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Nova Chance Para Amar – Capítulo 18

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

CAMILA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MAURÍCIO

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SEVERO

SÉRGIO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

MOREIRA

CENA 01. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. NOITE.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

ELISA                —    Sim, Marcos, sou eu. Não entendi o espanto.

MARCOS          —    Depois da conversa mais cedo, eu nunca esperava que você fosse vir aqui.

ELISA                —    Pois é. Precisamos conversar. Posso entrar?

MARCOS          —    Claro. (Ela entra e ele fecha a porta) Afinal, esta casa é sua.

ELISA                —    Não mais. Vim aqui pra gente resolver logo esse caso do Gustavinho.

MARCOS          —    Ué. Resolveu deixar eu ver o meu filho? Pensei que estivesse disposta a me impedir.

ELISA                —    Deixa esse deboche ridículo pra outra hora que hoje não estou com saco pra isso!

MARCOS          —    Tudo bem. Senta, Elisa.

Os dois se sentam. Marcos abre as pernas com vontade, só de toalha.

ELISA                —    Realmente depois daquela nossa conversa de hoje mais cedo, que eu vi que não posso te proibir de ver o Gustavinho.

MARCOS          —    Que bom que você entendeu, Elisa. Eu não queria ter dito aquilo de entrar com uma ação, mas você não me deixou outra opção.

ELISA                —    (Constrangida) Será que você pode fechar essas pernas por gentileza? Não sou obrigada a ver isso.

MARCOS          —    Desculpe. (Brinca) Tentativa de sedução fail…

Fecha em Elisa que meneia a cabeça negativamente e dá um sorrisinho. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. FÁBRICA FABRISTILO. BANHEIRO MASCULINO. INT. NOITE.

Sérgio entra, vai para a pia, lava o rosto e fica a se olhar no espelho quebrado.

SÉRGIO             —    (P/si) O Kléber só pode ter ficado maluco! Como que eu posso exigir a Belinha de volta com a Regina? Ela é a chefona aqui. Capaz de mandar me matar se eu fizer uma coisa dessas. (Passa a mão na cabeça de aflição) O que é que eu faço, meu Deus do céu? Desgraçado me colocou num beco sem saída. (Pausa) Mas eu não posso ficar parado! Ele ameaçou a Belinha ou a Amanda. Pensa, Sérgio, pensa… Tem que ter algum jeito de fazer isso sem que a Regina queira me matar.

Sérgio fica ali aflito, pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. NOITE.

Amanda e Camila trabalhando.

CAMILA             —    Você só pode tá de brincadeira, menina!

AMANDA           —    Não, estou falando sério.

CAMILA             —    Aquela mulher pega sua filha, e você deixa por isso mesmo?

AMANDA           —    Camila, aqui quem manda são eles! Você acha que temos chance de encarar eles? Claro que não!

CAMILA             —    Você como mãe deve se sentir péssima com tudo isso.

AMANDA           —    Nem me fale, menina. Dá uma angústia, uma aflição no peito, sabe? Mas pelo menos Belinha disse que estão tratando ela bem.

CAMILA             —    Mas mesmo assim! Ela é sua filha e deveria ficar com você e com o seu marido! Ali tanto ela, quanto aquele tal de Kléber, não valem nada! Só por enganar trabalhadores com esse inferno aqui, já são mais que canalhas!

CORTA PARA:

CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. NOITE.

Regina a digitar no notebook. Belinha a rabiscar um papel.

BELINHA          —    Tédiooo!

REGINA             —    Calma aí, Belinha. Daqui a pouco estamos indo pra casa.

BELINHA          —    Por que eu não posso ficar lá embaixo com a minha mãe?

REGINA             —    Sério mesmo que você prefere estar lá no calor, ouvindo aquele barulho o dia todo, do que aqui?

BELINHA          —    Pelo menos lá eu tinha o que fazer. Parecia que o tempo até passava mais rápido.

REGINA             —    E seu pai, Belinha?

BELINHA          —    O que tem ele?

