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Nova Chance Para Amar – Capítulo 42 (Último)

NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

DANIELA

EDILEUSA

ELISA

GABRIELA

GUILHERME

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MAURÍCIO

MOREIRA

NANDÃO

RAMIRO

REGINA

REINALDO

RICK

RODRIGO

SALINA

SÉRGIO

SEVERO

VIVIANE

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

APRESENTADORA, DELEGADO, IMPRENSA, MARÍLIA, POLICIAIS MILITARES e SECRETÁRIA.

CENA 01. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Elisa entra desesperada.

SEVERO           —    O que aconteceu, minha filha?

ELISA                —    Eu preciso de ajuda, pai!

SEVERO           —    Claro. É só falar o que aconteceu.

Laura e Salina vêm da cozinha.

LAURA              —    Escutei sua voz lá da cozinha, filha. O que tá acontecendo?

ELISA                —    A polícia veio aqui e levou o Rodrigo!

LAURA              —    Com o assim levou o Rodrigo, Elisa?

ELISA                —    Não sei!

SALINA             —    Mas devem ter levado ele para esclarecimentos sobre a denúncia da fábrica, não?

ELISA                —    Não! Eles falaram que o Rodrigo está sendo acusado de ter feito contratos fraudados no exterior.

SEVERO           —    Isso não me surpreende! É um Garcia!

LAURA              —    (Repreendendo-o) Severo!

SALINA             —    Meu Deus!

ELISA                —    Eu preciso de um advogado urgente!

LAURA              —    Eu tenho o número de um conhecido. Vou ligar pra ele.

Laura corre para o telefone. Elisa. Fica ali aflita. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. RUA DE TERRA. EXT. DIA.

Continuação imediata da cena 25 do capítulo anterior. Clima de tensão! Ramiro ainda a apontar a arma para a testa de Kléber.

KLÉBER           —    (Sorrir, debochado) Sujeitos que nem você são fracos, Ramiro! Dão um de que são durões, mas na hora da ação amarelam! Covardes!

Ramiro atira no peito de Kléber, não necessariamente sobre o coração. Kléber agoniza. Instantes.

RAMIRO            —    Tá bom agora?

KLÉBER           —    (Agonizando) Você… Eu que…

Kléber fecha os olhos e “morre”. Ramiro, sério, o encara por um instante.

RAMIRO            —    (P/si) A sua morte não traz o meu filho de volta, mas a justiça foi feita.

Ramiro vira as costas e segue caminhando. Em, SLOW MOTION, Kléber saca a arma escondida na parte de trás da calça e atira duas vezes nas costas de Ramiro. Ramiro ajoelha-se ferido, uma lágrima escorre pelo seu rosto, e ele cai morto. CAM abre o plano nos corpos de ambos estirados no chão. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.

Rodrigo entra com os Policial 1 e 2.

RODRIGO         —    Me solta! Vocês estão completamente enganados! Eu não sou um bandido!

Delegado entra.

DELEGADO     —    (Irônico) O bom moço chegou.

RODRIGO         —    Vocês estão cometendo um erro!

DELEGADO     —    Será mesmo, seu Rodrigo?

RODRIGO         —    Eu sou inocente, seja lá do que é que estou sendo acusado!

DELEGADO     —    (P/policiais) Podem sair.

Policial 1 e 2 saem e fecham a porta.

DELEGADO     —    No final das contas, a denuncia do trabalho escravo era para despistar e fugir das suas irregularidades.

RODRIGO         —     Quê? Do que o senhor está falando?

DELEGADO     —    Fizemos buscas e apreensões no prédio da administração da Fabristilo. Coincidentemente, o seu nome e a sua assinatura aparecem em vários acordos internacionais!

RODRIGO         —    Não era essa a minha função na empresa! Eu era um Gerente Geral, mas sem essas atribuições. (Esbraveja) Isso é coisa do canalha do Ramiro!

DELEGADO     —    Seu Rodrigo, as provas estão aqui. Por mais que você negue. Tudo está apontando para o seu nome.

Fecha em Rodrigo indignado. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 04. PETRÓPOLIS. XÁCARA. FRENTE. EXT. DIA.

Viviane e Beatriz ali. Um carro estacionado, o motorista do mesmo, coloca as malas no carro.

VIVIANE            —    Mamãe, a senhora tem certeza que está tudo certo para irmos embora?

BEATRIZ          —    Claro que está! Ramiro ontem, quando estávamos subindo a serra, ligou para um conhecido dele.

VIVIANE            —    Mas como vai ser isso, mãe? E se não for desse jeito que a senhora está pensando e a gente ficar perdidas? Ou pior, ser presas!

