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EU, KADU – episódio 4: “se meu apartamento falasse…”

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Desconheço o nome da criatura, mas agradeço todos os dias ao arquiteto que idealizou e projetou este edifício por ter colocado um bom isolamento acústico nos apartamentos do condomínio, ajudando a preservar o conforto e a privacidade que precisamos ter diante deste mundo louco onde tudo e todos querem saber o que o vizinho anda fazendo.

Alguns desses indivíduos, que querem saber com quem você se deita, como bem disse Caetano na canção A luz de Tieta, presumo, sejam verdadeiros DESOCUPADOS, pois chegam a deixar a própria vida de lado para observar a do outro, faltando muito pouco para agir como um stalker.

A era “Big Brother” em que vivemos está ai mesmo para não deixar dúvidas do que estou falando. Comprovando, de modo inquestionável, a citação de um provérbio árabe: daí ao tolo mil inteligências, e ele não quererá senão a tua.

Pois bem. Este singelo prefácio, decerto, não foi em vão. Graças a esse gentil homem, a esse arquiteto, a vida privada da minha família está mais que assegurada. Ao menos enquanto estivermos dentro deste apartamento. Ninguém mais é obrigado a testemunhar os espetáculos da prima donna Marcela Albuquerque de Araújo Saldanha, como este, de agora, histriônico além da conta, e com isso ter um prato cheio para fofocas.

Tenho certeza plena e absoluta de que ao colocar os pés na sala vou me deparar com minha mãe discutindo com alguém ao vivo e a cores, ou por telefone, já que nos últimos meses, talvez pelos preparativos do casamento da Maria Clara, tudo vem servindo de motivo para o seu descontrole.

O que antes era uma questão sazonal tornou-se recorrente. Dona Marcela já acorda irritada e com isso, infelizmente, não há como negar que está cada vez mais se deixando absorver pelo mau humor, apatia e agressividade enquanto desempenha seu papel de ser humano.

Até hoje não sei como ainda consegue manter sua popularidade na Higt Society, pois se continuar nessa estrada carregando todos esses espinhos, por mais numeroso que possa ser seu cabide de amigos influentes, vai chegar um momento, em meio a essa febre do politicamente correto, que alguém dará ouvidos às reclamações espalhadas aos quatro ventos de algum ex-funcionário rancoroso que teve a má sorte de trabalhar diretamente com ela.

Como a Sônia, nossa secretária do lar, vem conseguindo se conservar imune convivendo cara a cara com dona Marcela dentro deste apartamento nos últimos vinte anos?

Enfim. Dou de ombros. Não vai adiantar ficar aqui, parado, na entrada deste hall, tentado descobrir o sexo dos anjos. Decido, então, analisar meu entorno, fazendo de conta que estou conhecendo este espaço pela primeira vez e quem sabe assim consiga me distrair até tomar coragem para seguir adiante.

A decoração com cores sóbrias, o mármore em preto e branco do piso, o nicho na parede com um vaso de orquídea branca e o lustre super sofisticado que com suas trocentas lâmpadas deve consumir uma quantidade absurda de energia, não me servem de consolo ou incentivo para tentar alcançar o mínimo que seja de serenidade. Competir com a opulência de dona Marcela, tendo apenas alguns poucos metros quadrados nos separando, é gastar energia à toa. Acredito que nem mesmo estando em algum santuário sagrado no Tibete, a milhares de quilômetros de distância dos seus brados, eu conseguiria atingir qualquer nível de concentração, pois minha mãe usaria a sua habilidade de legilimência para invadir minha mente, assim como Harry Potter faz com Valdemort, por breve períodos de tempo, sem precisar de qualquer nível de proximidade ou contato visual. E  ao contrário do lorde sem coração e sem nariz, não sou, nem de longe, um expert em oclumência.

Encolho os músculos abdominais, trazendo o umbigo mais para dentro, e ergo a cabeça até uma posição que acredito ser favorável para minha boa postura ao mesmo tempo que busco manter os ombros retos e nivelados e respiro fundo, bem fundo, e parto para o campo de batalha.

Vida que segue e cada um com seus problemas.

Talvez eu comece encarar a isso tudo como um resgate espiritual e não precise gastar, no futuro, uma boa parte das minhas possíveis economias deitado sobre um divã tentando compreender os sentimentos conflitantes de um ridículo Complexo de Édipo.

Mal termino de dobrar o corredor em forma de L para chegar à entrada da sala de estar, sou apresentado à imagem de minha irmã, Maria Clara, estatelada sobre o sofá, exibindo um semblante de “sofrência”, daqueles dignos de alguém que voltou de uma guerra duramente travada com um inimigo intergaláctico. Ao seu lado, espalhados pelo chão, um verdadeiro estoque de pacotes e bolsas das mais diversas e famosas grifes existentes no mercado, de Dolce e Gabbana, passando por Lanvin a Christian Dior…

Ah, na outra extremidade da sala, agarrada ao celular, gesticulando e disparando palavras na velocidade da luz, dona Marcela Albuquerque de Araújo Saldanha. E não demoro a descobrir que a desventurada alma do outro lado da linha é Patrícia Bismark, a wedding planner mais requisitada do Brasil e que aceitou o desafio de coplanejar o casamento de Maria Clara ao lado de mammy poderosa, como se ela, Patrícia, não tivesse competência suficiente para fazer isso sozinha. Acredito que se a pobre coitada conseguir sair viva dessa odisseia vai precisar de um bom otorrinolaringologista e um excelente psiquiatra.

