Estação medicina

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Capítulo 08

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Estação Medicina

Capítulo 08: Irreversível

CENA 01/SÃO PAULO/JD.AMÉRICA/MANSÃO DOS MOÇA/SALA DE ESTAR/NOITE

                       

BERNARDO (Fingindo surpresa) – RAQUEL?

MATEUS – Então esse é o nome e é essa cara da piranha com quem você me trai durante muito tempo. Uma franguinha, aposto que essa jovem não deve ter nem 18 anos!

HELOÍSA(encenando)– Mas o que está acontecendo aqui Bernardo? Você não me procurou? Eu recebi uma mensagem sua e agora me deparo com ele.

MATEUS – Alto lá, ramera. Ele tem nome e sobrenome se chama Mateus Pacheco Moça e você caiu numa cilada, meu amor, porque eu armei para você vir aqui e te encarar cara a cara, ver por quem me trocou!

BERNARDO (encenando) – Então você pegou o meu celular e mandou mensagem para ela? Por isso que eu percebi que meu celular não estava funcionando.

MATEUS – Obviamente que ele não está, mergulhei ele no aquário lá no quarto de hóspede, esse daí já tá morto, igualzinho certas pessoas irão ficar nos próximos minutos.

E tenta avançar para cima de Heloísa, puxando seus cabelos, a menina grita, Bernardo consegue com ajuda de Catarina separar.

MATEUS – Além de me trair durante meses, isso se não anos com essa vagabunda, agora ainda defende esta franga, mas eu vou te contar, viu? Eu mereço passar por isso, mereço.

CATARINA – Você está muito agitado, Doutor Mateus não quer seus remédios?

MATEUS(GRITA) – QUE MANÉ REMÉDIO, SUA IMBECIL AMBULANTE? SAI DA MINHA FRENTE, BESTA QUADRADA, ANTES QUE EU TE MANDE PARA O INFERNO TAMBÉM!

Catarina dá um salto e sai correndo assustada. Outra que estava passada era Heloísa que fez sinal com olhar para Bernardo.

BERNARDO – Como que você ataca ela desse jeito?

MATEUS – Eu ataco quem eu quiser, Bernardo, estou dentro da minha casa, brigando pelo meu marido.

BERNARDO – Mas não precisa brigar, sempre você irá me ter!

E tenta abraçar Mateus por trás, que se desvencilha.

MATEUS – Me solta! Será mesmo que sempre te terei, Bernardo? Por que a sua princesa não sou eu, é essa desgraça aí que tá plantada nas nossas frentes.

HELOÍSA (CONTINUA A ENCENAÇÃO) – Bernardo vamos embora dessa mansão, olha a maneira como ele te trata, não aguento mais vivermos escondidos, nosso amor!

MATEUS – MAS ESSA AVE AGOURENTA AINDA INSISTE EM ME DESAFIAR? QUE FOI? Quer levar mais um puxão de cabelo, quem sabe dessa vez eu não arranco o seu couro cabeludo junto e te deixo careca para o resto dos seus dias?

Bernardo segurou para não rir

HELOÍSA – Você não fazer nada, Bernardo? Vai deixar ele me tratar assim e não vai fazer nada? Olha o vestido que eu estou usando, o seu predileto.

BERNARDO – Mas não tem mais nada entre a gente. Eu sempre excluo suas mensagens, vivemos uma aventura que foi boa, mas acabou.

Instrumental crescente. Big-close-up na face de Mateus com um sorriso no rosto.

HELOÍSA (Fingindo estar arrasada) – Acabou? Como assim acabou? Até semana passada? A gente estava junto!

BERNARDO – Engano seu, Raquel, eu já estava há um certo tempo percebendo que foi um erro ter feito o que eu fiz com meu casamento, quis experimentar algo que eu não vivia há muito tempo, que era me relacionar com uma mulher, mas cheguei a conclusão que não foi bom, não me identifiquei, entenda, não é nada contra você, mas eu não quero mais.

HELOÍSA – COMO VOCÊ NÃO QUER MAIS? COMO VOCÊ NÃO QUER? EU TE AMO, TE AMO BERNARDO!

Mateus que estava no auge da felicidade, é sarcástico.

MATEUS – Ai, vai gritar para lá! Meus tímpanos não estão acostumados com sua acústica!

BERNARDO – Eu sinto muito Raquel. Mas eu vou ficar aqui. Minha vida é ao lado do Mateus.

HELOÍSA (Consegue chorar e vai para cima de Bernardo) – Não faz isso comigo, eu sou sua princesa, lembra? Me beija, Bernardo. Se você sentir o gosto do meu beijo, poderá mudar de ideia!

Ela gruda no rapaz e eles trocam olhares risonhos. Mateus a retira com força e a joga no chão.

MATEUS – ELE É MEU HOMEM, ENTENDEU, MEU? SOMENTE MEU! Acabou para você, querida, fim da linha, ele não quer mais nada com você, agora chegou a hora de você voltar para o jardim de infância…

HELOÍSA – NÃO! ELE ME AMA SIM, ELE ME AMA! ISSO NÃO PODE SER VERDADE! POR QUE VOCÊ TÁ FAZENDO ISSO COMIGO, BERNARDO? POR QUÊ?

