—A pessoa que já esteve na nascente se chama Nestor, ele foi garimpeiro há muitos anos, ficou muito rico na época da Serra Pelada e hoje está na miséria numa casa de dois cômodos numa vila e cego de um olho.

—E onde está esse tal de Nestor? —perguntou Darlan.

—Ele mora aqui na capital.

—Quero falar com ele, eu estou muito interessado em descobrir essa nascente.  —falou Darlan.

 

 

Na mansão Gouveia, Anderson entra em sua suíte máster e encontra Verônica sentada na cama e mexendo no celular.

—Que bom que chegou. Onde está nosso filho?

—Não sei, o deixei em casa e fui direto para ao fórum, aliás estou muito casando. —retira o paletó e joga no divã ao lado.

—Eu não consigo entender porque papai insisti implicar com o Darlan, é o neto dele, o único e invés de protege-lo e de apoia-lo, pelo contrário quer que o menino se dê mal. —se levanta. —Poxa, se fosse pelo papai, o Darlan estaria ainda preso naquela delegacia.

—Verônica, eu entendo seu pai. —fica de frente ao espelho da penteadeira e desfazia a gravata. — O Darlan agrediu fisicamente um guarda de trânsito e não foi fácil convencer o delegado libera-lo. Avisei o Darlan que evite se meter em encrenca porque já é reincidente e cada vez a situação dele piora.

—Mas ele tem um pai protetor. —o abraça por trás. —Ninguém mexe com um Barreto. —tenta beija-lo, mas ele se afasta.

—Isso não fica bem para mim, Verônica. Não posso usar do meu conhecimento e da minha autoridade como juiz de direito para proteger o meu filho de seus erros.

—Ele é seu filho, precisa de você para apoia-lo. Anderson, o Darlan é só um guri, ele é jovem e é normal acontecer de se meter em confusão de vez em quando…

—Preferia não ter que ir à uma delegacia e não passar tamanha humilhação na frente do delegado, que foi meu colega de faculdade, e dos policiais.

—O que importa essa gente, hein? Deveriam estar indo atrás de prender bandido, traficante, estuprador e não do meu filho, um menino bom, educado e de boa família.

—Verônica, você não entende…

—Entendo, a verdade é que você pouco se importa com o fato do seu filho ter sido preso injustamente e se preocupa apenas com você em não querer sujar o seu nome doutor juiz Anderson Barreto.

—Por favor, Verônica não comece.

—Começo sim. Porque você deve tudo que é à mim e ao nosso filho. Você deve é se ajoelhar aos nosso pés e fazer nossas vontades. Tem que ajudar o Darlan sim, tem que apoiar ele sim, querendo ou não, engula esse seu orgulho porque pra mim você continua o mesmo advogadozinho caipira.

—O pior erro da minha vida foi ter me casado com você.

—Não, não foi. Pra você foi muito vantajoso esse casamento. E se é tão ruim mesmo está casado comigo por que não vai ficar com a sua ribeirinha e o bicho do pantanal que você teve com ela?

—Sim, hoje reconheço que seria feliz com ela do que com você, sabe por que? Porque é ela que eu amo.

—Como você tem coragem de dizer que a ama na minha frente? Como, Anderson?

—Porque é essa a verdade. E por mim já chega, esse casamento foi um erro e quero o divórcio.

—Não! Não! Anderson, meu amor… —o abraça e o beija. —eu te amo, não me deixa. —chorando.

—Para, Verônica, para! —a afasta.  

—Eu te amo, não me abandona, Anderson! —se ajoelha e se agarra nas pernas dele.

—Verônica, para com isso tá ridículo. —a levanta.

 —É isso que você me faz perder a dignidade…perder o sentido…sou apenas uma mulher apaixonada… —o rouba um beijo. —que tem medo de perder o homem que ama. —o abraça.  

—Estou muito cansado. —fecha os olhos e passa a mão no rosto.

—Seu filho e eu precisamos de você. Somos a sua família.

