Relatos de Ying Solo – O Sequestro – Capítulo 1: Sequestrada!

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Me chamo Ying. Sou apenas uma padawan ainda e nem seria notada entre tantas se não fosse um pequeno detalhe…Algo que não escolhi, mas que às vezes me rende alguns inconvenientes, assim como reações que eu preferia evitar porque, na verdade, nem sou mesmo do tipo que gosta de aparecer.

Mas deixa eu ir devagar pra não atropelar as coisas…Meu mestre, Tarsis Xander, a quem muito admiro, sempre diz que sou muito ansiosa, então prometo tentar me conter.

Como disse não sou muito notável, ao menos fisicamente: Não sou muito alta, cerca de 1.65m, tenho cabelos negros, agora sempre presos numa trança que me chega ao meio das costas, olhos amendoados, que devido a uma particularidade variam de cor, do violeta ao castanho escuro(quando estou zangada) e orelhas um pouco pontudas, o que fez meu pai me apelidar de pequena sephi…Deve ser herança da minha mãe, uma jedi misteriosa que foi embora pouco tempo depois que eu nasci. Aliás, uma das coisas que sempre me aborreceu foi a maldade de alguns em sugerir que ela poderia ser uma Sith e por isso ter me abandonado…

Nunca admiti isso, o que já me rendeu algumas advertências por brigas ainda no enclave de Coronet…Aliás, alguns poderiam mesmo me rotular de rebelde, o que reforçam os boatos sobre minha origem, porque tenho alguns problemas com regras, disciplinas nos estudos e treinos, etc…Me sinto culpada por isso, claro, porque meu mestre tem uma paciência infinita comigo e sempre diz que sou muito promissora, mas… Bom, quando nos conhecemos (e essa é uma história interessante que pretendo contar um dia, ou talvez, ele conte, se preferir…) eu já tinha esse meu jeito um tanto selvagem…Sei lá acho que antes preciso me encontrar, descobrir quem sou realmente…

Meu jeito rebelde se reflete principalmente no meu estilo de duelar com o sabre de luz…Estou treinando o Makashi, a segunda forma, que é semelhante à esgrima (mais um motivo pra pegarem no meu pé, só por eu ter escolhido o estilo preferido dos Siths…) só que meu jeito de lutar é, tão…como direi…intuitivo, que acabo mudando as posturas e movimentos conforme o momento e depois não consigo repeti-los!!! Mudo conforme a situação, o adversário…Ainda preciso estudar muito também, há tanto a aprender, mas não consigo me concentrar! Quero viajar, aprender vivenciando coisas…Fico me sentindo meio presa e muitas vezes me pergunto se deveria ter seguido o caminho de meu pai e me tornado uma contrabandista também. Como a famosa Mara Jade, a quem tanto admiro…Mas ela no início estava a serviço do Imperador…Siths de novo…

Uma tarde, quando estava me sentindo mais desnorteada e quase partira pra cima de um outro engraçadinho que resolveu soltar outra indireta sobre minha mãe, resolvi sair sem permissão do Templo Jedi, antes que acabasse fazendo uma besteira e fosse expulsa (como se já não estivesse fazendo uma e me arriscando a isso…).

Andei por horas sem me dar muita conta disso…Coruscant é uma cidade enorme, uma metrópole mesmo, onde se encontram lugares de todos os tipos com seres de todos os tipos também. E nesse dia acabei num lugar bem barra pesada…Um inferninho da pior espécie, barulhento, luzes piscando sem parar. O porteiro, um sujeito enorme, de uma raça que não consegui definir, a princípio não queria me deixar entrar por eu ser menor, mas acabei “convencendo-o” de que estava enganado.

Fiz uma careta de desagrado. Olhares se voltavam em minha direção, mas logo se desviavam pro meu alívio. O ambiente de música alta e fumaça me atordoava..Mas acho que era isso que eu queria, atordoar-me para não pensar…

Me aproximei do balcão e me sentei. Facilmente dispensei o Barman e um sujeitinho asqueroso que queria vender uns tais bastões…Traficantes nojentos…

O que eu estava fazendo ali afinal?, me perguntava. Estava com uma sensação muito esquisita…na verdade, não fora só aborrecimento com aquele idiota que resolvera provocar-me que me fizera sair da proteção do Templo… Alguma coisa parecia estar me chamando…

Minhas confusas reflexões e pressentimentos foram interrompidos por uma altercação na entrada da boate entremeada de bips e zumbidos furiosos e protestos irritados dos seguranças da boate.

Revirei os olhos e suspirei, pensando, aborrecida:

E não é que aquele dróide intrometido conseguiu me achar de novo?

