Manhã de domingo,do  dia 13 de maio de 1888  (Fazenda do senhor de engenho ,Coronel Fagundes)

FEITOR BRUM: Dá licença coronel.

FAGUNDES: O que foi Brum?

BRUM: O que vou fazer com o escravo José que está no tronco desde ontem?

FAGUNDES: Daqui a pouco irei eu mesmo dar umas chibatadas nele e você o colocará no quartinho do castigo.

BRUM: Tudo bem  coronel!


Feitor Brum se retira e Antunes,o filho do coronel,de 10 anos, o questiona.

ANTUNES: Papai,por que o escravo José está sendo castigado de maneira brutal?

FAGUNDES: Isso não é da sua conta menino!

ANTUNES: Desculpe papai ,só perguntei porque vejo estes castigos desumanos demais.E a Quirina está chorando muito por causa do irmão.

FAGUNDES: Fale para a Quirina cuidar da obrigação dela.E você não tem que achar nada.É dessa forma que temos que cuidar dos escravos

ANTUNES: Coitada papai,ela está preocupada com o irmão.Ele é a única pessoa da família que ela tem por perto.

FAGUNDES: E você garoto,esta prestes a voltar  para a capital e continuar seus estudos por lá.Não se envolva com os problemas dos escravos.Isso eu resolvo juntamente com o feitor Brum.

ANTUNES: Tudo bem papai,mas penso que deveria levar em consideração tudo que o Quirina já fez por nós.


O pequeno Antunes se retira:

FAGUNDES: Olha só como o rapazinho está insolente…Veja só eu coronel Antunes ter consideração por uma escrava…Era só o que faltava.

 

Na cozinha da casa grande,Antunes,tenta consolar Quirina.

ANTUNES: Chore não Quirina.Um dia a escravidão vai acabar e todos vocês serão livres deste sofrimento.

QUIRINO: Esse dia nunca vai chegar Antunes.Quem nasce escravo, morre escravo.E uma escrava como eu tem todos os motivos para viver chorando.Fui seperada de minha filha Rosa logo quando ela nasceu .E ver meu irmão José sendo castigado no tronco não é fácil.Pobre do meu irmão.

ANTUNES: (abraça Quirina)Fico triste em ver você assim ,sabia?Pois és  a minha segunda mãe.Vou falar com a mamãe,quem sabe ela convença ao papai de tirar José do castigo.

 

O menino Antunes,vai ao encontro de sua mãe Helena. Enquanto isso, na senzala, especificamente no tronco, onde o escravo José está preso…

JOSÉ: Eu ainda vou acabar com sua vida,feitor maldito.

FEITOR BRUM: Cala a boca escravo.Só não vou te dar mais algumas chicotadas,por que o patrão mesmo que assim o fazer.

JOSÉ: Vou matar os dois.Pode esperar.Mais cedo ou mais tarde.

FEITOR BRUM: Fique aí  esperando o coronel Fagundes ,seu traste.E vou verificar seus companheiros imundos na lavoura.

Feitor Brum se afasta e José…

JOSÉ: Maldito,torça pra que eu não lhe pegue de jeito.

Antunes, implora a sua mãe para ajudar a tirar o escravo José do tronco.

ANTUNES: Por favor mamãe,fale com papai!Peça a ele pra tirar o escravo José do tronco

HELENA: Meu filho,seu pai quando decide algo,não tem como a gente tentar fazer com que ele  reverta sua decisão.

ANTUNES: Estou com  muita pena da Quirina.Ela está sofrendo muito por causa do irmão.

HELENA: Meu filho,você é  ainda muito pequeno pra se preocupar com estas coisas.

ANTUNES: É injusto mamãe.Os escravos são gente como nós.Porque sofrer assim?

HELENA: Olha prometo que falar com seu pai.Mas,não prometo conseguir mudar suas intenções..

ANTUNES: Tá bom (se abraçam) Agora vou ver como Quirina está.


Helena,fica admirada ao ver o filho se preocupar com os escravos.
Antunes vai até a cozinha,para consolar Quirina.

ANTUNES: O que você está fazendo Quirina?

QUIRINA: Vou levar água e um pão para meu irmão José lá no tronco.

ANTUNES: Precisa ser as escondidas.Vou te ajudar.

QUIRINA: Um menino veio aqui e me falou que o feitor foi para a lavoura,vou aproveitar esse tempo e ajudar meu irmão.

 

Helena, como prometera ao filho, foi falar com Fagundes.

FAGUNDES:Esse menino tá muito pequeno pra se envolver com o tratamento com escravos.

HELENA:Eu sei meu senhor marido.Mas ele le só está preocupado com Quirina.

FAGUNDES:Quirina é uma escrava muito mimada.

HELENA:Não esqueça que foi ela que amamentou o seu filho quando nasceu.A pobre escrava deixou sua filha recém nascida quando você a comprou e a trouxe pra cá,para ser ama de leite de Antunes.

FAGUNDES:Mas nem por isso ela deve ser tratada com tantos mimos,ela é uma escrava.Agora vou lá ter uma conversa com aquele escravo rebelde.

HELENA: Por favor Fagundes,não exagere no castigo.

      Coronel Fagundes,então se dirigiu até a senzala.Ao chegar lá se deparou com Quirina servindo água e pão para o irmão escravo.

FAGUNDES: Mas,o que é isso Quirina?Vá para a cozinha da casa grande imediatamente.

QUIRINA: Tenha piedade coronel do meu irmão.

ANTUNES: Papai por favor ,tire José do tronco.

FAGUNDES: José está com a promessa de algumas chibatadas e irei cumprí-las agora.

QUIRINA: Não coronel,não faça isso .Meu irmão já sofrendo muito.

JOSÉ: Deixa minha irmã.Um dia me vingo desse desgraçado.

ANTUNES: Papai…

FAGUNDES: Vai embora daqui Antunes e leva essa escrava teimosa,se ela não quiser ver esse escravo apanhar.

QUIRINA: Daqui não sairei.O senhor se quiser pode me colocar no tronco também.

JOSÉ: Um dia ainda vou matar o senhor,coronel.

Enquanto  o coronel Fagundes se preparava para chicotear o escravo José,chegaram alguns soldados trazendo um telegrama da corte.E ao ler o mesmo,Fagundes se irrita.

FAGUNDES: Não é possível.Não posso acreditar em tamanho absurdo.

CONTINUA…
No próximo capítulo,saberemos do que se trata o assunto do telegrama que deixou o coronel  tão irritado.

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