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Nova Chance Para Amar – Capítulo 03

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ELISA

GABRIELA

JOSIAS

LAURA

MAURÍCIO

REINALDO

RODRIGO

SEVERO

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

HOMEM, MÉDICO LEGISTA, PADRE, POLICIAL 1 e 2.

 

CENA 01. AVENIDA BRASIL. EXT. DIA.

Continuação não imediata da última cena do capítulo anterior.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Uma equipe dos bombeiros a apagar as chamas do carro. Um dos funcionários do canteiro de obra falando com o Policial e explicando como tudo ocorreu fora de áudio. Alguns curiosos à volta. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. FLORESTA. TRILHAS. EXT. DIA.

Severo e Maurício andando pelas trilhas.

MAURÍCIO        —    Chega, cara! Eu não aguento mais. Estamos andando há horas e nada do tal casal.

SEVERO           —    Horas… Deixa de ser exagerado! Estamos andando há vinte minutos e você já tá reclamando?

Atenção Sonoplastia: ouvem-se risadas.

MAURÍCIO        —    Você ouviu isso também, ou eu tô ouvindo coisas?

SEVERO               Não, eu ouvi.

Eles se embrenham no mato. Corta para uma área aberta da floresta: Reinaldo ali sem camisa com a pele do peitoral: ressecada, com fissura e com feridas. Gabriela passando em sua barriga, uma solução química cremosa da cor vermelha.

REINALDO       —    (Satisfeito) Ai… Aí sim, meu amor.

GABRIELA       —    Tá sentindo se tá dando uma melhora?

REINALDO       —    Tá. Parece que a sua solução caseira tá resolvendo meu caso.

GABRIELA       —    Também, né, meu amor… Foram anos de estudo.

REINALDO       —    Nem acredito que agora vou poder ser uma pessoa normal.

GABRIELA       —    Não se apresse, meu bem. Ainda temos um longo caminho pela frente.

Corta para o mato: Maurício e Severo ali escondidos a espionar o casal.

MAURÍCIO        —    Olha a pele daquele cara!

SEVERO           —    (Faz sinal da cruz) Credo! Deve ser alguma doença ruim.

MAURÍCIO        —    Vamos sair daqui, Severo. Vai que isso é contagioso?

SEVERO           —    Você é meio exagerado, Maurício. Mas desta vez, acho que você tem razão. Vamos.

Eles se afastam, mas fazem barulho no mato, que se move. Corta para o casal:

GABRIELA       —    O que foi isso?

REINALDO       —    Será que alguém nos seguiu?

GABRIELA       —    Por isso que eu queria fazer isso em casa, e não aqui!

REINALDO       —    Mas você tinha que colocar a seiva da árvore fresca na solução.

GABRIELA       —    Tá, Reinaldo. Agora fica quietinho e deixa eu terminar de passar isso antes que nos vejam aqui.

Ela continua a passar a solução cremosa vermelha no amado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.

Takes do anoitecer. Lagoa Rodrigo de Freitas toda iluminada, orla de Copacabana. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 04. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE.

Rodrigo ali assistindo TV. Josias chega da rua. Rodrigo olha para o tio e desvia o olhar para a TV novamente.

JOSIAS              —    Com raiva do seu tio?

RODRIGO         —    Não.

JOSIAS              —    Ah, bem. E sua mãe, já chegou?

RODRIGO         —    Ainda não.

JOSIAS              —    Como: ainda não? Ela saiu à tarde.

RODRIGO         —    O senhor sabe que única via de acesso ao Ceasa pra quem vai daqui, é a Avenida Brasil. Só vive com lentidão.

JOSIAS              —    É você tem razão. (Olha p/relógio) Se bem que desta vez, deve ter acontecido alguma coisa na via. Minha sobrinha nunca demorou tanto assim.

CORTA PARA:

CENA 05. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE.

Severo e Maurício ali estarrecidos.

SEVERO           —    Até agora estou sem palavras para aquelas imagens.

MAURÍCIO        —    E eu então? Não deveria ter ido.

SEVERO           —    O que será que aquele cara tem? A pele dele é terrível.

MAURÍCIO        —    (Nojo) Toda escamosa. Parece que se ralou no asfalto.