MATEUS – Mas ela não desiste! Vá embora daqui! Antes que eu chame o canil para te levar, já basta essa cara de cachorro sem dono que você tem, agora aguentar seus latidos é o fim da picada.

HELOÍSA – Eu não tenho dinheiro.

BERNARDO – Eu vou lá em cima pegar.

MATEUS – NÃO! VOCÊ NÃO VAI A LUGAR NENHUM! Eu que vou dar dinheiro para essa morta de fome, tá precisando comer, viu minha filha? Daqui a pouco você some!

E retirando da carteira uma nota de cinco reais joga para ela.

MATEUS – RUA! RUAAAAAAAAA!

Heloísa se levanta chorando, esbarra nos móveis, para por um instante, volta a olhar para Bernardo, ela estava convincentemente atordoada, saiu para o exterior, Mateus acompanhou a saída dela, em suas costas, Bernardo comemorava baixinho o sucesso de seu plano.

MATEUS – O Cabo de vassoura fantasmagórico de branco já se foi…

BERNARDO – E a gente?

MATEUS – O Que tem a gente?

BERNARDO – Como a gente fica?

Mateus não respondeu, aproximou de Bernardo misterioso com uma cara de bravo, mas logo roubou-lhe um beijo. Instrumental malandragem.

MATEUS – A gente fica aqui, peladinhos, no tapete.

Bernardo sorriu satisfeito com seu plano.

CORTAR PARA:

CENA 02/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/ESTACIONAMENTO/ NOITE

Instrumental dramático

RITA – SOCORRO!!!

Os homens chutam a barriga dela, um pisa na cara dela, tiram sangue de seu nariz.

HOMEM 1 – LUGAR DE TRAVECO É NO CEMITÉRIO!

HOMEM 2 – ABERRAÇÃO DA NATUREZA! TU É HOMEM, RAPA, HONRA AQUILO QUE TU TEM NAS PERNAS!

Até que ela desmaia. Os caras rindo se afastam. Plano geral com zoom-out.

CENA 03/SÃO PAULO/MINHOCÃO/EDÍFICIO MARIAN/APARTAMENTO 74/SALA DE ESTAR/NOITE

CACAU – Meu Deus, Guilherme. Como isso foi acontecer?

GUILHERME – Não sei, mas esse é um dos motivos deu ter voltado a São Paulo, eu quero muito ver a nossa filha Cacau.

CACAU – Mas eu não sei como fazer isso, ela não sabe que é sua filha.

GUILHERME – Mas não precisa necessariamente me apresentar como pai dela, eu posso simplesmente falar que sou um amigo seu.

CACAU – Ela pode estranhar! Eu nunca falei nada sobre você.

GUILHERME – Não custa tentar. Tenho pouco tempo de vida.

CACAU – Não fala isso! Você há muito que viver ainda, homem de Deus

GUILHERME – É altamente letal. A Biopsia de pâncreas confirmou o adenocarcinoma, vamos tentar radioterapia, mas a sobrevida é inferior há cinco anos, porque já metastou. E tudo por conta da minha velha dor nas costas.

CACAU – Meu Deus, Guilherme, eu não sei o que te dizer.

GUILHERME – Não me diga nada Cacau, errei muito nessa vida e agora só estou pagando por tudo que fiz. Nem sei como te cobrar isso, é um pedido que eu tenho para que se eu for, eu consiga ir em paz, sabe. Não sei se Fabiana vai me perdoar por tudo que fiz a você, a ela, essa ausência. Não dá para consertar tudo. Mas eu…

Instrumental dramática. Ele se inclina e começa a passar mal.

CACAU – O que está acontecendo, Guilherme?

Guilherme vomita. BIG-CLOSE-UP em Cacau batendo de leve em suas costas.

CORTAR PARA:

CENA 04/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/ ESTACIONAMENTO/NOITE

Doutor Boina termina de fumar na lateral do hospital e quando passa pelo carro de Rita a encontra caída espancada no chão.

BOINA – Doutora Rita!

Ele percebe que ela está desmaiada e se desespera correndo lá para dentro.

RECEPÇÃO EMERGÊNCIA

BOINA – Alguém, por favor, Doutora Rita está caída no estacionamento, está em síncope!

CENA 05/SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DE CACAU/QUINTAL/NOITE

Na rede, aos fundos, Fabiana balança na noite, termina de ler Racismo Estrutural e pensa em Guto. Começa a tocar Esquecimento de Skank.

FLASHBACK: De quando ele chegou atrasado na aula de neuroanatomia no prédio da Fisioterapia e a sala toda achou graça com seu jeito malandro.

FABIANA – Um bobo.

FUSÃO PARA:

CENA 06/SÃO PAULO/TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/APARTAMENTO 23/ NOITE

Guto termina uma série de abdominal, sem camisa, no chão e se lembra de Fabiana.

FLASHBACK: De quando ele se aproximou dela na aula de Anatomia e eles quase se beijaram, depois o professor chamou atenção deles e ela se afastando, sentou ao lado de Marcela que estava numa fileira a frente.

GUTO – Marrentinha danada!