Circundo o sofá, que é forrado por um tom de marfim forte, até alcançar a poltrona borgone salmão que fica disposta à frente dele, onde me sento, inspirando e expirando, enérgico, enquanto retiro a mochila do ombro e a coloco no chão, próximo aos meus pés. 

– O que houve por aqui? – indago à Maria Clara, esforçando-me para me fazer ouvir ao posso em que corro os olhos sobre as consequências e os efeitos da bomba atômica lançada sobre o centro da sala de estar.

Depois de alguns segundos, minha irmã apenas move a cabeça na minha direção, e antes mesmo que comece sua narrativa, levanto da poltrona e caio de joelhos ao seu lado, aproximando-me o máximo que posso a fim de não perder nenhum detalhe do que irá me contar.

E vamos lá. 

Nossa mãe a arrastou por horas sem fim num entra e sai de lojas, gastando dinheiro com itens luxuosos e obviamente supérfluos, além de fazê-la cumprimentar, conversar e posar para selfies com diversas pessoas como se fosse uma celebridade. Cabe ressaltar que até o dia de hoje Maria Clara não havia movido um dedo sequer em prol da organização da festa de seu casamento que acontecerá daqui a cinco dias. Aliás, uma postura incompreensível, e em particular, inadmissível para dona Marcela, afinal de contas, a filha de uma socialite tão influente não deveria agir com tanta despretensão e apatia, ainda mais diante de um evento tão colossal como esse, onde usar a própria figura como instrumento de divulgação é mais que oportuno. 

A propósito, Maria Clara sempre teve uma visão bastante peculiar sobre o universo que gira em torno de um cerimonial de casamento. Para ela tudo não passa de uma realização propositadamente ostensiva e burocrática de um mero capricho transformado em um panorama caótico, e dispendioso, que se prolonga por meses nas vidas das pessoas envolvidas, culminando em uma reunião constrangedora entre parentes que já não se veem há tempos.

Há seis meses, no almoço convenientemente coordenado para que o seu noivo Gustavo a pedisse em casamento, ela ousou reforçar essa sua opinião e é óbvio que não preciso dizer o quão infeliz, inapropriada e estranha foi a sua manifestação diante dos parentes e amigos que lá estavam, apesar da maioria deles, de longa data, já conhecer esse seu ponto de vista.

Talvez, quem sabe, estivessem esperançosos de que ela mudasse de opinião quando assumisse, enfim, o papel da protagonista do destemido evento, caindo em si e reconhecendo a importância dessa tradição…

Pois bem. Com um discurso ainda mais inflamado, minha irmã se mostrou resistente, mas não por muito tempo, já que dona Marcela resolveu intervir, completamente encolerizada, transformando Maria Clara em um Davi diante de um Golias arrebatador, jogando por terra todos os seus sólidos argumentos, enfatizando o quão pueris, simplórios, limitados e pseudovanguardistas eles eram. E não parou por aí. Também a tachou de transgressora e menina mimada ao passo que se mostrou surpreendida com a postura da filha, uma mulher de 33 anos, presumidamente adulta, que se deixava influenciar pelo modismo do empoderamento feminino.

Nossa mãe sempre soube enfraquecer qualquer um com sua força motriz. E se uma de suas vítimas for um de seus rebentos, “salve-nos” quem puder. Dona Marcela nunca escondeu seu ponto de vista no que diz respeito ao limite de tolerância que os pais devem ter para com os seus filhos.

Até hoje não me convenci da súbita (e surreal) resignação da Maria Clara. Da estranha passividade que assumiu depois do almoço que oficializou o seu noivado. Compreendo que tentar argumentar com dona Marcela é o mesmo que dar nó em pingo d’água, mas daí passar a enfrentar de maneira bem divertida tudo que diz respeito ao seu casamento, como se fosse uma piada, desistindo de se rebelar, de fazer prevalecer sua opinião, justificando-se com um largo sorriso no rosto de que não adianta desperdiçar energia sabendo que irá morrer na praia, além de bastante controverso é completamente insano.

Sempre me questiono depois dessas suas demonstrações duvidosas de paz de espírito o quão necessário uma pessoa verdadeiramente feliz precisa ficar diante do espelho repetindo para sim mesmo que é feliz.

Carregado da certeza de que vou levar meu plano adiante e me permitir relaxar como um mandrião do Império Otomano, mesmo à frente de todas as diversidades gritantes, me despeço da minha irmã com um beijo em sua testa e ainda de joelhos me apoio no sofá e me viro para apanhar a mochila depositada não muito longe de onde estou. Neste exato momento um silêncio sepulcral recai sobre o recinto, pois dona Marcela terminou sua ligação, e daí, nós dois, eu e Maria Clara, não nos permitimos outra reação senão observá-la enquanto caminha, pisando firme, até o minibar que fica sobre o balcão de travertino, integrado à lareira reformada a poucos meses, no canto oposto à porta de entrada da sala de estar.

