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Eterno Canto: 44 – Tragédia – (Antipenultimo)

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   Capítulo 44

~ TRAGÉDIA ~

 

Débora estava em estado de choque pelo assassinato de Rosa. Agora consentia a dimensão da ira de seus inimigos políticos. Eram covardes, sem escrúpulos, medonhos. A vida estava banalizada. Arremessaram uma mulher de mais de vinte andares como se nada tivesse acontecido. Agora percebia que aqueles quinze anos eram poucos. A ditadura do proletariado devia perdurar. Estava ainda muito cedo para o avanço para o comunismo.

Denise não parava de gritar.

– Como isso foi acontecer? Como? Justamente na noite que ela iria nos fazer uma revelação. Foi queima de arquivo, só pode ter sido!

Jesus a acalmava, enquanto trocava olhares opressores com o porteiro, pois ele o havia subornado.

– Pode ter sido acidente, amor. Nunca se sabe!

 

Um grupo de neonazistas com a suástica tatuada nos braços e desenhada na roupa ao avistarem Bruno Paçoca e a Débora partiram para cima dos dois. A multidão não os ajudou. Rogério tentou impedir pulando na frente, mas acabou sendo jogado na sarjeta. Mães de família vibravam com cada cotovelada na face da Chancelar. Denise estava atordoada.

– Mas o que é isso? Socorro! Eles vão matá-la!

Uma batedora de panela esbravejou.

– Olho por olho, dente por dente. Chupa querida assassina!

Denise se irritou.

– Cala boca, sua alienada! Não vê que isso é bárbaro? Somos uma civilização, não se resolve as coisas dessa maneira!

A manifestante da família não quis saber.

– Não pedi sua opinião, sua vermelhinha! Bárbaro é um homão de mais de quarenta anos abusar de uma criança. Pena de morte para o casal de monstro! Caceta com os dois. Bandido bom é bandido morto!

Denise não entendeu o que ela estava querendo dizer com tudo aquilo. O que as mídias tradicionais haviam inventado agora? Para agravar a situação a guarda particular de Fábio Boa Vista acompanhado do próprio desceram do carro e Jesus que conseguira se afastar o cumprimentou.

– Foi excelente o trabalho que fez! Esse espetáculo está formidável!

Fábio sorriu, confessando:

– Meus homens são de uma… Competência. Não brincam em serviço!

 

Repórteres surgiram de uma vã e começaram a fotografar um corpo. A mesma mulher que discutira com Débora naquela tarde nem se preocupou em filmar a cena do espancamento do casal, estava no ar com o plantão e se dirigiu ao porteiro tentando conseguir uma palavra.

– O senhor viu alguma coisa? Quem entrou minutos antes com a Doutora Rosa no prédio da ex-chanceler…quer dizer chanceler… Débora Carvalho!

O homem disparou o combinado.

– A própria em carne e osso!

No meio da confusão, a protagonista ouviu aquela declaração, incrédula.

 

Denise pulou na frente do câmera impedindo aquela transmissão, mas Fátima, a repórter, gritou desesperada.

– Um atentado dos sem-teto. Desesperados pela possibilidade de mudança de sistema de governo, o terrorismo comunista assume os anseios do casal.

 

A ex-vereadora não agüenta e estapeia a mulher a jogando no chão. Tudo é televisionado em tempo real. A multidão assiste à cena de camarote. Rogério consegue separar a briga e se desespera.

– O que você fez, Denise? Deu chance para ela reverter o jogo!

Fátima fazia-se de vítima, enquanto a política suspirava esbaforida.

 

Não tardou para a polícia militar chegar, apartaram o espancamento, junto com a perícia. Lacraram a cena do crime.

 

***

NO OUTRO DIA…

 

Os olhos de Débora se escancaram de uma só vez, encontrava-se num leito hospitalar. Estava com uma dor nas costas terrível. Saltou da cama e cambaleou, escorando a parede. Puxou a porta e percebeu-se na capa de uma revista #FORADÉBORA

– Mas o que significa isso?

Uma enfermeira veio a seu encontro.

– Volte para o quarto, chanceler. O médico ainda não a reexaminou.

– Onde está Bruno? Ele está bem?

A mulher sentenciou.