—Verônica, essa conversa termina aqui. —segue em direção ao banheiro.

—Me usou e conseguiu o que tanto quis e agora quer me jogar fora já não sou mais útil pra você!

Anderson entra no banheiro e fecha a porta. Verônica se senta na cama e chora.

 

 

De manhã em Corumbá na casa de Fernanda, dentro da sala estava Inácio abraçando a mãe. O tempo foi generoso com Fernanda e manteve sua aparência jovial.

—Mãe que saudade.

—Também estava com saudade, meu filhote. Como foi de viagem?

Mãe e filho andam em direção ao sofá e se sentam.

—Ótima apesar dos contratempos. E você como ficou durante esses tempo que fiquei longe?

—Ah, me lembrei que há alguns dias lá no restaurante pareceu um grupo de turistas que estão no pantanal para fazer um filme.

—Que legal, mãe.

—Tinha uns artistas da televisão e até tiramos umas fotos que estão no meu celular.

—Que coisa boa, mãe, depois quero ver essas fotos.

—E eles adoraram o sarrabulho que fiz que até me convidaram para cozinhar para eles durante as filmagens.

—Olha só para isso, você está ficando famosa, mãe.

—Quem me dera. E falando em sarrabulho, o seu pai pareceu por aqui.

—E o que ele queria além de ficar te paquerando com cantadas baratas e promessas infundadas?

—Fora tudo isso que você falou, ele também perguntou por você.

—Por mim? Por essa não esperava.

—Eu disse que você estava em comitiva com seu tio. Filho, quando você vai dizer ao seu pai que você é advogado?

—Mãe, o doutor Anderson nunca se importou comigo, eu sou para ele o guri do mato, o bicho matoso que nunca vai ser nada nesta vida. Ele sempre duvidou da minha capacidade.

—Um dia ele vai acabar descobrindo…

—Que descubra por ele mesmo, eu é que não vou dizer.

—Ele vai ficar chateado.

—Não me interessa se ele vai ficar chateado ou não. Para ele o que somente interessa é o filho legítimo dele, eu não passo de um bastardo. —se levanta.

—Inácio, não queria que crescesse com essa revolta. Você se transforma quando o assunto é seu pai, muda completamente, filho. Não gosto de ver você assim.

—O doutor Anderson desperta o pior que existe dentro de mim.

—Filho, eu sei que o Anderson é uma pessoa difícil e causa muitos problemas, mas não se esqueça que ele é seu pai. —se levanta e fica de frente para o filho.

—Eu não mereço isso, mãe. Ser um filho escondido e esquecido neste pantanal como se eu fosse uma aberração ou um criminoso ou erro e essa é a sina do filho bastardo.

—Não diga essas coisas, filho. Eu te amo, você tem aqui a sua mãe. —segurou o rosto dele. —A tua mãe que te ama. Você é tudo pra mim, tão precioso, tenho tanto orgulho de você, meu amor. É o maior acerto da minha vida.

—Eu te amo tanto, mãe. —a abraça e a beija no topo da cabeça. —te amo e quero protege-la dele, não permito que ele machuque seus sentimentos ou queira se aproveitar de você. Eu já não sou mais um guri, sou um homem e estou aqui para te defender no que for preciso.

—Você é o melhor defensor que uma mãe pode ter, meu guri. —o beijou a face.

 

 

De madrugada em uma vila em Campo Grande, Darlan, Maurício e Diogo batem na porta de uma casa.

—Seu Nestor, sou eu o Diogo.

A porta se abre uma brecha e logo abre-se completamente e se ver a figura de Nestor, um ancião de barba e cabelos brancos, pele clara, um olho direito cego e outro olho de cor castanha, estatura média, usava um casaco marrom, calça jeans e botas.

—Sejam bem-vindos a minha humilde residência. —abriu o sorriso e um dente de ouro aparece. —Entrem. —olha para Darlan e Maurício.