REGINA             —    Você sabe se ele está bem? Não estou vendo ele aqui nas imagens das câmeras de segurança.

BELINHA          —    Ele deve ter ido no banheiro talvez.

REGINA             —    É, talvez ele tenha ido…

Fecha em Belinha que desconfia de Regina. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE.

Viviane e Beatriz sentadas na cama. Beatriz já reagindo.

BEATRIZ           —    Você não tinha nada que falar com a Elisa disso! A menina entrou aqui essa semana e você já está assustando a coitada da garota?

VIVIANE            —    Coitada? Coitada de mim! Meu marido não para de olhar pra ela! Eu quero essa menina fora dessa casa, mãe!

BEATRIZ           —    Coloque-se em seu lugar, Viviane! Mulher bonita dessas. Modelo conhecida, que já representou uma das maiores marcas de cosméticos do mundo! Confie no seu charme, filha!          

VIVIANE            —    Ai, mãe. Eu nem sei mais o que pensar sobre isso.

BEATRIZ           —    Você está se sentindo insegura. A Elisa realmente é linda, mas é uma empregada!

VIVIANE            —    O fato de ela ser empregada não influencia em nada! Quantas vezes aparecem na mídia que o patrão ficava com a empregada por de trás das costas da esposa trouxa?

BEATRIZ           —    Viviane, pense, minha filha… Rodrigo é um dos homens mais certos que eu já vi na vida. E olha que eu tenho quilometragem de sobra pela minha idade. Não fique pensando nessas coisas e nem chateando o Rodrigo com isso. Você mesma está fazendo com que ele fique saturado de tudo… Até de você.

Fecha em Viviane pensativa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE.

Maurício ali a admirar as estrelas. Nandão volta do bar tomando uma cerveja.

NANDÃO           —    Na boa, Maurício… Tô preocupado contigo, cara!

MAURÍCIO        —    Nandão, meu caro… Para se se preocupar e entra na vibe, vai… As estrelas querem falar contigo, cara.

NANDÃO           —    Sai fora, rapá! Eu, hein. Todo estranho.

Severo se aproxima.

SEVERO           —    Pelo visto foi bom não ter rodado até tarde hoje.

NANDÃO           —    Ainda bem que tu chegou, Severão.

SEVERO           —    O que aconteceu?

NANDÃO           —    Olha como o Maurício está estranho.

MAURÍCIO        —    Severão chegou! Eba!!!

SEVERO           —    Tá estranho mesmo. (Chama) Maurício?

MAURÍCIO        —    Fala Severão.

SEVERO           —    Você tá bem, cara?

MAURÍCIO        —    Claro que tô bem! Não poderia estar melhor. Aqui olhando as estrelas. (Aponta) Olhem, aquela estrela piscou pra mim!

NANDÃO           —    Maurício deve ter fumado um, Severo.

SEVERO           —    Nunca vi ele desse jeito.

MAURÍCIO        —    (Cantarola) Brilha, brilha estrelinha….

Closes alternados em Severo e Nandão sem entender nada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. NOITE.

Elisa sentada reparando a sala. Marcos vem do quarto vestido com um short.

ELISA                —    Até que você tá cuidando bem da casa. Pensei que ia encontrar uma zona, mas não…

MARCOS          —    Que isso, Elisa? Quem olha você falando assim, nem parece que fomos casados por mais de dez anos. Você sabe que eu sempre prezei pela limpeza.

ELISA                —    Isso é verdade. Inclusive é algo raro nos dias de hoje. Homem que goste de limpeza.

MARCOS          —    Como assim? Você tá saindo com alguém?

ELISA                —    Claro que não, Marcos! Foi só uma observação mesmo.

MARCOS          —    Ah, sim. Dona Laura tinha me falado que você estava trabalhando… Como que tá indo?

ELISA                —    Bem. Embora a família seja insuportável, mas vou ficando… Caso consiga algo melhor, eu saio.

MARCOS          —    Isso aí.