BEATRIZ          —    Não se preocupe, Vivi. Tudo vai dar certo. Só estou preocupada o sumiço do Ramiro.

VIVIANE            —    Ele não está aqui, mas mandou seguirmos em frente. E é isso que nós vamos fazer. Foco na nossa fuga, mamãe!

Fecha em Beatriz preocupada com o irmão. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.

Delgado ali digitando no computador. Rodrigo aflito.

RODRIGO         —    Eu vou querer saber que provas são essas que a polícia tem com meu nome! Ramiro com certeza falsificou isso!

DELEGADO     —    Se ele falsificou ou não, a minha equipe de perícia já está trabalhando para descobrir.

RODRIGO         —    Foram até a minha casa falar que o Marcelo tinha ligado pra mim antes de morrer. Era justamente sobre essas coisas ilegais que queríamos descobrir.

DELEGADO         Você está dizendo que o Marcelo, filho do Ramiro Vieira sabia de tudo?

RODRIGO         —    Nós dois não sabíamos de nada, mas desconfiávamos de tudo! Por que vocês não vão atrás da Secretária Kátia que sumiu com o Pen drive?!

DELEGADO     —    O alvo da investigação no momento é você, Rodrigo, não a secretária.

RODRIGO         —    (Revoltado) Não é possível uma coisa dessas!

CORTA PARA:

CENA 06. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER

Takes do por do sol.  Orla de Copacabana bem movimentada de ciclistas e banhistas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. APART GABRIELA. SALA. INT. NOITE.

Dani e Marília sentadas no sofá conversando.

DANIELA          —    O meu pai falou que minha mãe está pesquisando a cura pra essa doença, Marília.

MARÍLIA            —    É, o seu Reinaldo comentou comigo. Ai, Dani, você nem imagina o quanto eu tô aqui torcendo pra ela conseguir encontrar essa bendita cura!

DANIELA          —    Eu também! Quero voltar a poder sair na rua de novo, ir ao colégio.

MARÍLIA            —    Mas você pode fazer isso, Dani! Sua mãe mesma falou que não é contagioso.

DANIELA          —    Não é contagioso, mas as pessoas sabem disso, Marília?! O jeito como elas me olham na rua é horrível! Sei lá, parece que eu sou diferente de todos!

MARÍLIA            —    (Faz cafuné) Isso vai passar, Dani.

Gabriela, Guilherme e Reinaldo chegam da rua.

GABRIELA       —    Boa noite.

DANIELA          —    Mãe!

GUILHERME    —    Boa noite.

GABRIELA       —    Oi, filha.

DANIELA          —    Todos vocês sumiram!

REINALDO       —    Filha, a gente tava numa reunião.

DANIELA          —    Que reunião?

GABRIELA       —    No seu colégio. A diretora me chamou para conversar com os pais sobre a ictiose.

DANIELA          —    Ah, sim.

GABRIELA       —    Agora vem. Vem que eu tenho uma surpresinha pra você. Vem com a gente, Marília.

MARÍLIA            —    Já que chamou…

As três vão para o quarto. Reinaldo e Guilherme ficam sem graça.

GUILHERME    —    Grande dia hoje, não?

REINALDO       —    Pois é. E de pensar que eu faço parte disso, é maravilhoso.

Os dois continuam a conversar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. APART GABRIELA. QUARTO DANI. INT. NOITE.

Gabriela tira da bolsa um potinho de creme.

DANIELA          —    Era essa a surpresa que a senhora tinha pra mim? Creme?

GABRIELA       —    Não! Não é a embalagem que importa e sim o conteúdo de dentro do pote. (abre o pote e mostra para a filha e Marília)

MARÍLIA            —    Desculpe me meter, mas o que é isso?

GABRIELA       —    É a cura!

DANIELA          —    (Surpresa) A senhora conseguiu?

Gabriela meneia a cabeça que sim, e Dani abraça a mãe.

MARÍLIA            —    (Feliz) Que maravilha, dona Gabriela! Parabéns!

GABRIELA       —    Obrigada, Marília! (P/Dani) Preparada filha?

DANIELA          —    Sim!

Gabriela passa o creme no rosto e braços de Dani. Marília feliz a observar. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. DELEGACIA. ANTESSALA. INT. NOITE.

Elisa ali aflita. Rodrigo sai da sala do delegado acompanhado do advogado.

ELISA                —    Graças a Deus, Rodrigo!

RODRIGO         —    Obrigado, doutor.