Os três homens entram na casa do velho, era um lugar sujo, cheio de restos de comida disputadas por ratos no chão e resíduos de plásticos e um odor execrável. Na sala uma mesa de madeira desgastada com quatro cadeiras no centro onde os quatros homens acabam de se sentar.

—Quem é o dono do ouro? —deu uma risada.

—Sou eu. Vou te pagar bem se me levar até a nascente.

Nestor se comunica com Diogo com olhar.

—A nascente fica em Riacho Paraíso. —acende um cigarro e traga.

—Isso o Diogo já me falou. Quero saber onde é o lugar, tem algum mapa ou algo do tipo?

—Eu fui um dos poucos que estiveram na nascente e isso foi há muitos anos, eu era um rapazote como você e estive lá bem antes de ir para Serra Pelada quando finalmente cheguei a ficar rico, muito rico, milionário. Quem me ver nesta pocilga jamais pode imaginar que um dia estive hospedado nos melhores hotéis em Dubai e estive sentado na mesma mesa de sheiks árabes, sultões, políticos, enfim, boa vida eu tive na aquela época, muitas mulheres, eu podia esconder qual eu quisesse ficar. Anos de ouro que não voltam mais.

—E por que perdeu tudo? Era para estar morando em uma mansão e não nesta imundice. —o perguntou Maurício.

—Mulheres, cachaça e jogatina, o que poderia se esperar? Dinheiro não nasce em árvore e um dia acaba e tudo vira pó. —respondeu Diogo.

—Tem razão, filho. Perdi tudo e agora estou aqui nesse mato sem cachorro e comendo migalhas dos porcos.

—Seu Nestor, posso fazer uma espécie de aliança com o senhor. Vai ganhar bem, vai melhorar a sua vida se trabalhar comigo e claro peço discrição, fidelidade e lealdade. É só será preciso me dizer o quanto quer para me levar até essa nascente. Peço que me dê essa resposta imediatamente e sem arrodeio porque tenho presa e o cheiro deste lugar é insuportável.

—Não banque o esperto velhote, a gente descobre se tiver mentindo e o fim o senhor já deve saber qual é. —pegou a arma da cintura e mostrou.

—Tudo bem, jovem, eu já estou acostumado com tipos como você e sei no que estou me metendo e as consequências disso.

—É o suficiente? —tirou um maço da carteira e jogou na mesa.

Nestor pega as notas de dinheiro e começa a contar.

—Sim, é uma graninha boa. —guardou as notas dentro do bolso.

—Como chego na nascente?

—A nascente fica nas terras da tribo dos indígenas Toriba. Malditos Toribas! —deu um soco na mesa. —em uma noite eles atacaram o acampamento de garimpeiros em que eu estava, então eu fugir e corri como nunca corri em minha vida e nós roubaram todo o ouro que conseguimos por dias.

—Então, será preciso investigar e estudar as terras onde fica esta tribo, patrão, e encontra a nascente. —disse Maurício.

—Não é tão fácil assim. A nascente fica escondida, muito escondida e é difícil o acesso até chegar a ela. Eu estive nela porque segui o índio que era guardião da nascente e um dia descobrir, mas o miserável do índio me viu e ele me acertou com uma flecha bem no meu olho e isso me deixou aleijado pro resto da minha vida.

—E o senhor voltou a nascente depois?

—Não porque não me lembro como chegar até ela são muitos caminhos que cortam a floresta. Eu depois da flechada fiquei perdido por vários dias e confuso só não morri porque não era a minha hora e os outros garimpeiros me encontraram.

—Você não sabe como chegar até a nascente. Como vou encontrá-la? —perguntou Darlan.

—Você precisa saber quem é o novo guardião da nascente e quando encontra-lo deve segui-lo…

—Para tomar uma flechada no olho como você? —dá uma risada breve. —tenho o meu próprio jeito de lhe dá com índios esse não será o meu primeiro garimpo em terras indígenas. —se levanta. —foi bom fazer negócio com senhor.