CORTAR PARA:

CENA 07/SÃO PAULO/PINHEIROS/APARTAMENTO DE VITOR/SALA AMERICANA/NOITE

Vitor chega cansado do dia que passou na rua, estava vestido.

Viviane terminava de passar pano no chão ao som de Rihanna. Ela retira o fone de ouvido.

VIVIANE – Olá, amigo de rep, tudo bem?

VITOR – Mais ou menos.

Ele sente um cheiro ruim.

VITOR – Tem alguma coisa queimando na cozinha.

VIVIANE – Meu Deus, o arroz, eu queimei o arroz!

Ela larga o rodo que acaba quebrando um pequeno vasinho em cima da mesa, Vitor percebe o jeito dela atrapalhada.

COZINHA

Viviane chega e desliga o fogão, abrindo a panela e se desesperando por tudo estar queimado.

VIVIANE – Ai, meu Deus, mas eu segui os passos corretamente, era para esse arroz ter ficado nas alturas.

Vitor chega

VITOR – Você nunca fez arroz na sua vida?

VIVIANE – Não. Estou aprendendo agora, minha mãe nunca me deixou fazer nada em casa. Não entendo o que deu errado, coloquei 1 copo de água para 3 copos de arroz.

Vitor deu um sobressalto.

VITOR – Você fez o quê?

VIVIANE – 1 copo de água para 3 copos de arroz.

VITOR – Mas é isso então! Foi muito arroz para pouca água. É a relação inversa!

VIVIANE – Ah é?

Ela olha na receita e percebe que inverteu.

VIVIANE (corada) – Você tem razão!

VITOR – Mas não se preocupe da próxima vez você acerta, agora vou tomar banho, o dia hoje foi punk.

VIVIANE – Até.

Ela percebe o quanto ele foi fofo e se sente bem.

VIVIANE – Bom, vamos começar de novo isso aqui…

CENA 08/SÃO PAULO/CENTRO/DELEGACIA DE PROTEÇÃO AO IDOSO/PRESÍDIO/NOITE

 

Marcela aparece com a face cheia de hematoma, estava nitidamente abatida, com alguns esparadrapos que a enfermeira prisional havia feito nela.

FLASHBACK: Marcela se lembrando da despedida às meninas do pensionato de Bovary, quando passou em Medicina e ensinou as meninas no semáforo a chamar atenção dos motoristas para conseguir dinheiro.

MARCELA(V.O.) – O que aconteceu com minha vida?

CORTAR PARA:

CENA 09/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA GERIÁTRICA/NOITE

Bovary se recupera ao lado de outras idosas em seu quarto. De repente, lembra-se de tudo que aconteceu.

FLASHBACK: Marcela a agredindo, as meninas gritando, até que a polícia chega e a leva.

BOVARY – Esse braço quebrado está te custando tão caro Marcela. Quem mandou me atacar desse jeito? Agora você se ferrou de vez, puta veia, perdeu seu sonho de ser médica e eu vou continuar com o meu negócio, você não me abalou em nada…

E solta uma risada infernal

CENA 10/SÃO PAULO/BEXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/ NOITE

Larissa e algumas meninas estão reunidas no apartamento do caminhoneiro.

LARISSA – Precisamos de alguma forma revertermos essa prisão, ela não entregou aquela velha porca da Bovary por conta de nós!

TIFFANY – Sim, isso está me matando, ela não quer que passemos fome.

JOSÉ – De fato, ela tem razão. Se o pensionato de Bovary fechar, muitas garotas ficaram sem trabalho e eu não terei como ajudar todas vocês.

LARISSA – É como Marcela disse precisamos de alguma forma encontrar um meio de sobreviver independente de Bovary para daí conseguirmos denunciar aquela desgraça para polícia.

GERMANA – Eu tava pensando aqui…E se procurássemos outros pensionatos de prostituição?

LARISSA – Como assim? Germana? Você diz e nos mudássemos para eles?

GERMANA – Num primeiro momento não, porque seria difícil nos aceitarem todas de uma vez, as mais famosinhas e as novinhas pode até ser que sim, mas e as mais velhas não tão conhecidas não. Pensei em nos organizarmos e ajudarmos a promover esses lugares em troca eles vão nos aceitando, quando tivermos seguras denunciamos a bruxa.

PROSTITUTA RUIVA – Sim, podemos provocar a falência aos poucos do local também.

LARISSA – E dar chance de Bovary se recuperar? Não! A queda tem que ser abrupta e com a prisão dela.

José termina de trocar mensagens com um advogado.

JOSÉ – Tenho boas notícias, meninas.

TIFANNY – Ah é? Quais?

JOSÉ – Uma juíza acatou nosso pedido de habeas corpus e fornecerá liberdade provisória a Marcela a partir de amanhã, mas até o julgamento, não sabemos se ela poderá responder o processo de agressão ao idoso em liberdade.

CLOSE ALTERNADO NAS MENINAS E EM JOSÉ

CENA 11/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/NOITE

Goram está abraçado a seu ursinho de pelúcia sem um dos olhos quando se recorda de Themise fugindo.

