CENA 1. PRISÃO. DIA

Estamos diante de uma grande prisão. Um presídio de segurança máxima. Esta foi a casa de Salvador nos últimos 16 anos. Hoje é o dia mais feliz de sua vida. Finalmente a liberdade.

CARCEREIRO — “Vamo”. Chegou a hora do passarinho sair da gaiola.

Salvador sabia. Contava os dias, contava os segundos para esse momento chegar. Todos os dias foram um inferno para ele. Mas também serviram para ele planejar cada passo da vingança contra aqueles desgraçados. Os traidores que deixaram ele pagar sozinho por todos os crimes da quadrilha.

No momento que ele põe os pés fora todos aqueles momentos vieram à sua cabeça.

 

FLASHBACK, QUE DURA ATÉ O FINAL DO EPISÓDIO.

Agora estamos no ano de 2004. 16 anos mais jovens, lá estão toda a turma (ou quadrilha) reunida. Antonio, Carlos, Salvador, Amanda, Márcia e Cristina são parceiros de crime. Estavam contabilizando os lucros do último assalto: a uma fábrica de sorvetes.

CARLOS — Deu quanto pra cada?

AMANDA — (irônica) Calma aí. Você acha que eu dou conta de contar tanto dinheiro assim? Eu sou só uma, querido.

MÁRCIA — É… Eu acho que agora dá pra comprar aquele carro que eu tava querendo tanto.

SALVADOR — Minha filha, esse dinheiro não dá pra você comprar nem uma moto. A gente precisa crescer. Não tem como a gente ficar só nesses roubinhos. Temos que evoluir. Eu quero ficar rico mais rápido.

ANTONIO — Mas o que você tá querendo? Que a gente roube um banco?

SALVADOR — Tipo isso. Sabe, a gente já tá nesse ramo há uns 5 anos e o que conseguimos? Praticamente sobreviver.

CRISTINA — Eu acho isso muito arriscado. E se a gente for pego?

SALVADOR — Mas como vocês tem uma cabecinha pequena. Pensa grande gente!

CARLOS — Qual é a sua, hein? Quem você pensa que é pra falar com ela desse jeito?

SALVADOR — Tá defendendo sua namoradinha, é? Eu só disse que vocês são uns medrosos.

CARLOS — Você diz mais uma palavra e eu quebro a sua cara.

SALVADOR — (irritado) E você quem pensa que é pra falar assim comigo?

CARLOS — Eu sou a pessoa que vai te dar isso.

E dá um belo soco na cara de Salvador. Ele não deixa barato e os começam uma briga. Os outros tentam separar, mas quando conseguem o estrago já foi feito. Salvador e Carlos saíram com a roupa toda ensanguentada e rasgada dos golpes.

 

CENA 2. BAR. DIA

No outro dia todos os seis estavam bebendo num bar como se nada tivesse acontecido. A única lembrança do ocorrido no dia anterior são os olhos roxos de Salvador e Carlos.

SALVADOR — Então, pensaram no que eu falei ontem?

CRISTINA — É sério que você quer retornar nesse assunto?

SALVADOR — Sim! Gente, vocês não percebem que essa é nossa grande chance de ficarmos tranquilos pro resto das nossas vidas.

ANTONIO — Mas assaltar um banco não é como assaltar uma vendinha da esquina.

SALVADOR — É por isso que a gente vai planejar tudo direitinho.

 

CENA 3. BAR

O bando passa meses observando o funcionamento do banco. Entram nele várias vezes, até que saibam toda a rotina. Enquanto Salvador fala, um clipe com imagens do plano aparece.

SALVADOR — Então a gente vai fazer assim: ficamos de tocaia desde as 10 da noite, para verificar que tudo está como o normal. À meia-noite o guarda vai ao banheiro. Exatamente à meia-noite. Ele fica lá entre 1 e 2 minutos. Esse é o tempo que temos para armarmos tudo e apagar ele.

MÁRCIA — Mas vai ter morte?

SALVADOR — Não! A gente põe ele pra dormir. Depois disso temos 10 minutos até ele deixar de responder o rádio e a central ir lá pra ver o que tá acontecendo. Esse é o tempo que temos. As chaves dos cofres estão em um outro cofre eletrônico. A gente já sabe a senha, né?

AMANDA — Sim. Eu verifiquei enquanto a Cristina se esfregava no gerente do banco.

CRISTINA — E eu ainda consegui esse colar. Lindo, né?

SALVADOR — Então está tudo armado. É só a gente pôr o plano em ação.

CENA 4. RUA ATRÁS DO BANCO. NOITE

Como o planejado, o bando está em uma vã (que eles roubaram horas antes) observando o banco na outra esquina. São 10 da noite.

SALVADOR— Até agora está tudo dentro da normalidade.

O tempo passa e estamos agora às 23h50.

CARLOS— Está chegando a hora.

Meia-noite. A hora de tudo rolar chegou. Mas alguma coisa não está como o planejado.

