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Costumamos dizer que nem tudo na vida é um mar de rosas. Essa é uma das poucas certezas que temos na vida além da própria morte. Acreditamos que tudo, exatamente tudo vai dar certo ou que vai sair exatamente como planejamos. Mas nós sabemos que as coisas não funcionam assim, sabemos que há um preço a ser pago.

Uma vida por outra vida, olho por olho e dente por dente. Desde os tempos bíblicos e até hoje, vivemos em um outro tipo de loop temporal. O loop do egoísmo, o loop da maldade, o loop da soberba, o loop de “a grama do vizinho é mais verde que a minha, então vou tirar dele”.

Assim é a vida. E enquanto estivermos neste planeta, isso vai se repetir milhares e milhares de vezes, não importa o ano, a frequência ou a intensidade, alguém sempre sairá machucado, sempre sairá.

A noite do dia 09 de Outubro de 1998 poderá marcar as vidas daquelas pessoas. Entre essas vidas, Angélica está presente. Qual o seu destino agora que tudo estava prestes a se acertar? Estaria ela caminhando para… A sua própria morte?

CORREDOR DO 2ª ANDAR, 09 DE OUTUBRO DE 1998, 21H47.

Angélica está passando pelo corredor pra ir até o seu quarto, ela está andando despreocupada até que ouve um tiro. Após o tiro, uma gritaria no andar de cima começa.

— Meu Deus, o que foi isso?

O verdadeiro jogo da sobrevivência começará agora.


OPENING:

 

 



                  EPISÓDIO 5:

               CONTRATEMPO


 

QUARTO 33, 09 DE OUTUBRO DE 1998- 7 MINUTOS ANTES.

Aquele casal continua a conversar no quarto com muita impaciência.

— Você já terminou com ele há muito tempo, por que ele ainda tá atrás de você?

— Não o conhece, ele é um homem ciumento e furioso.

— Eu não acredito que isso está acontecendo.

O elevador para no 3º andar, o homem sai de lá com o olhar furioso e está segurando firmemente sua arma. Dentro do quarto, a tensão continua.

— Coloca as tuas coisas dentro da mala, vamos sair logo daqui!

— Tá bom.

Mas antes deles tentarem qualquer coisa, o homem chega na porta e a arromba sem fazer o mínimo de esforço.

— Ahh! Antonio, calma!

— Encontrei vocês, caralho!

— Calma, irmão! Abaixa essa arma, vamos conversar.

— CALMA O QUÊ? HEIN? VOCÊ ROUBOU A MINHA MULHER!

— Eu não roubei ela de você! Vocês terminaram há mais de 1 ano!

— Por favor, Antônio! Abaixa essa arma, eu te imploro!

— Você é uma vadia, Mônica! E eu vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.

— Não, Antônio, por favor, não…

Ele ignora e atira no namorado dela.

— Ahhh!! Nãaao!!

No andar de baixo, Angélica ouve o disparo e os gritos de Mônica.

— Meu Deus, o que foi isso?

No quarto 33, Mônica está encurralada.

— Não, por favor! Por favor!

— Viu o que acontece com quem me abandona, vadia? Se você não vai ser minha, não será de mais ninguém.

Antônio friamente atira na cabeça de Mônica. Ele sorri diabolicamente, pega a arma e lambe o cano dela de maneira escrota. Ele ouve os gritos dos moradores e sai na porta. Ele recarrega a arma, beija a ponta dela mais uma vez e diz:

— Não vou pra cadeia. Antes disso mato qualquer um que estiver na minha frente.

Antônio vai andando pelo corredor, ele vê algumas pessoas passando por ali e não hesita em começar a atirar nelas. Outras pessoas começam a aparecer na porta dos quartos e o homem continua a atirar nelas não importando quem seja.

Na recepção, Hilbert está desesperado, até que finalmente os seguranças chegam.

— Depressa! Ouvimos tiros de lá de cima, precisam deter este homem.