Já me questionei diversas vezes sobre se ter uma lareira dentro de casa em pleno Rio de Janeiro, mesmo que a álcool, mas segundo dona Marcela, não há como abrir mão dessa peça que funciona como um indispensável elemento arquitetônico, além da sofisticação que oferece ao ambiente, seja lá o que de fato isso quer dizer.

É por essas e outras que fica impossível descartar a mais remota hipótese de que minha progenitora é a reencarnação da última rainha da dinastia Ptolomaica, a megalômana Cleópatra. E antes que ela comece o seu monólogo histriônico sobre o quão incompetentes são as pessoas que a rodeiam, eu inalo todo o ar que a Atmosfera me consente ao mesmo tempo que me coloco de pé, com minha mochila a tiracolo, já preparado para a trajetória eficaz que completarei até meu quarto enquanto Maria Clara acena com a cabeça dando a entender de que ficará como plateia.

Então, boa sorte!

Entretanto, como um problema nunca vem sozinho, eis que surge, antes mesmo que eu dê meus primeiros passos, adentrando a sala de estar como um foguete de longo alcance, contraindo os lábios, mexendo nos cabelos, contorcendo as mãos e batendo em tudo que encontra pela frente, minha querida e desequilibrada irmãzinha Filipa.

Sem nem pensar duas vezes, Maria Clara dá um salto do sofá e vai ao seu encontro e eu não sei qual a razão, motivo, causa ou o porquê de ela ainda sempre tentar dialogar, consolar e compreender Filipa quando a vê chegar neste estado de completa possessão. Eu já desisti a muito tempo dessa luta: queimar meus preciosos neurônios tentando entender as crises de ciúmes infantis que essa mulher de 26 anos tem pelo noivo. Aliás, algo que beira a patologia.

Dito e feito! Desta vez a enxurrada dramática veio acompanhada de um créme de la créme.

Luciano, seu infeliz noivo, lhe contou que teria quase atropelado uma jovem, e ela, Filipa, no seu mundo de Alice, está apostando todas as fichas que a tal ordinária, denominada vagabunda, se jogou na frente do carro dele, PRO-PO-SI-TA-DA-MEN-TE, por não ter conseguido conter-se ao se deparar com um jovem e lindo endocrinologista ao volante de um Onix Active 1.4 AT, de R$ 67.000,00.

Sim. Filipa faz questão de enfatizar todos estes detalhes comerciais como se fosse uma modelo dentro de uma das melhores propagandas de carros já feito no Brasil.

Seguindo essa lógica de raciocínio absurda, essa mise en scène completamente desvairada, essa moça, a tal vagabunda, que decerto deve ter um nome próprio e família, possivelmente trabalha em uma concessionária de automóveis, onde é a bambambã em relação ao produto que vende, além de possuir uma visão privilegiadíssima, sem falar no dom da vidência ou da adivinhação.

Jesus Cristo, se essa tal moça fez tudo isso usando os seus “superpoderes”, morreu na praia, coitadinha. Em pleno século XXI tentar arranjar um namorado com esse método kamikaze… Meu Deus, Filipa, é muita neura para uma pessoa só. Santo Freud nos salve!

Maria Clara, mesmo depois de ter ouvido toda essa sandice, digna de um vertiginoso dramalhão mexicano, ainda continua tentando colocar panos quentes nessa perturbação de espírito e acaba ouvindo o que não quer. Filipa lhe joga na cara que ela, Maria Clara, está se sentindo demasiado confiante, acreditando que está acima do bem e do mal só por causa do casamento com Gustavo, mas que aliança no dedo não significa segurança alguma diante dessa mulherada solta pelo mundo, um bando de ninfomaníacas, que não respeita ninguém, e que atiram a moral das suas iguais na lama.

É. É isso mesmo. Esse é o agradecimento que Maria Clara recebe de Filipa, nossa irmãzinha do meio, que instigada por sua vaidade e egoísmo, não mede a extensão dos próprios atos, machucando quem estiver por perto. Como sempre.

Cada vez mais me convenço de que vivo em um ambiente insalubre, e hoje, definitivamente, não estou nem um pouco disposto a bater palma para maluco dançar e graças aos céus, depois de um pequeno sacrifício, consigo persuadir Maria Clara a fazer o mesmo. Não posso deixá-la aqui, nesta arena, tentando doutrinar este projeto de leoa que não sabe o quer da vida. Dona Marcela, que está assistindo a tudo enquanto entorna os seus drinques, que segure o rojão, afinal, quem pariu os teus que embale!

Após atravessarmos o corredor que nos leva cada qual ao seu quarto, eu e Maria Clara nos despedimos em completo silêncio, e tão logo termino de bater a porta do meu santuário atrás de mim, arranco o celular do bolso lateral da mochila, jogando-a em seguida sobre a cama, para logo depois, num milésimo de segundo, conferir todas as minhas redes sociais, constatando, indignado, que ninguém no mundo quer notícias minhas.

Mas que merda!

