CENA 1. PLENÁRIO DO CONSELHO. INT. DIA

Continuação imediata da cena do capítulo anterior, com Armando se autoproclamando rei.

Todos no plenário ficam perplexos com a ousadia de Armando.

MARCOS  – O que está fazendo?

ARMANDO  – (cínico) Cumprindo o protocolo, oras. Se o rei, ou o ex-rei, ler o termo que assinou semana passada, verá que a cláusula é bem clara.

AUGUSTO  – (furioso) Que cláusula? Que cláusula?!!!

LUIZ  – Eu não estou gostando nada disso? O senhor deu um golpe, Armando?

ARMANDO  – Golpe? Nunca! Já viu golpe com a assinatura do rei e da herdeira do trono?

AUGUSTO  – Eu não assinei nada!

ARMANDO  – Assinou sim. Por favor tragam o documento assinado por Augusto.

Um assistente traz o termo que o rei assinara na semana anterior. Daniela, que há minutos atrás não estava nem um pouco interessada em ser empossada rainha, começava a temer que perdesse o trono que estava com os Crawsky há 300 anos.

ARMANDO  – Talvez o senhor não tenha lido o contrato todo, nos mínimos detalhes, o que é um erro grosseiro e infantil para um rei. Quem sabe o povo não estará em melhores mãos comigo.

Augusto pega o termo e o lê. São várias páginas até ele encontrar a maracutaia de Armando.

AUGUSTO  – “Para resolver o problema institucional, já que a sucessora do trono é mulher menor de idade, o presente Termo de coroação estabelece as seguintes medidas: fica a coroação de Daniela Crawsky barrada nos termos deste contrato até a mesma completar a maioridade, 25 anos. Ao completar a maioridade, se a srta. Crawsky não estiver unida em laços do matrimônio, o reino passa-se então para o Regente no poder. Se a srta. Crawsky já estiver unida nos laços do matrimônio, o reino passará então ao cônjuge da referida srta. Até a data em que esses eventos acontecerão, o sistema de governo de Veseli muda-se: passa-se de Monarquia Mista para Monarquia Absolutista, com o poder soberano nas mãos do presidente do Conselho dos Anciãos, ficando dissolvido o próprio Conselho e o Senado.”

DANIELA  – ISSO É UM ABSURDO!

AUGUSTO  – O senhor não pode fazer isso!

ARMANDO  – Não posso? O que está feito está feito. E com a sua assinatura.

AUGUSTO  – Olha o que eu faço com isso. Olha! (rasga o termo de coroação em mil pedaços)

ARMANDO  – (impassível) Obviamente isso é só uma cópia, meu caro. Os originais já estão bem registrados nos cartórios responsáveis.

LUIZ  – (furioso) Você enganou a todos, seu verme. Eu não vou abençoar seu reinado.

ARMANDO  – Não preciso de bênção de velho caduco nenhum. Escutem todos! A partir de hoje um novo tempo se inicia em Veseli. Uma nova dinastia, muito mais poderosa e imponente começa neste local e neste tempo. Veseli voltará aos seus tempos de glória e poder. Hoje começa o reinado de Armando Riblovsky, o Terrível!

O céu se escurece e trovões nunca vistos irrompem o céu neste momento. Augusto tem um ataque de fúria e parte pra cima de Armando, socando-o.

AUGUSTO  – Você não vai roubar o trono de mim e da minha família. (dá um soco muito forte na cara de Armando)

ARMANDO  – Você teve coragem de agredir o Soberano de Veseli?! Guardas! Prendam-no! E prendam a filha dele também. Nas masmorras do castelo!

AUGUSTO  – Eu desativei as masmorras no início do meu reinado.

ARMANDO  – Estou acabando de reativá-las. É lá que ficarão presos os que tentarem trair o rei soberano de Veseli. Levem. Levem esses dois! Agora!

Os guardas algemam Augusto e Daniela nas mãos e nos pés e os levam para as masmorras do castelo.

 

CENA 2. POVOADO. DIA

Alheio a toda a turbulência que estava acontecendo no centro do poder de Veseli, o povoado mantém sua rotina como todos os dias. Odete levantou-se e fez o café da manhã. Mas antes de fazer isso, ela conferiu o fundo falso de seu guarda-roupa para ver se o baú com o tesouro estava lá. Ela fazia isso todos os dias.

ODETE  – Não sei por que mas estou com o pressentimento de que este esconderijo não é mais seguro. Tenho que procurar outro lugar para esconder isso.

Ela pensa, pensa, mas não consegue imaginar onde esconder essa fortuna.

ODETE  – Onde eu posso pôr isso?

 

CENA 3. QUARTO DE RAMIRO. INT. DIA

Ramiro e Maria haviam passado a noite juntos. Quando amanheceu o dia estavam planejando os próximos passos do seus planos.