Os guardas armados correm imediatamente para o andar de cima.

Angélica está correndo para descer e casualmente encontra Esther.

— Ana?

— Esther? O que você tá fazendo aqui? Por que não foi pra casa?

— Eu durmo aqui a semana inteira.

— Essa não!

Os disparos estão mais próximos delas.

— Ah, merda! Vamos correr!

Angélica pega na mão de sua mãe (jovem) e começa a correr pelo corredor, elas param de frente para o elevador e tenta chamá-lo.

De repente, Antônio desce para o segundo andar e vê as duas de frente ao elevador.

— Ana! Ele tá aqui!

— Droga! Chega logo, elevador!

Quando a porta do elevador abre, o homem atira e acerta na perna de Esther.

— Aaaaahh!!

— Mamãe!!

Angélica segura Esther no colo e tenta arrastá-la pra dentro do elevador.

— Vocês não vão escapar, suas putinhas!

Angélica desesperada tenta fechar o elevador a qualquer custo.

— Ahh fecha, porra! Fecha!

Antônio se aproxima do elevador. Quando está prestes a atirar, Angélica e Esther gritam e a porta fecha, por sorte o disparo não as acerta, mas ele não está com cara que vai desistir tão cedo.

REFEITÓRIO DO HOTEL HILBERT, 09 DE OUTUBRO DE 2023, 22H18.

Todos estão ali completamente atônitos diante do que pode acontecer com Angélica no passado. Daniela está tentando ligar pra ela a qualquer custo.

— Meu Deus! Atende, Angélica! Por favor, atende!

— Por que ela não tá atendendo dessa vez?

— Eu não sei, merda! Eu não sei!

— O que a gente faz? Temos que ir pra lá! Temos que salvar a Angélica!

Samuel diz:

— Salvar ela? Como? Não podemos ir para o passado!

Hilbert chega ao refeitório e percebe a discussão exaltada de todos.

— Pessoal, o que tá acontecendo? Por que estão falando tão alto?

A enfermeira Deise olha pra ele com a voz embargada e pergunta:

— Você se lembra que dia é hoje?

— Sim, 09 de Outubro.

— Exatamente, Sr. Hilbert. O que aconteceu em 09 de Outubro de 1998 neste mesmo hotel?

Hilbert fica paralisado.

— Ai, meu Deus! O… O atirador.

Adrian pergunta:

— Quê? Que atirador?

— A amiga de vocês… Ela tá correndo risco de vida.

Samuel também se exalta:

— A gente tem que tirar a Angélica daquele lugar!

Adrian puxa Hilbert pelo colarinho da camisa.

— Onde tá o Denis?

— Eu… Eu não sei.

— Ele disse que ia buscar a Angélica em 98! AQUELE FILHO DA PUTA ENGANOU A GENTE!

Daniela já extremamente nervosa exclama:

— QUÊ? EU JÁ PERDI A MINHA AMIGA UMA VEZ E NÃO VOU PERDER DE NOVO!

Deise tenta contornar a situação.

— Calma, calma, gente! Sr. Hilbert, consegue entrar em contato com esse moço?

— Ele é de 2044, Deise. Não posso falar com ele.

Daniela questiona:

— E as ligações? Eu consegui falar com a Angélica no passado através do telefonema.

Adrian completa:

— É, e você tem o número dele, liga pra ele.

— Tudo bem, farei isso. (Ele pega o celular no bolso)Droga! Sem bateria.

— Tá brincando, senhor Hilbert?

— Esperem, eu anotei o número dele no computador do balcão, vou ligar do telefone de lá. Me esperem aqui!

Hilbert tenta ir o mais rápido possível para a recepção. Adrian fica furioso.

— O miserável só usou a gente! Ele disse que ia voltar pra buscar a Angélica em 98 antes que… Antes que…

Daniela, impaciente, pergunta:

— Antes o quê, Adrian?