O advogado (figurante) meneia a cabeça e sai.

RODRIGO         —    Você não vai acreditar, Elisa. O Ramiro estava usando o meu nome para assinar contratos fraudulentos internacionais.

ELISA                —    Mas agora vai ficar tudo bem, né?

RODRIGO         —    Não ainda. Paguei uma fiança caríssima e agora vou responder em liberdade.

ELISA                —    Responder o quê? Você é inocente!

RODRIGO         —    Eu sei. Mas enquanto não conseguir comprovar a minha inocência, sou visto pela justiça como o culpado.

ELISA                —    Meu Deus.

RODRIGO         —    Tenho que encontrar essa secretária e acabar com isso de uma vez. Só esse Pen drive pode me inocentar.

ELISA                —    Nós vamos conseguir encontrar essa mulher, meu amor. (Pausa) Agora que você está salvo, temos que resolver algo talvez até mais complexo do que você ter sido preso.

RODRIGO         —    (Não entende) O quê?

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 10. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE.

Salina, Amanda, Sérgio e Belinha sentados a uma mesa. Em outra mesa estão: Laura, Gustavinho e Nandão. Jô serve as mesas.

LAURA              —    Fiquei sabendo do escândalo que foi no ponto de táxi.

NANDÃO           —    Nem te falo, dona Laura. Depois disso tudo, a Edileusa queimou todas as minhas roupas nos fundos da casa. Sorte que eu conseguir tirar uma peça ou outra de roupa.

LAURA              —    (Sorrir) Nossa! Vingativa ela.

NANDÃO           —    Maurício filho da mãe que deu essa ideia a ela! E agora eu tô na rua, porque ela simplesmente resolveu trocar a fechadura de tudo e sumiu!

LAURA              —    Sumiu pra onde?

NANDÃO           —    Sei lá.

Laura sorrir. Elisa e Maurício forçam Severo a entrar no bar do “inimigo”.

ELISA                —    Anda pai! Entra!

SEVERO           —    (Resistindo) Não! Você sabe que esse bar é o território do inimigo!

MAURÍCIO        —    Não faz de difícil, não, Severão!

Com muito custo, ambos conseguem.

SEVERO           —    Mas o que a Laura e o meu neto estão fazendo aqui? Estão todos muito moderninhos!

LAURA              —    E você tá na pré-historinha! Você e o Jô tem que largar essa palhaçada e viver a vida! O que aconteceu no passado, deixa no passado!

ELISA                —    Atenção de todos aqui um instante! Eu pedi que todos vocês estivessem aqui porque eu quero fazer um comunicado. Eu estou num relacionamento com o Rodrigo Garcia. Eu sei que para quase todos aqui isso não é uma surpresa. Eu quero falar especialmente com meu pai e com o Josias Garcia.

Rodrigo entra no bar.

RODRIGO         —    É isso aí. E desta vez, vocês vão ter que aceitar!

ELISA                —    Eu nunca mais quero deixar o Rodrigo.

RODRIGO         —    E eu muito menos quero deixar a Elisa!

ELISA                —    E então, qual vai ser a posição de vocês?

Closes alternados em Severo e Jô, sérios, ainda a digerir a informação. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. PISTA DE POUSO DE TERRA. EXT. NOITE.

Local muito escuro. Beatriz e Viviane ali a espera do helicóptero.

VIVIANE            —    Esse helicóptero que nunca chega aqui, mãe!

BEATRIZ          —    Pelo que Ramiro disse, já deveria ter chegado!

VIVIANE            —    Não tô gostando nada disso! E se não vier, mãe?

BEATRIZ          —    Ele vai vir, filha. O piloto é amigo do Ramiro.

VIVIANE            —    (Tenta mexer no cel.) Aqui nem tem sinal! Estamos isoladas no fim do mundo.

BEATRIZ          —    E o pior é que esses pernilongos não param de ir na minha perna!

VIVIANE            —    Cadê o (Grita) inferno desse helicóptero?!!

CORTA PARA:

CENA 12. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 10.

JOSIAS              —    Bom, eu vou ser o primeiro a falar então. A união de vocês dois não me agrada nem um pouco!

ELISA                —    (P/Rodrigo) Por que eu ainda pensei que seria diferente?

JOSIAS              —    Mas! Eu fiquei durante quinze anos longe do meu sobrinho. Se esse relacionamento fizer com que o Rodrigo não se afaste mais de mim, eu aprovo!

RODRIGO         —    Do Canarinho eu não saio nunca mais, tio!

ELISA                —    Pai, e o senhor?

