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Nova Chance Para Amar – Capítulo 04

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ELISA

GABRIELA

JOSIAS

LAURA

PIERRE

REINALDO

RODRIGO

SEVERO

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

HOMEM (LADRÃO), HOSTESS e MOTORISTA.

 

CENA 01. CASA LETÍCIA. SALA. INT. NOITE.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

RODRIGO         —    Como é que é? Eu não vou pra lugar nenhum!

JOSIAS              —    Ah, mas você vai sim! Seu pai quer que você vá morar com ele.

RODRIGO         —    Como que o senhor tem coragem de ligar para aquele homem? Minha mãe morre e você corre pra ligar pra ele?

JOSIAS              —    Ele que ligou pra saber como vocês estavam. Só comentei o que havia acontecido com a Letícia.

RODRIGO         —    Eu não vou pra lugar nenhum! Principalmente pra casa daquele homem!

Rodrigo sai correndo, com Josias arrematando.

JOSIAS              —    Volta aqui, Rodrigo! Volta aqui! Aonde você vai desse jeito?!

CORTA PARA:

CENA 02. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE.

Rodrigo vem correndo desesperadamente e vai para o orelhão, pega um papel com um número e disca.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Preciso falar com você urgente!

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 03. CASA LAURA E SEVERO. QUARTO CASAL. INT. NOITE.

Elisa ao cel. E Laura curiosa.

ELISA                —    (Ao cel.) Mas como assim, Rodrigo? Me explica o que aconteceu.

RODRIGO         —    (OFF) Não dá pra falar agora. Me encontra na asa do canarinho.

Ele desliga.

ELISA                —    (Ao cel.) Rodrigo? Desligou.

LAURA              —    O que ele queria?

ELISA                —    Não sei. Ele disse que não dava pra falar ao celular o que era. Não posso nem me encontrar com ele lá na praça, com o seu Severinho soltando fogo pelas ventas.

LAURA              —    Vamos fazer o seguinte, filha: eu distraio o seu pai e você vai encontrar com ele. Se ele ligou é porque deve ser coisa séria.

CORTA PARA:

CENA 04. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Severo ali assistindo TV, jogo do Vasco sendo exibido.

SEVERO           —    Vai, cara! Chuta pro gol!

NARRADOR     —    (OFF) E bate na trave!

SEVERO           —    (Indignado) Mas que idiota! Burro!

Laura vem do quarto.

LAURA              —    Assistindo o Vasquinho jogar?

SEVERO           —    Aqui é Vascão, hein, Laura! Respeita!

LAURA              —    Claro, meu amor, desculpa. Só queria fazer uma brincadeirinha contigo.

SEVERO               (Estranha) Tá falando comigo agora na maior por quê?

LAURA              —    Nada. Apenas acho que nós dois exageramos.

SEVERO           —    Pode até ser, mas que a Elisa tá errada, ela tá.

LAURA              —    (Senta ao lado dele) Mas deixa isso pra lá, meu bem. A Elisa não vai mais dar bola pro Rodrigo.

SEVERO           —    Assim que tem que ser!

Laura fica a fazer cafuné em Severo e tapar a visão da porta. Faz um sinal para Elisa, que sai de mansinho, mas a porta faz barulho.

SEVERO           —    Que barulho foi esse?

LAURA              —    Nada não, meu bem. Deve ser o vento.

CORTA PARA:

CENA 05. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE.

Elisa se aproxima da praça e é abordada por Josias.

JOSIAS              —    Onde é que ele tá garota?

ELISA                —    Que isso? Ele quem? Do que você tá falando?

JOSIAS              —    (Pega no braço dela) Não se faça de desentendida garota! Você sabe muito bem onde ele tá e não quer falar!

ELISA                —    (Grita) Larga o meu braço que você está me machucando!

JOSIAS              —    (Larga o braço dela) Não quer falar? Tudo bem. Eu vou encontrar ele de qualquer jeito!