ELISA                —    Mas falando sobre o que realmente me trouxe até aqui… Como eu estou trabalhando a semana toda, seria ideal o Gustavinho ficar alguns dias da semana contigo.

MARCOS          —    Olha, Elisa, eu sei que você tá falando isso porque acha que eu não estou trabalhando, mas eu estou com um super projeto aí.

ELISA                —    Ah é? Que projeto é esse?

MARCOS          —    Vou trabalhar junto com o Jô para ressuscitar aquele bar.

ELISA                —    Ah, entendi. E você chama isso de trabalho?

Fecha em Marcos, que não se agrada do questionamento de Elisa. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Rodrigo ali sentado. Ramiro e Marcelo chegam da empresa.

MARCELO        —    E aí, Rodrigo? Como você tá, cara?

RODRIGO         —    Tô bem.

RAMIRO            —    Que susto foi esse, hein?!

RODRIGO         —    Pois é, Ramiro. Mas o pior já passou.

RAMIRO            —    Se eu soubesse que você ia sair do condomínio, teria mandado um dos seguranças te acompanhar.

RODRIGO         —    Eu nem ia sair do condomínio, mas como a orla é aqui pertinho, eu achei que seria bom dar uma espairecida.

MARCELO        —    E olha o que aconteceu. Um absurdo sairmos na rua sem saber se iremos voltar.

RAMIRO            —    Verdade. Mas depois dessa o Rodrigo agora vai ficar mais esperto. Rio de Janeiro não tem a mesma segurança como em Paris.

RODRIGO         —    (Sorrir) Pior que é verdade, Ramiro.

MARCELO        —    Vou subir e tomar um banho.

Marcelo sobe a escada.

RAMIRO            —    Beatriz fez um drama danado, não foi?

RODRIGO         —    Ela ficou bem preocupada.

RAMIRO            —    Com aquela lá o drama é certo!

Eles continuam a conversar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. NOITE.

Edileusa ali sentada emburrada. Rick entra.

RICK                  —    Não me diga que tá escalada para o jantar de sexta-feira?

EDILEUSA        —    (Áspera) Por qual outro motivo você acha que eu estaria aqui?

RICK                  —    Tá toda na ignorância hoje, hein! Não pode falar nada que logo vem com a patada!

EDILEUSA        —    Ai, Rick, foi mal. Tô muito puta com isso. Elisa entrou essa semana e dona Beatriz liberou ela! Eu que estou aqui há muitos anos não consigo essa maldita folga de sexta!

RICK                  —    (Sorrir) A Elisa é queridinha, hein!

EDILEUSA        —    Se foi uma tentativa de levantar meu astral, falhou tá?!

RICK                  —    A Elisa deve ter alguma coisa que você não tem. Porque parando pra pensar, dona Beatriz não vai nem com a minha cara.

EDILEUSA        —    Deve ter feito uma mandinga daquelas!

RICK                  —    Ah, para, Edileusa! A dona Beatriz pode simplesmente ter simpatizado com a cara da moça.

EDILEUSA        —    Vai ficar defendendo a Elisa na minha cara mesmo? (Pega uma maçã e joga nele)

RICK                  —    Que isso, gente? Isso aqui virou o quê? A guerra das frutas?! Se bem que se fosse uma guerra das frutas eu seria uma manga com o caroço bem robusto. (Debochado) Edileusa seria uma melancia!

EDILEUSA        —    (Joga mais maçãs nele) Sai daqui seu ridículo!

Rick sai se protegendo das rajadas de maçãs.

EDILEUSA        —    (P/si) Sem paciência hoje!

CORTA PARA:

CENA 10. FÁBRICA FABRISTILO. PARTE DE TRÁS. EXT. NOITE.

Local escuro. Kléber e Moreira se aproximam com lanternas.

MOREIRA         —    Tu deu mesmo uma surra no cara?

KLÉBER           —    Claro, Moreira! Cê acha mesmo que eu vou ter pena de um sujeito desses?

MOREIRA         —    Pensei que você só ia deixar ele amarrado na árvore.

