Nicolina estava com oitenta e dois anos e já algum tempo vinha sendo considerada e tratada por todos como a “velha Nicolina”, bastante idosa e esclerosada, que vagava pelos cantos da casa-sede da fazenda arrastando suas anáguas de cambraia e falando sozinha, ou com os mortos, como ela mesma afirmava.

Era a pessoa mais antiga que ainda vivia em Olho d’Água e também na cidade de Laranjeiras. Sua avó e sua mãe foram empregadas da casa-sede, administrando junto às senhoras que por ali passarama alma de cada  um dos cômodos daquele sobrado, função que Nicolina naturalmente acabou herdando, assim como a dedicação e a competência de suas progenitoras.

Quando jovem, ainda na adolescência, demonstrou o modo determinado do que sua personalidade era composta, contrariando as expectativas femininas do seu tempo ao declinar de um casamento de conveniência com um comerciante, preferindo entregar-se aos desejos e sentimentos, mesmo que às escondidas, do belo imigrante italiano Alexandre Crespi, aceitando viver como sua amante até vê-lo se casar com Maria Valéria, a herdeira de Olho d’Água. 

Com o passar dos anos passou a ser admirada e considerada como sinônimo de mãe, ventre, terra, raiz, verticalidade, permanência, paciência, espera, perseverança, coragem moral por cada geração que por ali passou, ao mesmo tempo em que testemunhava a decadência de famílias tradicionais, a sordidez da política e a evolução dos comportamentos.

Mas o tempo, ao contrário da crença daquele povo, não a transformara na sombra da mulher esbelta e vivaz que tinha enfrentado tudo na vida sem diminuir a intensidade do vigor que Deus lhe tinha reservado. Pelo contrário, quanto mais velha mais lúcida e observadora.

 

Ela ainda estava em pé, enrolada no seu xale, junto a uma das janelas da cozinha da casa-sede após ter acompanhado cada passo da partida do coronel e seus homens.

Não se afastou daquele lugar nem mesmo quando já havia perdido o patrão de vista, e se o mundo por acaso acabasse naquele momento, Nicolina não saberia de nada que teria acontecido à sua volta de tão absorta que se encontrava.

Os olhos perdidos no horizonte à sua frente estampavam uma amargura atroz. Quis o destino que o assassino de Fabiano, aquele a quem criou como seu filho, fosse parar ali, nas terras da fazenda Olho d’Água, tornando-se senhor de tudo e de todos na cidade de Laranjeiras.

Nicolina havia descoberto o crime e sua autoria há alguns meses, numa infeliz, porém oportuna madrugada, quando cedeu, contradita, às vozes em sua mente pedindo para que levantasse da cama e caminhasse pelos quintais da fazenda…

Mesmo sem saber para onde ir, ou o que precisaria fazer, seguiu no silêncio da noite alta com seus passos lentos, precavidos, confiando que logo algum daqueles que a visitavam iria aparecer para lhe pedir algo, ou tão somente conversar… Há muito aquele seu dom já havia deixado de assustá-la, apesar de quase todas as almas serem de pessoas que nunca vira pela face da Terra. Raríssimas as manifestações de velhos conhecidos… Nem mesmo a de Antero… 

Já estava terminando de atravessar a frente do celeiro, construído a um bom pedaço de chão do sobrado, quando começou a ouvir cochichos vindos de trás do depósito.

Mesmo num tom sorrateiro, ela não teve dificuldades em reconhecer de quem eram as tais vozes: pertenciam àqueles dois últimos jagunços contratados por Josué Ferreira para satisfazer os caprichos da sua concubina.

Sem se fazer de rogada, seguiu pé ante pé, aproximando-se do lugar, tomando todo o cuidado para não ser notada, onde acabou por ouvir, em meio àquela conversa de tom diligente, o que jamais pensou algum dia ouvir no que lhe restava de vida sobre as terras do nosso Senhor: Miguel e João se diziam filhos de Fabiano, e a amásia que se deitava com o coronel já fazia duas décadas, era irmã deles, e os dois estavam ali para vingar a morte do pai.