– Bruno está detido!

Débora soltou um grito.

– COMO É?

 

MAIS TARDE…

 

Débora chegou acompanhada de Denise e Rogério ao distrito policial. Estavam acompanhados de Doutor Kamacho, um advogado criminalista.

– Mas isso é um abuso de poder! É cárcere privado mantê-lo assim. Pela constituição de 2032, definimos que prisão só em caso de crimes hediondos, caso contrário é unidade de reinserção social. Estão burlando a lei! Bruno é inocente!

O delegado gargalhou.

– Lei, senhorita Débora? Ou imposição? Todos nós sabemos que enquanto você mantinha um teatro de avanço socioeconômico, justificando o aumento de tributação, no fundo iria para o seu bolso. Todas as medidas meia-bocas que tomou poderiam ter sido muito mais profundas! Mas a sua ditadura de partido único não deixou! E agora quer fazer a sociedade brasileira inteira suportar o abuso sexual de menor que seu marido cometeu! Como se nada tivesse acontecido, a senhora não tem vergonha na cara, não?

Débora explodiu.

– Meu marido seria incapaz de sujeitar a uma ação tão antiética como essa! Ele jamais tocou naquela menina, jamais! Isso é pretexto da oposição, a mesma que está montando o circo do rombo da Niosil, que nunca ocorreu, para tomada do poder. Sou inocente, assim como ele é também. Onde estão as provas desses crimes? Onde estão?

O delegado a encarou.

– Você acha que todo mundo aqui é idiota? Que não está na cara que lidera uma gangue comunista que está afundando nosso país? Nós não suportamos mais essa intervenção em nossas vidas, em nosso poder de escolha. Queremos a volta do capitalismo já! Chega de ditadura!

Débora tomou o celular de dentro da bolsa.

– Mas eu vou acionar o exército para retirá-lo daí. Custe o seu gosto ou não! Eu sou a líder executiva legítima desse país! Nenhuma força reacionária será capaz de me deter!

Delegado a desafiou.

– Pois chame. Pois eu reforçarei a minha tropa e chamarei a imprensa para registrar mais essa loucura!

Rogério retirou o celular das mãos de Débora. Denise tentou acalmá-la. Cada passo impensado poderia ser fatal ao governo. Chega de holofotes!

 

***

Os espasmos dominavam suas contrações. Suas pupilas se recordavam da noite anterior.

Pressionou a campainha, Rosa gritou do outro lado da porta, provavelmente olhando pelo olho mágico.

– Quem é você?

O capanga mentiu a partir do telefonema que Fábio havia lhe dado assim que recebera a notícia por Jesus que estavam todos indo para o apartamento de Débora e Paçoca a fim de ouvir a grande revelação de Rosa.

– Vim a mando da Chanceler para reforçar a segurança! Todo cuidado é pouco!

Rosa abriu a porta aliviada e ele lhe esmurrou com um soco inglês. A mulher bateu a cabeça na pilastra apavorada. Antes que pudesse gritar, ele tapou sua respiração e a asfixiou com uma sacola plástica. Esperneava desesperada. Tentava se desvencilhar até que desmaiou. Ele ligou para outro seu comparsa que o aguardava lá embaixo e juntos arremessaram a mulher pela varanda da sala. Fugiram levando o celular. A socióloga caiu de mais de sessenta metros e morreu ao se chocar com o concreto da calçada na frente. Jesus já havia combinado tudo com o porteiro minutos antes.

 

A porta do galpão se abriu. Era Fábio trazendo uma mala preta. Jogou-a no chão e a empurrou com o pé, ela rolou até o capanga, o qual não perdeu tempo e logo quis ver seu dinheiro. Mas o que havia era um monte de papel picado. Antes que o homem pudesse reagir, ao seu levantar, Fábio disparou cinco tiros sem piedade, jatos de sangue espirraram pela parede.

Ao constatar pelo pulso que ele estava realmente morto. Telefonou para um homem misterioso.

– Resolvido aquele incômodo da morte da socióloga provocado pelo palerma do Jesus. Estou indo passar no IML verificar como anda as coisas por lá, qualquer novidade te aviso. Desligou.

 

Closet em seu rosto sociopata.