Josias se afasta. Elisa vai para a asa do canarinho. Rodrigo ali escondido.

RODRIGO         —    (Abraça-a) Que bom que você veio, Elisa!

ELISA                —    O que está acontecendo, Rodrigo?

RODRIGO         —    Meu tio ligou pro meu pai e agora ele quer que eu vá morar com ele na França.

ELISA                —    Seu pai mora na França?

RODRIGO         —    Mora. Eu nunca comentei nada contigo porque eu não gosto de falar sobre isso.

ELISA                —    Mas se ele é seu pai, você tem que ir.

RODRIGO         —    Mas é um pai que nunca veio me visitar! Ele nunca quis saber de mim. Eu só descobri que esse cara existia, quando desconfiei da minha mãe por ela nunca comentar nada do meu pai!

ELISA                —    Mas e se agora for diferente?

RODRIGO         —    Eu tenho 17 anos. Ano que vem fico de maior. Dono do meu próprio nariz.

ELISA                —    Mas agora ele é quem manda em você.

RODRIGO         —    Elisa, eu não quero te deixar.

ELISA                —    Rodrigo, eu não quero que você deixe de ir por minha causa. Se eu estiver sendo um atraso na sua vida, eu saio dela.

RODRIGO         —    Elisa, não fale isso! Você não é atraso nenhum! Eu te amo.

ELISA                —    Eu também te amo, Rodrigo. E justamente por te amar, eu acho que você deve ir sim morar com seu pai. Lá na França você vai ter melhores condições de vida, talvez…

RODRIGO         —    Eu não quero ir!

Josias acha os dois.

JOSIAS              —    (Puxando-o pela blusa) Você vem comigo, moleque!

RODRIGO         —    (Se solta das mãos do tio) Me larga tio! Eu preciso conversar primeiro com a Elisa.

JOSIAS              —    Não temos tempo pra isso! Seu voo sai daqui uma hora.

ELISA                —    Vai, Rodrigo. Você tem o meu número. Quando puder, me liga.

RODRIGO         —    Tá bom.

Rodrigo se aproxima de Elisa e tasca um beijão apaixonado nela. Instantes. Romance.

JOSIAS              —    (Puxando-o) Vambora moleque!

Os dois seguem se afastando. Elisa triste. Josias entra num táxi com Rodrigo e se afasta. CAM mostra Rodrigo da janela do táxi a olhar Elisa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. CASA LAURA E SEVERO. QUARTO ELISA. INT. NOITE.

SONOPLASTIA: Quando um Grande Amor se Faz

Elisa entra e fica pensativa, cabisbaixa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. AEROPORTO DO GALEÃO. ÁREA DE EMBARQUE. INT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Rodrigo prestes a embarcar, olha para o tio que acena tchau para ele. Ele não corresponde e entra no portão de embarque.

CORTA PARA:

CENA 08. AEROPORTO. AERONAVE. INT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Rodrigo procurando sua poltrona, ele se senta e fica a olhar pela janela, pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. AEROPORTO. PISTA DE POUSO. EXT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Aeronave levantando voo e se distanciando da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. CASA LAURA E SEVERO. QUARTO ELISA. INT. NOITE.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Elisa cabisbaixa deitada, agarrada ao travesseiro. Laura bate na porta e entra.

LAURA              —    Oh, filha. Você chegou e não falou nada. Como foi lá com o Rodrigo?

ELISA                —    (Chora) Ele foi embora, mãe.

LAURA              —    Como assim, minha filha? (Senta na cama) Vem, filha. Vem pro colinho da mamãe.

ELISA                —    (Deita-se no colo da mãe) Ele foi morar na França.

LAURA              —    Mas morar com quem, filha?

ELISA                —    Com o pai dele que mora lá.

LAURA              —    (Surpresa) Nossa. Tá aí, dessa eu não sabia. Mas filha… Tenta entender. Ele agora só tem o pai e esse tio mala dele aqui.

