Flor do Campo

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Capítulo 03

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Os irmãos, Artur e Terna, caminham pela estrada em direção à igreja, no fim da tarde.

TERNA: Essa vida aqui no campo é tão boa. Amo morar no sertão.

ARTUR: Você ainda quis sair daqui por alguns tempos para estudar. Eu nem isso fiz. Optei em ficar aqui o tempo todo e será assim.

TERNA: Não foi fácil me ausentar por aquele tempo, mas me formei e hoje faço o que gosto, ser professora me deixa feliz, completa. Então, exercer minha profissão e morar aqui em nossa fazenda, me realizo.

ARTUR: Precisamos pensar em nossa vida futura.

TERNA: Como assim meu irmão ?

ARTUR: Já estamos na idade de nos casar. Temos que pensar nisso.

TERNA: Meu querido irmão, isso faz parte do curso natural da vida. Não precisamos nos preocupar com isso. Quando tiver de acontecer, acontecerá.

ARTUR: Veja a tia Carmosa, talvez não pensou nisso na sua juventude e nunca se casou.

TERNA: Foi uma opção dela. Se casar ou não.

ARTUR: Não quero ficar que nem ela não. Quero me casar e ter filhos.

TERNA: Será que já tem alguém em vista?

ARTUR: Tem sim! É Sofia.

TERNA: Que bom meu irmão! E ela?

ARTUR: Não tive coragem ainda de falar pra ela… E olha, você também já tem pretendente viu.

TERNA: Eu? Quem?

ARTUR: Não posso falar. Ele mesmo irá te dizer.

TERNA: Fiquei curiosa. Mas não estou pensando nisso ainda. Quero me dedicar à minha profissão.

 

Assim, os dois irmãos caminham até a igreja.

Chegando lá encontram Padre Zeca e Carmosa numa discussão.

TERNA: Olá padre Zeca!

CARMOSA: Ainda bem que vocês chegaram meu sobrinhos.

ARTUR: Mas o que está acontecendo aqui gente?

PADRE ZECA: Sua tia meu filho! Ela cismou em mudar a imagem do santo de lugar. Eu disse a ela pra deixar ali mesmo, mas ela insiste.

CARMOSA: O padre Zeca tá ficando teimoso. A imagem desse lado ficará melhor, aqui é mais arrejado. Mas ele quer deixar ali por causa do sol da manhã.

TERNA: Vamos fazer o seguinte. Vocês deixam eu e Artur resolver este “problema”?

PADRE ZECA: Por mim tudo bem. Mas que a Carmosa tá difícil ,tá!

CARMOSA: O senhor tá ficando velho padre.

PADRE ZECA: E você tá novinha, né?

ARTUR: Vamos parar. Terna, vamos colocar a imagem bem aqui no centro. E vocês dois param com essa discussão.

 

Lá na mercearia, Seu Onofre aguarda por Saul, o caixeiro viajante que toda semana passa uma vez, pra deixar as compras que abastecerão a mercearia.

SANTA: Vamos adiantar a limpeza minha filha, que daqui a pouco o caixeiro chega.

SOFIA: Estamos acabando mamãe.

ONOFRE: Espero que ele não se atrase, o arroz e o açúcar já acabaram.

SOFIA: Quando terminar com minhas obrigações, posso ir caminhar um pouco.

SANTA: Pode sim, mas não vá pra longe. Não é bom uma moça ficar andando por aí sozinha.

SOFIA: Que perigo pode ter por aqui mamãe? Lugar sossegado.

 

Ao terminar suas obrigações, Sofia como combinado com a mãe saiu para uma breve caminhada nas estradas próximas a sua casa. E ao retornar se  aproxima o jipe de Saul, o caixeiro viajante.

SAUL: (Para o jipe) Olá Sofia, tudo bem?

SOFIA: Oi seu Saul. Tudo bem sim.

SAUL: Está indo pra casa? Quer uma carona?

SOFIA: Estou indo sim, mas obrigada pela carona, irei a pé mesmo.

SAUL: Que isso? Entre aqui, estou indo para a sua casa fazer as entregas de seu pai.

 

Após a insistência de Saul, Sofia entrou no jipe.

SAUL: Assim você chegará mais rápido e descansada.

SOFIA: Então, vamos mais depressa, estou querendo chegar logo.

Saul, estva com más intensões ao oferecer carona para a jovem. Estando ainda um pouco distante da mercearia, o motorista, simula um defeito no jipe e ao invés de tentar solucionar o tal defeito começou a investir sobre a menina. Ela estava com muito medo e já quase nas garras do caixeiro, de repente surge Artur que vinha em seu cavalo e …

ARTUR: Mas o que está acontecendo aí?

SOFIA: Me ajuda Artur. Me tira daqui, esse homem está me agarrando.

ARTUR: Solte a moça! Se dê o respeito.

SAUL: Não estou fazendo nada. O jipe deu um defeito e tive que parar.

ARTUR: Venha Sofia, te acompanho até a sua casa.

Sofia desceu logo do jipe e foi para casa acompanhada de Artur.

SOFIA: Não fale nada para meus pais. Senão eles ficarão muito bravos.

ARTUR: Fique tranquila, não falarei. Mas, ele te fez algum mal?

SOFIA: Não. Só tentou me agarrar, ainda bem que você apareceu. Obrigada.

 

Artur deixou Sofia na porta de casa e se foi. Um tempo depois, também chega o caixeiro para fazer a entrega, como se não tivesse feito nada.

SAUL: Boa tarde seu Onofre ,a compra do senhor chegou.

ONOFRE: Que bom, já estava em falta.

 

Sofia foi para o interior da casa, nos fundos da mercearia e não quis ver Saul. Também não comentou o ocorrido com os pais.

Voltando para casa, Artur e seu pai conversam sobre a venda do gado.

ORLANDO: Deu tudo certo lá na embarcação filho?

ARTUR: Sim meu pai, certinho. Amanhã, seu Romeu voltará para levar outro lote.

ORLANDO: Que bom! Precisamos colocar outra bezerrada no lugar desses que estão indo.

ARTUR: Sim, não podemos perder tempo. Temos que por outros no lugar para crescer e engordar.

 

Na cozinha, Penha está num embate com Loló.

LOLÓ: Eu gosta da filha da senhora! Ela é a minha paixão.

PENHA: Seu moleque, você nunca servirá de marido pra minha filha Lita.

LOLÓ: Mas por que dona Penha? Só porque sou pobre?

PENHA: Não! Porque você é um preguiçoso, imprestável.

LOLÓ: Mas vou provar para a senhora que sou o homem certo pra Lita.

Dolores chega.

DOLORES: Mas, que discussão é essa gente?

PENHA: Esse moleque fica me tirando a paz, dizendo que vai se casar com minha filha. Mas nunca deixarei.

DOLORES: Loló, vá arrumar alguma coisa pra fazer e deixa Penha em paz.

Loló se retira.

DOLORES: Não fique assim Penha… Além do mais Loló é um bom menino.

PENHA: Eu sei dona Dolores, o problema não é ele. É eu que não quero perder minha filha para um casamento. É só eu e ela, se ela se casar vou ficar sozinha.

DOLORES: Mas, você não pode impedir a menina de viver a vida dela só por que você ficará sozinha. Não é assim que  funciona.

 

E a vida segue seu curso na fazenda Flor do Campo.

No próximo capítulo, teremos novas emoções.

 

Continua…

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