Nota da Autora

Ante de iniciar a leitura vamos algumas informações sobre a minissérie.

Alerta de Gatilhos:

Relacionamento abusivo, agressão verbal e física,

ato sexual com consentimento dúbio.

Gênero:

Drama, romance Arquiliano (LGBT)

Classificação:

+18

Trope:

friends to lovers, only one bed, second chance, Redenção

Desesperado Felipe parou em um ponto de ônibus, seus olhos vagavam perdidos em meio aquele aglomerado de pessoas que apressadas estendiam braços sinalizando para a condução parar.

Av. Presidente Vargas era o caos de pessoas e veículos buzinando, no entanto, Felipe somente olhava totalmente alheio a multidão. O que iria fazer? Não poderia voltar para casa e dizer a Rodrigo que novamente não conseguiu um emprego.

“Digão vai gritar comigo, vai dizer que sou preguiçoso, que não quero trabalhar…”

Felipe sentiu os olhos lacrimejarem, não era bem a vida que havia imaginado para si quando saiu do interior de Minas Gerais e veio morar no Rio de Janeiro. Respirou fundo para segurar o choro, não podia esmorecer, precisava ser forte e continuar.

“Uma porta se abrirá, irei conseguir…”

Seus pensamentos foram interrompidos pelo som do seu estômago roncando, resmungou baixo e esfregou os olhos para limpar as lágrimas que insistiam e querer rolar. Enfiou a mão no bolso de trás e puxou a carteira ao abrir pegou algumas moedas. Engoliu seco, não tem sequer para comer um salgado nas pastelarias no largo da Carioca, olhou o céu inspirando fundo buscando forças para mais uma entrevista agendada naquela tarde.

Quando colocou a carteira de volta no bolso, as poucas moedas que tinha caíram dela e rolaram no asfalto. Felipe arregalou os olhos e por reflexo abaixou tentando pegar o pouco que tinha de dinheiro do chão.

Uma mão de repente segurou seu braço e o puxou. Foi a buzina do ônibus que o despertou daquele momento de distração. Felipe viu a lateral do ônibus passar a poucos centímetros de seu rosto. Seu corpo gelou e tremulo virou a cabeça para olhar quem havia o puxado.

— Cara, Cuidado…

O rapaz olhava-o assustado e todos no ponto estavam com a mesma expressão. Cochicharam e alguns comentavam que Felipe tivera sorte.

— O-obrigado… – Foi o que conseguiu falar.

— Presta atenção. — O outro homem sorriu por fim já que fora um susto daqueles, porém aliviado ao ver que Felipe estava bem. — Está tudo bem, certo? Que susto, hen!

— S-Sim, valeu…

Ambos se afastaram e ficaram parados, esperando a condução. Felipe vez ou outra olhava-o no canto dos olhos. O homem era bonito, alto, atlético e de cabelos castanhos. De repente bufou e parou de analisar o seu “salvador” afinal era casado e não podia ficar flertando por aí. Porém, ainda assim tinha a nítida impressão que o conhecia.

— Oi, não posso atender agora, estou no ponto… – Suspirou chateado enquanto ouvia a outra pessoa do outro lado da linha.

O “salvador” de Felipe ao atender seu smartphone estendeu o braço deixando aparece por baixo da blusa de manga social uma tatuagem do símbolo do infinito.

Felipe inclinou a cabeça e depois olhou para o homem intrigado, viu-o encerrar a ligação guardando o aparelho, voltando a face para Felipe esboçando um sorriso seco. Ele parecia incomodado com aqueles olhares insistentes do rapaz que salvou a vida. E sem graça, voltou a face para a rua demonstrando inquietação ao balançar o corpo ligeiramente se afastando podendo adivinhar que desejava que o maldito ônibus viesse.

— Thiago?!

Thiago olhou-o de imediato um pouco confuso ao notar que o rapaz o chamou pelo nome, veio a sua mente que talvez pudesse ser algum cliente de suas palestras.

Felipe iluminou-se, era ele mesmo e puxando a manga de sua própria blusa social mostrando o pulso a sua tatuagem do infinito. Thiago olhou-o confuso e de repente o sorriso voltou aos lábios.

— Felipe?!

Os dois sorriram e Felipe confirmou.