INICIO DO FLASHBACK

CENA 12/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/NOITE

A indígena largando o ursinho e os bombons no chão ao flagrar o beijo dele e de Heloísa. Depois uma enfermeira que estava no local questiona.

ENFERMEIRA – De quem é esse ursinho? E a caixa de bombons?

Goram levanta a mão e ela leva até ele.

HELOÍSA – Não sabia que tinha um ursinho, que fofo. Alguém trouxe para você?

GORAM (perdido) – Ani sei, acho que acabou deixando ali para não me pay.

FIM FLASHBACK

CENA 13/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/NOITE

Goram se assusta quando trazem uma maca com Professora Rita, ele se levanta e vai até os profissionais.

GORAM – Égua! É a mbo’ehára Rita!

BOINA – Sim. Ela estava caída no estacionamento, foi espancada!

GORAM – Égua de largura. Espancada? Quem fez isso com há’e?

Rita acorda meio tonta.

RITA (balbucia com dor) – Um ataque transfóbico, sofri um ataque transfóbico!

Uma Enfermeira deixa escapar.

ENFERMEIRA – Que absurdo! Hoje não respeitam mais identidade de gênero de ninguém. Mas eu não sabia que ela era trans!

BOINA – Trans no sentido mais amplo mesmo, aquilo que não é cis. E não respeitam a expressão também! Rita tem identidade de gênero fluída e se expressa como drag queen.

CLOSE de Goram chocado com a descoberta.

CENA 14/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/ APARTAMENTO 12/SALA DE ESTAR/NOITE

Heloísa está feliz e segurando um copo de chocolate quente quando Suzy chega cansada.

SUZY – Fechamos o caso, adivinha?

Heloísa não responde, estava perdida em pensamentos românticos.

SUZY – Hey! Planeta terra chamando?

Heloísa desperta e acaba deixando derramar o chocolate em seu pé e no pé.

HELOÍSA – Ai!

CORTE DESCONTINUO

Elas limpando o chão

HELOÍSA – Ainda bem que não queimou tanto meu pé.

SUZY – Também fica com os pensamentos no indígena

Heloísa dá um soquinho na amiga.

HELOÍSA – Quem disse?

SUZY – Não vamos nos esquecer do beijaço que você deu, tah?

HELOÍSA – Foi só um beijo, nada mais.

SUZY – Sei.

HELOÍSA – O que deu o caso clínico?

SUZY – Síndrome de Reiter!

HELOÍSA – Estava entre as minhas hipóteses, mas é bem difícil fechar um diagnóstico, tem muita síndrome parecida.

SUZY – E você onde estava hoje mais cedo quando saiu daquele jeito do hospital? Estava com seu irmão?

HELOÍSA – Sim. Ele tá com problemas no matrimônio, andou pulando a cerca, pediu minha ajuda.

SUZY – Esses homens! Você nunca diz que teve um irmão, achei tão inesperado ele aparecer assim do nada atrás de você. Ele veio da sua cidade?

HELOÍSA – Ele mora aqui na verdade, meu irmão é mais famoso que pensa, mas me pediu para guardar segredo por enquanto, então vou respeitar, mas você vai ficar sabendo uma hora ou outra, não se preocupe.

SUZY – Irmão misterioso? Essa eu vou pagar para ver. Eu vou pagar para ver, até onde esse amor vai dar, só tente lembrar enquanto durar, eu vou te amar intensamente.

HELOÍSA – Não sabia que cantava Wesley Safadão!

SUZY – E eu não sabia que você curtia Wesley Safadão!

Heloísa ri e continua a música.

HELOÍSA – Se acaso acontecer, amanhã você me deixar, não vá se culpar, já tô preparado, que na vida.

Suzy continua e elas cantam juntas.

CORTAR PARA:

CENA 15/SÃO PAULO/ IMAGENS AÉREAS/ MANHÃ

Entrelinhas de Ana Vilela tocando a todo vapor. Imagens aéreas da cidade de São Paulo : Ponte Estaiada. Ceagesp. 25 de Março com seu comércio popular. Zoológico mostrando elefantes dando bom dia entre si com a trompa. Passarinhos piando nos galhos e mariposas voando no borboletário para os jovens que ali passavam, indicando que o dia amanheceu.

CENA 16/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/MANHÃ

Goram está tendo um pesadelo com seu passado.

LIGAR FLASHBACK

CENA 17/SÃO PAULO/ JD AMÉRICA/MANSÃO DOS MOÇA/PISCINA/DIA

Giovane brinca com uma câmera de tirar fotos pelo jardim da mansão quando encontra o irmão tomando sol de bruços na beira da piscina.

GIOVANE – Sorria, maninho!

Mateus se irrita quando Giovani começa a bater foto dele.

MATEUS – Tira esse flash da minha cara, CARALHO!

Giovane se diverte na inocência.

GIOVANE – Tá ficando lindo!

MATEUS – Que saco, meu? Cadê a sua babá? Alguém para aguentar você nesta casa?

Giovane acaba derrubando a câmera na face do irmão que se levanta irado.

MATEUS – Merda! Olha o que você fez? Atrapalhou todo meu bronzeado! Mas você é uma peste mesmo, né?