LAURA              —    Severo, vê lá o que você vai falar, hein!            A Elisa e o Rodrigo não tinham nem que comunicar e pedir a aprovação de vocês dois! Eles são adultos! Há quinze anos vocês poderiam proibir porque eram menores, mas agora é diferente! Se eles estão aqui pedindo, isso demonstra que eles têm respeito pelos dois! (Pausa) E poxa! Eles estiveram juntos em situações de quase morte! E isso, mais do que demonstra o verdadeiro amor desses dois, aonde um é capaz de tudo ao lado do outro!

SEVERO           —    Não tem como negar que vocês estiveram em situações terríveis juntos.  Tudo bem, eu aprovo!

ELISA                —    (Feliz, radiante) Brigada, seu Severinho no meu coração. (Dá um beijo no pai.)

Todos sorriem e aplaudem. Rodrigo e Elisa se beijam apaixonadamente. Severo e Jô ainda se entreolham sérios.

CORTA PARA:

CENA 13. CANARINHO AMARELO. STOCK-SHOTS. EXT. DIA.

LETREIRO: SEMANAS DEPOIS…

Takes da praça, do ponto de táxi, do bar do tio Jô, de Laura na Janela a observar a vizinhança. CAM aproxima-se da escultura do Canarinho e a detalha. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA ELISA. SALA. INT. DIA.

Belinha e Gustavinho ali sentados. Ele ensina Belinha a mexer no celular.

BELINHA          —    Eu já vi o Kléber na fábrica usando o um desses.

GUSTAVINHO —    É celular, Belinha. É fácil de mexer. Pega só pra você ver.

BELINHA          —    (Pega o cel. toda desajeitada) Nossa! É grande.

GUSTAVINHO —    É sim. Aqui nesse sinalzinho de play, tem vários jogos legais.

BELINHA          —    (Encantada) Que maneiro!

GUSTAVINHO —    Tem um jogo de corrida aqui que é muito bom. Você vai adorar!

Sérgio entra.

SÉRGIO             —    Cadê a Amanda, Belinha?

BELINHA          —    Não sei pai.

GUSTAVINHO —    Belinha, sua mãe passou aqui e disse que ia resolver um problema, esqueceu?

BELINHA          —    (Lembra-se) Ah é. É isso tudo aí que o Gustavinho falou.

SÉRGIO             —    Ela não disse pra onde ia?

GUSTAVINHO —    Não.

SÉRGIO             —    (P/si, preocupado) Espero que ela não tenha ido aonde eu tô pensando…

CORTA PARA:

CENA 15. PENITENCIÁRIA FEMININA. SALA DE VISITA. INT. DIA.

Amanda ali sentada, quando Regina é trazida por uma policial.

REGINA             —    (Surpresa) Nossa! Você aqui, Amanda?

AMANDA           —    Pois é, Regina. O mundo dá voltas, né?

REGINA             —    É, eu os mantinham presos e agora a prisioneira sou eu! Mas há que devo a honra da sua visita?

AMANDA           —    Estou aqui para lhe fazer uma simples pergunta: Por quê?

Fecha em Regina sem entender nada.

CORTA PARA:

CENA 16. APART GABRIELA. SALA. INT. DIA.

Reinaldo, Dani e Marília sentados assistindo um programa em que Gabriela e Guilherme participam ao vivo, para falar das pesquisas. Reinaldo e Dani completamente curados. Não há mais fissura, rachaduras na pele de ambos.

DANIELA          —    (Entusiasmada) Ela tá na TV, pai.

REINALDO       —    Ih, filha! Agora vai ser só isso. Sua mãe vai ficar famosa depois dessa descoberta.

MARÍLIA                (Feliz) Que alegria ver a dona Gabriela feliz e leve. Olhando pra ela assim, é como se ela tivesse tirado um peso que estava sobre as costas dela há anos.

CAM foca na TV por um instante.

APRESENTADORA — Contem pra gente como ocorreu a descoberta da cura da ictiose.

GABRIELA       —    Estávamos no laboratório da clínica realizando testes com o meu ex-marido, que também sofre com a ictiose.

GUILHERME    —    Isso mesmo. Só que deixamos a mistura da seiva com ácido salicílico e uréia por cerca de uma hora, não foi isso?

GABRIELA       —    Foi.

GUILHERME    —    E aí percebemos que a mistura dos materiais que ficou parada ali por uma hora, formou a membrana.

APRESENTADORA — Gente do céu. Então foi algo que aconteceu porque tinha que acontecer!