MARIA  – Tenho que casar com Alexandre o mais rápido possível. Odete já está ficando desconfiada.

RAMIRO   -Então por que não casa logo?

MARIA  – Você não sente nem um pouquinho de ciúme de mim?

RAMIRO  – Tenho coisas mais importantes para pensar, Maria. Sei que você só está casando com Alexandre por interesse, não é?

MARIA  – (sem convicção) Claro, querido.

RAMIRO  – Então vá logo falar com Padre Luiz para marcar a data. Depois disso fugiremos com o dinheiro para Paris.

Maria olha para o relógio e percebe que a hora já estava avançada.

MARIA  – Meu Deus! Se minha mãe descobre que não dormi em casa ela me mata! Preciso ir. Beijo!

 

CENA 4. CASTELO. MASMORRAS. DIA

Os guardas chegam com Augusto e Daniela, acorrentados e algemados nas mãos e nos pés. Daniela está em um ataque de fúria.

DANIELA  – ME SOLTEM! ME SOLTEM! ESSE DITADOR NÃO PODE FAZER ISSO!! EU SOU A RAINHA DE VESELI. EU SOU A RAINHA DE VESELI.

AUGUSTO  – Se acalme, minha filha. Isso não vai adiantar nada. Ninguém aqui poderá nos ajudar.

Os guardas os levam às masmorras. Como havia mais de 20 anos que elas estavam desativadas, o cheiro de mofo era quase insuportável.

DANIELA  – Vocês não podem deixar a gente aqui. Isso é desumano. Não se faz com ninguém, imagina com a rainha de Veseli.

GUARDA  – Cale-se! O rei soberano de Veseli agora é Armando. Ele que manda aqui. E vocês obedecem. Agora é assim que funciona.

Ele tranca pai e filha na cela. Os cadeados eram enormes. Aquilo era a perfeita prisão medieval.

AUGUSTO  – Essa masmorra foi construída há 700 anos para prender as bruxas na Idade Média. É impossível escapar daqui.

Daniela explora o local. Estava repleto de esqueletos humanos.

DANIELA  – Que horror! Eles deixavam as pessoas aqui a pão e água?

AUGUSTO  – Basicamente só água. Está vendo aquela abertura ali? (aponta para o teto) É por onde caia água, normalmente água suja. E quando o rei estava de boa vontade, deixava cair restos da refeição. Esse buraco é embaixo da mesa de jantar.

DANIELA  – Mas como eu nunca o percebi?

AUGUSTO  – Porque há um alçapão embaixo do tapete da mesa. Eu, ao desativar as masmorras, colei o alçapão. A sala de jantar não tem mais conexão com esse ambiente.

DANIELA  – E como vamos comer e beber?

AUGUSTO  – Não sei, minha filha, não sei.

Daniela começa a chorar. No começo um choro tímido, mas depois começa a soluçar de desespero.

 

CENA 5. GABINETE REAL. INT. DIA

Armando entra no gabinete destinado ao rei. Ele está radiante em júbilo.

ARMANDO  – Eu venci. Me tornei o rei soberano de Veseli! Este reino vai conhecer a glória e poder de Armando, o Terrível!

ARMANDO  – A primeira coisa a fazer é desinfetar aquele castelo de todos os parasitas. Vou fazer isso agora mesmo.

E solta uma risada malévola.

 

CENA 6. CASTELO. INT. DIA

A carruagem que levou Carlota e Rogério chega ao castelo. Eles estão perplexos até agora com o que aconteceu.

ROGÉRIO  – Nós enfrentamos uma viagem terrível da França até esse reino no fim do mundo pra chegarmos e a minha noiva sofrer um golpe? Tudo está perdido!

CARLOTA  – Não estou acreditando até agora. Como ficarão os nossos planos?

ROGÉRIO  – Eu não quero ser a piada na Europa ocidental. Todos os príncipes vizinhos vão falar: “Olha lá o bobo da corte que não consegue nem noivar com uma caipira da Europa oriental”. Eu não quero ser a piada da nobreza.

E chora no colo da mãe.

CARLOTA  – Por favor se recomponha, meu filho. Temos que fazer alguma coisa, mas chorando no colo de mamãe você não encontrará uma solução para esse problema.

Neste momento chega a carruagem pomposa do novo rei de Veseli. Um trompetista desce e anuncia a chegada de Armando.

ROGÉRIO  – (baixinho) Que brega, isso já está ultrapassado há muito tempo.

Armando entra com arrogância no castelo. Abre um sorriso de canto de boca.

ARMANDO  – Gostando da estadia no castelo, príncipe Rogério e rainha Carlota? Pois podem ir fazendo as malas. Eu quero todos vocês fora do meu castelo… Não ouviram? Fora daqui! Saiam todos! Amanhã de manhã eu quero esse castelo absolutamente vazio.

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