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Anjos de Metal: Grimorio I Capitulo 3 Fera do centro da terra

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O caminho a percorrer era escuro e frio, a cada passo dado a levava ainda mais fundo dentro da escuridão, o pequeno lobo se mantinha a seu lado como única fonte de luz. Não que aquilo fizesse diferença para ela, seus dons foram treinados a exaustão para todo e qualquer tipo de empecilho que ela pudesse vir a enfrentar.

— As aulas de rastreamento a noite vieram bem a calhar. – Ela disse a si mesma lembrando— se de sua mestra. — Estamos indo cada vez mais fundo.

Ela percorreu todo o caminho sem problemas até encontrar uma bifurcação.

— O que me diz garoto?

O animal a sua frente caminhou até o túnel da direita e pareceu cheira— ló a procura de algo que indicasse o caminho, parou e observou atentamente a garota.

— Tem certeza? — Ela disse caminhando em direção onde o animal indicara.

“Não se preocupe, nos sempre estaremos juntos” — disse a criatura antes de desaparecer.

— QUEM OUSA INVADIR MEUS DOMINIOS. — Uma voz estridente percorreu pelo túnel onde o lobo guara indicara. — VA EMBORA OU EU A DEVORAREI.

— Eu irei derrota— lo.

— Se acha que consegue, entre e veja com seus próprios olhos o que acontece com aqueles que falharam.

Ela sentiu novamente uma onda de calor invadir seu corpo, dizendo que ela não está sozinha.

O caminho até a câmara continuava frio e escuro, a não ser por um pequeno ponto luminoso um pouco mais a diante. Ela sorriu para si mesma ao lembrar das apalavras de sua mestra.

— O momento mais sombrio se desfaz se você se lembrar de acender a luz.

— É mestra, o caminho até a luz pode me levar a morte.

Ao entrar no grande salão de pedra, tochas acesas revelavam o destino dos sacerdotes daquele lugar, todos estavam mortos pelas garras do grande lobo cinzento, que agora lhe mostrava os caninos raivosos diante do grande cristal de energia flutuante.

— Se você quer isso, terá de passar por mim! — Disse a fera em um rosnado.

Ananda respirou fundo, ajoelhando— se diante da criatura ela contou até dez antes de voltar sua atenção ao grande lobo prateado diante dela. Uma lança feita de rocha e ponta de cristal levantou— se junto dela, e pondo— se em posição de ataque a garota de feições delicadas esperou a hora certa para o ataque.

Uma única chance e tudo estaria acabado.

A criatura rosnou mais uma vez, Kayra notou no olhar da fera um ar de satisfação, talvez um misto de excitação e ódio.

— Venha criança. — Rosnou ela não sorriso sádico.

— O que quer de nós? — Ela perguntou olhando ao redor, — Porque tudo isso? Nós podemos viver em paz, não podemos?

— Não criança, nós não poderemos viver em paz! Sabe porquê? Vocês humanos destruirão em breve todas as dimensões, mundos e reinos existentes até não sobrar nada. Eu abri meu reino aos humanos e foi isso que recebi em troca. Apenas o vazio.

— O que você diz não pode ser verdade. Devolva a essa terra a vida que antes havia aqui.

— Eu não tirei a vida desta terra, foi o seu povo. Retirando dela mais do que ela era capaz de repor. Consumindo todos os recursos disponíveis até não sobrar mais nada. Você não vai tirar esse cristal daqui.

— Nós podemos achar um jeito de restaurar esta terra — retrucou a garota confiante, — os seres humanos podem ser ensinados, eu acredito nisso.

— Não! A humanidade já teve sua chance e falhou, — rosnou a fera — o fim da humanidade trará de volta a paz que esta terra precisa para restaurar o equilíbrio.

— Não se pode conseguir o equilíbrio com derramamento de sangue. Nenhuma das raças merece o que está acontecendo. Podemos dar um jeito nisso juntos.

Por um instante o monstro pareceu estuda— lá receoso, como se de alguma forma Kayra estivesse certa de suas palavras.