GABRIELA       —    Verdade! A mistura das substâncias do creme especial é promissora, mas percebemos ainda mais eficácia com o aparecimento desta membrana…

Gabriela continua a falar fora de áudio. CAM vai afastando-se da TV. Reinaldo, Dani e Marília continuam a assistir o programa, felizes da vida.

CORTA PARA:

CENA 17. PENITENCIÁRIA FEMININA. SALA DE VISITA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 15.

REGINA             —    Como? Eu não entendi.

AMANDA           —    Por quê? Uma simples pergunta.

REGINA             —    Acredito eu que você esteja se referindo ao porquê de ter sido uma maldita com você e sua família todos esses anos.

AMANDA           —    Que bom que você reconhece.

REGINA             —    A verdade é que eu fiquei bem amargurada depois que perdi minha filha.

AMANDA           —    Como assim?

REGINA             —    Eu já fui mãe, Amanda. Quando perdi minha filha, ela tinha a mesma idade da Belinha, 10 anos.

AMANDA           —    E você acha que a sua perda justifica “a coisa” que você se transformou?

REGINA             —    Acredito que nada justifica atos como os que eu fiz com vocês e todos aqueles outros trabalhadores.

AMANDA           —    A Camila morreu por causa de vocês!

REGINA             —    Nada disso! Pelo que eu sei foi um policial que atirou nela!

AMANDA           —    É? Mas vocês mantiveram a mim, a minha família e tantos outros cidadãos de bem como refém, escravos!

REGINA             —    Refém?

AMANDA           —    Refém das suas artimanhas. Meu marido quase morreu porque você colocou ele numa situação de perigo!

REGINA                 (Sorrir) Amanda, o Sérgio fez o que fez por querer. Eu não o obriguei a nada. Reconheço que joguei baixo quando tirei a Belinha de vocês pra ficar comigo, mas era só o desejo de uma mãe que perdeu sua filha, de viver mais essa fantasia.

AMANDA           —    (Revoltada) Então vá fantasiar com outros! Aliás, vá fantasiar no quinto dos infernos sua desgraçada! (P/Policial) Quero sair.

Fecha em Regina, que sorrir debochada. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. COPACABANA. ORLA. EXT. DIA.

Rodrigo e Elisa ali num banco da orla.

ELISA                —    Será que não era trote, Rodrigo?

RODRIGO         —    Eu conheço bem a voz da secretária pelo telefone. Tenho certeza que era ela.

ELISA                —    Tomara que ela esteja com o Pen drive.

A secretária se aproxima disfarçada.

RODRIGO         —    Acho que é ela.

ELISA                —    Nossa! Toda no disfarce.

SECRETÁRIA  —    Seu Rodrigo.

RODRIGO         —    Kátia. Por que você sumiu desse jeito?

SECRETÁRIA  —    Depois que a notícia de que eu tinha o Pen drive vazou na imprensa, eu tive que me desfazer até do meu celular.

ELISA                —    Nossa! Então essas informações têm muito a esconder!

SECRETÁRIA  —    Pior que tem mesmo. Eu dei uma olhada nas informações, me desculpe por isso, mas eu tinha que saber a bomba que tinha em mãos.

RODRIGO         —    Eu entendo perfeitamente, Kátia. Então, você pode me entregar o Pen drive agora?

Secretária olha para os lados para certificar-se de que na há ninguém suspeito e passa o Pen drive rapidamente para Rodrigo, que o guarda no bolso.

SECRETÁRIA  —    Só toma cuidado, seu Rodrigo a quem o senhor vá entregar essas informações. Muita gente vai ser desmascarada.

RODRIGO             (Convicto) Eu sei bem o que fazer com essas informações…

CORTA PARA:

CENA 19. PISTA DE POUSO DE TERRA. EXT. DIA.

Beatriz e Viviane sujas, descabeladas, agora doidas ainda na esperança de que o helicóptero venha.

VIVIANE            —    Meu Deus! Sei lá quantos dias já estamos aqui.

BEATRIZ          —    O helicóptero vai vim.

VIVIANE            —    E ainda tem forças para manter a confiança neste nível? Afe!

BEATRIZ          —    (Cambaleando) Forças eu não tenho mais não.

Beatriz cambaleia mais até que cai. CAM subjetiva na visão de Beatriz: Ela olha para o mato e ver um frango assado de pé, andando, que diz.

FRANGO           —    (Chamando-a, afeição do mal) Vem Beatriz! Vem me comer! Vem!

BEATRIZ          —    (OFF) Frango… Franguinho… (Tenta alcançá-lo com a mão)

O frango se embrenha no mato, com uma risada do mal. CAM abre o plano.

