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(Capa não oficial da série)

Chegando em sua casa, ele sobe quieto sob protestos de sua mãe pelo que viu em seus olhos. Acusando de seu filho estar “possuído” por demônios ou algo sobrenatural que não é desse mundo. Ele parece não ouvir a voz de sua progenitora. Apenas passa por ela fingindo que não a via, indo em direção ao seu quarto. Entrou, trancou a porta, tirou suas roupas e foi tomar um banho relaxante. A água caía sobre sua pele, fazia o levar para outro lugar. Sua mente pregava-lhe uma peça. Ele via somente o doutor Homaxley. Seu corpo reagia ao dele, em que se percebia os músculos eretos.

Sentia algo diferente. Era algo mais carnal, algo mais profano. Erótico é a palavra que o descreve naquele momento. Espantou seus pensamentos, logo tratou de  terminar seu banho. Secou-se, vestiu uma cueca boxer, uma bermuda, uma camiseta e foi para sua cama. Não sentia fome e nem nada. Apenas queria descansar, dormir ou apenas desmaiar e não acordar.

Deitou-se, cobriu seu corpo e tentou dormir. Mas, o sono parecia ter lhe abandonado. Virou de um lado, outro e nada do sono vir. Por fim, ligou a TV e o primeiro canal que apareceu foi o da região de onde morava. Então viu que estava rolando um sorteio. Logo viu que se tratava do kit do vestido vermelho que experimentou na loja. Se sentou na cama com os olhos concentrados na televisão.

“― Vamos saber quem ganhará esse vestido, com esse perfume maravilhoso, essa maleta de maquiagem, esse salto alto e essa peruca maravilhosa! Meninos, joguem os cupons ao alto!

A mulher estendeu seus braços ao alto e pegou um dos cupons que foram projetados para cima.

Vamos ver quem foi o vencedor ou vencedora. É um vencedor! O nome dele é Gabriel Lucena! Parabéns, Gabriel! Apareça amanhã para pegar seu prêmio na Loja Calçadão das roupas e acessórios! Tchau e até amanhã!”

O jovem na hora ficou sem acreditar no que havia ganhado. Parece que era para ser dele aquele vestido. Coube tão perfeitamente, que, parecia obra de alguma costureira que sabe exatamente suas medidas corporais.

******  

Doutor Homaxley ficou a tarde toda e o início da noite pensando no paciente que tentou se suicidar.

O médico não se concentrava. O garoto vinha a todo o momento em sua mente. Parece que o homem caiu na teia de Gabe. Não poderia ficar pensando num paciente seu com segundas intenções, mesmo que seja escondido lá dentro de sua mente, já que o mesmo era casado com a diretora do hospital.

Terminou seu plantão e foi até a sala de sua esposa.

Bateu à porta e logo ela pediu para entrar.

― Entra.

― Sou eu, Renata. Vamos?

― Oi meu amor! Vamos. ― pegou sua bolsa, a chave de seu carro e seu celular, se levantou, saiu da sala, trancou a porta e foi embora.

― Hoje atendi o garoto que tentou se matar na Floresta Suicida.

― Fiquei sabendo que a corda “quebrou arrebentou por milagre”. ― saíram dos corredores do hospital e foram para o estacionamento dos funcionários.

― Ele não me sai da cabeça.

― O que quer dizer com isso?! ― perguntou revoltada, porém, entendia-se a ironia no tom de sua voz quase risonha.

― Paranoia de médico, amor. Paranoia de médico. Mas tem uma coisa que me deixa encabulado.

― O que?

― O olhar dele.

― O que tem o olhar dele?

― Ele tem um olhar diferente. Quando ele me olhava, parecia que estava me lendo por dentro. Chegou até me incomodar certas horas. Eu sentia que os olhos dele eram um tipo de Raio x.

― Cuidado hein?! Ele pode ter esquizofrenia e se for da do nível mais pior, que é aquela que a pessoa surta e mata, eu não vou conseguir salvá-lo a tempo. Já o encaminhou para a doutora Paula?

― Sim… ― abriu a porta do banco do carona, sentou-se e trancou a porta logo em seguida. ―… foi o que fiz. Mas pelo o que eu pude ver dele, não me pareceu ter esquizofrenia. Até porque esquizofrenia é diferente de tentativa de suicídio. Ele me aparentava ter passado por um estresse muito grande e tentou acabar com essa tristeza, essa dor que ele sentia, simplesmente, tentando se matar.