Numa questão de segundos Nicolina percebeu o porquê de ter sido arrastada até ali. Respirou fundo. Nada disse. Nada manifestou. Refez o caminho de volta, sem alardes, mergulhada numa barafunda sem fim antes que os jagunços pudessem terminar a conversa descurada e a flagrassem.

Passou o resto daquela madrugada completamente acordada, rolando sobre a cama, desesperada, amaldiçoando a alma dos mortos que a perturbavam com suas vozes e também com suas aparições.

Seria realmente verdade que aqueles pistoleiros eram quem diziam ser? Pelo menos um deles, Miguel, carregava um ódio tão genuíno na voz que suas palavras pareciam feitas de pedras, a velha refletia, impaciente, desejando estar enlouquecendo, perdendo o tino…

Desde que Fabiano fora embora, fugido de Olho d’Água, há quase meio século, algo no coração de Nicolina sugeria que eles nunca mais se veriam, o que a deixou, de certa maneira, aliviada, mas também um pouco triste.

Aliviada porque não queria ver Antero cometendo um contrassenso contra o amigo de infância _ ou seu meio irmão de sangue _, ainda mais por causa de um rabo de saia, e triste porque aprendera a gostar de Fabiano enquanto o criava, fazendo-o acreditar _ e a todos os outros _ que ela fosse sua mãe biológica.

Nicolina tentou de todas as maneiras evitar essa aproximação, mas Fabiano acabou por demonstrar uma personalidade tranquila, afável, serena e atenciosa, jogando por terra, pouco a pouco, suas pretensões de transferir para ele o ódio que nutria por Alexandre Crespi, afinal, esse era o plano que havia traçado em sua mente quando decidiu trocar seu pequeno Antero, o filho que lhe saíra das entranhas, por Fabiano…

Fabiano, “um legítimo” Crespi seria criado como o filho da empregada. 

Não bastasse a aflição de ter que carregar aquele segredo para si, não o confessando nem mesmo a Padre Manuel, com o passar dos anos a sombra da dúvida lhe caíra impiedosa sobre os ombros fazendo com que se corroesse de forma estarrecedora enquanto assistia seu filho, Antero, se tornar um homem arrogante, prepotente, um déspota, uma alma infeliz, e a Fabiano, por saber que lhe roubara o direito natural de ser o dono daquelas terras.

Nicolina jamais pensou que um dia sentiria o vazio no ser ao imaginar que poderia ter feito algo de forma diferente quando fora tomada pelo despeito e pelo ódio ao ver Alexandre e a falecida avó de Maria Cândida anunciarem o noivado…

“Quando for sair em busca de vingança, cave duas covas”, lembrou-se do conselho dado pela mãe de sua mãe quando descobriu a vendeta que ela havia planejado. 

Se aqueles dois jagunços e a desavergonhada realmente fossem filhos de quem diziam ser, a velha Nicolina não haveria como saber, e nem tampouco gostaria de reabrir chagas do seu passado, relativamente curadas. O estrago estava feito. Para fome, apetite e miséria não têm pão estragado.

 

Nicolina sacudiu a cabeça lentamente e seguiu com a mesma cadência para a cadeira de balanço que havia sido colocada já há alguns anos num canto afastado daquela cozinha, atendendo a seu pedido desde que precisou reconhecer que não podia mais comandar a administração da casa-sede da fazenda.  

Sozinha, já que todos de Olho d’Água ainda estavam do lado de fora, na empolgação de se despedir do coronel, ela se balouçou naquela cadeira enquanto ouvia os ruídos, as vozes se aproximando…

Começou então a trançar nos dedos murchos um rosário. Havia orações para dias de tempestade. Outras para tempos de peste. Outras para o bom-sucesso de mulher quando estivesse parindo, mas naquele momento iria rezar pela sorte de Miguel e de João.

Guardara em segredo sua descoberta, satisfeita por saber que Josué Ferreira pagaria pelo mal que fez, não só a Fabiano, mas também por todas as injustiças cometidas desde que chegou a Olho d’Água fazendo das tripas coração para chegar onde havia chegado, com sua alma podre, libertina, audaz, desalmada, impiedosa, rude e ambiciosa… Pagaria por ter causado tanto sofrimento a pobre Candinha.