 

***

Débora chega ao palácio do Planalto acompanhado de Rogério e Denise, estava fora de si.

– Como é que vocês me impedem de mandar invadir aquela delegacia? Bruno está numa mesma cela com maníacos! Ele corre perigo de vida!

Rogério rebate.

– Doutor Kamacho está cuidando da sua liberação. Paçoca deve estar numa solitária, está apenas detido.  O delegado vai ceder.

Eles chegam ao gabinete presidencial e percebe que o representante da O.P.S está a aguardando.

– Janaína, por que você não me avisou nada?

A menina saiu avermelhada do gabinete, desdobrara-se em servir cafezinho para o homem e seu ministro de relações exteriores.

Ela os cumprimentou e fechou à porta, os amigos se entreolharam.

 

MAIS TARDE…

 

Dalila chega acompanhada de Jesus ao seu apartamento e se desespera ao ver um monte de pratos e travessas sujos espalhados pela sala. Sam chega todo despenteado, ofegante, vestido de mulher-gato com Elton com um chicote nas mãos.

– Me pegou, safado!

Dalila se enfurece.

– Saiam já da minha casa! Seus animais! Entrega logo para eles a quantia dos dólares!

Sam abre e sorri diante das verdinhas.

– Pode deixar, minha querida. Será um alívio deixar essa espelunca. Eles ficam nus ali na frente dos dois e trocam de roupa. Dalila fecha os olhos.

– Que nojo!

Sam faz um carinho no rosto da maninha.

– Tá suja de esperma do Elton! É bom para rugas. Está precisando! Fica a dica… Até mais ver, dinda!

E sai gargalhando com seu bofe batendo a porta. Dalila arremessa um vaso na parede.

– Que ódio! Tomara que morram atropelado!

 

***

Fábio sai do IML e se satisfaz ao ler o resultado do primeiro laudo. Jesus havia contribuído com sua parte no plano, agora Débora era colocada na cena do crime, na hora do crime. O que um fio de cabelo e algumas marcas de digitais não faziam! Saiu do local e percebeu que uma combe de uma emissora privada esperava por aquele resultado. Precipitou-se, atravessando a rua, com gosto.

– Ei! Suponho que estejam procurando pelo resultado do óbito de Rosa Vasconcellos! Pois aqui está uma cópia do primeiro laudo policial.

A repórter e o motorista saíram animados. Era Fátima.

– Mas isso é bom demais para ser verdade! Assassina mesmo!

Fábio riu.

– Viralize isso, o mais rápido que puder! Temos que arrancá-la do poder o mais depressa possível!

A mulher riu.

– É para já, vossa excelência!

MAIS TARDE…

 

Bruno consegue aval de um Juiz e acaba sendo solto. Ele chega ao palácio e é vaiado por uma multidão de manifestantes que pedem a renúncia imediata de Débora. Gritos de estuprador! Canalha! Traidor da pátria são berrados por universitários. Seu rosto arde dada as pancadas da noite anterior. Ao entrar no prédio, recebe o ministro da defesa Leopoldo Marinho em uma sala, afinal Bruno é representante-geral da ala dentro do Ministério da Saúde que cuida de pessoas em situação de rua.

– Preciso que seus homens prendam os meus agressores e de Débora na noite anterior! Isso é inadmissível em pleno século XXI! Neonazismo precisa ser contido.

 

ANOITECE…

 

Finalmente Débora termina a reunião com o presidente da O.P.S e estava um pouco mais aliviada. Paçoca e Denise a aguardavam no corredor.

– Amor! Você foi solto! Que maravilha. – E o beija amorosamente.

Denise a questiona.

– Como foi à reunião?

A chanceler revela.

– Consegui um acordo com eles. Autorizei uma investigação na Niosil e nas nossas outras estatais. Vão mandar um contador para cá. Lógico que nosso nacionalismo deve imperar, mas se for para continuar avançando, então é válido essa estagnação temporária.

Denise ri.

– Esse seu marxismo costurado é engraçado! Karl defendia internacionalização, não o nacionalismo!

Rogério os alcança, não trazia boas notícias.

– Vocês não vão acreditar no que aconteceu!

Débora entreolha os dois, entristecida.

