Relatos de Ying Solo: O Sequestro – Capítulo 8 – Difícil Retorno

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Kar-Ani logo bateu no braço de Tarsis com a mão esquerda com os movimentos acelerados graças à Força, enquanto com o cotovelo direito empurrou seu mestre para trás, liberando Venom do Force Grip, então Kar-Ani esticou a mão esquerda usando um Force Push jogando Venom e Korbain contra a parede e aproveitando o momento que ambos estavam meio atordoados com o acontecido, Kar-Ani falou, sem se virar para Tarsis, mantendo sua guarda.

– Acalme-se, mestre. Isso não é uma atitude jedi e nem será assim que salvaremos a Ying. Iremos salvá-la, mas mantenha a calma, pois iremos vencê-los unidos.

Kar-Ani ajudou Tarsis a se levantar e pegou um dos sabres dele, o jogando rapidamente para Ying, aproveitando o momento em que Venom ainda estava sem concentração o suficiente para interceptar.
Os olhos de Tarsis retornaram ao normal e eles cercaram Korbain e Venom.

*************

Graças à intervenção de mestre Tarsis, a terrível pressão em minha cabeça cessou repentinamente, mas eu ainda estava tão zonza e minhas costelas doíam tanto que mal pude me pôr de pé.

– Não… Ele não… Ele não pode ir para o Lado Sombrio por minha causa!! Jamais irei me perdoar…

O sempre presente nas horas certas, meu querido irmão Kar-Ani, graças à Força, conseguiu ter a presença de espírito para detê-lo, no entanto. Aquilo me deixou imensamente aliviada.

Por reflexo, apanhei o sabre que Kar me jogara, mas só o movimento me fez dar um grito de dor e cair novamente. Respirar estava sendo extremamente cansativo. Mas o mais assustador no meio daquilo tudo foi ver o efeito causado no sempre calmo Tarsis…Estava com medo do que ia acontecer. Me sentia tão confusa…Ao mesmo tempo em que odiava aquela mulher, não queria destruí-la…Afinal, ela me dera a vida…

– Kar…Mestre Tarsis… – tentei chamar a atenção deles. – Por favor, cuidado! Não… – o que eu ia dizer era ainda mais difícil do que estava sendo respirar e conseguir falar. – Não a matem…Ela é minha mãe…

Preocupado com meu estado, meu amigo wookie quis me afastar do centro da ação, me arrastando pra um canto mais afastado. Tentando não desmaiar, eu protestei:

– Não,Wiki.. Deixe-me ir! Não posso deixar as coisas seguirem o rumo que estão…

Tirando energia sabe-se lá de onde, me aproximei dos dois.

Wiki deu um grunhido apreensivo, onde só pude entender “menina teimosa” e me seguiu de perto, me dando cobertura.

Mãe? Mãe? Que espécie de mãe tortura a própria filha? – Tarsis falou em  um quase rosnado, pondo-se de pé após o Push de Kar-Ani.

– Você não sabe de nada, Jedi.falou Venom, tossindo. – Nem ao menos tem ideia do que passei para encontrar minha filha! Ela tem um destino a cumprir muito maior do que pensa e esse destino não inclui você! Nenhum de vocês! Lutarei por ela, se necessário for! – concluiu, sacando seu sabre.

– Não, você não vai! – falou Kyle, chegando repentinamente pelo corredor de onde vieram Ying e o Wookie e arremessando Venom longe com um Force Push.

Jaden aproveita e pega Ying nos ombros, saindo em disparada pelo corredor onde estávamos, retornando para o hangar.

Vamos! Logo teremos companhia da pesada! Vem vindo um monte de droidekas1! – falou Jaden.

Droidekas! Qualquer Jedi durante as Guerras Clônicas se viu em apuros contra esse tipo de dróide. Cadência de tiro absurdamente alta e ainda eram equipados com campo de força. Terríveis máquinas de matar. Não havia tempo para muita deliberação a respeito, pois Droidekas não faziam muita diferença em quem era amigo ou inimigo. Disparariam em qualquer um em seu caminho. Por isso todos trataram de fugir, deixando Venom pra trás.