A apurada sabedoria intuitiva, que sempre acompanhara Nicolina por toda a vida e nunca falhara, sussurrava ao pé do ouvido que aquela era a manhã em que o patrão iria prestar conta de seus pecados.

Continuou a balouçar. Gostava do barulho das cadeiras sobre a tábua do soalho, entretanto ao avistar a figura cabisbaixa de um homem surgindo, sentado sobre um tamborete de couro e madeira, no canto oposto de onde se encontrava, ela estacou.

Vosmecê demorou dessa vez – pontuou um tanto melancólica, ao mesmo tempo em que ajeitava o xale em volta do pescoço.

Já havia muitos anos que Nicolina recebia a visita da alma de Alexandre Crespi e inevitavelmente já tinha se habituado ao silêncio e à postura abatida e humilhada daquele espectro, bem diferente do soberbo e ambicioso imigrante italiano que conheceu e infelizmente se apaixonou na plenitude de sua adolescência, quando entregou a ele todo o seu amor, sua dignidade, só não lhe dando a vida, no final de tudo, por se encontrar morta, totalmente seca por dentro.

A imagem de Alexandre Crespi levantou a face, calma, pertinente, encarando a velha, que estremeceu de pronto ao sentir o cheiro de sol que a pele de seu homem carregava enquanto vivo…

Com o ar cansado a cumprimentou com um leve aceno de cabeça. Ele estava de barba crescida, olhos injetados, em mangas de camisa, pés descalços… Não muito diferente das outras vezes em que vinha visitá-la, sempre mantendo o total e absoluto silêncio.

Não foram poucas as orações de Nicolina rogando a Deus que concedesse aquela alma o descanso necessário, livrando Alexandre do inferno que ele mesmo cultivara em vida.

– Estou pedindo misericórdia ao Nosso Senhor pela tragédia que eu poderia evitar – a velha divagou enquanto desviava o olhar para a janela.

– Você podia fazer mais do que isso. Não queira passar pelo que eu estou passando – o fantasma murmurou, austero, voltando a baixar a cabeça e desaparecendo logo em seguida, depois de tanto anos de mudez, deixando Nicolina surpresa, e porque não desconfiada.

 

*   *   *

 

A fazenda Olho d’Água não estava muito distante, concluiu Adalina, enfim, após vê-la despontar a uma distância de 100m.

Há quarenta minutos deixara Vassouras para trás e vinha exigindo o máximo de potência e resistência de seu cavalo a fim de alcançar aquele insano propósito de tentar impedir a saída do coronel Josué Ferreira para a tal empreitada que faria nas cidades vizinhas, onde ele iria encontrar a morte certa.

Seu semblante estampava um irritante desespero. O suor brotava-lhe da testa e escorria por todo o rosto até empapar o pescoço, a blusa de algodão. A cada segundo rezava à Virgem para poupar a vida de Josué, do seu Josué.

Por que o telegrama enviado por João chegara com atraso? Com um dia de atraso?

 

ESSA SERÁ A ÚLTIMA VIAGEM DO CORONEL EM NOME DA VINGANÇA DE NOSSA MAINHA. É ELE O HOMEM QUE BUSCÁVAMOS. 

JOÃO

 

Adalina excomungou aquele fim de mundo em que vivia. Aquela devastação. As estradas cobertas de terras. A campina imensa. os arames do infeliz telégrafo…

Ela ainda não acreditava que havia entregue de bandeja Josué aos irmãos. Na podia acreditar que o seu Josué, o mesmo homem que a resgatou da vida ordinária que levava no cabaré de dona Marina, em regime de servidão, recebendo mal e parcamente por programas ao mesmo tempo em que era descontada pelas roupas que precisava usar, pela comida, alojamento e remédios que consumia, além das violências físicas e ameaças psicológicas, fosse aquele assassino cruel que tirou a vida do pai na feira em que ele trabalhava vendendo suas frutas… O assassino que ficara marcado para sempre na cara, o rasgo que lhe ia do canto esquerdo, abaixo do nariz até a altura dos olhos.