Atiro o celular também sobre a cama e sem pestanejar me sento à escrivaninha e ligo o laptop, conectando a internet sem demora, e daí começo a buscar, num frenesi alucinado, o cardápio dos sites de paquera e salas de bate-papo gays para mergulhar num universo onde poderei conhecer um montão de gente sem a obrigação de ser amigo de ninguém. Onde poderei ser o que quiser e assumir qualquer identidade e onde, claro, quase cem por cento do tempo só falarei apenas sobre sexo com meus contatos online.

Exigir algo diferente disso é total perda de tempo, mas quem disse que estou buscando uma pessoa fascinante e incrível que saiba, ou melhor, esteja disposta a conversar sobre filmes, músicas, livros ou peças de teatro? Só se eu quiser ficar no vácuo, e isso já estou recebendo o suficiente por parte do Matheus.

Uma sombra da minha dor de cabeça ainda persiste, mas eu a ignoro, já que a adrenalina que me aguarda vai expurgá-la para bem longe…

Com um dos meus nicks preferidos, lekprocura, mergulho na imensidão do deserto vulcânico da web e, após três segundos numa sala de bate papo, já estou sendo abordado por cinco internautas diferentes e nem mesmo terminei de colocar os meus fones de ouvido.

A noite promete!

*   *   *

“Sim, eu amo um homem. E sei que você não pode suportar. Mas é assim. Não é uma questão de ser gay ou não. É apenas uma questão de amor”.

É armado com este único argumento que Laurent, o jovem protagonista do filme Apenas uma questão de amor, tenta, na cena final, começar a minar o irredutível preconceito de seu pai, e, convenhamos, guardadas as devidas e muitas proporções, não tive como não me identificar com o problema que o lindinho do Laurent enfrenta.

Ele é um rapaz de 23 anos que vive um namoro de fachada com a melhor amiga. Ok. Ainda não cheguei na casa dos 20, tampouco tenho uma melhor amiga que possa ser minha girlfriend de ocasião. Mas a questão que quero pontuar diz respeito à similaridade da sensação de desespero. Laurent faz tudo isso para evitar que seus homofóbicos pais descubram sua sexualidade, e as coisas que pareciam já bem difíceis, ficam ainda mais complicadas quando ele se apaixona por um homem maduro e bem resolvido e que está à procura de alguém com quem possa ter uma relação honesta e verdadeira, longe de segredos e mentiras…

Acabei de assistir a essa produção francesa aqui no meu quarto. Claro, tomando todos os cuidados possíveis e imagináveis para não ser surpreendido. Não que o filme seja repleto de cenas eróticas ou recheado de conotações sexuais deixadas pelo meio do caminho em detrimento à história, como uma espécie de pornô light com trama frouxa e atuações sem talento que só existe em função de sua bilheteria. Mas acontecem alguns beijos entre Laurent e o homem com quem ele começa a se relacionar, e também um ou dois takes sugerindo relação sexual entre os dois…

Dominar várias telas no meu note a fim de camuflar salas de bate papo e sites pornôs, é uma coisa, mas manipular na semiescuridão o controle remoto de uma TV plasma na qual dois homens estão em cena se beijando ou trocando carícias em uma tela plana de 42 polegadas, onde as imagens parecem quadros prontos para pendurar na parede, é um tanto complexo, por mais idiota que isso possa parecer, acreditem.

E eu de-tes-to ver filmes ou minhas séries no laptop ou no celular.

Em suma. Todo este malabarismo porque são três da manhã e dona Marcela, que sofre da “síndrome de walking dead” somada à prerrogativa de seu Green Card materno, invade todo e qualquer cômodo do apartamento sem qualquer restrição. Não existem portas trancadas para ela, e supondo que as encontre, e no meu caso especificadamente, irá me submeter a um interrogatório de deixar qualquer Tribunal do Júri esgotado. É um paradoxo interessante esse policiamento noturno considerando a falta de diálogos que temos dentro da nossa relação parental.

Como se já não bastasse todas as sequelas que os preparativos do casamento da Maria Clara estão causando em minha mãe devido à sua ensandecida dedicação para que nada, exatamente nada dê errado, cada um dos habitantes deste apartamento ainda está precisando conviver com a sua transformação em uma noctivaga de carteirinha; e eu, decerto, não vou sair no meio dessa tempestade, pois não sou louco de contar com a sorte, afinal, até explicar, ou no meu caso literalmente tentar convencer, que focinho de porco não é tomada, estarei sendo deportado pra Sibéria.

Imagina dona Marcela descobrir que seu filho é gay?

Para ela deveria ser simples, agindo inclusive com menos estranheza, pois está mais que acostumada com esse universo, até porque tem muitos amigos nessa condição. Não sei bem se devo usar o termo condição… mas longe dos holofotes a socialite Marcela Albuquerque de Araújo Saldanha é preconceituosa e vive disparando comentários pejorativos onde reduz os homossexuais à forma de inferioridade e anormalidade. E com isso eu não tenho dúvidas de que ela não suportaria outro “exemplar” dentro de sua família, pois já deu provas de sua intolerância a esse respeito quando ajudou a ignorar seu próprio irmão, covardemente execrado pelos meus avós ao se revelar homossexual, morrendo sozinho, desamparado, algumas semanas antes do meu nascimento.