SEVERO           —    Aquilo deve ser algo muito sério, cara.

MAURÍCIO        —    Verdade. Mas tu reparou na mulher dele passando uma coisa vermelha na barriga dele?

SEVERO           —    Eu vi. Mas o que será que era?

MAURÍCIO        —    Sei lá, meu amigo. Curiosidades que nunca vamos saber.

CAM mostra uma viatura da polícia se aproximando da casa dos Garcias.

MAURÍCIO        —    (Aponta) Uma viatura da polícia indo pra casa dos Garcias.

SEVERO           —    Deveriam prender aquele prego do Jô! Não vou com a cara daquele sujeito!

MAURÍCIO        —    (Debocha) Sua vozinha também não brincava em serviço, hein!

Severo sério.

MAURÍCIO        —    (Recua) Desculpa, cara. Também não precisa ficar desse jeito.

CORTA PARA:

CENA 06. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE.

Rodrigo e Josias ali sentados a assistir TV. Josias aflito. Alguém bate na porta.

JOSIAS              —    Deve ser a Letícia.

Jô vai abrir a porta e são dois Policiais.

POLICIAL1       —    Boa noite.

JOSIAS              —    Boa noite, policial.

POLICIAL1       —    A senhora Letícia Garcia.

JOSIAS              —    Ah, sim. É minha sobrinha, mas ela não está.

POLICIAL1       —    É justamente sobre a ausência dela que queremos falar.

JOSIAS              —    Como assim? Aconteceu alguma coisa com a minha sobrinha?

CAM mostra Rodrigo, que desliga a TV e se aproxima da porta.

RODRIGO         —    O que tá acontecendo, tio?

JOSIAS              —    Os policiais disseram estar aqui pra falar da Letícia.

RODRIGO         —    (P/Policial) Minha mãe tá presa?

POLICIAL1       —    Não, pois infelizmente ela não está mais entre nós.

RODRIGO         —    Minha mãe… Morreu?

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Triste.

Rodrigo tem uma crise profunda de choro.

JOSIAS              —    Mas como aconteceu uma coisa dessas?

POLICIAL1       —    Segundo testemunhas, ela perdeu o controle do carro, invadiu um canteiro de obras e capotou diversas vezes.

JOSIAS              —    (Transtornado) Meu deus… Por que justo com a Letícia que era tão certinha?

POLICIAL1       —    Olha, eu sei que é um momento delicado, mas precisamos que um dos dois nos acompanhe para fazer o reconhecimento do corpo.

JOSIAS              —    Tudo bem, eu vou.

RODRIGO         —    Eu também vou.

CORTA PARA:

CENA 07. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Elisa vem do quarto e se senta no sofá. Laura entra com correspondências em mãos.

LAURA              —    Contas, contas e mais contas… É um ciclo vicioso que nunca tem fim!

ELISA                —    Muito altas?

LAURA              —    Vou ver agora.

Laura se senta ao lado da filha e abre a conta de telefone.

LAURA              —    Mas o que é isso?

ELISA                —    O que, mãe?

LAURA              —    Olha esse valor! Espera aí… Esse número aqui… Ficaram conversando por mais de uma hora.

CAM mostra reação de Elisa que arregala os olhos, aflita.

LAURA              —    Que número é esse que você fica ligando quando não tem ninguém em casa, Elisa?

Fecha em Elisa séria. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 08. INSTITUTO MÉDICO LEGAL. NECROTÉRIO. INT. NOITE.

Rodrigo e Josias entram acompanhados de um médico legista. O doutor levanta o lençol de um dos corpos.

JOSIAS              —    É ela!

RODRIGO         —    É minha mãe, tio!

Josias abraça o sobrinho.

MÉDICO LEG.  —    Só conseguimos identificá-la graças a um documento que deve ter vazado do carro no ato da capotagem.

JOSIAS              —    Mas como que pode? Minha sobrinha sempre foi certinha. O que poderia ter causado a morte dela?

MÉDICO LEG.  —    Bom, ela pode ter perdido o controle do carro.

RODRIGO         —    (Chorando profundamente) Eu não entendo…

Josias abraça o sobrinho novamente. Instantes. Tristeza.

CORTA PARA:

CENA 09. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Continuação da cena 07.

