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Ao andar pelas as ruas da cidade, reparou nos olhares dos homens a sua direção. Eram olhares que adentravam dentro de si. Sentia-se incomodado. Discretamente olhava para si, mas, mesmo assim, não enxergou o que era. 

Decidiu por ignorar os olhares vindos em sua direção e assim foi até a loja. Chegando, a mesma vendedora que o atendeu, na hora o reconheceu. 

― Sabia que seria você! Parabéns! ― o abraçou deixando-o meio desconcertado. ― Ah, deixei o seu kit separado! Vem cá. ― o puxou até o balcão e deu a caixa já fechada e embrulhada num papel presente com estampa de rosas vermelhas. Encarou-a por alguns segundos. Pareceu estar num transe. 

― Podemos tirar foto com você e a caixa? ― a mesma vendedora o perguntou. 

― Si… Sim. 

***** 

Voltando para sua casa, Gabriel tem uma ingrata e assustadora surpresa. 

O jovem estava voltando para sua casa, quando, de repente, é surpreendido por Hugo, seu ex-namorado, o puxa para dentro de uma viela sem saída e tampa sua boca, imobilizando-o com seu corpo contra a parede. 

― Por favor… só me dê uma chance. Tô mó excitado em você… ― beijou seu pescoço, mordiscou a orelha dele. O jovem tentou a todo custo desvencilhar-se dele, porém, foi falho. ―… Me perdoa. Não queria falar aquilo. Eu penso o tempo todo em você. Fica comigo. ― sua mão direita apertava as nádegas, enquanto a outra apertava a coxa esquerda. 

Gabriel sentiu-se sujo, desprotegido. Rezava a todos os santos para lhe salvar. 

Hugo foi arrastando-o para os fundos da viela, onde tinha uma porta aberta. 

Ele o empurrou para lá, fazendo o jovem cair sobre um sofá velho. Ao tentar fugir, sentiu um tapa desferido contra seu rosto e jogado novamente contra o sofá. 

Encarou Hugo que estava tirando a cinta, arriando suas calças, quando, de repente, uma bengala o acerta na cabeça. 

O homem caiu ao chão desmaiado. 

Gabriel encarou de onde veio o que o salvou. Logo espantou-se, se apavorou e tentou fugir. Mas, o homem conseguiu segurá-lo. Era o mesmo que o acompanhou até a entrada do terreiro. Era Zé Pilintra. 

― Eu nunca vou deixa-la só, Carmem. ― falou enquanto encarava-o nos olhos. 

O jovem sentiu-se atraído por aquele malandro numa intensidade nunca antes vista. 

Sentia-se vivo, protegido e atraído por aquela intensidade masculina que emanava por cada poro em seus músculos rijos. Pelo o seu sorriso magnético, misterioso, sedutor. Pela a voz grossa e, também, pelo o cortejo. 

― Nunca mais, seu Zé. ― o jovem parecia estar incorporado. Até o tom de voz medroso desapareceu, dando lugar a uma mulher de personalidade forte, decidida e sensual. 

Os olhos castanhos de cada um encararam-se por segundos. O homem acariciou seu rosto, logo depois, ele deu um beijo cálido em sua testa. 

― Se cuide, Carmem. Estarei presente. Porque Seu Zé sempre será o seu “mestre-sala das madrugadas” (1). ― enquanto ele ouvia aquilo, fechou os olhos, e, ao abri-los novamente, Seu Zé havia desaparecido. 

Pegou sua caixa e fugiu dali o mais rápido possível. 

A volta para sua casa foi com pressa e ele preferiu não encarar ninguém, nem mesmo reparar se os homens o olhavam “diferente”. Só queria sua casa, sua cama e sua vida “voltando ao normal”. Chegando lá, entrou rapidamente e correu para seu quarto. Trancou-se lá dentro e foi logo tomar um banho. 

Arrepios subiam-lhe o corpo. 

Sentia cheiro de rosas pairar sobre o ar. 