 BEATRIZ         —    (Indo em direção ao mato) Volta aqui frango!

Beatriz se embrenha no mato chamando pelo frango.

VIVIANE            —    (Convencida) É isso. Nós vamos morrer aqui!

CORTA PARA:

CENA 20. RODOVIÁRIA NOVO RIO. EMBARQUE. INT. DIA.

Rodoviária muito movimentada. Pessoas puxando malas, outras embarcam nos ônibus, que em seguida saem em viagem. Edileusa vem puxando sua mala de rodinha. Ela se aproxima de um ônibus indicando: “Rio de Janeiro x Vitória”. Ela entrega a mala ao motorista, que guarda, quando vai embarcar no ônibus…

RICK                  —    (Chamando-a) Edileusa!

EDILEUSA        —    Rick? O que você tá fazendo aqui?

RICK                  —    Você colocou lá no grupo dos funcionários da mansão que tava indo embora. Bom, eu vim me despedir.

EDILEUSA        —    Obrigada, Rick! (Abraça-o)

RICK                  —    Mas por que você vai deixar o Rio?

EDILEUSA        —    Ah, Rick. A verdade é que eu cansei dessa cidade. Depois que minha vida começou a desandar, eu quero recomeçar num lugar diferente, sabe!

RICK                  —    Sei. Vai pra casa de parente?

EDILEUSA        —    Minha mãe mora em Vitória.

RICK                  —    Entendi. Boa sorte então.

EDILEUSA        —    Obrigada! Tchau, Rick.

RICK                  —    Até qualquer dia.

Edileusa embarca no ônibus, que em seguida, vai se afastando. Rick a olhar o ônibus se distanciar.

RICK                  —    É, agora eu preciso recomeçar a minha vida, principalmente, a profissional.

CORTA PARA:

CENA 21. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.

Rodrigo ali diante de repórteres, cinegrafistas. Elisa ao fundo de Rodrigo. Ao fundo da imprensa, alguns curiosos.

REPÓRTER 1  —    Rodrigo, conta pra gente como você conseguiu esse Pen drive.

RODRIGO             Esse Pen drive chegou até as minhas mãos de forma honesta. As informações contidas nele me inocentam de ter assinado contratos fraudulentos em nome da Fabristilo.

REPÓRTER 2  —    As informações do Pen Drive ainda levaram outras empresas a serem investigas, principalmente a Empresa Franco, como você ver isso?

RODRIGO         —    Espero que descubram todas as irregularidades destas empresas e que as mesmas arquem com a devida punição.

CORTA PARA O PONTO DE TÁXI: Severo ali a observar tudo. Jô se aproxima não entendo aquela confusão.

JOSIAS                  Mas rapaz, que confusão é essa?

SEVERO           —    Rodrigo está denunciando uma série de empresas que estavam envolvidas nas safadezas do ex-chefe dele. O rapaz está sendo corajoso!

JOSIAS              —    Até demais! Espero que isso não traga problemas pra ele.

Ambos se dão conta de que estão se falando e ficam sérios um para o outro.

CORTA PARA:

CENA 22. CENÁRIOS DIVERSOS. MONTAGEM. INT./ EXT. DIA.

— JORNAL impresso com uma manchete de capa, com os dizeres: Dermatologistas Cariocas, responsáveis pela descoberta da cura da Ictiose são indicados ao Prêmio Nobel de Medicina.

— Imprensa reunida na porta da Clínica. Gabriela e Guilherme chegam e dão entrevista para a impressa, que os cercam.

— Outro JORNAL com a manchete de capa: Dupla de dermatologistas Brasileira representa o Brasil ao ser indicada ao Prêmio Nobel de Medicina.

— Gabriela, Guilherme, Reinaldo, Dani e Marília vibram ao ler o jornal com os dois na capa.

— Outro JORNAL com manchete de capa: Gabriela Gonçalves e Guilherme Silveira indicados ao Nobel de Medicina. Se vencerem, será um marco na história da medicina brasileira.

— Gabriela, Guilherme, Reinaldo, Dani e Marília de madrugada próximos ao telefone, quando o mesmo toca. Gabriela atende e vibra com a notícia de que os dois foram os GANHADORES!

— TELA PRETA – LETREIRO: “O GRANDE DIA”

CORTA PARA:

CENA 23. SUÉCIA. APARTAMENTO. SALA. INT. DIA.

Todos arrumados formalmente para a cerimônia.

GABRIELA       —    (Ansiosa) Gente, pelo amor de Deus! Eu não sei se vou aguentar!

DANIELA          —    Fica calma, mãe.