MÁRCIA— Por que ele não está indo pro banheiro?

ANTONIO— Alguma coisa está errada aqui. O relógio está certo?

SALVADOR— A gente acertou igualzinho o do banco. Por que ele não está no banheiro?

A resposta já estava chegando. Do outro lado da rua, via-se uma garota de programa chegando à porta do banco.

AMANDA— Mas o que é isso? Esse guarda vai ficar de safadeza na hora da nossa ação?

CARLOS — (observando bem) Não. Olha lá. Eles vão roubar o banco também!

CRISTINA — Então a gente deve abortar a missão.

SALVADOR — Ah! Vocês são um bando de maria-mole. Olha quantos nós somos e quanto eles são! Vamos apagar eles e pronto.

ANTÔNIO — Apagar?

SALVADOR— É! Apagar! Quê que é? Tá com dózinha agora. Você não teve dozinha quando quase mandou uma velhinha mais cedo pra debaixo do chão. Qual é! Esses dois são bandidos também.

CARLOS— Eu ainda acho muito arriscado.

SALVADOR— OK. Então vou eu sozinho e faço uma aliança com aquele guarda e dividimos o dinheiro por três e não por seis.

E Salvador sai do carro pisando duro.

AMANDA — E agora? O que a gente faz?

CARLOS— Eu acho que a gente devia dar no pé.

CRISTINA— E largar ele aqui? E se a polícia chegar?

CARLOS— Ele é louco! Quer que a gente vai preso! Eu voto pra gente ir embora agora!

E fizeram a votação. Três a dois. Eles continuariam ali. Salvador vai ao encontro do guarda e o surpreende quando ele está de costas, entrando no banco.

SALVADOR— Então você é pago pra proteger o patrimônio e vai pegar uma partezinha pra você, hein. Que coisa feia, irmão.

GUARDA— Quem é você (aponta a arma na cara de Salvador). É da polícia? Fala agora!

SALVADOR— (sacando a sua arma também) É melhor você ir baixando a sua bola, caramba! Senão eu não meço esforços para estourar esses seus miolos e dessa puta aí também.

GUARDA— E o que você quer?

SALVADOR— Simples. Nada além do puro comunismo. Dividamos os lucros com o próximo.

GUARDA— Cara, você não pode vir aqui e só participar do bem bom. A gente tá planejando isso aqui há meses, ok? Então vaza logo daqui.

SALVADOR— Eu acho que você não me entendeu. Eu estou dizendo pra você dividir comigo e você vai dividir comigo. Agora está claro?

GUARDA— Não tem nada claro aqui. Você sabe pelo menos como funciona esse banco?

SALVADOR— Você está vendo aquela vã estacionada ali no outro lado da rua (aponta pra vã onde ainda estão os cinco restantes da quadrilha)? A gente está planejando um roubo aqui nesse banco há meses também.

GUARDA— Ah é? Então você quer dizer que tava vigiando a rotina do banco há um tempão. Tá me dizendo que conhece esse banco aqui melhor do que eu que trabalho aqui?

SALVADOR— Você é retardado ou o quê? A gente ia colocar esse banco abaixo hoje! E só não estou contando com a ajuda deles porque são um bando de cagões. Ladrõezinhos de merda.

GUARDA— É assim que você fala dos seus amigos? Eu não confiaria em você.

SALVADOR— (dá um tiro na porta do banco, que se estilhaça) Eu já estou perdendo a paciência! Você tá parecendo aqueles bundões ali, sabia. (ele dá um tiro no ombro do guarda) Sai da minha frente.

Quando Salvador pisa no banco, o guarda e a garota de programa o rendem.

GUARDA— Mas você é burro mesmo.

SALVADOR— (tentando de desvencilhar) Me solta! Se você é um bosta, eu não sou. Me deixa enquanto a polícia não chega!

GUARDA— Você ainda não percebeu? Nós somos a polícia. Salvador você está preso!

De alguma forma, Salvador consegue sair dos dois policiais. Vai correndo pela rua, mas não encontra a vã dos seus amigos.

GUARDA/POLICIAL— É, amigo, não se tem amigos na bandidagem.

SALVADOR— (sendo algemado) Traidoooooooooooooreeees!!!! Eu vou voltar e vou me vingar de cada um de vocês!

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LEIA MAIS DESTE CONTEÚDO:

  • Eu amei o primeiro capítulo. Objetivo, revelou como Salvador foi parar na prisão. Espero conhecer ao longo da trama melhor quem é Antonio, Cristina, Carlos, Amanda e Márcia. E esses policiais que o prenderam, terão vez também?

    Mandou bem. Torcendo para o sucesso.

    • Olá, Charlotte! Fico muito feliz que tenha gostado do capítulo! Nos próximos capítulos vamos acompanhar que destinos tomaram os outros personagens após 16 anos. Conto com sua audiência 🙂

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

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