Giovane fica mal e tenta pegar a câmera que caiu no chão bem na hora que Mateus tenta sair e o vilão quase tropeça.

MATEUS – Ai que ódio de você!

E arremessa o irmão pequeno dentro da piscina

Giovane fica batendo desesperado na água e se afogando. INSTRUMENTAL CRESCENTE. Mateus assistindo a tudo com sorriso maquiavélico.

FINAL DO FLASHBACK               

CENA 18/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/MANHÃ

Goram ainda de olhos fechados começa a xingar o irmão.

GORAM – Ñaña! Maldito! Assassino! Desgraçado.

MATEUS – Falou comigo, Goram?

Instrumental explosivo.

Goram abre os olhos e se assusta ao ver o irmão bem em sua frente. INSTRUMENTAL EXPLOSIVO. SUSTO. BIG-CLOSE-UP.

CENA 19/SÃO PAULO/ CENTRO/DELEGACIA DE PROTEÇÃO AO IDOSO/ PENITENCIÁRIA/MANHÃ

CARCEREIRA – Hey! Acorda Você tá livre!

Marcela abre os olhos de repente e olha para ela.

CARCEREIRA – Tá surda? Eu disse que tá livre!

CORTE DESCONTÍNUO

Marcela passa pela cela de Valentina que zomba dela.

VALENTINA – Quando eu sair lá fora, branquinha, eu te pego!

Marcela se virou a ela e cuspiu na sua cara. As outras presas riram.

VALENTINA – Tu vai me pagar por isso, guria, ah se vai!

CENA 20/SÃO PAULO/ CENTRO/DELEGACIA DE PROTEÇÃO AO IDOSO/DELEGACIA/MANHÃ

Marcela chega e encontra José, Larissa e Tiffany a sua espera.

MARCELA – Que saudade eu estava de vocês!

Eles se abraçam em grupo.

JOSÉ – Conseguimos liberdade provisória, mas o caso ainda vai ser julgado.

LARISSA – Eu tava com tanta saudade de você, minha irmã!

MARCELA – E eu de você e de todas as meninas. Obrigada Zé, obrigada mesmo pelo advogado, você é um grande amigo (e o rouba um beijo). Agora vamos para casa, minhas queridas, quero tomar um banho e tirar essa inhaca de cadeia!

CENA 21/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/MANHÃ

Goram disfarça.

GORAM – Doutor Mateus, como jará está? Não, não estava falando do senhor não, apenas algumas ãga’us.

MATEUS – Que lembranças fortes, não é? Xingava alguém de maldito, assassino!

GORAM – Foi um pesadelo…misturado com lembranças.

MATEUS – Fico aliviado, porque me parecia tão real os seus relatos.

Goram o encara irônico.

GORAM – Os pesadelos são tão jekakuas que não sabemos se estamos diante um sonho ou uma realidade.

MATEUS – Me fez lembrar de Descartes agora. Como saber se tudo não passa de um sonho, não é mesmo?

GORAM – Ou ikatu se tudo não passa de uma realidade, não é?

SILÊNCIO. Eles se encaram por um período de tempo.

MATEUS – Bom…soube pelo Doutor Heitor que está ali que terá alta hoje.

GORAM – Tove, Doutora Rita irá me dar alta.

MATEUS – Daria, né? Do jeito que a coitada tá jogada na cama, entrevada, deve ficar de molho por alguns dias. Soube do atentado que ela sofreu no estacionamento, coitada.

Goram percebeu um tom de ironia. NÁUSEA.

MATEUS – Mas isso não vem ao caso agora, primeiramente queria saber como você estava, fiquei sabendo hoje cedo do seu atropelamento, como isso foi acontecer?

GORAM – Foi no Ibirapuera, estava ikorei de bicicleta, mas não aconteceu nada demais.

MATEUS – Fico feliz por você e tenho uma boa notícia também, a reunião com os investidores nacionais foi marcada, acontecerá daqui há dois dias na minha residência que você já conhece às 19 horas da noite.

GORAM (V.O.) – A residência dos nossos rus que você tratou de matar, né? Seu juka desgraçado!

GORAM – Fico muito vy’a(feliz), estou bem ansioso.

MATEUS – E é para estar mesmo, depois dessa reunião, você ficará conhecido entre os principais líderes internacionais e depois para conhecer o comitê internacional é um pulo, sua vida definitivamente mudará da água para o vinho, estará preparado?

O jovem o encara com uma ambição vingativa nos olhos.

GORAM – E o senhor jepe tem alguma dúvida?

MATEUS – Nenhuma.

HEITOR – Bom, vamos dar alta para esse rapagão que conquistou medalha de ouro para nossa universidade!

Mateus ri. Goram pergunta.

GORAM – Tu estudou aqui?

HEITOR – Sim, formei-me há 3 anos.

GORAM – Chúka!

MATEUS – Um dos alunos mais aplicados que tivemos, está fazendo especialidade de quê mesmo Heitor?

HEITOR – Clínica médica. Sou apaixonado, dando aquele reforço na base.

MATEUS- Maravilha.

E dá tapinhas em suas costas.

Instrumental explosivo. BIG-CLOSE-UP Goram com olhos vingativos.