KLÉBER           —    Qual a tua, Moreira? Pulso firme com essa cambada, ou eles vão acabar nos atacando!

Kléber coloca a lanterna próxima ao rosto do homem, ainda desacordado.

MOREIRA         —    Kléber, você acabou com o cara!

KLÉBER           —    (Sorrindo).O sujeito até se mijou. Não aguentou uma mísera massagem da madeira.

MOREIRA         —    O que vai fazer com ele agora?

KLÉBER           —    Agora vamos levar ele para aquela cela especial. Lumia aqui enquanto eu solto ele.

Moreira joga a luz da lanterna para os nós da corda e Kléber começa a desamarrar o homem. CAM detalha dos pés à cabeça o homem com vários ferimentos e marcas no corpo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Laura a olhar pela janela. Gustavinho assistindo TV e comendo pipoca.

LAURA              —    (P/si) Severo deve ter ido ficar com os amiguinhos no ponto de táxi. Tô nem aí se ele achou ruim. Tá um véio prostrado mesmo. Olha eu falando véio, gente… (Sorrir) Acho que o Marcos tinha razão.

GUSTAVINHO —    Falando sozinha, vó?

LAURA              —    Oi, Gustavinho. Não, a vovó não estava falando sozinha. Às vezes a gente pensa em voz alta.

GUSTAVINHO —    Sério? Nunca tinha ouvido falar nisso.

LAURA              —    É mesmo?

GUSTAVINHO —    Nunca!

LAURA              —    Sua mãe tá demorando, né?

GUSTAVINHO —    Tá mesmo. Ontem há essa hora ela já tinha chegado.

LAURA              —    Verdade. Mas hoje como é sexta-feira, o transito deve tá terrível. Mesmo assim vou ligar pra ver se ela tá chegando.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 12. CASA ELISA E MARCOS. SALA. INT. NOITE.

Elisa e Marcos sentados.

ELISA                —    Claro que não, Marcos! Aos fins de semana eu estou em casa e quero ficar com o meu filho!

MARCOS          —    Será que sou só eu que acho que o que resolveria tudo isso seria a gente voltar?

ELISA                —    Nem pensar! Nem toca nesse assunto que já estamos conversados sobre isso.

MARCOS          —    Tudo bem.

Atenção Sonoplastia: cel. De Elisa começa a tocar.

ELISA                —    É minha mãe. Preciso atender. (Ao cel.) Oi, mãe. (Pausa) É, estou resolvendo um probleminha aqui, mas já, já estou chegando. (Pausa) Não precisa se preocupar que é coisa boba. Beijo. Tchau. (Ela desliga)

MARCOS          —    Pensei que ia falar que estava aqui.

ELISA                —    Tudo que eu menos quero pra minha vida nesse comento é confusão.

MARCOS          —    Tudo bem, Elisa. Mesmo trabalhando no bar do Jô, eu fico com o Gustavinho durante três dias da semana. Pode ser assim?

ELISA                    Tudo bem. Acho que é justo. Você fica com ele de quarta depois do colégio até sábado de manhã.

MARCOS          —    É justo.

ELISA                —    Então agora que já resolvemos tudo, eu preciso ir. Estou cansada demais.

Marcos a leva até a porta.

MARCOS          —    Obrigado, Elisa. Sei que você não está fazendo mais do que sua obrigação ao deixar eu ver o meu filho, mas… Mesmo assim obrigado por entender o meu lado.

ELISA                —    Se cuida, Marcos.

Ela sai, ele fecha a porta, se senta no sofá, quando arremata.

MARCOS          —    (P/si) Ainda não desisti do nosso casamento, Elisa. Tenho certeza que ainda vamos voltar. Só uma questão de tempo.

CORTA PARA:

CENA 13. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. NOITE.

Severo, Maurício e Nandão ali. Maurício ainda a olhar para o céu, viajando…

NANDÃO           —    É sério que ela disse isso, Severão?

SEVERO           —    Disse, Nandão. (Imita Laura) Você tá um velho muito prostrado.