Nenhum parente sequer jamais tocou nessa parte da história. Como se a simples menção da existência desse tio fosse um sacrilégio, entretanto, uma vez, a madrinha do Matheus, sabe-se lá por que, me contou tudo isso, ainda que de uma maneira bastante superficial, e que ele, esse meu tio, na verdade se suicidou depois de ter descoberto que havia sido contaminado com o vírus HIV. Algo contraditório, acredito, uma vez que há dezessete anos no Brasil já existia, e até mesmo antes disso, tratamento e medicamentos antiaids.

Agora, aqui, deitado, vislumbrando a escuridão plena e absoluta do meu quarto, percebo o quão diferente poderia ter sido minha vida se esse tio estivesse vivo. Possivelmente eu teria tido uma espécie de mentor, um amigo com quem conversar sobre a minha sexualidade e talvez não me sentisse tão desolado e nem escolhesse os caminhos tortos dos quais acabei me arrependendo. Escolhas não são fáceis e arcar com suas consequências não é algo muito agradável, ainda mais quando você se descobre de verdade e sabe que o mundo ao redor não te aceita, pelo menos não de forma igualitária. 

Com certeza o meu tio não teria acreditado na aparente segurança e determinação que, todavia, me carrega de volta para um poço de incertezas depois das horas que passo em frente ao meu note, sempre às sombras, com um olhar perdido, como se tivesse vergonha de mim mesmo enquanto mantenho conversas picantes com vários homens mais velhos e os assisto tirando a roupa do outro lado da tela.

Tampouco não deixaria que eu me aproximasse do futuro cunhado da minha irmã e aprendesse, aos quinze anos de idade, coisas que nem sequer desconfiava que dois homens pudessem praticar juntos em uma cama e muito menos que eu me permitisse, num atormentado silêncio, ser descartado como um trapo velho, uma experiência frívola, inteiramente sem importância.

Talvez ele tivesse notado o meu desejo desesperado de me conectar a alguém, ou talvez não…

Inspiro e expiro ao mesmo tempo que me remexo sobre a cama sentindo o lençol e o edredom engalfinhando-se sob o meu corpo.

Será que ele, o meu tio, se arrependeu por ter exposto sua orientação sexual? Será que ele conseguiu amar alguém e foi correspondido ou viveu uma busca alucinada ao passo que tentava entender a complexidade mítica do “amor romântico”?

Gostaria de ter ouvido a sua opinião a respeito do que sinto por Matheus, sobre esse misto de felicidade e dor, prazer e agonia e quem sabe, assim, eu recebesse um conselho que me fizesse enxergar o quão idiota e patético estou sendo enquanto imploro em silêncio por um amor que nunca será correspondido. Que eu devo aceitar que não tenho o menor controle sobre isso e que o universo onde habitam os corações partidos tem o seu próprio ritmo.

Gostaria de lhe ter perguntado se é possível amar alguém até a morte. Até o abandono de si mesmo.

Volto a me revirar sobre a cama. Aflição e desespero tomam conta de mim, um resultado direto da sufocante sensação de impotência e covardia por estar aqui, inteiramente esmagado, aguardando, inerte, Matheus dar notícias, lembrar que eu existo. Não é justo. Eu não mereço ficar com o coração inchado de tanto amor, sem saliva, sem ar, sem vida, me sentindo ridículo por trasbordar de esperança supondo que de uma hora para outra receberei um olhar de devoção de Matheus.

Sinceramente não sei qual dos dois alimentar: o meu amor ou a minha revolta.

De supetão, me inclino, e apoiando o corpo sobre o braço direito tomo a direção do criado mundo e, ao alcançá-lo, vou apalpando sua sólida superfície até encontrar o meu celular, que não demoro muito para trazer até poucos centímetros diante do meu rosto, ao passo que me deixo cair novamente estirado sobre o lençol e o edredom enquanto a luz que emana do visor do aparelho despedaça um pouco do breu que me envolve. Três e meia da manhã, consigo enxergar, mesmo com a visão parcialmente embaçada, pois estou com preguiça de procurar meus óculos.

Enfim, não me surpreendo com o que encontro, ou melhor, com o que não encontro. Nenhuma mensagem do infeliz do Matheus, concluo arrasado depois de verificar o Whatsapp, mas ainda assim, não me dando por vencido, acesso o facebook e sem paciência para aguardar sua atualização, salto para o instagram, twitter e até mesmo o youtube na esperança de obter qualquer notícia do meu amigo.

Preciso dormir, e carregado dessa convicção deixo o celular cair ao meu lado e em seguida também os meus braços, completamente abertos, e daí fecho os olhos, e como não podia ser diferente, apesar de todo o esforço, o rosto de Matheus é a única coisa que consigo “ver” e então abro os olhos, recolho os braços e fico rolando de um lado para o outro, indignado, até que um rompante insano dentro do estômago me obriga a considerar a hipótese de assaltar a geladeira.

Três, dois, um. Três, dois, um.

No intuito de tentar reconquistar o equilíbrio que está me abandonando aos poucos, paro por um instante o sistema de rotação descontrolado do meu universo particular e sento sobre a cama e abraço minhas pernas utilizando-me de uma força extrema enquanto as enlaço no intuito de impedir que “saiam correndo” sem minha autorização, e, sem demora, me curvo para frente até fazer com que o queixo atinja meus joelhos.

