraçam Marcela ao som de Palavras ao Vento de Cássia Eller.

Marcela perde seu olhar na escada do bordel e enxerga o espírito de Persépolis rindo toda produzida e dançando. Até que ela para meio ingênua a contemplá-la e se volatiza no ar.  

CENA 08/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/INT. MANSÃO/SALA DE VISITA/NOITE

Mateus está de frente para uma lousa branca terminando de escrever. Goram copia num notebook.

MATEUS – Assim terminamos a teoria de verbo to be. Você entendeu? Não pode ficar nenhuma dúvida aqui, é uma das partes mais básicas do inglês.

GORAM – Nei! Eu já tive no cursinho essa parte. É guapy para mim.

Nesse instante, Bernardo entra gritando na mansão. Mateus se assusta.

BERNARDO – MATEUS! MATEUS!

MATEUS – Mas o que é isso? Essa casa agora virou um estádio de futebol?

Bernardo abre a porta da sala de visitas antes que Mateus tenta abrir e Goram se assusta com o olhar penetrante dele.

MATEUS – Que isso Bernardo? Cadê seus modos? Estamos com visita aqui em casa!

BERNARDO – ESSE CARA SEGUIU MEU CARRO!

Catarina chega espiando para dentro da sala de visita. Mateus olhava para Bernardo sem entender nada. Bernardo olhava furioso para Goram que estava pálido.

CENA 09/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/INT. HOSPITAL ORLANDO MOÇA/QUARTO 15

Rita chega acompanhada de Heloísa, André e Suzy, mas sem o soro desta vez. O Paciente está descansando ao lado da namorada.

RITA – Acho que já avisaram que ocorreu tudo bem com a cirúrgia do Fred, não é?

NAMORADA – Sim, foi um susto tão horrível. Eu nem sei como isso foi acontecer, foi tão repentino.

RITA – Angioedema de glote é hereditário, se fizéssemos o mapeamento genético da família dele, provavelmente encontraríamos. Conversei com a imunologista de plantão, ela deve vir vê-lo antes do amanhecer.

SUZY – O que pode ter levado a isso, professora? Qual o gatilho?

HELOÍSA – Acho que é idiopático, amiga. Quando não sabemos a origem.

RITA – De fato, Heloísa. Mas neste caso, tenho um palpite.

ANDRÉ – Qual?

RITA – Eu observei no pescoço dele, algumas erupções avermelhadas que não eram por conta da histamina própria do angioedemas.

Ela se aproxima e aponta para os alunos. A mulher desata a falar.

NAMORADA – Eram espinhas, apertei-as hoje no ínicio da tarde.

RITA – Eureca!

HELOÍSA – COMO?

SUZY – As espinhas provocaram o fechamento da glote?

RITA – Há casos raros na literatura que falam sobre isso. O Alérgeno foi provavelmente ficou preso na glândula sebácea e provocou o excesso de muco lipídico que levou as espinhas. Ao apertá-las, você retirou uma parte, mas a outra pode ter caído na corrente sanguínea, desencadeando a resposta alérgica que culminou no angioedema.

ANDRÉ – UAL!

HELOÍSA – Parece ter absurdamente impossível para ser real!

RITA – Mas é, existem raríssimos casos e meu palpite é que esse foi mais um deles.

Namorada estava se recompondo.

NAMORADA – Eu juro que nunca mais vou apertar nem mais uma espinha dele.

Todos riram.

CENA 10/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/INT. MANSÃO DOS MOÇA/SALA DE VISITA/NOITE

MATEUS – Mas o que é isso Bernardo? Isso é jeito de falar com o Goram?

BERNARDO – Você ouviu o que eu disse? Ele me seguiu!

MATEUS – Até parece que ele ia te seguir. Para quê? Isso é verdade, Goram. Você o seguiu?

Goram pensou numa saída.

GORAM – Sim, é añetegua!

Bernardo sorriu satisfeito. Mateus não entendeu.

MATEUS – Mas por que você fez isso?

GORAM – Goram falou quando chegou, Doutor Mateus, eu havia esquecido meu notebook e o Jd. América ainda é um bairro estranho a mim, aproveitei que Doutor Bernardo estava huguaiti e pensei, vou aproveitar, porque ele deve passar por algum avenida importante.

Bernardo ficou desconfiado. Mateus acreditou na hora.

MATEUS – Meu Deus! Mas quanta ingenuidade! Ele poderia ter ído para um lugar mais longe e você ter se perdido mais, era só falar, que eu pedia para meu motorista te levar até seu apartamento e buscar. Mas nem precisaria, porque como pode perceber, tínhamos aqui.

GORAM – Égua nossa. Eu não sabia.

Close-up em Catarina do lado de fora estranhando.

BERNARDO – Essa história ainda não me convenceu…

GORAM – Leseira Balé. Mas é a verdade, seu Bernardo, inclusive vi até a hora que jaikara parou o carro na estrada, estranhei e me aproximei.

Bernardo fica branco.

MATEUS – Deu algum problema com o carro, amor? O que aconteceu?

BERNARDO – Nada, apenas…

Seu celular toca. Ele se afasta para atender. Era Pamela.

BERNARDO – Minha mãe, ligando.

E se afastou saindo da sala. Goram suspeitou que algo estivesse acontecendo.

MATEUS – Bom…foi apenas um mal entendido, vamos fazer exercícios?

SALA DE ESTAR

BERNARDO (sussurra encenando) – Pamela? O que aconteceu? O quê? Me conta essa história direito! Sua mãe morreu?

CENA 11/RORAIMA/BOA VISTA/INT. APARTAMENTO GUAJAJARA/QUARTO DE ARAPONGA

 

Araponga beija as passagens.

