VOCÊ ESTÁ LENDO:

EU, KADU – episódio 1: “eu, Kadu”

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on tumblr

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência começa por volta dos 10 anos e termina aos 19, e durante esse intervalo, tanto o corpo como as ideias se transformam, e com eles a necessidade de construir uma identidade acaba gerando enfrentamentos psicológicos. Ah! Tudo isso ao mesmo tempo; proporcionando uma aventura recheada de emoções à flor da pele, nos levando a acreditar que esse rito de passagem nada mais é que uma antessala para o fim do mundo, onde ninguém nos compreende e nem mesmo nós nos compreendemos.

A propósito, sou Kadu. Na verdade, Carlos Eduardo Saldanha Junior e tenho 17 anos.

Sobre mim… Bem. Não serei tão egocêntrico ou narcisista assim. Talvez seja melhor começar pela minha família. O que os doces são para um diabético e a água é para o fogo, minha mãe e meu pai são um para o outro. Nunca encontrei nenhum sinal de compatibilidade entre eles.

Meu pai, doutor Carlos Eduardo Saldanha, é um célebre cardiologista, dono de uma rede de clínicas especializadas na área em que atua, e cuja reputação incontestável inspira referências não só no Rio de Janeiro, mas também em quase todo território nacional.

Seu comportamento ponderado e sem extravagâncias, somados à sua eterna disponibilidade, o tornou, aos olhos de todos os outros na sua profissão, um exemplar genuíno de ser humano no que diz respeito ao próximo. Contudo, vale ressaltar que se esse próximo fizer parte do seu seio familiar não irá receber muito, ou quase nada, de sua atenção.

Ter uma agenda profissional tão apertada, que o faz chegar a casa quando todos estão deitados, e sair antes que se levantem, ou que o leve a uma constante rotina na ponte aérea para participar de algum congresso, simpósio ou seminário, não deve ser algo simples de se lidar. Mas a vida é feita de escolhas, não é mesmo? E segundo Caio Fernando Abreu, quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.

Em contrapartida, minha mãe, Marcela Albuquerque de Araújo Saldanha, herdeira de um dos maiores produtores de papel e celulose do país e também de um império no ramo hoteleiro, é tida como uma das mais extrovertidas e irreverentes socialites cariocas, colecionando amigos influentes, sapatos com saltos altíssimos, e, claro, bolsas, muitas bolsas. Desde a pomposa, elegante e sofisticada Lady Dior a uma Chanel 2.55.

Ah! Como toda diva que se preze, ela também não abre mão de ter o melhor cabeleireiro do Rio de Janeiro ao seu dispor. E isso a qualquer hora do dia ou da noite.

Evidente que seu nome figura na lista dos eventos mais badalados, assim como ela também escolhe a dedo os semideuses que terão o privilégio de colocar os pés nas animadas e luxuosas recepções e festas que promove para em média 200 convidados.

Até aí, tudo bem. Que mal há em se ter uma mãe celebridade, que todos praticamente veneram? Porém o espelho tem duas faces e as camadas que separam madame Albuquerque de Araújo Saldanha da senhora Marcela são muitas, e quem, de fora de nossa família, conseguir ultrapassá-las, encontrará uma mulher de personalidade forte, altiva, de características excêntricas, constantemente levantando a voz a fim de se fazer ouvir e dona de um humor que oscila do ligeiramente doce ao extremo amargo.

Se tivéssemos em um jogo aonde fosse necessário o adversário destacar alguns pontos relevantes da personalidade de cada um dos meus genitores, ele não pestanejaria em responder: doutor Carlos Eduardo, taciturno, um ser humano com dificuldade de demonstrar emoção ou carinho de maneira natural; já dona Marcela seria apontada como a antítese da condescendência, a mestre Yoda da arte da manipulação, a porta estandarte do hedonismo.

Por sinal, tenho duas irmãs mais velhas, já que Deus teve misericórdia da minha alma não permitindo que eu fosse filho único desse peculiar casal.

Com toda certeza eu não iria saber lidar com essa questão e já teria fugido para a Indonésia ou qualquer outro fim de mundo. Ou quem sabe para Terra Média, ou para Nárnia, ou até mesmo para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts…

A primogênita, Maria Clara, que irá se casar no sábado, sem sombra de dúvida é a pessoa mais sensata, racional e comedida dentro deste apartamento de “apenas” 700 metros quadrados na Barra da Tijuca. Enquanto Filipa, além de potencializar radicalmente todos os complexos e traumas por ser a filha do meio, não passa de uma reprodução perfeita, praticamente esculpida em carrara, “da obra de arte” que é a nossa mãe, com todas as suas neuras, desequilíbrios e um humor extremamente bipolar.