Lidar com a compulsão está ficando cada vez mais difícil. Já estou cansado de comprar futilidades, comer sem limites, perder o sono, ficar fora de órbita… Como Deus pode permitir que um músculo que não chega ao tamanho de um punho de um homem adulto e que não pesa mais que 400 gramas, tenha tanto poder sobre a mais complexa organização de matéria que se conhece, transformando-nos em verdadeiros patetas?

Um estudo de alguns anos atrás, realizado na Suíça, mostrou que os efeitos da paixão em adolescentes sãos os mesmo de uma síndrome chamada hipomania, que é considerada o primeiro estágio do distúrbio bipolar ou variação de humor. E a famigerada ciência também já provou que o amor, independente da idade, age no cérebro como uma droga, pois quando estamos apaixonados o mesmo sistema neural ligado ao vício em cocaína é ativado, causando a sensação de euforia, isso sem falar que nosso poder de concentração cai drasticamente e nos tornamos mais lentos e “cegos”…

Bem, diante desse diagnóstico, não há como negar que estou na merda e que necessito urgentemente de uma “clínica de reabilitação”, de um neuro e de um oftalmologista e também de uma intervenção idêntica a que a Kate Winslet se submeteu em Brilho eterno de uma mente sem lembranças para esquecer de vez o personagem de Jim Carrey. Um tratamento experimental que retirou de sua memória os momentos vividos com ele após se ver diante do incontestável fracasso que foi o relacionamento entre ambos.

Por que não paro de pensar em tudo isso? Estou me tornado um verdadeiro filósofo de botequim, e essa linha de raciocínio pragmática e pessimista não vai me levar a lugar algum além de fazer minha cabeça mergulhar ainda mais para dentro do caldeirão efervescente que está cozinhando todos os meus neurônios. Seria tão bom acordar daqui a pouco e toda esta confusão não ter passado de um mero pesadelo.

Desenlaço minhas pernas e jogo-me para trás, caindo bruscamente de costas em cima do colchão, já me preparando para dar inicio a mais um tour sobre a cama, porém o atrito entre o telefone e o meu ombro direito me faz estacionar de imediato e daí trato de recolher o aparelho, aproximando-o novamente do meu rosto, mas decidido a não buscar qualquer rastro de Matheus…

Então tá!

Não consigo.

É mais forte do que eu.

Em questão de segundos, acesso o famigerado facebook, que graças aos anjos está atualizado, e daí busco a página do perfil do meu melhor amigo e começo por conferir suas publicações e também suas curtidas nas fotos de várias meninas e elas nas dele.

Um bando de vagabundas e ordinárias, isso sim.

Uma vontade absurda de chorar atravessa meu peito e sobe para minha garganta tão rápido como aqueles carros enlouquecidos em Velozes e Furiosos, contudo, não vou me esvair em lágrimas por causa do Matheus e seu séquito de vagabas. Não mesmo.

Fecho os olhos, jogo o celular para o lado e respiro fundo e forço um sorriso ao mesmo tempo que belisco o meu braço esquerdo, mordo minhas bochechas por dentro e por fim aperto a palma da minha mão com a unha, mas infelizmente nenhuma desses acrobacias surte efeito.

O recalque, o ciúme, a sensação de incapacidade, a dor… não consigo subjugá-los e não me resta alternativa senão abrir os olhos e deixar as lágrimas brotarem e com elas a esperança de que o estresse, a mágoa e a decepção que o meu corpo está carregando, seja expulso para muito, muito longe.

Volto para o lado aonde deixei meu telefone cair, e depois de pousá-lo mais uma vez diante do rosto, acesso a tela do Whatsapp e a fico contemplando ao passo que busco me convencer do quão infantil estarei sendo, colocando os pés pelas mãos ao enviar uma mensagem para o Matheus.

Se ele se isolou, se ele quer distância, eu preciso e devo respeitar isso, mas até quando?

Inspiro e expiro uma, duas, três, quatro, cinco vezes enquanto tento pensar em algo completamente diverso, enquanto tento encontrar dentro da bagunça da minha mente alguma lembrança que possa transformar Matheus em um monstro odioso, mas a incontrolável e desgraçada vontade não passa, convertendo todos os meus esforços em vão. Infelizmente os instintos são mais fortes, puta que pariu…

 

Avisa quando você estiver de volta ao planeta Terra…

se isso não for muito incômodo, claro.

 

Leio umas trocentas vezes a mensagem que acabo de escrever antes de enviá-la para Matheus e ao tempo que vou enxugando a face molhada pelas lágrimas e lidando com o funga funga irritante no meu nariz, fixo com extrema obstinação a superfície fluorescente do celular ante os meus olhos para constatar que de fato ela foi entregue.

Sei que Matheus não vai visualizá-la agora. Deve estar no décimo quinto sono. Mas bem que ele poderia acordar, assim, de repente, e olhar para o telefone e ficar preocupado ao se deparar…

CHEGA!