LAURA              —    Vambora, Elisa! Eu te fiz uma pergunta e quero que ela seja respondida.

ELISA                —    Como que é que eu vou saber que número é esse, mãe?

LAURA              —    Não quer falar? Então vou ligar agora pra saber de onde é.

Laura pega o tel. fixo e liga.

LAURA              —    Tá chamando. (Pausa) Estranho… Ninguém atendeu.

ELISA                —    Não… Fica aí desconfiando de mim!

LAURA              —    Apenas te fiz uma pergunta, Elisa.

Severo chega da rua.

LAURA              —    Oi, meu amor. Como é que foi o dia hoje?

SEVERO           —    Uma porcaria! Não entendo essa crise que estamos passando.

LAURA              —    Ôh, meu amor. Não fica assim não. Breve, breve as coisas vão melhorar.

Laura tenta cortejar o marido, mas ele a recusa.

SEVERO           —    Dá licença, Laura. Não tô a fim de conversa, não.

Ele vai pro quarto.

ELISA                —    Ih… Seu Severinho chegou com a macaca hoje.

LAURA              —    Liga não, filha. Seu pai tem os dias dele.

CORTA PARA:

CENA 10. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER.

Takes do nascer dos sol na Pedra do Arpoador. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. DIA.

Elisa (uniformizada) e Laura sentadas à mesa a tomar café da manhã. Severo chega com um bolo de padaria.

LAURA              —    Demorou com o bolo, hein, meu amor!

SEVERO           —    No bairro não se fala outra coisa hoje.

LAURA              —    Como assim, meu bem? O que aconteceu?

SEVERO           —    A Letícia, sobrinha do tal do Jô sofreu um acidente de carro e morreu carbonizada.

LAURA              —    (Horrorizada) Meu Deus!

ELISA                —    (Perplexa, entredentes) Ela ia dar um jeito…

SEVERO           —    Do que você tá falando, minha filha?

ELISA                —    (Saindo apressada) Dá licença.

SEVERO           —    Eu, hein! Entendeu alguma coisa, Laura?

Ela meneia a cabeça que não.

CORTA PARA:

CENA 12. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.

Rodrigo ali chorando sentado aos pés (patas) da escultura enorme do canarinho dourado. Elisa, uniformizada, de mochila, se aproxima.

ELISA                —    Rodrigo. (Dá um abraço apertado no amado) Fiquei sabendo agora do que aconteceu. Eu sinto muito.

RODRIGO         —    (Chorando) Porque tinha que ser justo ela, Elisa?

ELISA                —    (O abraça) Oh, Rodrigo… Olha, eu nem sei o que te dizer.

Eles ficam ali abraçados. CAM mostra o mesmo Homem dos capítulos anteriores a observar dos dois. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 13. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA.

Josias ali ao tel. fixo.

JOSIAS              —    (Ao tel.) É, foi ontem. (Pausa) Obrigado pelas condolências. Ainda estou tentando entender o que teria acontecido. Você mais do que ninguém sabe que a Letícia era muito certinha quanto a isto. Ela não gostava de andar sem o cinto de segurança. (Pausa) É verdade. Bom saber que você pensa isso. (Pausa) Não, não me meteria na sua decisão. Então compre uma passagem pra hoje se possível. Aguardo seu retorno.

Ele desliga e fica ali sério, pensativo. Instantes. Suspense.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA DO CASAL MISTÉRIO. SALA. INT. DIA.

Gabriela a fazer algumas anotações.

GABRIELA       —    (P/si) Mas como pode a solução falhar sem a seiva fresca? Tem alguma coisa de errado.

Reinaldo chega, com uma sacola de pães.

REINALDO       —    Estão comentando que tem uma mulher aqui no bairro, que sofreu um acidente de carro e morreu queimada.

GABRIELA       —    Essa é a lei da vida, meu caro. Nascemos para morrer um dia mesmo.

REINALDO       —    Nossa, Gabi. Também não tem necessidade de ser insensível.

GABRIELA       —    Você não entenderia. Mas quando se vive para a ciência, não perdemos tempo com o que já sabemos que irá acontecer.

REINALDO       —    Sem sentimento nenhum, você.