– Fala logo, Rogério. O que foi dessa vez?

Rogério dispara.

– Implantaram o seu DNA na cena do crime. O Laudo te acusa de ter assassinado a Rosa.

Os olhos da mocinha se esbugalham de surpresa.

 

***

Manifestantes tomam a avenida paulista e a Avenida Brasil para protestar. Todos de verde-amarelo gritando pela renúncia da chanceler Débora Carvalho. Fábio aproveitou a multidão e com apoio da emissora Novilíngua se promoveu.

– O Brasil precisa avançar. Com essa roubalheira dos cofres públicos não dá mais! O Estado corrompido impede o país de crescer! Vem para rua! Diga não ao intervencionismo! Queremos democracia! Nossos direitos cidadãos preservados! Fora Débora, fora comunistas! Estupradores de crianças! Assassinos!

 

Os helicópteros de várias emissoras sobrevoavam a multidão.

 

MAIS TARDE…

 

Débora chega a Buenos Aires para pedir asilo político diante as denúncias proferidas contra ela. Cristiane Cristen, a chanceler popular a recebe em seu gabinete.

 

***

O líder executivo dos Estados Unidos James Konfoord está terminado de assinar alguns decretos quando os vidros da casa branca se estilhaçam por completo. Desesperado, ele corre para a janela para saber o que está acontecendo, quando a cidade inteira de Washington é acometida por uma bomba atômica. BUM!

 

AMANHECE…

 

O mundo inteiro acorda com o genocídio acontecido no centro de comando de uma das potências globais. O Russo Lenilino Gorbachev, presidente da O.P.S pediu as nações amigas que mandassem soldado, munição e investimento para contra-ataque em território americano, tomado agora por banqueiros ultra-religiosos reacionários ao modelo capitalista neoliberal.

 

MAIS TARDE…

 

O Apartamento de Débora e Paçoca ainda não havia sido devolvido pelos legistas, então estavam hospedados no de Denise e Jesus. Este último havia passado a noite fora em um cassino de prostituição e descobrira ao acaso que Paçoca estava em um dos quartos de hóspede, precipitou-se para o outro. A mulher dormia em sono profundo. Era sua chance de acabar com aquele carma de uma vez por todas. Puxou uma almofada.

– Nunca foi tão fácil retirar você do cargo, maninha! Tá na hora de cantar para descer, para curtir o calor do inferno ao lado de Belzebu.

Seus olhos faiscaram, mas quando iria apertar. Denise abriu a porta.

– Amor, eu percebi…

Ele conseguiu no último segundo disfarçar.

– Nossa que bom que você chegou! Ela derrubou a almofada no chão, estava afofando para por debaixo da cabecinha dela. Tadinha, mor, passando por todas essas turbulências!

 

Denise caiu mais uma vez no conto do vigário.

– E o pior é que quando ela acordar terei que dá-la mais uma má notícia!

 

A curiosidade transpareceu no rosto do vilão.

– O que houve?

 

Denise disparou.

– Os banqueiros tomaram o poder capitalismo nos Estados Unidos!

 

Jesus esboçou um sorriso de contentamento.

 

MAIS TARDE…

 

Eulália faz um pronunciamento nacional de dentro do ministério de Ciência e Tecnologia e decreta o fim da abertura de imprensa, causando uma comoção nacional.

 

***

Manifestantes pró-Débora ocupam a marginal Tiête e paralisam o tráfego. Novilingua, mesmo agora na ilegalidade, não fecha o canal e transmite em tempo real focando em pessoas radicais, generalizando e dizendo que todos são baderneiros e pagos pela ditadura de Débora para destruir patrimônio público com dinheiro de todos.

 

***

ANOITECE…

Sam e Elton estão tentando embarcar para os States quando Rogério, representante-geral do ministério da Saúde que fora palestrar no Paraguai, flagra-os e telefona para guarda-civil.

– Venham imediatamente para o aeroporto internacional de Brasília.

Quando eles passam da porta de detector de metais. Rogério se revela de braços cruzados.

– Onde que os pombinhos pensam que vão?

Closet no rosto de Sam petrificado. Elton engole seco.

