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PESADELO – O portal dos Sonhos 10 Caminhando pelo Vale das Sombras

Pandora e Alfea prepararam suas provisões para um dia inteiro de viagem, seu destino é um lugar remoto, no meio do nada conhecido apenas como vilarejo fantasma. O lar das criaturas da noite. Com a nossa saída as duas partem em direção à cidade.

– Você acha que Jonas vai ser capaz de aprender a lutar em tão pouco tempo? – Pandora perguntou visivelmente preocupada.

― Você se preocupa muito com ele não é?

― Eu sou responsável por ele, Jonas só está aqui a meu pedido.

― Eu não me preocuparia tanto se fosse você. ― Alfea notara algo familiar em suas palavras. ― O pai dele foi um grande homem princesa, tenho certeza de que ele é capaz de se tornar tão forte quanto o pai dele foi. Yon sabe o que faz.

― O Yon é um homem muito duro. ― Pandora disse mordendo os lábios. ― Tenho medo que ele force demais o garoto.

― Confie neles, assim como eles confiam em nos. Temos um trabalho a fazer.

― Vai dar tudo certo não é?

― Do que você tem tanto medo Pan?

― Eu nunca pedi para ser uma guardiã. E se eu não conseguir fazer o que minha mãe fez. E se eu não conseguir guiar o povo como ela. ― ela transparecia tristeza. ― Afinal, eu deixei Delfian escapar.

― Esqueça isso menina. Você jamais será como a Rainha Gloria, sabe por quê? Por que você é Pandora, então não precisa carregar um fardo tão pesado assim. Seja apenas você e faça o seu melhor, acredite que tudo vai dar certo.

Alfea fez com que Pandora parasse a caminhada, apurando os ouvidos notou o barulho de folhas próximas se mexendo.

― Estamos sendo seguidas. ― Ela disse pondo-a para trás ― Mantenha a atenção, e proteja a sua chave a qualquer custo. Ainda não sabemos o que eles querem com elas.

Pandora olhou para ela decidida

― Pode sair nos sabemos que você está ai. ― Ordenou Alfea retirando de sua bolsa uma chave dourada.

Pandora: O que quer de nós?

Alfea recita versos em uma linguagem desconhecida e então uma rajada de luz emerge dela, no segundo seguinte ela desaparece.

Pandora retira de sua bolsa dois pequenos frascos com líquidos coloridos e os mistura em partes iguais. Os líquidos se misturam adquirindo um aspecto brilhante.

Então ela o atira na direção em que Alfea indicara, ao atingir o chão uma cortina de fumaça se dissipa dificultando a visão de qualquer um que estivesse fora dele. Protegida Pandora observa em silencio o desenrolar dos fatos.

― Vejo que não vai ser tão fácil assim conseguir o que busca. ― Diz Alfea próximo à criatura colocando a adaga em seu pescoço.

Em fim uma figura humanoide surge das sombras.

― Essa foi uma bela ilusão criança, mas não é capaz de enganar ninguém. ― com um aceno de mão ele dissipou a nuvem que a encobria.

― quem é você? ― ela perguntou com as mãos dentro da bolsa. ― e o que quer de nós?

― Eu venho em paz, princesa. Meu nome é Telok, muitos me conhecem como o mestre das ilusões.

― Você é o monstro do armário! ― Alfea interrompeu.

― Sim, esta alcunha também me pertence.

― mas como…?

― Como mestre das ilusões eu posso assumir várias formas. ― Telok estalou os dedos e se transformou numa aranha gigante, num piscar de olhos, tornou-se um lobo e então voltou a sua forma original.

Um homem baixinho porem musculoso e bem elegante, cujos trajes lembravam uma festa de gala.

― O que quer? ― Pandora perguntou impaciente.

― Apenas transmitir-lhes um aviso. ― Ele respondeu curvando-se para elas

― Diga de uma vez! – Bradou Alfea.

― A cidade fantasma esconde incontáveis perigos. Vocês serão emboscadas lá, assim como seus amigos no templo de Dharkus, que hoje serve como covil para Helena e suas irmãs. Se forem até lá, vocês morrerão!

― E porque está nos dizendo isso, você é um dos filhos das sombras. – Pandora parecia duvidar de suas palavras.