CORTAR PARA:

CENA 22/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/ APARTAMENTO 12/QUARTO/MANHÃ

Suzy acorda pela manhã e desce do beliche, percebe que Heloísa ainda está dormindo e se encaminha para o banheiro.

BANHEIRO

Suzy tranca a porta e retira sua camisola. Fica frente a frente com seu reflexo, lágrimas invadem seus olhos e ela começa em golpes brutais a socar os seios. Instrumental dramático. Plano Americano. Vista frontal. Plano Geral. Vista Lateral. PONGLEÉ. CONTRA-PONGLEÉ. Fechar no Big-close-up de seu rosto com falta de ar. Alternar para o os seios vermelhos.

CENA 23/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/BIBLIOTECA/MANHÃ

É sábado. André está estudando neuroanatomia no 3º andar da biblioteca quando escuta a voz de Goram falando com a bibliotecária.

ANDRÉ – Goram, você teve alta! Que notícia boa!

Goram vai ao seu encontro.

GORAM – Acabei de deixar o hospital, finalmente, não aguentava mais ficar apytimby naquela cama. Estudando o quê?

Ele mexe no livro do rapaz.

GORAM – Pai d’égua, neuroanato. É bom que Goram já pega a matéria que foi dada.

ANDRÉ – Não se preocupe, ela só falou sobre tipos de neurônio e um pouquinho de embrio.

GORAM – Ectoderma? Tudo neural? Gota Neural?

ANDRÉ – Isso mesmo.

GORAM – Beleza, vou pegar a aranduka. Qual você tá utilizando?

ANDRÉ – Machado. É muito bom para Neuro. E Para Embrio, se você quiser aprofundar como estou fazendo o do Moore é show de bola.

GORAM – Beleza, volto num minuto.

Neste instante, André percebe que uma guria passa do outro lado, era Dandara. Ele se levanta e vai até o lugar onde ela está sentada.

DANDARA – Não posso perder conteúdo por conta daquele bosta…

ANDRÉ – Quem é bosta?

SUSTO. Ela levanta a face

DANDARA – André! Que bom te ver!

Ela o abraça. Ele estranha.

ANDRÉ – Tá tudo bem? Para quem odiava homens, você tá bem esquisita.

DANDARA – Eu não odeio homens, odeio o machismo!

ANDRÉ – Onde você tava esses últimos dias?

DANDARA (Disfarça) – Eu…não tava muito bem. Fiquei um pouco ansiosa porque não tava conseguindo estudar, daí preferi ficar em casa.

André percebe hematomas na face dela, mas prefere não comentar já que ela tá tentando esconder com o capuz na cabeça.

ANDRÉ – Entendi. Você não quer estudar com a gente? Eu e o Goram estamos estudando Neuro do outro da biblio.

DANDARA – Claro, eu adoraria. Onde você estão?

André indica com o dedo e eles partem para lá.

CORTAR PARA:

CENA 24/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA NEUROLOGIA/MANHÃ

Rita acorda e se lembra do atentado de ontem.

Flashback: Os caras a atacando no estacionamento na noite anterior.

Rita chora. Jesuína aparece para visita-la.

RITA – Jesuína!

A faxineira aparece para visita-la.

RITA – Meu Deus, desde a manifestação que não te vejo pessoalmente. Como soube que eu estava aqui?

JESUÍNA – Tudo bem com a senhora, Doutora Rita? O Hospital inteiro ficou sabendo. E mesmo que eu não trabalhe mais aqui, as notícias correm, né?

RITA – Você fala assim e não é difícil imaginar que algum jornal fez uma nota na primeira página. Mas me conta como está a organização na Unidade Classista?

JESUÍNA – Estamos nos reunindo e planejando uma nova manifestação para o próximo fim de semana.

RITA – Ótimo. Preciso voltar com as investigações sobre as contas da Universidade, conseguir provas de aquele rato está traindo os outros sócios e investidores.

JESUÍNA – E pensar que a senhora está internada nesta situação por conta dele.

RITA – Não se engane, Jesuína, não é só dele, é da minha família também, foram eles que contaram meu segredo, eu tenho certeza.

CORTAR PARA:

 CENA 25/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS/TARDE

Imagens da Marginal Pinheiros. Entardece.

CENA 26/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE ADELAIDE/QUARTO DE GORAM/TARDE

Themise se encontra meio cabisbaixa no quarto de Goram acariciando seus lençóis quando o mocinho entra.

GORAM – Themise!

A prima indígena se vira animada.

THEMISE – Goram! Tá de alta, então. Pedi tanto para Tupã para que nada de ruim acontecesse.

GORAM – Grásia! Estou terminando de jepyajoko os bombons deliciosos que você levou para mim no hospital.

THEMISE – Você viu que havia sido eu?

GORAM – Sim. Vi também que você se ñemondýl um pouco quando me viu beijando Heloísa.

THEMISE – Ah…

Ela abaixou a cabeça. Ele sentou ao seu lado, deixando uma pequena mochila.

GORAM – Obrigado pelo carinho, sua família é muito chichi, sua guarasyava deixou um pouco da minha roupa, você os bombons.