— Caralho… Vai ser nessa madrugada.

Samuel pergunta:

— O que vai ser nessa madrugada?

— O… O terremoto.

Daniela, Deise e Samuel reagem de maneira unânime:

— TERREMOTO?


TÉRREO DO HOTEL HILBERT, 09 DE OUTUBRO DE 1998- 2 HORAS PARA O TERREMOTO EM 2023.

Angélica está tentando levar Esther que se encontra ferida até a enfermaria.

— Ai, ai tá doendo!

— Calma, calma! Vai ficar tudo bem, eu prometo!

Deise aparece no final do corredor.

— Angélica? O que tá acontecendo? Estão evacuando o prédio… Ai meu Deus, Esther?

— Por favor, precisa ajudar ela, por favor!

— Es… Espera… Angélica? Por que ela te chamou de Angélica?

— É uma longa história, Esther. Precisamos cuidar desse ferimento de bala.

Deise e Angélica levam Esther para a enfermaria. Lá em cima, Antônio continua tocando o terror, e ele está disposto a fazer mais vítimas.

Ele arromba a porta de um dos quartos no primeiro andar, rende uma família e mata todos eles, em seguida ele volta para o corredor. Os guardas chegam.

— PARADO!

Antônio atira em um deles, a porta do elevador está se abrindo, ele imediatamente entra e atira no homem que está lá dentro.

Os outros guardas tentam persegui-lo.

— Merda, merda! Pela escada! Bora, bora, bora!

RECEPÇÃO DO HOTEL HILBERT, 09 DE OUTUBRO DE 2023, 2 HORAS PARA O TERREMOTO.

Hilbert está procurando o número do Denis do futuro que ele havia anotado em algum lugar. Ele consegue encontrar e tenta na sorte vê se consegue se comunicar com ele mesmo estando no futuro.

BR 267- 09 DE OUTUBRO DE 2044, 22H22.

Denis se encontra em um posto de gasolina abastecendo o carro. Seu celular toca, ele vê no visor que se trata do senhor Hilbert ligando pra ele do passado, ele ignora a ligação e desliga o celular.

— Sinto muito, senhor Hilbert. Mas isso precisa acontecer.

Na recepção do hotel em 2023, Hilbert está impaciente por perceber que não consegue entrar em contato com ele.

— Por que não tá funcionando? O que o Denis não me contou pra isso tudo tá acontecendo?

Enquanto isso, em 98, Antônio fica mais de 1 hora escondido na garagem pra dar tempo da polícia subir e pensar que ele continua lá em cima. Ele parece não ter pressa em querer fazer suas maldades, está completamente disposto a matar quem tiver na sua frente.

SALA DO TEMPO- 09 DE OUTUBRO DE 2044- 2 HORAS PARA O TERREMOTO.

O doutor Hernandez está verificando algumas coisas no computador e recebe uma mensagem de vídeo de Denis.

— Denis, filho. Onde você está?

— Estou no posto de gasolina, daqui a pouco eu estou indo pra lá.

— Por que não contou a verdade para o senhor Hilbert, meu filho?

— Eu não podia, doutor Hernandez. O senhor Hilbert ainda é necessário pra todos nós.

— Então realmente vai acontecer? O terremoto que devastou a cidade em 2023?

— Sim, doutor. Esse fenômeno da natureza não pode ser impedido. Dentro de algumas horas aquele terremoto vai matar todas aquelas pessoas do hotel e eu preciso me certificar que tudo ocorra como é pra ocorrer.

— Tome cuidado, Denis. Não sei, mas… Estou com um mal pressentimento dessa vez, você nunca tentou fazer algo novo pra alterar a linha do tempo.

— É para um bem maior, doutor Hernandez! É o tempo do senhor conseguir descobrir a fonte de energia que deu origem ao buraco de minhoca no quarto 21 e assim podemos destruí-lo no próximo ciclo. Isso tem que acabar, doutor… Tem que acabar.