― É… ― ligou o motor do carro, pôs o cinto e saíram de lá e foram comentando o caso durante o percurso até um restaurante, onde vão almoçar e, depois, voltar ao plantão deles. ―… Mas eu encabulei com “o olhar” desse tal paciente.

― Parecia que uma entidade estava me observando. Algo sobrenatural. Por um momento, senti um certo medo dele.

― Igual aquele senhor idoso que tinha um olhar assustador?

― Sim. Só que o olhar dele é profundo, magnético e misterioso.

― Estou ficando com ciúmes, hein?! ― riram juntos, logo depois desconversaram até chegarem no destino final deles.

******

Gabriel ainda estava sentado sobre a cama. Ainda não acreditava que tinha ganhado aquele vestido vermelho junto da maquiagem, sapato e perfume.

― Senhor Amado! Eu ganhei aquele vestido…. ― ficou bobo.

Por fim, deitou-se. Mas algo o fez perder o sono.

“Preciso te encontrar amanhã. Quero conversar contigo acerca de nosso relacionamento. Às 19 horas no Bar Calçadão na entrada da Rua Augusta.” Hugo.

A boca secou, a respiração ficou descompassada e o coração acelerou.

O que Hugo queria depois de ter falado aquilo para Gabriel?

“― O que você quer conversar comigo, Hugo?”

“― Quero conversar contigo. É urgente!”

“― Não tenho o quê conversar contigo! Lembra-se do que dissestes para mim quando terminou o namoro comigo?!”

“― Me arrependi do que disse. Mas eu quero conversar contigo amanhã. Te espero. Tchau.”

Quando ele mandou mensagem novamente ao seu ex-namorado, o mesmo já estava offline.

Durante toda a noite ele ficara mandando mensagens em busca de um retorno, porém, nada de Hugo. Nenhuma resposta. Levantou-se e ficara andando de um lado a outro.

Então ele foi até a janela ver um pouco a cidade iluminada pela lua cheia.

Logo percebeu um homem de terno de linho, chapéu panamá com uma fita vermelha, sapato bicolor nas cores branco e a ponta do sapato de cor preta, corpo musculoso (Não tão exagerado), moreno de uma cor linda, pecaminosa. Vinha andando de um jeito estranho, como se estivesse dançando como um mestre-sala de uma escola de samba.

Em suas mãos estavam anéis representando suas ações como “Advogado dos pobres, fracos e oprimidos”, o dono das sarjetas, boemia, bares e jogos.

Seus olhos escuros como a noite se direcionaram a janela do quarto de Gabriel.

O rosto daquele homem é enigmático, sedutor, misterioso. Algo que fazia o jovem ao ficar encarando, a fim de descobrir o que era aquilo. O homem sorriu para ele, pegou seu chapéu e o saldou, logo depois, pôs o chapéu de volta a cabeça, passaram algumas pessoas a sua frente, então, quando o encarou novamente, ele havia sumido feito fumaça. 

Olhou o horário. Meia noite em ponto. 

Passou em frente a um bar com várias pessoas reunidas em volta de uma mesa, onde as mesmas entoavam “Zé Pelintra” do cantor Renê Sobral. O mesmo homem que ele viu há alguns segundos atrás, estava dançando com uma bela mulata em volta daqueles pagodeiros. 

Gabriel parou e fitou-o. Quando ele termina de dançar e sai de seu campo de visão. Então, ele continua andando. Passou por algumas quadras, até que chega em uma encruzilhada escura e deserta. 

― Olá! Boa noite, minha rosa preciosa! ― o jovem levou um susto ao ver o homem surgir de repente por de trás de uma árvore ao lado da entrada de umas das vias da encruzilhada. 

― Ai que susto! 

― Que pena. Não queria assustar um jovem tão belo assim. ― dizia ele com aquela voz de malandro e aquele sorriso de canto da boca. 

― Posso saber o porquê de estar me seguindo? Eu não tenho nada que você queira roubar! Já aviso logo! 

― Calma meu anjo. ― Se aproximou dele, ficando de frente a ele. Numa distância considerável. ― A única coisa que roubo, é os corações das mulatas durante a noite e os desejos carnais da Dona Pomba. Posso saber o nome seu, minha deusa? 

― Ga… ― um vento bateu e Carmem incorporou no jovem. ―…Carmem. ― O jovem tímido, medroso e covarde, então, transformou-se em um espírito corajoso, tempestuoso, sedutor e perigoso. ― Posso saber o seu, meu querido malando? 