ELISA                —    Ele não queria ir. Eu que disse que ele devia ir. Não queria que ele deixasse de viver com o pai por minha causa.

LAURA              —    Isso aí, filha. Mas imagino o quanto foi difícil pra você ver o rapaz que você ama partindo assim.

ELISA                —    Verdade, mãe. Mas eu tenho certeza que um dia a gente vai se reencontrar de novo.

LAURA              —    Claro. Um dia você pode ir à França ou ele voltar ao Brasil.

Fecha em Elisa tristinha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. FRANÇA. PARIS. STOCK-SHOTS. EXT. DIA.

Takes da torre Eiffel, rio Sena, ponte que corta o rio. Por último a fachada o aeroporto de Paris – Charles de Gaulle. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. PARIS. AEROPORTO CHARLES DE GAULLE. DESEMBARQUE. INT. DIA.

Pessoas vão e vem arrastando suas malas. Pierre com a foto do filho ansioso a espera. Portão de desembarque se abre e todos começam a sair. Rodrigo se aproxima sem conhecer nada nem ninguém, fica perdido olhando ao redor.

PIERRE             —    (Grita) Rodrigo!

RODRIGO         —    (P/si) Será que é ele?

Pierre faz sinal chamando-o e ele vai até o pai.

PIERRE             —    (Abraça ele) Filho. Você não sabe o quanto eu estou feliz em te receber aqui.

RODRIGO         —    (Desanimado) É, legal.

PIERRE             —    Deve tá cansado da viagem. Quer comer algo antes de irmos para casa?

RODRIGO         —    (Desanimado) Pode ser.

PIERRE             —    Então vamos.

CORTA PARA:

CENA 13. PARIS. AVENIDA QUAI BRANLY. INT./ EXT. DIA.

Pierre ao volante e Rodrigo no carona embasbacado com a linda Paris.

PIERRE             —    (Aponta) Olha lá o cartão postal de paris.

Corta para fora do carro: CAM mostra o Carro passando perto da torre Eiffel.

RODRIGO         —    (Impressionado) Uau! A famosa torre Eiffel. Como é linda. (Sorrir)

PIERRE             —    Vou trazer você aqui a noite qualquer dia desses. É mais linda ainda, você precisa ver.

Fecha em Rodrigo que continua boquiaberto com Paris. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. PARIS. LE BISTRO PARISEN. INT. DIA.

Local fino, chique. Algumas mesas disponíveis. Rodrigo e Pierre chegam ao local e são recebidos por uma Hostess

HOSTESS        —    Bienvenue au Bistro Parisen. (Bem vindos ao bistrô).

PIERRE             —    Merci. Table pour deux. (Obrigado. Mesa para dois).

HOSTESS        —    Suivez-moi, s’il vous plaît. (Me acompanhe, por favor).

Hostess os levam até uma mesa. Aonde temos uma vista panorâmica da torre Eiffel. Ela se afasta. Os cardápios (menus) já estão sobre a mesa.

RODRIGO         —    (Olhando o cardápio) Nossa! Não entendo uma palavra disso aqui.

PIERRE             —    Se preocupa não, filho. Já, já você está fluente no francês.

RODRIGO         —    Enquanto isso não acontece, faça você o pedido.

CORTA PARA:

CENA 15. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. DIA.

Laura e Severo sentados à mesa almoçando.

SEVERO           —    Fiquei sabendo que o primogênito da falecida deixou o país.

LAURA              —    Pois é. Ele foi para a França morar com o pai.

SEVERO           —    Ah, sim. Só desse jeito mesmo pra nossa filha ficar em paz. Em falar na Elisa, onde ela está?

LAURA              —    No quarto.

SEVERO           —    Era só o que me faltava. A Elisa ficar trancada naquele quarto 24 horas por causa desse Garcia.

LAURA              —    Respeita a dor de cotovelo da menina, Severo. Não escolhemos por quem nos apaixonamos.