ENFERMARIA DO HOTEL HILBERT, 09 DE OUTUBRO DE 1998- 1 HORA PARA O TERREMOTO.

Deise está cuidando do ferimento de bala de Esther. Angélica está andando pra um lado e pro outro completamente aflita. Esther sentindo dor observa o estado de Angélica.

— Você… Você me salvou.

— Eu não podia deixar aquele maldito te fazer mal.

— Escuta, na hora que ele atirou em mim, você me chamou de mãe. É a segunda vez que você me chama de mãe.

Deise olha pra Angélica, esta fica com um nó na garganta e depois tenta proferir algumas palavras.

— É que… É que eu…

Ouve-se um disparo.

Deise, preocupada, reage:

— Ouviram isso? Ele tá vindo pra cá! Angélica, tem crianças aqui perto.

— Eu estou ferida, não posso correr assim.

— Calma, calma, vamos dar um jeito. Enfermeira Deise, me ajuda aqui.

Elas tiram Esther da maca, vão saindo dali do local, ouve as pessoas começando a gritar escandalosas. Do lado de fora, Hilbert está tentando auxiliar a saída de todos, mas percebe a ausência de Deise.

— A Deise ainda não saiu. Droga! Alguém precisa tirar ela de lá.

HOTEL HILBERT, QUARTO 16- 09 DE OUTUBRO DE 2023- 30 MINUTOS PARA O TERREMOTO.

Partículas de luz começam a se formar dentro do quarto onde o Denis criança está dormindo, um portal se abre e o Denis adulto chega ali.

Ele vê sua versão criança dormindo tranquilamente e vai até ele, tira o cobertor e o acorda devagar.

— Ei, campeão. Acorda!

— O que… O que foi?

— Precisamos ir.

— Pra aonde?

— Depois eu te conto. Vem.

Denis pega o outro no colo e o deixa embrulhado com o cobertor, ele vai para fora no corredor, olha pelo vão da escada no térreo pra ver se encontra alguém e não vê nada.

Ele desce as escadas com o Denis no colo, vai até o hall de entrada, o senhor Hilbert passa por ali.

— Denis? Onde você esteve? Eu tentei entrar em contato contigo várias vezes.

— Shh, fala baixo! Não dá tempo de explicar, o senhor precisa vir comigo agora.

— O quê? Não, você precisa ir pra 98, precisa salvar a jovem.

— Não, senhor Hilbert! Eu preciso salvar você e o Denis! Vem comigo agora!

— Mas… E o Adrian e os outros?

— Eles virão depois, mas precisa confiar em mim… Se não vier comigo agora, tanto a minha existência quanto a sua será apagada para sempre.

Hilbert sente a pressão que está sob ele e decide atender a ordem de Denis.


ENFERMARIA DO HOTEL HILBERT, 10 DE OUTUBRO DE 1998, 00H -NOITE DO TERREMOTO.

Após horas de terror dentro do hotel, Antônio segue descontrolado e entra na enfermaria procurando por alguém.

— Eu sei que tem alguém aquiii…

Angélica, Esther e Deise estão escondidas atrás de uma pilastra onde ficam algumas macas.

— Apareçam, seus ratos!

Do lado de fora, Hilbert entra correndo novamente pra dentro do hotel, uns guardas tentam impedi-lo, mas ele passa direto por eles.

— Ei, senhor! Não entre!

Hilbert naquela época era muito mais habilidoso, ele não podia deixar que algo acontecesse com as pessoas que ele se importava naquele hotel.

Antônio continua a dar passos lentos procurando por alguém na enfermaria, as moças estão aflitas. Continuam escondidas sabendo que podem ser encontradas a qualquer momento.

É nessa hora que o senhor Hilbert entra na enfermaria.

— Deise! Deise!

Antônio olha pra ele, Hilbert tenta mostrar rendição, as três mulheres escondidas ficam aflitas. Hilbert tenta acalmar o homem.