Os corpos dos Stormtroopers e os pedaços de dróides pelo caminho são a única testemunha da batalha que se sucedeu naquele lugar. Os Droidekas se moviam dobrando-se sobre si mesmos e formando uma espécie de “roda” e seguem rolando pelo caminho, rápidos e móveis. Passam por cima de tudo, nada interessando a não ser destruir o inimigo. Venom, esperta que era, não se levantou, permanecendo imóvel no chão, na esperança que os droidekas passassem por ela, dando-a como morta e ignorando-a no processo. aguardou que todos os dróides assassinos passassem e só então levantou-se e fugiu em direção ao labirinto de corredores da Estação Crseih.

Os jedis correram como se suas vidas dependessem disso, e dependiam! Kyle ficou no caminho para atrasar os Droidekas, deixando algumas minas no chão para explodirem assim que eles passassem. Jaden pegou alguns destroços de dróides por meio da Força e os arremessou contra os droidekas, a fim dar a Kyle os segundos necessários para acionar as minas e deixá-las no caminho enquanto corria. Eles desviaram dos destroços e começaram seu processo de reformatação para módulo de combate.

Enquanto isso, os demais entraram nas naves e foram acionando os motores. Jan Ors, a piloto da Raven’s Claw apressava Kyle e Jaden para que entrassem logo, mas os droidekas já haviam completado a reformatação e iniciaram a barragem mortífera de Blasters. Jaden e Kyle defletiam como podiam e recuavam, esperando que os dróides assassinos passassem pelas minas. A barragem de Blasters estava sendo demais para eles, então Tarsis desceu da Praetorian e foi ajudá-los. Os dróides pareciam saber das minas diante deles e não avançaram um centímetro.
Tarsis viu uma pequena nave próxima aos droidekas, então a ergueu atravès da Força, arrebanhando toda a energia que ainda tinha, arremessando-a nos droidekas, o que os fez tombar em direção às minas. E a explosão foi dantesca! Entretanto, o campo de força deles resistiu à explosão, mas o peso da nave os atrasou o suficiente para que todos pudessem fugir. As naves alçaram voo e se entregaram às trevas do espaço, rumo a Coruscant.

**************

Kar-Ani, na cadeira do piloto da Nubian, olhou para o lado esperando ver Tarsis, mas viu apenas Deliah pilotando ao seu lado, então apenas sorriu e olhou para trás, onde viu Tarsis cuidando de Ying e de si mesmo.

–Apertem os cintos…

Kar-Ani digitou as coordenadas no painel e a nave entrou no hiperespaço, rumo a Coruscant.

*************

Mestre Tarsis levou-me imediatamente aos fundos da nave para lançar mão dos recursos do equipamento médico. Eu sentia, preocupada, sua indignação ao ver o estado lastimável em que eu estava.

Com o cenho franzido e se controlando pra não ranger os dentes de raiva, examinou a enorme mancha roxa que se espalhara em meu pescoço, proveniente de minha primeira “conversa” com Lady Venom. Depois constatou, consternado, que eu tinha duas costelas fissuradas (já havia desconfiado disso pelo grito de dor que dei quando fui abraçada). Pra completar, eu ardia em febre. Temeu por alguma hemorragia interna, mas a princípio não parecia nada de mais grave. Podia ser de fundo emocional, talvez…

Após concluidos os primeiros procedimentos obrigou-me a deitar, enquanto o equipamento médico se ligava a mim através de vários fios pra poder me monitorar. Então também tratou da ferida na sua perna.

Imediatamente lembrei de como ele se ferira em Corellia, também tentando me resgatar. Me senti tão culpada, tudo aquilo me deixara tão perturbada, que não consegui dizer mais nada que não fosse:

– Me desculpe…e…Obrigada…Pai… – minha voz, pouco mais que um sussurro, por trás da máscara de oxigênio.

Ele parou e me olhou, parecendo estar entre surpreso e emocionado.

Lutando contra o sono (o dróide médico devia ter me aplicado algum sedativo ou era apenas exaustão e dor), eu, apesar de imersa em imensa tristeza que ameaçava me afogar em apatia, sorri à guisa de desculpas:

– Desculpe…pela ousadia…mestre…Mas desde que nos encontramos…em Corellia…… e viemos nos… conhecendo… durante esses cinco anos…que a…imagem de meu pai… em minha mente foi… se confundindo com a sua…Assim o considero e amo…como amava ao meu pai…Perdoe-me por minha estupidez que pôs a todos em perigo… – e dormi. Duas lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto me abandonava à inconsciência.