Ela, assim como os irmãos, crescera ouvindo essa história dos lábios rancorosos da mãe, da mesma mãe que a vendera para um fazendeiro, aos 13 anos, para aplacar a fome que se estendia sem misericórdia depois da prisão de Miguel, o sustento da família, por assassinar um desafeto numa confusão por causa de um rabo de saia.

Adalina sentiu raiva, muita raiva por se deixar enganar pelos irmãos, talvez pela felicidade em reencontrá-los depois de todos aqueles anos que deixaram de se ver, ela não conseguiu enxergar a alma enegrecida, o ódio, o desejo de vingança que por certo estaria estampado no semblante de cada um deles…

Mas por que razão João lhe enviara o telegrama? Por que aquele aparente arrependimento diante do que já estava decidido há anos? Como eles tinham certeza de que o seu Josué era o homem que procuravam? E se realmente fosse ele, o tal matador, ela, Adalina, lhe devia e muito por tê-la resgatado da infelicidade que sempre estivera em sua vida.

A porteira da fazenda estava entreaberta e Adalina não se fez de rogada. Atravessou sem diminuir a velocidade, avançando em seguida pela estrada de terra, reta, conseguindo visualizar a casa-sede implantada ao fundo de um vale descampado.

 A essa altura seu coração começou a bater mais forte. Iria saltar-lhe a boca, pôde sentir.

Sabia que estava entrando em território proibido. Jamais estivera ali antes, nem mesmo para ver a filha, afinal, desde que o coronel a levara para viver na fazenda, com o argumento de lhe dar um futuro, onde teria a sua proteção direta, longe de um lugar onde seria estigmatizada como uma bastarda, Adalina se encontrava com Lucinda apenas em períodos pré-determinados, na sua casa, em Vassouras…

Mas depois daquele telegrama não lhe restava tempo para pensar ou agir de outra maneira. A vida do seu Josué estava correndo perigo, e mesmo que ele a repreendesse por ter ousado quebrar o acordo tácito no que diz respeito ao lugar da amante e da mulher legítima, nada iria ser pior do que vê-lo morto. Nunca se perdoaria por isso…

No mais, deparar-se com dona Candinha, a esposa, a matriz, a dona de tudo, inclusive do seu Josué, sem saber qual seria sua reação, era um risco que precisava, enfim, correr.

*   *   *

Há muito dona Candinha já não entrava na cozinha da casa-sede para definir qualquer tipo de refeição que deveria ser servida, principalmente as que envolviam os almoços e jantares de cada dia.

Com exceção a algumas datas especiais, ou a fim de atender algum pedido realizado pelo coronel, essa função cabia a Hermínia, uma das duas cozinheiras, que já vivia na fazenda Olho d’Água tempo suficiente para assumir tal responsabilidade com segurança e exatidão desde que Nicolina começou a envelhecer.

A chegada da senhora de Olho d’Água àquela parte da casa causou certa surpresa nas duas empregadas que já estavam ocupadas, num vai e vem frenético, com as providências para o almoço daquele dia.

Sem pressa e trazendo no rosto uma expressão de enfado, dona Candinha cumprimentou as duas mulheres com um sorriso forçado para em seguida dispensar-lhes um aceno e deixar claro que sua presença não iria interferir em nada, pois estava tão somente de passagem.

Parada no umbral da porta ficou observando as paredes pintadas de um amarelo pastel; as cortinas penduras nas janelas, todas brancas, abertas; o imenso fogão a lenha; a mesa de pinho no centro, com uma eterna aparência de desgastada ou inacabada; a coelheira com pequenas granjas e figuras de animais de fazenda; algumas (poucas) pinturas emolduradas de quinta, penduradas nas paredes próximas das janelas; o pote de biscoitos em forma de galo sobre um dos armários, até que se deparou com Nicolina sentada no seu canto, balouçando na sua cadeira com um olhar que mais parecia distante, ausente, o que era cada vez mais comum nos últimos anos.