Procurando manter a mente tranquila fui até a entrada e falei com o mau-humorado boltrunian (depois eu me lembrei de que raça ele era), que também havia tentado me barrar.

– Ele pode entrar. É um velho amigo. – disse com voz pausada e hipnótica.

O boltrunian quedou-se novamente atordoado pelo truque simples de controle mental e repetiu, apático:

– Ele pode entrar.

Mais que depressa levei R2D4, (lembram do R2D2, da Princesa Léia? É o mesmo modelo, só que com faixas azuis e verdes) até o lugar que ocupava até instantes atrás no balcão, antes que o sujeito ou o próprio dono do inferninho se apercebessem da situação.

Tentando manter a voz baixa (Bobagem! Quem ia me ouvir ou prestar atenção no meio daquela zoeira?), o repreendi, irada:

– R2D4!!! Será possível que nem que eu atravesse Coruscant inteira você larga do meu pé?!! Que parte de “Eu quero ficar sozinha” você não entendeu??

Seguiu-se uma série de zumbidos, cliques e assobios aparentemente incompreensíveis, mas que para mim sempre foram mais claros que a fala de muitas pessoas que conhecia:

“– Meu mestre Willian, seu pai, me programou para ficar de olho em você desde que era pequena, não se lembra? E mestre Tarsis Xander fez o favor de me presentear com um localizador de maior alcance, prevendo possíveis “fugas” como essa. Não deveria sair sozinha nessa cidade enorme e perigosa!!”

– Eu sabia que você ia dizer isso, D4! – me abaixei para ficar na altura dele e tentando me acalmar para não sacudi-lo até desmontá-lo, repliquei: – Ora, seu dróide caduco! Será que não percebeu que já sou adulta e que não preciso mais de babá? Sei cuidar de mim mesma!!

O dróide girou a cabeça metálica, como se olhasse em volta e respondeu, sem vacilar:

“– Vir parar num lugar horrível desses é uma grande mostra de sua maturidade…Serei sim sua babá, acompanhante ou amigo, como preferir me chamar, enquanto se comportar como uma criança birrenta!

– Ora,seu…corei violentamente com a reprimenda. – Você não é meu pai! Não tem o direito de me dizer essas coisas!

Tenho.” – disse lacônico. – “A programação que seu pai colocou em mim me dá esse direito. Vamos voltar, mestra Ying, por favor… Sabe que não é seguro para a senhorita mesmo que este fosse um lugar decente…

Minha irritação ao invés de aumentar, como seria de se esperar, esfriou imediatamente, como se houvera levado um banho de água fria.

Tornei a suspirar e, desanimada, sentei-me novamente no balcão, dando às costas para R2D4. Ás vezes ele nem parecia um dróide, mas um ser com sentimentos e motivações próprias, apesar do que ele havia falado sobre a programação dele.

“ – Sabe que não é seguro para a senhorita mesmo que este fosse um lugar decente…” – pensei, repetindo as palavras de D4

Aqui voltamos ao ponto nevrálgico de minhas divagações acima. Aborrecida, lembrei-me de algo que mestre Tarsis não cansava de repetir quando eu perguntava porque não podia dar uma volta sozinha pelos arredores:

“ – Seu sobrenome, Solo, é algo digno de nota, minha cara, você sabe disso…

– Estou com algum crachá, por acaso? Eu nem sou filha ou parente próxima do consorte da Ministra Léia! Meu pai era um parente afastado! Primo de segundo ou terceiro grau, sei lá!! Han Solo nem sabe que existo!! – eu replicava, agastada.

Não se trata disso. – ele respondia, paciente. – Mas muitos poderiam achar interessante se apoderar de você e fazer com que ele saiba que tem uma parente ainda, em troca de um polpudo resgate. Já não discutimos isso antes, minha jovem?

Amuada, eu respondi em voz baixa, admitindo que ele tinha razão.

Eu sei disso…E não me chame assim. Hunf…”

Então ele ria e encerrava o assunto me mandando estudar de novo.

– D4, eu já cansei de dizer que isso tudo é uma grande bobagem! – disse, sem me voltar. – Não sou nenhuma princesa pra viver cercada de cuidados e, além disso…

Parei de falar abruptamente. Sentira a presença da Força naquele lugar…Será que alguém da Academia fora enviado pra me buscar?

Discretamente, voltei-me e dei uma olhada ao redor. D4 não percebera nada de estranho e continuava seu discurso ininteligível. Tensa, pus a mão em seu braço metálico para que silenciasse, o que ele fez prontamente com um assobio inquisitivo.