Ouvia o sapateado ecoar em seus ouvidos. 

“optchá! Optchá! Laroyê Mojubá! Saúdo Exu! Saúdo Zé Pilintra! Optchá! Optchá! A benção lhe peço Santíssima Sara Khali!” 

― Chega! ― gritou para parar de ouvir aquilo com as mãos tampando seus ouvidos. 

Encolheu-se ao canto do banheiro. Chorando. Confuso sem saber o que era aquilo. Não tinha ninguém para lhe falar algo bom. Alguém lhe dar um norte. 

Pensou em seu irmão. Porém, ele poderia achar que Gabriel tinha sérios problemas psicológicos. Sua mãe, com toda a clara certeza, falaria que “era o demônio” agindo através da vida dele. 

****** 

Doutor Homaxley é cobrado para casar logo com sua noiva. 

― Meu filho, está na hora de casar. ― dizia seu velho pai na sala de jantar. 

― Quer se ver livre de mim, pai? ― lhe respondeu com certa rispidez. 

― Não é isso. É que você precisa ganhar o mundo. Você não terá eu e sua mãe a vida toda aqui. 

― Mas, você sabe muito bem que não sairei daqui. Eu sei muito bem o que vai acontecer, se caso eu saia daqui…. novamente. 

― Não toque neste assunto! É doloroso para mim! 

― Doloroso pra você?! ― levantou-se irado. ― Eu que tive que sustentar minha mãe enquanto você nos abandonou e foi com a irmã dela para outro país! Eu, com o fruto dos meus esforços, reergui o império editorial de minha mãe e a pus onde não devia ter saído! Me formei! Investi em mim! Passei noites estudando, perdendo boa tarde da minha juventude para formar-me médico! Dar orgulho a MINHA MÃE! E garanti os estudos dos meus irmãos! Isso sem precisar de você! Isso sem precisar do seu dinheiro ROUBADO! 

― Cale a boca! 

― Não calo! Você é um ladrão, que roubou sua própria família, para fugir com uma biscate qualquer! 

― Não fale assim de sua tia! 

― Eu falo sim! Você está na minha casa! Você está como hóspede! Você não irá roubar o que tanto lutei para conquistar! 

― O que está acontecendo aqui?! ― Dona Lícia chega à sala de jantar com um vestido azul-marinho. ― Dá para ouvir os gritos de vocês pela a casa toda! 

― Seu filho que vem me desaforando, chamando-me de ladrão, mau-caráter e chamando sua irmã de biscate! 

― Primeiro, que ele não é SOMENTE meu filho. Ele é seu também. Segundo, minha irmã é uma biscate de primeira. E terceiro, você é um ladrão mau-caráter. Graças a deus, me livrei de você e suas garras há alguns anos. Agora, todos calem a porcaria da boca! Eu quero paz, merda! Quero paz! Será que vocês não podem enterrar a cabeça de vocês num buraco, igual os avestruzes?! ― sentou-se e foi logo servida. ― Comam calados e cada um vai para seus quartos. E, você… ― apontou para o seu ex-marido. ― Trate de caçar um lugar pra morar. Não sou de sustentar homem vagabundo. E quanto ao Homaxley, se puder, não case. Você viu minha situação como exemplo. Sabe muito bem onde fui parar. Então, recomendo esquecer assunto de casamento. Principalmente com ela. 

*******

Gabriel se encara nu em frente ao espelho. 

Sua imagem refletida no espelho. 

Cada curva leve. Um corpo lânguido. 

Um corpo magro. 

Um corpo para muitos, sedutor. 

Para outros, doença. 

Nada ali lhe agradava. Quer sentir-se desejado por outro homem. Mas não por apenas apetite sexual. Quer algo a mais. Um relacionamento. Só que nos dias em que vive, somente um açougue. Onde os homens chegam, escolhem a carne que irão “comer” e pronto. 

Veem os outros, como se fossem algo que irá consumir. Nada mais. 