― Seu receio é compreensível – Respondeu ele ―, mas muitos de nós ainda partilham os velhos ensinamentos e sabem que o que está por vir é errado. Enquanto a lua de sangue estiver no céu, os filhos da luz não terão chance alguma.

― A biblioteca élfica fica na cidade fantasma. ― Indagou Alfea. ― As sombras também buscam a localização dos portões não é?

― Exato! E se chegarem lá terão bem mais do que essa informação.

― Isso não é possível. Temos que impedi-los.

― Nisso eu não posso ajudar. Vocês já sabem o que as aguarda. A responsabilidade do que acontecer agora é de vocês.

― Onde estão nossos amigos? ― Perguntou Pandora apreensiva.

― Ninguém nunca saiu vivo de dentro de um covil. A senhora da noite cuida de seus filhos.

― Nós vamos salvá-los. ― Disse Alfea confiante

― Se é o que querem, só posso desejar boa sorte em sua jornada.

O homem estalou os dedos e num piscar de olhos desapareceu.

 

 

Pan e Alfea caminharam pelo leito do rio, o caminho mais seguro para chegar ao vilarejo fantasma, seu destino final. Pan aproveitara para reabastecer seu estoque de ervas medicinais, além de coletar novas espécies para seus estudos botânicos. No caminho se depararam com uma situação inusitada, o que levou as duas a uma batalha travada contra um inimigo assustado.

Um urso grande, de pelagem marrom apareceu diante das duas, pondo-se a desafia-las, Alfea como de costume partira para a luta o que levou a um sério machucado no braço. Pan sendo bem mais comedida que ela, esperou e estudou a situação, percebendo que o animal estava apenas protegendo suas crias, – dois ursinhos marrons de olhos cinzas -, preparou uma poção do sono com erva valeriana, camomila e estrato de casca de maracujá colocou em um dardo e simplesmente o soprou em direção ao animal.

O preparado fez com que a grande mamãe ursa ficasse cada vez mais lenta até então cair no sono, e assim as duas puderam seguir viagem sem muitos problemas. A vista se tornava cada vez mais agradável, arvores frutíferas no leito do rio mataram a fome de ambas, um bom descanso merecido veio com a refeição. As duas conversaram pouco desde a descoberta da armadilha, e nenhuma delas conseguia confiar no que Telok lhes dissera.

Já passava do meio dia quando Pan e Alfea avistaram a entrada para o vilarejo fantasma. Aquele era o lar dos seguidores da deusa das sombras agora, ali Dharkus era dona e senhora de tudo. O ambiente tornou-se pesado e não lembrava em nada o centro comercial de antes. Era difícil imaginar que aquele era o lar de pessoas pacatas e felizes, um vilarejo de agricultores, prósperos em sua simplicidade.

Pandora lembrava-se bem dos tempos antigos quando a mãe a levava aquela vila para comprar ervas medicinais, temperos, óleos perfumados para todo o castelo, além das horas perdidas entre as rodas de conversa sobre todos os tipos de assuntos que envolviam aquele lugar. Sua mãe se preocupava com a segurança de todo o reino e o bem estar de seus súditos.

Prosperava, um ajudando o outro, cada morador contribuía com o que podia na feira de trocas organizada semanalmente, assim toda a produção de milho, feijão, arroz e trigo era distribuída igualmente e nada se perdia.

Todo aquele povo vivia pacificamente em harmonia com a natureza até o dia do grande eclipse, o dia da morte de sua mãe, foi também o dia em que aquela cidade foi tomada por Telok, tornando-a o lar dos seguidores das sombras no reino da luz.

Escondidas em meio a vegetação as duas observaram toda a movimentação da aldeia, armas estavam sendo fabricadas por aldeões que ainda eram mantidos como refém pelas criaturas da noite. Estranhas criaturas humanoides faziam uso de seus poderes para amedrontar as crianças locais e assim aumentar ainda mais seu poder.

 

 

O cheiro de morte invadiu minhas narinas, algo dentro de mim gritava desesperadamente, ordenando para que eu saísse dali, pois o levantar das sombras se iniciava.

Escondida por entre as arvores, Alfea me fez um sinal para que eu permanecesse em silencio, apontando para a direção oposta de onde nós estávamos. Meu coração disparou ao perceber o que se passava, uma horda de monstros nos observava como um caçador observa suas presas.