ARAPONGA – Mal posso esperar, meu amor, para te ver! Daqui alguns dias, São Paulo me aguarde.

CENA 12/ SÃO PAULO/JD AMÉRICA /MANSÃO MOÇA/INT. SALA DE JANTAR/NOITE

Mateus observa Goram terminar as últimas colheradas no strognoff de mandioca.

GORAM –  Égua de largura! Esse ña’e estava divino!

Ele se limpa com guardanapos. Mateus ri meio sedutor.

MATEUS – Sabia que ia gostar, índios gostam de uma boa macaxeira.

Goram fingiu rir até que perdeu o olhar num quadro de seu pai que estava aos fundos num parede naquele aposento. Sentiu um misto de revolta e saudade dentro de si. Mateus percebeu.

MATEUS – Vejo que gostou do quadro, era meu pai, o dono deste grande patrimônio que herdei.

Goram sente uma vontade de vomitar.

MATEUS – Mas estou pensando seriamente em tirar isso daí, eu gostava muito dele, mas sabe, era um homem muito cruel.

Um raiva domina a boca de Goram, ele cerra os punhos.

GORAM (V.O.) – Maldito! Como jejuka ousava mentir sobre seu pai daquela forma. Um homem honesto, batalhador.

MATEUS – Ele não aceitava meu romance com Bernardo, espancava minha mãe porque vivia bebendo sabe, ai é tão horrível falar sobre isso.

Goram era possuído por uma revolta tão intensa.

GORAM (V.O.) – Por Mai-ra e Macuna-íra! Como aquele assassino se atrevia? Seria essa a narrativa que ele contava a todos?

Instrumental explosivo. Ele observa uma faca pontiaguda perto do frango assado.

MATEUS (fingiu chorar)– Mas mesmo assim eu sofri muito quando ele se foi, é tão triste me lembrar daquele assalto, eu chegando, encontrando eles…Você deve saber de tudo que aconteceu, eles devem estar num lugar melhor

A mão de Goram meio trêmula se aproxima da faca.

MATEUS – E meu irmãozinho, meu Deus, será que ele está bem, será que ele sobreviveu, era tão pequeninho quando eles o levaram…

Goram toma posse da faca. Big Close-up em seus olhos vermelhos.

MATEUS – Eu o amo todos tão intensamente…

Goram levantou um pouco a faca. Catarina surgiu repentinamente.

CATARINA – Doutor Mateus? Posso pedir para retirarem a mesa?

Goram despertou de seu transe. Soltou a faca com estrépido que caiu na mesa. Catarina o olhou assustada. Mateus o questionou.

MATEUS – Tá tudo bem, querido?

Goram engoliu a raiva.

GORAM – Está sim, acho que foi o apichyry do frango que a fez escorregar.

Fechar em seu rosto se recuperando.

CENA 12/ SÃO PAULO/ IMAGENS AEREAS/AMANHECENDO

Mostrar Rodovias principais da capital

CENA 13/SÃO PAULO/ SANTA EFIGÊNIA/INT. CASA DESCONHECIDA/SALA DE ESTAR

Instrumental adágio. Casa vazia. Pamela dormia abraçada as pernas da mãe falecida ainda amarrada na cadeira. O ranger do portão fez ela acordar. Reconheceu o semblante de Bernardo ao passar pela porta da sala. Sua face se transformou, chorando, ele abaixou e a abraçou com uma voz suave.

BERNARDO – Vai ficar tudo bem, tá?

Só se escutava o choro dela alto de soluçar.

BERNARDO (CANTAROLA MEIO DRAMÁTICO) – Se lembra quando a gente…chegou um dia acreditar…aaaaa…que tudo era para sempre…sem saber…que o para sempre…sempre acaba.

Ela o abraçou forte. Close nos olhos doentes do vilão.

CENA 14/SÃO PAULO/ IMAGENS AEREAS/MANHÃ

Letreiro: Alguns dias depois…

 

CENA 15/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/EXTERIOR HOSPITAL

 

Goram termina de beijar Heloísa quando Doutora Rita passa por eles e o cumprimenta. A jovem não gosta.

GORAM – Por Tupã. Está boa de novo!

RITA – Novinha em folha, querido.

A médica sai com um bip de emergência do hospital

HELOÍSA – Acho que vou comprar um açaí na cantina. Você quer ir comigo?

GORAM – Égua! Fila está meio grandinha, né? Goram vai esperar aqui no banco.

HELOÍSA – Tudo bem. Já volto.

Ele se senta quando André surge e o assusta.

ANDRÉ – Cara, hoje é o velório de Dona Ângela. Ela morreu! Minha mãe tá incrédula! O que aconteceu? Parece que ela foi sequestrada, meu, aquele dia no banheiro. O que você sabe sobre isso?

Fechar no rosto encurralado de Goram.

 

CENA 16/GUARULHOS/AEROPORTO/MANHÃ

CAM SUBJETIVA. Alguém puxa uma mala de rodinhas a todo vapor na plataforma de desembarque. O Saguão do aeroporto está com muitas pessoas andando de um lado para o outro, até que a câmera enxerga um homem olhando para o grande céu azul pela janela, ele estava de boné e óculos escuros. A pessoa se aproximou. Ele tirou o óculos, era Bernardo.

Mostrar a face feliz de Araponga.

ARAPONGA – Mas tu é um homão mesmo, Bernardo!

Bernardo sorriu e a roubou um beijo de tirar o fôlego.

Close nos dois.

FADE OUT

CONTINUA…

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NAVEGAR

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