Elas são provas vivas e incontestáveis do quão diferente podem ser duas filhas criadas pelas mesmas babás, vivendo na mesma casa e tendo recebido a mesma educação.

E então chegamos a mim.

Por me identificar com ocupações intelectuais consideradas inadequadas para a minha idade em detrimento a outras atividades mais populares, acabo recebendo dessa sociedade sedenta por criar estereótipos o rótulo de nerd, cuja essência pejorativa me reduz a um ser humano solitário, um forte candidato ao posto de um eremita com sérias dificuldades de interação, e que, sem fugir à regra, carrega o fardo de uma inteligência não convencional.

Não me importo com essas alcunhas. Em parecer uma muralha intransponível, inalcançável, e tampouco me faço de rogado em receber os louros pela minha dedicação aos estudos. O que ninguém sabe, na verdade, é que essa reserva, ou esse suposto isolamento que insisto em cultivar, são meros mecanismos de defesa de um jovem gay que não tem coragem de se assumir diante de um Estado social que insiste em padronizar a sexualidade humana. Enxergando os homossexuais como minorias. Resistindo em vê-los como indivíduos, um cidadão como outro qualquer.

E isso em pleno século XXI.

Como se já não bastasse, este mesmo Estado investe em pesquisas cujo objetivo é conseguir esclarecer aquilo que considera um dos maiores mistérios do comportamento humano, apesar de não existir mistério algum para ser elucidado.

Perguntar o que leva uma pessoa a ser gay é uma atitude preconceituosa que faz supor de imediato que a heterossexualidade não necessita de explicação. É como tentar provar o absurdo de alguém nascer canhoto ao invés de destro.

Será que este mesmo Estado, ou as pessoas por detrás dele, sabe que o sexo é um sentimento variável, espontâneo, e que cada um age de uma forma e cada pessoa nasce com determinada tendência?

Na boa, às vezes tenho vontade de gritar bem alto: pare o mundo que eu quero descer!

Estou cursando o último ano do ensino médio no CGAM, Colégio Germano Augusto Magalhães, uma das instituições particulares mais bem conceituadas, tradicionais e elitistas do Rio de Janeiro, que a partir da metade da década dos anos 2000 teve suas atividades transferidas para a então emergente Barra da Tijuca, deixando para trás o démodé bairro onde se localiza a tão afamada Princesinha do Mar.

Há sessenta anos, ele, o CGAM, sustenta honrosamente o orgulho de sempre formar excelentes alunos com uma respeitável base intelectual e cultural, inclusive alguns homens e mulheres, que se tornaram figuras públicas, fizeram parte do seu corpo discente. Ainda que um bom número desses exemplares pareça ter jogado fora, ou esquecido, o conhecimento que receberam.

Até mesmo um ex-presidente de nosso amado país pisou no solo sagrado deste Olimpo do ensino, onde pais, emergentes e sofisticados, continuam assinando suas folhas de cheque, acreditando piamente no simples fato de que seu filho, seu precioso tesouro, por estar matriculado em uma escola “elitizada”, tem a garantia necessária e irrestrita para o seu pleno desenvolvimento moral.

Qual será mesmo a definição que esses dedicados progenitores têm, e incluo nesse balaio de gato a dona Marcela e o doutor Carlos Eduardo, a respeito da expressão “educação vem de berço”?

Acredito que alguns já devem estar se perguntando, um tanto indignados, quem é esse filhinho de papai que está reclamando de barriga cheia? Cuspindo no prato que come?

Ok. É possível que eu esteja parecendo um daqueles adolescentes mergulhados num mar de bizarrice intelectual de modo a justificar sua pretensa rebeldia. Um folclórico militante arrogante e sem noção que não consegue enxergar além do próprio umbigo e que esconde o seu reduzido conhecimento da vida real com postagens vazias nas redes sociais, frases de impacto, ou mini textos politizados dos quais nem sequer se dá ao trabalho de pesquisar a veracidade.