– Ssshh… – sussurrei. – Fique quieto. Creio que não estamos mais incógnitos aqui…

A sensação de inquietude crescia, meus sentidos se expandiam instintivamente. Finalmente, num dos reservados afastados em um dos cantos, localizei a fonte do que me havia chamado a atenção. Uma pessoa encapuzada, que não dava pra diferenciar se era homem ou mulher. Não conseguia sondar seus pensamentos pois estavam muito bem protegidos por uma forte barreira.

Isso não é bom…Tenho certeza absoluta de que não é ninguém do Templo. – pensei, começando a ficar apreensiva.

Então, como se não bastasse aquela possível ameaça, senti que haviam outras pessoas naquele lugar que pareciam ter seus pensamentos concentrados em mim. Expandi minha mente, focalizando um pouco mais e custei a acreditar no que pude ouvir.

” – É ela, sem dúvida, alguma. Vejam o holograma. É a jovem Solo!”

” – Eu não disse a vocês? Era só ter paciência que a pegaríamos fora da Academia! Vamos!! Ela está distraída! É nossa chance!”

“– Ela é uma Jedi! Como faremos isso?!”

” – Não seja idiota!” – disse o dono da segunda voz. – Ela ainda é uma padawan e com isso aqui (ele bateu com a mão em uma arma laser), mesmo que fosse um mestre Jedi, estaria à nossa mercê.”

” – Vamos! O General Solo pagará uma fortuna por essa beldade (senti que era analisada de forma avaliadora e que não era referente ao resgate…estremeci, quase rompendo o contato telepático). Quem sabe também podemos nos divertir com ela antes de entregá-la aos parentes… – disse o dono da primeira voz.

“– Nada disso. Eles disseram que ela deve ser capturada em perfeitas condições, entendeu?”

Uma gota de suor frio escorreu pela minha testa. Três sequestradores – e um deles era Corelliano, como eu. Percebi pelo sotaque. – talvez mais, com lasers e um jedi desconhecido. Poderia ser um Sith ou um Dark jedi? Sim, bem possível. Parecia que realmente conseguira me meter numa bela encrenca…

– D4, vamos sair daqui agora! – Sussurrei em tom de urgência, procurando manter a serenidade à todo custo.

Bem… Pra quem queria aventuras, parece que consegui… – pensei com um sorriso maroto, embora uma parte de mim estivesse com um pouco de medo. – Vamos ver, então, cavalheiros, tentem me pegar…se puderem!

– D4, vá na frente… – sem levantar o olhar sentia o cerco se fechando à minha volta. – Se formos juntos chamaremos muito a atenção. Não se preocupe comigo. Volte pro templo agora, entendeu?

D4, para meu desespero e irritação se recusou veementemente a ir embora sozinho. se sacudindo todo de tanta agitação.

Forçando um sorriso, olhei rapidamente para os frequentadores do bar à nossa volta, como se pedisse desculpas pela confusão. Alguns voltaram a cabeça (ou coisa parecida) mas não nos deram muita atenção.

– D4, fique quieto!! Pare de chamar a atenção ou eles perceberão que eu já estou ciente da ameaça…

“– Ameaça?!?” – o dróide quase deu um salto. – “Oh, não!! Eu bem que lhe avisei, eu…”

– Cale-se e ouça!! – sibilei, perdendo a paciência. – Tudo bem, eu admito que fui imprudente e estou numa encrenca. Realmente como todos temiam estão querendo a minha pele, está satisfeito agora? Vai ser muito mais difícil para mim conseguir escapar desses sujeitos se tiver que te defender, entendeu? Por favor, seja um dróide bonzinho e volte pra academia, procure Mestre Tarsis ou a mestra Denique (minha melhor amiga na Academia)! Diga que preciso de ajuda!! Vá! Agora!!

“Mas não posso deixá-la sozinha!!Seu pai…”

– Meu pai está morto, D4!! E mesmo que estivesse aqui não poderia fazer muito! Pela Força, seu dróide teimoso!! Por acaso, você tem aí no seu compartimento de ferramentas um arsenal de lasers, algumas bombas ou mesmo um esquadrão de soldados da República pra me ajudar? Não? Então vá, meu amigo! Prometo que irei em seguida!

” – Está bem, eu vou!” – por fim ele concordou.e saiu deslizando o mais discretamente possível.

– Tenha cuidado. – ainda tive tempo de dizer antes que ele se fosse.

“Tenha cuidado você!!” – ele assobiou, girando a cabeça em minha direção.“Por favor, jovem mestra, tenha cuidado!”

Bom, agora é comigo… – pensei, depois que ele sumiu de vista, abaixando o capuz de meu traje jedi para ocultar meu rosto e tentei dissimular minha energia, procurando me tornar o mais imperceptível que pudesse, conforme aprendera.