O relacionamento, o amor, a fraternidade, a empatia esfriaram-se com o passar dos anos. Gabriel encarava-se, sentia vergonha de si mesmo. Sentia raiva de si. 

Decidiu, por fim, a acabar com aquilo. 

Iria ser “desejado”. 

***** 

Abriu-se um bordel próximo a casa de Gabriel. Porém, ele não o viu. 

Noutro dia, ao amanhecer, ele se levanta ainda com os olhos espremidos de sono. Porém, o olhar daquele homem ainda estava em sua mente. 

Levantou-se e foi ao banheiro, lavou seu rosto e decidiu pôr sua vida no lugar. 

Arrumou seus materiais e foi a escola pela a porta dos fundos sem tomar café da manhã. Não queria ver o rosto de sua mãe. Preferiu evitar confusões. Todo o percurso andando a pé, não dirigia os olhos a nada. Foi então que sentiu a sensação de estar sendo seguido. 

Olhou para trás…. não viu quem era. 

Porém sentia alguém acompanhando-o. 

Chegou à escola e foi direto a sua sala. 

***** 

A namorada de Homaxley conversa com sua amiga 

― Ai amiga. Não sei o que está acontecendo com o Max. Sinto ele longe de mim cada vez mais. ― revelava-lhe sentada no sofá da sala enquanto sua amiga estava deitada no outro. 

― Cuidado, Renata. Pode ter outra. Ou outro na jogada. 

― Você acha que o Max tá me traindo? 

― Não. Mas tem alguém agindo pra que isso acabe.

― Quem seria no caso? 

― Não sei. Alguém por de trás. Cuidado. 

― O que devo fazer?! ― indagava-lhe já em lágrimas. 

― Você saberá. No momento certo você saberá. 

***** 

Gabriel sai da escola, porém, sente alguém seguindo-o. Agora ele reconhece quem é o seu “seguidor” 

Era ela. 

Ele parou no meio da rua para olhá-la. Era a tal Pomba-gira Carmem que o seguia. Seu sorriso enigmático, seu corpo dançante. Enquanto aproximava-se dele, dava giros enquanto soltava-lhe gostosas gargalhadas. 

Por fim, ela se aproximou dele e lhe deixou uma mensagem. 

Meu querido cavalo, meu querido amo, meu querido descendente, meu querido Gabriel. Hoje, vá para o centro onde você me viu. Você é Carmem, a Dona Pomba. 

Então ela se transformou em várias pétalas de rosas vermelhas que voaram pelos os ares. 

“Um dia você vai voltar!” 

Aquelas palavras ecoaram em sua mente. 

Por que aquilo acontecendo com ele? Sua mente estava confusa. 

Decidiu então apressar os passos para sua casa. 

***** 

Enquanto isso a Mãe de Santo vê Dona Pomba ou Carmem descer no terreiro e incorporar em seu “cavalo” 

― Optchá! 

― Laroyê! Oh minha senhora! Minha querida Dona Pomba! Seja bem-vinda! 

― Minha filha… ― a entidade incorporada na mulher veio até em sua direção apontando o dedo indicador em direção a ela. ― …eu levarei este cavalo, amanhã o meu descendente irá vir aqui. E, a partir de amanhã, ele será Carmem! Através de você eu irei orientá-lo antes de o unir a mim no ritual da fogueira! Optchá! ― a mulher saiu correndo em disparada para fora do terreiro, foi para o meio da rua e correu em um rumo ignorado. Depois de minutos correndo pelas as ruas da cidade ela encontra Gabriel no outro lado da avenida. ― Gabriel! ― ela o chamou e ele a encarou. Foi então que a entidade incorporada em “cavalo”, a fez correr no meio da avenida movimentada e parou lá. Quando Gabriel foi tentar tirá-la da avenida, um caminhão em alta velocidade a atingiu, espalhando sangue por todos os lados. Até nele. 

Ele ficou paralisado. Em estado de choque. Várias pessoas ao seu redor gritavam horrorizadas pelo o que acabou de acontecer. 

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