É um paradoxo interessante de se observar. As bandeiras levantadas, os depoimentos esfuziantes de respeito ao próximo abarrotando as redes sociais nesta época do “politicamente correto”, beirando muita das vezes o radicalismo extremo, mas que fora das telas não são colocados em prática.

Quantos desses seres humanos que ostentam a virtude da empatia através do teclado de seus computadores, seus celulares ou tablets de última geração, cumprimentam os porteiros de seus prédios, de seus condomínios? O gari que varre suas calçadas, a rua em que moram? Quantos respeitam, de fato, o trabalho de suas empregadas domésticas? E a deferência aos professores que notoriamente está mais que desgastada e enferrujada?

Em algumas ocasiões alimento a pretensão de me comparar ao personagem Bernard Marx, criado por Aldous Huxley em seu magnífico livro Admirável mundo novo. Bernard, mesmo pertencendo à elite, no caso da trama uma elite pré-condicionada biologicamente, acaba experimentando, ou supondo, uma proposital exclusão social em virtude de um defeito em sua gestação e se rebela contra o sistema.

Já perdi a conta do quão me sinto como um peixe fora da água dentro desse oceano extenso e ao mesmo tempo tão raso como um pires, por onde navega, convenientemente, a alienação da pequena parcela privilegiada da sociedade. Sempre preocupada em manter o padrão de vida burguês sem ser importunada, sorrindo de orelha a orelha a quem lhe interessa e que lhe trará, óbvio, algum benefício.

Sim. Sou um mauricinho que reclama de barriga cheia, pois me recuso a fingir ignorância diante da realidade que existe do lado de fora das paredes do condomínio podre de chique em que vivo com minha família.

Sei muito bem como funciona a engrenagem do universo quase surreal que vigora dentro das selvas de pedras que são os shoppings que pululam pela Barra da Tijuca. Uma Disneylândia onde é oferecido o retrato de uma vida perfeita e maravilhosa, cujo passe livre é permitido considerando nossos atributos físicos, ou o quanto endeusamos figuras públicas que nem sequer desconfiam da nossa existência, e principalmente, o que trazemos (ou nossos pais) em nossas carteiras.

Seja você mesmo, porque os outros já existem, sugeriu Oscar Wilde, e é o que venho fazendo, apesar de em certos momentos não ser muito fácil manter o equilíbrio.

Decididamente o fato de ter sido criado, cercado por privilégios que a maioria das pessoas nem sequer sonha, vem me deixando imerso num oceano de contradições. Mas já decidi. Vou cursar medicina para quando puder praticá-la ter a oportunidade de ajudar os menos favorecidos, apesar do meu pai, sabendo dessa minha pretensão, já ter feito planos mirabolantes para que eu assuma a mesma carreira que a sua, assim como a rede de clínicas que leva o seu nome.

PS.: segundo dona Marcela, desde que eu conserve os dois os pés no chão e tenha o mínimo de bom senso em manter um trabalho digno para me sustentar, sem subjugar, é claro, a tradição do sobrenome de nossa família, não haverá problema algum em fazer, ocasionalmente, as vezes de Eva Perón cuidando de alguns descamisados.

Enfim, é o que tem pra hoje, e enquanto esse dia não chega, faço minha parte da melhor maneira possível, não causando atritos e me esforçando em ser um bom filho de modo a não dar motivos para que meus pais se preocupem comigo além do necessário. Sobretudo no que diz respeito à minha vida escolar, onde sou um aluno extremamente aplicado, dedicado às matérias do meu currículo com esmero e quase sempre sendo destaque em atividades dentro e fora da sala de aula.

Fisicamente não me considero um príncipe encantado, detentor de uma beleza mitológica. Pelo contrário. Com este meu rosto triangular, meus olhos claros, os lábios carnudos e simétricos, sobrancelhas e pestanas escuras, os cabelos castanhos, e o tom da pele branca, tendendo para o amarelado, acredito me aproximar do mais ordinário dos cidadãos.

Xadrez e losangos geralmente se chocam nas roupas que uso. E minhas camisas, quase todas, possuem colarinhos, e nas camisetas, logotipos que variam entre símbolos de super-heróis, títulos de filmes clássicos a uma diversidade de designs com a marca NASA. E de vez em quando frases aleatórias também estampam minhas camisetas, como a que estou usando hoje, pense um pouco fora da caixa.