Atiro o aparelho para um canto da cama e me viro para o outro lado e aperto os olhos já me sentindo completamente arrependido, entretanto, não vou apagar o que escrevi, não vou, e para não restar qualquer sombra de dúvida de que estou tranquilo com minha consciência, irei dormir e aproveitar o tempo que me resta para descansar. Além do mais, eu terei uma prova amanhã de manhã, ou daqui a pouco, sei lá, depende do ponto de vista.

Ok…

Agora só falta convencer o meu cérebro a não me deixar cada vez mais frustrado e imensamente desesperado diante dos minutos que estão passando e a hora de levantar ficando próxima.

Saco!

Volto-me para a direção do teto e já com os olhos bem abertos fito novamente a escuridão e com ela as imagens de Matheus espalhadas por todos os lugares, assim como seu cheiro e seu sorriso, enquanto um desejo irritado me consome ao mesmo tempo que tento ignorar a excitação que se embrenha entre as minhas pernas, deixando-me um tanto desconfortável dentro da samba canção que estou usando.

Não vou dar esse “prêmio” ao Matheus. Não vou. Ele não merece…

Com a respiração ofegante, luto bravamente, mas não consigo e daí meus dedos nervosos começam a passear sobre o tecido da samba canção e acabo cedendo à súbita sensação de imaginar Matheus com o torso nu, envolto tão somente em uma toalha lhe tapando a virilha e caminhando sem pressa diante de mim, como se estivesse em uma passarela, desfilando com seu corpo perfeito, sua pele clara e sorrindo com as covinhas se formando em suas bochechas…

Um gemido profundo escapa da minha garganta. Não estou conseguindo controlar minha mão. Ela avança impaciente para dentro da samba canção e durante seus movimentos rápidos olho para frente e volto a visualizar Matheus, agora parado, ao pé da cama, me afrontando com um semblante de moleque safado e com várias garotas ao seu lado.

Raiva, muita raiva e também frustração tomam conta de todo o meu corpo, porém, não consigo parar e então fecho os olhos e idealizo situações envolvendo prazer e luxúria entre rostos e corpos anônimos, mas é impossível ir adiante, pois, apesar do imenso esforço que faço, cada um deles, desses corpos, desses rostos, acaba se transformando em Matheus…

Merda, se não posso tê-lo, porque continuar me alimentando com tudo isso?

Respiro um tanto sôfrego e abro os olhos ao passo que tento controlar as ondulações do meu peito enquanto me deparo com a figura de Matheus, agora solitária, mas ainda parada diante de mim, tendo apenas alguns poucos centímetros nos separando. A imagem me encara, firme, do alto, mantendo uma fisionomia completamente intransponível, até que se abaixa, sem pressa, alcançando a altura do meu rosto, para, então, sem qualquer aviso prévio, me beijar, e eu, mesmo tendo desejado tudo isso, me retraio e faço menção em afastá-la, porém Matheus, parecendo tão real, não permite e aperta com uma força absurda os meus dois braços, impedindo-me de seguir adiante e quando vou tentar argumentar, ele ordena, sem titubear, para que eu tire a samba canção.

Mesmo procurando me convencer de que estou em meio a um devaneio sem qualquer sentido, não sou capaz de desobedecer e depois que tenho os meus braços libertos, mal chego a arrastar a samba canção até próximo aos joelhos e sou surpreendido com a arrebatadora aproximação de Matheus sobre o meu pau colocando-o inteiro na boca, me deixando completamente duro à medida que um arrepio percorre o meu corpo, um arrepio muito, muito diferente daqueles que senti, ou pensei ter sentido enquanto estava na cama com Gabriel, ou quando tive minhas outras três experiências sexuais com completos estranhos que conheci na internet…

Matheus! Matheus! Você é perfeito!

Agora estamos deitados, nus, nos enroscando. O que é meu é dele, o que é dele é meu, tal qual Élio e Oliver em Me chame pelo seu nome. Nossas bocas passeiam por toda parte de nossos corpos até que Matheus, em questão de segundos, se projeta, estacionando sobre o meu tórax com as pernas dobradas, apoiando-as uma de cada lado sobre a cama…

Matheus! Matheus! Matheus…

Tento segurar a respiração e também meus movimentos, mas meus músculos se contraem e não demoro a ser tomado por uma sensação de felicidade e alívio ímpares depois que me permito gozar, arremessando, por fim, para muito, muito longe, o estresse e a ansiedade…

Um cansaço, uma exaustão absurda, desestabiliza todo o meu corpo e eu tiro a mão de dentro da samba canção, limpando-a logo em seguida no lençol, de qualquer maneira, enquanto sinto nojo e culpa de mim mesmo.

Sim. Estou cansado. Muito cansado e mal tenho forças para erguer a cabeça a fim de averiguar se o meu quarto permanece na total escuridão e se a porta continua fechada. Mas está tudo bem. Pelo jeito dona Marcela deixou de lado a sua blitz, graças aos anjos, ou melhor, graças ao ataque de pelanca da Filipa, que lhe deve ter sugado toda energia…

Deixo a cabeça cair sobre o travesseiro…

Estou cansado muita coisa…

Minhas pálpebras estão ficando cada vez mais pesadas…

Viro para o lado… Um sono… Reparador…

Eu te amo Matheus… Eu te amo!