NANDÃO           —    Severão, tu sabe que eu sou teu amigo. Justamente por isso que eu vou te dar um conselho. Você deve ter ficado puto com ela.

SEVERO           —    Ah, mas fiquei mesmo!

NANDÃO           —    Mas você parou pra pensar que ela realmente tem razão? Vocês são um casal, que não tem mais filhos pequenos dentro de casa. Vocês têm mais que é que curtir mesmo.

SEVERO           —    A gente quase não saia quando a Elisa era criança, adolescente… Não sei porque isso agora da Laura!

NANDÃO           —    Tem certeza que não sabe mesmo? Veja Severão, naquela época era diferente. A Laura trabalhava, você rodava mais do que hoje em dia no táxi. Realmente é difícil arrumar tempo pra isso. Só que agora vocês estão aposentados, a Elisa já é adulta, tem filho… O que vocês não viveram quando novos, por que não tentar agora?

SEVERO           —    É… Hoje você e o Maurício inverteram os papéis, né?!

NANDÃO           —    Continua doidão!

Elisa se aproxima.

ELISA                —    Boa noite, gente.

NANDÃO           —    Boa noite, Elisa.

SEVERO           —    O que você tava fazendo naquela rua?

ELISA                    (Nervosa) Eu fui… Fui na casa do Nandão avisar ele que a Edileusa ficou e só vem amanhã de manhã.

NANDÃO           —    Ah, sim. Ela sempre fica mesmo. Obrigado, Elisa.

ELISA                —    De nada. Bom, agora vou indo. Descansar um pouco.

SEVERO               Claro, minha filha. Vai lá.

ELISA                —    (Olha Maurício ali viajando) Gente, o que aconteceu com ele?

NANDÃO           —    Maurício parece ter deixado de ser certinho e puxou um fumo! Bom, pelo menos é a única explicação pra isso.

Elisa sorrir e segue se afastando. Severo e Nandão riem ao olhar para Maurício. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Laura e Gustavinho sentados a comer pipoca e assistir TV. Elisa chega.

ELISA                —    Nossa! A coisa tá boa aqui, hein!

GUSTAVINHO —    (Corre e abraça a mãe) Mãe!

ELISA                —    (Beija o rosto do filho) Oi, Filho. Mamãe fica fora o dia todo, mas com muita saudade de você.

LAURA              —    Chegou tarde hoje, hein, minha filha.

ELISA                —    Pois é, mãe. Tive que resolver umas pendências.

LAURA              —    Ah, sim. Mas não é nada grave não, né?

ELISA                —    Não. Agora vou tomar um banho e descansar.

LAURA              —    É, e hoje eu não vou fazer janta. Já tinha falado pro Severo comprar lanches, mas ele saiu pra Deus sabe onde!

ELISA                —    Ele tá no ponto de táxi.

LAURA              —    Sabia! Aquele ponto de táxi parece ser mais importante pra ele do que qualquer outra coisa!

CORTA PARA:

CENA 15. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. NOITE.

Amanda e Camila ali trabalhando a todo vapor.

CAMILA             —    O ritmo aqui é muito ágil.

AMANDA           —    Você ainda tem um desconto porque começou hoje, mas com os antigos aqui a história é outra. Se eles verem que está morcegando, aplicam um corretivo.

CAMILA             —    Meu Deus… Escravidão não acabou!

AMANDA           —    Essa pode ser chamada como: escravidão moderna.

Sérgio se aproxima.

SÉRGIO             —    Amanda, eu preciso falar com você!

AMANDA           —    Então fala, homem!

SÉRGIO             —    Não pode ser aqui. Tem que ser num lugar mais reservado.

AMANDA           —    Como que eu vou deixar meu local de trabalho, Sérgio?

CAMILA             —    Vai, Amanda. Qualquer coisa eu digo que você foi ao banheiro.

AMANDA           —    Brigada, Camila.

Amanda e Sérgio saem apressados. Camila fica ali a tentar se familiarizar com os materiais da costura. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. FÁBRICA FABRISTILO. QUARTINHO. INT. NOITE.