— Meu Deus é você, Thiago, cara… – Olhou-o de cima a baixo. – Está muito diferente.

Thiago olhou-o concordando.

— Mudei mesmo, não sou mais a “rolha de poço” do ginásio.

Ambos riram e o ônibus a qual Thiago iria pegar se aproximava do ponto.

— Meu ônibus está vindo, faz seguinte anota meu número, vamos falando pelo “Zap”… Felipe de imediato pegou o aparelho e anotou o número.

— Vou te enviar uma mensagem e você salva o meu… — Felipe falou rápido enquanto o outro já estava subindo no degrau do veículo que acabara de parar no ponto.

— Manda, sim, vou salvar… — Thiago de dentro do ônibus acenou com o veículo saindo. Felipe olhou-o acenando também, vendo-o partir.

“Thiago meu melhor amigo…”

Aquele dia para Felipe não fora de todo perdido, afinal o seu “salvador” era o seu melhor amigo do colégio e reencontrá-lo foi uma surpresa agradável.

Felipe, após mandar uma mensagem no “Zap” para Thiago, recebeu a resposta que ele estaria em uma reunião e a noite chamaria para conversarem.

Satisfeito, Felipe colocou o fone no ouvido, abriu o aplicativo de música no smartphone e selecionou a playlist favorita. Titãs fora a banda escolhida com a música Epitácio, estendeu a mão para fazer sinal para o ônibus que o levaria ao Recreio, onde faria outra entrevista, cantarolando, lembrando-se de como ambos gostavam de rock nacional e a banda favorita era os Titãs.

“O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

 acaso vai me proteger

Enquanto eu andar”

Felipe estava exausto quando caminhava pela Rua Dia da Cruz no bairro do Méier indo para o prédio onde morava com Rodrigo. Sem dinheiro para passagem só restava seguir a pé aquele trajeto de 40 minutos.

— Finalmente em casa. – Disse ao parar em frente da grade da portaria do prédio. O porteiro, Sr. Sebastião abriu a porta e cumprimentou-o com boa noite, já passavam das 20 horas quando saiu do elevador no 5º andar vendo a porta de seu apartamento abrir e um rapaz sorridente saindo e parando do lado de fora. Logo em seguida Rodrigo aparece tagarelando algo que Felipe não pode ouvir. Ele não o reconhecia entre os amigos de seu companheiro e estranhou Rodrigo levar alguém para apartamento, já que combinaram que visitas seriam avisadas com antecedência.

— Felipe chegou. — Rodrigo olhou-o e foi apresentando o rapaz. — Esse é o Júlio lá da academia, cheguei falar dele para você.

— Olá Júlio… — Felipe estendeu a mão e ambos apertaram se cumprimentando. — Já está de saída pelo visto.

— Sim Felipe, Rodrigo insistiu para esperar que chegasse para nos apresentar, como demorou … — Fez um gesto com o ombro de quem lamentava. — Mas volto outro dia e conversamos, certo Rodrigo?

—Claro, marcamos algo para outro dia.

—Desculpem-me foi um dia longo e trânsito essa hora é horrível, mas combinamos outro dia. — Felipe falava sem jeito, estava exausto e queria um banho demorado para se jogar na cama e “hibernar” até o dia seguinte. — Vou entrar. — Olhou Rodrigo e acenou se despedindo de Júlio. —Rapidamente entrou jogando a mochila no sofá e seguindo para o quarto.

Ouviu de longe algumas risadas soltas de ambos e depois despedias enquanto entrava no banheiro. Quando entrou na ducha de água fria soltou um gemido de alívio, sua mente sentiu o baque chegando a ficar zonzo quase abaixando no chão do box. Apoiou a mão no vidro temperado e firmou a perna para não arrear o corpo. Passou o dia com apenas um sanduiche e café, ou seja, estava exausto e faminto.

—Poxa Felipe esperamos tanto, fiquei até sem graça com o Júlio. — Rodrigo entra no banheiro resmungando. — Eu te avisei pela manhã.

Felipe passava a mão nos cabelos ainda com a água fria escorrendo pelo corpo e olhou para Rodrigo inspirou fundo e soltando um sorriso sem jeito, buscando em sua mente cansada essa informação a qual não se lembrava.