—Ora, podemos fazer uma sociedade, meu caro.

—Não gosto de sócios. Não confio em ninguém.

—Também foi bom fazer negócio com o jovem e o dinheirinho chegou no momento certo e vou gastar tudo em cachaça e mulher. Ah! Diogo, traga uma daquelas gurias que trabalha pra você, uma nova, bonita e carinhosa.

Diogo se levanta da mesa.

—Você não tem jeito mesmo, hein, seu velho sem vergonha. —dá uma risada.

—Somos amigos de longa data. Somos sócios. —dá uma gargalhada.

Darlan sai, Maurício mostra a arma para Nestor e segue o patrão e Diogo saiu logo depois.

 

 

No outro dia pela tarde na mansão Gouveia na parte da piscina Darlan nadava e enquanto Anderson se senta numa cadeira espreguiçadeira, de óculos escuros e tomando um drinque e mexia no celular.

Darlan para na borda, ver o pai e sai da piscina e segue em direção a ele.

—Pai. 

—Diz.

—Por que quase não fala sobre sua vida lá em Corumbá?

—Porque essa pergunta?

—Ora, pai, é curiosidade minha. Esses anos todos nunca me levou para conhecer Corumbá e nem a sua fazenda, como se chama mesmo?

—Dois Rios. Não te levei porque nada daquela fazenda e daquela cidade me interessa. —demostra está desconfortável.

—Por que? Por qual motivo?

—Darlan são muitas coisas que aconteceram no passado e não quero ficar recordando disso. —se levantou, tirou a camisa e ficou só de sunga e caiu na piscina.

Darlan mergulha na piscina e segue o pai que nada até o outro lado da borda.

—Eu sei que uma vez por mês você vai para Corumbá, me fala o que está escondendo?

—Quem te disse isso?

—Eu mesmo descobrir.

—Como?

—Tenho meu próprio jeito de descobrir as coisas.

—Quando descobriu?

—Fazem quase dois anos que descobrir. Fala o que tem lá que não quer que a gente descubra, ou melhor dizendo, o que não quer que a minha mãe descubra. Tem outra na parada, não é? 

—Você não devia ter feito isso, Darlan.

—Pai, confessa já não dá mais para esconder.

—O que você quer?

—Tá comprando o meu silêncio?

—O que quer?

—Me venda a sua parte da fazenda.

—Pra quê? Você não sabe cuidar de terras nem sabe ao menos podar uma roseira.

—Pai, deixa que dos meus negócios eu mesmo cuido. Eu quero a parte da sua fazenda em troca do meu silêncio a não ser que queira que a mamãe descubra que um dos destinos de suas viagens à trabalho seja Corumbá.

—Não! Eu não vou vender aquelas terras pra você, guri e não ouse mais me fazer ameaças.

—Eu vou dizer a mamãe que você se encontra com alguma amante em Corumbá!

—Fale pra ela, o que há de errado eu ir de vez em quando em Corumbá e visitar o meu irmão? Não estou fazendo nada demais e alias é você que está me acusando de ter uma amante e disso você não tem provas. —saiu da piscina.

Darlan fica furioso pela negação do pai em vender a parte dele da fazenda.

—Filho ainda tem muito que aprender com seu pai. —dá uma risada irônica.

Anderson caminhou até uma cadeira espreguiçadeira e colocou o roupão enquanto Darlan nada até o outro lado da borda.

—Eu vou descobrir quem é ela, papai. —em tom de deboche.

Anderson parou ao ouvir a ameaça do filho e veio à tona a possibilidade que ele descubra sobre Inácio e Fernanda.

 

 

Em uma manhã na pista de um aeródromo estava Darlan dentro de um avião de porte médio e sentado na cadeira dos passageiros enquanto o piloto e o copiloto iniciava o voo.

—Está tudo pronto para voar, seu Darlan. —disse o copiloto.

—Estou ansioso para conhecer Corumbá, as origens de meu pai principalmente Riacho Paraíso.

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