Amanda e Sérgio entram.

AMANDA           —    Você ficou louco, Sérgio? Esse é o quartinho da ‘conversa’ da Regina.

SÉRGIO             —    Eu sei. Mas tinha que ser aqui pra ninguém ouvir.

AMANDA           —    Fala logo que você tá me deixando preocupada, homem!

SÉRGIO             —    O Kléber veio conversar comigo. Conversar com aquele jeito que a gente sabe bem como.

AMANDA           —    O que ele queria?

SÉRGIO             —    Ele quer que eu convença a Regina a deixar a Belinha com a gente de novo.

AMANDA           —    Mas como?

SÉRGIO                 Não sei, Amanda! Eu tô desesperado! Ele ameaçou fazer alguma coisa contra você ou a Belinha se eu não conseguir!

Fecha em Amanda aflita. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 17. MANSÃO VIEIRA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Ramiro ali ao cel. Com Regina.

RAMIRO            —    (Ao cel.) Regina, entenda uma coisa. Fechamos o contrato com a empresa argentina hoje. Você acha mesmo que eles vão querer saber do tempo necessário dos novos funcionários se habituarem com o trabalho? Eles querem o que pediram dentro do prazo! (Pausa) Não interessa como você vai fazer isso! O fato é que eu quero a quantidade x que eles pedirem, no prazo, na qualidade e na quantidade correta! Faça o que tiver que fazer! Se for necessário que todos trabalhem 24 horas, que trabalhem! O que interessa é o pedido do cliente no prazo e na qualidade!

Ele desliga e fica ali sério. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. NOITE.

Regina ali aflita com o cel. em mãos.

REGINA             —    (P/si) Difícil conversar com alguém como o Ramiro. Será que ele não entende que temos que tomar cuidado pra não entregar produtos em péssima qualidade aos clientes? Mas ele é o presidente, eu apenas uma encarregada. E põe ‘carregada’ de tarefas nisso!

Belinha vem do quarto.

BELINHA          —    Regina?

REGINA             —    Pode falar, Belinha.

BELINHA          —    Eu vi o Kléber e o Moreira carregando um homem todo machucado.

REGINA             —    Que horas isso?

BELINHA          —    Agorinha. Tava olhando pela janela pra ver se via meus pais.

Regina pega seu notebook e o liga.

REGINA             —    Não é possível que o Kléber tá tomando decisões sem antes falar comigo!

Ela fica ali a mexer no notebook. Belinha não entende. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. NOITE.

O passar de algumas horas em takes da orla de Copacabana, ruas do bairro vazias devido ao horário. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. FÁBRICA FABRISTILO. QUARTINHO. INT. MADRUGADA.

Atenção Sonoplastia: Instrumental – Tensão.

Camila dormindo. A porta se abre. CAM subjetiva entra e vem se aproximando de Camila. A pessoa passa acaricia suas pernas e arremata.

HOMEM             —    (OFF) Delícia!

CAM abre o Plano, revelando que se trata de Kléber. Ele começa a tirar as calças. Camila acorda com o barulho do cinto e se assusta.

CAMILA             —    (Assustada) Que isso? O que você tá fazendo aqui?

KLÉBER           —    Não seja ingênua que todos nós sabemos o que a gente vai fazer agora!

CAMILA             —    Sai, seu delinquente!

Camila se levanta e Kléber a empurra contra a parede.

KLÉBER           —    Isso! Faz de difícil que é assim que eu gosto!

Kléber começa a lamber o pescoço de Camila, que está com a expressão de nojo do sujeito.

KLÉBER           —    Vou te fazer mulher, Camilinha!

Camila dá um chute no saco de Kléber e sai gritando.

CAMILA             —    (Gritando) Socorro! Socorro!

KLÉBER           —    (P/si) Eu te mato sua vagabunda!

Ele fica ali pelo chão com dor no local. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

FIM DO DÉCIMO OITAVO CAPÍTULO

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