Nenhuma de nós teve tempo suficiente para reagir, quando dei por mim Alfea havia sido imobilizada e agora jazia desacordada no chão.

― Não adianta reagir princesa, domos muitos, e vocês estão em nossos domínios. Aqui só reinam as sombras e o caus. ― a voz dele permanecera fria e distante.

― Porque? ― Perguntei temendo já saber a resposta.

― Delfian me prometeu você em troca do seu reino. ― Ele disse zombeteiro. ― Você será minha.

― NUNCA! ― Gritei

― Nunca é tempo demais, não acha? – Ele rebateu dizendo alguma coisa no idioma reptiliano.

Dois de seus capangas me imobilizaram

A sensação de incapacidade toma conta de mim, tudo foi por minha causa, porque eu confiei nele. Fomos enganadas, e esse é o preço a ser pago por isso.

Acreditar em um homem que se apresenta com as melhores das intenções, nem sempre é o certo a ser feito, ― desconfie sempre, ― eu aprendi isso da pior forma possível, por um erro meu, estamos presas e Alfea esta desacordada.

Uma emboscada prepara especialmente para nos duas, fomos atacadas por dez ogros armados com espadas e machados, criaturas horripilantes com mais de dois metros de altura. Alfea tentou revidar o ataque, mas foi rapidamente neutralizada por um deles, sufocada com apenas uma mão até perder o fôlego e finalmente apagar.

Eu fui incapaz de reagir, levantando as mãos lentamente nos entreguei de bandeja.

Somos escoltadas por eles, passamos por vários grupos dos mais variados monstros de tamanhos, formas e cores diferentes. Eles nos encaram sorrindo com desdém.

Eles sempre souberam dos nossos passos Yon e Jonas nunca estiveram presos ou feridos, agora somos moeda de troca nas mãos deles. Não tem muito que possa ser feito nesse momento, com Alfea desacordada minha única opção foi me entregar para proteger a nossa integridade e esperar pela recuperação dela, para juntas pensarmos em algo para sair daqui. Sem as armas dela e as minhas poções não podemos fazer muito além de esperar.

Mesmo aqui, amarrada e sendo levada a presença “dele” não consigo parar de pensar no que Jonas e Yon estão fazendo, se estão bem, ou se realmente foram capturados, assim como nos. Na pior das hipóteses esse é o nosso fim, e saber que falhei miseravelmente com minha mãe, com meu povo e com ele me fazem sofrer ainda mais.

Lagrimas insistem em rolar por meu rosto, enquanto as hordas de monstros se preparam para marchar rumo ao castelo da luz, destruindo tudo por onde passam.

O lugar onde nasci e cresci, onde aprendi sobre todas as coisas do mundo, sobre o poder de cura e morte das ervas, os deuses de Pangeia, tudo está prestes a ruir simplesmente por que eu não fui capaz de proteger a localização das sete portas que ligam ambos os lados.

Graças aos meus medos Delfian se libertou trazendo consigo um novo reinado de trevas.

E eu fui incapaz de impedir.

Enquanto caminho, vislumbro pessoas presas em celas de madeira sendo torturadas enquanto draconianos riem da desgraça de todos.

A cena me causa nojo, ver meu povo sendo tratado como animais, usados para divertimento dos homens lagartos, em lutas de vida ou morte. As criaturas se comunicavam em uma linguagem estranha, que eu não era capaz de entender. Sibilos e silvos eram constantes enquanto homens, mulheres e crianças lutavam por comida.

― O que vocês pretendem com tudo isso? ― pergunto com os olhos cheios de lagrimas.

― Nos divertir. ― Respondeu um de meus captores.

― MONSTROS. ― Grito tentando me libertar de minhas amarras. ― O que vocês querem de nós?

Sinto uma onda de ódio percorrer todo o meu corpo. Tento inutilmente atacar um dos homens lagartos a minha frente, mas sou impedida por um dos ogros que me acompanham.

Uma bofetada no rosto me faz cair em meio a toda aquela algazarra.  Todos voltam sua atenção para mim rindo.

― Não é óbvio minha querida. Queremos que os humanos sofram. ― disse um dos reptilianos.

― Ora… Ora… Ora, nossa querida princesinha quer lutar?  – Um dos soldados pergunta vindo em meio à multidão para a minha presença.

― levem-na a presença dele. ― Ordenou um desconhecido.

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