― Sou José Pelintra. Mais conhecido Zé Pilintra. Sou o eterno “Mestre-sala das madrugadas”. ― Aproximou-se dele, pegou sua mão e a beijou. Depois fez uma reverência a ele. ― Como é bom ver você com esse olhar. Seu olhar de fogo. 

― Um olhar de fogo prestes a queimar você na mais pura luxúria. ― Deu uma risada pondo sua cabeça pra trás. 

― Você quer tomar uma cachaça junto a mim? Será uma honra ter alguém assim tão belo, atraente e sedutor, igual a você. 

― Será um prazer, Seu Zé. ― ele o acompanhou até a entrada de um terreiro, onde uma Mãe de Santo estava sentada em uma cadeira de balanço em frente do mesmo. 

Quando, de repente, eles ao pararem em frente a mulher, o jovem desmaia. 

****  

Depois de um certo tempo, o jovem volta a si no colo da mãe de santo

― Você está bem, meu filho? ― ela o ajudou a sentar-se numa cadeira ao lado dela. 

― Sim. Ai! Que dor de cabeça! Por que estou aqui? Como vim parar aqui? 

― Eu não sei. Você veio conversando sozinho no meio da rua e, quando chegou em minha frente, você me encarou e caiu desmaiado. Quer uma água? 

― Sim, por favor. ― ela se levantou e foi buscar água para o garoto.  

Olhou a volta e viu que estava dentro de um terreiro. 

Então viu imagens de orixás pintadas na parede e embaixo deles, seus respectivos nomes. Aproximou-se de uma das pinturas, logo mirou para as roupas douradas, espelho na mão direita, ouro e prata em colares sobre seu pescoço junto de um véu que lhe cobria o rosto. Osún (Oxum), senhora das águas doces, fertilidade, ouro e prata. Encarou outra pintura ao lado. Um homem forte segurando uma espada, embaixo dela havia seu nome, Ogum, senhor dos ferros e guerras. Continuou sua curiosidade em ver as pinturas tão bem-feitas, que, logo encarou um homem com uma capa vermelha e um tridente vermelho em sua mão direita, sentado em uma cadeira preta. Exu, senhor das ruas, encruzilhadas e caminhos. E, por fim, viu uma com uma saia cheia de babados na cor vermelha, sapatos de salto alto com a ponta fechada, cabelos sedosos caídos sobre os ombros, um botão de rosa preso no vão entre a orelha e, seus lábios com batom de cor avermelhado em tom de cor sangue. 

Carmem, a pomba-gira. Senhora das ruas, dos amores, do prazer, da sedução, do pecado. Senhora das mulheres sem compromisso, senhora do compromisso e aprendizado. Senhora de vários, vários caminhos, várias opções, vários momentos, vários aprendizados, vários prazeres, vários homens. 

― Essa é a nossa mãe. ― a mãe de santo trouxe a água para ele, dando um susto nele. 

― Ela é linda… quero dizer, a pintura da Pomba-gira é linda. Dos outros deuses também. 

― Orixás. São nossos “santos”. Cada um de nós tem um orixá como seu “padroeiro”, o seu orixá de cabeça e padroeiro. Eu sou Osún. Você deve ser…. não pode ser! ― a mulher pôs a mão na boca perplexa. Viu que ele era filho de santo de Carmem, um descendente direto dela. 

― O que foi?! Algo de errado comigo? 

― Não. É que acabei de ver que seu padroeiro, ou melhor padroeira, se trata de Carmem, a maior de todas as pomba-giras de quaisquer nações. 

― Isso muda alguma coisa em minha vida? 

― Não. Mas, uma hora ela exigirá de você. ― a yalorixá avisou-o seriamente. 

― Exigir o quê? 

― Na hora saberá. Ela não avisa e nem fala como vai querer receber de volta de seus filhos. 

― Desculpa… mas não gosto de terreiro. Fui criado dentro da igreja e prefiro ficar por lá mesmo. 

Devolveu o copo a mulher e foi dando as costas em direção a porta. 

― Você voltará. 

― Muito obrigado senhora, mas, acho que não. 

― Irá sim. Todo o filho de Carmem sempre volta. 

― Tchau senhora. 

― Que os orixás e a senhora Dona Pomba Carmem te proteja, guie e ilumine seus pensamentos. 

Ele acenou e saiu de lá. Rumou de volta para sua casa. 

Demorou alguns minutos, ele chega em sua casa e todos estão dormindo. Entra de ponte pé, tranca a porta e sobe para seu quarto, abre a porta devagar, entra, a tranca e logo vai deitar-se. Não demorou e logo adormeceu. 

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