Por sinal, minha estatura mediana e meu biótipo magro nunca me abandonaram, e talvez pelo fato de também usar óculos, atualmente de armadura preta e grossa, acabo reproduzindo para as pessoas ao meu redor uma compleição beirando a fragilidade.

Também nunca me importei com isso, apesar de por algum tempo, no colégio, há uns três anos, ter sido alvo de provocações de rapazes idiotas que acreditam estupidamente que força e superioridade se demonstram constrangendo alguém que não se encaixa dentro do limitado universo Neandertal ultramachista que habitam.

Durante duas longas semanas fui tachado de garoto mimado e gayzinho enrustido, acusado de maneira leviana de usar dentro de casa as roupas das minhas irmãs, sendo obrigado a olhar para os cretinos apertando suas virilhas enquanto me assediavam nos banheiros do colégio.

Confesso que não sei o quão atingido fui por todo esse disparate, porém, à época, optei por reagir da maneira mais indiferente possível, e talvez essa minha manifestação de completo desprezo deva ter minado as desconfianças sem fundamento de cada um daqueles imbecis, pois me deixaram em paz da noite para o dia.

Até hoje não sei dizer o que me deu forças para escolher a apatia como minha fiel escudeira. Talvez a plena consciência de que eu estava dentro de uma batalha perdida, ou talvez por medo de encarar uma luta insana e acabar confirmando a suspeita daqueles idiotas, vai saber. Com certeza se eu tivesse reclamado ou levado o assunto à luz do dia, a “minha sentença de morte” estaria decretada e minha existência no CGAM teria sido um verdadeiro inferno, assim como deve ter sido a do Allyson.

Que prazer mórbido incentiva esses homofóbicos e machistas a humilhar o próximo? Tanto ódio deve esconder alguma frustração.

A propósito, a homossexualidade não é um monopólio do ser humano. Ela também existe dentre mais de 200 espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e insetos. Então por que no jogo da vida são distribuídas somente as cartas que nos incentivam a crescer e amadurecer sob os rígidos padrões insanos que nos despreparam para aceitar o “diferente”?

Enquanto as regras forem pré-determinadas por uma sociedade heteronormativa, é obvio que nada disso irá mudar. Até mesmo porque há pessoas que assimilam essas regras sem nenhum problema, particularmente os representantes do sexo masculino que sentem atração pelos seus iguais, convencidos de que são héteros pelo fato de não ter identificação nenhuma com o estereótipo gay.

Não. Não descobri a pólvora. Esses espécimes existem há tempos. Eu infelizmente conheci um deles bem de perto e fui testemunha da incrível habilidade que possuem para se blindar e se camuflar por reconhecerem sua fragilidade diante da lei da natureza, onde só os mais fortes sobrevivem; assim como fazem os sapos e as corujas e também um bom de número de insetos.

Cada um deles precisa permanecer a qualquer custo na “mesa do jogo da vida”, e recorrem, quase sempre, a um relacionamento de fachada, levando uma vida dupla sob a superfície de um casamento tradicionalmente feliz. E pouco se importam com a dignidade da pobre alma que estarão arrastando para chafurdar ao seu lado no lamaçal da própria covardia. Pouco se importam com o conflito moral que irão infligir aos próprios filhos caso o inconfessável segredo que carregam venha a ser descoberto.

Quem é mesmo esse garoto? Alguns outros devem estar se perguntando, contrariados. Esse adolescente que tem medo de assumir a própria sexualidade, mas que se acha no direito de apontar o dedo e atirar pedras, ousando censurar, chamar de covardes aqueles que levam a vida como bem entendem? Quem ele pensa que é?

Do alto dos meus 17 anos, mesmo sabendo da possibilidade de muitas experiências que ainda me aguardam pela frente, posso afirmar que não serei um PhD em hipocrisia ou tampouco vou manter uma união por conta da expectativa de amigos e parentes.

Serei um covarde? Um valente? Verdade cada um possui a sua, razão também, como declarou Jorge Amado em Tieta do Agreste. Em comum com todos esses homens, esses espécimes, eu terei apenas um “armário” para me esconder, já que me fecharei em copas a fim de evitar explicações eternas e desnecessárias sobre minha identidade sexual, criando, no frigir dos ovos, namoradas ou relacionamentos fictícios.

Não serei tão diferente de outros adultos que pagam seus impostos, são independentes e inventam histórias para esconderem seus segredos enquanto vivem suas vidas.