THEMISE – Que isso, imagina. Ficamos muito feliz em poder ajudar.

GORAM – Goram pode te fazer uma pergunta…?

Silêncio.

THEMISE(Cabisbaixa) – Claro

GORAM – Themise sente algo por Goram?

Antes dela puder responder. Laurinha entrou no quarto.

LAURINHA – Vitor chegou.

Themise levantou e saiu, deixando Goram sem resposta.

SALA DE ESTAR

VITOR – Pronta para pegar um cineminha, senhorita.

Themise se felicitou.

THEMISE – Faz tanto tempo que não vou ao cinema.

Goram aparece na sala.

VITOR – Goram, você está aí! Fiquei sabendo que você foi atropelado, cara, que história é essa?

GORAM – Ajeve é, foi no Ibirapuera, estava andando de bike com Heloísa.

VITOR – Fico feliz que não tenha sido grave. Passei o maior perrengue esses dias, eu fui numa festa na casa de Pedro porque armaram uma cilada para mim para me tirar da atlética de vôlei.

GORAM – Égua não! Tiraram você da atlética de vôlei?

VITOR – Sim, armaram para mim, colocaram a mochila do treinador com carteira e tudo mais dentro do meu armário, como se aqueles armários não fossem fácil de abrir, mesmo com cadeado. Basta um clipe, velho e uma habilidade em sabotagem.

GORAM – Égua de largura! Foi a turminha de Samuel?

VITOR – Os próprios. Mas você não sabe da maior, eu fui numa festa para tentar gravar um deles e eles descobriram, deram-me uma surra, me deixarem nu no outro dia na beira de uma avenida.

THEMISE – Por Maíra! Isso você não me contou! Que canalhas!

VITOR – Mas se eles pensam que vai ficar assim, estão muito enganados, eles mal podem esperar. Mas é melhor irmos agora, falou Goram, foi bom te rever cara.

GORAM – A você também, mano.

Ele troca olhares com Themise de vergonha. Vitor e a indígena saem.

CORTAR PARA:

CENA 26/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS/TARDE

LEGENDA: DOIS DIAS DEPOIS…

CENA 27/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO/ENFERMARIA DE NEUROLOGIA/TARDE

Rita agradece as flores de Goram, Heloísa, Suzy, André Marcela, Meire e Caio.

RITA – São lindas gente, muito obrigada. Enquanto somos o país que lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans, vocês revolucionam indo no sentindo contrário. Mas quase vocês não me pegam por aqui, daqui a pouco tenho alta e amanhã começa a rotina maluca nesse hospital novamente.

Ligar instrumental drama médico. De repente entra na enfermaria, um homem loiro, por volta de uns 40 anos, gritando.

PACIENTE 2 – Moscas por toda parte, moscas estão por toda parte, me deixem em paz. Me deixem em paz. Saem de mim, saem. (E começa a se estapear loucamente)

Close alternado. Heloísa e Suzy ficam na espreita. André se assusta. Marcela estranha. Meire e Caio se desesperam. Goram se aproxima. FADE OUT.

CORTAR PARA:

CENA 28/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO/EXTERIOR/TARDE

FADE IN

MARCELA – Que caso foi aquele?

HELOÍSA – Eu queria bem saber. Parece que vem um novo mistério no ar

SUZY – Eu achei tão estranho ele falar que estava vendo moscas. Porque moscas e não abelhas? Ou até pássaros?

MEIRE – Então pode ser um delírio por um quadro psicótico e as moscas seriam apenas uma subjetividade impressa ao episódio, mas pode ser uma sintomatologia conhecida também de moscas volantes em casos por exemplo que a retina está descolada. O Paciente literalmente vê moscas.

MARCELA – Pai amado, que dor!

CAIO – Não necessariamente há dor, geralmente não há.

GORAM – O paciente parecia bem py’atarova, parecia estar ansioso.

ANDRÉ – Bota ansioso nisso.

O Celular de Meire ressoa.

MEIRE – Amor, temos que gravar nosso vídeo, você terminou o roteiro?

CAIO – Esqueci completamente. E agora?

MEIRE – Não sei, o pior é que prometemos na live de ontem que gravaríamos e postaríamos ainda hoje.

HELOÍSA – Nós podemos ajudar?

SILÊNCIO

MEIRE – Como não pensei nisso antes? Eles podem participar do episódio de hoje.

SUZY – PODEMOS?

CAIO – Sim, vocês podem e tem tudo haver porque iríamos falar das nossas primeiras vivências universitárias, vocês estão vivendo isso, logo…

MARCELA – Somos perfeitos?

Todos riram.

MEIRE – Se alguém tem algo contra que fale agora ou cale-se para sempre.

SILÊNCIO

MEIRE – Fechou então. Vamos começar as entrevistas.

CORTAR PARA:

CENA 28/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS/NOITE

Mostrar a lua se destacando no horizonte azulado. Anoitece.

CENA 29/SÃO PAULO/SANTO AMARO/ BURACO QUENTE/ CASA DE PAMELA/ SALA DE ESTAR/NOITE

Pamela estranha.

PAMELA – Faz três dias que ele não me procura, mudou o celular e nem sequer me passou o novo.