GABRIELA       —    Meu amor, eu estou estudando há anos pra ajudar a melhorar a sua qualidade de vida, e eu sou sem sentimentos? Estudei, pesquisei descobrir que na floresta deste bairro há uma árvore que pode ser a salvação para muitas pessoas que passam pela mesma situação que você… E eu sou insensível? (Firme) Ictiose! Não me chame de insensível!

REINALDO       —    Desculpa, meu amor. Falei sem pensar.

GABRIELA       —    Isso aqui não é só pela vida do meu marido, mas pela de muitos pelo mundo.

CORTA PARA:

CENA 15. CEMITÉRIO. EXT. DIA.

Cortejo do caixão seguindo até o local do sepultamento. Josias e Rodrigo arrasados choram muito. Poucos figurantes participam do sepultamento.

CAM mostra Elisa entre os túmulos a olhar. Laura chega perto da filha.

LAURA              —    Imaginei que você estaria aqui.

ELISA                —    (Assustada) Mãe? Eu só estava/

LAURA              —    (Corta) Não precisa se explicar. Me contaram tudo já. Eu sei que você ama esse rapaz. Vem?

ELISA                —    Pra onde?

LAURA              —    Vamos prestar as nossas condolências. Num momento como este, não há rivalidade que prevaleça!

As duas se aproximam do local do sepultamento.

PADRE              —    Assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Nossa amiga, irmã em Cristo, Letícia. Uma mulher muito religiosa, devota de nossa senhora, com fé.

Laura e Elisa se aproximam.

JOSIAS              —    Mas o que essas duas fazem aqui?

RODRIGO         —    Pelo amor de Deus, tio! Não começa!

JOSIAS              —    (Aponta p/Elisa) Essa menina é a responsável por tudo isso.

LAURA              —    Como ousa dizer que minha filha é a responsável pela morte da sua sobrinha?!

JOSIAS              —    Ela com certeza ficou desolada, quando soube que essa daí tava arrastando meu sobrinho pro mal caminho!

LAURA              —    Fala como se seu sobrinho não soubesse o que estava fazendo!

JOSIAS              —    Aposto que usou da sensualidade pra abocanhar meu sobrinho!

LAURA              —    Não tenho que ficar ouvindo esses absurdos desrespeitosos com minha filha! Vamos embora daqui, filha. Foi um erro termos vindo.

JOSIAS              —    Foi mesmo! Fora daqui vocês duas!

Elisa olha Rodrigo por um instante, ele quer se impor, mas não consegue.

LAURA              —    (Chama) Vamos, Elisa!

Elisa corre até a mãe.

JOSIAS              —    Desculpe por isso, Padre. Pode prosseguir.

O Padre volta a falar fora de áudio. Close em Rodrigo a olhar a amada se distanciar com a mãe. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Elisa e Laura entram.

LAURA              —    Um dos maiores erros da minha vida foi ter pisado naquele cemitério!

ELISA                —    Ele estava de cabeça quente.

LAURA              —    Não. Ele é um cabeça dura, isso sim! Aonde já se viu tratar duas pessoas que estavam ali para dar um apoio daquele jeito?

ELISA                —    O Rodrigo quase nem falou nada também.

LAURA              —    O Rodrigo é um dos que mais está sofrendo com tudo isso, minha filha. É mãe dele. Mãe que ele nunca mais verá.

ELISA                —    Verdade, mãe. Ele agora precisa do meu apoio.

LAURA              —    É isso aí, filha.

Severo vem do quarto sério.

SEVERO           —    (Bate palmas) Parabéns para as duas! Não pensaram duas vezes antes de ir àquele cemitério.

LAURA              —    Como você soube?

ELISA                —    Aquele fofoqueiro do Maurício deve ter ligado pra ele, mãe!

LAURA              —    Bem que eu pensei em não ir de táxi.

SEVERO           —    (Dá um tapa na cara de Elisa, Firme) E essa sem vergonha ainda está de futriquinho com um Garcia!

LAURA              —    Não encosta um dedo na menina, Severo!

SEVERO           —    Por que não? Ela também é minha filha, e se você não dá a devida correção, eu dou! (Solta o cinto da calça)

LAURA              —    Você não vai encostar um dedo na minha filha!