SEVERO           —    (Na defensiva) Espera aí. Tá falando isso por que se arrepende de ter se casado comigo, é?

LAURA              —    Claro que não, homem! Para de falar asneira!

CORTA PARA:

CENA 16. CASA LAURA E SEVERO. QUARTO ELISA. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor se Faz.

Elisa sentada a olhar pela janela. Pega o pingente e fica a admirar o mesmo.

INSERT-FLASH de imagens diversas do casal.

ELISA                —    (P/si, confiante) Ele ainda vai me ligar!

CORTA PARA:

CENA 17. PARIS. LE BISTRO PARISEN. INT. DIA.

Rodrigo a olhar o prato de Croissant.

RODRIGO         —    Mas o que é isso?

PIERRE             —    Croissant. Nunca ouviu falar?

RODRIGO         —    Não.

PIERRE             —    Pedi esse pra você porque Croissant já é um prato muito conhecido no Brasil. Imaginei que já havia experimentado.

RODRIGO         —    É, mas nunca comi, não.

PIERRE             —    Então prove que você verá o quão delicioso é.

Rodrigo meio cismado, prova do croissant.

PIERRE             —    E então? Gostou?

RODRIGO         —    Muito bom.

PIERRE             —    Sabia que ia gostar.

Pai e filho começam a interagir mais fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:           

CENA 18. PARIS. APARTAMENTO PIERRE. SALA. INT. DIA.

Pierre e Rodrigo entram. Rodrigo com a mala.

PIERRE             —    Chegamos. Esta é a sua nova casa.

RODRIGO         —    Nossa! Muito grande e chique.

PIERRE             —    Por isso que quando liguei para o Josias e ele me informou da morte da Letícia, eu não pensei duas vezes antes de te trazer para morar aqui comigo.

RODRIGO         —    Mas por que só agora?

PIERRE             —    Vamos fazer o seguinte, filho:  vou te levar até o seu quarto, você toma um banho, descansa e depois conversamos sobre isso. Pode ser?

RODRIGO         —    Pode.

PIERRE             —    Não me entenda mal. É uma história longa e cansativa, então acho melhor você descansar primeiro. Afinal, foram mais de 11 horas de voo. Vem, vou te mostrar o seu quarto.

CORTA PARA:

CENA 19. PARIS. APARTAMENTO PIERRE. QUARTO RODRIGO. INT. DIA.

Quarto grande de casal. Pierre e Rodrigo (com a mala) entram.

PIERRE             —    Aqui está.

RODRIGO         —    Muito grande.

PIERRE             —    De casal. Mas serve pra você também. Não vai me dizer que não ia gostar de ter uma cama dessas pra você rolar a noite toda?

RODRIGO         —    (Sorrir) É verdade. Só não posso acordar no chão.

PIERRE             —    (Brinca) Se acordar, do chão você não passa.

Os dois sorriem.

PIERRE             —    Bom, vou deixar você se instalar. Qualquer coisa só chamar.

RODRIGO         —    Tá bom.

Pierre sai do quarto e fecha a porta. Rodrigo deixa a mala e caminha até a janela.

RODRIGO         —    (P/si) Paris… Uma das cidades mais românticas do mundo, pra um cara que deixou a namorada no Brasil… Que irônico.

CORTA PARA:

CENA 20. CASA DO CASAL MISTÉRIO. SALA. INT. DIA.

Gabriela andando de um lado para o outro com suas anotações em mãos.

GABRIELA       —    (P/si) Não pode ser. Aonde eu estou errando? (Pega um gravador e liga) Dermatologista pesquisadora da Ictiose, Gabriela Gonçalves para o relato de número 03. Após a descoberta da seiva de uma difícil e rara árvore na localização do bairro do canarinho amarelo. Comprovei que a seiva fresca da mesma resulta na melhora do quadro de Ictiose, mas ainda há muito que estudar. Devido à seiva fresca, uma grande melhora pode ser notada, porém, se a seiva não estiver fresca, a melhora não acontece. (Desliga o gravador) Revisar tudo de novo. Posso estar errando na mistura de alguma substância.