Misturei-me à multidão de frequentadores e encaminhei-me rapidamente para a saída, deslizando como uma sombra, mas, apesar de todos os cuidados, sentia que estava sendo seguida ainda. Minha mão apertou nervosamente o cabo de meu sabre de luz.

Droga! – tentei acalmar minha mente através da respiração para que não me deixasse tomar pelo medo e excitação.

Iniciou-se, então um verdadeiro jogo de gato e rato. Saí da boate sem problemas, mas sentia que o cerco se fechava, pois por mais que os despistasse, estavam sempre na minha esteira. Parecia que haviam muito mais que três sequestradores…

Malditos caçadores de recompensas…Será que nunca me deixarão em paz? – pensei, aborrecida, lembrando de um incidente semelhante em Corellia há anos atrás. – Será que aquele sujeito encapuzado os está ajudando? Eles parecem estar em toda parte!

Me escondi numa reentrância entre dois prédios, num recanto escuro e um pouco elevado para observar. Os três que vira na boate acabavam de surgir onde eu estivera até segundos atrás. Eles discutiam entre si. Fiquei imóvel, observando. Lembranças não muito agradáveis me vinham à mente por mais que tentasse mantê-las à distância. Aquele corelliano… Eu o conhecia de algum lugar, tinha certeza….mas isso não era hora pra especulações, precisava sair dali. O pior é que não conseguia tomar o rumo do Templo. Sentia que me afastava cada vez mais dele e acho que era isso que queriam que acontecesse.

Bom, já que não tem jeito…Que tal se eu der uma canseira neles? – pensei e um sorriso maroto se desenhou novamente em meu rosto, os olhos brilhando de excitação. (Lembro de um membro do Conselho que conhecia Han Solo comentar que quando eu sorria ficava muito parecida com ele. Devia ser uma dessas características de família, sei lá)

– Ei, seus patetas!! Tão atrás de mim,é? Então venham me pegar! – e dei uma risada, enquanto executava um salto mortal e sumia de vista.

– Peguem-na!! – gritaram.

Uma chuva de disparos se seguiu e por pouco não fui atingida.

“Quem mandou provocar… Puxa, pensei que me quisessem viva!”, pensei, arfando com o susto.

– Parem com isso, idiotas!!! – gritou o corelliano que parecia ser o líder. – Já não disse pra apenas a atordoarem pra podermos levá-la?

– Atordoados são vocês! Fui!!!

Saltei novamente, tentando tomar distância de meus perseguidores. Correndo como louca, pensei ter conseguido e parei pra descansar. Julguei ter descoberto o caminho pra voltar pra casa (já começava a julgar o Templo assim). Quando o gemido de um jovem Wookie denunciou minha localização.

Ah, droga, tá perdendo a graça! Mestre, cadê você? – pensei, aflita. – Socorro!

Como se não bastasse, na fuga, acho que naquela primeira sequência de disparos, perdi meu sabre!

Nãoooo! – pensei, me vendo cercada de pelo menos 8 ou mais caçadores de recompensas muito mal-encarados. – E agora?

Eles se aproximaram, cautelosamente.

– Quietinha agora, moça! – disse um deles. – Venha conosco sem resistência e não irá se machucar…

Um já estava perto de mim com um par de algemas ou coisa assim.

– É ruim, hein? – e dei um chute que surpreendeu o sujeito.

Começou uma luta feroz. Eu distribuía socos e chutes pra todos os lados, mas eu já estava cansada, sabia que não ia aguentar muito tempo com aquilo… Eles pareciam estar brincando comigo. O medo ameaçava se transformar em pânico. Foi então que senti algo como um choque nas minhas costas, seguida de uma dor terrível.

Mes…Mestre… Tarsis… – foi meu último pensamento, antes de tudo começar a girar e minha vista escurecer. As últimas coisas que senti antes de desmaiar foram o impacto com o chão duro e as vozes dos homens, que se aproximavam de mim pra me levar dali.

– Pronto… – disse a o corelliano, sorrindo, enquanto o wookiee me carregava com cuidado. – Essa não dá mais trabalho!

O grupo se afastou. Nas sombras, um personagem encapuzado (o da boate) observava, impassível. Um humano de estatura muito elevada surgiu a seu lado e perguntou, subserviente:

– Satisfeita, Lady Venon?

O encapuzado se descobriu, se mostrando uma mulher belíssima de raça Sephi, falou, como se para si mesmo:

– Não ainda… Ela ainda não mostrou tudo que pode fazer…Vamos embora.

Continua

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