—Desculpe, mas tem certeza de que avisou…? — Tentando se lembrar da manhã, mas como estava cansado demais ficou confuso se ele falou ou não consigo. — Não me lembro.

— Novamente? Além de desculpas do cansaço está esquecendo dos recados? — Bufou e saiu do banheiro batendo a porta.

—Não é, desculpa, eu… — Mal conseguiu se justificar vendo o outro ignorar e sair do banheiro. Expirou baixo prevendo que teria mais uma noite de discussões e no final acabaria tendo que dormir na sala.

Terminou o banho, já limpo e vestido, parou no corredor olhando Rodrigo sentado no sofá vendo tv, estava carrancudo e calado.

—Desculpa, eu não lembro. — Caminhou até a mochila, abrindo-a e pegando seu smartphone, abriu a tela e procurou nas mensagens antigas de Rodrigo a que lhe avisasse do compromisso. — Você pelo menos poderia ter me enviado uma mensagem no WhatsApp para lembrar. – Vendo que o ignorava resmungou. — Rodrigo, é isso mesmo? Vai ficar aí me ignorando?

—Sabe por que você esqueceu Felipe? — Esbravejando, levantou e cruzou os braços sobre o peito em uma pose altivo. — Porque você não quer fazer aquela parada a três, simples assim.

—Ah? Espera, eu não lembro de ter me falado dessa sua visita. — Felipe se afastou indo para cozinha para procurar algo para comer e se trancar no quarto. — E tem outra coisa, já lhe disse que ainda estou pensando no assunto e você como sempre se decidindo por mim.

Felipe ficou chateado com a forma que Rodrigo colocou a situação, ele não tinha ainda certeza e muito menos vontade de entrar para swing, mas seu companheiro nos últimos meses só falava desse assunto.

— Você concordou naquela nossa última conversa, ou vai dizer que esqueceu como sempre? — Parou no batente da porta olhando Felipe com a face carrancuda.

—Eu não disse que concordei, somente que iria pensar. — Felipe acendia o fogo para aquecer a janta, tinha deixado preparado de manhã.

Rodrigo estreitou os olhos e resmungou novamente dessa vez saiu e virou as costas para Felipe. Felipe mexia o cozido de carne e legumes para aquecer enquanto os olhos ficavam lacrimosos. Ele até achava divertido fazer essas loucuras de vez enquanto, porém fazer orgias em casa e frequentar swing como estilo de vida era outro assunto que ao seu ponto de vista não conseguia aceitar.

—A janta está servida, vem comer…? — Esperou resposta, vendo que o outro não falou nada voltou para a mesa e se sentou, servindo-se. — Parece crianção… – Resmungou.

Rodrigo levantou e ainda olhava a tv quando se sentou à mesa, ria de um programa que passava enquanto se servia. Felipe olhou-o um tempo, inspirou baixo sabendo que aquela postura de simplesmente fazer-se de nem aí para nada era o jeito de Rodrigo dizer que estava puto com ele.

Felipe voltou a comer, queria era logo acabar com aquela refeição que naquele momento poderia até matar a fome que sentia, porém o sabor não era apreciado chegando a descer pela garganta arranhando de tão apertada que estava.

O silêncio entre ambos fazia Felipe sentir vontade de se levantar, largar tudo para se trancar no quarto e dormir. A cada dia que saia atrás de emprego e recebendo “não aprovado” ou “aguarde contato por e-mail” o deixava estressado em quase desespero.

Rodrigo olhava Felipe comer calado e inspirou fundo jogando o talher na mesa para chamar atenção do companheiro.

—Vai ficar aí calado e com essa cara de cuzão, Felipe? Assim perco até o apetite. — Ralhou para o outro com sorriso debochado a face. – Desfaz essa cara, vamos conversar direito?

— Você que começou, veio me esculachando do nada. — Bufou comendo um pedaço de carne. — Eu estou cansado Digão, você não sabe o dia que tive e ainda quer que eu me lembre de tudo? – fungou tentando segurar o choro, ele detestava isso, mas era um chorão e não queria naquele momento desmoronar na frente de Rodrigo.