— Calma, senhor. Por favor, se acalme!

Antônio não dá ouvidos e atira no ombro de Hilbert. Angélica se desespera e no impulso vai até ele.

— Sr. Hilbert!

Angélica pula em cima de Antônio e tenta sufoca-lo.

— Ahh, me solta!

— Seu desgraçado! Deixa a gente em paz!

Hilbert no chão, caído, grita:

— Angélica, cuidado!

Angélica morde o braço de Antônio, este urra de dor e em seguida a arremessa contra o chão e a arma dele cai para o lado. Esther e Deise ficam desesperadas, Hilbert grita:

— Angélica, corre! Corre!

Angélica se levanta rapidamente e corre pra fora da enfermaria. Antônio pega a sua arma no chão e decide ir atrás dela.

— Volta aqui, sua desgraçada! Eu vou te matar!

Angélica corre até o hall de entrada do hotel. Quando está prestes a atravessar as portas, as mesmas se fecham de uma só vez.

— Não, não! Espera! Eu ainda estou aqui!

Angélica fica batendo na porta e os guardas lá fora ficam tentando abrir sem nenhum resultado.

— Me tirem daqui! O criminoso ainda tá aqui dentro!

De repente, o telefone da recepção toca. Angélica se assusta e vai até lá no balcão para atender.

— Alô, socorro! Eu preciso de ajuda, por favor!

— Alô, Angélica?

— Quem tá falando?

— Sou o Denis, estou em 2023. Escuta! Você não conseguiu sair do hotel, não é?

— Como sabe disso?

— Escuta bem, o tempo não vai deixar você sair do hotel, precisa ficar aí pra não alterar a linha do tempo.

— O quê? Do que você tá falando?

— Escuta! Neste momento eu estou no carro juntamente com o Sr. Hilbert daqui e… Bom, depois eu explico, mas preste atenção! Aí já está começando a chover?

— Sim, está trovoando, por quê?

— Ótimo! Preste atenção, eu preciso que você vá até o Quarto 21, o portal vai se abrir daqui há 5 minutos, precisa passar pelo portal pra voltar pra 2023, é tua única chance.

— Mas e o atirador? E todas essas pessoas?

— Não se preocupe, eu já vi o futuro e sei o que vai acontecer. Eu vou salvar você e seus amigos que estão em 2023, mas antes preciso fazer outra coisa, então… Vá depressa!

Ao desligar, Antônio aparece no hall de entrada, Angélica sai do balcão e vai para a frente da porta.

— Espera! Antes de fazer qualquer coisa… Por que isso? Por que tá matando tanta gente inocente?

— Eu preciso de um motivo, moça? Eu fui traído… Nada mais justo que me vingar, não acha?

— Tá, mas de que serviu essa vingança estúpida? A vida de vários inocentes que não tem nada a ver com o chifre que você levou?

— Sua, sua vagabunda! Eu vou te dar uma lição.

Antônio tenta atirar em Angélica, ela fecha os olhos, mas nada sai daquele revólver.

— O quê? Por que não tá funcionando?

Antônio se certifica mais uma vez, a arma ainda está carregada. Ele aponta pra Angélica novamente e dá dois disparos sem nenhum resultado.

— Ah porra!

Angélica entendendo o que está acontecendo, sorri debochadamente e diz:

— Péssimas notícias pra você, garotão. O universo tem outros planos pra mim.

Angélica corre dando a volta por uma das pilastras. Antônio começa a atirar e está disposto a acertá-la.

— Volta aqui, sua estúpida! Volta aqui!

Angélica corre até as escadas, Antônio a persegue e tenta disparar contra ela. Angélica tropeça no último degrau, Antônio a alcança e a puxa pelas pernas escada abaixo.

— Ahh me solta!

— Agora você morre, sua vagabunda!

Antônio agarra Angélica pelo pescoço no degrau da escada e começa a sufoca-la. Ela encontra forças e dá uma cabeçada na testa dele. O homem sente o impacto e cai rolando pelas escadas do térreo.