SEVERO           —    Filha que cometeu um erro terrível como este, merece ser punida sim!

LAURA              —    Você vai machucar ela, Severo. Deixa que eu corrijo ela!

SEVERO           —    Você? (Sorrir debochado) Foi a primeira a se aboletar num táxi e correr pro cemitério apoiar eles.

LAURA              —    Mas é claro. Eu já perdi um irmão e sei como é esta dor! Se pra você uma rivalidade ridícula da década de 70 vale mais que uma vida, então me casei com o homem errado! (P/Elisa) Vamos filha.

As duas vão para o quarto. Severo fica ali sério. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 17. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA.

Josias atende o tel. Fixo que está a tocar.

JOSIAS              —    (Ao tel.) Conseguiu? Mas que ótima notícia! Pode deixar que hoje mesmo essa palhaçada acaba! Au revoir.

Ele desliga e vai para o quarto. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 18. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.

CAM aérea dinâmica. Avião pousando no aeroporto Santos Dumont, Cristo Redentor iluminado de verde. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE.

Elisa e Rodrigo escondidos em uma das asas do canarinho dourado.

ELISA                —    Meu pai descobriu tudo e ficou uma fera. Se não fosse minha mãe, ele teria me espancado.

RODRIGO         —    Eu sinto muito por tudo isso, Elisa.

ELISA                —    Ei. Não fale como se a culpa fosse só sua ou nossa. Nós temos o direito de seguir o nosso coração nos amar sim!

RODRIGO         —    Eu sei… Mas sei lá! Depois de tudo isso eu estou aéreo.

ELISA                —    Eu sei, Rodrigo. Não é fácil lidar com uma perda como esta. Mãe é mãe. Amor de mãe é sem igual. E o nosso amor por elas também é sem igual.

RODRIGO         —    Pois é. E antes dela ir para a morte, me disse que daríamos um jeito no nosso namoro, Elisa. Mas não deu tempo. (chora)

ELISA                —    (Abraça ele) É. Você me ligou dizendo. Mas vamos manter viva esta vontade dela. Se ela disse que daríamos um jeito, vamos dar um jeito! Tá bom?

RODRIGO         —    (Chorando) Tá.

ELISA                —    (Tira do bolso um papelzinho) Finalmente comprei um chip pro meu celular. Este é o meu número. Pode me ligar a hora que você quiser.

RODRIGO         —    Obrigado, Elisa. Eu sinceramente não sei o que seria de mim sem você agora. Sem o seu apoio eu desmoronaria.

ELISA                —    (Encantada) Ah… Fofo e trágico ao mesmo tempo. Mas eu tô aqui pra te apoiar.

RODRIGO         —    Obrigado.

Eles se beijam. Instantes.

ELISA                —    Como vocês vão fazer agora?

RODRIGO         —    Eu não sei. Agora é viver um minuto de cada vez. Depois que uma coisa dessas, não tenho pique pra fazer planos.

ELISA                —    Te entendo. O seu tio foi super grosseiro com a gente lá no cemitério, mas eu entendo o lado dele. Estava transtornado com tudo isso que estava acontecendo.

RODRIGO         —    Pode até ser. Mas nada justifica o ato dele em tratar você e sua mãe daquele jeito. A propósito… (Tira do bolso um pingente) Toma.

ELISA                —    Que isso, Rodrigo?

RODRIGO         —    Era o pingente que minha mãe mais gostava. Estou dando para uma das pessoas mais importantes da minha vida.

ELISA                —    Nossa, Rodrigo! É lindo!

Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor se Faz.

Elisa dá um selinho nele.

ELISA                —    Agora vamos curtir nosso momento aqui juntinhos.. (Abraça ele) Bem romântico conversar com o meu amor debaixo da asa do canarinho!

Eles dão um beijinho. Instantes. Romance.

CORTA PARA:

CENA 20. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE.

Josias ali sentado, sério. Uma mala perto dele. Rodrigo chega da rua.

RODRIGO         —    Ah. Oi, tio. Nem vi o senhor aí. (Ver a mala) De quem é essa mala?

JOSIAS              —    Sua! Você embarca hoje mesmo para a França.

Fecha em Rodrigo sério, assustado com a notícia. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO TERCEIRO CAPÍTULO

 

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