 

***

O exército e a polícia militar brasileira invadem a casa do jovem neonazista que liderou a ação contra Paçoca e Débora e no meio da busca para a prisão, o garoto saca uma arma de seus pais e dispara sobre o olho do Coronel Pereira, mesmo antes do comando ser expedido, eles disparam freneticamente sobre o garoto sobre o grito de misericórdia de seus pais que assistem à cena atemorizados. Era uma carnificina.

 

MAIS TARDE…

 

Em uma delegacia, Sam e Elton são ouvidos. Denise e Rogério o pressionam.

 

– Anda logo! Van Gogh! Fala logo se você está envolvido nessas ameaças constantes contra nossa presidenta!

 

A bicha maléfica ironiza.

– Ai, minha querida! Ela tá mais para facínora do que para presidenta. Está afundando o país num banho de lama! Perde-se ao governar, tem mais é que sair do cargo mesmo! Brasil merece coisa melhor! Coisa formada!

 

Denise perde as estribeiras e o dá um safanão.

– Escute aqui, seu monstro! Só por que você nunca abriu um livro de história na sua vida para saber o que foi nossa política antes a intervenção socialista, não significa que todos nós devemos pagar esse preço. Evoluímos e muito! E não será um protótipo restante da era capitalista escravista que nos deterá!

 

Sam deu-lhe um chute no tornozelo. A mulher urrou de dor.

– Meu irmão escolheu muito mal você! Sai para lá, sua marafona! Não está a altura da ambição dele. Diferente de você, tolinha, prol dos fedorentos do morro, ele quer ascender e vai derrubar a Débora como sempre sonhou!

 

Elton gritou.

– Sam! Não! O que foi que você falou!

Sam cerra os lábios. Denise troca olhares assustada com Rogério. O que significava aquela revelação? Não podia ser! Seu marido envolvido no meio dessa conspiração liberal-burguesa?

 

O escrivão que havia saído para ir ao banheiro voltou ofegante a sala, apontando para a televisão. Novilingua fazia a cobertura  completa do assassinato de Joe Gentrille, o jovem neonazista morto na operação do exército. Face linha dura do comunismo marxista de Débora. Rogério deixou escapar.

– Esse furacão está destruindo a ordem nacional! Quando vai acabar?

 

Mas Denise não esperou para ouvir a notícia completa. Saiu disparada da delegacia. Iria tirar aquela história a limpo com seu marido.

 

***

Fábio recebeu o tenente Coronel Saulo Medeiros em seu escritório de advocacia. Linderberg, Paula Veneziani, Jesus Van Gogh entre banqueiros, latifundiários, empresários marcaram presença.

– Então o senhor está provisoriamente na função do Coronel Pereira? E faz oposição de suas práticas um pouco brandas demais?

– Exatamente! Ele é capacho demais das ordens do Planalto. O Exército deveria ser mais independente! Temos uma hierarquia própria que a planificação socialista destrói sem freios. Sem contar esse desequilíbrio dos policiais militares e da guarda nacional. Por que mataram o moleque, meu Deus?

Os olhos do juiz faiscaram.

– E se a gente te oferecesse o ministério da defesa em troca de um favorzinho para nós?

Saulo era corrupto. Sorriu malandro.

– E o que seria esse favor?

Paula não poupou a declaração.

– Exterminar esse governo da face do planeta!

Todos riram com sua autoridade.

 

MAIS TARDE…

Na calada da noite, Aviões e drones da O.P.S. chegam a território norte americano e antes de aterrissarem são bombardeados sem pudor.

NO OUTRO DIA…

 

Débora chega protegida pelo exército Brasileiro/ Argentino ao Palácio do Planalto e descobre por Janaína que mais de quarenta ministros deixaram sua cadeira diante da comprovação do crime de Rosa e principalmente pelo assassinato de Joe, deixando-a chocada.

 

***

Jesus chega à casa esperançoso, quando Denise ao sair da cozinha, surpreende-o.

– Tá feliz, por que, amor? O país está mergulhado em caos!

Ele estranha aquele tom. Sorri meigamente, virando-se para ela.

– Ora, querida. Isso não deve afetar nossa felicidade. Débora é uma excelente líder executiva, com certeza conseguirá driblar essa pequena marolinha política! Não precisamos dramatizar tanto!