Ela se senta e volta a analisar suas anotações. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 21. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Josias ali sentado triste, bar vazio. Reinaldo, de casaco e calça preta entra.

REINALDO       —    Olá, senhor.

JOSIAS              —    Pois não?

REINALDO       —    Notei que o senhor anda meio pra baixo. Posso ajudar em alguma coisa?

JOSIAS              —    Infelizmente ninguém pode me ajudar, meu caro. Ninguém pode trazer a minha sobrinha de volta.

REINALDO       —    (Senta-se ao lado de Jô) Eu sei que é difícil lidar com a perda, mas infelizmente estamos de passagem pela terra.

JOSIAS              —    Eu sei. Eu sou católico e acredito que ela está no reino dos céus.

REINALDO       —    Isso aí. Ela deve estar se reencontrando agora com os entes queridos que já se foram.

JOSIAS              —    Mas olha como este bar fica… Ela que trazia alegria, simpatia pra dentro desse bar… Hoje é um lugar vazio, que não traz mais nenhuma sensação a não ser a de tristeza e de um vazio enorme.

REINALDO       —    Uma das fases mais difíceis é justamente essa de superação.

JOSIAS              —    Acho até ingrata essa palavra. Superar significa o quê? Esquecer? Nunca! O máximo que a gente pode fazer é se conformar com o passar do tempo. Mas que é difícil é!

CORTA PARA:

CENA 22. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.

Takes do anoitecer. CAM aérea a sobrevoar a Lagoa Rodrigo de Freitas, orla de Copacabana, Cristo Redentor, Pão de Açúcar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 23. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE/ PARIS. QUARTO RODRIGO. INT. NOITE.

Elisa debaixo da asa do canarinho. Rodrigo de Paris, na cama. Favor EDIÇÃO: intercalar durante as falas.

ELISA                —    (Ao cel.) Vim correndo pra asa do canarinho falar com você.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Como eu queria estar aí juntinho de você.

ELISA                —    (Ao cel.) Eu também queria que você estivesse aqui. Mas me conta, como é Paris?

RODRIGO         —    (Ao cel.) Muito legal. Vi a torre Eiffel de pertinho.

ELISA                —    (Ao cel.) Que legal.

RODRIGO         —    (Ao cel.) O Pierre disse que vai me levar lá. Quando eu for, mando um postal pra você.

ELISA                —    (Ao cel.) Vou esperar ansiosa.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Que ironia.

ELISA                —    (Ao cel.) O quê?

RODRIGO         —    (Ao cel.) Estou em uma das cidades mais românticas do mundo sem a garota que amo.

ELISA                —    (Ao cel., sorrir) Realmente chega a ser irônico.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Mas um dia eu tenho certeza que vamos nos ver novamente.

ELISA                —    (Ao cel.) Não tenha dúvidas disso!

CORTA PARA:

CENA 24. CASA JOSIAS. SALA. INT. NOITE.

Josias entra e se senta no sofá. Fica olhando ao redor, tudo…

JOSIAS              —    (P/si) Essa casa agora tá mais escura e sombria… A luz que aqui se tinha, foi brilhar no céu.

Atenção Sonoplastia: O tel. fixo começa a tocar. Jô atende.

JOSIAS              —    (Ao tel.) Alô?

PIERRE             —    (OFF) E aí, Jô.

JOSIAS              —    (Ao tel.) Pierre, como é bom ouvir a tua voz, cara. Como o Rodrigo está?

PIERRE             —    (OFF) Tá bem. Aos poucos parece que ele está aceitando.

JOSIAS              —    (Ao tel.) Que bom, Pierre. Fico feliz pelo meu sobrinho. Depois de tudo que aconteceu, o melhor mesmo pra ele é ficar o mais longe possível daqui.