Sua mãe a surpreende.

ÂNGELA – E você com esse barrigão, né? Que Bonito Pamela de Jesus! Vai ser mãe solteira, além de mal falada aqui na comunidade, vai ter que se virar para cuidar da criança.

PAMELA – Do que você tá falando, mãe?

ÂNGELA – Você achou que ia me enrolar, né? Pois eu ouvi no dia que ele veio aqui, você tá gravida dele e o pior ele quer te pagar uma merreca para cuidar desse filho.

Pamela ficou quieta.

ÂNGELA – Mas ele não vai te deixar sozinha não! Mas não vai mesmo, vai ter que pagar uma boa grana para você se não quiser que eu jogue tudo isso no ventilador.

Ela se levanta agitada e pega uma blusa.

PAMELA – Onde você vai mãe?

ÂNGELA – Caminhar para espairar, não posso? Essa história toda está me deixando mal.

Pamela desconfia quando a mãe sai desatinada.

CENA 30/BOA VISTA//INT. APARTAMENTO DOS GUAJAJARAS/ QUARTO DE ARAPONGA/NOITE

Araponga se levanta da mesinha do computador e tranca o quarto. Ela retira a roupa e fica de sutiã, retorna para a mesa do computador e liga a webcam.

ARAPONGA – Olá, coração, tá gostando do que você tá vendo?

Um nickname chamado “Paulistano Misterioso” manda um emoji de diabinho.

CENA 31 /SÃO PAULO/PARAISÓPOLIS/CASA DE CACAU/SALA DA COZINHA/NOITE

Cacau chega cansada e Fabiana aparece da cozinha.

FABIANA – Nossa, mãe! Que estranho a senhora chegar esse horário, hoje não era seu dia de folga? O que a senhora está me escondendo?

CACAU – Lá vem você com esse papo de novo, estava na casa de Fernanda, pelo amor de Deus, será que preciso repetir isso mais de mil vezes?

Ele vai a caminho do banheiro, não deixando a filha continuar com o assunto, quando uma presença a surpreende.

FERNARDA – Sinto muito, Cacau. Mas você não estava em minha casa, eu estou aqui, vim te visitar a pedido de Fabiana.

Instrumental explosivo. Cacau se vira assustada. Fabiana estava de braços cruzados esperando uma boa explicação para aquela mentira. BIG CLOSE-UP em Cacau.

CENA 32/SÃO PAULO/VILA MADALENA/INT.APARTAMENTO DE RITA/SALA DE ESTAR/NOITE

SILÊNCIO. Rita abre a porta da sala. Tranca a porta. Plano Geral a médica some na escuridão de seu apartamento.

QUARTO DE RITA

Ela chega em seu quarto e deixa sua bolsa em cima do criado mudo. Abre a janela, deixa a luz da rua entrar. VAZIO. Aos fundos, ouve-se cachorros latindo.

SUÍTE

Ela acende a luz e puxa a caixa de remédio em cima do espelho, pega uma cartela específica.

COZINHA

No filtro de barro, enche um copo de vidro, aperta muitos drágeas na mão e toma todos de uma única vez. BIG-CLOSE-UP semblante transtornado.

CENA 33/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO DOS MOÇA/SALA DE ESTAR/ NOITE

Goram aperta a campainha da mansão, encontrava-se bem arrumado com um terno.

Élder abriu para ele e veio uma sensação estranha de que ele já o viu em algum outro lugar. Observou um pouco, mas Catarina apareceu vindo a seu encontro.

CATARINA – GORAM!

Ele sorriu.

CATARINA – Como você está? Queira entrar os investidores nacionais estão te esperando com Mateus na sala de jantar.

CORTE DESCONTÍNUO

SALA DE JANTAR

Goram apareceu e Mateus se levantou e foi a seu encontro. SENSAÇÃO DE NÁUSEA COMPLETA.

MATEUS – Goram querido, que bom que veio, os investidores já estão a mesa.

Goram acenou para eles. Alguns o cumprimentaram.

GORAM – Vou só lavar a mão, onde é a jehuha?

MATEUS – O Lavabo é logo ali embaixo da escada, próximo a entrada da cozinha.

Goram se desloca até lá.

Big-close-up nos olhos ambiciosos de Mateus.

CORTE DESCONTÍNUO

Goram termina de enxugar as mãos quando escuta vindo da janela dos fundos, uma discussão, ele sai do lavabo e põe a escutar do corredor.

ÂNGELA – Você não vai sumir da vida da minha filha, seu pilantra. Só por que ela era sua empregada doméstica, não merece ser tratada dessa forma.

BERNARDO – Fale baixo! Aqui não é hora, nem lugar para tratar disso.

ÂNGELA – Que horas vai ser para tratar disso? Porque você sumiu simplesmente e deixou a minha filha grávida de cinco meses de você ou você assume sua responsabilidade de pai e não vem com oferta de um salário mínimo ou eu entro agora nessa mansão e boto a boca no trombone.

Big-close-up em Ângela determinada. Close alternado para Bernardo desesperado. Fechar em Goram satisfeito. Bingo!

CONTINUA…

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NAVEGAR

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