Denise abaixa a cabeça num tom manhoso, desliza suas mãos pela cabeceira de uma das cadeiras, as pontas dos dedos mostram-se empoeiradas.

– Essa cadeira irradia! Brilha por sem quem é! Uma expressão da potência aristotélica humana. Porém esse pó impregnante não a deixa transparecer. Ele a opaca, manipula sua imagem, por que sabe que é apenas pó, apenas farelo, rejeitado por todos.

Jesus cai numa risada infame.

– Essa sua piada foi demais! A relação da cadeira com o pó! Ai amor, você é ótima.

Ela, no entanto, o observava serenamente. Não transparecia felicidade, tão pouco ódio. Parecia lê-lo só pelo olhar.

– Foi uma metáfora! Uma metáfora ao que você e sua gangue podre está fazendo com o nosso país! E eu preocupada com esses seus sumiços repentinos achando que talvez tivesse me traindo, mas era infinitamente pior! Estava tramando contra todos nós e por que Jesus? Por que seguir esse caminho? É seu sonho tomar o comando do país? Quer enriquecer a custa dos mais necessitados? Daqueles que deram seu sangue de martírio, dia após dia, só para agora gozar de um pouco de dignidade!

Jesus avermelhou-se. Como ela descobrira tudo e ousara dirigir-se a ele daquela maneira? Voltou a encará-la e ela disparou.

– Seu irmão o entregou! Sam Alves mesmo! Ele e Elton estão numa unidade de reinserção social!

Jesus retirou a máscara.

– Isso na minha época se chamada cadeia. Não havia distinção. Todos os culpados eram jogados num lugar só!

Denise retirou uma faca do avental e mirou em sua direção.

– Isso mesmo! Revela sua identidade, seu monstro. Você é um canalha, um traidor. Estava do nosso lado fingindo e passando informação para esse povo do Linderberg.

Jesus gargalhou alto, parecia uma criança diante da meia-noite de natal.

– Você não sabe de nada, sua tola. Tem gente muito mais alta envolvida nisso! Abaixa essa faca se não quiser se machucar! Por mais que me impeça, Débora não resiste mais vinte – quatro horas, não há nada que você possa fazer! Agora se for boazinha, quem sabe eu não te dou um ministério… Do Chorume e do esgoto a céu aberto!

Denise não se agüenta e parte para cima dele. Ele a segura pelo pulso, fechando suas mãos.

– Cobra, Ordinário, Patife! Como eu pude estar enganada esse tempo todo? Como eu não pude enxergar esse vigarista que dormia todo dia ao meu lado.

Ele cospe na cara dela.

– Agüentar os seus cullotes fedorentos! O seu corpo de velha! Sua virilha em frangalhos! Você deveria me agradecer, pagar-me bilhões por ter sido um homem que te aturou. Sua ratazana!

E jogou contra a parede, ela bateu a cabeça e perdeu a consciência. Ele roubou os celulares, arrancou todos os fios de comunicação de rede móvel, todas as chaves e a trancou. Deixando-a incomunicável.

 

***

Lenilino autorizou o bombardeio nuclear em território Norte Americano. Estava iniciada a terceira guerra-mundial!

 

***

MAIS TARDE…

 

Débora está sentada num chafariz no jardim do Palácio do Planalto em lágrimas com o que estava acontecendo, tentando organizar os próximos passos para combater aquele golpe reacionário em curso quando Pedro a alcança.

– Dona Débora, Bruno foi preso!

Ela se levanta atordoada.

– Marque uma reunião de urgência com Kamacho e o Ministro Leopoldino, nós precisamos…

Ela fica horrorizada ao vê-lo rendido pelas tropas do exército sobre comando de Saulo, até que se dá conta que está mira de mais de cem homens e outros mais que se instalaram na entrada. Berra.

– Mas o que está acontecendo aqui? Vocês piraram?

Diante os soldados e generais, Jesus e Fábio saem juntos, ambos com escárnio daquele espetáculo dantesco. Van Gogh se felicita.

 

– Xeque mate! Quais são suas últimas palavras antes de ser derrubada, rainha?

 

Débora não acredita no que seus olhos estão vendo. Estava diante um golpe militar.

 

CONTINUA….

 

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