— São belas as suas palavras criança, mas infelizmente sem fundamento. A humanidade ruirá e levara consigo toda a magia elementar até o ponto em que tudo morrera por completo. Em breve não existira mais nada.

— Nós não deixaremos que isso aconteça.

— Você e que exército?

— Não sei se tenho forças para isso sozinha, mas não sairei daqui sem lutar.

A garota foi tomada por um brilho esverdeado intenso, fechando os olhos Kayra se concentrou por alguns segundos tentando canalizar a energia de seu corpo com toda a terra a sua volta, (como fizera inúmeras vezes em seu treinamento) um leve tremor foi sentido a seus pês e com ele quatro criaturas de pedra rudimentar começaram a se levantar pondo— se em posição de ataque imediatamente.

— Acha que esses bonequinhos de massa podem me matar? Questionou o grande lobo.

— Eu não preciso mata— ló, apenas recuperar o que eu vim buscar, e tranca— ló novamente em sua prisão.

Ananda vislumbrou as criaturas a sua volta, de alguma forma todos eles pareciam sorrir, ela sorriu timidamente de volta acreditando que tudo daria certo no final. A criatura diante dela por sua vez rosnou ferozmente e pegando impulso nas patas traseiras avançou contra seus oponentes feitos de barro.

O grande lobo cinzento seguiu na direção de Kayra, mas foi impedido por uma das criaturas de barro que o segurou no momento exato em que a garota receberia o golpe, no instante seguinte os outros três bonecos avançaram, segurando cada um uma parte do monstro enquanto se liquefaziam em lama e endureciam novamente para a rocha, imobilizando— o no lugar.

Ela tinha apenas poucos segundos para pôr seu plano em pratica.

Usando a terra abaixo de seus pês a garota impulsionou um salto a cima da batalha depois correu em busca do cristal Elemental, ao cravar sua lança na pedra ouviu pela última vez o som da criatura sendo petrificada para todo o sempre.

O reino de Theron estava finalmente livre.

 

***

 

A partir daquele ponto ele seguiria sozinho em sua jornada a um lugar remoto dentro do reino, lugar esse que ninguém sabe com certeza onde fica, se realmente existe ou é apenas uma história de ninar usada para por medo nas crianças antes de dormir, nenhum relato, contado ou registrado nos livros mostrava a exatidão de sua localidade ou veracidade do que ele buscava.

Um jogo de tentativa e erro no qual ele confiava cegamente nas hipóteses de seu melhor amigo, seu objetivo estava fora do plano material, cuja entrada não era visível ao olho humano.

Quem em sã consciência acreditaria nisso?

Um reino incandescente habitado pelos asqueroso Djin, senhor do fogo. Em seu plano consistia em encontrar uma porta de entrada, entrar sem ser visto e roubar a fonte de poder Elemental desta criatura pondo fim ao seu reinado de terror e depois restaurar a energia de todos os reinos de uma vez. Para só então encontrar a paz.

Ele fora contra esse plano desde o início, mas sendo voto vencido teve de acatar todas as decisões tomadas pelo grupo e com o aval dos grandes mestres, mesmo sabendo do grande furo que o brilhante Sam não previra.

Ninguém rouba de um gênio e sai vivo para contar a história.

Zaon perdera as contas de quantas vezes já olhara aquele mapa em suas mãos em busca de uma única pista que o levasse ao lar da grande criatura, sua única pista até então eram os seus poderes provenientes do fogo. Sua conexão com o magma terrestre e a resistência as altas temperaturas seriam suficientes para ele encontrar o caminho e se sair vitorioso.

Seus amigos contavam com isso.

Ao longe o azul do seu deu lugar a mistura de luzes vindas de pontos distintos dentro do reino de Ezius, trazendo— o de volta a realidade. Aquilo significava que seus amigos já haviam conseguido avançar para a próxima fase do plano mirabolante de Sam, as cidades foram ficando cada vez mais para traz, dando lugar a mata fechada, grandes lagos e rios, à medida que os caminhos se cruzavam, os guardiões se separavam tomando novos rumos o garoto de pele acobreada pode observar com riqueza de detalhes todas as espécies possíveis de amais, em cada bioma existente naquele lugar junto com seus melhores amigos, até chegar no lugar onde judas perdeu as botas. — A maior e mais alta de todas as montanhas, o lar de um vulcão adormecido a milhares de anos, a única pista concreta entregue a ele pelos grandes mestres.