REINALDO       —    Você lutou tanto pra chegar até aqui. Mantenha a calma que vai dar tudo certo.

MARÍLIA            —    O seu Reinaldo tem razão, fica calma.

GABRIELA       —    Eu não sei nem o que dizer na cerimônia.

GUILHERME    —    E o seu discurso?

GABRIELA       —    Ah, é. Eu fiz um discurso. Gente eu tô tão ansiosa com isso que até esqueci do discurso.

Guilherme pega o discurso impresso de Gabriela sobre a mesa e dá a ela.

GUILHERME    —    Se quiser dá uma repassada no que vai falar, a hora é agora.

GABRIELA       —    Tudo bem.

CORTA PARA:

CENA 24. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Severo entra. Jô ali sentado.

SEVERO           —    (Sereno) Josias Garcia.

JOSIAS                  Severo Borges.

SEVERO           —    Vou direto ao ponto. Afinal, pra que ficar com rodeios, não é mesmo?

JOSIAS              —    Concordo.

SEVERO           —    A última vez que trocamos algumas palavras, foi quando aconteceu toda aquela confusão do Marcos lá em Angra. (Pausa) Desde então, ainda não conversamos sobre isso. Eu quero que você me desculpe.

JOSIAS              —    Por que isso agora, Severo?

SEVERO           —    A volta do namoro da minha filha com o seu sobrinho depois de quinze anos, acho que deve ser encarada como um sinal.

JOSIAS              —    Sinal?

SEVERO           —    Sinal de que estamos ficando velhos.

JOSIAS              —    (Brinca) Ficando não, né?! Já passamos dos sessenta. Ou seja, já fazemos parte da velharia.

SEVERO           —    (Sorrir) É verdade.

JOSIAS              —    Bom, Severo é… (Pausa) Eu sei aonde você quer chegar e confesso que já havia pensado nisso também. Eu acho que o que aconteceu há quarenta anos, não tem que tá tão evidente assim.

SEVERO           —    Concordo. Muitos ficaram sabendo do caso da espingarda e do adultério devido as nossas desavenças.

JOSIAS              —    (Estica a mão para cumprimentá-lo) Proponho que comecemos um novo ciclo entre os Borges e Garcia.

SEVERO           —    (Aperta a mão dele) Um novo ciclo se inicia hoje então.

Os dois se abraçam emocionados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 25. CASA ELISA. SALA. INT. DIA.

Elisa e Rodrigo ali sentados.

RODRIGO         —    Finalmente tudo resolvido, Elisa.

ELISA                —    Não via a hora de isso acontecer.

RODRIGO         —    Vamos viver uma nova história a partir de agora.

ELISA                —    Uma nova histórias sem Marcos e Vivianes para quase nos matar, né?

RODRIGO         —    Com certeza!

ELISA                —    (Sorrir, pensativa) Seremos felizes para sempre?

RODRIGO         —    Bom, se seremos felizes para sempre eu não sei, mas somos extremamente felizes agora.

ELISA                —    (Sorrir, dá um selinho no amado) Verdade.

RODRIGO         —    (Preocupado) Eu confesso que queria esquecer isso, já que estamos no nosso melhor momento, mas eu preciso conversar com alguém sobre isso.

ELISA                —    Ei. Pode falar. Eu tô aqui do seu lado para te ouvir. E quando eu precisar, você também vai me ouvir.

RODRIGO         —    Sabe o que que é, Elisa? Eu ainda não consigo entender como o Marcelo pode ter me mandado uma mensagem falando que estava com um pen drive e depois o delegado negar que não tinha pen drive nenhum com ele.

ELISA                —    Realmente isso é estranho.

RODRIGO         —    Você acha que alguém pode ter matado o Marcelo e pegado o pen drive?

ELISA                —    Não sei, Rodrigo! Mas uma coisa é certa. O felizes para sempre fica para o futuro, mas os aflitos e angustiados fica pra NUNCA!

RODRIGO         —    Você tem razão. Como sempre…

O casal fica ali se beijando apaixonados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 26. SUÉCIA. CERIMÔNIA DO NOBEL. INT. DIA.

Plateia lotada, comitê do Nobel ao fundo no palco.

VOZ MASCULINA — (OFF) E no campo da medicina, os dermatologistas Gabriela Gonçalves e Guilherme Silveira pela descoberta da cura da ictiose.

Plateia aplaude. Gabriela e Guilherme sobem ao palco. Um integrante do comitê do Nobel coloca a medalha em Gabriela e a cumprimenta com um aperto de mão. Em seguida, coloca a medalha em Guilherme e o cumprimenta com um aperto de mão. CAM mostra Reinaldo, Dani e Marília vibrando, felizes. Dani filma com o celular.