Angélica não perde tempo e tenta se levantar para ir imediatamente ao 2º andar.

Na enfermaria, Deise está tentando estancar o ferimento de bala no ombro de Hilbert.

— Meu Deus, por que isso tá acontecendo?

— Cadê a Angélica? Aquele assassino foi atrás dela!

Esther ainda em desespero pergunta:

— Espera aí, gente! Por que só eu que não sabia que o nome dela era o mesmo nome da minha filha? Por que ela disse que o nome dela era Ana?

Deise olha pra Esther e diz:

— Ai, querida. Melhor você nem saber.

HOTEL HILBERT, 10 DE OUTUBRO DE 2023- NOITE DO TERREMOTO.

Continua a incessante discussão de Adrian e os demais em relação ao que está acontecendo. Daniela pergunta mais uma vez histérica:

— Como assim terremoto? Por que não nos contou antes, Adrian?

— Porque aquele desgraçado do Denis prometeu que ia vim buscar a gente e salvar a Angélica. Ele mentiu! Só queria que eu desse o recado para o pai dele no passado, o idiota nos usou e agora a gente vai morrer.

Samuel ressalta:

— Mas nem fudendo eu vou morrer nesse hotel, vamos sair daqui, pessoal! É o único jeito!

Daniela, concordando, diz:

— Eu também acho. Tudo isso tá acontecendo por culpa desse hotel.

Adrian diz:

— Enfermeira Deise, venha conosco!

— Mas… E o Sr. Hilbert e as outras pessoas?

— O Hilbert deve está no hall de entrada, vamos levar ele também e vamos sair desse lugar antes que comece o terremoto.

— Tudo bem.

Os 4 correm até o hall de entrada, eles não encontram o Sr. Hilbert ali, pois obviamente já está longe juntamente com os dois Denis.

Deise, preocupada, questiona os garotos:

— O Sr. Hilbert não está aqui, o que vamos fazer?

Adrian responde:

— Ele pode tá lá fora. Vamos sair dessa merda logo!

Quando eles estão chegando na porta, da mesma forma que aconteceu com Angélica, todas as portas se fecham de uma vez e é impossível conseguir abri-las.

Samuel e Daniela ficam desesperados:

— O que tá acontecendo?

— Por que não tá abrindo, Adrian?

— Eu não sei, porra! Ah não, não, não, não pode ser.

Deise já desesperada, pergunta:

— O que houve, jovem?

— É o tempo! O tempo não vai deixar a gente sair daqui. O terremoto tem que acontecer pra linha temporal voltar ao seu percurso normal.

Samuel grita:

— FODA-SE A LINHA TEMPORAL! A GENTE TEM QUE SAIR DAQUI!

O celular de Adrian toca.

— Quem é? Alô?

— Adrian, sou eu, o Denis!

— Seu filho da puta desgraçado! Você enganou a gente!

— Não, eu não enganei.

— Você só queria deixar a gente no hotel pra morrer!

— NÃO! Escuta, o senhor Hilbert já está comigo. Cadê a Daniela? Passa pra Daniela!

— O que você quer com a Daniela?

— PORRA, ADRIAN! FAZ O QUE EU TÔ MANDANDO!

— Dani, o filho da puta quer falar com você.

— O que você quer, seu mentiroso desgraçado? Eu juro pela minha vida que quando isso acabar, eu vou encher a tua cara de soco.

— Cala a boca e me escuta! Eu preciso que você vá até o quarto 21 agora!

— O quê?

— Está acontecendo uma tempestade elétrica em 1998 e a Angélica vai passar pelo portal e voltar pra cá. Precisa ir pra lá e tirar ela de lá.

— A… A Angélica vai voltar?

— Sim! Mas os outros precisam ficar aí na entrada me esperando, vá agora mesmo pra lá.

— Tá, tá bom.