—Qual é? — Levantou e puxou a cadeira para sentar-se ao lado de Felipe, passou a mão no ombro dele e apertou. —Nossa está duro e tenso. — Começou a fazer massagem no ombro do companheiro. — Precisa relaxar Lipe, vem vamos para o quarto farei uma massagem daquelas que sei que gosta.

Felipe soltou um baixo gemido conforme o outro lhe massageava, estava realmente tenso e aquela “D.R.” só piorava mais o dia.

—Então, vamos terminar de jantar e ir para o quarto, eu vou cuidar de você. — Rodrigo sorriu no canto dos lábios em um tom malicioso afagando a nuca de Felipe. — Dia difícil e eu pego pesado, deixa eu compensar.

Felipe engoliu seco e suspirou, Rodrigo sempre agia daquela forma depois de uma briga, não pedia desculpas e nem reconhecia que estava errado. Felipe entendia aquela forma dele agir de quem não consegue expor os sentimentos e usa outros meios de demonstrar. Sorriso tímido brotou nos lábios dele com aquela expressão maliciosa do companheiro, mordeu os lábios e concordou com a cabeça.

—Vamos terminar de jantar e ir para o quarto. — Comeu nova garfada dessa vez sentiu o sabor da comida. — Vou cobrar a massagem.

—Pode cobrar, pagarei com todo prazer… — Riu novamente falando com ênfase na palavra prazer.

Terminaram o jantar e Felipe juntou a louça para lavar, estava limpando a pia quando Rodrigo chegou por trás e o agarrou beijando a nuca e dando leves mordidinhas, passava a mão pelo abdômen de Felipe por dentro da blusa enquanto ele lavava a louça.

Felipe parou de lavar a louça e apoiou as mãos fechando os olhos, arfou o ar enquanto recebia as carícias de Rodrigo.

— Não quer nem esperar chegar no quarto…? — Sussurrou virando a cabeça para beijar Rodrigo.

Rodrigo agarrou forte o puxou pelo queixo e beijou-o com certa voracidade, Felipe se arrepiava com aquela “pegada” do amado e jeito de beijar. De costas continuava retribuindo as carícias cada vez mais ousadas de Rodrigo que já havia enfiado a mão dentro de sua bermuda. Felipe gemeu entre os beijos e murmurou desejoso ao amado que não queria esperar mais.

—Vou te foder do jeito que gosta. – Sussurrava no ouvido de Felipe, em tom rouco e sensual. — Com força.

Ambos gemiam e ofegavam, em movimentos que intercalavam entre rápido e lento até que Rodrigo falou que ia gozar dando mais uma socada forte e urrando no ouvido de Felipe com êxtase do momento. Felipe ainda não havia gozado e quando outro se afastou, Felipe olhou-o desejoso. Mordeu os lábios querendo mais, querendo gozar, mas Rodrigo deu um leve tapa no rosto dele brincando e se virou saindo da cozinha.

—Termina de lavar a louça e vem para o quarto, estou lhe esperando. — Falou por fim, dando um leve brilho de esperança ao companheiro que o olhava um tanto frustrado.

— Posso terminar depois… – falou em tom sensual.

—Não, termina logo e vem… — Pisca para ele.

— Já vou. — Felipe levantou a bermuda e terminou de limpeza a cozinha e alguns minutos depois foi para o quarto, estava escuro e ele se deitou na cama, Rodrigo estava deitado de bruços e Felipe beijou as costas dele e depois a nuca. — Cheguei, cadê a minha massagem?

Rodrigo não respondeu e continuou de bruços. Felipe estranhou e ficou afagando o corpo do amado, adorava aquele corpo firme musculoso deslizando a mão desenhando cada curva. Voltou a beijar a nuca dele para lhe provocar.

—Ei, vamos terminar a brincadeira da cozinha?

O ronco de Rodrigo despertou Felipe do clima para notar que havia adormecido.

— Nossa! Já dormiu? – Frustração, Felipe ficou calado olhando-o. – Quando é minha vez… – Chateado, desistiu saindo do quarto e indo para a sala.

— Que droga, queria mais… – Murmurou se sentando no sofá ligando a TV. Abriu em seguida a tela do smartphone, verificando e-mail quando a notificação do WhatsApp piscou na tela.

“Oi Fê, está acordado?”

Era Thiago que finalmente retornará o contato.

Continua na próxima segunda-feira!

 

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