GABRIELA       —    (Emocionada) Fala você primeiro Guilherme. Eu não vou conseguir.

Guilherme se aproxima do palanque e fala ao microfone.

GUILHERME    —    (Discursa) Obrigado ao comitê do Nobel. Somos os primeiros brasileiros a alcançar o maior prêmio mundial no campo da medicina. Estamos honrados de ter chegado até aqui. Foram dias difíceis, mas o prazer extraordinário que teríamos em trazer uma resposta às milhares de pessoas espalhadas pelo mundo que passam por situações muitas das vezes desconfortáveis, foi uma forma de nos mantermos motivados. Então é um prazer imenso trazer esse alento a essas pessoas. Obrigado!

A plateia o aplaude. Gabriela se aproxima do palanque.

GABRIELA       —    (Discursa) Agradeço ao comitê, agradeço ao meu parceiro Guilherme. Foram dias difíceis, alguns até frustrantes. Lutamos, persistimos e chegamos até aqui. A esperança de que um dia eu veria não só a minha filha, mas as milhares de pessoas no mundo curadas, fez com que tivéssemos sempre buscando mais. O que queremos é que todas as pessoas que convivem diariamente com a ictiose, possam ter uma qualidade de vida melhor. Eu agradeço MUITO pela família que eu tenho. Quero que vocês saibam que são extremamente importantes para mim. Agradeço também a Nova Chance que tive de estudar a ictiose e alcançar o prazer da descoberta…

CORTA PARA:

CENA 27. PENITENCIÁRIA MASCULINA. CELA. INT. DIA.

Moreira sentado num canto da cela. Outros presos conversando entre si e olhando para Moreira. Os presos se aproximam de Moreira, uns seguram ele e outros o espancam.

GABRIELA       —    (OFF) Pagamos pelo que fazemos. Independentemente dos nossos atos, a vida nos dá uma penitência. Não estou falando de religião, mas toda ação tem uma reação. Os nossos atos podem nos levar a lados sombrios e até desconhecidos da vida. Novas Chances na Vida às vezes são extremamente necessárias.

CORTA PARA:

CENA 28. CANARINHO AMARELO. PRAÇA. EXT. DIA.

Várias toalhas forradas ali pela praça. Todos estão realizando um lindo piquenique. Sérgio, Amanda, Belinha comem se divertem.

GABRIELA       —    (OFF) Que tenhamos uma Nova Chance de liberdade. Que podemos recomeçar as nossas vidas com dignidade.

CAM mostra Severo, Laura, Josias e Salina, ambos os casais se beijam. Gustavinho brinca com os avós fora de áudio.

GABRIELA       —    (OFF) Que tenhamos sempre Nova Chance de reparar os nossos erros e superar as desavenças. Que podemos deixar o passado no passado e viver o agora.

Em outra toalha, está Maurício e sua esposa (figurante). Nandão a parte “chupando dedo”.

GABRIELA       —    (OFF) Que tenhamos sempre uma Nova Chance de refletir e tomarmos uma nova direção na vida.

CAM mostra Elisa e Rodrigo agarradinhos comendo debaixo da asa do Canarinho.

GABRIELA       —    (OFF)  E claro… Que tenhamos sempre, também, uma Nova Chance Para Amar.

Ouve-se os aplausos da plateia na Suécia

ELISA                —    Te amo!

RODRIGO         —    Também! Para sempre!

ELISA                —    Ué. O que aconteceu com o: somos extremamente felizes no agora?

RODRIGO         —    Vamos viver o agora, mas não custa planejar o futuro. (tira do bolso um anel e coloca no dedo de Elisa)

ELISA                —    Que isso? Tá me pedindo em casamento?

RODRIGO         —    Só se você quiser.

ELISA                —    (Sorrir) É claro que eu quero, seu bobo!

Os dois se beijam. CAM abre o plano em todos ali felizes, sorrindo, comendo. E é assim que “NCPA” chega ao seu…

FIM

Obrigado leitores por acompanharem todas as histórias da novela. Que tenhamos sempre uma Nova Chance na Vida! Até a próxima! Abraços!

Ramon Silva

 

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  • Parabéns por mais uma obra finalizada! Amei esse desfecho! Gabriela roubou a cena, foi um grande destaque, lindo discurso dela. Morri com o final da Viviane kkkk. E finalmente Elisa e Rodrigo viverão em paz, amo esse casal!

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

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