“Aquele que se encontra em dúvida sobre qual caminho deve seguir se perdera entre as eras, levando consigo aquilo que nunca quis para si! ”

— Aquilo que nunca quis para si! — Repetiu para si mesmo.

As palavras de seu mestre agora ecoavam em sua mente.

Zaon duvidava, ele não escolhera aquela missão, a missão fora imposta a ele pelos demais, retirado de seu reino, de sua família, de seus verdadeiros amigos, para viver longe de tudo o que ele amava. Simplesmente porque ele era o escolhido, naquele momento ele poderia simplesmente abandonar tudo e todos.

Ninguém jamais saberia.

Ele abandonou tudo por uma hipótese, uma lenda, contada a ele desde a mais tenra infância, no início Zaon acreditava cegamente em tudo, mas agora, depois de dezessete anos, nada mais era como antes.

Em sua mente pairavam duvidas e mais dúvidas!

O que ele poderia fazer para atrair a atenção de um Gênio Elemental? O desejo mais profundo de seu coração seria usado como barganha? O que ele mais desejava? Para onde ir? Essa missão valerá a pena?

Perguntas para as quais ele não tinha resposta!

O dia deixava seu rastro dando lugar a noite, e com ela o frio.

Az não teve nenhuma dificuldade em se manter aquecido, ou encontrar algo para comer, bastou— lhe algumas voltas ao redor da grande montanha, arvores frutíferas, agua e galhos secos estavam ao seu dispor, usando folhas secas improvisou para si um abrigo temporário, dispondo todos os utensílios com cuidado para não causar um estrago natural, ele simplesmente desejou e o fogo brotou no meio da pilha de madeira seca rodeada por pedras.

Depois de um belo jantar deitou— se em sua cama improvisada e pode finalmente descansar de sua busca, pelo menos por aquela noite.

 

***

 

O céu lotado de estrelas perdeu seu brilho deixando— o totalmente no escuro. Um único ponto luminoso chamou sua atenção. Numa fração de segundo uma estrela cadente rasgou o horizonte.

— Faça um pedido! — Algo sussurrou em seu ouvido.

— Faça um pedido Zaon! — Ele sussurrou para si mesmo, fechou os olhos e desejou com toda a força de seu coração aquilo que mais lhe fazia falta, uma família.

Uma vida melhor, sem fome, sem guerra e sem medo.

Uma vida como a “dele”, ao lado de pessoas que o admirassem por sua inteligência e beleza, pessoas que o amassem incondicionalmente como ela o amava. Imagens percorreram sua mente em instantes, dos momentos felizes, ao lado dos amigos, da família e da garota que ele mais amava em todos os universos existentes. Seu coração pertencia a ela, não importava o que aconteceria, ao lado de quem ela estava, faria tudo por ela.

Zaon a amava com todas as forças de seu interior, mas o amor dela pertencia a outro e isso lhe causava uma pontada de ciúme e inveja dos momentos felizes entre eles.

“Faça um pedido e lhe será concedido! ”

A imagem dela veio a sua mente em um milésimo de segundo.

Num solavanco o garoto acordou de um sonho estranho, seu coração estava apertado, uma mistura de medo e raiva o corroíam por dentro, porque as coisas não podiam ser do jeito que ele queria, porque tudo tinha que ser do jeito que o maravilhoso Samuel quisesse.

Afinal de contas assim como ele Zaon também era um guardião, tinha uma cultura e ensinamentos para passar a diante, Samuel não era o único que poderia trazer de volta a paz a todos os povos.

Faça um pedido! — A voz em seu interior gritou.

— A vida dele!

— Suba a montanha, prove ser digno, se conseguir chegar até mim eu lhe concederei seu desejo.

— Assim farei!

A pedra em seu peito queimou como nunca antes, como um aviso. Zaon ignorou tal sensação e seguiu seu caminho.

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