— RÁPIDO! ANTES QUE O TERREMOTO COMECE!

Daniela larga o celular na mão de Adrian e vai correndo para as escadas.

— Espera, Daniela! Onde você vai?

— Vou salvar a Angélica!

HOTEL HILBERT, 10 DE OUTUBRO DE 1998- 3 MINUTOS PARA O TERREMOTO.

Angélica continua a correr ofegante e chega até o 2º andar. Ela vai imediatamente ao quarto 21 e tenta abri-lo.

— Ah não, droga! Droga, por que tá trancado?

Angélica põe as mãos na cabeça desesperada.

— O que eu faço? O que eu faço?

Em meio ao desespero, Angélica avista o extintor de incêndio, ela o tira do suporte e começa a bater na fechadura com muita força.

— Vai! Abre!

Após várias tentativas, ela finalmente consegue abrir. Mas sem nem ter tempo de respirar direito, Antônio vem correndo pelo corredor e pula em cima dela.

O extintor cai, Antônio começa a forcejar contra ela e pelas janelas, os raios e trovões podem ser vistos e ouvidos. Dentro do quarto, as partículas de luz começam a se formar. Ela não tem muito tempo, precisa passar pelo portal antes que seja tarde.

— Droga! Me solta! Me solta!

Angélica dá um soco em Antônio, ele cai do lado do corredor, ela se arrasta e tenta entrar no quarto 21. As luzes estão ainda mais fortes e ela tenta alcançar o portal, mas Antônio a puxa pelas pernas mais uma vez.

— Volta aqui, sua vagabunda!

— Não! Não, me solta!

Angélica chuta a cara de Antônio e ele cai pra trás com o nariz sangrando, o portal está prestes para implodir e Angélica consegue se levantar e dá um pulo para a direção da luz. O quarto implode e ela desaparece.

RODOVIA, 10 DE OUTUBRO DE 2023- HORA DO TERREMOTO.

O Denis adulto está no carro juntamente com Hilbert e sua versão criança, ele está conversando com o doutor Hernandez por vídeo.

— Está tudo pronto, doutor Hernandez. A Angélica deve ter passado pelo portal agora, eu vou deixar o Hilbert e o Denis aí e vou voltar pra buscar o Adrian e os outros.

— Tome cuidado, Denis! Você só tem 30 segundos!

— Já estou a caminho!

Denis liga um dos braceletes ao carro e as partículas de luz começam a surgir dentro do mesmo. Hilbert pergunta:

— Pra onde vamos?

— Não se preocupe, vou levar vocês dois para o futuro, estarão a salvo com o doutor Hernandez.

— Estou preocupado com os garotos.

— Eles vão ficar bem, eles…

Denis olha para o relógio que está marcando 00h11. Depois olha pela janela do carro e começa a ficar preocupado.

— Tem alguma coisa errada.

— O que foi?

— O terremoto! Por que o terremoto ainda não começou?

— Como assim, o terremoto?

— Todas as vezes o terremoto acontece à 00h10 do dia 10 de Outubro de 2023, 1 minuto após a Angélica atravessar o portal. Por que ainda não começou? Não pode ser, a não ser que… A não ser que…

As partículas de luz envolvem o carro e o veículo desaparece na estrada.

QUARTO 21, 10 DE OUTUBRO DE 2023, 00H11.

Angélica consegue passar pelo portal, ela cai no chão e fica tossindo muito, ela se levanta olhando para a porta.

— Eu consegui! eu passei pelo portal.

Mas o que ela não esperava…

— Oi, boneca! Agora sim eu te pego.

Antônio está atrás dela, ele viajou pelo portal, um furo na linha temporal acaba de acontecer.

— NÃO! O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?

O tempo vai corrigir essa falha? Ou será que agora todos eles estão por conta própria?

 


 

PRÓXIMA TERÇA

 

PREPARE-SE PARA…

 

 

O TERREMOTO!

 

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