Qual será minha válvula de escape? O meu refúgio? As salas de bate papo virtuais, ora bolas. Estarei longe de ser o primeiro ser humano a buscar eternamente nas redes sociais a tal da minha alma gêmea para logo em seguida me deparar com o fantasma da frustração, me lembrando, às gargalhadas, do infinito ciclo de insatisfação e expectativas inatingíveis do qual farei parte.

Talvez não venha a ser uma vida perfeita. Talvez nutrir essa ideologia seja radical demais até mesmo para um adulto de meia idade, quanto mais para um adolescente de 17 anos. Todavia, alguns indivíduos ainda preferem estar sozinhos, pois se sentem bem mais seguros do que estando acompanhados por pessoas que, de uma forma ou de outra, podem feri-los.

Mas daí, quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas, como bem deixou registrado para posteridade o genial Luis Fernando Veríssimo.

Do mesmo modo que fazemos planos para a nossa existência, seja para hoje à tarde, ou amanha; ou para a próxima semana, ou para os próximos anos, também os desfazemos. Por nossa própria vontade, por medo do desconhecido, por mera insegurança. Não importa. Mudanças são necessárias. Algumas das vezes encaradas com resistência, conflitos, ok, mas ainda assim necessárias. Vide os gostos que tínhamos na infância e que se tornaram totalmente sem graça. Porém, planos hermeticamente perfeitos não deveriam sofrer qualquer tipo de alteração que fugisse ao nosso controle.

Sim. Como disse, tenho plena consciência da estrada solitária que irei percorrer ao longo da minha vida e por conta disso já me considerava completamente fora do alcance da mira dos cupidos desvairados com seus arcos e flechas, atirando para todos os lados, e sabe Deus se utilizando algum critério.

Pois bem. Qualquer resquício de dúvidas que ainda poderia ter sobre o senso de direção desses seres mitológicos caiu por terra no instante em que me deparei com a descoberta repentina e absurda, a quase um ano, de que eu estava gostando do Matheus, o meu melhor amigo de infância.

Em que universo, relativamente estável, essa possibilidade insana e improvável poderia se tornar real? Não consegui ate hoje achar uma resposta, uma referencia… Nada.

Por mais que eu busque e rebusque dentro do meu cérebro não consigo encontrar o ponto de partida de toda essa loucura. Em que instante, exatamente, me deixei sucumbir, passando a observar Matheus com outros olhos? Desejando-o a cada segundo do dia e da noite?

Realmente não sei como tudo isso começou, em que momento esse tal cupido, moleque teimoso, cruzou o meu caminho, deixando-me assim, desorientado, fascinado e completamente apaixonado.

 

Joey Graceffa – Don’t Wait

[yotuwp type=”videos” id=”XSXxqCVYI4Y” column=”1″ per_page=”1″ template=”grid” player=”mode=large”]

LEIA MAIS DESTE CONTEÚDO:

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

    • Obrigado Well e agradeço, principalmente, pelo espaço que o Cyber está me permitindo ter.

      Um grande abraço!

  • Eu que tô completamente apaixonada pelo Kadu <3

    Ele é fofo demais, nossa quanto dilema não é menino?! Mas amor sempre deixa a gente confuso, ainda mais quando vem misturado com todos esses dilemas <3

    Parabéns Fran, ótima estreia!!

    PS; Finalmente com tempo para poder comentar 😉

  • Eu que tô completamente apaixonada pelo Kadu <3

    Ele é fofo demais, nossa quanto dilema não é menino?! Mas amor sempre deixa a gente confuso, ainda mais quando vem misturado com todos esses dilemas <3

    Parabéns Fran, ótima estreia!!

    PS; Finalmente com tempo para poder comentar 😉

  • Eu gostei muito desse início com as características de alguns personagens no universo familiar de Kadu. São “pinceladas” que no futuro servirão de alertas no fluxo ‘dramático’ de Kadu.

    Parágrafos muito bem construídos.

  • Eu gostei muito desse início com as características de alguns personagens no universo familiar de Kadu. São “pinceladas” que no futuro servirão de alertas no fluxo ‘dramático’ de Kadu.

    Parágrafos muito bem construídos.

    • Olá Maurício. Grato pela leitura e o comentário (e as observações).

      Um grande abraço.

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

    Você também poderá gostar de ler:

    Você também poderá gostar de ler:

    >
    Rolar para o topo