Permaneci durante quatro dias inteiros na Ala Médica do Templo em Coruscant. Então recebi alta e permissão para voltar a meus aposentos e treinar, contanto que fosse com calma…

Calma…Na verdade, me sentia tão apática, tão… vazia que nem o longo sermão que Deliah me passou assim que despertei no dia seguinte ao nosso retorno, provocou qualquer reação (antes provalmente bem intensa…) em mim. Era quase como se estivesse morta por dentro…Talvez fosse melhor pra todos que houvesse mesmo morrido…Assim não causaria mais problemas.

Resolvi mesmo não causar mais nenhuma preocupação ou aborrecimento. Dediquei-me com afinco aos estudos, mas…Sabe quando parece que você está assistindo à vida de outra pessoa?

Me comportava como um autômato, fazia tudo o que me mandavam fazer, mas não sentia o que fazia. Apenas executava…

Lembro-me de Kar comentar, em tom de brincadeira, mas muito preocupado na verdade, se o mestre tinha certeza de que haviam resgatado a mim realmente ou a algum clone mal acabado.

– Onde está aquele furacão em forma de gente que enlouquecia todo mundo aqui? – falou, intrigado.

Após forçar um sorriso nada convincente e afirmar que estava tudo bem comigo, me afastei e comecei a andar pelos longos corredores do Templo.

Engraçado…Pensei estar vazia de emoções mas não era bem assim. A imensa tristeza que já me envolvia como um cobertor frio, ameaçava extravasar, afinal, como um vulcão em erupção. As lágrimas vieram quentes e abundantes.

Passei em frente à sala de treinamento dos Younglings2 mais novos, onde adorava passar horas brincando e treinando com eles, imaginando que eram meus irmãozinhos e irmãzinhas. Eles pararam de treinar sentindo a dor que eu sentia na alma. Da porta, dei um sorriso e fiz sinal que continuassem. Estava tudo bem…Estava tudo bem…

Só que não…Não estava…

Parando numa das enormes janelas que davam vista para o caótico trânsito de Coruscant, num dos recantos mais isolados do Templo, encostei minha testa e mãos ao vidro e dei vazão ao pranto afinal. Nunca mais chorara na frente de ninguém desde Corellia. Essa foi a segunda vez.

Lembrei-me de um pensamento de um dos livros da biblioteca do Templo que dizia:”O que é mais insuportável para um ser, humano ou não? A mortificação do corpo ou a morte de todos os seus sonhos? Agora tinha certeza da segunda resposta…Pois ter de aceitar que Lady Venom era minha mãe era a aniquilação completa de todos os meus sonhos de infância, daquela imagem da heróina romântica, da mãe heroica que sacrificara desfrutar uma vida ao lado de sua filhinha para protegê-la do Mal.

***************

A passos curtos, Kar-Ani se aproximou de Ying. Ele podia sentir sua tristeza e imaginava como ela se sentia. Então colocou a mão no ombro dela e ficou ao seu lado, falando sem olhar para ela diretamente.

– Ying, o que está te deixando tão triste? Venha conversar comigo, acho que posso te ajudar… Por favor, confie em mim! Não suporto te ver desse jeito… Quero aquela pestinha insuportável de volta!

Kar-Ani olhou para Ying e sorriu, aquele sorriso acolhedor que era como um grande abraço, encorajando-a a desabafar.

Continua…

http://https://www.youtube.com/watch?v=ga94wVeFBac

1 Droidekas: eram um tipo de droide usado pela Federação de Comércio e pela Confederação de Sistemas Independentes. Sua reputação de mortal foi adquirida principalmente durante as Guerras Clônicas, por se mostrar um enorme desafio aos Jedi.

2 Younglings: também conhecidos como iniciados Jedi , eram crianças sensíveis à Força recrutadas pela Ordem Jedi de várias espécies através da galáxia . (fonte: wikipedia. N.A)

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