The Cure – Lady Gaga

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  • Kadu definitivamente não se sente bem na sua própria casa “Cada vez mais me convenço de que vivo em um ambiente insalubre”. Essa estrutura familiar pra ele é um incômodo. Rejeitado, ele procura refúgio nas salas de bate-papo. Sinto que nosso herói vai começar a dar alguns passos pra sair dessa zona de aflição.
    – Eu achei o episódio bom!
    – Sugestão: Descrição com ação, acho que deixa o texto mais fluido (mas, é um detalhe, nada que comprometa a leitura).
    O resto tá excelente.

  • Obrigado Hugo pela leitura e o comentário. De fato Kadu está bem desconfortável dentro dessa família, mas será que ele também esta fazendo alguma coisa para mudar? Bem, talvez como todo adolescente, ou em sua maioria, ainda não conseguiu encontrar “o seu próprio” mundo e esteja buscando apoio nos mais próximos, o que é natural… Enfim, e´tanta coisa acontecendo ao seu redor, não é mesmo?

    Grande abraço.

  • E quando se falam que cada um é uma ilha no mar de pessoas é o que ocorre com você Kadu. Amor platônico é uma M****, mas enfim… Matheus deve está passando por algo, sabe-se lá… mas calma pq eu creio que ele sempre volta.

    Que família! Oca e vazia.

    E a internet é terra de ninguém, às vezes uso para rota de fuga, mas não esqueça que vc é vc Kadu.

    Ótimo texto amigo parabéns <3

    • A amiga consolando o Kaduzinho… Amo esse seu jeito de se colocar nos comentários…

      Também acho que o Kadu esta meio perdido dentro dessa família, mas já parou pra pensar que muitos adolescentes, infelizmente, convivem com esse mesmo “abandono” dentro de seus lares? E não é algo do que se orgulhar, com certeza…

      Quanto à “fuga” para a internet, nas condições do nosso amado Kadu, que, pelo jeito, está buscando algo mais do que isso, pode ser um tanto perigoso, não?

      kkkkk

      Apenas divagando com a Sra, Isa sobre o nosso “Menino”.

      Muito obrigado amiga pelo seu apoio e participação. Um grande beijo

      • Eu interajo com meu fofo <3 Tbm acho perigoso essa treta de internet como rota de fuga =.=
        Pse amigo, adolescentes são meios esquecidos no mundo de hoje, pais acham que deixar eles ali com tranqueiras tecnológicas e pronto se vira ai está resolvido o problema. Acho que piora, enfim …

        Aguardando novo capitulo para dialogar com o Kadu <3

  • E quando se falam que cada um é uma ilha no mar de pessoas é o que ocorre com você Kadu. Amor platônico é uma M****, mas enfim… Matheus deve está passando por algo, sabe-se lá… mas calma pq eu creio que ele sempre volta.

    Que família! Oca e vazia.

    E a internet é terra de ninguém, às vezes uso para rota de fuga, mas não esqueça que vc é vc Kadu.

    Ótimo texto amigo parabéns <3

    • A amiga consolando o Kaduzinho… Amo esse seu jeito de se colocar nos comentários…

      Também acho que o Kadu esta meio perdido dentro dessa família, mas já parou pra pensar que muitos adolescentes, infelizmente, convivem com esse mesmo “abandono” dentro de seus lares? E não é algo do que se orgulhar, com certeza…

      Quanto à “fuga” para a internet, nas condições do nosso amado Kadu, que, pelo jeito, está buscando algo mais do que isso, pode ser um tanto perigoso, não?

      kkkkk

      Apenas divagando com a Sra, Isa sobre o nosso “Menino”.

      Muito obrigado amiga pelo seu apoio e participação. Um grande beijo

      • Eu interajo com meu fofo <3 Tbm acho perigoso essa treta de internet como rota de fuga =.=
        Pse amigo, adolescentes são meios esquecidos no mundo de hoje, pais acham que deixar eles ali com tranqueiras tecnológicas e pronto se vira ai está resolvido o problema. Acho que piora, enfim …

        Aguardando novo capitulo para dialogar com o Kadu <3

  • Kadu definitivamente não se sente bem na sua própria casa “Cada vez mais me convenço de que vivo em um ambiente insalubre”. Essa estrutura familiar pra ele é um incômodo. Rejeitado, ele procura refúgio nas salas de bate-papo. Sinto que nosso herói vai começar a dar alguns passos pra sair dessa zona de aflição.
    – Eu achei o episódio bom!
    – Sugestão: Descrição com ação, acho que deixa o texto mais fluido (mas, é um detalhe, nada que comprometa a leitura).
    O resto tá excelente.

  • Obrigado Hugo pela leitura e o comentário. De fato Kadu está bem desconfortável dentro dessa família, mas será que ele também esta fazendo alguma coisa para mudar? Bem, talvez como todo adolescente, ou em sua maioria, ainda não conseguiu encontrar “o seu próprio” mundo e esteja buscando apoio nos mais próximos, o que é natural… Enfim, e´tanta coisa acontecendo ao seu redor, não é mesmo?

    Grande abraço.

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