Por alguns minutos lhe dedicou toda atenção.

Como amava aquela velha.

Fora praticamente criada por ela. Era sua única referência materna, já que sua mãe biológica enlouquecera e morrera cedo demais e sua tia-madrasta nunca se esforçou em lhe demostrar qualquer tipo de afeição

Devia a Nicolina toda sua estrutura moral, então, agora, nada mais justo que a deixasse livre pela casa-sede, perambulando com suas manias, suas histórias, seus fantasmas.

A entrada abrupta de Maria Inês na cozinha, correndo na direção da mãe e nitidamente sobressaltada, causou espanto e preocupação nas quatro mulheres que ali estavam. Dona Candinha tentou perguntar à filha o que tinha acontecido, mas a jovem nem sequer lhe deu chance, já agarrando um de seus braços, forçando-a a acompanhá-la.

– Vamos! – decretou Maria Inês sem olhá-la nos olhos, tomando a direção da porta que dava para o quintal.

– O que é isso, menina? – dona Candinha se recusou a segui-la, desvencilhando-se – Tenha modos e respeito. Sou sua mãe.

– Não é hora pra isso – Maria Inês respondeu com rigor, sem pestanejar e dessa vez encarando a mãe de maneira inflexível – A vida do meu pai, seu marido, está correndo perigo.

A entonação enérgica na voz ao despejar a informação fez com que as duas cozinheiras, e também Candinha a fitassem. Todas incrédulas.

– O que você está dizendo, Maria Inês?

– Vem comigo, pelo amor de Deus – Maria Inês insistiu, mas dessa vez o gesto que fez para envolver o braço da mãe foi mais violento – A mãe da Lucinda está lá fora. Os capatazes não a deixaram ultrapassar muita coisa além do limite da porteira…

Dona Candinha sentiu o chão lhe faltar por alguns segundos. Encarou a filha na esperança de que aquilo que acabara de ouvir não tinha sido real. Uma frieza marmórea atravessou sua alma. Nenhum nervo de seu corpo parecia existir naquele momento.

– O que essa mulher está fazendo aqui?

Perguntou entre os dentes, por fim, alternando o olhar entre a filha, as cozinheiras e até mesmo sobre Nicolina, que permanecia cabisbaixa.

– Como essa pessoa tem a coragem de colocar os pés nessa fazenda? – questionou enquanto um ricto nervoso lhe surgia no canto da boca

– Mãe, escuta, ela está lá fora e disse que o meu pai está correndo perigo de vida, mas que só vai explicar toda a história para a senhora – Maria Inês estava tentando compreender e ser solidária à indignação da mãe, mas o tempo não estava do lado delas – Deixa o orgulho de lado e vamos lá ouvir o que ela tem pra dizer antes que seja tarde demais.

– Eu não vou me rebaixar – sentenciou dona Candinha, decidida, dando de ombros – E além do mais, quem pode garantir que essa mulher está dizendo a verdade? Deve estar aqui para ver a bastarda… 

Maria Inês bufou e soltou o braço da mãe, por fim:

– Se a senhora não for lá fora eu trago a mulher aqui dentro. Decida.

Um tapa estalou sobre o rosto de Maria Inês. Mãe e filha se olharam dentro de um silêncio austero, desafiador.

– Maria Inês respeite sua mãe…

A voz quebradiça da velha Nicolina ecoou dentro da cozinha. As quatro mulheres se viraram na sua direção, vendo-a se apoiar nos braços da cadeira de balanço para se colocar de pé com certa dificuldade, mas não demorando a se postar ereta, assumindo de imediato uma postura altiva.

– Cândida, a menina tá certa. Deixa o orgulho de lado porque a outra que tá lá fora sabe o que tá dizendo. O coroné vai ser ferido de morte, sim, e não vai ser por um inimigo… O adversário está ao lado dele, mostrando lealdade.

Maria Inês sentiu um aperto no coração quando encontrou os olhos da velha Nicolina fixados aos seus…

 

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° “Dona”, tema de Adalina

intérprete: Roupa Nova  (Sá & Guarabyra)

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