PIERRE             —    (OFF) E você aí sozinho nesta casa também não está sendo nada fácil, né, Jô?

JOSIAS                  (Ao tel.) Não mesmo. Mas vamos vivendo um dia de cada vez.

PIERRE             —    (OFF) Letícia era um ser de luz extraordinário. Tenho certeza que ela está lá de cima nos observando.

CORTA PARA:

CENA 25. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Laura assistindo TV e a costurar uma das camisas de Severo. Ele chega da rua.

SEVERO           —    Boa noite.

LAURA              —    Boa noite, meu bem.

SEVERO           —    Hoje finalmente teve um movimento considerável de passageiros.

LAURA              —    Viu só, meu bem? Eu não disse que as coisas iam começa a melhorar? É só ter paciência e esperar. Você que é afobado demais e acha que as coisas tem que acontecer na hora que você quer!

SEVERO           —    Laura, Laura… Eu cheguei na maior calmaria do mundo e você tá querendo me tirar do sério.

LAURA              —    Hum… Toma aqui estressadinho a sua camisa.  (Joga a camisa em cima dele) Na próxima, peça para alguém que não tira você do sério!

Ela vai para o quarto.

SEVERO           —    (P/si, não entende) Vá entender essas mulheres! Só porque eu falei isso já é motivo pra ficar desse jeito.

CORTA PARA:

CENA 26. CANARINHO. PRAÇA. EXT. NOITE/ PARIS. QUARTO RODRIGO. INT. NOITE.

Elisa ali cel. Com Rodrigo. Favor EDIÇÃO: Intercalar durante as falas.

ELISA                —    (Ao cel., brinca) Já tá fluente no francês?

RODRIGO         —    (Ao cel.) Engraçadinha… Até isso acontecer, tenho muitos micos pra pagar aqui em Paris.

ELISA                —    (Ao cel., sorrir) Verdade. Todo idioma novo quando ainda estamos na fase iniciante de conversação, é mico na certa!

RODRIGO         —    (Ao cel.) Posso confessar uma coisa?

ELISA                —    (Ao cel.) Claro, Rodrigo. Sou toda ouvidos.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Vim pra Paris com raiva, contra a minha vontade… Mas na verdade mesmo, eu tava com medo do avião cair.

ELISA                —    (Ao cel., sorrir) Ah, para! Um homem desse tamanho com medo de avião.

CAM mostra um homem estranho se aproximando da asa do canarinho. Tensão.

RODRIGO         —    (Ao cel.) Claro. Quero ver quando for você voando pela primeira vez.

ELISA                —    (Ao cel., brinca) Que nada. Eu iria sair do avião e curtir a brisa.

RODRIGO         —    (Ao cel., sorrir) Ai, Elisa. Só você mesmo pra me fazer rir do outro lado do oceano.

O Homem toma o celular de Elisa e sai correndo.

LADRÃO           —   Perdeu, garota! Perdeu!

ELISA                —    (Gritando) Ei. Volta aqui com meu celular!

RODRIGO         —    (Ao cel., preocupado) Elisa? Elisa, fala comigo! Aconteceu alguma coisa?

Elisa começa a correr atrás do ladrão e quase é atropelada ao atravessas rua, o motorista buzina e indignado arremata. Ritmo.

MOTORISTA    —    (Indignado) Olha por onde anda, garota! Tá a fim de morrer?!

Elisa segue firme atrás do ladrão.

ELISA                —    Devolve meu celular, cara!

Ele sobe numa cerca alta e vai se afastando por um beco. Elisa tenta subir na cerca, mas não consegue e fica a olhar ele se distanciar com o seu celular.

ELISA                —    (P/si, indignada) Que droga! Desgraçado conseguiu levar meu celular!

Fecha em Elisa indignada. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

 FIM DO QUARTO CAPÍTULO

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